Capa de: ÍCARODireitos reservados pelos Autores, segundo os dispositivos legais.Direitos de tradução só poderão ser cedido...
Este volume é dedicado a todos os que souberem ser dignos na hora do testemunho— demonstrando a sua firmeza de convicção.—...
ÍNDICENA HORA DO TESTEMUNHO (RUDMAR AUGUSTO).................................................................................
TIPOS DE LIDERANÇA ..........................................................................................................
NA HORA DO TESTEMUNHO (RUDMAR AUGUSTO)A crista do galo marca,ponteiro do desafio,a hora amarga da Arca─ profanação de gent...
OS TEXTOS DE KARDEC (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)A sua veemência e sinceridade, na defesa da Obra de Allan Kardec, me fez pen...
NA HORA DO TESTEMUNHOEste é um livro diferente na bibliografia espírita. O testemunho de uma hora amarga, precisamente da ...
assumir posições de liderança. A vaidade dos líderes afasta-os do estudo sério e humilde da Doutrina.Verificou-se que a ad...
ANTES DO CANTAR DO GALO
ANTES DO CANTAR DO GALO (J. HERCULANO PIRES)Ser fiel à Verdade, saber respeitá-la e fazer-se humilde perante ela são as tr...
Já decorreu mais de um ano dessa ocorrência desastrosa ainda não é possível avaliar-se o prejuízocausado no meio espírita ...
O exemplo da desfiguração do Cristianismo é suficiente para nos mostrar os perigos a que fomos expostos.Essa desfiguração ...
a cabeça na areia quando a tempestade ruge. Essa imperdoável covardia é sempre assinalada com a marcaindelével de Caim. Em...
CHICO XAVIER PEDE UM LIVRO
CRÔNICAS DA HORA AMARGA (J. HERCULANO PIRES)Chico Xavier, que nos deu tantos livros, envia-nos de Uberaba um pedido angust...
No panorama social em que circulas tens a paisagem de serviço que te solicita demonstrações deaproveitamento e valor.Nas p...
Ontem à tarde, em nossos entendimentos sobre as tarefas que nos cabem na vida, tratávamos, várioscompanheiros, das decepçõ...
Freud. Coloca o problema da lei de sincronicidade, que substituiria nos fenômenos paranormais a lei física decausa e efeit...
achamos necessário divulgar essa nova profissão de fé kardeciana. Mas agora, quando a obra de Kardec, estásofrendo a prime...
verdade?* * *Quem conseguiria medir os espinheiros de discórdia em que chafurdaríamos o espírito, não fossem asdecepções e...
Lucchesi, de São Paulo, comentou o texto com muito carinho e eficiência, lembrando a mensagem evangélicaque a Doutrina Esp...
Conhecemos a luta em que te pões,Pedindo-nos concurso e entendimento,A fim de atenuar o sofrimentoDe tantos coraçõesAtolad...
TRABALHO URGENTE (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)Os amigos espirituais costumam informar que são muitos os mensageiros que estim...
Jesus, emendar os Evangelhos e a codificação. Os textos de Kardec constituem a III Revelação e são ditados einspirados pel...
e calúnias proferidas pela boca de amigos e companheiros que ontem só tinham para conosco palavras deelogio e carinho. E t...
no mundo à custa de lágrimas.* * *Consideremos tudo isso e não te permitas abater se lutas, porventura te assediem a estra...
compulsando um exemplar da 51 edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando me referi a certaexpressão do item 5 do ...
houvesse tomado posição contrária à adulteração desde 8 de dezembro de 1974. Que forças impediram opronunciamento que fico...
Na hora do testemunho
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Na hora do testemunho

Published on: Mar 3, 2016
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Transcripts - Na hora do testemunho

  • 1. Capa de: ÍCARODireitos reservados pelos Autores, segundo os dispositivos legais.Direitos de tradução só poderão ser cedidos pelos Autores.Pedidos à:Editora PAIDÉIA Ltda.Rua Dr. Bacelar, 505-A — Tel. 549-305304026 — São Paulo, SP. — Brasil
  • 2. Este volume é dedicado a todos os que souberem ser dignos na hora do testemunho— demonstrando a sua firmeza de convicção.— rejeitando o crime da profanação.— não se omitindo em face da traição,— exigindo o respeito à Codificação,— resistindo ao conluio da adulteração.Aos que se entregaram às sugestões inferiores, à vaidade pessoal e aos interesses institucionais,pensando servir à Causa ao agradar aos homens ─ a nossa piedade e a nossa prece.Aos trânsfugas que desertaram e hoje clamam por esquecimento, a nossa advertência quanto aos perigosdo futuro.
  • 3. ÍNDICENA HORA DO TESTEMUNHO (RUDMAR AUGUSTO)..........................................................................................6OS TEXTOS DE KARDEC (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER) ............................................................................7CONVICÇÃO DOUTRINARIA (IRMÃO SAULO)....................................................................................................7NA HORA DO TESTEMUNHO ....................................................................................................................................8IGNORÂNCIA E BEATISMO.......................................................................................................................................8ANTES DO CANTAR DO GALO ...............................................................................................................................10ANTES DO CANTAR DO GALO (J. HERCULANO PIRES)....................................................................................11QUESTÃO DE ÉTICA................................................................................................................................................12VAIDADE DAS VAIDADES .....................................................................................................................................13CHICO XAVIER PEDE UM LIVRO..........................................................................................................................15CRÔNICAS DA HORA AMARGA (J. HERCULANO PIRES) .................................................................................16EXISTÊNCIA TERRESTRE (EMMANUEL) ............................................................................................................16ADULTERAÇÃO DO EVANGELHO (IRMÃO SAULO).........................................................................................17TAREFAS E DECEPÇÕES (CHICO XAVIER) .........................................................................................................17DESAPONTAMENTO (EMMANUEL).....................................................................................................................18COINCIDÊNCIAS SIGNIFICATIVAS (IRMÃO SAULO) .......................................................................................18EM TORNO DA CODIFICAÇÃO (FRANCISCO CANDIDO XAVIER)..................................................................19CODIFICAÇÃO ACIMA DE TUDO (IRMÃO SAULO) ...........................................................................................19DO ARQUIVO DE EMMANUEL (FRANCISCO CANDIDO XAVIER)..................................................................20BÊNÇÃOS OCULTAS (EMMANUEL) .....................................................................................................................20A TAÇA DA DESILUSÃO (IRMÃO SAULO)...........................................................................................................21LEMBRANÇA DO CRISTO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER) ..........................................................................21ORAÇÃO POR NÓS (MARIA DOLORES) ...............................................................................................................22SABER AMAR (IRMÃO SAULO).............................................................................................................................23TRABALHO URGENTE (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)................................................................................24VIAGEM ACIDENTADA (CAIRBAR SCHUTEL)...................................................................................................24NA HORA DO TESTEMUNHO (IRMÃO SAULO)...................................................................................................24DESAVENÇAS E ANTAGONISMOS (CHICO XAVIER)........................................................................................25DESCULPA E BÊNÇÃO (EMMANUEL)..................................................................................................................25GUERRA E PAZ (IRMÃO SAULO)...........................................................................................................................25PROBLEMAS DA EVOLUÇÃO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)....................................................................26AUTO-RENOVAÇÃO (EMMANUEL)......................................................................................................................26EM DEFESA DE CHICO (IRMÃO SAULO)..............................................................................................................27CARTA-CONFISSÃO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)....................................................................................27A TRAMA DA ADULTERAÇÃO (IRMÃO SAULO) ...............................................................................................28CONSOLADOR PROMETIDO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)......................................................................29A SUBLIME TAREFA (EMMANUEL)......................................................................................................................29MOMENTO DE REFLEXÃO (IRMÃO SAULO) ......................................................................................................29RESPONSABILIDADE DOUTRINARIA (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER) .....................................................30A DIFÍCIL HUMILDADE (IRMÃO SAULO)............................................................................................................30CHICO XAVIER COM JESUS E KARDEC (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER).................................................31O EXEMPLO MAIOR (IRMÃO SAULO)..................................................................................................................32AS CARTAS DE CHICO XAVIER .............................................................................................................................33OS DOCUMENTOS DA ANGÚSTIA (J. HERCULANO PIRES) .............................................................................34PSICOLOGIA DA LIDERANÇA ESPIRITA (J. HERCULANO PIRES) ..............................................................38PSICOLOGIA DA LIDERANÇA ESPÍRITA .............................................................................................................39
  • 4. TIPOS DE LIDERANÇA ............................................................................................................................................39PSICOLOGIA DOS LÍDERES....................................................................................................................................42A CULTURA ESPÍRITA.............................................................................................................................................46POESIA DA ADULTERAÇÃO....................................................................................................................................47O ENVOLVIMENTO DAS TREVAS (J. HERCULANO PIRES)..............................................................................48O EVANGELHO E O MUNDO ..................................................................................................................................48A CEIA DOS CARDEAIS...........................................................................................................................................51FICHA DE IDENTIFICAÇÃO LITERÁRIA.............................................................................................................59CONTRACAPA.............................................................................................................................................................60
  • 5. NA HORA DO TESTEMUNHO (RUDMAR AUGUSTO)A crista do galo marca,ponteiro do desafio,a hora amarga da Arca─ profanação de gentio.Sangue e fogo no esplendorda aurora de um nova dia.Pilatos lava o favornas águas da covardia.Canta o galo, canta o galo,terceira vez ele canta.Pedro sente trespassá-lotrês golpes de espada santa.Pesqueiros da Galiléia,num mar de cinza e de rosa,lembram no céu da Judéiaa pesca miraculosa.A hora da Loba ─ Romaque devorou os rabinos.Ninguém a vence nem domano entrançar dos destinos.Na hora do testemunhorompe-se o véu do sacrário.Tremem as mãos sobre o punhoda espada do legionário.Na amargura e na mudezda noite das agonias,Pedro chora a sua veze ouvem-se litanias.A Loba dorme saciadadigerindo os seus rabinos.Sobre a túnica sagradacompletam-se os desatinos:─ O esquadrão legionário joga dados no Calvário.
  • 6. OS TEXTOS DE KARDEC (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)A sua veemência e sinceridade, na defesa da Obra de Allan Kardec, me fez pensar muito no cuidado quetodos nós, os espíritas, devemos ter na preservação dos textos referidos, sob pena de criarmos dificuldadesinsuperáveis para nós mesmos, agora e no futuro. Meditando nisso, sou eu quem me sinto honrado em enviar-lhe estas publicações, no intuito de demonstrarmos em livro-documentário a elevação da sua defesa e o meurespeito no tocante à Codificação kardeciana, que nos cabe endereçar ao futuro tão autêntica quanto nos sejapossível.No caso de ser levado adiante o lançamento de um livro nessas diretrizes, o prezado professor poderáusar, ou apresentar no contexto do volume, qualquer trecho ou a total correspondência que lhe tenho enviadosobre o assunto, pois isso poderá clarear a atitude que tomei.CONVICÇÃO DOUTRINARIA (IRMÃO SAULO)Nesta antevéspera de mais um aniversário do Livro dos Espíritos, que transcorrerá no próximo domingo, énecessário lembrarmos a importância de constante vigilância na preservação e defesa das obras fundamentaisda Doutrina. E isso só pode haver se os espíritas estiverem convictos do valor e da significação espiritual ecultural dessas obras. Infelizmente não foi o que se viu no recente episódio de adulteração de O EvangelhoSegundo o Espiritismo, com a venda total da edição ao público desprevenido e a sustentação públicada adulteração pela própria Federação Espírita do Estado. O que então se viu foi uma demonstraçãoalarmante de falta de convicção doutrinária de parte dos responsáveis pela tradicional instituição.Essa falta de convicção e de zelo pela Doutrina é o resultado de muitos anos de infiltração de princípiosestranhos nos próprios cursos de Espiritismo dados pela Federação e por numerosas entidades a ela filiadas. Oensino deturpado só poderia levar o meio espírita à desfiguração dos textos de Kardec. No plano cultural, aadulteração é um crime que só pode ser desculpado pela ignorância. No plano espiritual é a profanação daverdade revelada. E em ambos os planos, mas particularmente no moral, a adulteração é um ato de traição.Mas todas essas qualificações se reduzem apenas a uma a ignorância quando o procedimento revela, em suaprópria forma e nas tentativas de sua justificação, o mais lamentável desconhecimento do próprio sentido dostrechos adulterados.Chico Xavier, que tentaram envolver nesse processo lamentável, tomou posição clara e definida em defesada inviolabilidade dos textos de Kardec. Mas como persistiram os realizadores da façanha em apontá-lo comoenvolvido, o famoso e querido médium solicitou a publicação de um livro-documentário, a fim de que não sepossa, no presente e no futuro, continuar a citá-lo como implicado na questão.Houve também os que reconheceram o erro cometido e se opuseram ao prosseguimento do planoadulterador, que pretendia desfigurar toda a Codificação do Espiritismo, segundo documentos oficialmentedivulgados. A atitude de Chico Xavier e desses poucos (pouquíssimos) que tiveram a coragem de penitenciar-se, contrasta com a falta de convicção da maioria dos chamados lideres espíritas que se omitiram e calaramdiante do aviltamento de sua própria doutrina.O sintoma evidente de insensibilidade decepcionou todos os espíritas sinceros. E mais grave se tornaquando sabemos que a Doutrina Espírita não foi elaborada por Kardec, mas pelos Espíritos Superiores, sob aorientação constante do Espírito da Verdade (nome derivado dos textos evangélicos) e sob a égide do próprioCristo, segundo a sua promessa registrada pelos evangelistas, particularmente no Evangelho de João.O remédio contra esse estado mórbido depende de medidas que não foram tomadas: o afastamento dosresponsáveis pela adulteração dos cargos diretivos da instituição; a reformulação imediata dos cursos dedoutrina e de médiuns, com exclusão dos livros, folhetos e apostilas adulterantes; o retorno imediato aos livrosbásicos de Kardec como únicas fontes legítimas de ensino espírita; o reconhecimento da posição subsidiáriadas obras de André Luiz, hoje superpostas às de Kardec; a condenação e exclusão total das obras demistificação ou de mistura indébita de doutrinas estranhas. Enquanto isso não for feito, as raízes amargas daadulteração continuarão a fermentar no meio espírita e a alimentar a vaidade de pretensos instrutores emestres. Temos de escolher entre ser espíritas ou ser mistificadores da doutrina.
  • 7. NA HORA DO TESTEMUNHOEste é um livro diferente na bibliografia espírita. O testemunho de uma hora amarga, precisamente da horaem que os espíritas brasileiros, muito confiantes na solidez do seu movimento doutrinário, foram chamados adar testemunho de sua convicção espírita. O desafio não partiu de nenhuma pressão externa, mas do própriomeio espírita. Acostumados a encarar o Espiritismo, no seu aspecto religioso, como o Cristianismo Redivivo,renascido em espírito e verdade, depurado das infiltrações pagãs e judaicas, viram-se de súbito ameaçados dedeformações internas, promovidas nos próprios textos fundamentais da Doutrina pela Federação Espírita doEstado de São Paulo, até então considerada coma a principal guardiã da pureza doutrinaria em todo o Brasil. Eo que mais assustava era que os elementos incumbidos da renovação dos textos diziam-se autorizados pelomédium Francisco Candido Xavier, exemplo de fidelidade e dedicação à Doutrina.O desafio colhera de surpresa a todos, com o lançamento abrupto de uma edição adulterada de OEvangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. A Federação autorizara o seu Departamento do Livro arealizar a façanha. E o departamento tomara as devidas cautelas realizando seus trabalhos entre quatroparedes. Essa técnica antiespírita desnorteara a todas. O livro surgia de um golpe, como um fato consumado,numa edição de trinta mil exemplares, em parte já vendida antecipadamente a vários Centros e GruposEspíritas. E trazia duas explicações justificadoras: uma do tradutor, Paulo Alves de Godoy, e outra do Departa-mento do Livro, que expunha um plano de completa e total revisão de toda a Codificação Doutrinária de AllanKardec. Uma novidade a mais, entre as muitas novidades desta hora de inquietação mundial, seguindo oexemplo das deformações católicas e protestantes das novas edições da Bíblia e dos Evangelhos.Mas alguns espíritas zelosos não aceitaram com bons olhos a novidade. A edição adulterada saira emJulho de 1974. 0 Grupo Espírita Cairbar Schutel, de Vila Clementino, denunciou o fato e lançou um movimentode protesto, espalhando por todo o país 5 mil boletins e 40 mil exemplares do tablóide MENSAGEM, comanálise rigorosa e condenação enérgica das modificações do texto. Outros grupos e instituições doutrináriasaderiram a esse movimento de reação e a polêmica extravasou na imprensa e no rádio. A FEESP tentousustentar a sua posição, o Grupo Espírita Emmanuel, de São Bernardo do Campo, colocou-se ao seu lado eafastou abruptamente Herculano Pires da direção do programa "No Limiar do Amanhã", da Rádio Mulher. Ogrupo da Federação ameaçou também tirar-lhe a crônica espírita que há trinta anos mantém no "Diário de SãoPaulo", mas nada conseguiu. A polêmica alastrou-se pelo país, mas apenas alguns líderes espíritas semanifestaram. As Federações dos Estados enviaram protestos à FEESP, mas não foram além disso. AConfederação Espírita Argentina também protestou. Enquanto isso, a FEESP vendia a edição adulterada. Maistarde, a assembléia geral da União das Sociedades Espíritas, reunida na própria sede da FEESP, condenou porunanimidade a adulteração e os adulteradores foram vencidos, mas nem todos convencidos. A Liga Espírita doEstado tomou posição firme contra a adulteração. Jorge Rizzini, que a apoiava, foi logo mais afastado dadireção do programa "Um passo no Além", que mantinha, na rádio das Casas André Luiz. Fêz-se em todo o paíso que Herculano chamou de "O Silêncio dos Rabinos, ao tilintar das moedas de Judas."O médium Francisco Candido Xavier, apesar de sua costumeira isenção em polêmicas doutrinárias,acabou manifestando-se contra a adulteração e tomou posição firme e clara na defesa dos textos de Kardec. Amaioria dos chamados líderes espíritas não se manifestou. A hora do testemunho provara mal, revelando a faltade convicção da maioria absoluta, e portanto esmagadora, do chamado movimento espírita brasileiro. Mas osresultados foram se manifestando mais tarde, com um crescente interesse do meio espírita pelas obras deKardec em edições insuspeitas.IGNORÂNCIA E BEATISMOA investigação das causas da adulteração revelou a fragilidade do movimento espírita brasileiro resultantede dois fatores principais: a ignorância e o beatismo. A maioria dos espíritas não estuda a sua doutrina e seentrega a um beatismo igrejeiro. Os cursos doutrinários ministrados pela Federação e outras instituições sãoorientados por obras escritas par pessoas que pretendem superar Kardec e misturam idéias pessoais deelementos de variadas correntes espiritualistas. O beatismo elemento residual de nossa formação religiosanacional, não é combatido mas estimulado por esses cursos sincréticos. A incompreensão da naturezaespecificamente científica e cultural do Espiritismo é alarmante. O religiosismo popular, o interesse pelosobrenatural, o apelo à emoção ao invés do estímulo à razão nas palestras e pregações asfixiam os elementosculturais no meio espírita. A pretensão a mestres e orientadores estufa a vaidade daqueles que pretendem
  • 8. assumir posições de liderança. A vaidade dos líderes afasta-os do estudo sério e humilde da Doutrina.Verificou-se que a adulteração resultou principalmente da falta de compreensão do conceito do bem e domal no Espiritismo, onde esses conceitos são definidos de maneira clara e precisa. A adulteração, propondo-sea "atualizar a linguagem doutrinária", girou em torno de expressões evangélicas e kardecianas nãocompreendidas, e que foram substituídas por expressões ambíguas. Como o Espiritismo considera o homemessencialmente bom, os reformadores ingênuos resolveram suprimir dos textos qualquer expressãoconsiderada "maldosa". Por exemplo: a expressão evangélica "Amai aos vossos inimigos", carregada de grandepoder expressivo e grande força de comunicação, foi substituída por "Amai aos que não vos amam", que é tolae vazia. A expressão "espíritos maus" foi substituída pela expressão "espíritos menos bons", que além de suaflagrante irrealidade anula o conceito de "mau", com chocante desatualização e flagrante contradição aprincípios doutrinários básicos. Além dessas tolices, que comprometem o rigor e o equilíbrio do textokardeciano, tornando-o alheio à realidade existencial evidente (mormente nesta hora de atrocidades sem limitesque estamos vivendo) houve a aplicação ao texto de termos científicos inadequados.Os adulteradores mostraram-se ignorantes do princípio doutrinário da bondade inata do homem comopotência (bondade a se desenvolver no processo evolutivo, potência do bem a se transformar em ato atravésdas experiências.)A adulteração foi uma triste demonstração de ignorância e de beatismo religioso tipicamente anticultural.Esse primarismo entretanto, abria um precedente perigoso e tinha de ser repelido por todos os espíritosconvictos. Nesse passo iríamos à desfiguração total do Espiritismo, repetindo todo o processo histórico dedeformação do Cristianismo, transformado, por ignorância e conveniências imediatistas, num tipo de paganismoidólatra e obscurantista. A importância deste livro está na reação cultural a essas agressões primárias àdoutrina, com a reafirmação da virilidade cultural do Espiritismo, da limpidez racional dos seus textos, da suaposição de balizador da futuro espiritual do homem, posição essa perfeitamente confirmada pelo avançocientífico e cultural do nossa tempo, no esquema preciso apresentado pela Doutrina há mais de um século. Poroutro lado), este livro mostra a necessidade imperiosa de se recolocar o problema espírita em seus verdadeirostermos, sob pena de agirmos no campo doutrinário como simples macaco em loja de louças.
  • 9. ANTES DO CANTAR DO GALO
  • 10. ANTES DO CANTAR DO GALO (J. HERCULANO PIRES)Ser fiel à Verdade, saber respeitá-la e fazer-se humilde perante ela são as três pedras de tropeço dohomem na Terra. Podemos conhecer a Verdade e proclamá-la, procurar vivê-la e comunicá-la aos outros, master a coragem de sustentá-la nos momentos de crise é quase um privilégio no mundo das vaidades e mentirasterrenas. Por isso os grandes Mestres têm sempre de provar a taça de fel do abandono, como Jesus no Horto,enfrentando sozinho a vigília da traição, ou no Calvário, suportando no abandono a crucificação.Quase dois milênios passados, um dos mais lúcidos discípulos do Mestre, no dizer de Emmanuel,suportaria em Paris a solidão dos que amam a Verdade e a ela se consagram. A vida de Allan Kardec é oespetáculo da solidão do homem que toca a fímbria da Verdade e tem de suportar sozinho as conseqüênciasda sua audácia. Quando a estudamos espanta-nos a terrível solidão em que viveu e lutou, compreendendo sóele, inteiramente só, a grandeza da obra que realizava. Teve dezenas de companheiros, centenas de co-laboradores, milhares de adeptos. Mas só ele compreendia a Doutrina que anunciava ao mundo.A beira da sua tumba, no discurso de exaltação que lhe fazia, Camille Flamarion, discípulo dos maisardorosos, acusou-o de ter feito "obra um tanto pessoal", revelando não haver compreendido o seu sacrifício ea significação da sua obra. Após a sua morte, os que deviam dar continuidade ao seu trabalho se entregaram adisputas bizantinas em torno de questões acessórias. E logo mais surgiram os críticos dos seus ensinos,procurando adaptá-los às conveniências circunstanciais.Em 1925, quando se reuniu em Paris o Congresso Espiritualista Internacional, o próprio Kardec, através decomunicações mediúnicas, teve de forçar Léon Denis, já velho e cego, a sair de Tours, na província, paradefender o Espiritismo dos enxertos que lhe pretendiam fazer os representantes de várias tendências, com aaceitação ingênua de ilustres mas desprevenidos militantes espíritas. Todos eles professavam inabalávelfidelidade à Doutrina, mas concordavam com a tese de que esta devia avançar dos limites kardecianos. Denisfoi o baluarte da resistência e venceu a batalha, mas sozinho, também ele solitário.Transcorridas 75 anos, teríamos de assistir em São Paulo, a praça forte da Verdade Espírita no Brasil e noMundo, a uma nova e espantosa demonstração da solidão de Kardec. Adeptos da Doutrina, que através demuitos anos pareciam-lhe extremamente fiéis, repetiram o episódio evangélico das três negações de Pedro,enquanto a obra de Kardec — o Evangelho Ressuscitado em espírito e verdade ─ era crucificado no calvário daincompreensão humana. Antes do cantar do galo, no intermúndio frio e nevoento da madrugada, entre a noiteagonizante e o dia que lutava para nascer, os discípulos que se diziam fiéis até à morte negaram e sustentarama sua negação, ao som metálico das moedas de Judas. Se não fosse a reação de um pequeno grupo, tambémsolitário e sem forças, pouco a pouco apoiado por outros, a obra de Kardec estaria hoje inteiramente deformadaem traduções oficiais da Federação Espírita do Estado de São Paulo.Nada menos de 30 mil exemplares de O Evangelho Segundo o Espiritismo foram postos em circulação nomeio espírita brasileiro, numa pseudo tradução em que se pretendia corrigir expressões da redação original deKardec, sem o menor respeito pela cultura e o rigor metodológico do Mestre. Foram inúteis os apelos ── emdocumentos pessoais, cheios de explicações minuciosas, dirigidos aos responsáveis pela instituição para queessa edição fraudulenta não fosse posta em circulação. As moedas de Judas soaram mais alto. A instituiçãopreferiu a traição à Doutrina ao prejuízo monetário que teria de sofrer para manter-se fiel à Verdade. E maistarde, perante o Congresso Espírita Estadual, que felizmente condenou por unanimidade a adulteração, opresidente da referida instituição vangloriou-se de haver sido esgotada a edição. E o responsável direto pelatradução, em carta dirigida à Mesa, acusou o médiumFrancisco Candido Xavier de co-responsável pela adulteração, colocando-o mesmo na posição de autorintelectual do processo.Explica-se a rejeição do Congresso pela veemência da repercussão dos protestos contra a fraude, que jáentão ecoavam por todo o Brasil e até mesmo no Exterior. Acusaram-nos de violência, de falta de tolerância ede espírito de fraternidade, de provocar um escândalo pernicioso ao bom nome do movimento espírita, masesqueceram-se da indignação que sempre, em todos os tempos, os crimes contra a Verdade desencadearamno mundo. Só os espíritos apáticos, indiferentes ou acomodatícios, podem conter o seu ímpeto ante crimesvandálicos dessa espécie. Dóceis criaturas lembraram que podíamos, através de entendimentos prévios ecordiais, impedir a adulteração. Não sabiam, por certo, que o crime havia sido planejado e praticado entrequatro paredes, de maneira que nós, os que o denunciamos, só pudemos fazê-lo quando ele já estavaconsumado, com a edição adulterada exposta à venda nas livrarias e grande parte já vendida antecipadamente.Só nos restava a denúncia pública e veemente, no cumprimento do dever de advertir o público, livrando osingênuos do engodo planejado.
  • 11. Já decorreu mais de um ano dessa ocorrência desastrosa ainda não é possível avaliar-se o prejuízocausado no meio espírita pela circulação desses trinta mil volumes adulterados da obra básica da ReligiãoEspírita, num país em que o Espiritismo tomou sobretudo uma feição religiosa. O silêncio absoluto da maioriada imprensa espírita e particularmente dos chamados líderes espíritas, em todo o Brasil, provou de sobejo odesconhecimento generalizado da Doutrina Espírita pelos pseudo-corifeus do Espiritismo em nossa terra.Cansamos de receber apelos de tolerância, de fraternidade, de caridade cristã, como se acaso fôssemos ospromotores do escândalo, os responsáveis pela situação desastrosa criada no meio doutrinário. A falta decompreensão do valor, da significação, da importância cultural e histórica da obra de Kardec transparecia emtodas essas solicitações angustiadas de candidatos à angelitude precoce.Chegou o momento em que o médium Chico Xavier, apresentado pelos adulteradores como o Pedroarrependido, viu-se obrigado a romper o seu silêncio para declarar, alto e bom som, que não participara doconluio e estava decisivamente contra a deturpação dos textos básicos da Doutrina. Essa atitude de ChicoXavier lavou as Estrebarias de Álgias, mas até hoje existem criaturas angélicas que não acreditam na suaposição decisiva. Daí a iniciativa dele, dele mesmo, Chico Xavier, como se constata de maneira inegável nestevolume, de solicitar-nos a publicação de um livro em que os fatos ficassem bem definidos.O livro aqui está, como salvaguarda do futuro, segundo Chico deseja. Os leitores verão que a posição domédium contrasta com a nossa. Chico se pronuncia como intérprete dos Espíritos. Nós falamos por nós, comacriaturas humanas indignadas ante a falta de respeito pela obra de Kardec, ante o atrevimento inconcebível dosque aceitaram os alvitres das trevas para corrigir de maneira bastarda os textos puros do Mestre. Não podemosadmitir candidamente que os dirigentes de uma instituição até então respeitável, não obstante os seus deslizesdoutrinários, tenham sido os promotores desse atentado à Doutrina. O dever impostergável de todos eles,consignado nos próprios estatutos da entidade, é o de propagar a Doutrina em sua pureza e defende-la. Nãosabemos o que ainda fazem, depois dessa queda injustificável, no desempenho dos cargos em quepermanecem impassíveis, como se nada tivesse acontecido.Chico Xavier não diria isso, porque os Espíritos não interferem nas questões de nossa responsabilidadehumana, e Chico é um instrumento deles na Terra. Mas nós dizemos, não podemos calar, temos o dever dezelar pela dignidade do movimento doutrinário. Se não mantivermos a ética espírita acima da ética mundana,mas, pelo contrário, a colocarmos abaixo, a pretexto de que no Espiritismo o princípio de fraternidade cobretodos os aleijões, estaremos reduzindo a Doutrina à condição amoral de uma cobertura para airresponsabilidade. Os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade do Espiritismo resultam, como Kardecacentuou, no senso da responsabilidade individual e de grupa, ambos intransferíveis. Aqueles que falharam nosdeveres de que foram investidos, a ponto de conspurcarem as obras fundamentais, os alicerces conceptuais daética espírita, só têm um caminho a seguir: a renúncia aos seus cargos, para que outros mais capazes possamrefazer os erros por eles praticados. E, se não entenderem o seu dever nesse sentido, devem ser advertidospela corporação, sob pena da desmoralização desta.QUESTÃO DE ÉTICASem a observância ativa e vigilante dos princípios éticos que o informam, nenhum movimento cultural podesubsistir, pois estará minado em suas bases pela irresponsabilidade dos adeptos. O que se evidenciou, no casoda adulteração, desta vez de maneira ameaçadora e até mesmo arrasadora, foi o estado de alienação em quecaiu a comunidade espírita no tocante às suas responsabilidades doutrinárias. Este não é um problemasuperficial, que possamos simplesmente ignorar. É um problema da mais alta gravidade para todas asorganizações humanas. O que a ética espírita nos ensina é que não devemos confundir o erro com quem ocometeu. Esse é um princípio superior de ética. Perdoamos o autor ou autores do erro, mas não podemostolerar o erro. Este tem de ser corrigido. E os autores que não revelaram sensibilidade suficiente para sepenitenciarem devem ser corrigidos, sob pena de estimularmos o erro e criarmos no meio doutrinário um climade indignidade geral.Chico Xavier deu-nos uma prova eloqüente desse procedimento. Envolvido indebitamente no caso daadulteração, por haver sugerido uma modificação em tradução que lhe parecia embaraçosa, sentiu-seresponsável pelo crime e assumiu de pronto a sua responsabilidade total. Logo mais passado o estadoemocional que o confundira, ao tomar consciência da distância que havia entre a sua sugestão e a intenção dosadulteradores, voltou a público para condenar a desfiguração dos textos kardecianos e retificar a sua posição.Jamais ele podia ter pensado em admitir a adulteração, pois com isso negaria todo o seu passado de cerca demeio século de fidelidade e respeito absoluto a Kardec.
  • 12. O exemplo da desfiguração do Cristianismo é suficiente para nos mostrar os perigos a que fomos expostos.Essa desfiguração foi tão profunda que levou as igrejas a transformarem Jesus em mito e promoveremperseguições e matanças vandálicas em nome do Mestre e de Deus. Não basta esse terrível exemplo histórico,essa catástrofe moral que redundou na expansão do ateísmo e do materialismo na Terra, para advertir osespíritas, que se colocam sob a égide do Espírito da Verdade, quanto ao perigo da frouxidão moral no campodoutrinário? Queremos, por comodismo e em nome de interesses imediatistas, deixar que a irresponsabilidadedeturpe também o Cristianismo Redivivo que o Espiritismo nos traz, mergulhando novamente a Terra emmilênios de trevas? Se não lutarmos pela intangibilidade e a pureza da Doutrina, o que é que desejamosdivulgar, oferecer, ensinar aos outros, pessoalmente e através de nossas instituições? As nossas idéiasimprecisas e muitas vezes absurdas, as nossas pretensões orgulhosas, a pseudo-sabedoria da nossa vaidade,as nossas lamentáveis deficiências em todos os sentidos?VAIDADE DAS VAIDADESOs pretensos reformadores de Kardec nem sequer conhecem a sua obra, não penetraram ainda noconhecimento da harmoniosa estrutura da Doutrina e com isso não revelam a mínima condição cultural,intelectual e espiritual para suas tentativas de superação doutrinária. Só as criaturas simples, ingênuas,ignorantes ou fascinadas pela sua própria vaidade, pela obtusidade da sua auto-suficiência, aceitam e propa-gam as falsas teorias elaboradas por esses adoradores de si mesmos, incapazes de um mínimo de auto-crítica.Eles enxameiam no mundo e fazem apóstolos da mentira e da ilusão por toda parte, pois a vaidade humana sealimenta sempre da pretensão descabida de superioridade, num planeta de provas e expiações em que somoscriaturas inferiores, extremamente necessitadas dos ensinos que rejeitamos.E preciso que pelo menos esse proveito nos sobre do episódio da adulteração, em que tantas almas felinastiraram a pele de ovelha para revelar a sua verdadeira condição. É preciso aprendermos a respeitar a DoutrinaEspírita como a dádiva celeste que Jesus nos prometeu e nos enviou na hora precisa, no momento em que onosso pobre mundo se preparava para um avanço decisivo na superação das suas condições de indigente doCosmos. Quem tem autoridade para corrigir Jesus, Kardec e o Espírito da Verdade entre nós? Qual omissionário de sabedoria infusa que apareceu na Terra para nos provar que os ensinos do evangelhoproclamados pelo Espiritismo devem ser substituídas por fábulas ( como diz o Apóstolo Paulo) forjadas por esteou aquele indivíduo enfatuado e pretensioso?O avanço das Ciências e da Cultura Geral em nosso século nada mais fizeram até agora do que confirmar,sem o saber, os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. Onde está o ponto em que a Doutrina foiultrapassada pelas concepções contemporâneas? Se tivéssemos hoje na Terra um missionário divino capaz deabrir novas perspectivas no campo doutrinário, a primeira coisa que ele faria, e que o legitimaria aos olhos daspessoas de bom senso, era empunhar de novo o chicote do Messias para expulsar os vendilhões do Templo.Não podemos ser tão néscios ao ponto de relegarmos ao arquivo do passado essa Doutrina que antecipou todaa evolução atual do saber humano em nosso tempo, só porque alguns pretensiosos reclamam vaidosamente odireito de deformar a Doutrina em nome do progresso. O progresso não é deformação, mas aprimoramento. Eonde está aquela teoria, aquela doutrina, aquela sabedoria que se sobrepõe à que o Espiritismo nos oferece?Que o episódio negro da adulteração nos sirva para mostrar a que situações ridículas e insustentáveispodem levar-nos a falta de vigilância e humildade, de oração e estudo. Precisamos de estudar Kardecintensamente, de assimilar os ensinos das obras básicas, de mergulhar nas páginas de ouro da "RevistaEspírita", não apenas lendo-as, mas meditando-as, aprofundando-as, redescobrindo nelas todo o tesouro deexperiências, exemplos, ensinos e moralidade que Kardec nos deixou. Mas antes de mais nada precisamos dehumildade para entrar no Templo da Verdade sem a fátua arrogância de pigmeus que se julgam gigantes.Precisamos de respeito pelo trabalho de um homem que viveu na Terra atento à cultura humana,assenhoreando-se dela para depois se entregar à pesada missão de nos livrar da ignorância vaidosa e dastrevas das falsas doutrinas de homens ignorantes e orgulhosos.Ao estender as mãos para tocar num livro doutrinário devemos perguntar a nós mesmos qual é a nossaintenção, a nosso estado íntimo. Porque, se não fizermos isso com respeito e humildade, poderemos cair naarmadilha das adulterações, que está sempre aberta aos nossos pés inseguros. E não tenhamos dúvidas deque a omissão, em assuntos de tão profunda gravidade, que se refere ao nosso próprio destino e ao destina domundo, é crime de cumplicidade. As pessoas, as instituições, as publicações que se omitiram na hora crucial daadulteração incidiram irremediavelmente na participação do crime, inscreveram seus nomes na lista dosomissos. Quem assume responsabilidades de divulgação e orientação no campo doutrinário não pode esconder
  • 13. a cabeça na areia quando a tempestade ruge. Essa imperdoável covardia é sempre assinalada com a marcaindelével de Caim. Em qualquer setor das atividades humanas a fidelidade a normas e princípios é deverindeclinável de todos. Qual o estranho motivo que livraria os espíritas, integradas no mais alto setor dessasatividades, o da propagação e sustentação da Verdade, da pesada responsabilidade que falava Léon Denis?Seriamos tolos e simplórios se pensasse-mos que no Espiritismo estamos de mãos livres, sem a obrigaçãoexplícita e o dever inalienável de respeitá-lo e defendê-lo?Embora não tenhamos a intenção de ferir ninguém, sabemos que são duras estas explicações que não sãonossas, mas do próprio Cristo, quando lembrou aos fariseus que o fato de saber a verdade os condenava,porque em seu lugar ensinavam e sustentavam a mentira. Fomos acusado de intransigente. Pode alguémtransigir com o erro sem dele participar? Fomos acusado de ortodoxa. Mas ortodoxia quer dizer "doutrina certa"e a heterodoxia, largamente pregada em nosso meio em nome de uma falsa tolerância quer dizer "mistura dedoutrinas, confusão de princípios, colcha de retalhos". Mas nos julgamos puros nem santos e muito menossábios. Todos nós, que nos reunimos para repelir a adulteração, só tivemos em vista a pureza, a santidade e asabedoria da doutrina que professamos. Somos apenas fiéis, conscientes de nossas responsabilidadesdoutrinárias e contrários a todas as formas de aviltamento do Espiritismo. E isso porque? Porque a DoutrinaEspírita é o Código do Futuro, elaborada para melhorar o homem e o mundo. Não nasceu da cabeça de umhomem, de uma corporação científica ou de uma escala filosófica, e muito menos de um colégio de teólogos,mas da realidade natural dos fatos, dos fenômenos rejeitados pelos materialistas mas hoje aceitos e integradospor eles mesmos na realidade científica mais avançada. Não se constitui de preceitos, normas, dogmas,axiomas, mas de princípios ou leis que se impuseram à pesquisa científica mais rigorosa, de laboratório e decampo. Essas pesquisas não são apenas as de Kardec, mas as realizadas por cientistas eminentes nos meiosuniversitários de todo o mundo, em geral iniciadas com o propósito de negar as conclusões de Kardec massempre confirmando-as. Trata-se, pois, de um patrimônio cultural que se formou na seqüência dodesenvolvimento da cultura, bem enquadrada na História e na Teoria do Conhecimento. Podemos mesmo dizerque as conclusões da Doutrina Espírita não são postulados, mas fatos. São os fatos, sempre à disposição dosque pretenderem revisá-los, ou negá-los ou mesmo contraditá-los, que constituem a base do Espiritismo. Diantede um patrimônio cultural assim sólido e até hoje inabalável em todas as suas dimensões, como podemosadmitir que pessoas ou grupos incientes se atrevam a alterar, modificar, corrigir pretensiosamente aquilo quenão estão sequer à altura de bem compreender?Essa a justificativa legítima da nossa indignação ante o atentado inqualificável da adulteração que sepretendia realizar, abrangendo toda a estrutura doutrinária. Precisávamos não ter convicção, nem certeza doque admitimos, para aceitar de espinha curvada as pretensões alucinadas desta ou daquela instituiçãodoutrinária. Nem Jesus agiu com mansidão ante a petulância dos fariseus vaidosos. Nem Paulo usou detolerância conivente com os que, já no seu tempo, aviltavam o Cristianismo. Nem Kardec deixou de defender aDoutrina em nome de um falso conceito de fraternidade, e defende-la com firmeza e energia, empregando aspalavras devidas. As sensitivas que murcham ao ser tocadas não são flores do jardim espírita. Porque oEspiritismo requer virilidade e franqueza dos seus adeptos, o sim, sim e não, não do Evangelho, para impor-seneste mundo de ambigüidades e comodismos.Aqui está, pois, o livro que faltava em nossa bibliografia espírita sobre o caso da adulteração. Não é umlivro de ódio ou ressentimento, mas de lealdade e amor. O amor não é capa de ilusões, não deve acocar o erromas defender e sustentar a Verdade, custe o que custar, para o bem de todos, adversários e companheiros.Amor e Verdade são as duas faces de Deus, que conformam o rosto divino aos olhos dos que sabem e podemencará-lo.
  • 14. CHICO XAVIER PEDE UM LIVRO
  • 15. CRÔNICAS DA HORA AMARGA (J. HERCULANO PIRES)Chico Xavier, que nos deu tantos livros, envia-nos de Uberaba um pedido angustioso. Quer quepubliquemos um livro sobre o caso da adulteração, autorizando-nos a transcrever nesse volume as mensagenspsicográficas que recebeu e foram por nós publicadas, com os comentários habituais, na seção conjunta quemantemos no DIÁRIO DE S. PAULO. Faz mais: manda-nos ele mesmo o recorte dessas publicações, queretirara de um volume a sair ── em que os agraciados com os seus direitos autorais certamente não sesentiriam bem. A piedade da médium revela-se de maneira espantosa nesse gesto. Não nega os direitos à insti-tuição, mas retira dos originais mediúnicos as peças incômodas e as envia às nossas mãos, que não sequeimarão com elas. As mensagens e crônicas que o leitor encontrará nesta parte do livro foram publicadas nafase de amargas decepções, em que nos víamos obrigados, por dever de ofício e de consciência, a lutar contraos desvios de antigos companheiros. Mantendo no DIÁRIO DE SÃO PAULO, há mais de trinta anos, uma seçãode crônicas espíritas, nos primeiros quinze anos de publicação diária e posteriormente semanais, não podíamossupor que um dia essa seção fosse utilizada de maneira tão amarga. Não enfrentávamos os adversárioshabituais da Doutrina, que haviam transferido a sua ação demolidora às mãos de companheiros de umainstituição em que depositávamos confiança.As mensagens vinham a propósito, embora disfarçadas no amor e na piedade dos espíritos comunicantes.Cabia-nos a função de quebrar as nozes e revelar o amargor de seus frutos. Chico Xavier se mantinha emsilêncio, aturdido, como nos escreveria mais tarde, ante o que se passava, e até mesmo com a tentativa dosadulteradores, de envolvê-lo como autor intelectual da profanação iniciada, como parte de um extensoprograma demolidor que atingiria toda a obra de Allan Kardec, do Espírito da Verdade e do próprio Cristo.São essas as crônicas da hora amarga, interpretando mensagens espirituais sofridas, carregadas deamargura> pois até mesmo as mensagens tradicionais de O Evangelho Segundo o Espiritismo haviam sidodeformadas. Ai estão elas, agora, como troféus de uma batalha dolorosa, mas necessária. Que essasmensagens e crônicas da hora amarga sirvam de exemplo aos que, no futuro, forem tentados a novaspretensões vaidosas de corrigir o Cristo, os Espíritos Superiores e os textos insuperáveis de Allan Kardec.Lembremo-nos da expressão de Bezerra de Menezes em hora semelhante, no Rui: "Mas, Kardec éinsuperável!"EXISTÊNCIA TERRESTRE (EMMANUEL)Muitos companheiros na atualidade do mundo perguntam hoje pelo sentido da vida.Cientistas diversos respondem que a vida é um ponto de interrogação.Poetas vários afirmam que se trata de uma sucessão de adeuses.Criaturas verdes de entendimento interpretam-na porfesta sem lógica, apropriando-se-lhe os prazeres imediatos; e os pessimistas asseveram que tudo é nada,como se do nada pudéssemos formar alguma coisa.A Terra, porém, é uma escola de vida e, nas múltiplas classes em que se subdivide, cada aluno o espíritoimortal ─ usa o corpo físico, visando alcançar determinados fins.Esse veio aprender ensinando;Outro chegou para dirigir o trabalho;outro ainda se integra nos quadros da subalternidade a fim de burilar-se;aquele é repetente de lições nas quais faliu em outra época; outro é chamado à revisão do própriocomportamento;e aquele outro ainda é trazido ao reencontro de amigos que um dia transformou em adversários, a fim derearticular com eles a harmonia necessária à construção do bem.* * *Deixa que a reencarnação te ilumine a mente com as realidades que nos presidem os caminhos evolutivose observarás a sabedoria que nos rege a existência em qualquer piano do Universo.O berço é a tua ficha de entrada no educandário em que estagias.Com o núcleo familiar dispões das pessoas certas e dos problemas que te dizem respeito.
  • 16. No panorama social em que circulas tens a paisagem de serviço que te solicita demonstrações deaproveitamento e valor.Nas provas e dificuldades do dia-a-dia possuis o esquema das tarefas de melhoria e elevação.Pelo que sentes, sabes com clareza em que matéria se te exige aplicação mais intensa.E, pelos que te rodeiam, reconheces os colegas de turma ou verificas quais são os companheiros maisíntimos, com os quais deves construir e aprender, servir e trabalhar.* * *Pensa na existência terrestre como sendo a vida educativa, dentro da vida imperecível e, através dosobstáculos do cotidiano, perceberás que te vês em temporário curso de aprendizagem, enquanto que os astros,na Tela Cósmica, te farão sentir que, se te matriculaste na escola da experiência humana, estás igualmente nocaminho de regresso ao Lar Maior, onde te esperam as luzes do Eterno Alvorecer.ADULTERAÇÃO DO EVANGELHO (IRMÃO SAULO)Acaba de ocorrer um fato espantoso, que só podemos explicar nos termos da mensagem de Emmanuelsobre a existência terrestre, perfeitamente de acordo com os princípios doutrinários. A Federação Espírita doEstado de São Paulo está lançando, juntamente com o Instituto de Difusão Espírita de Araras, uma ediçãoadulterada de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec. Esse fato rompe a tradição secular, derespeito e fidelidade a Kardec, que sempre caracterizou o Espiritismo em São Paulo. A FEESP, líder nacionalda luta pela pureza doutrinária, coloca-se à frente de um movimento escuso de deturpação da Doutrina.O Novo Evangelho, adulterado pelo tradutor-traditore Paulo Alves Godoy e aprovado pelo Departamento doLivro Espírita, está sendo vendido a preços populares, para maior divulgação. Não há explicação possível paraesse fato, fora da doutrina da reencarnação. Paulo Alves Godoy tem sido fiel à Doutrina. O que o levou a mudarsubitamente de rumo? Sugestões espirituais, segundo alega. De onde vêm essas sugestões? Duas frases damensagem de Emmanuel socorrem a nossa perplexidade, explicando os fins da reencarnação: aquele érepetente de lições nas quais faliu em outra época e outro é chamado à revisão do próprio comportamento.Nossos vícios e erros do passado repontam na vida presente em forma de tendências latentes, às vezesadormecidas durante anos, mas prontas a ressurgir e impor-se à primeira sugestão das circunstâncias ou deantigos comparsas do passado, encarnados e desencarnados. Todos estamos sujeitos a essas dolorosassurpresas e por isso o Cristo nos recomendou vigiar e orar constantemente. A adulteração do Evangelho foiintensamente praticada no passado e várias dessas deturpações ainda permanecem nos textos atuais, comoKardec o demonstrou. Ninguém está livre de haver pertencido às equipes de adulteradores, tendo hoje de en-frentar novamente a tentação antiga para superá-la e corrigir-se. É essa a oportunidade de revisão docomportamento a que alude Emmanuel.As adulterações feitas no texto de Kardec, nessa tradução de Paulo Alves Godoy, são de tal maneirainjustificáveis que não há outra explicação para o caso. Modificações pueris, desnecessárias, marcadas porestreito sectarismo, que só servem para ridicularizar o livro básico do aspecto religioso do Espiritismo. Comonão perceberam isso os diretores do Departamento do Livro? Como não o perceberam os confrades de Araras?O que lhes perturbou o senso? A resposta a essas perguntas só pode ser dada pela mensagem de Emmanuel,que nos lembra os objetivos da reencarnação.Das adulterações do Evangelho, no passado, resultaram além da desfiguração dos textos conhecidos, aprodução abundante dos Evangelhos Apócrifos, que perturbaram seriamente o desenvolvimento doCristianismo. Só mais tarde, quando se tornou possível a investigação rigorosa do problema, puderam serrejeitados. Isso nos mostra como são imprevisíveis as conseqüências do atentado que acaba de repetir-se emnosso meio. Só resta à Federação Espírita do Estado e ao Instituto de Araras suspender a distribuição e vendadessa obra deturpada, arcando com os prejuízos materiais de uma edição espúria. Ou isso ou aresponsabilidade de haverem iniciado o processo de adulteração da obra de Kardec e do Espírito da Verdadeno Brasil e no Mundo.TAREFAS E DECEPÇÕES (CHICO XAVIER)
  • 17. Ontem à tarde, em nossos entendimentos sobre as tarefas que nos cabem na vida, tratávamos, várioscompanheiros, das decepções que a todos nos visitam de quando em quando. Companheiros que se afastam,desgostos, incompreensões, promessas que falham, expectativas de melhoria que se extinguem sem que sesaiba por quê. Transferindo-nos da palestra para a nossa reunião pública, o Livro dos Espíritos nos ofereceua questão 937, que foi comentada por vários.Ao término da reunião, Emmanuel escreveu a página que lhe envio. Conforme nosso desejo — de todos oscompanheiros presentes — coloco a página em suas mãos amigas, na esperança de que nos possa auxiliarcom os seus apontamentos doutrinários, para nossa reflexão e nossos estudos.DESAPONTAMENTO (EMMANUEL)Desapontamento: causa de numerosas perturbações e desequilíbrios. Entretanto, é no desapontamentoque, muitas vezes, se corrigem situações e recursos.Naquilo que chamamos desilusão, em muitos casos, é que os Poderes Maiores da Vida se expressam emnosso auxílio.Por isso mesmo, todo desencanta reveste determinado ensinamento dos Mensageiros Divinos, indicando-nos as diretrizes que nos cabe trilhar.Avisos e advertências.Apelos e informações.* * *A existência é comparável ao trânsito em que se dirige cada um a certos fins.Desapontamento e o sinal vermelho, esclarecendo: "Não por aqui"ou "agora não".Se algum desengano te assaltou o espírito, não te deixes vencer por tristeza negativa.Guarda a mensagem inarticulada que ele encerra e, prosseguindo à frente, na execução dos própriosdeveres, apreender-lhe-ás o sentido.Aspiração frustrada é indicação do melhor caminho para o futuro.Plano derruido é base a projetos mais elevados de ação.Prejuízo é remanejamento aconselhável para aquisição de segurança.Inibições significam defesa.Afeição destruída é o processo de perder a carga de inquietações inúteis em torno de coraçõesrespeitáveis, mas ainda inabilitados a vibrar com os nossos no mesmo nível de ideal e realização.* * *Nos dias que consideres amargos pela dor que te apresentem, aceita o remédio invisível dos contratemposque a vida te impõe.E seguindo adiante, trabalhando_ e servindo, auxiliando e aprendendo, a breve trecho de espaço e tempo,reconhecerás que desapontamento em nós é cuidado de Deus.COINCIDÊNCIAS SIGNIFICATIVAS (IRMÃO SAULO)A última mensagem de Emmanuel que comentamos trazia-nos a explicação possível de um grandedesapontamento por que estamos todos passando no movimento espírita. A de hoje coincide novamente com omesmo problema. Desejamos deixar bem claro que em nenhuma das duas mensagens há qualquer referênciaexplícita ao assunto. As ilações que tiramos de ambas resultam do nosso desejo pessoal de atender a umproblema do momento, que é dos mais sérios a surgir em nosso meio. A mensagem acima refere-se a de-sapontamentos vários, como se vê nas anotações de Chico Xavier. Mas entre eles figura também o queestamos enfrentando neste momento, com o primeiro caso de adulteração consciente de uma obra de AllanKardec.Se os desapontamentos individuais constituem avisos e advertências, apelos e informações, o mesmoocorre com os desapontamentos coletivos. As coincidências significativas constituem uma das teses maiscuriosas da Parapsicologia, numa teoria formulada pelo famoso psicólogo Karl Jung, discípulo dissidente de
  • 18. Freud. Coloca o problema da lei de sincronicidade, que substituiria nos fenômenos paranormais a lei física decausa e efeito. No plano mental, que não é físico, não haveria causa e efeito, mas sim um processo desincronia, de simultaneidade. É o que ocorre no nosso caso.Emmanuel não escreveu as mensagens tendo por causa o nosso desapontamento. Atendeu apenas asolicitações de pessoas que visitavam Chico em Uberaba. Mas às duas mensagens coincidiram com o fatoocorrido em São Paulo e com o desapontamento geral que dele resultou no meio espírita. A coincidênciasignificativa é de tal ordem que não poderíamos olvidá-la. Tanto mais que as mensagens nos trazem orientaçãoe consolo. Se desapontamento em nós é cuidado de Deus, segundo a bela expressão de Emmanuel, com o fimde poupar-nos aborrecimentos maiores no futuro, faz-se então necessário compreendermos a lição dolorosaque recebemos. A adulteração de O Evangelho Segundo o Espiritismo, pelo tradutor Paulo Alves de Godoy,revela uma situação perigosa em nosso movimento espírita e deve prevenir-nos contra decepções maiores.Esse desapontamento se acentua aos sabermos que a Federação não tomou nenhuma providência a respeitoe continua vendendo a edição adulterada em sua própria livraria. Prevaleceu no caso o interesse material, cominjustificável desprezo das consequências morais e doutrinárias. Com isso, o processo de adulteração dasobras fundamentais foi desencadeado por uma instituição respeitável e por um companheiro que até agora seportara demonstrando zelo e respeito pela doutrina. Em todos os casos de desapontamento há também esseperigo: o de negligenciarmos a lição recebida, não atendendo ao cuidado de Deus para conosco.EM TORNO DA CODIFICAÇÃO (FRANCISCO CANDIDO XAVIER)Reconheço-me com o dever de estar a serviço do nosso Emmanuel, mas isso não me impede de respeitare admirar todos os trabalhos que visem a preservar a obra de Allan Kardec. De minha parte, faço votos paraque os confrades reconheçam a nossa necessidade de mais ampla união em torno da obra em si e nos ajudemtodos com a integração de todos em torno da Codificação Kardeciana, acima de tudo.Quanto ao mais, continuemos firmes em ação da obra kardeciana, porque, em verdade, sem elaperderíamos a luz para o raciocínio, aquela que ele nos acendeu no espírito para aprendermos a discutir. E ummundo de serviço a fazer, um mundo a edificar, com a educação e a reeducação na base de tudo. Creio quetudo devemos realizar para não cairmos no obscurantismo e nas atitudes fanáticas.CODIFICAÇÃO ACIMA DE TUDO (IRMÃO SAULO)Quando Chico Xavier nos enviou a carta de que extraímos o trecho acima, esse trecho pareceu-nos umasimples reafirmação de tudo quanto, na sua vasta obra psicográfica, desde os primeiros livros até osderradeiros, o médium e os espíritos comunicantes, particularmente Emmanuel, sempre sustentaram. Mas hojesomos levados a considerar que a intuição mediúnica de Chico Xavier, sempre tão aguda e segura, já anteviapossíveis deturpações da obra de Kardec. E isso em São Paulo, a que ocorre no momento com a adulteraçãode O Evangelho Segundo o Espiritismo.Muitos confrades gostariam de ouvir uma opinião de Chico Xavier sobre a referida adulteração,esquecendo-se de que essa opinião já foi expressa pelo médium centenas de vezes, não só através de seuslivros, como através de entrevistas a jornais, revistas, rádios e televisões. Uma posição assim firmada, ao longode quarenta anos de trabalho mediúnico, não poderia ser abalada subitamente por qualquer espécie deconveniência circunstancial.No cumprimento de seu luminoso mediunato, sem claudicar no tocante à fidelidade a Kardec, aosprincípios básicos da Doutrina Espírita, Chico Xavier se impôs ao meio espírita do Brasil e do Mundo como umexemplo digno de admiração e respeito. Quando certos confrades começaram a proclamar que os livros deEmmanuel e André Luiz constituíam uma reforma doutrinária, esses dois espíritos, seguidos por Bezerra deMenezes e outros luminares da Espiritualidade, começaram a transmitir mensagens de valorização da obra deKardec. Emmanuel, ante a aparecimento de correntes chamadas de emmanuelistas e andréluizistas chegoumesmo a transmitir uma série de livros correspondentes a cada uma das obras da Codificação comentando ostrechos fundamentais dessas obras.Chico Xavier jamais pretendeu sobrepor-se a Kardec, jamais se alistou entre os reformistas e superadoresdo Codificador. Nem mesmo aceitou, em tempo algum, que o considerassem como um líder espírita. Manteve-se sempre na sua posição de médium, de intermediário dos espíritos, considerando-se humilde servidor doEspiritismo. A carta de que destacamos esse trecho decisivo ele nos dirigiu a 8 de junho do ano passado. Não
  • 19. achamos necessário divulgar essa nova profissão de fé kardeciana. Mas agora, quando a obra de Kardec, estásofrendo a primeira agressão dentro do próprio meio espírita, e quando se anuncia o prosseguimento dotrabalho de adulteração, não podíamos deixar essa declaração escondida em nosso arquivo, a pretexto de pre-servar o médium. Pelo contrário, a preservação do médium exige esta divulgação na secção em que ele mesmosempre solicita a nossa ajuda, a nossa colaboração no esclarecimento dos problemas doutrinários. Premidopelas obrigações da recepção de títulos de cidadania e pelos compromissos de lançamento de novos livros,Chico Xavier não pode enviar-nos a mensagem habitual para estas colunas. Sua presença em São Paulo nestemomento, participando do lançamento promovido por um grupo que se colocou ao lado da adulteração, poderiaaumentar os boatos de que Chico aprovaria esse absurdo atentado à obra de Kardec. Cabia-nos revelar afirmeza de sua posição doutrinária, reafirmada de maneira tão eloqüente quanto necessária, na carta que nosenviara.São muitos os leitores que nos interpelam a respeito da posição do médium nesse caso. Damos a todos aresposta do próprio médium, uma resposta categórica, iniludível. Chico reafirma que precisamos preservar aobra de Kardec, acima de tudo. Outros nos perguntam por que motivo modificamos o programa No Limiar doAmanhã, furtando-nos ao dever de defender no mesmo a obra do mestre. Informamos a todos que deixamos adireção do programa por termos sido impedidos de tratar do assunto no mesmo. Nosso penúltimo programasobre o caso foi desgravado misteriosamente e nosso último programa foi arquivado e substituído par outro, deque não participamos nem poderíamos participar. Nem sequer o direito legal de anunciar a nossa retirada nosfoi concedido. O que aconteceu a nós não acontecerá a Chico Xavier. A divulgação do seu trecho-mensagemserá suficiente para mostrar aos leitores destas colunas que o grande médium mantém a sua fidelidade aKardec, sustentando de maneira eloqüente que a doutrina deve estar acima de tudo.DO ARQUIVO DE EMMANUEL (FRANCISCO CANDIDO XAVIER)Estávamos de viagem para longe do lar, quando um grupo de irmãos surgiu ao nosso encontro.Companheiros em prova de dificuldades. Solicitavam alguns momentos de prece. Entretanto, a condução nosaguardava para tarefas distância. Mesmo assim, oramos por alguns minutos rápidos e buscamos instruções emO Evangelho Segundo o Espiritismo.Aberto o livro, o item 12 do capítulo V convidou-nos à meditação e à troca de idéias, o que fizemos napequena faixa de tempo de que dispúnhamos. Não havia ensejo para psicografia, mas o nosso amigoEmmanuel nos permitiu retirar ao acaso, do arquivo de suas comunicações, uma mensagem recebida hátempos. E essa foi a página que o nosso benfeitor espiritual intitulou por Bênçãos Ocultas. Tão oportuna se nosfez essa página, que a enviamos às suas mãos, de vez que todos nós concordamos em solicitar o seu concursode sempre, para que a tenhamos com os seus preciosos apontamentos no "Diário de S. Paulo", se possível.Guardando a certeza de que o prezado amigo nos dispensará a sua atenção costumeira, e agradecendoantecipadamente, sou o seu de sempre pelo coração: (a) Chico Xavier.BÊNÇÃOS OCULTAS (EMMANUEL)Todos necessitamos de reconforto, nos dias de aflição.Isso é justo. Por outro lado, porém, importa reconhecer que a Providência Divina, não nos dá dificuldadessem motivo. Entendendo-se, pois, que o Senhor jamais nos abandona às próprias fraquezas, sem permitirvenhamos a carregar fardos incompatíveis com as nossas forças, toda vez que escorados em nossastribulações, fujamos de usar a consolação, à maneira de flor estéril.Aproveitemos a bonança que surge depois da tormenta íntima para fixar a lição que o sofrimento nosoferece.Não nos propomos, sem dúvida, elogiar os empreiteiros de contrariedades e os fabricantes de problemas,no entanto é preciso certificar-nos com respeito às vantagens ocultas nas provações que nos visitam.* * *Quem poderia adivinhar a que abismos nos levaria o amigo menos responsável, a quem nos confiamostotalmente, se ele mesmo não nos desse a beber o fel da desilusão com que se nos descerram os olhos para a
  • 20. verdade?* * *Quem conseguiria medir os espinheiros de discórdia em que chafurdaríamos o espírito, não fossem asdecepções e lutas suportadas por nossa equipe de trabalho, a nos ensinarem a união imprescindível para asenda a palmilhar?* * *Ingratidão, em muitos casos, é o nome da benção, com que a Infinita Misericórdia de Deus afasta de nósum ente amado, para que esse ente amado, por afeto em descontrole não nos induza a desequilíbrio.Obstáculo no dicionário da realidade, em muitas ocasiões, significará apoio invisível para que nãodescambemos na precipitação e na improdutividade.Pranto e sofrimento exclusivamente para lamentar e desesperar seriam apenas corredores descendentespara desânimo e rebeldia.* * *Chorar e sofrer, sim, mas para reajustar, elevar, melhorar, construir.* * *Nossas provas ─ nossas bênçãos.Reflete nos males maiores que te alcançariam fatalmente se não tivesses o socorro providencial dos malesmenores de hoje e reconhecerás que todo contratempo aceito com serenidade é toque das mãos de Deus,alertando-te o coração e guiando-te o caminho.A TAÇA DA DESILUSÃO (IRMÃO SAULO)As dificuldades e os dissabores que nos surgem pela frente não nascem por acaso. São como flechas quepartem de um arco em direção de um alvo. Têm um sentido, que precisamos compreender, trazem-nos umamensagem que precisamos decifrar. A taça de fel da desilusão não pode ser afastada, como não o foi nemmesmo a de Jesus, pois o seu amargor é remédio de que carecemos para livrar-nos de males maiores.Se os amigos e companheiros que hoje nos traem, que se voltam contra nós, esquecidos de quanto lhesservimos em tantas oportunidades, e não raro de maneira inexplicável e injustificável, do que seriam capazesamanhã ou depois? É melhor que nos ofereçam o quanto antes a taça da desilusão, o fel da decepção. A vidaterrena é rápida, como ensina o item citado de O Evangelho Segundo o Espiritismo e na sua rapidez saldamosem pouco tempo velhas dívidas que levaríamos séculos a pagar na vida espiritual. Muita gente se queixa deque a traição venha de parentes e amigos, dos próprios companheiros de trabalho. Mas de onde poderia vir,senão precisamente daqueles que marcham ao nosso lado?Deus escreve direito por linhas tortas, diz o conhecido provérbio. Nossas provas, nossas bênçãos —escreve Emmanuel. Para o espírita, as ocorrências da vida, por mais nefastas que possa parecer, têm sempreum sentido oculto, que é a bênção oculta da mensagem de Emmanuel. É no Espiritismo que a tese daProvidência Divina se justifica e se comprova, mostrando-nos que a mão de Deus traça o roteiro da nossaevolução: O homem põe e Deus dispõe. O homem se engana, mas Deus o desengana. Seria absurdoprotestarmos contra as medidas providenciais de Deus em nosso favor. É melhor romper-se um tumor do quealastrar-se a sua infecção por todo o organismo.LEMBRANÇA DO CRISTO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)Nossa reunião pública de 14 foi consagrada às comemorações do Natal. O Evangelho Segundo oEspiritismo ofereceu aos nossos estudos e reflexões o item 5 do capítulo VI. Nossa amiga D. Maria Eunice
  • 21. Lucchesi, de São Paulo, comentou o texto com muito carinho e eficiência, lembrando a mensagem evangélicaque a Doutrina Espírita encerra para o mundo.Ao término de nossas tarefas, nossa irmã do plano espiritual, Maria Dolores, escreveu a mensagem que lheenvio, em plena lembrança do Cristo, nos dias presentes. Envio essa página na esperança de que possa figurarno "Diário de São Paulo com os seus apontamentos.Desde já muito agradeço a sua generosa cooperação de sempre ao prosseguimento de nossos estudos.ORAÇÃO POR NÓS (MARIA DOLORES)Senhor!Sabemos nós que nos disseste:─ "Amai-vos uns aos outros,Tal qual eu vos amei."Todos estamos certos quanto à lei.Que em ti refulge sob a luz celeste,─ A luz do Eterno Amor!Entretanto, Senhor,Os nossos raciocíniosDe fé e aceitaçãoSempre desaparecem no barulhoDa vaidade e do orgulhoEm que nos mergulhamos com freqüência,Ensombrando a existênciaAo recusar-te o coração.É por isto, Jesus,Que te rogamos luzPara rever-te a vida e escutar-te os chamadosNos companheiros desesperançados,Nos últimos das filasDas multidões cansadas e intranqüilasDe que passamos ao redor,Das quais nos chamas à cooperaçãoPor um mundo melhor.Sabemos que nos falasAtravés das crianças desnutridas,Das mães que lutam por alimentá-las,Dos enfermos que esperamA vaga do hospital,Dos irmãos outros de outros sanatórios,Daqueles nosocômios diferentes,Onde a justiça guarda os corações doentesQue pulsaram no bem, vezes e vezes.E atiraram-se ao mal...Temos nós a certezaDe que nos buscas, dia-a-dia.Nos que esmorecem de tristeza,Dos que se vão na estrada escura e friaDa deserção que os desconforta,Naqueles cujo peitoInda nutre a esperança quase morta,De pés sangrando no caminhoDas grandes provações...
  • 22. Conhecemos a luta em que te pões,Pedindo-nos concurso e entendimento,A fim de atenuar o sofrimentoDe tantos coraçõesAtolados na sombra em velhos climasDe rebeldia, angústia e indiferença,Companheiros dos quais nos aproximasAgora e em toda parte,A fim de interpretar-teA divina presença.É por isto, Senhor, que te imploramos:Faze-nos olvidar as bagatelasEntre as quais nos perdemos. . .Arreda-nos do passo todas elasDe modo que possamos entenderO serviço contigo por dever.Ajuda-nos, Senhor,A lembrar-te e a esquecerTudo quanto se ligue a pensamento vão,Para que o nosso amor jamais se torça,Porque somente em ti, Jesus, existe a forçaQue nos leva a entregar-te o coração.SABER AMAR (IRMÃO SAULO)As vésperas do Natal, a poetisa Maria Dolores nos lembra o mandamento do amor. Se o houvéssemosobedecido, a Terra seria hoje um mundo tranqüilo e feliz. Como não fomos capazes de segui-lo, vemo-nosenvolvidos em lutas inglórias e submetidos a terríveis ameaças. Quando Jesus advertiu os discípulos contra ofermento dos fariseus, eles entenderam que o Mestre lhes falava de pão. Dais milênios depois fazemos omesmo. O fermento do orgulho e da vaidade nos leva a desfigurar os seus ensinos e rejeitar as suas palavras.Somos alunos repetentes de muitos séculos!O item 5 do capítulo VI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, citado por Chico Xavier, constitui-se deuma mensagem do Espírito da Verdade, que há mais de um século repetiu-nos, como porta-voz do Cristo, oseu ensino esquecido: "Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instrui-vos, eis o segundo". Amensagem é dirigida aos espíritas, na era da razão, porque eles devem estar em condições de compreende-la.Não basta amar, é preciso saber amar. Jesus não nos trouxe apenas o amor, mas também a verdade.Ensinou-nos a raciocinar, a buscar o sentido da vida, a não nos perdermos de novo nas trevas da vaidadefarisaica. Por isso o Espírito da Verdade acentua: Instrui-vos!O Espiritismo é a Renascença Cristã, segundo a bela definição de Emmanuel. Inicia na Terra uma fasenova da ilustração, do iluminismo, desalojando a nossa mente do fanatismo sectário. No Renascimento tivemosa iluminação das Ciências. No Espiritismo temos a iluminação da Verdade sob as luzes conjugadas da Ciência,da Filosofia e da Religião. Não temos o direito de nos perdermos de novo em jogos de palavras, coma fizeramos sofistas gregos, os rabinos judeus, os clérigos medievais. Não temos o direito de corrigir os textos de Jesuse Kardec segundo a medida estreita da nossa miopia mental. Precisamos instruir-nos, libertar-nos dospreconceitos para não confundirmos o fermento do passado com o pão de cada dia que o padeiro nos entrega.A prece de Maria Dolores é um convite de Natal à compreensão profunda das lições do Mestre, à rejeição"das bagatelas entre as quais nos perdemos, como crianças que brincam com os seixos da praia semcompreender a extensão e a profundidade do mar.Abençoada lição que nos dá a grande poetisa do Além! Deixemos de lado os bilros das palavras ecuidemos do sentido real dos ensinos de Jesus, pondo-os em prática na realidade da vida. Neste Natal oMestre nos olha compassivo, perguntando a si mesmo até quando continuaremos apegados à ilusão dossofismas, tentando corrigir os seus ensinos.
  • 23. TRABALHO URGENTE (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)Os amigos espirituais costumam informar que são muitos os mensageiros que estimariam o intercâmbioconosco, mas o trabalho urgente no mercado de consumo das idéias espíritas (esta definição é do nosso amigoIrmão X) não nos tem permitido o contacto que seria de desejar. Aguardemos.Em preces sobre os nossos assuntos, recebi os apontamentos do nosso querido Cairbar Schutel, dirigidosà sua bondade, que lhe envio.VIAGEM ACIDENTADA (CAIRBAR SCHUTEL)O corpo é embarcação que às vezes, reclama reparos. A viagem na Terra — mormente agora; quando seafigura o mundo encapelado oceano ─ é marcha tocada de imprevistos acidentes, aguaceiros, dificuldades.Mas você está vencendo galhardamente tudo isso. Quanto ao mais, evite excessivas despesas de força mental,até que se observe intimamente refeito. Estamos a postos, e, conosco, muitos companheiros da empreitada detrabalho renovador, a que nos empenhamos na seara da luz.Confiemos, meu amigo, e dentro das nossas possibilidades, trabalhemos fiéis aos nossos compromissoscom a Vida Superior. Com você, o amigo e companheiro reconhecido: Cairbar.NA HORA DO TESTEMUNHO (IRMÃO SAULO)É fácil enfrentarmos a vida e mantermos acesa uma lamparina para iluminar o nosso recanto. Massabemos que não viemos ao mundo ─ mormente numa hora decisiva coma esta para viver isolados em nossacomodidade pessoal. E se temos consciência plena dessa realidade maior, sabemos quando ela nos chamapara o testemunho público. Não e fácil então sairmos do recanto particular, onde nos basta a luz de umalamparina, para acendermos lá fora o farol que deverá espancar as trevas de uma noite de temporal. As rajadasde vento e chuva, as descargas elétricas da atmosfera, a lama que invade a estrada, as dificuldades impre-vistas exigem o nosso esforço em favor dos outros, até mesmo dos que se refugiaram nas cavernas daignorância e da conveniência, da vaidade e do orgulho, amaldiçoando a nossa intervenção perturbadora.Cairbar Schutel — cuja obra também está sendo adulterada neste momento foi sempre um trabalhadorincansável e um defensor da verdade acima de tudo. No seu tempo, que é ainda o nosso, Cairbar lutava parafazer aquilo que Chico Xavier ainda hoje proclama, no tocante às nossas atividades doutrinárias: "A Codificaçãoacima de tudo!" Porque sem ela, sem a sua preservação, como Chico assinalou, não teremos sequer apossibilidade de discernir com segurança no plano dos valores espirituais. Como Bezerracomo Euripedes, como Batuira ─ o grande campeão dos princípios kardecianos em São Paulo ─ Cairbarzelou pela Codificação sem jamais transigir na hora do testemunho.As palavras que nos dirigiu numa mensagem íntima, através de Chico Xavier, e da qual destacamos ostrechos acima, por sua evidente aplicação ao momento doutrinário que estamos vivendo, traçam as linhasclaras da conduta única dos espíritas conscientes. Não quiséssemos guardá-las apenas para nós, na hora emque o rugir das paixões aturde a tantos companheiros que jamais suspeitaríamos capazes de fracassar na horada prova.Jesus não veio ao mundo para fundar uma nova religião sectária e criar novas escolas de fanatismoigrejeiro. O Cristianismo é um marco da evolução cultural e espiritual. da Terra, um divisor de águas. O mundoantigo morreu. para que um mundo novo surgisse. Mas Jesus sabia que a sua sementeira levaria dois milêniospara desenvolver-se e frutificar. Por isso prometeu-nos o Espírito da Verdade, que enviou no momento preciso,incumbido de restabelecer a. pureza dos seus ensinos e completar as revelações que não podia ampliar no seutempo, em virtude do atraso cultural do mundo. A hora chegou e a hora é, como dizia Vinícius. (o saudosoPedro de Camargo) e não temos o direito de trair os nossos compromissos no momento mais grave da.evolução terrena.Enganam-se os que pensam servir ao Cristo deformando os textos de Kardec, tentando corrigir Kardec e
  • 24. Jesus, emendar os Evangelhos e a codificação. Os textos de Kardec constituem a III Revelação e são ditados einspirados pelo Espírito da Verdade. Não é para fazer escândalo que os defendemos. O escândalo vem pelosque o adulteram, os: que os deformam e ridicularizam, os que aprovam e sustentam essa traição consciente ouinconsciente à Doutrina Espírita. Que as palavras de Cairbar Schutel possam despertar os que ainda insistemno erro ─ é tudo quanto deseja-mos. Que a paz das consciências se restabeleça, com a volta de todos àfidelidade e ao respeito à Verdade.DESAVENÇAS E ANTAGONISMOS (CHICO XAVIER)Em nossa reunião pública de ontem O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deu o item 14 do capítulo Xpara estudos. Vários comentaristas discorreram sobre a nossa posição em face dos irmãos que não afinamespiritualmente conosco. Falaram sobre desavenças e antagonismos que se expressam em diversas formas.Ao término das tarefas, o nosso caro Emmanuel escreveu a página que lhe envio, na desejo de tê-la, comos seus apontamentos doutrinários, em algum dos nossos lançamentos do "Diário de S. Paulo" aos domingos.Exprimindo ao caro amigo os nossos agradecimentos por sua valiosa cooperação de sempre, num grandeabraço, sou o seu de sempre: — Chico Xavier.DESCULPA E BÊNÇÃO (EMMANUEL)Solicitando o auxilio dos Mensageiros do Senhor para a garantia da paz entre nós e àqueles que ainda nãonos entendem, é preciso construir o ambiente necessário para que semelhante auxílio se efetue.Nesse sentido, se obstáculos e problemas te batem à porta, conserva a paciência par fator dereceptividade ao socorro que a Divina Providência expedirá em teu favor.Num painel de conflitos em que sejamos chamados a testemunhos de fé e compreensão, não nos serálícito esquecer que tanto somos filhas de Deus quanto aqueles que se fazem instrumentos de nossasdificuldades.Aqueles que se nos erguem à frente na condição de adversários gratuitos, avançam em nossos próprioscaminhos, frequentemente invocando a proteção de Deus tanto quanto a invocamos.E os outros que se transformam em perseguidores são .outros tantos irmãos nossos, de pensamentoenfermo e rumo inadequado, a requisitarem apoio de urgência pelos fardos de tribulações que carregam, àsvezes muito mais pesados que os nossos.Não te inclines ao desequilíbrio, quando alguém te reclame reações de entendimento mais amplo.Aceita as aulas de serenidade e tolerância que a vida te oferece, com a certeza de que não te faltará oamparo de Mais Alto.De qualquer modo, porém, colabora na conservação da harmonia e da benevolência para que o auxílio doSenhor não se te faça obscura no imediatismo das necessidades humanas.Desespero é nuvem formada pelos ingredientes da aflição inútil, impedindo-te visão e discernimento.Cólera é tumulto absolutamente desnecessário, incitando-nos à queda em alucinação ou delinqüência.Quando a tempestade da incompreensão esteja rugindo, ao redor de teus passos, recordemos o Cristo deDeus que nos propomos a seguir e servir."Ama aos inimigos e ora pelos que te perseguem e caluniam".Jesus, decerto, em se expressando assim, não exonerava os agressores da obrigação de arcar com osresultados infelizes das próprias ações, e sim aconselhava-nos à prática da imunização de espírito, ensinando-nos que desculpa e benção em amparo a todos aqueles que não nos compreendam, sempre serão baseseficientes para a vitória do amor pelo sustento da paz.GUERRA E PAZ (IRMÃO SAULO)É difícil entendermos a atitude daqueles que, ombreando conosco em longas caminhadas no rumo daverdade e do bem, subitamente rompem a antiga ligação e passam a tratar-nos como adversários. Mais difícil,ainda, compreender agressões
  • 25. e calúnias proferidas pela boca de amigos e companheiros que ontem só tinham para conosco palavras deelogio e carinho. E tudo se confunde num temporal de incongruências e absurdos, quando o único motivo dorompimento foi o fato de não nos havermos afastado do caminho reta. Que razões teriam os companheirosrevoltados para nos acusar, hoje, daquilo que ontem mesmo louvavam? Por que estranhos motivos nãoprocuraram debater suas dúvidas conosco em pé de igualdade, à base do raciocínio fraterno? Por que fogemde nós e nos acusam por trás?Jesus sofreu as negações de Pedro, a dúvida de Tomé, a traição de Judas. Não deixou de adverti-los comenergia quando necessário, mas nunca se recusou a entender-se com eles e nunca deixou de amá-los. Quandoprecisou de um apóstolo capaz de tudo abandonar pela causa evangélicade ser fiel à verdade, acima de tudo foi buscar o seu inimigo mais feroz na estrada de Damasco e oarrebatou na sua luz e no seu amor. Paulo, por sua vez advertiu que ninguém devia dizer-se dele ou de Apolo,pois o fundamento de ambos era um só: o Cristo. Resistindo a Pedro corajosamente, repreendendo comenergia os transviados da Igreja de Corinto, denunciando os apóstolos judaizantes, Paulo permaneceu debraços abertos a todos eles, embora sem transigir no tocante à verdade doutrinária do Evangelho. Foi ele oteórico do "bom combate", exemplificando na prática a excelência da sua teoria. Kardec, por sua vez, rejeitou ecriticou a absurda mistificação de Roustaing, sem com isso fazer-se inimigo dos que o aceitavam. Há guerra eguerra, paz e paz. A guerra do bem utiliza-se das armas da verdade, que ferem a golpes de cirurgia, para curaro doente. Abençoada guerra. A paz da hipocrisia serve-se das armas da mentira e da calúnia, que envenenam,destroem e matam. E a paz enganosa do pântano, da deterioração moral.E por isso que Emmanuel repete as palavras de Jesus: "Ama aos inimigos, ora pelos que perseguem ecaluniam."Imunizar-nos contra a perfídia, a arrogância, a vaidade ─ sem trair nem aprovar a traição à verdade─ é combater o "bom combate" de Paulo, pela vitória do amor e pelo sustento da paz verdadeira, aquela emque os antagonismos se resolvem no plano da razão, do entendimento fraterno.PROBLEMAS DA EVOLUÇÃO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)No início da nossa reunião pública de ontem, o Livro dos Espíritos deu-nos para estudo a sua questão 782.Os comentaristas teceram valiosas considerações em torno da nossa época de agitado progresso material.Muitos ângulos do assunto foram examinados. Ao término das nossas atividades, nosso caro Emmanuelescreveu a página que lhe envio, no propósito de recebermos sua valiosa contribuição, em apontamentos quenos auxiliem no estudo doutrinário, como sempre, agradecendo, desde já, o que possa fazer em favor dacontinuidade das nossas reflexões sobre a renovadora doutrina.N. da R. A mensagem foi recebida na noite de 7 do corrente, e a carta de Chico Xavier é datada de 9, diada reunião da USE em São Paulo.AUTO-RENOVAÇÃO (EMMANUEL)Atualmente, na Terra, todos ouvimos, com freqüência, a afirmativa geral — "eis que o mundo setransforma".Efetivamente, no Plano Física, em apenas um quartel de século, alteraram-se basicamente quase todos ossetores da vida em si.Robôs específicos, quais sejam tratores ou máquinas de lavar, poupam imensidade de trabalho e osprocessos de intercâmbio, os mais rápidas, converteram o Planeta em casa grande com grande família inter-unida nas mesmas realizações e nas mesmas dificuldades.A criatura humana, porém, conquanto se extasie perante os avanços do progresso e, por vezes, se vejaconstrangida a súbitos deslocamentos emocionais, em vista das novas orientações psicológicas, observa,dentro de si própria, que as ocorrências do espírito continuam as mesmas.O amor genuíno não sofreu qualquer modificação; a atração dos sexos, do ponto de vista da coletividade,não experimentou mudança alguma; o sofrimento moral é absolutamente semelhante àquele que devastavacivilizações de há muito desaparecidas; o imperativo da educação não abandonou o lugar que lhe compete navida comunitária; a ordem social não passou por alienação nenhuma, a fim de que a segurança comum se façaresguardada nos alicerces da justiça; e a morte prossegue em toda parte, como sendo uma força que se impõe
  • 26. no mundo à custa de lágrimas.* * *Consideremos tudo isso e não te permitas abater se lutas, porventura te assediem a estrada.Ante a perspectiva de mais mudanças no plano exterior, no imo da alma, sejamos mais nós mesmas.Por mais complexa se mostre a moldura do quadro em que vives, no mundo, nele transitas, à feição deviajor, no hotel das facilidades materiais, com vinculações de trânsito e compromissos de tempo certo.* * *A Terra se renova, substancialmente, oferecendo reconforto em todas as direções; entretanto ponderamoscom respeito — e preciso saibas o que fazes de ti para que o carro da evolução não te colha sob as suas rodasinexoráveis:* * *Ampara-te na fé em Deus, seja qual seja o campo religioso em que estagies, construindo resistência íntimacom. os recursos do conhecimento e do amor.Desvincula-te das preocupações improdutivas para que te não afastes da essencial.Usa os bens que a vida te empresta atendendo ao bem dos outros, sem permitir que os bens dos quais tefizeste usufrutuário te acorrentem ao poste das aflições inúteis.Serve sem apego.Ama sem escravizar o próximo ou a ti mesma.E ilumina-te, seguindo adiante.* * *É da Lei Divina que o mundo se transforme independentemente de nossa vontade, mas é igualmente daLei do Senhor que a nossa renovação; sejam quais forem as influências exteriores, dependa sempre eexclusivamente de nós.EM DEFESA DE CHICO (IRMÃO SAULO)Chega no momento oportuno esta mensagem de Emmanuel. Dia 9 último, na reunião do ConselhoDeliberativo Estadual da USE, o sr. Luís Monteiro de Barros leu uma carta de Paulo Alves Godoy em que esteatira sobre o médium Chico Xavier a responsabilidade pela adulteração de O Evangelho Segundo o Espiritismo.Acontece que Chico não é membro da Federação nem da USE e não exerce em nenhuma dessas instituiçõesqualquer espécie de cargo administrativa. Como pode ele responder pela adulteração praticada? A acusaçãocaiu no vazio, mas serve para ilustrar as assertivas de Emmanuel em sua mensagem que hoje publicamos,enviada por Chico para esta edição.Emmanuel considerou a existência de dois planos evolutivos: o plana do mundo, constituído pela Naturezae a Sociedade, e o plano do homem, em que temos um ser espiritual em desenvolvimento. É a mesmacolocação feita pelo Livro dos Espíritos na questão 782, a que Chico se refere em sua carta, no trecho acimatranscrito. Escreve Emmanuel: "Ante a perspectiva das mudanças no plano exterior, sejamos mais nósmesmos".Nesta hora de transição da Terra as mudanças se aceleraram em todos os setores. O sr. Paulo AlvesGodoy, como confessa na sua explicação da edição adulterada, quis seguir o ritmo das mudanças no planoExterior, imitando as "atualizações" que são feitas na Bíblia e nos Evangelhos pelas várias religiões cristãs.Deixou de ser ele mesmo, esqueceu-se de sua condição espírita e atirou-se ao campo das mudanças adotadaspelas religiões formalistas. O resultado foi o que vimos. Felizmente a USE (União das Sociedades Espíritas doEstado) não se deixou levar por essa fascinação, reprovando-a energicamente.O que falta a muitos espíritas neste momento e compreender o problema colocado por Emmanuel. Umpouco de reflexão e de humildade teria evitado toda essa confusão. Chico e os espíritos não podem responderpelas ações decorrentes do livre-arbítrio humano.CARTA-CONFISSÃO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)Li, hoje, 23, o seu texto doutrinário no DIÁRIO DE S. PAULO, intitulado "Em Defesa de Chico". Foi, paramim, um apontamento altamente benéfico, porque me levou a memorizar um encontro que tive, em 1973, comos nossos confrades Paulo Alves Godoy e Jamil Salomão. Falávamos da excelência da Obra Kardequiana,
  • 27. compulsando um exemplar da 51 edição de O Evangelho Segundo o Espiritismo, quando me referi a certaexpressão do item 5 do cap. XV, expressão essa que, se me fosse possível estimaria substituir por outra,equivalente em sentido, para evitar hiatos de atenção em muitos dos assistentes das reuniões públicas dedoutrina mormente os companheiros de freqüência iniciante. E, como estudávamos reações do público nosencontros doutrinários, reportei-me às palavras "fogo do inferno", constantes da última frase do item 3 do cap.IX, que, igualmente, de minha parte, estimaria ver substituídas por outras que não alterassem a significação dotexto.Nossa conversação gravitou para outros aspectos do nosso campo de ação. E, sem dúvida, os trêsconcordávamos em que as expressões apontadas fossem reestudadas, em tempo oportuno, por autoridadesindicáveis na solução do problema, ante as estruturas de comunicação da língua portuguesa. Compreendo queo nosso irmão e amigo Paulo Alves Godoy, decerto no intuito de demonstrar apreço a este pequeno servidor —o que eu teria claramente evitado, não só por não merecer isso, como também porque não seria justoempreender renovações verbais nos textos kardequianos sem uma reunião de cúpula, em que oscompanheiros mais categorizados se manifestassem no assunto ─ terá promovido trabalho de profundidade.A carta a que se refere a sua nobre página do DIÁRIO DE S. PAULO me fornece a chave da solução doproblema, pelo qual me vejo realmente culpado, embora involuntariamente, pelos enganos havidos. Creia, caroamigo que assumo a responsabilidade dessa culpa. Por invigilância minha, no desejo de honorificar os textoskardequianos nas reuniões públicas, terei suscitado em nosso irmão Paulo Alves Godoy o desejo de realizar umtrabalho, não desrespeitoso por intenção, mas apressado pela boa vontade.Dói-me vê-lo em lutas de tamanhas dimensões, ante o problema que se fez obscuro e inquietante, e peço-lhe desculpas se involuntariamente, me fiz de uma perturbação tão grave, em que o seu sofrimento é maior(Carta dirigida a Herculano Pires).A TRAMA DA ADULTERAÇÃO (IRMÃO SAULO)Torna-se evidente, pela carta-confissão de Chico Xavier, a audaciosa trama da adulteração, que começoupelo envolvimento do médium de Uberaba, a partir do seu desejo de melhor atendimento das pessoas que seiniciam no Espiritismo, ainda carregadas de conceitos errôneos sobre problema da salvação. Paulo Godoy eJamil Salomão foram consultar o médium sobre uma questão que não era de sua competência. Ambostomaram as referências de Chico a expressões fortes dos Evangelhos como ordenações de um oráculo. Chicofalava por si mesmo, propondo questões, mas os consulentes, ávidos de instruções superiores, consideravam-se em face de um semi-deus e não apenas de um médium, de um homem que se dedica ao serviço do amornão das graves questões doutrinárias, que abrangem todo texto da Codificação e os mais vastos problemas daHistória e da Cultura. Saíram de Uberaba como investidos de um mandato divino. Iam iniciar uma nova fase doEspiritismo, iam "renovar e atualizar Kardec".Envolvido o médium — que nem percebera a gravidade de suas ponderações — foi fácil envolver oDepartamento do Livro da Federação Espírita do Estado de São Paulo. E lançada a edição adulterada queexigiu elevado emprego de capital, o interesse material imediato sobrepõe-se naturalmente (pela força dascoisas, como dizia Kardec) ao interesse moral e espiritual de preservação da doutrina. Essa a razão por que,dali por diante, os envolvidos na trama não deram ouvidos a nenhuma advertência e se mostraram tãoapaixonados e insistentes na sustentação do erro. Julgaram-se seguramente escudados na palavra do Céu enos interesses da Terra para sustentarem a sua estranha posição.Nenhum deles teve a humildade de confessar o seu erro, a sua invigilância, como Chico Xavier o faz nessacarta dolorosa. E natural que Chico pensasse numa reunião de cúpula para estudar o assunto. A posição dascúpulas, entretanto, evidenciou a ignorância das mesmas. Não fosse a reação das bases, a adulteração estariahoje institucionalizada. E dentro em pouco não saberíamos mais o que Kardec escreveu, porque os escribasingênuos, iluminados supostamente pelo Alto, prosseguiriam na deformação programada e confessa de toda aCodificação.Chico Xavier ainda propõe, na carta acima, de que publicamos apenas a parte essencial, uma reunião decúpula para reexaminar o assunto. Isso demonstra o seu alheamento à realidade terrena com que nosdefrontamos. Seria o mesmo que, depois da crucificação de Jesus, os apóstolos pedissem ao Sinédrio arevisão do processo que o levou ao sacrifício. As organizações de cúpula da movimento doutrinário mantiveramo mesmo silêncio dos rabinos no Templo, quando as trinta moedas de Judas tilintavam aos seus pés, no gestodesesperado do traidor arrependido. Qual a cúpula que se manifestou em defesa da doutrina? O próprioConselho da USE só o fez depois de vendido os trinta mil volumes de O Evangelho adulterado, não obstante já
  • 28. houvesse tomado posição contrária à adulteração desde 8 de dezembro de 1974. Que forças impediram opronunciamento que ficou engavetado durante três meses?Que autoridade têm as chamadas cúpulas para "renovar" textos evangélicos e doutrinários? O episódio daadulteração se encerra, com essa carta-confissão de Chico Xavier, deixando-nos o saldo pesado de umacapitulação que atingiu a figura de um médium que se firmara em nosso movimento como exemplo inatacável.Não obstante, vale a experiência para nos alertar quanto ao perigo dos escorregões a que todos estamossujeitos. A vaidade humana é a casca de banana na calçada da nossa invigilância.A carta-confissão de Chico Xavier é um documento amargo. Ele procura tomar sobre si a responsabilidadedo que os outros fizeram e revela desconhecer a extensão da sua própria responsabilidade no campodoutrinário. Chico, Xavier é um homem, um médium, com missão mediúnica especifica, e não um líder, umdirigente, um oráculo grego. Compreendamos isso e procuremos poupá-lo, para que ele possa concluir suamissão em paz.CONSOLADOR PROMETIDO (FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER)O Espiritismo, no panorama atual do mundo, é realmente aquele consolador prometido por Jesus àhumanidade. Porque, quantos dele se aproximam, com devotamento à verdade, encontram recursos para aresistência íntima contra qualquer perturbação. Estamos vivendo uma época muito difícil, um período inçado demuitos obstáculos na vida espiritual de todos, porque a renovação está chegando para todos na Terra àmaneira de explosão: uma explosão de sentimentos, de pensamentos, de palavras, de ações, e sem aexplicação do Espiritismo teríamos muita dificuldade para harmonizar o nosso mundo íntimo. Por isso conside-ramos que o Espiritismo é uma providência da misericórdia do Senhor em nosso benefício, a fim de que cadaum de nós esteja no lugar certo, com obrigações certas, e desempenhando nossos deveres tão bem quantonos seja possível.A SUBLIME TAREFA (EMMANUEL)Ao Espiritismo cabe, atualmente, no mundo, grandiosa e sublime tarefa. Não basta definir-lhe ascaracterísticas veneráveis de consolador da humanidade. É preciso também revelar-lhe a feição de movimentorenovador de consciências e corações. A morte física não é o fim. É apenas mudança de capítulo no livro daevolução e do aperfeiçoamento. Ao seu influxo, ninguém deve esperar soluções finais e definitivas, quandosabemos que cem anos de atividade no mundo representam uma fração relativamente curta de tempo paraqualquer edificação na vida eterna.Infinito campo de serviços aguarda a dedicação dos trabalhadores da verdade e do bem. Problemasgigantescos desafiam os espíritos valorosos, encarnados na época presente com a gloriosa missão de preparara nova era, contribuindo na restauração da fé viva e na extensão do entendimento humano. Urge socorrer areligião, sepultada nos arquivos teológicos dos templos de pedra e amparar a ciência, transformada em gêniosatânico da destruição. A espiritualidade vitoriosa percorre o mundo, regenerando-lhe as fontes moraisdespertando a criatura no quadro realista das suas aquisições. Há chamamentos novos para o homemdescrente do século XX, indicando-lhe horizontes mais vastos, a demonstrar-lhe que o espírito vive acima dascivilizações que a guerra consome ou transforma, na sua voracidade de dragão multimilenário. Ante os temposnovos, e considerando o esforço grandioso da renovação, requisita-se o concurso de todos os servidores daverdade e do bem. Na consecução da tarefa superior, congregam-se encarnados e desencarnados de boavontade, construindo a ponte de luz através da qual a humanidade transporá o abismo da ignorância e damorte.MOMENTO DE REFLEXÃO (IRMÃO SAULO)Desde o tempo de Kardec os espíritos vêm advertindo-nos, sem cessar, que estamos numa fase aceleradade evolução para uma nova era. O Espiritismo surgiu para orientar os homens nesse processo e traz consigo oselementos necessários para essa orientação. Oferece-nos um novo conceito do homem e da vida, uma novamundividência, novos princípios filosóficos e novas perspectivas no campo científico. Prepara-nos para arenovação das estruturas sociais, já em desenvolvimento. Todo o esquema da Doutrina Espírita apresenta-se

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