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PORTUGUÊS 2 – TIPO C
TEXTO 1
Professores de Inglês
(1) Hoje qualquer pessoa pode aprender inglês com a
maior facilidade...
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3-3) a opção por um vocabulário mais formal, e por
uma gramática alinhada às normas da língua
padrão, conforme exigia o...
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3-3) os professores de línguas, se forem nativos, têm
mais garantias de levar os alunos a patamares mais
especializados...
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0-0) há, no primeiro parágrafo, certa oposição entre
dois momentos, sinalizada pelo léxico e pela
gramática: ‘Hoje’ e ‘...
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3-3) Há um antagonismo e uma certa crítica que
perpassam o texto: vive-se o tempo da urgência e
falta o tempo de perceb...
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1-1) “Algumas
invenções
pareciam
destinadas
irremediavelmente à obsolescência quando
experimentaram um espetacular reto...
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TEXTO 3
Como sobreviver a tantas inovações
A maior inovação, hoje, seria inventar uma maneira de esticar
o tempo... Não...
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16. Relacionando os Textos 2 e 3, podemos perceber que:
0-0) há entre os dois uma aproximação quanto ao núcleo
temático...
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Português 2 - Tipo C

Published on: Mar 4, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Português 2 - Tipo C

  • 1. 1 PORTUGUÊS 2 – TIPO C TEXTO 1 Professores de Inglês (1) Hoje qualquer pessoa pode aprender inglês com a maior facilidade: há institutos e cursos especializados, livros que dispensam professor, aulas pelo rádio e pela televisão, métodos tão modernos que nem me atrevo a descrever, com medo de me sentir inatual. Mas houve um tempo em que não era assim: os professores de inglês eram difíceis de encontrar, os alunos também não pareciam muito numerosos, a literatura francesa dominava com uma encantadora prepotência, e parece que todo brasileiro educado devia saber, em matéria de idiomas, apenas português e francês. (2) Mas, por ter descoberto Keats e Shelley, nem sei bem como, eu andava à procura de quem me ensinasse inglês, fosse por que método fosse, contanto que eu pudesse chegar à poesia inglesa com a maior rapidez possível. (3) Comecei a frequentar um instituto onde havia muitos cursos de arte e literatura. Parecia-me que aquele era o caminho. E dispunha-me a uma dedicação total aos meus exercícios. Mas a boa professora, embora sem ser inglesa, mas com cursos no estrangeiro e grande prática em aulas particulares, iniciou suas aulas com um pequeno discurso sobre a absoluta necessidade de se conjugar perfeitamente os verbos “to be” e “to have”, antes de se conhecer sequer uma palavra do vocabulário. (4) Ora, nem todos os estudantes haviam descoberto Keats ou Shelley, e frequentavam as aulas por simples obrigação. Ninguém estava pensando em versos ingleses: nem mesmo a professora. E foi um tal de recitar indicativos, condicionais e subjuntivos, presentes, futuros e passados, ora perfeitos, ora imperfeitos, ora mais que perfeitos, afirmativa, negativa e interrogativamente, que aqueles solos e coros me conduziam a uma inevitável sonolência. (5) Mas havia salas próximas em que se estudavam piano e violino. De modo que eu podia descansar na música, sempre que os verbos chegavam àquele ponto de monotonia em que só me restava ou enlouquecer ou dormir. (6) A minha segunda professora de inglês era inglesa mesmo. Também acreditava na eficácia dos verbos “to be” e “to have”, acrescentava-lhes ainda o “to get”, ao qual se referia com um sorriso tão carinhoso que até dava vontade de se começar por aí. Mas essa professora tinha um método encantador: oferecia-me uma xícara de chá, para acompanhar as aulas. Sua sala era absolutamente igual às que se veem nos livros ilustrados para o ensino do inglês. Exceto a lareira, tudo estava lá. E como eu já sabia um pouco de verbos, passamos àquelas frases em que o chapéu ora é nosso, ora é da nossa prima, e o gato ora está embaixo da mesa ora em cima da cadeira. Mas era tão difícil chegar a Keats e Shelley! (7) A terceira professora gostava de histórias de fantasmas e de sinos que batem à meia noite. Mas, no meio das suas histórias, levantavam-se às vezes o “to be” e o “to have”, e ela me pedia para recitar todos os seus modos e tempos, acompanhando os meus esforços com um sorriso que talvez não fosse completamente macabro, mas era bastante assustador. (8) Feitas essas primeiras experiências, pareceu-me melhor ir diretamente aos autores, e, de vez em quando, aperfeiçoar-me por meio de quantos livros de “inglês sem mestre” fossem aparecendo. (9) Encerrando o ciclo das professoras, começou o dos professores. Um era persa e dava-me a traduzir sentenças filosóficas sem se ocupar dos modos e tempos do “to be” e do “to have”. O outro vinha da Austrália: contava histórias de feitiçaria, mas no meio das histórias ficava com tanto medo do que estava contando que era preciso tranquilizá-lo. (10) Por isso, no dia em que visitei a casa de Keats, em Roma, não pude deixar de pensar com ironia e tristeza: como são longos, às vezes, os caminhos da vida! E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta! (Cecília Meireles. Inéditos. Rio: Editora Bloch, 1967, p. 151. Adaptado). 1. Com relação a aspectos da coesão e da coerência do Texto 1, merece destacar: 0-0) a contiguidade semântica entre palavras como: professores, estudantes, aulas, método, livros, frases, verbos, poeta, versos... 1-1) a repetição de certas palavras ligadas ao tema central do texto, repetição, assim, que funciona como marcador da manutenção desse tema. 2-2) a sequência bem definida das referências: ‘a minha segunda professora’, ‘essa professora’ (...), ‘começou o [ciclo] dos professores’, ‘Um era persa’; ‘O outro’. TIPO C
  • 2. 2 3-3) a opção por um vocabulário mais formal, e por uma gramática alinhada às normas da língua padrão, conforme exigia o contexto de circulação do texto. 4-4) o uso do conectivo concessivo em: “andava à procura de quem me ensinasse inglês, (...), contanto que eu pudesse chegar à poesia inglesa”. GABARITO: VVVVF JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. É evidente a contiguidade semântica entre as palavras citadas, o que constitui, sem dúvida, um recurso da coesão do texto. 1-1) VERDADEIRA. Também é comprovado que a repetição de palavras ligadas ao tema central do texto constitui um elemento de coesão e coerência textual. 2-2) VERDADEIRA. É bem explícita no texto a sequência das referências aos vários professores que passaram pela experiência da autora. 3-3) VERDADEIRA. A coerência ao contexto de circulação do texto pedia um vocabulário mais formal e uma gramática conforme as normas da língua padrão. 4-4) FALSA. O conectivo contanto que não tem um valor semântico de ‘concessão’. 3-3) FALSA. Como na proposição 1-1), não há relevância em referir o gosto de determinada professora. 4-4) VERDADEIRA. “E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta!” Esse trecho resume bem a crítica e a queixa principal pretendida pela autora. 3. Considerando a tipologia do Texto 1, um requisito básico para a sua exata compreensão, é necessário ter em conta que: 0-0) a composição do texto aponta para o gênero ‘texto informativo’, gênero que ocupa um grande espaço na vida científica, cultural e publicitária da atualidade. 1-1) em todo o texto, está subjacente certa crítica às perspectivas marcadamente metalinguísticas de se abordar o estudo de uma língua. 2-2) o texto dá lugar a que o leitor faça certas reflexões e tire determinadas conclusões: assim, acaba por ser também um texto argumentativo. 3-3) a autora prima por ser fiel aos fatos e, assim, os conta com detalhes, embora cada um seja apenas pretexto para lances de outra ordem. 4-4) embora se trate de um texto com indícios de ser autobiográfico, o parágrafo introdutório se concentra em observações gerais. GABARITO: FVVVV 2. Em um texto, geralmente, os vários segmentos têm uma relevância diferenciada. Ou seja, há trechos mais relevantes que outros. No texto em análise, em relação à mensagem fundamental do texto, merecem destaque os trechos: 0-0) “parece que todo brasileiro educado devia saber, em matéria de idiomas, apenas português e francês”. 1-1) “Mas essa professora tinha um método encantador: oferecia-me uma xícara de chá, para acompanhar as aulas”. 2-2) “Mas era tão difícil chegar a Keats e Shelley!” 3-3) “A terceira professora gostava de histórias de fantasmas e de sinos que batem à meia noite”. 4-4) “E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta!” JUSTIFICATIVAS: 0-0) FALSA. Não se trata de um texto informativo. 1-1) VERDADEIRA. De fato, em todo o texto, pode-se perceber uma crítica, embora sutil, às perspectivas marcadamente metalinguísticas que predominam no estudo das línguas. 2-2)VERDADEIRA. O texto tem um caráter argumentativo no sentido de que leva o leitor a fazer certas reflexões sobre a questão em foco. 3-3) VERDADEIRA. A autora conta com detalhes as experiências vividas com um e outro professor, o que, na verdade, é apenas pretexto para pôr em evidência o ponto que ela quer ressaltar. 4-4) VERDADEIRA. O texto é, de certa forma, autobiográfico, o que não impediu de o parágrafo introdutório se concentrar em observações gerais. 4. Conforme as ideias expressas no Texto 1, podemos GABARITO: FFVFV concluir que: JUSTIFICATIVAS: 0-0) as atividades propostas em sala de aula remontam às perspectivas e aos interesses que alunos e professores trazem previamente consigo. 1-1) em todas as experiências escolares relatadas pela autora, suas expectativas de poder chegar ao mundo da literatura foram seguidamente frustradas. 2-2) a conjugação dos verbos, desde que sejam os de uso mais comuns, constitui, de fato, um recurso pedagógico de grande eficácia. 0-0) FALSA. Em relação à mensagem fundamental do texto, o trecho citado não constitui uma informação relevante. 1-1) FALSA. Igualmente, não é relevante, em relação à mensagem fundamental do texto, a informação de que determinada professora oferecia uma xícara de chá durante as aulas. 2-2)VERDADEIRA. De fato, o trecho citado é inteiramente relevante em relação ao conteúdo central do texto. TIPO C
  • 3. 3 3-3) os professores de línguas, se forem nativos, têm mais garantias de levar os alunos a patamares mais especializados de uso da língua. 4-4) predomina no parágrafo conclusivo do texto um tom visivelmente pessoal, de pena e lamento, sinalizado também pelos pontos de exclamação. GABARITO: FVFFV JUSTIFICATIVAS: 0-0) FALSA. Segundo o relato da autora, os interesses dos alunos não eram levados em conta: “Ninguém estava pensando em versos ingleses: nem mesmo a professora”. 1-1) VERDADEIRA. Cada experiência relatada dá conta de que as expectativas da autora de poder chegar ao mundo da literatura eram todas frustradas. 2-2) FALSA. O próprio texto atesta que a conjugação dos verbos não constitui um recurso pedagógico de grande eficácia. 3-3) FALSA. Igualmente, o relato da autora comprova que o fato de os professores de línguas serem nativos não garante o êxito do ensino. 4-4) VERDADEIRA. É visível, no parágrafo conclusivo do texto, um tom pessoal de pena e lamento: E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta! 5. No trecho: “E como eu já sabia um pouco de verbos, passamos àquelas frases em que o chapéu ora é nosso, ora é da nossa prima, e o gato ora está embaixo da mesa ora em cima da cadeira”, fica evidente: 0-0) uma referência às práticas escolares que se satisfazem em compor enunciados possíveis, embora desligados de um contexto real. 1-1) a preferência pelo ensino centrado em ‘treinos’ que, de tão repetitivos, já são parte fixa e previsível do repertório escolar. 2-2) o interesse do ensino de abordar, gramaticalmente, os fatos da experiência verbal em suas alternativas de uso mais significativos. 3-3) a intenção da autora de corroborar sua percepção de que existe um ensino de língua centrado em irrelevâncias. 4-4) a dificuldade inerente ao uso de certas categorias gramaticais, que constituem o caminho mais curto para se chegar ao pleno usufruto da linguagem. GABARITO: VVFVF JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. De fato, o trecho citado retoma a habitual prática escolar de compor enunciados desligados de um contexto comunicativo real. 1-1) VERDADEIRA. Outra vez, o trecho citado pode ser visto como uma crítica ao ensino centrado em ‘treinos’. De tanto serem repetidos já fazem parte do repertório escolar. 2-2) FALSA. Pelo contrário, como atesta o texto em análise, a abordagem feita na escola não privilegia a experiência verbal em seus usos sociais mais significativos. 3-3) VERDADEIRA. Com uma certa ironia, a autora pretende reafirmar sua percepção de que existe um ensino de língua centrado em irrelevâncias. 4-4) FALSA. O texto pretende ressaltar, exatamente, que o estudo de certas categorias gramaticais, apenas, não constitui o caminho mais curto para se chegar ao pleno usufruto da linguagem. 6. Do ponto de vista gramatical – especificamente em relação ao âmbito da sintaxe –, analise os seguintes comentários. 0-0) Em: “nem todos os estudantes haviam descoberto Keats ou Shelley”, o verbo ‘haver’ deveria estar no singular, pois, nesse contexto, funciona como verbo impessoal. 1-1) Em: “como são longos, às vezes, os caminhos da vida”, os termos da oração estão postos em ordem direta, por uma questão de ênfase. 2-2) Em: “Mas, por ter descoberto Keats e Shelley, (...) andava à procura de quem me ensinasse inglês”, o segmento sublinhando expressa um sentido de causalidade. 3-3) Em: “como eu já sabia um pouco de verbos, passamos àquelas frases em que o chapéu ora é nosso”, pela regência do verbo, o uso da crase, neste caso, é facultativo. 4-4) Em: “Comecei a frequentar um instituto onde havia muitos cursos de arte e literatura. Parecia-me que aquele era o caminho”, o segmento sublinhado retoma toda a sentença anterior. GABARITO: FFVFV JUSTIFICATIVAS: 0-0) FALSA. Nesse contexto, o verbo ‘haver’ não funciona como verbo impessoal. 1-1) FALSA. Em: “como são longos, às vezes, os caminhos da vida”, os termos da oração estão fora da ordem canônica (Sujeito-Verbo-Complemento). 2-2) VERDADEIRA. Em: “Mas, por ter descoberto Keats e Shelley, (...) andava à procura de quem me ensinasse inglês”, o segmento sublinhando expressa uma relação de causa. 3-3) FALSA. Nesse contexto, o uso da crase não é facultativo. 4-4) VERDADEIRA. No trecho: “Comecei a frequentar um instituto onde havia muitos cursos de arte e literatura. Parecia-me que aquele era o caminho”, trata-se de uma retomada da afirmação feita na sentença anterior. 7. Analisando a composição de alguns parágrafos do Texto1, podemos perceber que: TIPO C
  • 4. 4 0-0) há, no primeiro parágrafo, certa oposição entre dois momentos, sinalizada pelo léxico e pela gramática: ‘Hoje’ e ‘Mas houve um tempo’. 1-1) já no terceiro parágrafo, a questão-tema é sugerida quando é feita a referência à prioridade do estudo da gramática em relação ao estudo do léxico. 2-2) no sexto parágrafo, afinal, as tentativas de ensino e seus métodos são referidos e descritos sem nenhuma ponta de ironia. 3-3) nos parágrafos em que são narradas as experiências com diferentes ‘atores’, se confirma o desacerto em relação ao que era pretendido. 4-4) no último parágrafo, o desencanto da autora é expresso sob a forma de uma metonímia: “E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta!” GABARITO: VVFVV JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. De fato, no primeiro parágrafo, dois momentos são postos em oposição e sinalizados: ‘Hoje’ e ‘Mas houve um tempo’ 1-1) VERDADEIRA. De fato, no terceiro parágrafo, a questão-tema é sugerida na referência à “necessidade de se conjugar perfeitamente os verbos “to be” e “to have”, antes de se conhecer sequer uma palavra do vocabulário”, ou seja do léxico. 2-2) FALSA. Pelo contrário, no sexto parágrafo, a autora é bem irônica quando descreve suas experiências escolares de estudo do inglês. 3-3) VERDADEIRA. Como já foi referido todas as experiências com diferentes ‘professores foram frustrantes. 4-4) VERDADEIRA. Há uma metonímia em: “E quanto tempo se pode levar para se chegar a um poeta.” TEXTO 2 Os pássaros, a canção e a pressa A aceleração do tempo é uma das características do século XX, talvez a principal delas. As coisas chegam e vão embora com impressionante rapidez. Flâmula – quem se lembra desse objeto? Espécie de bandeira triangular homenageando clubes ou universidades, cidades ou países. As flâmulas chegaram, fizeram grande sucesso e foram embora. O bambolê teve a mesma sorte. O século XX viu nascer e morrer o long-playing, o comunismo, o Zeppelin, o charleston, o musical de Hollywood, os hippies, o radinho de pilha, o bonde elétrico, a vitrola etc. Algumas invenções pareciam destinadas irremediavelmente à obsolescência quando experimentaram um espetacular retorno. Outras pareciam destinadas a um espetacular retorno quando experimentaram o fracasso. Pode-se alegar que, em outros séculos, também houve costumes e tecnologias de vida breve. Não como no século XX, nem em quantidade nem em velocidade. (...) Como resultado, a própria velocidade do tempo passou a ser um valor em si. Se as coisas não andam depressa, ficam aborrecidas. Parar é chatear-se, e lá vamos nós: a gastança do tempo, a gula de digeri-lo, o consumo compulsivo – desesperado, dir-se-ia – dessa substância, sem cor nem cheiro, chamada tempo passou a ser a droga mais mortal. Esta é a hora dos excitados. Nesse processo, uma das criações mais características do século foi a indústria da urgência. É preciso correr atrás do tempo. Ou correr na frente, ainda melhor. Chegar antes dele, fazer uma hora em menos de uma hora, eis o ideal. Quem não consegue está fora do ritmo, fora de seu tempo – com isso chegamos ao telefone celular. Ele é a culminância apoteótica da indústria da urgência que caracteriza estes nossos anos. Contabilize o leitor com rigor científico: quantas vezes deu na vida, ou recebeu, um telefonema realmente urgente? Algo que não pudesse esperar meia hora? Comunicados realmente urgentes não são um acontecimento cotidiano. A rigor, ao longo de uma vida, talvez não sejam dois ou três. E, no entanto, os celulares se multiplicam como saúvas, brotam como capim. Centenas deles, milhares, entram em circulação a cada dia. As pessoas na rua portam o aparelhinho como se fosse uma nova peça do vestuário, ou um novo complemento, como o guarda-chuva – ainda que mal comparado, pois o guarda-chuva, em sua silenciosa dignidade, não toca, nem fala nem é histérico. De repente um monte de gente percebeu que tem pressa, não pode esperar, que é urgente chamar, é urgente ser chamado, é urgente, é urgente, é tudo tão urgente... Antonio Carlos Jobim não tinha nada a ver com isso, e é por isso que é lembrado nestas linhas. Era um homem de vagares. Gostava de passarinhos, árvores, canções e poesia, quatro produtos fora do alcance da indústria da urgência. Ele andou na contramão da mistificação da pressa que se abateu sobre as vidas da esmagadora maioria de seus contemporâneos. E porque tinha uma outra percepção do tempo conseguiu, mesmo num território do efêmero como o da música popular, deixar uma obra que o ultrapassa, em duração. (Roberto Pompeu de Toledo. Veja. Ed. 1371, p. 150. Adaptado). 8. Quanto ao tema tratado no comentário acima, analise as observações feitas a seguir. 0-0) As expressões ‘aceleração do tempo’, ‘pressa’, ‘indústria da urgência’ vão tecendo o fio de unidade semântica que dá coerência ao texto. 1-1) Para o autor, o século XX, em relação a outros, foi exatamente igual: a mesma quantidade e velocidade de costumes e tecnologias de vida breve. 2-2) Segundo o texto, a mistificação da pressa chegou a seu ápice com a invenção do telefone celular, montado para trazer a urgência ao cotidiano das pessoas. TIPO C
  • 5. 5 3-3) Há um antagonismo e uma certa crítica que perpassam o texto: vive-se o tempo da urgência e falta o tempo de perceber certas dimensões do cotidiano. 4-4) A referência a ‘passarinhos, árvores, canções e poesia’ tem a função de marcar a oposição entre o mundo dos vagares e o mundo da pressa. GABARITO: VFVVV JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. De fato, há uma contiguidade semântica entra as expressões citadas, o que constitui um princípio da sua coerência. 1-1) FALSA. O autor é explícito ao afirmar que o século XX não viveu a mesma quantidade e a mesma velocidade na mudança de costumes e na descoberta de novas tecnologias. 2-2) VERDADEIRA. Segundo o texto, a invenção do telefone celular representou o ponto alto da mistificação da pressa vivenciada neste século. 3-3) VERDADEIRA. O texto conduz à conclusão de que o tempo da urgência tira-nos o tempo de perceber as dimensões do cotidiano. 4-4) VERDADEIRA. Realmente, falar em ‘passarinhos, árvores, canções e poesia’ tem a função de marcar a ‘oposição entre o mundo dos vagares e o mundo da pressa’. 0-0) VERDADEIRA. O termo ‘também’ indica uma relação de equivalência entre informações distintas. 1-1) VERDADEIRA. Em: “Esta é a hora dos excitados”, é preciso identificar um contexto (textual ou situacional) para a compreensão da informação. 2-2) VERDADEIRA. Em: “Chegar antes dele, fazer uma hora em menos de uma hora, eis o ideal”, haveria, de fato, incoerência se não fosse o percurso das ideias expressas no texto. 3-3) VERDADEIRA. Realmente, pode-se ver nesse trecho uma alusão ao celular – que havia sido referido anteriormente. 4-4) VERDADEIRA. O texto aborda o tema do tempo, da pressa, do passageiro, o que cria um espaço de contiguidade para se falar no ‘território do efêmero’. 10. Nos enunciados seguintes, podemos identificar estruturas sintáticas coordenadamente paralelas, que funcionam como um dos recursos da coesão do texto. 0-0) “As flâmulas chegaram, fizeram grande sucesso e foram embora”. 1-1) “o guarda-chuva, em sua silenciosa dignidade, não toca, nem fala nem é histérico”. 2-2) “Comunicados realmente urgentes não são um acontecimento cotidiano”. 3-3) “Era um homem de vagares. Gostava de passarinhos, árvores, canções e poesia”. 4-4) “Nesse processo, uma das criações mais características do século foi a indústria da urgência”. 9. Cada segmento de um texto deve ser entendido na relação com o seu todo. Considerando esse princípio, analise os comentários seguintes. 0-0) Em: “Pode-se alegar que, em outros séculos, também houve costumes e tecnologias de vida breve”, o termo sublinhado indica uma relação de equivalência entre informações distintas. 1-1) Em: “Esta é a hora dos excitados”, a identificação de um contexto é essencial à compreensão desse trecho. 2-2) Em: “Chegar antes dele, fazer uma hora em menos de uma hora, eis o ideal”, haveria incoerência se não fossem as ideias em curso no texto. 3-3) Em: “o guarda-chuva, em sua silenciosa dignidade, não toca, nem fala nem é histérico”, está subjacente uma alusão ao celular, previamente referido. 4-4) A alusão à música popular como ‘território do efêmero’ encontra ressonância nas ideias sobre o ‘tempo’ que perpassam o texto. GABARITO: VVVVV JUSTIFICATIVAS: GABARITO: VVFVF JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. Em: “As flâmulas chegaram, fizeram grande sucesso e foram embora”, é possível identificar construções sintáticas que estão coordenadamente paralelas. 1-1) VERDADEIRA. No trecho: “o guarda-chuva, em sua silenciosa dignidade, não toca, nem fala nem é histérico”, também se pode ver estruturas coordenada em paralelismo. 2-2) FALSA. Não consta neste segmento estruturas paralelas em coordenação. 3-3) VERDADEIRA. “Era um homem de vagares. Gostava (1) de passarinhos, árvores, canções e poesia (2)”. Os termos sublinhados em (1) e em (2) estão em paralelismo sintático. 4-4) FALSA. Não consta neste segmento estruturas paralelas em coordenação. 11. Um efeito de ênfase é visivelmente percebido em alguns trechos do texto, como se pode ver a seguir. 0-0) “As coisas chegam e impressionante rapidez”. vão embora com TIPO C
  • 6. 6 1-1) “Algumas invenções pareciam destinadas irremediavelmente à obsolescência quando experimentaram um espetacular retorno”. 2-2) “É preciso correr atrás do tempo. Ou correr na frente, ainda melhor. Chegar antes dele, fazer uma hora em menos de uma hora, eis o ideal”. 3-3) “De repente um monte de gente percebeu que tem pressa, não pode esperar, que é urgente chamar, é urgente ser chamado, é urgente, é urgente, é tudo tão urgente...” 4-4) “Comunicados realmente urgentes não são um acontecimento cotidiano”. GABARITO: FFVVF JUSTIFICATIVAS: 0-0) FALSA. Não há nenhum ‘efeito de ênfase’ no trecho citado. 1-1) FALSA. Igualmente, a afirmação é feita simplesmente. 2-2) VERDADEIRA. É visível pela recorrência dos termos a pretensão de ênfase desse trecho. 3-3) VERDADEIRA. A própria formulação sintática do enunciado é enfática. 4-4) FALSA. Não há recursos com efeitos de ênfase no trecho citado. 12. Em relação aos nexos semânticos entre diferentes segmentos do texto, analise a consistência das indicações abaixo. 0-0) “As coisas chegam e vão embora com impressionante rapidez.” (O segmento em destaque exprime uma relação de causalidade). 1-1) “É preciso correr atrás do tempo. Ou correr na frente, ainda melhor”. (O conectivo sublinhado sinaliza um sentido de alternância). 2-2) “Se as coisas não andam depressa, ficam aborrecidas.” (A informação introduzida pelo conectivo expressa uma condição da informação principal). 3-3) “os celulares se multiplicam como saúvas, brotam como capim.” (A relação pretendida é de comparação). 4-4) “E porque tinha uma outra percepção do tempo conseguiu, mesmo num território do efêmero como o da música popular, deixar uma obra que o ultrapassa, em duração”. (O segmento sublinhado expressa um sentido de concessão). 0-0) FALSA. O segmento sublinhado em: “As coisas chegam e vão embora com impressionante rapidez.” não estabelece uma relação de causalidade e, sim, de modo: ‘vão embora muito rapidamente’. 1-1) VERDADEIRA. Em: “É preciso correr atrás do tempo. Ou correr na frente, ainda melhor”, o sentido expresso pelo conectivo em questão sinaliza um sentido de alternância. 2-2) VERDADEIRA. De fato, a informação introduzida pelo conectivo ‘se’ expressa uma condição da informação principal. 3-3) VERDADEIRA. Neste caso, a relação semântica pretendida com o uso do conectivo como é de comparação. 4-4) VERDADEIRA. “O trecho intercalado – mesmo num território do efêmero – tem um sentido de concessão. 13. Nos textos, por vezes, há segmentos que não podem ser compreendidos inteiramente a não ser que se volte a partes anteriores do texto, como se pode ver nos trechos seguintes. 0-0) É preciso correr atrás do tempo. 1-1) O bambolê teve a mesma sorte. 2-2) Outras pareciam destinadas a um espetacular retorno quando experimentaram o fracasso. 3-3) Comunicados realmente urgentes não são um acontecimento cotidiano. 4-4) Centenas deles, milhares, entram em circulação a cada dia. GABARITO: FVVFV JUSTIFICATIVAS: 0-0) FALSA. Não consta neste fragmento uma palavra cujo entendimento esteja preso a uma referência anterior. 1-1) VERDADEIRA. No fragmento: “O bambolê teve a mesma sorte”, é evidente que sua compreensão supõe que se volte ao texto para saber de que ‘sorte’ se trata. 2-2) VERDADEIRA. Outras? Que outras? É necessário voltar ao texto para identificar a referência feita pelo pronome. 3-3) FALSA. Outra vez, a compreensão do enunciado não depende de uma volta ao texto. 4-4) VERDADEIRA. Já em: “Centenas deles, milhares, entram em circulação a cada dia”, é necessário voltar ao texto para identificar a referência feita pelo pronome. GABARITO: FVVVV JUSTIFICATIVAS: TIPO C
  • 7. 7 TEXTO 3 Como sobreviver a tantas inovações A maior inovação, hoje, seria inventar uma maneira de esticar o tempo... Não se trata de rejuvenescimento ou expectativa de vida – nem distinção entre trabalho e ócio. A inovação seria um aplicativo para esticar as horas, os minutos, os segundos. Para situar nossos desejos e compromissos dentro das medidas de tempo. Quando percebo o grau de ansiedade, frustração e superficialidade que invade hoje os relacionamentos interpessoais, em qualquer idade e profissão, torço para que estejamos vivendo uma transição para algo melhor. É preciso, por exemplo, encontrar... – tempo para escutar: escutar o pai, a mãe, o colega de trabalho, o chefe, o amigo, o vizinho, o paciente, o desconhecido. Ninguém escuta mais ninguém. Tem gente que ainda acha que pode escutar alguém fazendo outra coisa simultaneamente. Não pode. No fim, há uma algazarra de palavras jogadas fora, que batem na parede e voltam; – tempo para ler: nem me refiro a romances e livros. As pessoas não leem sequer um e-mail inteiro; – tempo para pensar: em vez de pensar duas vezes antes de agir, as pessoas agem duas vezes antes de pensar. Essa agilidade exacerbada pode até dar certo em alguns casos, mas pode custar caro em outras. A falta de tempo para refletir leva a decisões e conclusões precipitadas, que não costumam ser as mais sensatas; – tempo para encontrar amigos (e não seguidores): as redes sociais ameaçam tornar a amizade uma ilusão. Os rituais da amizade se perderam na exposição obsessiva e narcisista de detalhes da vida pessoal; – tempo para férias verdadeiras – a extrema competitividade faz com que muitos não tirem férias e continuem ligados ao trabalho; – tempo para respirar: não é por acaso que os cursos de respiração fazem hoje tanto sucesso. Desaprendemos a respirar e, por isso, tanta gente vive com excessiva sofreguidão e insônia. – tempo para cuidar da saúde: não faz sentido as pessoas não terem tempo para fazer exames ou se tratar. Ou sentir culpa por dedicar tempo a sua saúde. Isso se chama autodestruição. Com tudo isso, poderíamos viver com um mínimo de cordialidade, leveza e calma. Qualidades que parecem ter sofrido curto-circuito num mundo interconectado demais. (Ruth de Aquino. Revista Época, 23/09/2013. Adaptado). 14. A ligação do Texto 3 com o contexto sociocultural em que se insere aparece expressa no curso do texto, sobretudo, quando se fala: 0-0) em uma possível invenção para esticar o tempo. 1-1) que os cursos de respiração fazem hoje muito sucesso. 2-2) em comportamentos de autodestruição. 3-3) em tomadas de decisões precipitadas. 4-4) em um mundo interconectado demais. GABARITO: VFVVV JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. O texto fala expressamente no ideal das pessoas que seria poder ‘esticar o tempo’. 1-1) FALSA. A referência a ‘cursos de respiração’ não vem a propósito do tema tratado. 2-2) VERDADEIRA. O texto faz alusão a comportamentos em pauta atualmente que condizem com pretextos de autodestruição. 3-3) VERDADEIRA. Igualmente, em relação a procedimentos de autodestruição. 4-4) VERDADEIRA. O texto fala explicitamente ‘em um mundo interconectado demais’. 15. Destacando, no Texto 3, alguns pontos mais especificamente léxico-gramaticais, podemos afirmar que: 0-0) em: “Qualidades que parecem ter sofrido curtocircuito”, também seria correto dizer ‘parece terem sofrido’. 1-1) no enunciado: “As redes sociais ameaçam tornar a amizade uma ilusão”, a ordem de colocação das palavras é direta. 2-2) no trecho: “Tem gente que ainda acha...”, o uso do verbo ‘ter’, em lugar de ‘haver’, corresponde a uma regularidade do português brasileiro. 3-3) em: “escutar o pai, a mãe, o colega de trabalho, o chefe, o amigo, o vizinho, o paciente, o desconhecido”, apesar da enumeração de itens coordenados, as vírgulas são opcionais. 4-4) no trecho: “Em vez de pensar duas vezes antes de agir”, o fragmento sublinhado deve ser entendido ‘ao pé da letra’. GABARITO: VVVFF JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. A outra opção dada também seria correta. 1-1) VERDADEIRA. A ordem de colocação das palavras no enunciado é direta, conforme o padrão Sujeito - Verbo Complemento. 2-2) VERDADEIRA. De fato, em “Tem gente que...”, uso do verbo ‘ter’, em lugar de ‘haver’, constitui uma regularidade do português brasileiro. 3-3) FALSA. Nesse caso, as vírgulas não são opcionais. Trata-se de uma enumeração. 4-4) FALSA. O segmento em questão deve ser entendido não ao ‘pé da letra’, mas figuradamente. TIPO C
  • 8. 8 16. Relacionando os Textos 2 e 3, podemos perceber que: 0-0) há entre os dois uma aproximação quanto ao núcleo temático desenvolvido. 1-1) ambos os textos assumem um certo teor de crítica em relação à questão tratada. 2-2) apenas o Texto 3 prima por uma seleção vocabular mais próxima do erudito. 3-3) as afirmações feitas no Texto 3 são contundentes e taxativas (por exemplo: “as pessoas não leem...”). 4-4) diferentemente do Texto 2, o Texto 3 apresenta uma organização esquemática bem discriminada. GABARITO: VVFVV JUSTIFICATIVAS: 0-0) VERDADEIRA. É clara a aproximação dos dois textos quanto ao núcleo temático desenvolvido: o tempo, a premência do tempo, o efêmero. 1-1) VERDADEIRA. Em ambos os textos é perceptível um certo teor de crítica em relação à questão do tempo e da pressa em vivê-lo. 2-2) FALSA. O Texto 3 não prima por uma seleção vocabular mais próxima do erudito. 3-3) VERDADEIRA. De fato, pode-se perceber que, no Texto 3, as afirmações são contundentes e taxativas, sem ressalvas (por exemplo: “as pessoas não leem”. 4-4) VERDADEIRA. É verdade: o Texto 3 apresenta uma organização esquemática bem definida e discriminada. TIPO C

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