Artigo Original
PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS
PREVALÊNCIA ALEITAMENT MATERNO
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SENA MCF ET AL.
Tabela 1- Prevalência (%) de aleitamento materno, por idade da criança, nas capitais, ...
PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS
Tabela 2- Prevalência (%) de aleitamento materno exclusivo...
SENA MCF ET AL.
Figura 1 - Distribuição das prevalências do aleitamento materno e do populacionais em ...
PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS
RESULTS. The estimated prevalence of breastfeeding in B...
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PrevalêNcia Do Aleitamento Materno Nas Capitais Brasileiras

Published on: Mar 4, 2016
Published in: Business      Economy & Finance      
Source: www.slideshare.net


Transcripts - PrevalêNcia Do Aleitamento Materno Nas Capitais Brasileiras

  • 1. Artigo Original PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS PREVALÊNCIA ALEITAMENT MATERNO AMENTO CAPITAIS M ARIA C RISTINA F ERREIRA S ENA , E DUARDO F REITAS DA S ILVA, M AURÍCIO G OMES P EREIRA* Trabalho realizado na Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde, Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde e na Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciência da Saúde, Brasília, DF RESUMO OBJETIVO. Estimar a prevalência do aleitamento materno e do aleitamento exclusivo para as capitais brasileiras, para as grandes regiões e para o Brasil, nas idades de 30, 120 e 180 dias, preconizadas por consenso entre especialistas para unificar as estatísticas. MÉTODOS. Procedeu-se a reanálise dos dados do inquérito populacional de aleitamento materno realizado em 25 capitais e no Distrito Federal, em 16 de outubro de 1999, Dia Nacional de Vacinação Infantil. A amostra probabilística do presente estudo refere-se a 10.778 crianças distribuídas nas idades mencionadas. As prevalências por ponto e por intervalo (intervalo de confiança de 95%) foram determinadas para as capitais e então extrapoladas para as regiões brasileiras e para o Brasil. Utilizou-se a análise de regressão com o programa estatístico SAS. RESULTADOS. As prevalências estimadas de aleitamento materno para o Brasil foram aos 30, 120 e 180 dias, respectivamente, 87,3% (86,8 - 87,7), 77,5% (77,1 - 78,0) e 68,6% (68,2 - 69,1) e, do aleitamento materno exclusivo, nas mesmas idades, 47,5% (46,4 - 48,5), 17,7% (17,2 - 18,3) e 7,7% (7,2 - 8,2). Nas capitais, a variação da freqüência do aleitamento materno exclusivo aos 30 dias foi ampla, oscilando entre 73,4% (Fortaleza) e 25,2% (Cuiabá). Aos 180 dias de vida, as taxas alternaram *Correspondência de 16,9%, em Belém a 2,8%, em Cuiabá. SHIS QI 15 conjunto 5 casa 20 - Lago Sul – CONCLUSÃO. No primeiro semestre de vida houve redução moderada da prevalência do aleitamento materno e queda acentuada Brasília – DF da prevalência do aleitamento materno exclusivo. Foram observadas diferenças importantes na freqüência do aleitamento Cep 71635-250 materno exclusivo entre as capitais pesquisadas. Tel.: (61) 3364-0552/ (61) 8119-0355 mauriciogpereira@gmail.com UNITERMOS: Aleitamento materno. Aleitamento materno exclusivo. Estudos transversais. Epidemiologia. Brasil. INTRODUÇÃO corresponde à seleção de crianças menores de um ano nos postos sorteados, empregou-se amostragem sistemática. Pessoas ade- A alimentação da criança nos primeiros seis meses de vida deve quadamente treinadas realizaram entrevistas com as mães das estar restrita ao leite materno1,2. Inquéritos periódicos informam crianças selecionadas para o estudo. As informações foram sobre a situação e fornecem base para ação3. A comparação dos registradas em questionários padronizados e pré-testados. Tam- resultados desses inquéritos enfrenta dificuldades de ordem bém houve cuidado no planejamento de outros aspectos para metodológica, principalmente por falta de uniformidade nas idades controlar o erro de aferição, como exemplos a supervisão do utilizadas para estimar as prevalências4,5,6,7. Recentemente, foram trabalho de campo, a adequada relação entre o número de definidas as idades de corte de 30, 120 e 180 dias para padronizar supervisores e de entrevistadores com o de mães entrevistadas, a as estatísticas de aleitamento materno no país8. No inquérito realização da coleta de dados em um único dia e o desenvolvimento nacional de 1999, específico de aleitamento materno, efetuado nas de software específico para a digitação dos dados do inquérito. capitais brasileiras e que foi coordenado por um dos autores do Sobre a alimentação da criança explorou-se o consumo, nas presente artigo (MCFS), os resultados não contemplam essas últimas 24 horas, dos seguintes itens: leite materno, água, chá, idades7. Além disso, só foram divulgados na forma de relatório7. O sucos, outro leite, frutas, sopas e refeição da família. As variáveis presente trabalho apresenta o produto da reanálise da pesquisa dependentes medidas foram o aleitamento materno e o aleitamen- nacional expressando os resultados como preconizado. to materno exclusivo e a independente a idade da criança. M ÉTODOS Reanálise_dos_dados Características_da_pesquisa_original Limitamos a presente análise a todas as crianças nas idades Trata-se de um inquérito transversal, realizado no dia da Cam- mencionadas, em um total de 10.778, sendo 1.259 com 30 dias panha Nacional de Vacinação nas capitais brasileiras e no Distrito de idade (abrangendo crianças entre 15 e 45 dias), 4.632 com 120 Federal, em 16 de outubro de 19997. O Rio de Janeiro não foi dias de idade (entre 106 e 135 dias) e 4.887 com 180 dias de idade incluído, pois seus técnicos justificaram ter feito pesquisa sobre o (entre 166 e 195 dias). tema havia pouco tempo. De cada localidade foi selecionada Os critérios utilizados para definir o tipo de aleitamento são os amostra probabilística em duas etapas. Na primeira, obtiveram-se estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde9. Na categoria amostras aleatórias simples de postos de vacinação a partir das listas aleitamento materno, a condição essencial é a criança ser alimentada fornecidas pelos coordenadores locais. Na segunda etapa, que com o leite materno, independentemente de receber outros tipos 520 Rev Assoc Med Bras 2007; 53(6): 5 2 0 - 4
  • 2. SENA MCF ET AL. Tabela 1- Prevalência (%) de aleitamento materno, por idade da criança, nas capitais, Distrito Federal, grandes regiões e estimativa para o Brasil,1999 Localidades* Idade da criança em dias 30 120 180 % IC 95% † ordem ‡ % IC 95% † ordem ‡ % IC 95% † ordem ‡ Região Norte 90,9 90,0-91,7 .. 83,7 82,8-84,5 .. 76,7 75,8-77,5 .. Porto Velho 88,8 86,3-91,0 10 81,2 78,7-83,4 10 74,1 71,8-76,2 8 Rio Branco 85,0 82,0-87,6 14 75,9 73,3-78,4 14 68,0 65,7-70,4 14 Manaus 90,3 86,9-92,9 7 82,2 78,8-85,1 8 74,3 71,1-77,2 7 Boa Vista 87,2 84,1-89,7 12 79,7 77,0-82,2 12 73,2 70,7-75,6 10 Belém 94,4 92,1-96,0 3 89,6 87,2-91,6 2 84,6 82,3-86,7 1 Macapá 95,1 93,7-96,2 1 90,0 88,4-91,5 1 84,5 82,8-86,0 2 Palmas 92,7 90,9-94,2 6 84,6 82,4-86,6 6 75,8 73,6-77,9 6 Região Nordeste 85,9 85,1-86,7 .. 74,8 74,0-75,6 .. 64,8 64,0-65,6 .. São Luís 93,5 91,4-95,1 4 87,1 84,8-89,1 3 80,4 78,1-82,5 3 Teresina 92,7 90,8-94,1 6 86,4 84,5-88,2 5 80,1 78,2-81,9 4 Fortaleza 94,4 93,1-95,4 2 83,2 81,3-85,0 7 68,7 66,6-70,8 13 Natal 83,0 79,9-85,7 18 71,2 68,5-73,8 19 61,2 58,5-63,7 19 João Pessoa 79,6 76,6-82,2 24 67,2 64,7-69,5 24 57,1 54,9-59,3 23 Recife 83,2 79,1-86,6 17 69,5 65,9-72,9 22 57,6 54,3-60,9 22 Maceió 78,1 75,3-80,7 25 64,6 62,3-66,9 26 53,8 51,7-55,9 26 Aracaju 82,5 79,7-85,0 19 70,9 68,5-73,2 20 61,2 59,0-63,3 18 Salvador 84,7 81,5-87,4 15 74,4 71,6-77,0 16 65,4 62,9-67,9 16 Região Sudeste 83,5 81,9-85,0 .. 72,3 70,9-73,7 .. 62,6 61,3-63,9 .. Belo Horizonte 82,4 79,5-84,9 20 69,9 67,4-72,3 21 59,4 57,1-61,6 21 Vitória 87,6 85,2-89,6 11 78,8 76,6-80,9 13 70,9 68,8-72,9 12 São Paulo 79,7 76,2-82,8 23 66,2 63,3-69,0 25 55,2 52,7-57,8 25 Região Sul 82,5 80,6-84,3 .. 70,7 69,0-72,4 .. 60,8 59,2-62,3 .. Curitiba 83,5 80,7-86,0 16 71,4 68,8-73,8 18 60,9 58,6-63,1 20 Florianópolis 82,2 78,9-85,2 21 71,6 68,7-74,3 17 62,6 60,1-65,1 17 Porto Alegre 81,3 76,7-85,2 22 68,0 64,2-71,7 23 56,9 53,4-60,4 24 Região Centro-Oeste 90,2 89,3-91,0 .. 81,6 80,6-82,5 .. 73,1 72,2-74,1 .. Campo Grande 89,9 87,6-91,9 8 81,0 78,6-83,2 11 72,3 70,0-74,5 11 Cuiabá 89,6 87,4-91,4 9 81,2 79,1-83,2 9 73,3 71,2-75,2 9 Goiânia 85,9 83,5-87,9 13 75,3 73,1-77,4 15 65,8 63,7-67,7 15 Distrito Federal 93,4 92,2-94,5 5 86,4 84,9-87,8 4 78,8 77,2-80,2 5 Brasil 87,3 86,8-87,7 .. 77,5 77,1-78,0 .. 68,6 68,2-69,1 .. * A ordem de apresentação das unidades da Federação é por critério geográfico, como habitualmente são apresentadas as estimativas de saúde no Brasil. † Os valores representam os intervalos de confiança (IC) de 95% (as margens de erro das estimativas). ‡ Os valores representam a ordem de classificação da maior prevalência para a menor. de alimento inclusive o leite não-humano. No aleitamento materno faixas etárias de 30, 120 e 180 dias. A razão pi/(1- pi) é a chance exclusivo, requer-se o consumo somente de leite materno. de uma criança na faixa etária i estar em aleitamento materno e A análise dos dados compreendeu a obtenção das estimativas aleitamento materno exclusivo11,12. de prevalência, por ponto e por intervalo (os intervalos de confiança de 95%), para as duas modalidades de aleitamento. Os resultados RESULTADOS foram primeiro computados para as capitais. Os cálculos para as Estimativa_das_prevalências regiões brasileiras e para o Brasil estão baseados nas informações Os achados são primeiro apresentados para o aleitamento das capitais. Todas as estimativas foram feitas utilizando-se a análise de materno e, depois, para o aleitamento materno exclusivo. Para cada regressão, com o uso do programa estatístico SAS10. O modelo idade são mostradas três informações: a prevalência (%), o inter- adotado no processo de estimação das prevalências de aleitamento valo de confiança (ou seja, a margem de erro das estimativas de materno e de aleitamento materno exclusivo foi: log(pi/(1- pi) = b0 prevalência) e a ordem de classificação da localidade. + b1 (ponto médio da faixa etária). No modelo, pi é a prevalência na faixa etária i e b0 e b1 são parâmetros que indicam a associação Aleitamento_materno entre o aleitamento materno e o aleitamento materno exclusivo nas A Tabela 1 apresenta as estimativas das prevalências do aleita- Rev Assoc Med Bras 2007; 53(6): 5 2 0 - 4 521
  • 3. PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS Tabela 2- Prevalência (%) de aleitamento materno exclusivo, por idade da criança, nas capitais, Distrito Federal, grandes regiões e estimativa para o Brasil,1999 Localidades* Idade da criança em dias 30 120 180 % IC 95% † ordem ‡ % IC 95% † ordem ‡ % IC 95% † ordem ‡ Região Norte 47,0 44,7-49,3 .. 16,8 15,6-18,0 .. 7,0 6,1-8,1 .. Porto Velho 35,1 29,7-41,0 19 11,7 9,3-14,5 21 4,9 3,2-7,5 21 Rio Branco 35,8 30,0-42,0 18 9,7 7,5-12,5 25 3,5 2,1-5,6 25 Manaus 31,4 24,0-39,9 24 12,2 9,0-16,3 20 5,9 3,3-10,3 17 Boa Vista 42,9 36,6-49,4 15 14,0 11,2-17,5 15 5,6 3,6-8,6 18 Belém 63,1 55,7-69,9 4 32,2 28,1-36,6 1 16,9 12,4-22,6 1 Macapá 61,1 56,5-65,5 5 21,8 18,9-24,9 7 8,1 6,0-10,8 11 Palmas 48,0 42,7-53,4 12 15,6 13,0-18,7 14 6,0 4,1-8,5 15 Região Nordeste 49,9 48,1-51,7 .. 19,3 18,3-20,3 .. 8,4 7,6-9,4 .. São Luís 55,7 49,3-61,9 6 28,5 24,8-32,4 4 15,6 11,6-20,8 2 Teresina 55,0 49,8-60,1 7 22,0 19,1-25,1 6 9,6 7,2-12,7 7 Fortaleza 73,4 69,6-76,9 1 29,0 26,1-32,0 3 10,2 8,0-13,0 6 Natal 51,0 45,8-56,2 10 19,8 16,7-23,4 9 8,7 6,2-12,1 8 João Pessoa 44,0 38,8-49,4 14 12,9 10,7-15,5 17 4,6 3,2-6,6 22 Recife 34,1 27,1-41,8 20 17,3 14,0-21,4 13 10,3 6,7-15,5 5 Maceió 31,9 27,6-36,4 22 13,0 10,9-15,4 16 6,5 4,7-9,0 13 Aracaju 47,3 42,3-52,4 13 17,6 15,0-20,4 11 7,5 5,5-10,2 12 Salvador 37,8 31,9-44,2 17 12,5 9,9-15,6 18 5,1 3,3-7,9 19 Região Sudeste 38,2 35,2-41,3 .. 14,5 13,0-16,1 .. 6,7 5,4-8,1 .. Belo Horizonte 30,6 26,0-35,6 25 10,4 8,4-12,9 24 4,6 3,0-6,8 23 Vitória 50,1 44,9-55,3 11 19,6 17,0-22,5 10 8,6 6,5-11,5 9 São Paulo 32,9 27,5-38,7 24 12,4 10,0-15,4 19 5,9 3,9-8,8 16 Região Sul 58,5 54,9-62,0 .. 23,8 21,7-26,0 .. 10,2 8,5-12,4 .. Curitiba 55,0 49,4-60,5 8 20,6 17,7-23,8 8 8,4 6,2-11,4 10 Florianópolis 66,7 60,8-72,1 2 31,7 27,9-35,7 2 14,9 11,2-19,5 3 Porto Alegre 52,7 44,9-60,4 9 17,4 13,6-22,1 12 6,5 3,9-10,6 14 Região Centro-Oeste 44,4 42,1-46,8 .. 15,2 14,1-16,5 .. 6,2 5,3-7,3 .. Campo Grande 40,1 34,6-45,9 16 10,8 8,6-13,6 23 3,8 2,4-5,9 24 Cuiabá 25,2 20,8-30,2 26 7,2 5,5-9,4 26 2,8 1,7-4,6 26 Goiânia 31,5 27,1-36,3 23 11,0 9,1-13,3 22 4,9 3,4-7,0 20 Distrito Federal 63,7 60,1-67,2 3 25,5 23,1-28,0 5 10,3 8,3-12,7 4 Brasil 47,5 46,4-48,5 .. 17,7 17,2-18,3 .. 7,7 7,2-8,2 .. * A ordem de apresentação das unidades da Federação é por critério geográfico, como habitualmente são apresentadas as estimativas de saúde no Brasil. † Os valores representam os intervalos de confiança (IC) de 95% (as margens de erro das estimativas). ‡ Os valores representam a ordem de classificação da maior prevalência para a menor. mento materno. Os dados para o Brasil mostram que a maioria das materno e de 84% na de aleitamento materno exclusivo. crianças (87,3%) é amamentada no primeiro mês de vida. Essa proporção decresce para 77,5% aos 120 dias, e para 68,6% aos Distribuição_das_prevalências 180 dias. Os maiores percentuais de prevalência são encontrados Os diagramas de caixa mostram as características da distribuição nas regiões Norte e Centro-Oeste nas diferentes idades. das freqüências dos aleitamentos materno e exclusivo nas idades analisadas (Figura 1). Para o aleitamento materno, as taxas são Aleitamento materno exclusivo elevadas e a dispersão entre as idades pouco difere. A Tabela 2 mostra as estimativas das prevalências do aleitamen- Referentemente ao aleitamento materno exclusivo, evidencia-se o nítido decréscimo das prevalências no primeiro semestre de vida. to materno exclusivo. Para o País, o percentual de crianças alimen- Observa-se também maior heterogeneidade das taxas aos 30 dias tadas exclusivamente com leite materno é baixo já no primeiro mês e tendência para a uniformidade com valores bastantes baixos aos de vida (47,5%). Na idade de 120 dias, a proporção estimada foi 180 dias. 17,7% e, aos 180 dias, 7,7%. A região Sul destaca-se com as maiores prevalências para todas as idades. Em termos relativos, comparando-se as taxas aos 30 dias e aos 180 DISCUSSÃO dias de vida, houve redução de 21% na prevalência de aleitamento O presente estudo informa a distribuição etária e geográfica da 522 Rev Assoc Med Bras 2007; 53(6): 5 2 0 - 4
  • 4. SENA MCF ET AL. Figura 1 - Distribuição das prevalências do aleitamento materno e do populacionais em relação à amamentação são moduladas, em sua aleitamento exclusivo nas capitais brasileiras, conforme idade da criança, 1999 maioria, por preferências pessoais, culturais, circunstâncias sociais (n = 26 unidades da Federação) e econômicas, características demográficas13-17 e aplicação de pro- gramas e ações voltados para evitar o desmame precoce18-20. O Brasil, por ser muito extenso territorialmente, é diversificado em relação aos aspectos mencionados, por isso, as variações de aleitamento natural observadas. A heterogeneidade de prevalências evidenciada neste inquérito indica que a influência desses fatores no desmame varia com a idade e tem peso distinto em cada contexto. Embora haja evidências da melhora da situação do aleitamento materno entre as crianças brasileiras, 21,22 a situação no País em relação à amamentação exclusiva é preocupante. O percentual de crianças no primeiro semestre de vida, alimentadas somente com o leite materno, permanece muito aquém da recomendação do Unicef, da OMS e do Ministério da Saúde1,2. O cenário mundial em relação a essa modalidade de amamentação também se mostra desfavorável. Nos anos 90, o aumento na freqüência da amamentação exclusiva em menores de quatro meses, de 48% para 52%, foi considerado modesto23. A análise envolveu 37 países em desenvolvimento. Na América Latina e no Caribe, os ganhos foram de maior destaque. Contudo, a região permanece com os freqüência de amamentação de crianças com até seis meses de menores valores em relação a todos os indicadores de idade na área urbana das capitais brasileiras e as estimativas para as amamentação. regiões e para o País. Em relação à idade, houve redução gradual da prevalência do aleitamento materno (19%) e queda acentuada CONCLUSÃO da prevalência do aleitamento materno exclusivo (39,8%). Tam- bém foram observadas diferenças expressivas na freqüência do O perfil de amamentação na área urbana do País pode ser aleitamento materno exclusivo entre as capitais pesquisadas. considerado satisfatório para o aleitamento materno e preocupante O padrão observado, de declínio da amamentação nos primei- para o aleitamento materno exclusivo. Algumas faixas etárias e ros seis meses de vida, é semelhante ao verificado em dois estudos capitais apresentam prevalências muito baixas. É necessário con- nacionais prévios de grande porte, a PNSN5 e a PNDS6, realizadas centrar esforços na aplicação de medidas de promoção e de em 1989 e 1996, respectivamente. Ressalte-se o aumento das proteção ao aleitamento natural. Ressalte-se ainda que a padroniza- prevalências no período. ção metodológica, adotada neste inquérito sobre amamentação no Algumas diferenças e semelhanças na freqüência do aleitamento Brasil, permite direta comparação geográfica e cronológica. materno exclusivo entre as capitais pesquisadas merecem ser realçadas (Tabela 2). Em Fortaleza, por exemplo, os percentuais de Conflito de interesse: não há. crianças com 30 e 120 dias de vida alimentadas somente com o leite materno correspondem a 73,4% e 29%, respectivamente. Em S UMMARY Recife, as taxas de amamentação, nas mesmas idades, situam-se em 34,1% e 17,3%. No entanto, aos 180 dias, ambas as localidades P REVALENCE OF BREASTFEEDING IN B RAZILIAN CAPITAL CITIES apresentam prevalências semelhantes dessa modalidade de aleita- OBJECTIVE. To estimate the prevalence of breastfeeding and of mento: Fortaleza com 10,2% e Recife com 10,3%. Os resultados exclusive breastfeeding in Brazilian capital cities, in the 5 major sugerem que as capitais em melhor situação de aleitamento mater- geographical areas of Brazil and in the whole country, at the ages of no exclusivo nos primeiros meses de vida encontram dificuldades 30, 120 and 180 days, as agreed among specialists. em manter essa condição e chegam no fim do primeiro semestre METHODS . Restudy of data from the population inquiry about de vida em patamares semelhantes aos verificados nos municípios breastfeeding in 25 capital cities and in the Federal District during a que não alcançaram desempenho tão favorável no início do perío- mass immunization campaign, on October 16 th, 1999, National do. Day of Vaccination, supervised by one of the authors. The random Comportamento semelhante foi observado ao se comparar a ordem de classificação das capitais nos dois tipos de aleitamento. sample of this study refers to 10,778 children, according to the ages Melhor desempenho em relação ao aleitamento materno não mentioned above. The point and interval estimates (95% CI) were implica necessariamente a mesma posição em relação à given for the capital cities and then extrapolated to the major amamentação exclusiva, ou vice-versa, como observado em geographical areas and to Brazil. The regression analysis was used Macapá e Florianópolis. As diferentes condutas dos grupos on the SAS statistical program. Rev Assoc Med Bras 2007; 53(6): 5 2 0 - 4 523
  • 5. PREVALÊNCIA DO ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS RESULTS. The estimated prevalence of breastfeeding in Brazil was 9. Indicators for assessing breastfeeding practices. Geneva: World Health Organization; 1991. 87.3% (CI 95%: 86.8 – 87.7) at the age of 30 days, 77.5% (77.1 1 0 . SAS Institute Inc., SAS/STAT® Software: Changes and Enhancements, – 78.0) at the age of 120 days and 68.6% (68.2 – 69.1) at the age release 8.2. Cary: SAS Institute Inc.; 2001. of 180 days. The exclusive breastfeeding prevalence was 47.5% 1 1 . Sena MCF. Prevalência do aleitamento materno exclusivo no Distrito Federal e sua associação com o trabalho materno fora do lar (46.4 – 48.5), 17.7% (17.2 –18.3) and 7.7% (7.2 – 8.2) at the [dissertação]. Brasília (DF): Faculdade de Ciências da Saúde, ages mentioned. At the age of 30 days, variation of the frequency Universidade de Brasília; 1997. 1 2 . Sena MCF. O aleitamento materno no Distrito Federal nos anos 90. of exclusive breastfeeding was wide, from 73.4% (Fortaleza) to Brasília (DF): Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde; 25.2% (Cuiaba). At the age of 180 days, the prevalence ranged 2002. from 16.9% in Belem to 2.8% in Cuiaba. 1 3 . Grummer-Strawn LM. The effect of changes in population characteristics on breastfeeding trends in fifteen developing countries. Int CONCLUSION. There was a moderate reduction of the prevalence J Epidemiol. 1996;25:94-101. of breastfeeding and a steep decline of the prevalence of exclusive 1 4 . Pérez-Escamilla R, Lutter C, Segall AM, Rivera A, Trevino-Siller S, breastfeeding from birth to the age of 180 days. Important Sanghvi T. Exclusive breast-feeding duration is associated with attitudinal, socioeconomic and biocultural determinants in three Latin differences were noted in the frequency of exclusive breastfeeding American Countries. 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