Porque (não) ler best sellers na escola AQUINO, Cássia Regina Mot...
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que aprende-se com mais facilidade o que se gosta. O desafio é, portanto,fazer com que o aluno goste das obras clássicas e...
Ele diz ainda que : Sempre houve, na história da literatura ocidental, livros que são ...
A leitura de best sellers infanto juvenis na escola, deve ter o intuito deaproximar o aluno da palavra escrita, através de...
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Esse distanciamento impossibilita a literatura de exercer sua funçãosocial. Silva e Silveira ilustram essa ideia ao dizer ...
Eliane toca, finalmente, no ponto mais importante dessa discussão: nãoé com relação a leitura ou a existência de best sell...
É necessário explicar ao jovem que best sellers são, de fato, mais fáceisde ler. Mas é muito importante que não enxerguem ...
formação de leitores. Trabalho apresentado no VI Encontro de Pesquisa emEducação, Alagoas, Brasil, Setembro, 2011.BLOOM, ...
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Porque (não) ler best sellers na escola

Meu trabalho de conclusão de curso, Porque (não) ler best sellers na escola. Sou formada em Letras (Português/Inglês) pela UNIVAG - MT.
Published on: Mar 4, 2016
Published in: Education      
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Porque (não) ler best sellers na escola

  • 1. Porque (não) ler best sellers na escola AQUINO, Cássia Regina Motta de1 COENGA, Rosemar Eurico2 “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. (Mário Quintana)ResumoO presente artigo discorre sobre a leitura de best sellers na escola, refletindosobre a realidade atual dos jovens leitores e analisando a posição dosprofessores em relação à essa prática cada vez mais disseminada entrecrianças e adolescentes. São apresentados argumentos que defendem econdenam o intenso envolvimento dos jovens com a chamada literatura demassa, e a partir disso, tenta-se apreender motivos para incentivar o contatoentre alunos e best sellers na escola. A atuação mediadora do professor seriafundamental para tornar essas leituras mais ricas e proveitosas, que devemfuncionar, de preferência, como ponte para despertar o interesse dos alunospor obras clássicas nacionais e estrangeiras.PALAVRAS-CHAVE: Leitura, escola, best sellers, literatura infanto-juvenil,literatura de massa, valor estético, professor mediador.1. O JOVEM E A LEITURA Durante a vida escolar, na maioria dos casos, a leitura não é guiada peloprazer. Pensando no vestibular, as aulas de literatura são voltadas para osgrandes clássicos e autores consagrados. Por um lado, isso não deve sermudado nem criticado, pois ingressar em uma boa universidade é uma metalouvável e faz parte dos planos da grande maioria dos alunos. Por outro lado,estes raramente se identificam com as obras estudadas e, por isso, a leituraobrigatória pode se tornar uma atividade mecânica, chata e desprovida desentido. Sabe-se que nem sempre uma identificação profunda com a obra épossível, nem mesmo para leitores mais maduros, pois isso depende da leiturade mundo de cada um e até mesmo da personalidade. Mas quanto maior abagagem cultural do leitor, maiores serão as chances de identificação. As1 Graduanda em Letras (Português/Inglês) pelo Centro Universitário de Várzea Grande em Mato Grosso.2 Professor orientador, Doutor em Teoria Literária pela Universidade de Brasília. 1
  • 2. estórias narradas em obras clássicas frequentemente acontecem em épocasdiferentes, as personagens pensam e agem de acordo com suas determinadasépocas e isso pode estabelecer uma distância impercorrível entre umaverdadeira apreciação da obra e um leitor menos experiente. Mas existem maneiras de encurtar essa distância. Pode-seconsiderar que os aspectos mais próximos da realidade de qualquer leitorpresentes nas obras são os temas universais. Não importa onde nem quandoos fatos ocorrem dentro de estória, se as personagens se apaixonam, seodeiam, se admiram, se invejam, sentem coragem ou medo, estes sentimentossão atemporais e facilmente compreendidos por leitores de qualquer idade e dequalquer lugar do mundo. Estes aspectos, entretanto, podem estar escondidos atrás de umalinguagem mais culta e rebuscada, que não faz parte do dia-a-dia do jovemleitor. Enfatizar e discutir os temas universais em sala pode ser uma boaestratégia para encurtar distâncias, ajudando o aluno a se identificar com aobra.2. A IMPORTÂNCIA DA IDENTIFICAÇÃO Para que um leitor sinta prazer, é necessário que ele se identifique dealguma forma com a leitura. Sem essa identificação, a assimilação de qualquerconteúdo estudado fica prejudicada. É o que defende o teórico Henri Wallon eseus seguidores, como, por exemplo, Heloysa Dantas, da Faculdade deEducação da Universidade de São Paulo (USP), estudiosa da obra de Wallonhá 20 anos. "A emoção é altamente orgânica, altera a respiração, os batimentoscardíacos e até o tônus muscular, tem momentos de tensão e distensão queajudam o ser humano a se conhecer", (2008, p. 2) explica Heloysa. Sendoassim, uma boa maneira de despertar o interesse do aluno para uma leitura,seria explicitar as emoções vividas pelas personagens na estória, quegeralmente se encaixam nos temas universais já citados anteriormente. Os estudos de Henri Wallon, nos mostram que só armazenamosinformações que nos despertam emoções. Em outras palavras, podemos dizer 2
  • 3. que aprende-se com mais facilidade o que se gosta. O desafio é, portanto,fazer com que o aluno goste das obras clássicas estudadas na escola, fazercom que ele se identifique com as situações vividas pelas personagens, apesarde existirem em épocas pouco ou muito distintas da sua. A identificação com os best sellers infanto-juvenis de hoje é instantâneaporque o público alvo deles é justamente o leitor jovem. As personagens desteslivros em sua maioria ainda estão na escola, se apaixonando pela primeira vez,tentando descobrir quem são e do que gostam. Qual jovem não se identificariacom isso? Eles gostam de ler sobre as mesmas alegrias e dificuldades queenxergam em seu dia-a-dia, pois estão em uma fase de auto-afirmação. Mas não é impossível relacionar situações presentes na literatura demassa com situações narradas nos clássicos. Até o mercado editorial percebeuque isso pode dar certo. Prova disso é a reedição do clássico inglês O Morrodos Ventos Uivantes, de Emily Brönte, após a obra ter sido mencionada pelospersonagens principais da série Crepúsculo. A intensa e trágica estória deamor de Brönte foi lida e apreciada pelos mesmo leitores da saga infanto-juvenil, que enxergaram semelhanças e conseguiram se identificar com umaobra muito diferente da realidade atual e dos best sellers que tanto gostam. Como coloca Daiane da Silva Lourenço (2010, p. 3), para os alunos,best sellers podem ser um “ponto de partida para discussões que os levarão ase interessar por leituras que exijam mais deles e, por conseguinte, contribuamde maneira mais significativa para sua formação como ser humano.” Um outro tipo de identificação, tão importante quanto a do aluno com oslivros, também será abordada no próximo tópico.3. BEST SELLERS: LER OU NÃO LER, EIS A QUESTÃO Best sellers são muito criticados no mundo todo. O crítico literário maisconhecido, e também o mais ferrenho, é o americano Harold Bloom (2003).Para ele, Harry Potter, por exemplo, não passa de uma “bruxaria baratareduzida a aventura. É prejudicial ao leitor. Não tem densidade. A escrita éhorrível.” Bloom acha que o fênomeno Harry Potter é efêmero e os livrosacabarão em poeira. 3
  • 4. Ele diz ainda que : Sempre houve, na história da literatura ocidental, livros que são muito populares, entre adultos e crianças, mas 30 ou 40 anos depois ninguém se lembra quais são... Viram pó. Eu não estarei por aqui em 30 anos para ver, mas Harry Potter já terá desaparecido. Mas Shakespeare e Lewis Carroll ainda estarão por aqui. (BLOOM, 2003, p. 1) Harold Bloom pode até parecer pretensioso em suas críticas, mas suaperspectiva é válida e sua intenção a melhor. Porém, se olharmos para ascrianças e adolescentes de hoje, salvo exceções, que nasceram e foramcriados na era digital, elas não se encaixam nos padrões de Bloom e seusseguidores, e portanto, dificilmente corresponderão às suas expectativas semque professores atuem como mediadores da leitura na escola. Paz entende que “O fast-book é um produto do nosso tempo. Assimcomo seu similar alimentício, devorar de vez em quando uma produção ‘prontapara ser consumida’ não faz mal à saúde.” (2004, p. 2) Diz ainda que “esse tipode narrativa tende a constituir-se em campeão de vendas porque se configurauma poderosa estimuladora de leitura, isto é, tem o poder de mobilizar o olhare estimular a imaginação do leitor consumidor.” (2004, p. 2) Sendo assim, aleitura de best sellers pode funcionar como uma ferramenta eficaz para que osalunos criem o hábito de ler. Porque “o simples ato de dedicar-se à leitura é,em si só, uma etapa a ser vencida, em um contexto cultural onde atividadesmais sedutoras ao olhar se impõem brutalmente sobre nós.” (PAZ, 2004, p. 1) Na sociedade atual, inúmeras atividades infanto-juvenis são maissedutoras que a leitura. Esse é um outro aspecto importante a ser considerado,o poder de concentração dos jovens hoje. Acostumados a uma linguagemmuita sucinta e rápida de controles remotos, computadores, celulares, etc,parar para ler um romance de centenas de páginas, por mais interessante queele seja, já é um grande desafio. Augusto Cury discute em seu livro PaisBrilhantes, Professores Fascinantes a Síndrome do Pensamento Acelerado –SPA. Qual a porcentagem de crianças ou adolescentes que não desenvolve aSPA hoje? É a mesma porcentagem de crianças ou adolescentes que não temmuito contato com televisão e diversos outros dispositivos eletrônicos quedesestimulam o raciocínio crítico e prejudicam o poder de concentração, ouseja, uma minoria. 4
  • 5. A leitura de best sellers infanto juvenis na escola, deve ter o intuito deaproximar o aluno da palavra escrita, através de estórias pelas quais ele seinteressa mais facilmente. A literatura de massa com elemento fantástico, emespecial, é devorada por muitos leitores jovens, e pode ser uma ferramenta nacriação do hábito da leitura, atividade que por si só melhora a leitura de mundoe aumenta a bagagem cultural de qualquer pessoa. Seguindo este raciocínio, quanto mais o aluno lê, mais ele está aptopara assimilar e apreciar suas leituras. O professor deve, portanto, incentivar evalorizar essa prática, mostrando aos alunos que os livros que eles gostam nãomerecem ser desprezados. Ao fazê-lo, cria-se uma identificação não só com aobra, mas também com o docente, que pode ser considerado um dos maioresresponsáveis pelo bom relacionamento entre o aluno e a leitura na escola,quando atua como um mediador. É na identificação entre aluno e professor que nos concentraremosagora. Os jovens adoram ler Harry Potter, Crepúsculo, Gossip Girl, PercyJackson e outros livros do gênero. Eles realmente se identificam com essasobras. Quando chegam à escola e ouvem seus professores dizendo o quantoestes livros são ruins, pobres, mal escritos, etc, se sentem inferiorizados e issodistancia o aluno do professor. É compreensível. Quando alguém menosprezaseus gostos, indiretamente te menospreza também, e ninguém gosta de sermenosprezado, principalmente pessoas que ainda se sentem inseguras comrelação à própria personalidade, como a maioria dos jovens em idade escolar. O professor deve se sensibilizar com isso. E pode até aprender aapreciar uma leitura mais leve e despretensiosa com seus alunos. Mencionarpersonagens e passagens de seus livros preferidos nas aulas de literatura ouaté mesmo em avaliações, sem menosprezo, deixará os alunos mais à vontadee criará um ambiente mais favorável para a aprendizagem. Juliana Loyola (2011), do curso de Letras e da pós-graduação emLiteratura e Crítica Literária da PUC-SP , acredita que “Se o professor entenderpor que determinado livro é um fenômeno entre os alunos, talvez ele possa, apartir disso, mediar outras leituras que despertem a mesma natureza deinteresse.” Para ela, best sellers “dialogam com o jovem, ou porque mimetizama velocidade da TV e da tela de cinema, ou porque abordam temas do universo 5
  • 6. dele. O problema é quando o leitor só tem contato com esse tipo de livro".(LOYOLA, 2011) O próximo tópico aborda com mais profundidade esse problema.4. VALOR ESTÉTICO DA LEITURA LITERÁRIA Eliane H. Paz (2004, p. 14) lembra que “para um texto ser consideradoliterário, ele deveria principalmente ser original e requerer esforço da parte dequem o lê.” O aluno precisa entender que, neste caso, esforço não deve sersinônimo de sofrimento, mas de um processo natural no qual pular etapasapenas prejudicaria o resultado. Como coloca Vera Bastazin, professora e doutora em Literatura e CríticaLiterária no curso de pós-graduação da PUC de São Paulo: Vivenciar a leitura do literário não é função que se cumpre da noite para o dia; ao contrário, é parceria que se realiza em processo, cultivando o gosto pela busca de alternativas no ato de construir a percepção e o próprio conhecimento como objetos sempre inconclusos. Conhecer significa interferir na realidade, crescer e transformar-se com ela. (2010, p. 1) Rejane Pivetta de Oliveira e Tatiana Matzenbacher (2007), apontamainda que a “experiência estética leva o leitor ao desprendimento daslimitações da vida cotidiana, à renovação de sua percepção e,conseqüentemente, a uma transformação social.” Antonieta Mírian de Oliveira Carneiro Silva e Maria Inez Matoso Silveira(2011, p. 4), complementam bem este raciocínio ao lembrar que “no exercícioda literatura, podemos ser outros, podemos viver como os outros, podemosromper os limites do tempo e do espaço de nossa experiência e, ainda sim,sermos nós mesmos.” Diante do que foi exposto, fica claro como o foco exclusivo na literaturatrivial não é capaz de desenvolver todo o potencial intelectual dos jovens. Aindaem Silva e Silveira, vemos que: A ausência da leitura literária, enquanto objeto de ensino com propósito de fomentar o exercício de reflexão e de formação de consciência crítica, tem deixado lacunas e seqüelas na formação do leitor; este cada vez mais, lê menos; compreende menos e mais se distancia da leitura literária. (2011, p. 9) 6
  • 7. Esse distanciamento impossibilita a literatura de exercer sua funçãosocial. Silva e Silveira ilustram essa ideia ao dizer que A leitura literária, numa proposta de letramento, tem a função de ajudar ao aluno , e também ao professor, a ler melhor a si mesmo, aos outros a ao mundo através das conexões texto- leitor (relações com as experiências de vida do aluno/leitor), texto-texto (intertextualidade - relações com outros textos) e texto-mundo (relações estabelecidas entre o texto lido e os acontecimentos globais). (2011, p. 9)5. VALOR DE MERCADO X VALOR LITERÁRIO Vimos que professor e aluno podem estar inseridos em um mesmoprocesso dentro do ambiente escolar e, sendo assim, uma convivênciaharmoniosa entre eles se faz necessária para uma aprendizagem maissignificativa. Abordaremos agora, valores de mercado e valores literários, outroponto polêmico que permeia a questão dos hábitos de leitura de crianças eadolescentes. Eliane H. Paz nos diz que: A literatura trivial passou a ser caracterizada por sua repetitividade e condescendência para com o leitor. Produto de uma indústria que fabrica objetos em série e, por esse motivo, despojada de valor artístico, tudo o que essa narrativa teria para oferecer ao seu público é mais do mesmo, e a encorajar somente uma visão passiva, superficial e acrítica do mundo. (2004, p. 8) Ao contrário da literatura clássica, como já foi dito. Eliane (2004, p. 2)acrescenta ainda que “o ‘valor de mercado’ e o ‘valor literário’ são categoriasdiferentes. E respeitar essa diferença é primordial para que possamosdesenvolver nosso senso crítico.” Diante de tudo que foi exposto ao longo deste trabalho, é possívelafirmar que a a promoção da identificação entre professor e aluno nas aulas deliteratura dará um resultado mais positivo do que menosprezar as preferênciasdos alunos, até porque, como aponta Eliane H. Paz: Nos vemos em meio a uma discussão em torno do valor de mercado versus o valor literário que em nada contribui para a questão fundamental: a de que não é a existência da literatura trivial que gera pessoas sem senso crítico, mas sim uma má formação educacional, familiar e cidadã. (2004, p. 5) 7
  • 8. Eliane toca, finalmente, no ponto mais importante dessa discussão: nãoé com relação a leitura ou a existência de best sellers que precisamos nosrevoltar. Mas sim, com a educação de baixa qualidade à qual a maioria dapopulação tem acesso no Brasil. Uma educação que de tão frágil, precisaapelar até para best sellers da literatura estrangeira na tentativa de envolver osalunos e garantir níveis de aprendizado mais satisfatórios. Mas que assim seja,se preciso for, pois a educação é o melhor caminho, se não for o único, para aconstrução de uma sociedade mais capaz de melhorar sua própria realidade.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para concluir, proponho uma analogia. É do conhecimento de todos quequalquer relacionamento começa pela fase da conquista. Em outras palavras,quando duas pessoas estão se conhecendo, escolhem demonstrar seus traçosmais amigáveis e atraentes. Se for preciso, porque o relacionamento dosjovens com a leitura não pode começar assim também? Todo começo deve serfácil, leve, guiado por paixão e inocência. Um relacionamento nunca começa focado nas dificuldades. Pelocontrário, começa focado nos prazeres mais simples. Somente quando laçosfirmes são estabelecidos, é que as pessoas se sentem mais seguras paraexpôr traços mais complexos, já que estes são vistos como obstáculos a seremsuperados. A relação do jovem com os livros pode seguir este mesmo raciocínio.Best sellers seriam apenas um primeiro passo na caminhada da criação dohábito da leitura. Eles se apresentam como uma poderosa ferramenta queinserida dentro de uma estratégia educacional, atrai o jovem para que oprofessor possa guiá-lo a leituras mais profundas e significativas no campo daestética literária. Como coloca Eliane H. Paz: Investir e incentivar a literatura de entretenimento como uma primeira etapa que prepare o leitor médio para textos mais significativos é uma alternativa interessante e mais produtiva do que fazer da leitura um dever, uma obrigação que só acaba por afastá-lo e privá-lo do prazer de fruir suas próprias descobertas literárias. (2004, p. 2) 8
  • 9. É necessário explicar ao jovem que best sellers são, de fato, mais fáceisde ler. Mas é muito importante que não enxerguem uma leitura mais densa,mais elaborada, como “chata.” Pois isso os privaria dos prazeres que só osclássicos podem proporcionar. E é natural que não percebam isso de imediato,pois o que se busca na leitura de um clássico é justamento o oposto doimediato, isso deve ficar claro. O jovem precisa se conscientizar de que sua capacidade de apreciarnarrativas mais lentas vem sendo prejudicada pelo estilo de vida atual.Preservar e desenvolver essa capacidade deve meta não só do professor, masdeles mesmos. Pois cada vez mais a sociedade se ocupa com atividades quenão exigem o menor senso crítico das pessoas. A literatura clássica teria, portanto, o papel e o poder de interromperesse ciclo que empobrece o intelecto dos jovens. A boa notícia é que ela estáao alcance de todos, seja através da internet, de bibliotecas públicas oumesmo de livrarias, onde encontramos edições de obras clássicas a preçosbastante acessíveis. E os jovens a buscarão se o caminho lhes for mostrado,pois são capazes de entender sua importância, e como consequência,apreciarão essas obras genuinamente.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBASTAZIN, Vera. Leitura literária: a escola e a isenção do prazer e daobrigação. Revista Pré-Univesp, edição 4 – Leitura. 2010.OLIVEIRA, Rejane Pivetta de; MATZENBACHER, Tatiana. A experiênciaestética da leitura. Revista Entrelinhas, ano IV, n. 2, jul/dez 2007.PAZ, Eliane H.. Massa de Qualidade. Trabalho apresentado no I SeminárioBrasileiro sobre Livro e História Editorial, Rio de Janeiro, Brasil, novembro,2004.SILVA, Antonieta Mírian de Oliveira Carneiro; SILVEIRA, Maria Inez Matoso.Leitura para fruição e letramento literário: desafios e possibilidades na 9
  • 10. formação de leitores. Trabalho apresentado no VI Encontro de Pesquisa emEducação, Alagoas, Brasil, Setembro, 2011.BLOOM, Harold. Revista Época, entrevista. 2003. Disponível em<http://www.revista.agulha.nom.br/hbloom.html#infantil>, acesso em20/11/2011.BLOOM, Harold. Folha.com, entrevista. 2003. Disponível em<http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u30244.shtml>, acesso em18/11/2011.Revista Educar Para Crescer. Literatura. 2011. Três dicas para incentivarjovens a lerem os clássicos. Disponível em<http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/incentivar-jovens-leitura-484060.shtml>, acesso em 20/11/2011.Revista Nova Escola, Especial Grandes Pensadores. 2008. Henri Wallon, oeducador integral. Disponível em<http://revistaescola.abril.com.br/historia/pratica-pedagogica/educador-integral-423298.shtml?page=1>, acesso em 15/11/2011. 10