Ponto de impacto
Dan Brown
tradução de Carlos Irineu da Costa
Rio de Janeiro - Sextante - 2005
Literatura norte americana
...
Orelha do livro
Quando um novo satélite da NASA encontra um estranho objeto escondido
nas profundezas do Ártico, a agência...
Título original: Deception Point
Copyright (c) 2001 por Dan Brown
Copyright da tradução (c) 2005 por Editora Sextante Ltda...
AGRADECIMENTOS
Meus sinceros agradecimentos a Jason Kaufman, por sua fantástica
orientação e suas preciosas habilidades ed...
Prólogo
"Se esta descoberta for confirmada, com certeza será uma das mais
incríveis revelações sobre nosso universo já fei...
em uma freqüência tão baixa.
- Houve algum acidente?
O outro homem levantou seu rifle e apontou-o para a cabeça de Brophy....
CAPÍTULO 1
Local predileto para o mais refinado café-da-manhã dos executivos e
políticos de Washington, o restaurante Toul...
que Rachel Sexton parecesse lidar com a graça natural que lhe havia
sido concedida com uma dignidade recatada que seu pai ...
Rachel respirou fundo, já se controlando para não olhar para o
relógio. A manhã prometia ser longa.
- Pai, definitivamente...
Ela suspirou. Os dois já haviam conversado sobre aquilo.
- Pai, eu não trabalho para o presidente. Eu nunca encontrei o
pr...
nação. Os gastos descontrolados do governo estão afundando o país em
uma dívida cada vez maior, e o povo parece ter compre...
queria.
- E em segundo lugar?
- Em segundo lugar, minha filha não trabalha para o presidente. Ela
trabalha para a comunida...
suas coisas.
- Nossa reunião está terminada.
O senador parecia também não ter mais nada a dizer e puxou seu celular
para f...
outros dois homens estavam usando. Mais 30 minutos haviam se passado.
Era hora. Outra vez. Automaticamente, Delta-Um deixo...
diante de um casamento infeliz com o senador.
O pager de Rachel emitiu um novo bipe, trazendo seus pensamentos de
volta pa...
lançamentos de foguetes, batismos de submarinos, instalações de
interceptação -, feitos impressionantes que só podiam ser ...
conhecida como Classic Wizard, uma teia secreta de 1.456 hidrofones
colocados no fundo do mar em diversos pontos do planet...
Chamar o diretor do NRO de homem comum era um exagero. William
Pickering era pequeno, pálido, careca e sem traços marcante...
circulava uma piada dizendo que, se William Pickering não sabia de
algo, era porque não havia acontecido.
Pickering levant...
pensado melhor antes de requisitar uma reunião com um recurso do NRO e
recusar-se a me dizer o motivo.
Pickering sempre se...
acertou.
- Obrigada, senhor. - Rachel sentia no diretor um estilo protetor que
faltava a seu próprio pai. - O senhor disse...
Os microssistemas eletromecânicos (MEMS) - ou microrrobôs - eram a
mais recente ferramenta de alta tecnologia para fins de...
magnéticos se tornaram onipresentes, além de ficarem discretamente
posicionados. Tomadas, monitores de computador, motores...
daquela manhã enquanto o PaveHawk cruzava os céus. Ela só percebeu que
estavam indo na direção errada quando o helicóptero...
virou-se, tentando entender se era uma piada.
- O presidente dos Estados Unidos tem um escritório na ilha Wallops?
- O pre...
tinha quase 400 metros quadrados de espaço interno, incluindo quatro
dormitórios privados, acomodações para uma tripulação...
- Não sou da realeza, senhorita Sexton. Não é preciso ajoelhar-se.
CAPÍTULO 7
O Senador Sedgewick Sexton estava apreciando...
Ele não tinha dúvida de que o encontro tinha sido uma das melhores
experiências sexuais da vida daquela jovem. Porém, ao a...
satisfação.
O senador mal podia acreditar na sorte que vinha tendo nos últimos
tempos. Durante meses, o presidente trabalh...
excessivos do governo e sua ineficiência administrativa. Atacar a
NASA, um dos maiores símbolos do orgulho norte-americano...
campanhas inteiras arruinadas por muito menos. Ao fazer um ataque
frontal à NASA, ele estava mexendo num vespeiro. Imediat...
público para colocá-los lá. Paralisar o projeto seria admitir que
cometeu um erro de muitos bilhões de dólares com o dinhe...
- Fico feliz que você tenha atendido ao meu chamado - disse o
presidente Herney, estendendo a mão e cumprimentando Rachel ...
Havia corredores recurvados, revestimento com papel de parede e até
mesmo uma bem equipada sala de ginástica. Estranhament...
No mesmo nível, ela pensou. Um mestre em relacionamentos.
- Bem, Rachel - disse Herney, soltando um suspiro de cansaço. -
...
Enquanto a Limusine avançava lentamente em meio ao trânsito matinal
rumo ao escritório de Sexton, Gabrielle Ashe olhava di...
anos de serviço público à memória da mulher. Foi naquele momento que
Gabrielle decidiu que queria trabalhar na campanha pr...
Sexton estava sendo uma experiência muito reveladora.
Ainda que Gabrielle continuasse confiando plenamente na mensagem do
...
Os erros cometidos recentemente pela agência eram tão inaceitáveis que
as pessoas não sabiam se deviam rir ou chorar: saté...
Rachel olhou para ele, incerta quanto ao que dizer.
- O senhor já tem o meu voto. Talvez devesse se preocupar mais com o
r...
crucificando o Sistema de Observação da Terra na mídia, e a agência
espacial se beneficiaria muito de qualquer notícia fav...
desintegrando sua carga - um satélite de 1,2 bilhão de dólares do NRO
cujo codinome era Vortex 2. Pickering não tinha a me...
uma forma de vida extraterrestre. Infelizmente ela conhecia o
suficiente a respeito dessa questão em particular para saber...
de vida ou morte para justificar sua própria existência, e o senhor
está sendo atacado por manter suas linhas de financiam...
teriam nada a ganhar confirmando a incrível descoberta -, Herney
preparou uma defesa prévia contra qualquer suspeita de qu...
falar com mais ninguém hoje sem minha permissão expressa ou a do
administrador da NASA. Está claro?
Rachel ficou perplexa....
me trazer até aqui. - Vim aqui para me encontrar com o administrador
da NASA.
- Sim, senhorita Sexton. Minhas ordens são p...
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Ponto de impacto
Published on: Mar 4, 2016
Published in: Entertainment & Humor      
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Ponto de impacto (dan brown)

  • 1. Ponto de impacto Dan Brown tradução de Carlos Irineu da Costa Rio de Janeiro - Sextante - 2005 Literatura norte americana Americanos - Ártica, região - Ficção. Presidentes - Eleições - Ficção Ficção americana
  • 2. Orelha do livro Quando um novo satélite da NASA encontra um estranho objeto escondido nas profundezas do Ártico, a agência espacial aproveita o impacto da sua descoberta para contornar uma grave crise financeira e de credibilidade, O peso dessa sobretudo, para a iminente eleição presidencial. Com o objetivo de verificar a autenticidade da descoberta, a Casa Branca envia a analista de inteligência Rachel Sexton para a desolada geleira Mune. Acompanhada por uma equipe de especialistas, incluindo o carismático pesquisador Michael Tolland, a revelação acarreta sérias implicações para a política espacial norte-americana Rachel se depara com indícios de uma fraude científica que ameaça abalar o planeta. Antes que Rachel possa falar com o presidente dos Estados Unidos sobre suas suspeitas, ela e Michael são perseguidos por assassinos profissionais controlados por uma pessoa que é capaz de tudo para encobrir a verdade. Em uma fuga desesperada para salvar suas vidas, a única chance de sobrevivência para Rachel e Michael é desvendar a identidade de quem se esconde por trás de uma conspiração sem precedentes. Com fascinantes informações sobre a NASA, a comunidade de inteligência e os bastidores da política americana, sem falar na polêmica discussão sobre a possibilidade de vida extraterrestre, Ponto de Impacto revela o amadurecimento de Dan Brown como escritor reunindo todas as qualidades que o transformariam em um fenômeno mundial com o livro seguinte, O Código Da Vinci. fim da orelha
  • 3. Título original: Deception Point Copyright (c) 2001 por Dan Brown Copyright da tradução (c) 2005 por Editora Sextante Ltda. Todos os direitos reservados. tradução Carlos Irineu da Costa de originais Virginie Leite revisão José Tedin Pinto Luis Américo Costa Sérgio Bellinello Soares técnica de biologia Sônia Maria Marques Hoenen diagramação Valéria Teixeira capa Raul Fernandes fotolitos RR Donnelley impressão Geográfica e Editora Ltda. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ B897p Brown, Dan, 1964- Ponto de impacto / Dan Brown; tradução de Carlos Irineu da Costa. - Rio de Janeiro: Sextante, 2005. Tradução de: Deception pomt ISBN 85-99296-01-9 1. Americanos - Ártica, região - Ficção. 2. Presidentes - Eleições - Ficção. 3. Ficção americana. I. Costa, Carlos Irineu da. II. Título. CDD813 CDU821.111(73)-3 Todos os direitos reservados, no Brasil, por Editora Sextante Ltda. Rua Voluntários da Pátria, 45 - 1.407/1.408 - Botafogo 22270-000 - Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 2286-9944 - Fax: (21) 2286-9244 E-mail: atendimento@esextante.com.br www.sextante.com.br
  • 4. AGRADECIMENTOS Meus sinceros agradecimentos a Jason Kaufman, por sua fantástica orientação e suas preciosas habilidades editoriais; a Blythe Brown, por sua incansável pesquisa e opiniões criativas; ao meu grande amigo Jake Elwell, na Wieser & Wieser; ao Arquivo de Segurança Nacional; ao Departamento de Relações Públicas da NASA; a Stan Planton, que continua sendo uma grande fonte de informações para tudo; à Agência de Segurança Nacional; ao glaciologista Martin O. Jeffries; e às mentes privilegiadas de Brett Trotter, Thomas D. Nadeau e Jim Barrington. Gostaria também de agradecer a Connie e Dick Brown, ao Projeto de Documentação da Política de Inteligência Norte-Americana, a Suzanne O'Neill, Margie Wachtel, Morey Stettner, Owen King, Alison McKinnell, Mary e Stephen Gorman. E ainda ao Dr. Karl Singer; ao Dr. Michael I. Latz, do Instituto de Oceanografia Scripps; a April, da Micron Electronics; a Esther Sung; ao Museu Nacional Aeroespacial; ao Dr. Gene Allmendinger; à inigualável Heide Lange, da Sanford J. Greenburger Associates; e a John Pike, da Federação dos Cientistas Americanos. NOTA DO AUTOR A Força Delta, o NRO e a Space Frontier Foundation são organizações reais. Todas as tecnologias descritas neste livro existem de fato.
  • 5. Prólogo "Se esta descoberta for confirmada, com certeza será uma das mais incríveis revelações sobre nosso universo já feitas pela ciência. Suas implicações são tão vastas e impressionantes que ultrapassam nossa imaginação. Ao mesmo tempo que promete responder a algumas de nossas mais antigas perguntas, ela nos coloca diante de outras ainda mais fundamentais." - Presidente Bill Clinton, em uma coletiva de imprensa após a descoberta conhecida como ALH84001 no dia 7 de agosto de 1997. A morte, naquele lugar deserto e esquecido por todos, podia ter infinitas formas. O geólogo Charles Brophy havia enfrentado o esplendor selvagem daquele terreno durante anos, mas, ainda assim, nada poderia prepará-lo para um destino tão bárbaro e antinatural quanto aquele que em breve encontraria. Os quatro huskies siberianos que puxavam seu trenó pela tundra subitamente reduziram a marcha, olhando para o céu. - O que há, rapazes? - perguntou Brophy, descendo do trenó carregado com equipamentos geológicos. Atravessando as pesadas nuvens que anunciavam uma tempestade, um helicóptero de transporte de dois rotores passou entre os picos glaciais com precisão militar, manobrando em direção ao solo. Estranho, ele pensou. Nunca havia visto helicópteros tão ao norte. A aeronave pousou a uns 50 metros, levantando um jato de neve granulada. Os cachorros ganiram, assustados. As portas se abriram e dois homens desceram. Vestidos com uniformes militares brancos apropriados para o frio e armados com rifles, eles caminharam na direção de Brophy com determinação. - Dr. Brophy? O geólogo ficou paralisado. - Como sabe meu nome? Quem são vocês? - Pegue seu rádio, por favor. - O quê? - Faça o que eu disse. Perplexo, Brophy puxou o rádio de dentro de sua parca. - Precisamos que você transmita um comunicado de emergência. Ajuste sua freqüência de transmissão para 100 kHz. 100 kHz? Brophy não estava entendendo nada. Ninguém pode receber nada
  • 6. em uma freqüência tão baixa. - Houve algum acidente? O outro homem levantou seu rifle e apontou-o para a cabeça de Brophy. - Não há tempo para explicar. Apenas obedeça. Tremendo, Brophy ajustou sua freqüência de transmissão. O homem que havia falado primeiro lhe passou um papel com algumas linhas impressas. - Transmita esta mensagem. Agora. Brophy olhou para o papel. - Não entendo. Isto aqui está errado. Eu não... O homem pressionou o rifle com força contra a cabeça do geólogo. A voz de Brophy estava trémula ao enviar a estranha mensagem. - Muito bem - disse o homem. - Agora pegue seus cães e vamos para o helicóptero. Sob a mira do rifle, Brophy relutantemente levou seus cães em direção à aeronave e subiu por uma rampa para dentro do compartimento de carga. Assim que se acomodaram, o helicóptero partiu na direção oeste. - Afinal, quem são vocês? - protestou Brophy, suando frio por baixo de sua parca. E qual era o sentido daquela mensagem? Os homens permaneceram em silêncio. À medida que o helicóptero ganhava altitude, o vento que entrava pela porta aberta tornava-se insuportavelmente cortante. Os quatro huskies de Brophy, ainda atrelados ao trenó, uivavam baixinho. - Pelo menos fechem a maldita porta - exigiu o geólogo. - Meus cachorros estão assustados, vocês não estão vendo? Eles nada disseram. Quando o helicóptero passou de mil metros de altitude e inclinou-se fortemente sobre uma série de precipícios e fendas no gelo, os homens levantaram-se bruscamente, agarraram o trenó e jogaram-no porta afora. Brophy olhou, aterrorizado, enquanto seus cachorros se debatiam inutilmente, puxados pelo enorme peso do trenó. Em poucos instantes os animais haviam sumido de vista, seus uivos desesperados ecoando ao longe. Brophy estava de pé, gritando, quando os homens também o pegaram e o empurraram em direção à porta. Em pânico, tentou livrar-se das mãos firmes que procuravam jogá-lo para fora. Seu esforço foi em vão. Poucos instantes depois, ele também despencou, espaço abaixo, em direção às profundezas do gelo.
  • 7. CAPÍTULO 1 Local predileto para o mais refinado café-da-manhã dos executivos e políticos de Washington, o restaurante Toulos, próximo ao Capitol Hill, ostenta, com um toque de ironia, um menu politicamente incorreto que inclui até carpaccio de cavalo. Naquela manhã o Toulos estava movimentado - uma cacofonia de prataria sendo remexida, máquinas de café expresso em ação e pessoas falando em seus celulares. O maítre estava bebericando disfarçadamente seu Bloody Mary matinal quando a mulher entrou. Ele se virou, com um sorriso profissional. - Bom dia. Posso ajudá-la? Era uma mulher atraente, dos seus trinta e poucos anos, usando uma calça de flanela cinza, blusa de grife marfim e discretos sapatos de salto baixo. Tinha uma postura alinhada e o queixo levemente levantado - o suficiente para demonstrar força sem, contudo, ser arrogante. Seu cabelo era castanho-claro, cortado no estilo "jornal das oito", o mais popular daquele momento em Washington; elegantemente desfiado e curvado para dentro na altura dos ombros. Longo o bastante para parecer sensual, curto o suficiente para transmitir a quem olhasse a nítida impressão de que a mais inteligente ali era ela. - Estou um pouco atrasada - disse a mulher. - Marquei um café-da-manhã com o senador Sexton. O maítre sentiu um frio na espinha. O senador Sedgewick Sexton. Era um cliente habitual da casa e, naquele momento, um dos homens mais famosos do país. Na semana anterior, após ter levado a melhor em todas as 12 eleições primárias dos republicanos, o senador havia praticamente garantido sua indicação pelo partido para presidente dos Estados Unidos. Muitos acreditavam que, nas próximas eleições, ele tinha uma ótima chance de vencer a disputa pela Casa Branca contra o atual presidente. Ultimamente o rosto de Sexton parecia estar em todas as revistas, e seu slogan de campanha estava espalhado por todo o país: "Chega de gastar, é hora de reformar." - O senador Sexton está em seu reservado - disse o maítre. - A quem devo anunciar? - Rachel Sexton. Sou filha dele. Mas que burrice a minha, ele pensou. As semelhanças eram evidentes. A mulher tinha os mesmos olhos penetrantes do senador e a mesma altivez - aquele ar polido de uma nobreza jovial. Era óbvio que a beleza clássica do senador havia sido transmitida à geração seguinte, ainda
  • 8. que Rachel Sexton parecesse lidar com a graça natural que lhe havia sido concedida com uma dignidade recatada que seu pai não possuía. - É um prazer recebê-la, senhorita Sexton. O maítre acompanhou a filha do senador através do salão, um pouco incomodado com o fogo cruzado de olhares masculinos que a seguiam, com maior ou menor discrição. Poucas mulheres freqüentavam o Toulos, e raramente se via uma tão bela quanto Rachel. - Belas curvas - sussurrou um cliente. - Será que Sexton finalmente conseguiu arrumar uma nova mulher? - Aquela é a filha dele, seu idiota - respondeu um outro. O primeiro homem deu uma risadinha e completou: - Se conheço Sexton, ele provavelmente transaria com ela mesmo assim. Quando Rachel chegou à mesa de seu pai, o senador estava falando em seu celular, bem alto, sobre mais um de seus recentes sucessos. Olhou para ela brevemente, apenas o suficiente para dar um tapinha em seu relógio Cartier, lembrando-a de que estava atrasada. Também senti sua falta, pensou Rachel. O nome de seu pai era Thomas, mas há muito tempo que ele optara por usar apenas seu sobrenome. Rachel achava que ele gostava da aliteração. Senador Sedgewick Sexton. Era um político profissional de cabelos grisalhos e fala macia que havia sido agraciado com a aparência de um astro de seriado de televisão, o que parecia bastante adequado, considerando seu talento para disfarces e artimanhas. - Rachel! - seu pai finalmente desligou o telefone e levantou-se para lhe dar um beijo na bochecha. - Oi, pai - ela não retornou o beijo. - Você parece exausta. Lá vamos nós de novo, pensou ela. - Recebi seu recado. Aconteceu alguma coisa? - Puxa! Agora preciso de uma razão para chamar minha filha para tomar café comigo? Rachel aprendera desde cedo que seu pai raramente a chamava, a não ser que tivesse algo específico em mente. O senador tomou um gole de café. - Então, como vai sua vida? - Ando ocupada. Vejo que sua campanha está indo bem. - Ah, não vamos falar de negócios. - Sexton inclinou-se ligeiramente sobre a mesa, baixando o tom de voz. - Como vai aquele rapaz do Departamento de Estado que eu lhe apresentei?
  • 9. Rachel respirou fundo, já se controlando para não olhar para o relógio. A manhã prometia ser longa. - Pai, definitivamente não tenho tempo de ligar para ele. E eu gostaria muito que você parasse de tentar... - Você precisa encontrar tempo para as coisas que realmente importam, querida. Sem amor, tudo mais perde o sentido. Uma enorme quantidade de respostas veio à sua mente, mas Rachel preferiu se manter em silêncio. - Pai, você queria me ver? Você disse que era importante. - De fato é. - Ele estudou o rosto da filha atentamente. Rachel sentiu parte de suas defesas se desfazer diante daquele exame minucioso e amaldiçoou o poder daquele homem. O olhar do senador era a sua maior dádiva - grande o suficiente para levá- lo até à Casa Branca. Seu domínio era tamanho que conseguia ficar com os olhos cheios de lágrimas quando desejava e, um instante depois, exibir um olhar límpido, como se estivesse abrindo uma janela para sua alma apaixonada, fortalecendo seus laços de boafé com os outros. "Confiança é tudo", seu pai sempre lhe dissera. Embora ele houvesse perdido a confiança de Rachel há anos, agora estava ganhando a de toda uma nação. - Queria lhe propor uma coisa - disse o senador. - Deixe-me adivinhar - respondeu Rachel, tentando retomar sua vantagem. - Algum divorciado de grande prestígio à procura de uma jovem esposa? - Não se iluda, querida. Você já não é assim tão jovem. Rachel teve a sensação de estar diminuindo, o que muitas vezes acontecia em seus encontros com o pai. - Quero lhe dar uma chance, quero lhe oferecer um porto seguro - ele disse. - Há alguma tempestade vindo na minha direção? - Na sua, não. Mas no caminho do presidente, sim. E acho melhor você se afastar dele enquanto há tempo. - Acho que já tivemos essa conversa, não é? - Pense em seu futuro, Rachel. Venha trabalhar comigo. - Espero que não tenha me chamado aqui só por causa disso. O verniz da calma aparente do senador se desfez quase imperceptivelmente. - Rachel, você não vê o quanto o fato de estar trabalhando para ele repercute negativamente para mim e para minha campanha?
  • 10. Ela suspirou. Os dois já haviam conversado sobre aquilo. - Pai, eu não trabalho para o presidente. Eu nunca encontrei o presidente. Eu nem trabalho em Washington, você sabe disso! - Política é a arte da percepção, Rachel. Para quem olha, parece que você trabalha para o presidente. Ela respirou fundo, tentando manter a calma. - Pai, dei duro para conseguir esse emprego e não vou pedir demissão. Os olhos do senador se fixaram nela. - Você sabe, tem horas em que sua atitude egoísta é realmente... - Senador Sexton? - um repórter apareceu do nada e estava agora de pé ao lado da mesa. A postura de Sexton abrandou-se rapidamente. Rachel resmungou algo e pegou um croissant da cestinha em cima da mesa. - Ralph Sneeden, do Washington Post - disse o repórter. - Posso lhe fazer algumas perguntas? O senador sorriu, limpando gentilmente a boca com um guardanapo. - É um prazer, Ralph. Mas, por favor, não demore. Não quero que meu café esfrie. O repórter riu, como previa o script. - Claro, senhor. - Ele tirou do bolso um minigravador e ligou-o. - Senador, sua propaganda na televisão diz que são necessárias leis para garantir igualdade salarial para as mulheres no mercado de trabalho, assim como cortes nos impostos para as famílias recém-formadas. O senhor pode explicar o que pretende com essas propostas? - Claro. Sou um grande fã de mulheres fortes e de famílias fortes. Rachel quase se engasgou com o croissant. - Ainda a respeito das famílias - prosseguiu o repórter -, o senhor tem falado muito sobre a importância da educação e até propôs alguns cortes orçamentários polêmicos para que mais recursos sejam destinados às escolas. - Acredito que nosso futuro está nas crianças de hoje. Rachel não podia acreditar que seu pai estivesse recorrendo àquele tipo de lugar-comum. - Uma última pergunta, senhor - disse o repórter. - Os resultados das pesquisas indicam um enorme avanço de sua candidatura nas últimas semanas. O presidente deve estar preocupado. Algo a dizer sobre esse recente sucesso? - Acredito que tenha a ver com confiança. Os americanos estão começando a perceber que o presidente não é confiável o bastante para tomar as duras decisões necessárias para garantir o futuro desta
  • 11. nação. Os gastos descontrolados do governo estão afundando o país em uma dívida cada vez maior, e o povo parece ter compreendido que chega de gastar, é hora de reformar. O alarme do pager de Rachel disparou, interrompendo providencialmente a retórica do pai. O irritante bipe eletrônico que sempre a perturbava soava agora quase como uma melodia. O senador lançou-lhe um olhar de indignação por ter sido interrompido. Rachel pegou rapidamente o pager em sua bolsa e digitou a seqüência de cinco teclas que confirmava sua identidade. O ruído eletrônico cessou e a pequena tela começou a piscar. Em 15 segundos ela iria receber uma mensagem de texto codificada. Sneeden sorriu para o senador. - Sua filha é obviamente uma mulher ocupada. É reconfortante ver que vocês ainda conseguem encontrar tempo para tomar um café-da-manhã juntos. - Como eu disse, a família está sempre em primeiro lugar. Sneeden assentiu e, em seguida, ficou sério, fitando Sexton com um olhar duro. - Posso perguntar-lhe, senador, como o senhor e sua filha gerenciam seus conflitos de interesses? - Que conflitos? - O senador inclinou a cabeça em um gesto inocente de aparente perplexidade. - A que você se refere? Rachel olhou para cima, fazendo uma careta diante da atuação teatral de seu pai. Ela sabia muito bem onde aquilo iria parar. Malditos repórteres, pensou. Metade deles estava na folha de pagamento de algum político. Aquela era uma armação; a pergunta parecia ser dura, mas na verdade era formulada de maneira a favorecer o senador. Uma bola lenta jogada no ponto exato para que seu pai pudesse acertar uma tacada em cheio, marcando um belo ponto e esclarecendo algumas coisas no meio tempo. - Bem, senhor... - o repórter tossiu, querendo mostrar-se pouco à vontade. - O conflito diz respeito ao fato de sua filha trabalhar para seu oponente. O senador Sexton deu uma gargalhada, retirando instantaneamente toda a tensão da pergunta. - Ralph, em primeiro lugar, eu e o presidente não somos oponentes. Somos apenas dois patriotas que possuem idéias divergentes sobre como administrar o país que amamos. O repórter abriu um largo sorriso. Tinha conseguido chegar aonde
  • 12. queria. - E em segundo lugar? - Em segundo lugar, minha filha não trabalha para o presidente. Ela trabalha para a comunidade de inteligência. Analisa relatórios de inteligência e os envia para a Casa Branca. É uma posição relativamente baixa na hierarquia. - Fez uma pausa e olhou para Rachel. - Na verdade, querida, acho que você nem mesmo chegou a se encontrar pessoalmente com o presidente, não é? Rachel encarou-o, soltando faíscas pelos olhos. Seu bipe emitiu um outro som e ela olhou para a tela. -RPRT DIRNRO IMED- Ela decifrou mentalmente a mensagem abreviada e franziu a testa. A mensagem era inesperada e provavelmente traria más notícias. Bem, pelo menos tinha um motivo para sair dali. - Senhores, lamento profundamente, mas preciso ir embora. Estou atrasada para o trabalho. - Senhorita Sexton - atalhou o repórter rapidamente -, antes de sair, será que você poderia responder a uma pergunta? Há rumores de que esta reunião matinal era para discutir a possibilidade de que você deixasse seu cargo para trabalhar na campanha de seu pai. É verdade? Rachel sentiu seu rosto pegando fogo como se tivesse sido atingida por uma xícara de café quente. A pergunta pegou-a totalmente desprevenida. Ela olhou para o pai e percebeu, por trás de seu sorriso forçado, que a pergunta havia sido previamente combinada. Teve vontade de subir na mesa e atacá-lo com um garfo. O repórter enfiou o gravador na cara dela. - Senhorita Sexton? Ela olhou firme para o repórter, furiosa. - Ralph, ou seja lá quem você for, preste atenção: não tenho a menor intenção de abandonar meu cargo para trabalhar para o senador Sexton. Se você publicar algo diferente, irá precisar de ajuda médica para tirar esse gravador de onde vou enfiá-lo. O repórter arregalou os olhos, espantado, e desligou o gravador, escondendo um risinho. - Agradeço a ambos - disse, sumindo de vista. Rachel arrependeu-se logo de seu acesso de raiva. Havia herdado o temperamento do pai e odiava isso. Calma, Rachel. Muita calma. Seu pai lançou-lhe um olhar de desaprovação. - Seria bom se você aprendesse a manter a calma. Ela começou a pegar
  • 13. suas coisas. - Nossa reunião está terminada. O senador parecia também não ter mais nada a dizer e puxou seu celular para fazer uma chamada. - Adeus, querida. Dê uma passada no escritório um dia desses para me dizer "oi". E encontre um homem para se casar, pelo amor de Deus. Você já está com 33 anos. - Trinta e quatro - respondeu, ríspida. - Sua secretária me enviou um cartão. Ele balançou a cabeça, contrariado. - Trinta e quatro. Uma balzaquiana solteirona. Você sabe, aos 34 anos, eu já tinha... - Casado com minha mãe e ido para a cama com a vizinha? - As palavras saíram num tom um pouco mais alto do que ela pretendia, num sincronismo absolutamente perfeito e desafortunado com uma daquelas pausas que costumam ocorrer no burburinho dos restaurantes. Parecia que ela estava falando sozinha para todo o salão. As pessoas se viraram para olhá-la. O senador Sexton a encarou com um olhar gélido. - Tome cuidado com o que diz, minha jovem. Rachel não respondeu, apenas dirigiu-se para a saída. Não, você é quem deve tomar cuidado, senador. CAPÍTULO 2 OS três homens estavam sentados em silêncio dentro de sua tenda Therma-Tech de proteção contra tempestades. Do lado de fora, um vento gelado açoitava o abrigo, como se quisesse arrancá-lo de seus tirantes. Os homens pareciam não se importar: todos já haviam passado por situações bem mais arriscadas do que aquela. A tenda, totalmente branca, tinha sido montada em uma ligeira depressão do terreno, para que não pudesse ser vista à distância. As armas, o transporte e os dispositivos de comunicação usados por seus ocupantes eram todos de última geração. O líder do grupo respondia pelo codinome Delta- Um. Era um homem musculoso e ágil, com um olhar tão desolado quanto a paisagem à sua volta. De repente, o cronógrafo militar no pulso de Delta-Um emitiu um bipe agudo, em perfeita sincronia com os bipes dos cronógrafos que os
  • 14. outros dois homens estavam usando. Mais 30 minutos haviam se passado. Era hora. Outra vez. Automaticamente, Delta-Um deixou seus dois companheiros e saiu da tenda em meio à escuridão e à ventania. Examinou o horizonte iluminado pelo luar com seus binóculos de infravermelho. Como sempre, concentrou-se na estrutura que estava aproximadamente a um quilômetro de distância. Era uma construção enorme e inusitada erguida em meio ao terreno desértico. Desde que fora construída, há 10 dias, ele e sua equipe a vigiavam. Delta-UM não tinha dúvidas de que o que acontecia lá dentro iria mudar o mundo. Algumas pessoas já haviam perdido suas vidas para que aquelas informações fossem resguardadas. Por enquanto não havia atividade alguma fora da estrutura. O verdadeiro teste, contudo, dizia respeito ao que estava acontecendo lá dentro. Delta-Um retornou à tenda e falou com os outros soldados: - Vamos fazer um reconhecimento. Os dois assentiram. O mais alto deles, Delta-Dois, abriu um laptop e ligou-o. Posicionando-se diante da tela, Delta-Dois segurou o joystick e moveu-o levemente. Um quilômetro adiante, escondido nas profundezas do prédio, um robô de vigilância do tamanho de um mosquito recebeu a transmissão e ativou-se. CAPÍTULO 3 Rachel Sexton ainda estava furiosa. Dirigia agora seu carro pela Leesburg Highway. As árvores ainda desfolhadas na encosta das montanhas de Falls Church destacavam-se nitidamente contra o céu revigorante de março, mas o cenário idílico não era suficiente para dissipar sua raiva. A recente ascensão de seu pai nas pesquisas deveria ter dado a ele um mínimo de confiança e amabilidade. Entretanto, parecia ter servido apenas de combustível para sua arrogância. A armação de seu pai se tornava ainda mais dolorosa porque ele era o único parente próximo que Rachel ainda possuía. Sua mãe havia morrido há três anos, uma perda terrível cujas feridas emocionais permaneciam no coração de Rachel. O único consolo era saber que a morte, com uma compaixão irônica, libertara sua mãe de um estado de total desespero
  • 15. diante de um casamento infeliz com o senador. O pager de Rachel emitiu um novo bipe, trazendo seus pensamentos de volta para a estrada que se estendia à sua frente. A mensagem era a mesma: -RPRT DIRNRO IMED- Reporte-se ao diretor do NRO imediatamente. Ela respirou profundamente. Que saco, estou chegando! Com uma sensação crescente de incerteza, Rachel chegou à saída habitual da via expressa, entrou na estradinha particular de acesso e parou defronte da cabine de guarda fortemente armada. O endereço era Leesburg Highway, 14.225, um dos locais mais secretos do país. Enquanto o guarda fazia a varredura de rotina em seu carro à procura de dispositivos de escuta, ela olhou para a gigantesca construção que surgia, ainda um pouco distante, à sua frente. O complexo de quase 10 hectares estava majestosamente situado em um bosque de 28 hectares nos arredores de Washington, D.C., em Fairfax, no estado da Virgínia. A fachada do prédio era uma fortaleza de vidro espelhado, refletindo um batalhão de antenas de satélite, parabólicas e domos de radar espalhados pelo terreno em torno do prédio, duplicando, ao espelhá-los, o número já impressionante de dispositivos eletrônicos. Após ser liberada, Rachel estacionou o carro e atravessou os jardins cuidados até a entrada principal, onde havia a seguinte inscrição numa placa de granito: ESCRITÓRIO NACIONAL DE RECONHECIMENTO (NRO)* * National Reconnaissance Office. Os dois marines armados que estavam de sentinela junto à porta giratória blindada permaneceram em posição de alerta enquanto Rachel passava. Ao chegar ao prédio, ela sempre tinha a sensação de estar diante de um gigante adormecido. Dentro da abóbada do lobby, Rachel captou os sons esparsos de conversas sussurradas, como se as palavras descessem, filtradas, dos escritórios acima. No chão, um enorme mosaico de lajotas expunha a diretriz do NRO: GARANTIR A SUPERIORIDADE GLOBAL DE INFORMAÇÕES DOS ESTADOS UNIDOS NA PAZ OU NA GUERRA As paredes do hall estavam decoradas com enormes fotografias -
  • 16. lançamentos de foguetes, batismos de submarinos, instalações de interceptação -, feitos impressionantes que só podiam ser comemorados dentro daquelas paredes. Daquele ponto em diante Rachel sentia que as preocupações do dia-a-dia se dissolviam aos poucos. Estava entrando no mundo das sombras, onde os problemas sempre provocavam alarde e as decisões eram tomadas na surdina. Rachel aproximou-se da última guarita, tentando adivinhar o que seria tão urgente para que enviassem duas mensagens para seu pager nos últimos 30 minutos. - Bom dia, Senhorita Sexton - o guarda sorriu quando ela se aproximou de uma grande porta de aço. Rachel sorriu de volta e pegou a embalagem que o guarda lhe entregou. - Você sabe o que fazer... Rachel abriu a embalagem hermeticamente fechada e retirou um bastonete com algodão na extremidade. Então colocou-o na boca, como um palito de sorvete, segurando-o sob a língua durante alguns segundos. Depois inclinou-se para a frente, permitindo que o guarda pegasse o bastão. O guarda inseriu o algodão, agora úmido de saliva, numa máquina atrás dele. Só foram necessários quatro segundos para verificar as sequências de DNA na saliva de Rachel. Depois um monitor acendeu-se, exibindo sua foto e seu código de segurança. O guarda piscou. - Parece que você continua sendo você mesma. - Ele retirou o bastonete usado de dentro da máquina e jogou-o num recipiente, onde foi imediatamente incinerado. - Tenha um bom dia. - Apertou um botão, e as enormes portas de aço se abriram. Rachel andou pelo labirinto agitado de corredores à sua volta pensando em como era curioso que, mesmo após seis anos, ela ainda ficasse intimidada pelo tamanho colossal daquela organização. O Escritório Nacional de Reconhecimento tinha outras seis instalações nos Estados Unidos, empregava mais de 10 mil agentes e seus custos operacionais ultrapassavam a marca de 10 bilhões de dólares por ano. Em total segredo, o NRO havia construído e mantinha um arsenal impressionante de tecnologias de ponta para espionagem: interceptores eletrônicos de alcance global; satélites-espiões; chips de retransmissão não-detectáveis embutidos em produtos de telecomunicações; e até mesmo uma rede de reconhecimento naval
  • 17. conhecida como Classic Wizard, uma teia secreta de 1.456 hidrofones colocados no fundo do mar em diversos pontos do planeta para monitorar o movimento de navios em qualquer lugar da Terra. As tecnologias do NRO não apenas ajudavam os Estados Unidos a vencer conflitos militares, mas também forneciam, em tempos de paz, uma infinita quantidade de dados para agências como a CIA, a NSA e o Departamento de Defesa, ajudando-as a combater terroristas e a detectar crimes contra o meio ambiente, além de fornecer aos legisladores informações para que pudessem embasar suas decisões em uma grande quantidade de tópicos. Rachel trabalhava lá como "depuradora". O processo de depuração, ou redução de dados, exigia que relatórios complexos fossem analisados para que, em seguida, sua essência fosse consolidada em relatórios concisos. Desde o início, Rachel demonstrara um talento natural para aquele trabalho. Ela acreditava ter desenvolvido sua habilidade ao longo dos anos que passara ouvindo a besteirada que seu pai falava... Agora ela era a principal "depuradora" do NRO, pois servia como elemento de ligação com a Casa Branca. Rachel tinha que ler todos os relatórios diários de inteligência do escritório e decidir quais eram relevantes para o presidente, resumindo-os, então, em documentos de uma página que eram encaminhados para o conselheiro de segurança nacional do presidente. O trabalho era difícil e exigia muita dedicação, mas ela se sentia honrada com o cargo, além de ser uma forma de afirmar sua independência em relação ao pai. O senador já havia se oferecido diversas vezes para sustentar Rachel, se ela abandonasse o emprego, mas isso era algo que ela não tinha a menor intenção de fazer. Não iria se tornar financeiramente dependente de Sedgewick Sexton; ela havia testemunhado o que acontecera com a mãe ao depositar poderes demais nas mãos de um homem como ele. O som do pager de Rachel ecoou pelo hall de mármore. De novo? Ela nem se preocupou em reler a mensagem. Ainda pensando em que diabos estaria acontecendo, entrou no elevador e foi direto até o último andar. CAPÍTULO 4
  • 18. Chamar o diretor do NRO de homem comum era um exagero. William Pickering era pequeno, pálido, careca e sem traços marcantes. Apesar de já ter visto alguns dos mais profundos segredos do país, seus olhos castanhos pareciam opacos. Ainda assim, para seus subordinados, Pickering era um grande homem. Sua personalidade serena e seu pragmatismo eram lendários no NRO. Seu jeito calmo e zeloso, combinado com o fato de que usava sempre ternos pretos, fizera com que o apelidassem de Quaker, numa referência aos membros da seita protestante inglesa. Estrategista brilhante e modelo de eficiência, ele governava seu mundo com total transparência e pregava que era preciso "encontrar a verdade e agir de acordo com ela". Quando Rachel chegou ao escritório do diretor, ele estava ao telefone. Observando-o, ela não pôde deixar de pensar que era curioso alguém de aparência tão comum ter poder suficiente para acordar o presidente a qualquer hora. Pickering desligou e fez sinal para que ela se aproximasse. - Agente Sexton, sente-se. - Obrigada, senhor - respondeu Rachel, sentando-se. Ainda que muitos se sentissem desconfortáveis com o estilo direto e sem rodeios de William Pickering, Rachel sempre gostara dele. Era a antítese perfeita de seu pai... não era fisicamente imponente, não era carismático e cumpria seu dever com um patriotismo abnegado, evitando as luzes da ribalta que seu pai tanto amava. O diretor tirou os óculos e olhou para ela. - Agente Sexton, o presidente me ligou há cerca de meia hora. Queria falar especificamente sobre você. Rachel moveu-se em sua cadeira, inquieta. Pickering era conhecido por ir direto ao assunto. Bom princípio de conversa, pensou. - Espero que um de meus relatórios não tenha causado problemas. - Pelo contrário. Ele disse que a Casa Branca está muito impressionada com seu trabalho. Rachel suspirou. - O que ele queria, então? - Uma reunião com você. Pessoalmente. Agora. A inquietude de Rachel retornou. - Uma reunião pessoal? Sobre o quê? - Excelente pergunta. Ele não quis me dizer. Aquilo soou estranho. Esconder informações do diretor do NRO era como não contar segredos do Vaticano ao Papa. Na comunidade de inteligência
  • 19. circulava uma piada dizendo que, se William Pickering não sabia de algo, era porque não havia acontecido. Pickering levantou-se e começou a andar em frente da janela. - Ele me pediu apenas que entrasse em contato com você imediatamente e a enviasse para um encontro com ele. - Neste instante? - Ele mandou um transporte. Está esperando lá fora. Rachel ficou tensa. O pedido do presidente já era inusitado por si só, mas o ar de preocupação do diretor a deixava realmente nervosa. - Você obviamente não está totalmente de acordo com isso. - Mas que diabos, claro que não! - Pickering explodiu, algo que raramente fazia. - O pedido do presidente, neste exato momento, me parece quase imaturo em sua transparência. Você é filha do homem que o está ameaçando nas pesquisas e ele telefona pedindo uma reunião pessoal com você? Acho isso completamente inadequado. Seu pai sem dúvida concordaria comigo. Rachel pensou que Pickering estava certo, embora não desse a mínima para o que o pai pudesse ou não pensar. - Você não confia nas motivações do presidente? - Meu juramento diz respeito a fornecer suporte de inteligência à atual administração na Casa Branca e a não fazer julgamentos sobre suas políticas. Uma resposta no melhor estilo Pickering, pensou. O diretor não se esforçava muito para ocultar sua visão de que políticos eram figuras transitórias passando rapidamente por um tabuleiro no qual o verdadeiro controle estava nas mãos de homens como ele - veteranos que já haviam tido tempo para desenvolver uma perspectiva real sobre o jogo. Pickering costumava dizer que dois mandatos na Casa Branca não eram nem de longe o suficiente para entender a fundo a complexidade do cenário político internacional. - Pode ser que seja apenas um pedido comum - disse Rachel, pensando alto e torcendo para que o presidente não se rebaixasse a ponto de tentar truques baratos de campanha. - Que ele precise de um relatório sobre algum assunto delicado, por exemplo. - Sem querer menosprezar seu trabalho, agente Sexton, a Casa Branca tem acesso a uma boa quantidade de profissionais da sua área que poderiam fazer um relatório. Se de fato se tratar de um trabalho interno da Casa Branca, o presidente deveria ter pensado melhor antes de chamá-la. E, se não for isso, ele definitivamente deveria ter
  • 20. pensado melhor antes de requisitar uma reunião com um recurso do NRO e recusar-se a me dizer o motivo. Pickering sempre se referia a seus funcionários como "recursos", uma forma de falar que muitos achavam peculiarmente fria. - Seu pai está ganhando força - prosseguiu ele. - Muita força. A Casa Branca deve estar tensa com isso - suspirou. - O jogo político sempre envolve um certo desespero. Quando o presidente pede uma reunião secreta com a filha de seu oponente, creio que tem algo mais em mente do que relatórios de inteligência. Rachel sentiu um arrepio. Os palpites de Pickering costumavam estar absolutamente corretos. - E você tem medo de que a Casa Branca esteja desesperada o bastante para me colocar no meio desse jogo? Ele fez uma breve pausa. - Creio que você não faz muita força para ocultar seus sentimentos por seu pai e tenho certeza de que os coordenadores da campanha do presidente estão a par dessa cisão. Minha impressão é que podem estar querendo usá-la contra seu pai de alguma forma. - Onde é que eu assino? - perguntou Rachel, sarcástica. Pickering não sorriu: apenas olhou para ela friamente. - Vou lhe dar um conselho importante, agente Sexton. Se você acha que problemas particulares com seu pai podem atrapalhar seu julgamento ao lidar com o presidente, eu devo sugerir fortemente que recuse esse pedido. - Recusar? - Rachel deu uma risadinha nervosa. - Eu não poderia negar um pedido do presidente. - Não - disse o diretor -, mas eu posso. Suas palavras ressoaram pela sala, lembrando a Rachel o outro motivo pelo qual ele era chamado de Quaker. Apesar de ser um homem de baixa estatura, William Pickering podia causar terremotos políticos quando ficava irritado. - Minha preocupação, neste caso, é muito simples - disse Pickering. - Sou responsável por proteger aqueles que trabalham para mim e não aceito a mais vaga insinuação de que alguém do NRO possa ser usado como peão num jogo político. - O que você me recomenda, então? O diretor suspirou. - Sugiro que vá se encontrar com ele. Não assuma compromissos. Assim que o presidente lhe disser o que tem em mente, ligue para mim. Se eu achar que ele está usando você como joguete político, acredite, vou tirá-la dessa história tão rápido que ele não vai nem saber o que o
  • 21. acertou. - Obrigada, senhor. - Rachel sentia no diretor um estilo protetor que faltava a seu próprio pai. - O senhor disse que o presidente já mandou um carro? - Quase isso. - Pickering levantou uma sobrancelha e apontou para fora. Sem entender muito bem, Rachel andou até a janela. Um helicóptero PaveHawk MH-60G estava pousado no jardim. Um dos modelos mais rápidos existentes, aquele tinha a insígnia da Casa Branca. O piloto estava em pé do lado de fora, olhando impaciente para o relógio. Rachel virou-se para o diretor sem acreditar naquilo. - A Casa Branca mandou um PaveHawk só para me levar para um passeio de 25 quilômetros até lá? - Aparentemente o presidente espera que você fique impressionada ou intimidada - disse Pickering, olhando para ela. - Sugiro que você não se deixe levar pelas emoções. Ela concordou, mas era difícil se controlar. Estava impressionada e intimidada. Quatro minutos depois, Rachel Sexton saiu do NRO e entrou no helicóptero que estava à sua espera. Quase que imediatamente, o aparelho estava no ar, descrevendo uma curva fechada sobre as florestas da Virgínia. Ela olhou para fora e viu as árvores passando tão rápido que pareciam um borrão abaixo dela. Sentiu seu pulso acelerar. Teria acelerado ainda mais se ela soubesse que aquele helicóptero jamais chegaria à Casa Branca. CAPÍTULO 5 O vento gélido castigava o tecido Therma-Tech da tenda, mas Delta-Um não estava preocupado com isso. Ele e Delta-Três estavam concentrados em seu companheiro, que manipulava o joystick com uma precisão quase cirúrgica. A tela à frente deles exibia uma transmissão de vídeo em tempo real de uma câmera pouco maior que um alfinete instalada no microrrobô. Este é o melhor dispositivo de vigilância já criado, pensou Delta-Um, que sempre se surpreendia quando ligavam o aparelho. Ultimamente, no mundo da micromecânica, os fatos pareciam superar a ficção.
  • 22. Os microssistemas eletromecânicos (MEMS) - ou microrrobôs - eram a mais recente ferramenta de alta tecnologia para fins de vigilância. Foram apelidados de "mosca na parede". Literalmente. Ainda que robôs microscópicos com controle remoto parecessem saídos da ficção científica, na verdade já existiam desde os anos 1990. A revista Discovery publicou uma matéria de capa sobre microrrobôs, em meados de 1997, mostrando tanto os modelos "nadadores" quanto os "voadores". Os "nadadores" - nanossubmarinos do tamanho de um grão de sal - podiam ser injetados na corrente sangüínea de uma pessoa, como no filme Viagem fantástica. Estavam sendo usados pelas clínicas e hospitais mais avançados para ajudar os médicos a navegar pelas artérias usando um controle remoto. Assim podiam observar transmissões ao vivo de imagens intravenosas e localizar bloqueios arteriais sem jamais utilizar um bisturi. Ao contrário do que poderíamos imaginar, construir um microrrobô voador era ainda mais simples. O conhecimento de aerodinâmica necessário para fazer uma máquina voar estava disponível desde o vôo dos irmãos Wright em Kitty Hawk, e a única coisa que precisava ser resolvida era a questão da miniaturização. Os primeiros microrrobôs voadores, projetados pela NASA como ferramentas de exploração remota para futuras missões em Marte, mediam pouco mais de um palmo. Contudo, com os recentes avanços em nanotecnologia, na fabricação de materiais ultraleves capazes de absorver energia e em micromecânica, os microrrobôs voadores haviam se tornado uma realidade. O grande avanço veio do novo campo da biomimética, ou seja, como copiar a Mãe Natureza. Logo ficou claro que libélulas miniaturizadas eram o protótipo ideal para esses ágeis e eficientes microrrobôs voadores. O modelo PH2 que Delta-Dois estava controlando naquele momento tinha apenas um centímetro de comprimento; era quase do tamanho de um mosquito. Empregava um duplo par de asas transparentes, articuladas e feitas de lâminas de silício, que lhe davam uma mobilidade e eficiência sem igual para voar. O mecanismo de reabastecimento dos microrrobôs havia sido outro grande avanço. Os primeiros protótipos só podiam recarregar suas células de energia quando se posicionavam diretamente sob uma luz intensa, o que obviamente não era ideal para mantê-los ocultos ou usá-los em locais escuros. Os novos modelos, contudo, podiam recarregar-se simplesmente parando a poucos centímetros de um campo magnético. Isso era particularmente conveniente, pois nos dias de hoje os campos
  • 23. magnéticos se tornaram onipresentes, além de ficarem discretamente posicionados. Tomadas, monitores de computador, motores elétricos, alto-falantes, telefones celulares... Parecia haver um número infinito de obscuras estações de recarga. Uma vez que o microrrobô fosse introduzido com sucesso em um local, ele poderia transmitir áudio e vídeo quase que indefinidamente. O PH2 da Força Delta estava transmitindo imagens há mais de uma semana sem nenhum contratempo. Como um inseto dentro de uma caverna, o microrrobô voava agora, em completo silêncio, no ar parado do gigantesco salão central da estrutura. Fornecendo uma visão global do espaço abaixo dele, circulava despercebido sobre os ocupantes da sala - técnicos, cientistas e especialistas de campos diversos. Em meio às imagens vindas do PH2, Delta-Um vislumbrou os rostos familiares de duas pessoas que estavam conversando. Seriam uma boa fonte de informação. Ele pediu a Delta-Dois que se aproximasse para ouvi-las. Manipulando os controles, Delta-Dois ativou os microfones do robô, orientou seu amplificador parabólico e baixou-o até que ficasse a uns três metros da cabeça dos cientistas. A transmissão estava baixa mas compreensível. - Ainda não consigo acreditar - dizia um dos cientistas. O tom de animação em sua voz não havia diminuído desde que ali chegara há cerca de 48 horas. O homem com quem conversava estava tão entusiasmado quanto ele. - Em toda a sua vida... Você algum dia pensou que iria presenciar algo assim? - Nunca - respondeu o cientista, sorrindo. - É como um sonho fantástico. Delta-Um já havia ouvido o bastante. Estava claro que tudo lá dentro corria conforme o esperado. Delta-Dois manobrou o microrrobô de volta até seu esconderijo. Estacionou o pequeno dispositivo em um local onde não podia ser detectado, próximo ao motor de um gerador elétrico. As células de energia do PH2 começaram a recarregar-se, preparando-o para a próxima missão. CAPÍTULO 6 Rachel estava perdida em pensamentos sobre os estranhos acontecimentos
  • 24. daquela manhã enquanto o PaveHawk cruzava os céus. Ela só percebeu que estavam indo na direção errada quando o helicóptero sobrevoou velozmente a baía de Chesapeake. Sua confusão inicial rapidamente cedeu lugar ao medo. - Ei! - gritou para o piloto. - O que você está fazendo? - Sua voz mal podia ser ouvida em meio ao ruído dos rotores. - Você deveria estar me levando para a Casa Branca. O piloto sacudiu a cabeça. - Desculpe-me, senhora. O presidente não está na Casa Branca esta manhã. Rachel tentou lembrar se Pickering havia mencionado especificamente a Casa Branca ou se era apenas algo que ela havia presumido. - Onde ele está, então? - Seu encontro é em outro local. Não me diga. - E que outro local é esse? - Não estamos longe. - Não foi o que perguntei. - Mais uns 25 quilómetros. Rachel fez uma cara feia para ele. Esse cara deveria ser político. - Você se desvia de balas tão bem quanto se desvia de perguntas? O piloto não respondeu. Levou menos de sete minutos para o helicóptero cruzar a baía de Chesapeake. Quando a terra voltou a aparecer, o piloto fez uma curva para o norte e contornou uma península estreita, onde Rachel viu uma série de pistas de pouso e instalações de aspecto militar. O piloto começou a descer, e ela entendeu, então, onde estavam. As seis plataformas de lançamento e torres de concreto chamuscadas davam uma boa pista, mas, se isso não bastasse, havia ainda duas palavras pintadas, com letras enormes, no telhado de um dos prédios: ILHA WALLOPS. A ilha Wallops era uma das mais antigas bases de lançamento da NASA e continuava sendo usada para lançar satélites e testar aeronaves experimentais. Wallops era a instalação da NASA que ficava longe dos olhares indiscretos das câmeras. O presidente está na ilha Wallops? Não fazia sentido. O piloto do helicóptero seguiu a trajetória de três pistas de pouso que percorriam toda a extensão da península e pareciam se dirigir ao ponto mais distante da pista central. Então reduziu a velocidade. - Você irá se encontrar com o presidente em seu escritório. Rachel
  • 25. virou-se, tentando entender se era uma piada. - O presidente dos Estados Unidos tem um escritório na ilha Wallops? - O presidente dos Estados Unidos tem seu escritório onde desejar, senhora - respondeu o piloto, bem sério, apontando para o final da pista. Ao ver a enorme silhueta brilhando ao longe, Rachel sentiu seu coração quase parar. Mesmo a 300 metros de distância, ela podia reconhecer a fuselagem azul clara do 747 modificado. - Eu vou encontrá-lo a bordo do... - Sim, senhora. Sua casa longe de casa. Rachel olhou para o impressionante avião. A obscura designação militar daquele avião famoso era VC-25-A. O resto do mundo, contudo, o conhecia como Air Force One. - Parece que você vai conhecer o novo modelo esta manhã - disse o piloto, indicando o número pintado na cauda do avião. Rachel concordou. Poucos sabiam que, na verdade, existiam dois Air Force One em serviço ao mesmo tempo; dois 747-200-B configurados de forma idêntica, um deles com a numeração 28000 e o outro numerado 29000. Ambos tinham uma velocidade de cruzeiro de 600 milhas por hora e haviam sido modificados para reabastecimento em vôo, o que lhes dava, na prática, autonomia ilimitada. O PaveHawk desceu na pista ao lado do avião presidencial e, ao observá-lo, Rachel compreendeu por que muitos diziam que o comandante-em-chefe da nação levava sempre vantagem ao se deslocar no Air Force One. A visão da aeronave era intimidadora. Quando o presidente viajava para outros países a fim de se encontrar com chefes de estado, muitas vezes pedia, por razões de segurança, que a reunião ocorresse na pista, a bordo de seu jato. Ainda que o pedido fosse motivado pela preocupação com sua proteção, com certeza havia também a intenção de se ganhar alguma vantagem na negociação através da intimidação pura e simples. Uma visita ao Air Force One era muito mais impressionante do que qualquer visita à Casa Branca. Na fuselagem, com quase dois metros de altura, estava escrito ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. - Senhorita Sexton? - Um agente do serviço secreto, vestindo um terno, surgiu do lado de fora do helicóptero e abriu a porta para ela. - O presidente está à sua espera. Rachel saiu do helicóptero e olhou, do início da escada, para a enorme aeronave. Lembrava-se de ter ouvido dizer que o "Salão Oval" voador
  • 26. tinha quase 400 metros quadrados de espaço interno, incluindo quatro dormitórios privados, acomodações para uma tripulação de 26 pessoas e dois refeitórios capazes de fornecer comida para 50 pessoas. Rachel subiu pela escada de acesso, sentindo a presença do agente do serviço secreto atrás dela, escoltando-a. No alto, a porta da cabine estava aberta, como um pequeno corte feito na lateral de uma gigantesca baleia metálica. Dirigiu-se para a entrada escura e sentiu que sua autoconfiança diminuía. Calma, Rachel. É só um avião. Na entrada do avião, o agente educadamente tomou seu braço e guiou-a através de um corredor surpreendentemente estreito. Viraram para a direita, andaram alguns passos e chegaram a uma luxuosa e espaçosa cabine. Rachel já a havia visto antes em fotografias. - Espere aqui - disse o agente, saindo da sala. Rachel ficou sozinha na famosa cabine dianteira do Air Force One, observando as paredes revestidas com madeira. Aquela era a sala usada para reuniões, para entreter chefes de estado e, aparentemente, para matar de medo os passageiros de primeira viagem. Coberta de ponta a ponta por um grosso carpete marrom-claro, a sala ocupava toda a largura do avião. A mobília era impecável - cadeiras de couro de cabra dispostas em torno de uma mesa oval de reuniões feita de uma madeira rara, luminárias em bronze ao lado de um sofá de design sofisticado e de um bar de mogno sobre o qual havia um conjunto de taças de cristal gravadas à mão. Supostamente os designers da Boeing teriam projetado aquela cabine a fim de transmitir aos passageiros um "sentido de ordem e tranqüilidade". Tranqüilidade, contudo, era a última coisa que Rachel sentia naquele momento. Só conseguia pensar no número de líderes mundiais que já haviam se sentado naquela mesma sala e tomado decisões que mudaram os rumos da História. Tudo naquela sala transmitia a sensação de poder, desde o suave aroma de fumo para cachimbo até o onipresente selo presidencial. A águia agarrando as flechas e os ramos de oliva estava bordada nas almofadas, gravada no balde de gelo e até mesmo impressa nos descansos para copos no bar. Rachel pegou um deles e o observou. - Já está roubando um souvenir? - perguntou uma voz grave atrás dela. Assustada, Rachel deixou o descanso cair no chão e ajoelhou-se desajeitadamente para pegá-lo. Ao se levantar, deu de cara com o presidente dos Estados Unidos, olhando-a com um sorriso divertido.
  • 27. - Não sou da realeza, senhorita Sexton. Não é preciso ajoelhar-se. CAPÍTULO 7 O Senador Sedgewick Sexton estava apreciando a privacidade de sua limusine Lincoln enquanto enfrentava o trânsito matinal de Washington a caminho de seu escritório. Diante dele estava Gabrielle Ashe, sua assistente pessoal de 24 anos, que repassava os compromissos do dia. Sexton quase não prestava atenção. Amo Washington, pensou, admirando as formas perfeitas da assistente, delineadas sob a suéter de cashmere. O poder é o maior de todos os afrodisíacos - e atrai centenas de mulheres como esta para a capital federal. Gabrielle se formara em uma das melhores universidades de Nova York e sonhava em se tornar senadora um dia. Ela conseguirá, pensou Sexton. Era incrivelmente bonita e esperta como uma raposa. Acima de tudo, ela entendia as regras do jogo. Gabrielle Ashe era negra, com um tom de pele moreno-jambo, uma coloração confortavelmente indefinível que Sexton sabia que os "brancos" mais radicais apoiariam sem ferir seus preconceitos raciais. Sexton descrevia Gabrielle para seus colegas como alguém com a beleza de Halle Berry aliada à ambição e ao cérebro de Hillary Clinton, mas às vezes ele achava que ela era ainda melhor do que as duas juntas. Gabrielle havia se tornado uma peça importante em sua campanha desde que ele a promovera ao cargo de assistente pessoal há três meses. Para tornar as coisas ainda melhores, ela estava trabalhando de graça. Sua recompensa pelas jornadas de 16 horas era aprender como funcionava o jogo do poder na prática, trabalhando ao lado de um político veterano. É claro que eu a convenci a fazer um pouco mais do que apenas seu trabalho, gabava-se Sexton. Logo após a promoção, o senador convidou-a para uma sessão noturna de "orientação" em seu gabinete. Como era esperado, sua jovem assistente chegou com os olhos brilhando e ansiosa para agradar o chefe. Avançando lentamente, com uma paciência aprimorada durante décadas, ele foi hipnotizando sua presa, ganhando sua confiança, cuidadosamente despindo suas inibições, exibindo total controle da situação e, finalmente, seduzindo-a lá mesmo, em seu escritório.
  • 28. Ele não tinha dúvida de que o encontro tinha sido uma das melhores experiências sexuais da vida daquela jovem. Porém, ao acordar na manhã seguinte, Gabrielle arrependeu-se do que havia ocorrido. Envergonhada, pediu demissão. Sexton recusou. Ela decidiu ficar, mas deixou suas intenções bem claras. Desde então, a relação entre os dois passara a ser estritamente profissional. Os lábios carnudos de Gabrielle continuavam se movendo: - ...não quero que você pareça apático ao participar do debate na CNN hoje à tarde. Ainda não sabemos quem a Casa Branca vai mandar como oponente. Você talvez queira ler estas anotações que digitei - disse ela, entregando uma pasta ao senador. Sexton pegou a pasta, inalando a fragrância de seu perfume que se misturara com o cheiro do couro que revestia os bancos do carro. - Você não está prestando atenção - ela disse. - Claro que estou - respondeu ele, com um sorriso forçado. - Esqueça esse debate na CNN. Na pior das hipóteses, a Casa Branca vai me esnobar enviando algum estagiário do comitê de campanha. Na melhor das hipóteses, vão mandar um figurão, e eu farei picadinho do sujeito no ar. - Tudo bem. Incluí uma lista dos tópicos possivelmente mais hostis nas anotações que lhe passei. - Os suspeitos habituais, obviamente. - Com um novo item. Acho que você pode se defrontar com a hostilidade da comunidade gay por causa dos comentários que fez no programa do Larry King. - Sei. Sobre o casamento de homossexuais - Sexton deu de ombros, distraído. Gabrielle lançou-lhe um olhar de reprimenda. - Você se posicionou contra isso de forma bem veemente. Casamento de homossexuais, pensou Sexton, aborrecido. Se dependesse de mim, aquelas bichas não teriam nem o direito de votar. - Tudo bem, vou maneirar um pouco o tom. - Bom. Você tem exagerado um pouco nesses tópicos polêmicos nos últimos tempos. Não se torne arrogante, o público pode mudar de idéia muito rápido. Você está ganhando agora, está na crista da onda. Aproveite, não é preciso fazer um gol de placa hoje. Basta manter a bola rolando. - Notícias da Casa Branca? - Silêncio completo. É oficial agora: seu oponente tornou-se o "Homem Invisível" - respondeu Gabrielle, com um misto de espanto e
  • 29. satisfação. O senador mal podia acreditar na sorte que vinha tendo nos últimos tempos. Durante meses, o presidente trabalhou duro em sua campanha. Então, do nada, há uma semana, ele se trancara no Salão Oval e, desde então, ninguém mais o vira ou ouvira falar dele. Era como se ele simplesmente não pudesse fazer frente ao súbito crescimento de Sexton nas pesquisas. Gabrielle passou a mão em seus cabelos escuros e alisados. - Ouvi dizer que a equipe de campanha da Casa Branca está tão perplexa quanto nós. O presidente não apresentou nenhuma explicação para seu desaparecimento, e todos estão muito irritados por lá. - Especulações? - perguntou Sexton. Gabrielle olhou para ele por cima dos óculos que lhe davam uma aparência de intelectual. - Bem, por acaso eu consegui alguns detalhes interessantes hoje pela manhã com um contato pessoal na Casa Branca. Sexton reconheceu a expressão por trás daquele olhar. Gabrielle Ashe tinha, mais uma vez, conseguido uma informação interna. Ele ficava imaginando se ela estaria transando com algum dos auxiliares do presidente em troca desses segredos de campanha. Não que ele se importasse... contanto que as informações continuassem fluindo. - De acordo com os rumores - ela prosseguiu num tom de voz mais baixo -, esse comportamento estranho do presidente começou semana passada, após um encontro confidencial de emergência com o administrador da NASA. Aparentemente o presidente saiu da reunião atordoado. Pediu que todos os seus compromissos fossem imediatamente cancelados e vem mantendo contatos freqüentes com a agência espacial desde então. Sexton ficou feliz com aquela história. - Você acha que a NASA lhe deu más notícias de novo? - Seria uma explicação lógica - disse ela, pensativa. - Ainda assim, teria que ser algo bem sério para fazer o presidente cancelar tudo e sumir. Sexton pensou sobre o assunto. Fosse lá o que estivesse acontecendo com a NASA, as notícias deveriam ser ruins. Do contrário, o presidente já teria jogado tudo na minha cara. Nos últimos tempos, o senador vinha batendo forte no presidente em relação às verbas destinadas à NASA. O histórico recente de missões problemáticas ou abortadas, além dos gigantescos rombos orçamentários, tinha dado à agência a duvidosa honra de ser a bandeira não-oficial de Sexton contra os gastos
  • 30. excessivos do governo e sua ineficiência administrativa. Atacar a NASA, um dos maiores símbolos do orgulho norte-americano, não era a maneira mais ortodoxa de se conquistar votos, mas Sexton tinha uma arma que poucos políticos possuíam; Gabrielle Ashe - e seus instintos impecáveis. A jovem havia atraído a atenção do senador meses antes, quando trabalhava como coordenadora no seu escritório de campanha em Washington. Sexton estava ficando bem para trás nas pesquisas das primárias, e sua posição quanto aos gastos excessivos do governo vinha sendo ignorada pelos eleitores. Foi então que Gabrielle escreveu-lhe um bilhete sugerindo uma nova e radical abordagem para a campanha. Ela sugeriu que o senador atacasse os excessos orçamentários da NASA e as freqüentes verbas emergenciais fornecidas pela Casa Branca como exemplo principal da falta de controle financeiro da administração do presidente Herney. - A NASA está custando uma fortuna para o bolso dos americanos escreveu Gabrielle, relacionando cifras, fracassos e verbas emergenciais. - Os eleitores não fazem idéia de quanto está sendo gasto. Vão ficar horrorizados. Transforme a NASA em uma questão política. Sexton suspirou diante da ingenuidade da moça. Lógico, e aproveito para declarar que sou contra cantar o hino nacional antes das partidas de basquete. Nas semanas que se seguiram, Gabrielle continuou enviando ao senador informações sobre a NASA. Quanto mais Sexton lia, mais convencido ficava de que ela tinha razão. Mesmo pelos padrões das agências governamentais, a NASA era um poço sem fundo para as verbas - cara, ineficiente e, nos últimos anos, de uma incompetência grosseira. Uma tarde, Sexton estava participando de uma entrevista ao vivo no rádio sobre educação, e a entrevistadora não parava de pressioná-lo para saber de onde ele pretendia tirar os fundos para promover as melhorias prometidas nas escolas públicas. Como resposta, o senador decidiu testar a teoria de Gabrielle sobre a NASA. Em um tom meio jocoso, respondeu: - Dinheiro para a educação? Bem, talvez eu corte o programa espacial pela metade. Creio que, se a NASA pode gastar 15 bilhões por ano no espaço, devo conseguir 7,5 bilhões para as crianças aqui da Terra. Na sala de transmissão, os diretores de campanha de Sexton engoliram em seco diante daquela observação descuidada. Já tinham visto
  • 31. campanhas inteiras arruinadas por muito menos. Ao fazer um ataque frontal à NASA, ele estava mexendo num vespeiro. Imediatamente as linhas de telefone da estação de rádio se acenderam. Os diretores de campanha se encolheram, esperando o contraataque dos patriotas espaciais. No entanto, algo inesperado aconteceu. - Quinze bilhões por ano? - disse o primeiro ouvinte ao telefone, parecendo chocado. - Com um "b"? Você está me dizendo que a turma de matemática do meu filho está superlotada porque as escolas não podem pagar os professores enquanto a NASA está gastando 15 bilhões de dólares por ano para tirar fotos de poeira espacial? - Hum... é isso mesmo - disse Sexton, cautelosamente. - É um absurdo! E o presidente tem algum poder para mudar isso? - Claro que sim! - respondeu o senador, mais confiante. - O presidente tem direito de vetar o pedido de verbas de qualquer agência que ele acredite ser excessivo. - Então meu voto é seu, senador Sexton. Quinze bilhões para a pesquisa espacial e nossas crianças aqui, sem professores. É revoltante! Boa sorte, senhor. Espero que chegue lá! O próximo telefonema foi colocado no ar. - Senador, eu li há pouco tempo que a Estação Espacial Internacional da NASA já gastou muito mais do que o previsto em seu orçamento e que o presidente está pensando em conceder verbas adicionais para manter o projeto em andamento. É verdade? - Sim, é verdade! - disse Sexton, aproveitando a oportunidade para explicar que a estação espacial havia sido originalmente proposta como um programa em conjunto, cujos custos seriam divididos entre 12 países. Mas, após o início da construção, o orçamento da estação fugiu totalmente do controle e muitos países se retiraram do projeto por discordarem do rumo das coisas. Em vez de sucatear o projeto, o presidente decidiu cobrir as despesas de todos os outros. - O custo total do projeto da Estação Espacial Internacional - anunciou Sexton - subiu dos oito bilhões inicialmente propostos para a formidável quantia de 100 bilhões de dólares! O ouvinte do outro lado da linha estava furioso. - Então por que o presidente não manda parar com essa história? Sexton teve vontade de beijar o sujeito. - É uma excelente pergunta. Infelizmente, um terço dos materiais para a construção já estão em órbita e o presidente investiu o dinheiro
  • 32. público para colocá-los lá. Paralisar o projeto seria admitir que cometeu um erro de muitos bilhões de dólares com o dinheiro do povo. As chamadas não paravam, uma atrás da outra. Pela primeira vez, parecia que os americanos haviam compreendido que manter a NASA era uma escolha, e não uma obrigação da nação. Quando a entrevista acabou, com exceção de alguns fãs de carteirinha da NASA que ligaram e fizeram discursos comoventes sobre a eterna busca da humanidade pelo conhecimento, o consenso era claro. A campanha de Sexton havia encontrado um filão; uma questão controversa, mas ainda não debatida, que havia atingido em cheio os eleitores. Nas semanas que se seguiram, Sexton trucidou seus oponentes em cinco primárias cruciais. Anunciou que Gabrielle Ashe seria sua nova assistente pessoal de campanha, elogiando seu trabalho por ter trazido a questão da NASA ao conhecimento dos eleitores. Como num passe de mágica, o senador transformou a jovem negra numa estrela política em ascensão e fez seu histórico de votos racistas e machistas desaparecer de uma hora para a outra. Agora, enquanto os dois circulavam de carro pela cidade, Sexton refletia sobre o que Gabrielle acabara de lhe contar. A assistente provara mais uma vez seu valor. A informação sobre a reunião secreta da semana anterior entre o administrador da NASA e o presidente certamente sugeria que havia novos problemas com a agência - quem sabe outro financiamento destrutivo para a nação por conta da estação espacial. Quando a limusine passou em frente ao Monumento a Washington, o senador Sexton sentiu que era o escolhido. CAPÍTULO 8 O homem que ocupava o mais poderoso cargo político do mundo não era uma figura imponente. Magro, com ombros estreitos e estatura mediana, o presidente Zachary Herney usava óculos bifocais, tinha o rosto coberto de sardas e cabelos ralos e pretos. Seu físico pouco impressionante contrastava com seu enorme carisma. As pessoas costumavam dizer que um único encontro com o presidente era suficiente para fazer com que qualquer um se tornasse seu fiel seguidor, indo até os confins da Terra por ele.
  • 33. - Fico feliz que você tenha atendido ao meu chamado - disse o presidente Herney, estendendo a mão e cumprimentando Rachel com um toque caloroso e sincero. Rachel tentou se livrar do nó em sua garganta. - Sim... claro, senhor presidente. É uma honra conhecê-lo. O presidente abriu um sorriso reconfortante, e Rachel sentiu em primeira mão a lendária amabilidade de Herney. Aquele homem possuía um semblante tranqüilo que os cartunistas políticos adoravam porque, independentemente da qualidade de suas charges, era impossível não reconhecer aquele sorriso caloroso e amigável. Seus olhos transpareciam sinceridade e dignidade o tempo todo. - Se você quiser me acompanhar - disse, num tom de voz bem-humorado -, há uma xícara de café esperando por você lá dentro. - Obrigada, senhor. O presidente pressionou o interfone e pediu que levassem café para seu escritório. Rachel seguiu-o em direção ao gabinete, observando que ele parecia particularmente feliz e relaxado para alguém que estava indo mal nas pesquisas eleitorais. Ela também notou que ele estava vestido de maneira bem informal: calça jeans, camisa pólo e botas de caminhada. Sem saber o que fazer, Rachel tentou puxar assunto. - Tem feito caminhadas, senhor presidente? - Ah. Não, nada disso. É que meus assessores de campanha decidiram que este deveria ser meu novo visual. O que você acha? Rachel esperava sinceramente que aquilo fosse uma brincadeira. - Bem, eu diria que é... muito masculino, senhor. Herney respondeu com a maior cara-de-pau: - Que bom. Achamos que isso me ajudaria a conquistar alguns dos votos femininos de seu pai. - Após uma curta pausa, o presidente abriu um largo sorriso. - Senhorita Sexton, isso foi uma piada. Nós dois sabemos que é preciso mais do que uma camisa pólo e uma calça jeans para vencer essa eleição. A franqueza e o bom humor do presidente fizeram com que Rachel começasse a se sentir mais à vontade. A falta de atributos físicos de Zach Herney era totalmente compensada por seu jeito afável de lidar com as pessoas. Não era uma habilidade que tivesse desenvolvido, era um talento natural. Os dois caminharam em direção à parte traseira do Air Force One. À medida que avançavam, menos o interior se parecia com o de um avião.
  • 34. Havia corredores recurvados, revestimento com papel de parede e até mesmo uma bem equipada sala de ginástica. Estranhamente, o avião parecia completamente deserto. - O senhor vai viajar sozinho, presidente? Ele balançou a cabeça. - Acabei de chegar, na verdade. Rachel estava surpresa. Chegar de onde? Os relatórios de inteligência daquela semana não continham nenhum planejamento relativo a viagens presidenciais. Aparentemente ele estava usando a ilha Wallops para viajar despercebido. - Minha equipe deixou o avião pouco antes de você chegar - disse o presidente. - Vou retornar à Casa Branca em breve para me encontrar com eles, mas queria falar com você aqui e não em meu escritório. - Tentando me intimidar? - Pelo contrário. Tentando demonstrar respeito, senhorita Sexton. A Casa Branca não tem a menor privacidade, e a notícia de um encontro entre nós dois poderia colocá-la em uma situação complicada em relação a seu pai. - Agradeço seu cuidado, senhor. - Creio que você tem conseguido manter um equilíbrio delicado de forma graciosa e não vejo razões para atrapalhar isso. Rachel lembrou-se rapidamente do encontro matinal com seu pai: ela duvidava que seu comportamento pudesse ser chamado de "gracioso". De qualquer jeito, Herney estava fazendo um esforço evidente para agir de maneira honrada. - Posso chamá-la de Rachel? - perguntou Herney. - Claro. - Posso chamá-lo de Zach? - Meu escritório - disse o presidente, fazendo sinal para que ela entrasse por uma porta de madeira entalhada. O gabinete presidencial do Air Force One tinha um clima mais intimista do que seu equivalente na Casa Branca, mas, ainda assim, o mobiliário guardava um certo ar de austeridade. Havia uma pilha de papéis sobre a escrivaninha. Na parede atrás da mesa estava pendurada uma imponente pintura a óleo de uma escuna de três mastros, velas infladas, tentando sobrepujar uma furiosa tempestade. Parecia a metáfora perfeita para a situação política de Zachary Herney naquele momento. O presidente puxou uma das três cadeiras executivas que estavam em frente à sua mesa para Rachel. Ela se sentou, esperando que ele fosse sentar-se do outro lado, atrás da escrivaninha. Em vez disso, ele puxou uma das outras cadeiras e acomodou-se ao lado dela.
  • 35. No mesmo nível, ela pensou. Um mestre em relacionamentos. - Bem, Rachel - disse Herney, soltando um suspiro de cansaço. - Imagino que você esteja confusa quanto à razão de estar sentada aqui neste momento, não é? Rachel baixou a guarda diante da sinceridade na voz do presidente. - Para falar a verdade, estou perplexa. Herney soltou uma risada. - Fantástico! Não é todo dia que consigo deixar alguém do NRO perplexo! - Também não é todo dia que alguém do NRO é convidado a subir a bordo do Air Force One por um presidente usando botas de caminhada. Ele riu novamente. Uma batida suave na porta anunciou a chegada do café. Uma tripulante entrou com uma cafeteira fumegante e duas xícaras de estanho numa bandeja. A pedido do presidente, ela deixou a bandeja sobre a mesa, saindo discretamente. - Creme e açúcar? - perguntou Herney, servindo o café. - Somente creme, por favor. - Rachel saboreou o aroma forte do café. O presidente dos Estados Unidos está me servindo café pessoalmente? Zach Herney passou-lhe uma pesada xícara de estanho. - É uma Paul Revere autêntica - disse ele. - Um pequeno luxo. Rachel tomou um gole de café. Era o melhor que já havia provado. - Bem - disse o presidente, enchendo sua própria xícara e sentando-se novamente -, não posso ficar aqui por muito tempo, então vamos direto ao assunto. - O presidente deixou cair um cubinho de açúcar em seu café e olhou para ela. - Suponho que Bill Pickering tenha alertado você sobre as minhas intenções. Ele provavelmente lhe disse que eu só poderia estar interessado em tirar alguma vantagem política deste encontro, certo? - Na verdade, senhor, foi exatamente o que ele disse. O presidente deu uma gargalhada. - Ele é sempre muito cético. - Ele estava errado? - Pickering, errado? - o presidente riu. - Bill nunca erra. Ele está absolutamente correto. CAPÍTULO 9
  • 36. Enquanto a Limusine avançava lentamente em meio ao trânsito matinal rumo ao escritório de Sexton, Gabrielle Ashe olhava distraidamente para fora da janela, refletindo sobre como havia chegado àquele ponto em sua vida. Assistente pessoal do senador Sedgewick Sexton. Era exatamente o que ela sempre tinha desejado, não? Estou sentada em uma limusine com o próximo presidente dos Estados Unidos. Ela olhou para o senador à sua frente, aparentemente perdido em seus próprios pensamentos. Examinou seus belos traços e estilo impecável. Parecia um presidente, de fato. Gabrielle conhecera o senador há três anos, quando cursava Ciências Políticas na Universidade de Cornell. Ela tinha ido assistir à palestra de Sexton e nunca se esqueceria da forma como ele a encarava do palco, como se quisesse mandar-lhe uma mensagem especial - confie em mim. Depois da conferência, ela havia esperado na fila para cumprimentá-lo. - Gabrielle Ashe - disse o senador, lendo o nome escrito em seu crachá. - Um lindo nome para uma linda jovem. - Obrigada, senhor - respondeu Gabrielle, apertando sua mão e sentindo a força que ele transmitia. - Fiquei realmente impressionada com o que disse. - Fico feliz com isso! - Sexton lhe entregou um cartão de visitas. - Estou sempre à procura de jovens inteligentes que compartilhem minha visão. Quando terminar a faculdade, procure por mim. Meu pessoal talvez tenha um trabalho para você. Gabrielle começou a dizer algo em agradecimento, mas o senador já estava falando com a próxima pessoa da fila. Nos meses que se seguiram, ela acompanhou a carreira de Sexton pela televisão. Sempre ficava admirada com seus discursos contra os gastos do governo americano. Ele defendia cortes orçamentários, propunha uma modernização da receita federal para aumentar a eficácia da arrecadação, sugeria um corte nas verbas da DEA, órgão responsável pelo combate às drogas, e até mesmo a abolição de ações na área social que estivessem duplicadas. Quando a mulher do senador morreu num acidente de automóvel, Gabrielle ficou atônita com sua capacidade de transformar algo tão negativo em um fato positivo. Sexton superou sua dor pessoal e declarou à nação que iria se candidatar à presidência, dedicando o restante de seus
  • 37. anos de serviço público à memória da mulher. Foi naquele momento que Gabrielle decidiu que queria trabalhar na campanha presidencial do senador. E não podia ter se dedicado mais intensamente àquela missão. Ela lembrou-se da noite que havia passado com Sexton em seu gabinete e trincou os dentes, tentando bloquear as imagens vergonhosas que surgiam em sua mente. Mas o que eu estava pensando? Ela sabia que poderia ter resistido, mas, ainda assim, não conseguiu. Sedgewick Sexton era um grande ídolo para ela... e pensar que ele a desejava. A limusine passou por um buraco, trazendo seus pensamentos de volta ao presente. - Está tudo bem? - Sexton estava olhando para ela. - Tudo certo - Gabrielle apressou-se em sorrir. - Você não está pensando de novo naquela jogada suja dos nossos oponentes, está? Ela deu de ombros. - Acho que ainda estou preocupada. - Deixe para lá. Aquilo foi a melhor coisa que aconteceu em minha campanha. Cerca de um mês atrás, a equipe de campanha do presidente, preocupada com sua queda nas pesquisas, resolveu tentar um movimento mais agressivo e deixar vazar uma história que suspeitavam ser verdadeira: a de que o senador Sexton tivera um caso com sua assistente pessoal. Infelizmente para a Casa Branca, não havia nenhuma prova material disso. O senador, que acreditava firmemente na idéia de que a melhor defesa é o ataque, não perdeu a oportunidade de contra-atacar. Convocou uma coletiva para proclamar sua inocência e declarar que se sentia ultrajado. "Não posso acreditar que o presidente venha desonrar a memória de minha falecida esposa com essas mentiras maldosas", disse ele diante das câmeras, exibindo um olhar profundamente magoado. O tiro da Casa Branca definitivamente havia saído pela culatra. O desempenho de Sexton na TV foi tão convincente que a própria Gabrielle quase acreditou que eles não haviam feito sexo. Vendo como era fácil para ele mentir, a assistente percebeu o quão perigoso aquele homem era. Mais tarde, ainda que estivesse certa de que estava apostando no cavalo mais forte na corrida à presidência, ela começou a se questionar se estava apostando no melhor cavalo. Trabalhar ao lado de
  • 38. Sexton estava sendo uma experiência muito reveladora. Ainda que Gabrielle continuasse confiando plenamente na mensagem do senador, ela estava começando a duvidar do mensageiro. CAPÍTULO 10 - Aquilo que estou prestes a lhe dizer, Rachel, é classificado como "UMBRA" e está muito além de sua posição na hierarquia de segurança - confidenciou o presidente. Rachel sentiu as paredes do Air Force One se fecharem em torno dela. O presidente mandara um helicóptero levá-la até a ilha Wallops para que os dois pudessem ter um encontro secreto em seu avião, servira-lhe café, dissera com toda a clareza que pretendia usá-la politicamente contra seu pai e agora anunciava que pretendia lhe passar informações secretas ilegalmente. Por mais cortês que Zach Herney parecesse ser, Rachel acabara de descobrir que ele assumia o controle da situação muito rapidamente. - Há duas semanas - disse o presidente, olhando dentro de seus olhos - a NASA fez uma descoberta. As palavras pairaram no ar por alguns instantes, antes que Rachel pudesse compreendê-las. Uma descoberta da NASA? Os últimos relatórios de inteligência não sugeriam que nada de extraordinário estivesse acontecendo na agência espacial. Claro que, nos últimos tempos, uma "descoberta da NASA" em geral significava que tinham cometido um erro grosseiro ao estimar os custos de um novo projeto. E sempre erravam para menos. - Antes de prosseguir, eu queria saber se você compartilha com seu pai o desprezo pela exploração do espaço - disse o presidente. Rachel ficou ressentida com o comentário. - Espero que você não tenha me trazido até aqui para me pedir que controle os ataques de meu pai à NASA. Ele riu. - Claro que não! Não seja tola, eu lido com o Senado há bastante tempo para saber que ninguém controla Sedgewick Sexton. - Meu pai é um oportunista, senhor, exatamente como a maioria dos políticos bem-sucedidos. E infelizmente a NASA se mostrou uma boa oportunidade para ele.
  • 39. Os erros cometidos recentemente pela agência eram tão inaceitáveis que as pessoas não sabiam se deviam rir ou chorar: satélites se desintegravam em órbita, sondas espaciais sumiam sem nunca mandar mensagens de volta, o orçamento da Estação Espacial Internacional já havia sido multiplicado por 10 enquanto os demais países participantes abandonavam o projeto como ratos tentando escapar de um navio prestes a afundar. Bilhões estavam sendo perdidos, e o senador Sexton usava isso para chegar aonde queria: Pennsylvania Avenue, 1.600 - a Casa Branca. - Devo admitir - continuou ele - que a NASA tem sido uma espécie de desastre ambulante nos últimos tempos. Toda vez que eu me viro surge uma nova razão para que eu corte suas verbas. Rachel viu uma brecha e aproveitou-se dela. - Mas, ainda assim, presidente, eu li que o senhor aprovou na semana passada mais três milhões de dólares em fundos emergenciais para evitar que a agência se tornasse inadimplente... O presidente deu uma risadinha. - Seu pai certamente ficou feliz com essa notícia, não é? - Nada melhor do que fornecer munição para seu carrasco... - Você ouviu o que ele disse no programa Nightline? "Zach Herney é viciado no espaço e são os dólares dos contribuintes que financiam seu vício." - Mas o senhor continua provando que ele está certo... Herney assentiu. - Nunca ocultei o fato de que sou um grande fã da NASA. Sempre fui. Nasci na era da corrida espacial - Sputnik, John Glenn, Apollo 11 - e nunca hesitei em demonstrar meus sentimentos de admiração e de orgulho nacional por nosso programa de conquista do espaço. Na minha cabeça, os homens e mulheres da NASA são os pioneiros da história contemporânea. Desejam o impossível, aceitam os fracassos e então retornam às suas pranchetas enquanto o restante de nós fica só observando e criticando. Rachel ficou em silêncio por um instante. Ela percebera que a aparente calma do presidente escondia uma raiva indignada contra a incessante retórica anti-NASA de seu pai. Àquela altura, ela só queria saber que diabos a NASA teria encontrado. O presidente estava dando uma longa volta antes de chegar ao cerne da questão. - Hoje pretendo mudar radicalmente sua opinião sobre a NASA - disse Herney, com vigor.
  • 40. Rachel olhou para ele, incerta quanto ao que dizer. - O senhor já tem o meu voto. Talvez devesse se preocupar mais com o restante do país, presidente. - É o que pretendo fazer - disse, tomando um gole de café e sorrindo. - E vou pedir que você me ajude. - Fez uma pausa e inclinou-se na direção dela. - De uma forma peculiar. Ela podia sentir que Zach Herney estava analisando cada um de seus movimentos, como um caçador tentando avaliar se sua presa pretendia fugir ou lutar. Infelizmente, Rachel não tinha para onde fugir. - Devo presumir - prosseguiu ele, servindo mais café para os dois - que você está a par de um projeto da NASA chamado EOS? Rachel assentiu. Earth Observing System. - Sistema de Observação da Terra. Creio que meu pai tocou nesse assunto uma ou duas vezes. Sua débil tentativa de parecer sarcástica fez o presidente franzir a testa. Na verdade, o pai de Rachel mencionava aquele projeto sempre que podia. Era uma das mais controvertidas empreitadas da NASA. Consistia numa constelação de cinco satélites projetados para observar a Terra a partir do espaço a fim de analisar o meio ambiente do planeta: redução da camada de ozônio, derretimento das calotas polares, aquecimento planetário, devastação das florestas tropicais. A intenção era fornecer aos ambientalistas dados macroscópicos inéditos para que pudessem planejar melhor o futuro da Terra. Infelizmente o projeto EOS tivera problemas desde sua concepção. E, como sempre, os imprevistos eram dispendiosos. Quem estava levando a pior nesse caso era Zach Herney. Ele tinha se aproveitado do lobby dos ambientalistas para conseguir aprovar no Congresso uma verba de 1,4 bilhão de dólares para o projeto. No entanto, em vez de fornecer as contribuições prometidas para ampliar o conhecimento científico sobre o planeta, o EOS se transformara em outro pesadelo terrivelmente custoso de lançamentos fracassados, falhas em computadores e coletivas de imprensa deprimentes na NASA. A única pessoa feliz, nos últimos tempos, era o senador Sexton, que não se cansava de lembrar aos eleitores e contribuintes quanto o presidente havia gasto no EOS e como os resultados tinham sido péssimos. - Por mais surpreendente que isso possa parecer, a descoberta da NASA a que estou me referindo foi feita pelo EOS. Rachel ficou aturdida com aquela declaração. Se o EOS obteve um sucesso recente, por que a NASA não o anunciou? Seu pai estava
  • 41. crucificando o Sistema de Observação da Terra na mídia, e a agência espacial se beneficiaria muito de qualquer notícia favorável. - Não li nada a respeito de uma descoberta do EOS - disse Rachel. - Eu sei. A NASA prefere guardar as boas novas para si mesma durante algum tempo. Rachel tinha dúvidas quanto a isso. - De acordo com minha experiência, senhor, quando o assunto é a NASA, nenhuma notícia em geral significa que há más notícias. - A discrição não era exatamente o ponto forte da agência. No NRO circulava uma piada dizendo que a NASA convocava a imprensa toda vez que um de seus cientistas espirrava. O presidente levantou uma sobrancelha. - Ah, sim. Esqueci que estava falando com uma das discípulas de Pickering. Ele continua reclamando e resmungando a respeito da língua solta da NASA? - Ele lida com segurança, senhor. E leva isso muito a sério. - Está absolutamente certo. Só não entendo por que duas agências com tantas coisas em comum conseguem encontrar sempre um motivo para brigar. Rachel havia aprendido bem cedo, sob o comando de William Pickering, que, apesar de a NASA e o NRO serem organizações ligadas ao espaço, as duas tinham filosofias opostas. O NRO era mais voltado para a defesa e mantinha todas as suas atividades espaciais em segredo, enquanto a NASA era acadêmica e divulgava, com entusiasmo, cada uma de suas descobertas para todo o planeta. William Pickering argumentava que muitas vezes essa atitude chegava a colocar em risco a segurança nacional. Algumas das melhores tecnologias desenvolvidas pela NASA - como as lentes de alta resolução para telescópios de satélites, sistemas de comunicação de longo alcance e dispositivos de mapeamento por ondas de rádio - invariavelmente apareciam no arsenal de inteligência de países hostis, sendo usadas para espionar os Estados Unidos. Bill Pickering reclamava que os cientistas da NASA podiam até ter grandes cérebros, mas suas bocas eram ainda maiores. Havia, contudo, uma questão mais delicada entre as duas organizações. Como a NASA era responsável pelos lançamentos de satélites do NRO, muitos dos seus problemas recentes afetavam diretamente o trabalho do Escritório Nacional de Reconhecimento. Nenhum fracasso havia sido maior do que o ocorrido em 12 de agosto de 1998, quando um foguete Titan 4 da NASA/Força Aérea explodiu 40 segundos após o lançamento,
  • 42. desintegrando sua carga - um satélite de 1,2 bilhão de dólares do NRO cujo codinome era Vortex 2. Pickering não tinha a menor intenção de esquecer aquele episódio, especificamente. - Então por que a NASA não anunciou seu sucesso recente ao público? - questionou Rachel. - A agência certamente se beneficiaria de uma boa notícia neste momento. - A NASA manteve silêncio porque eu ordenei que ninguém falasse nada - declarou o presidente. Rachel ficou pensando se tinha mesmo ouvido aquilo. Se fosse verdade, o presidente estava cometendo uma espécie de suicídio político que ela não podia entender. - A descoberta tem implicações assombrosas - disse Herney. Rachel sentiu um calafrio. No mundo da inteligência, "implicações assombrosas" dificilmente significavam boas notícias. Ela estava pensando se todo aquele segredo se devia a algum desastre ambiental iminente descoberto pelos satélites do EOS. - Há algum problema sério? - Nenhum problema. O que o EOS descobriu, na verdade, é maravilhoso. Rachel ouvia em silêncio. - Suponha que eu lhe dissesse que a NASA acabou de fazer uma descoberta de tamanha importância científica, tamanha significância planetária, que por si só justificasse cada dólar já gasto pelos americanos em pesquisas espaciais? Rachel não sabia o que pensar. O presidente levantou-se. - Vamos dar uma volta? CAPÍTULO 11 Rachel e O presidente Herney saíram do avião para a luz forte da manhã. Ela começou a descer as escadas do Air Force One, sentindo o ar fresco de março clarear suas idéias. A clareza, contudo, tornava as afirmações do presidente ainda mais estranhas. A NASA fez uma descoberta de tamanha importância científica que justifica cada dólar já gasto pelos americanos nas pesquisas espaciais? Rachel imaginava que uma descoberta de tal magnitude só poderia estar centrada em uma coisa - o Santo Graal da NASA, ou seja, contato com
  • 43. uma forma de vida extraterrestre. Infelizmente ela conhecia o suficiente a respeito dessa questão em particular para saber que era completamente implausível. Por conta de seu trabalho, Rachel muitas vezes era bombardeada por perguntas de amigos que queriam saber sobre a suposta dissimulação do governo a respeito de contatos com alienígenas. Sempre ficava chocada com as teorias nas quais seus amigos "cultos" acreditavam: discos voadores que haviam caído na Terra e estavam escondidos em galpões secretos do governo, corpos de extraterrestres congelados, até mesmo civis inocentes sendo abduzidos e submetidos a cirurgias. Tudo aquilo era absurdo, claro. Não havia alienígenas. Não havia dissimulação alguma. Todo mundo que fazia parte da comunidade de inteligência sabia que, em sua grande maioria, as visões de alienígenas e as pessoas abduzidas eram apenas o produto de imaginações férteis ou armações para tirar dinheiro dos outros. Quando surgiam evidências fotográficas autênticas de óvnis, curiosamente ocorriam sempre perto de alguma base militar dos EUA onde estava sendo testado um novo protótipo secreto de aeronave. Quando a Lockheed começou a fazer testes de vôo de um novo e radical avião a jato chamado Stealth Bomber, o número de aparições de óvnis perto da Base Aérea de Edwards aumentou quase 15 vezes. - Você está com uma expressão bastante cética - disse o presidente. O som de sua voz surpreendeu Rachel. Ela olhou para ele, sem saber o que dizer. - Bem... - ela hesitou. - Posso presumir, senhor, que não estamos falando sobre naves alienígenas ou homenzinhos verdes? O presidente pareceu achar aquilo engraçado. - Rachel, creio que você vai achar essa descoberta ainda mais intrigante do que ficção científica. Ela ficou mais tranqüila ao pensar que a NASA não estava desesperada o suficiente para tentar convencer o presidente de que havia encontrado alienígenas. Ainda assim, aquele comentário apenas aprofundou o mistério. - Então, seja qual for a descoberta, devo dizer que o momento é extremamente conveniente. Herney parou no meio da escada. - Conveniente? Como assim? Como assim? Rachel parou e olhou para ele. - Senhor presidente, a NASA está neste momento em meio a uma batalha
  • 44. de vida ou morte para justificar sua própria existência, e o senhor está sendo atacado por manter suas linhas de financiamento. Uma grande descoberta feita pela NASA neste momento poderia ser uma solução tanto para a agência quanto para sua campanha. Seus críticos, entretanto, iriam achar as circunstâncias altamente suspeitas. - Você está me chamando de mentiroso ou de tolo? Rachel sentiu um nó na garganta. - Não quis desrespeitá-lo, senhor. Eu estava apenas... - Relaxe. - Um leve sorriso surgiu nos lábios de Herney e ele continuou descendo. - Quando o administrador da NASA me contou sobre essa descoberta, eu prontamente a rejeitei como um completo absurdo. Acusei-o de estar planejando a mais transparente de todas as trapaças. Rachel relaxou. Quando os dois chegaram ao final da descida, Herney parou e olhou para ela. - Uma das razões pelas quais pedi que se mantivesse essa história em segredo foi para proteger a NASA. A magnitude dessa descoberta está além de qualquer coisa que a agência já tenha anunciado. Fará com que o fato de termos enviado homens à Lua se torne insignificante. Como todos, inclusive eu, temos tanto a ganhar - e a perder -, achei que era prudente que alguém fosse verificar os dados da NASA antes que nos colocássemos no centro dos olhares do mundo inteiro dando uma declaração formal. - O senhor não está pensando em mim, está? - Rachel perguntou, assustada. O presidente riu. - Não, essa área não é sua especialidade. Além disso, os dados já foram verificados através de canais extragovernamentais. O alívio de Rachel deu lugar novamente ao espanto. - Você quer dizer que convocou alguém de fora do governo? Em um assunto ultra-secreto? O presidente assentiu, convicto. - Montei uma equipe de verificação externa: quatro cientistas civis, sem qualquer conexão com a NASA, mas muito respeitados em suas áreas de atuação e com uma reputação a zelar. Eles usaram seus equipamentos para fazer observações e tirar suas próprias conclusões. Nas últimas 48 horas, esses cientistas confirmaram, sem sombra de dúvida, a descoberta da NASA. Agora ela estava impressionada. O presidente havia se protegido com a segurança que lhe era característica. Ao contratar uma equipe de "céticos" de alta confiabilidade - pessoas de fora do governo que não
  • 45. teriam nada a ganhar confirmando a incrível descoberta -, Herney preparou uma defesa prévia contra qualquer suspeita de que aquilo fosse um plano desesperado da NASA para justificar suas verbas, reeleger um presidente favorável a seus projetos e bloquear os ataques do senador Sexton. - Hoje, às oito da noite, vou dar uma coletiva na Casa Branca para anunciar essa descoberta ao mundo - anunciou Herney. Rachel sentiu-se frustrada. O presidente ainda não havia lhe dito nada muito substancial. - E o que seria essa descoberta, exatamente? O presidente sorriu. - Você entenderá hoje que a paciência é uma virtude. A descoberta é algo que você precisa ver por conta própria. Você tem que compreender a situação por completo antes de prosseguirmos. O administrador da NASA está à sua espera para lhe dar os detalhes. Ele irá lhe contar tudo o que for necessário. Depois, eu e você iremos conversar mais a fundo sobre seu papel nessa história. Rachel sentiu o toque de suspense na fala do presidente e lembrou-se do palpite do diretor do NRO de que a Casa Branca tinha uma carta escondida na manga. Pickering, ao que parecia, estava certo mais uma vez. Herney apontou para um hangar próximo. - Venha comigo - pediu ele. Rachel seguiu-o, confusa. O prédio à frente deles não tinha janelas e seus enormes portões estavam fechados. O único acesso parecia ser através de uma porta lateral que estava entreaberta. O presidente acompanhou Rachel até à porta. - Aqui é o fim da linha para mim. Você segue em frente - disse ele. Rachel hesitou. - O senhor não vem? - Preciso voltar para a Casa Branca. Falarei com você em breve. Você tem um telefone celular? - Claro, senhor. - Pode me dar seu aparelho? Rachel entregou-o ao presidente, presumindo que ele iria registrar na agenda do telefone um número para que ela pudesse contatá-lo pessoalmente. Em vez disso, ele pegou o aparelho e guardou-o no bolso. - A partir de agora, você está fora de circuito - disse o presidente. - Já resolvemos as questões relativas a seu trabalho. Você não irá
  • 46. falar com mais ninguém hoje sem minha permissão expressa ou a do administrador da NASA. Está claro? Rachel ficou perplexa. O presidente ficou com meu celular? - Depois que o administrador lhe der os detalhes da descoberta, ele irá colocá-la em contato comigo através de um canal seguro. Nos falaremos em breve. Boa sorte. Ela olhou para a porta do hangar, com um mal-estar crescente. O presidente Herney colocou a mão em seu ombro, reconfortando-a. - Rachel, pode estar certa de que não irá se arrepender de me ajudar. Sem dizer mais nada, o presidente saiu andando em direção ao PaveHawk que havia trazido Rachel até ali. Subiu a bordo e decolou. Não olhou para trás uma única vez. CAPÍTULO 12 Rachel estava de pé, sozinha, prestes a entrar no hangar isolado. Olhando para a escuridão à sua frente, sentia-se como se estivesse no limiar de outro mundo. Uma brisa fria e com cheiro de mofo saía lá de dentro, como se o prédio estivesse respirando. - Olá? - gritou, com a voz ligeiramente trêmula. Silêncio. Sentindo-se um pouco nervosa, ela entrou no galpão. Tudo ficou escuro por alguns instantes. - Senhorita Sexton, não é? - disse uma voz masculina, a poucos metros de distância. Ela deu um pulo, sobressaltada, e virou-se em direção à voz. - Sim, senhor. Naquele breu só conseguia distinguir os contornos do homem que se aproximava. Quando seus olhos finalmente se acostumaram à pouca luz, ela deu de cara com um jovem de traços fortes em um macacão de vôo da NASA. Seu corpo era atlético e musculoso e seu peito estava coberto de insígnias. - Comandante Wayne Loosigian - apresentou-se ele. - Desculpe tê-la assustado. Está bem escuro aqui. Ainda não tive tempo de abrir as portas do hangar. - Antes que Rachel pudesse dizer algo, ele acrescentou: - Terei a honra de ser seu piloto esta manhã. - Piloto? - Rachel olhou espantada para o homem. Um piloto acabou de
  • 47. me trazer até aqui. - Vim aqui para me encontrar com o administrador da NASA. - Sim, senhorita Sexton. Minhas ordens são para levá-la até ele imediatamente. Demorou um tempo até que Rachel processasse o que ele acabara de dizer. Quando finalmente compreendeu, sentiu-se enganada. Parece que teria outra viagem pela frente. - E onde ele está? - perguntou, preocupada. - Ainda não tenho essa informação - respondeu o piloto. - Receberei as coordenadas depois que tivermos decolado. O homem parecia sincero. Ela e o diretor Pickering não eram as duas únicas pessoas que estavam sendo mantidas no escuro. O presidente estava levando a questão da segurança muito a sério, e Rachel sentiu-se envergonhada ao pensar sobre quão facilmente Zachary Herney a havia "tirado de circuito". Uma hora fora do NRO e já estou privada de qualquer forma de comunicação. Além disso, meu diretor não tem a menor idéia de onde eu esteja. Diante da postura rija do piloto da NASA, Rachel tinha certeza de que todos os planos relativos àquela manhã estavam selados. Independentemente de gostar ou não, ela estaria a bordo daquele vôo. A única questão era saber onde ele iria parar. O piloto caminhou em direção à parede e pressionou um botão. O extremo oposto do hangar começou a correr para o lado fazendo bastante barulho. A luz entrou, vinda de fora, delineando a silhueta de um grande objeto no centro do galpão. Rachel ficou boquiaberta. Deus me ajude... Estava diante de um caça a jato preto de aspecto agressivo. Era o avião com a aerodinâmica mais perfeita que Rachel já havia visto pessoalmente. - Isso é uma piada? - A reação inicial é comum, senhorita, mas o F-14 Tomcat é uma aeronave extremamente confiável. É um míssil com asas. O piloto acompanhou Rachel até o avião. Ele apontou para o cockpit de dois lugares. - Você vai atrás. - Sério? - Ela lhe devolveu um sorriso tenso. - Achei que você queria que eu dirigisse. Depois de vestir um macacão de vôo térmico sobre suas roupas, Rachel

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