Narratividade e
intertextualidade nas
capas da revista Unesp
Ciência: um estudo
semiótico
BRUNO SAMPAIO GARRIDO
Doutorando...
Introdução
• Objetivo: investigar as relações entre os elementos textuais e
não textuais presentes em uma capa da revista ...
Análise do corpus
Nível discursivo
•Figuratividade: chuva de notas de 100
reais e óleo escorrendo pelas mãos -
relação met...
Análise do corpus
Nível narrativo
•Objeto-valor: o desenvolvimento das cidades
beneficiadas com os royalties.
•Sujeito: nã...
Análise do corpus
Nível axiológico ou fundamental
•Oposições: Riqueza X Pobreza,
Responsabilidade X
Irresponsabilidade/Des...
Análise do corpus
Relações semissimbólicas entre
expressão e conteúdo
•Movimento de queda corrobora a
homologação das opos...
Análise do corpus
Nível discursivo
•Migrante: figurativização do migrante
nordestino que parte de sua terra natal em
busca...
Análise do corpus
Nível narrativo
•Sujeito e destinatário: Migrante
•Objeto-valor: prosperidade
•Destinador: a necessidade...
Análise do corpus
Nível axiológico ou fundamental
•Oposições: Alegria/Prazer X
Tristeza/Sofrimento; Riqueza X
Pobreza; Ide...
Análise do corpus
Relações semissimbólicas entre
expressão e conteúdo
•Tonalidade marrom (terra):
associação entre a cor d...
Considerações finais
• Pudemos verificar o quanto os recursos expressivos utilizados pelas
mídias informativas não exercem...
Referências
BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Bauru: EDUSC, 2003.
BUENO, W. C. Jornalismo científico: revisita...
OBRIGADO!
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Narratividade e intertextualidade unesp ciência

Published on: Mar 3, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Narratividade e intertextualidade unesp ciência

  • 1. Narratividade e intertextualidade nas capas da revista Unesp Ciência: um estudo semiótico BRUNO SAMPAIO GARRIDO Doutorando – Linguística e Língua Portuguesa (FCLAr/Unesp) bgarrido@fc.unesp.br
  • 2. Introdução • Objetivo: investigar as relações entre os elementos textuais e não textuais presentes em uma capa da revista Unesp Ciência, e como elas atuam na construção do sentido global das mensagens produzidas. • Corpus: capas das edições 5 (fev. 2010) e 28 (mar. 2012) da revista Unesp Ciência . • Metodologia: análise semiótica, valendo-se do percurso gerativo de sentido elaborado por Greimas (vide GREIMAS, 1979; GREIMAS; COURTÉS, 2008) e estudo das relações semissimbólicas entre expressão e conteúdo (FLOCH, 1985; PIETROFORTE, 2004; 2011).
  • 3. Análise do corpus Nível discursivo •Figuratividade: chuva de notas de 100 reais e óleo escorrendo pelas mãos - relação metafórica com o desperdício (riqueza correndo pelas mãos, dinheiro caindo para o chão, sem direção). •Relação metonímica: riquezas nacionais – petróleo e notas de 100 reais; mãos – povo brasileiro. •Petróleo na mão é vendaval: paródia do verso Dinheiro na mão é vendaval, da música Pecado Capital. •Jeito brasileiro: traço cultural em que se driblam as leis e convenções sociais para se obter vantagens pessoais. •“Jeitinho”: na música, na novela e na política, não traz riqueza e nem felicidade, mas discórdia e problemas.
  • 4. Análise do corpus Nível narrativo •Objeto-valor: o desenvolvimento das cidades beneficiadas com os royalties. •Sujeito: não determinado, figurativizado pelas mãos unidas – exploradores de petróleo e seus beneficiários. •Antissujeito: classe política local. •Destinador – administração pública; Destinatário – cidades e população (normal), políticos (na prática); Antidestinador – “jeitinho brasileiro”. •Modalidades: dever-fazer (obrigação legal do poder público), poder-fazer (recursos dos royalties), não-querer fazer (investimento em áreas não prioritárias, desvio de verbas, corrupção). •Sanção: negativa para a cidade, que não é beneficiada pelos recursos dos royalties do petróleo, positiva para a classe política e eventuais corruptos.
  • 5. Análise do corpus Nível axiológico ou fundamental •Oposições: Riqueza X Pobreza, Responsabilidade X Irresponsabilidade/Desperdício, Jeito Ético X Jeito Brasileiro. •Classe política local: é abordada disforicamente, entendida como exemplo de má gestão dos recursos públicos. •Constatação generalizada, aplicável aos políticos brasileiros no geral (“Jeito brasileiro de usar recursos...”)
  • 6. Análise do corpus Relações semissimbólicas entre expressão e conteúdo •Movimento de queda corrobora a homologação das oposições entre expressão e conteúdo, ressaltando a má gestão de recursos como empecilho ao desenvolvimento das cidades beneficiadas pelos royalties do petróleo. PC Riqueza X Pobreza Responsabilidade X Irresponsabilidade PE Alto X Baixo
  • 7. Análise do corpus Nível discursivo •Migrante: figurativização do migrante nordestino que parte de sua terra natal em busca de emprego e melhores condições de vida nas metrópoles. •Semblante alegre: A migração deixou de ser sinônimo de sofrimento, de dor, mas assume novos valores, já que a própria vida do nordestino se modificou ao longo dos anos. •Morte e vida Severina: retrata o êxodo rural nordestino, a seca, a fome, a pobreza e a dor – a luta desesperada pela sobrevivência. •Nova vida Severina: vida difícil, mas compensadora, alegre, próspera, em que há a possibilidade da volta. •Migrante moderno: figurativização do novo perfil dos nordestinos, que agora tem a chance de voltar à terra natal e viver com qualidade, ainda que precise trabalhar por um tempo nas grandes cidades.
  • 8. Análise do corpus Nível narrativo •Sujeito e destinatário: Migrante •Objeto-valor: prosperidade •Destinador: a necessidade de sobrevivência •Modalidades: não-querer fazer (resistência a sair da terra natal), dever-fazer (sobrevivência). •Performance: o retirante parte para a cidade grande, via intimidação e tentação, mesmo sem querer largar suas raízes e entes queridos,. •Sanção: positiva, pois o migrante consegue emprego e, com isso, é capaz de juntar dinheiro para sobreviver e, um dia, voltar à terra natal. Logo, ele entra em conjunção com seu objeto- valor. •Mudança do objeto-valor: retorno à terra natal. Nesse caso, o migrante é modalizado por um querer-fazer (saudade das origens) e um poder- fazer (recursos financeiros).
  • 9. Análise do corpus Nível axiológico ou fundamental •Oposições: Alegria/Prazer X Tristeza/Sofrimento; Riqueza X Pobreza; Identidade X Alteridade •Migrante: retratado euforicamente, pois tem conseguido conciliar as variáveis emprego, renda e vida na terra natal. •Se o migrante tradicional precisava romper traumaticamente sua ligação com o local de origem e assumir valores da cidade grande (não- identidade), o novo migrante segue um percurso mais tranquilo, em que identidade e alteridade mantêm certo equilíbrio.
  • 10. Análise do corpus Relações semissimbólicas entre expressão e conteúdo •Tonalidade marrom (terra): associação entre a cor da terra (lado de fora do ônibus) e a cor da pele e das roupas do migrante – sertão, calor, trabalho duro. •A recorrência dessa cor compõe uma relação de integração entre o homem e sua terra, como se fossem uma única entidade. PC Identidade X Alteridade PE Escuro X Claro
  • 11. Considerações finais • Pudemos verificar o quanto os recursos expressivos utilizados pelas mídias informativas não exercem meramente um papel estético, mas visam a chamar a atenção dos potenciais leitores e estabelecer desde já uma espécie de contrato, regulado por modalidades veridictórias baseadas na expectativa de o leitor encontrar determinados conteúdos que satisfaçam suas necessidades de consumo de informação, enquanto o produto midiático se oferece como o objeto capaz de saná-las. • A temática retratada pela capa é figurativizada e articulada de maneira a facilitar um reconhecimento imediato por parte do leitor do assunto e motivá-lo a continuar a leitura, valendo-se de elementos mais concernentes com o repertório cognitivo-cultural médio do público- alvo. • O conjunto complexo de valores, relações lógicas e figuras pertinentes à temática abordada na capa de Unesp Ciência tornou-se, desse modo, um objeto atraente e palatável, mais suscetível a ser consumida.
  • 12. Referências BERTRAND, D. Caminhos da semiótica literária. Bauru: EDUSC, 2003. BUENO, W. C. Jornalismo científico: revisitando o conceito. In: VICTOR, C.; CALDAS, G.; BORTOLIERO, S. (Orgs.). Jornalismo científico e desenvolvimento sustentável. São Paulo: All Print, 2009. p. 157-178. ______. Jornalismo científico: resgate de uma trajetória. Comunicação & Sociedade, São Bernardo do Campo, n. 30, p. 209-220, 1998. FLOCH, J. M. Petites mythologies de l'œil et de l'esprit: pour une sémiotique plastique. Paris: Hàdes; Amsterdam: Benjamins, 1985. GREIMAS, A. J. As aquisições e os projetos. In: COURTÉS, J. Introdução à semiótica narrativa e discursiva. Coimbra: Almedina, 1979. (Prefácio). ______. Semiótica e ciências sociais. São Paulo: Cultrix, 1981. ______.; COURTÉS, J. Dicionário de semiótica. São Paulo: Contexto: 2008. HJELMSLEV, L. Prolegômenos a uma teoria da linguagem. São Paulo: Perspectiva, 1975. LARA, G. M. P.; MATTE, A. C. F. Ensaios de semiótica: aprendendo com o texto. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009. LEIBRUDER, A. P. O discurso de divulgação científica. In: BRANDÃO, H. H. N. Gêneros do Discurso na Escola. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2001. p. 229-269. ORLANDI, E. P. Divulgação científica e efeito leitor: uma política social urbana. In: GUIMARÃES, E. (Org.). Produção e circulação de conhecimento: Estado, mídia, sociedade. Campinas: Pontes/NJC-Unicamp, 2001. p. 21-30. PIETROFORTE, A. V. Semiótica visual: os percursos do olhar. São Paulo: Contexto, 2004. ______. Análise do texto visual: a construção da imagem. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2011. PROPP, V. I. Morfologia do conto maravilhoso. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1984. SAUSSURE, F. Curso de linguística geral. 27. ed. São Paulo: Cultrix, 2006. ZAMBONI, L. M. S. Heterogeneidade e subjetividade no discurso da divulgação científica. 1997. Tese (Doutorado em Linguística) – Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
  • 13. OBRIGADO!

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