Sumário
Capa
Sumário
Folha de Rosto
Créditos
Agradecimentos
CAPÍTULO um
CAPÍTULO dois
CAPÍTULO três
CAPÍTULO quatro
CAPÍTU...
CAPÍTULO quinze
CAPÍTULO dezesseis
CAPÍTULO dezessete
CAPÍTULO dezoito
CAPÍTULO dezenove
CAPÍTULO vinte
CAPÍTULO vinte e u...
Bella Andre
Não posso me
Apaixonar
Às vezes, resistir é impossível...
Tradução
Ana Paula Doherty
Publicado sob acordo com a autora, c/o BAROR INTERNATIONAL, INC.,
Armonk, New York, USA
Copyright © 2012 Bella Andre
Copyr...
Rua Dr. Hugo Fortes, 1.885 — Parque Industrial Lagoinha
14095-260 — Ribeirão Preto — SP
www.editoranovoconceito.com.br
Agradecimentos
Meus agradecimentos a Rachael Herron e Mike “Pic” Picard, capitão de Turno do
Batalhão B do Distrito de Pro...
CAPÍTULO um
Gabe Sullivan ajudava um casal de idosos a descer as escadas de um antigo
prédio de São Francisco até a calçad...
Gabe não era o tipo de bombeiro que acreditava em superstições; não tinha
uma rotina regular, mas acreditava em seu instin...
porta, que obviamente estava trancada.
Gabe tirou a machadinha do extintor de incêndio.
— Se alguém estiver perto da porta...
tentando afastar as chamas. Podia sentir o calor de quase 400 graus atingindo
seu macacão enquanto adentrava cada vez mais...
Mesmo assim, ficou olhando para ela mais do que deveria. O amor que sentia
pela filha era tão evidente na expressão do ros...
mais ninguém de sua equipe ali, a não ser que não houvesse outra opção.
Com a visibilidade quase nula, ele gritou:
— Vamos...
Ele se posicionou atrás dela de novo, descendo os degraus para pegá-la caso
ela caísse. A garotinha estava se mexendo nos ...
gritando:
— Entregue-as para a gente. — E, momentos depois, Eric e Todd tiravam
mãe e filha de seus braços para levá-las a...
CAPÍTULO dois
Megan Harris acordou com a filha nos braços. Elas costumavam se enroscar uma
na outra, depois de um filme à ...
Summer se mexeu um pouco. — Tudo bem, mas quero que tirem esse tubo
do meu braço; coça muito. — Ela levantou o braço esque...
Como desejava que suas situações delicadas tivessem ficado para trás.
Bem, ela pensou enquanto tentava esconder as lágrima...
— Oba!
Ao dirigir-se para o banheiro onde iria tomar o melhor banho de sua vida,
Megan estava feliz em saber que, até onde...
não ajudaram muito o seu estado de espírito. Estava acostumada com muito
trabalho burocrático, mas aquilo tinha passado do...
comendo tudo, Megan não conseguiu dar mais do que duas mordidas naquela
porcariada cheia de gordura.
Sabendo o quanto sua ...
ela quase perdera a esperança.
Mais do que depressa, enxugou a evidência da emoção que ameaçava aflorar
novamente. Quando ...
Susan sentou-se no sofá desbotado do lobby perto delas. — Ele tinha acabado
de ajudar a mim e ao Larry a chegar até a calç...
— Tiveram de carregá-lo para fora em uma maca.
Megan sentiu-se exatamente da mesma maneira de quando estavam presas na
ban...
— É a Sra. Harris?
Por um momento, ficou surpresa pelo homem saber o nome dela.
— Sim, aqui é Megan Harris.
— Meu nome é T...
conseguia parar de se preocupar com o homem — Gabe — que havia colocado a
própria segurança em risco para garantir a segur...
CAPÍTULO três
Sair. Gabe Sullivan queria sair daquela maldita cama de hospital. Também
queria arrancar o soro do braço, e ...
enroscou as mãos na cintura de Nicole, grunhindo: — Arranje sua própria
namorada — e puxou-a de volta para ele.
Gabe enten...
quando esse falecera mais de vinte anos antes, estava claramente preocupado.
— Como aconteceu isso, Gabe? Você sempre foi ...
mole, Marcus. — Ele a olhou com uma cara feia, mas, quando ela ficou na
ponta dos pés e beijou-lhe, a cara feia sumiu.
Ant...
Pensava tempo demais em Megan e na filha dela para se confortar, não só por
estar repassando o resgate, tentando analisar ...
A última vez que vira o rosto dela fora através da névoa espessa de fumaça
escura e da consciência de que qualquer movimen...
absolutamente diferentes, sem uma criança nem o capitão no quarto... e com
muito menos roupa.
Como era de se esperar, ele ...
não alguém que ele tivesse resgatado de um incêndio —, ele não só estaria
tentando encontrar maneiras para ela ficar mais ...
— Tenho certeza de que o Sr. Sullivan precisa descansar, querida. — Ela
forçou os lábios em um sorriso falso, fazendo-o se...
CAPÍTULO quatro
Dois meses depois...
Megan enrolou-se em uma toalha de banho extragrande e saiu do banheiro para
se trocar...
conformar.
— OK — ela disse, devagar, enquanto apertava mais a toalha embaixo dos
braços e entrava descalça na cozinha. — ...
ele era bonito e em quanto seus músculos eram grandes.
Não que esses pensamentos servissem para alguma coisa. Mesmo que el...
parecia tanto com o pai, em tudo, inclusive do cabelo louro-claro, que às vezes
Megan sentia que ele ainda estava vivo.
— ...
as manhãs.
E então a filha saiu com ele e o coração de Megan praticamente parou de
bater. Os pés dela também pararam, deix...
Obrigado. — Ele ergueu a tampa e inspirou profundamente, claramente surpreso
pelo cheiro bom. — Parece que isso aqui está ...
Ela estava prestes a responder quando notou uma cicatriz meio apagada na
testa dele, que ia desde a sobrancelha esquerda a...
se compartilhassem um segredo que ela não conhecia.
Summer e o homem que tinha feito o coração dela explodir riam juntos d...
antes. Está trabalhando em alguma coisa no quartel?
Megan sentiu-se mal por não ter mantido contato.
— Minha filha quis vi...
legal! Eu adoro os bombeiros! Obrigada por finalmente me deixar vir aqui!
Megan pegou a mão da filha enquanto ela gesticul...
A irmã simplesmente sorriu para ele, claramente nem ligando para seu
cumprimento mal-humorado.
— Pensei em lhe trazer algo...
e verdadeiro. — Estou tão feliz por encontrar você, Sophie.
— Eu também. Não acredito que não sabia que você morava tão pe...
— Soph — Gabe interrompeu, com voz frustrada —, quantas vezes ela terá de
lhe dizer que está bem?
Ele claramente estava te...
— Seis! Mas Chase e Marcus não estão mais no páreo, e as namoradas deles
— bem, noiva, no caso de Chase — são fantásticas....
Na verdade, Megan não queria ter de passar mais tempo do que já tinha
passado ao lado de Gabe, mas o diabinho que rarament...
achava Megan a coisa mais linda sobre a qual ele já pusera os olhos.
— Eles vão engoli-la e depois cuspi-la.
Sophie cruzou...
Estava enganada.
CAPÍTULO cinco
Sábado à noite...
Megan nunca ficou tão feliz com um pneu furado em toda sua vida.
Ela e Summer fizeram as ...
Não funcionou. Não quando ela tinha passado o dia todo com os nervos à flor
da pele pensando em como ir à festa e ver Gabe...
novamente. — Gabe ainda não saiu e adoraria passar aí para pegá-las.
Megan apoiou a cabeça na parede e fechou os olhos. — ...
lado de Megan; receava que a atração entre eles pegasse fogo e queimasse os
dois.
Ele bateu à porta, e ela se abriu totalm...
pequena pirueta para exibir o vestido verde brilhante. — E toda vez que diz Sr.
Sullivan acho que está falando com o meu a...
caminhonete e entrar na casa de sua mãe, decorada com uma árvore de quase três
metros de altura e ao som de canções natali...
Smith não tinha conseguido cancelar a agenda de filmagens para voar até São
Francisco. Verdade seja dita, Gabe estava impr...
— Ela ainda está processando o que aconteceu. É perfeitamente normal.
— Acho que sim — ela disse ternamente. — Mas não esp...
significava que não poderia beber naquela noite.
— Pode ir entreter seus convidados, mãe. Eu providenciarei minha bebida.
...
CAPÍTULO seis
Por que Gabe estava olhando para ela daquele jeito?
Megan sentia-se um pouco zonza por conta do champanhe qu...
— Saia daqui, Zach.
Zach quem? Megan não conseguia tirar os olhos daquele bombeiro
maravilhoso.
— Onde está a Summer? — el...
preâmbulos, sem jogar conversa fora. — Sou treinado para lidar com situações
perigosas e até mesmo fatais. Quando os bombe...
Claramente, esta era a maneira de ele se livrar dela. E Megan sabia que
deveria ser inteligente para ir embora antes que q...
muito por tudo o que deve ter perdido.
E não ergueu os olhos dos pedaços de lenha com os quais fazia uma pirâmide
perfeita...
conhecidos que seus irmãos Ryan e Zach aplicavam, a fez querer dar mais dois
passos para perto e beijá-lo.
Como se ele pud...
Ignorando a voz dentro de sua cabeça, que dizia Eu também quero brincar na
casa da árvore, Megan passou a mão sobre o cabe...
caminho que Sophie havia feito ao lado do quintal até chegar a uma pequena
casinha. Abrindo-a devagar, ela olhou para dent...
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Nao posso me apaixonar andre, bella 3

Published on: Mar 3, 2016
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Transcripts - Nao posso me apaixonar andre, bella 3

  • 1. Sumário Capa Sumário Folha de Rosto Créditos Agradecimentos CAPÍTULO um CAPÍTULO dois CAPÍTULO três CAPÍTULO quatro CAPÍTULO cinco CAPÍTULO seis CAPÍTULO sete CAPÍTULO oito CAPÍTULO nove CAPÍTULO dez CAPÍTULO onze CAPÍTULO doze CAPÍTULO treze CAPÍTULO catorze
  • 2. CAPÍTULO quinze CAPÍTULO dezesseis CAPÍTULO dezessete CAPÍTULO dezoito CAPÍTULO dezenove CAPÍTULO vinte CAPÍTULO vinte e um CAPÍTULO vinte e dois CAPÍTULO vinte e três CAPÍTULO vinte e quatro CAPÍTULO vinte e cinco CAPÍTULO vinte e seis CAPÍTULO vinte e sete EPÍLOGO
  • 3. Bella Andre Não posso me Apaixonar Às vezes, resistir é impossível... Tradução Ana Paula Doherty
  • 4. Publicado sob acordo com a autora, c/o BAROR INTERNATIONAL, INC., Armonk, New York, USA Copyright © 2012 Bella Andre Copyright © 2013 Editora Novo Conceito Todos os direitos reservados, incluindo o direito de reprodução total ou parcial. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. Versão Digital — 2013 Edição: Edgar Costa Silva Produção Editorial: Lívia Fernandes, Tamires Cianci Preparação de Texto: Enymilia Guimarães Fujii Revisão de Texto: Lilian Aquino, Alline Salles Diagramação: Vanúcia Santos Diagramação ePUB: Brendon Wiermann Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Andre, Bella Não posso me apaixonar / Bella Andre; tradução Ana Paula Doherty. -- Ribeirão Preto, SP : Novo Conceito Editora, 2013. Título original: Can’t help falling in love ISBN 978-85-8163-226-1 eISBN 978-85-8163-233-9 1. Ficção norte-americana I. Título. 12-14194 CDD-813 Índices para catálogo sistemático: 1. Ficção : Literatura norte-americana 813
  • 5. Rua Dr. Hugo Fortes, 1.885 — Parque Industrial Lagoinha 14095-260 — Ribeirão Preto — SP www.editoranovoconceito.com.br
  • 6. Agradecimentos Meus agradecimentos a Rachael Herron e Mike “Pic” Picard, capitão de Turno do Batalhão B do Distrito de Proteção a Incêndios de San Ramon Valley, pela ajuda com as cenas de combate ao fogo.
  • 7. CAPÍTULO um Gabe Sullivan ajudava um casal de idosos a descer as escadas de um antigo prédio de São Francisco até a calçada, quando o ar foi tomado por uma explosão de chamas e fumaça vinda de uma janela do segundo andar. Depois de dez anos como bombeiro, Gabe sabia que nenhum incêndio podia ser considerado rotineiro. Nenhuma labareda queima sempre do mesmo jeito. E, às vezes, o pedido de socorro mais comum tornava-se o caso mais complicado, o mais perigoso. — Todo mundo para fora! — ordenou o capitão Todd à equipe. — O incêndio está piorando e vamos mudar para uma operação defensiva. Gabe ainda tinha a mão no cotovelo da senhora de cabelos grisalhos e ela virou-se para ele com um olhar horrorizado. — Megan e Summer ainda estão lá dentro. Ele sabia que a mulher estava quase em estado de choque, por isso, falou com ela com voz clara e firme. — Quem são Megan e Summer? — Minhas vizinhas, a mãe e a garotinha. Eu as vi entrando no apartamento delas há pouco tempo. — A mulher observou os outros moradores ao redor reunidos em volta dos caminhões de bombeiro enquanto viam seus pertences serem consumidos pelas chamas imensas, cada vez mais descontroladas. — Elas não estão aqui fora. — Ela agarrou o braço dele com força. — Você tem que entrar lá para salvá-las.
  • 8. Gabe não era o tipo de bombeiro que acreditava em superstições; não tinha uma rotina regular, mas acreditava em seu instinto. E seu instinto dizia que havia um problema. Um problemão. — Em qual apartamento elas estão? Ela apontou para as janelas do terceiro andar. — Número 31. Estão no andar mais alto, no apartamento do canto. — A mulher parecia prestes a cair no choro. Segundos depois, ele encontrou seu parceiro Eric e o capitão em meio a uma multidão de pessoas que tomavam conta da calçada e da rua. — Precisamos voltar. Uma mãe e sua filha ainda podem estar lá. No terceiro andar, apartamento do canto. Todd olhou de Gabe para o fogo queimando dentro do prédio. — Sejam rápidos, rapazes — ordenou, depois orientou o restante da equipe a direcionar os jatos das mangueiras para o apartamento, para tentar manter as chamas sob controle. Juntos, Eric e Gabe puxaram a mangueira para dentro do prédio. Ao colocarem as máscaras, seus fones de ouvido foram ativados. Subiram as escadas o mais rápido possível, através da espessa fumaça que pairava sobre o ar, como o nevoeiro tão famoso de São Francisco. Com a ajuda dos aparelhos para respirar, eles estavam protegidos, mas um civil não aguentaria muito sem essas rajadas frequentes de oxigênio. Gabe esforçou-se para deixar de lado seus temores pela mãe e filha e concentrou-se na subida do primeiro e do segundo andar até chegar ao terceiro. Chegaram rápido até o apartamento 31, mesmo arrastando a mangueira pesada através da fumaça espessa e pelos degraus íngremes e estreitos. Tentaram abrir a
  • 9. porta, que obviamente estava trancada. Gabe tirou a machadinha do extintor de incêndio. — Se alguém estiver perto da porta, se afaste. Vou derrubá-la com a machadinha. — Mesmo gritando, a voz dele foi abafada pela máscara. A fumaça estava espessa, quase a ponto de ser cortada com uma faca. Será que encontrariam alguém vivo lá dentro? — Você consegue? — Eric perguntou, enquanto tomava alguns jatos de oxigênio. Em vez de responder, Gabe ergueu a ferramenta pesada para trás e acertou a ponta do machado contra a porta, bem ao lado da maçaneta. Uma porta oca teria se partido ao meio em poucos segundos, mas essa de madeira antiga era tão grossa que ele precisou bater várias vezes seguidas até ela se mexer. Quando sentiu o batente começando a ceder, ele chutou a porta. Finalmente, a porta se abriu e ele entrou. Enquanto colocava a machadinha no cinto, Gabe alcançou a mangueira e começou a puxá-la para dentro, mas ela não se mexia. — Está enroscada. Preciso de mais mangueira. Ele olhou para trás e viu Eric puxando a mangueira com toda a força. — Vou ter de voltar lá embaixo para ver onde está enroscada. Ambos sabiam o quanto a situação era perigosa, com um bombeiro deixando seu parceiro para trás para soltar a mangueira. Gabe, porém, não podia voltar com Eric. Não quando vidas estavam em jogo; não se os sessenta segundos que levaria para ajudar com a mangueira significassem a morte de uma criança naquela noite. As chamas queimavam acima de sua cabeça e, mesmo não estando na situação adequada, Gabe abriu o bocal da mangueira e começou a jogar água no teto,
  • 10. tentando afastar as chamas. Podia sentir o calor de quase 400 graus atingindo seu macacão enquanto adentrava cada vez mais o apartamento. O apartamento era claramente um dos focos do incêndio, provavelmente onde tudo começou, a julgar pela fuligem branca e preta já cobrindo os móveis que ainda não haviam queimado. Pensando ter ouvido alguém pedir ajuda, ele parou. Com a mangueira ainda enroscada, não teve escolha a não ser soltá-la e ir em direção ao som. Uma porta branca com um espelho estava fechada e ele chutou-a, estilhaçando o espelho embaixo de suas botas com pontas de aço. No momento em que uma nova rajada de fumaça atravessou a porta, a visão dele ficou turva por alguns segundos, mas, mesmo não conseguindo enxergar ninguém dentro do pequeno banheiro, sabia exatamente onde procurar. Gabe puxou a cortina do chuveiro e encontrou uma mulher segurando a filha nos braços, dentro de uma antiga banheira com pés de ferro. Ele encontrou Megan e Summer. — Megan, você se saiu bem, muito bem — disse a ela através da máscara. Os olhos dela estavam tão arregalados e tão assustados que ele sentiu um aperto no peito. — Vou ajudar você e Summer a sair daqui agora. Ela abriu a boca e tentou dizer algo, mas tudo o que conseguiu fazer foi tossir, com os olhos fechados enquanto as lágrimas escorriam pelo rosto. Ele tirou uma das luvas para tomar o pulso da garotinha desacordada. Agradecendo a Deus por ainda estar estável, ele colocou a luva de volta e, então, pegou a garota. Os olhos da mãe se abriram e, por um momento, brincaram de cabo de guerra antes de ela soltar a menina. Os lábios dela se mexeram em uma súplica silenciosa: Por favor. Sabia que não podia deixá-la sentir medo, que não podia permitir que o terror dela o impedisse de fazer o que precisava ser feito para tirá-las vivas dali.
  • 11. Mesmo assim, ficou olhando para ela mais do que deveria. O amor que sentia pela filha era tão evidente na expressão do rosto dela que era como se ele já a conhecesse há muito tempo, e não apenas há alguns segundos, no meio do que parecia uma zona de guerra. — Vou pegar a Summer e vamos engatinhar para fora daqui. Consegue fazer isso? Ela assentiu e ele agarrou-lhe o braço para ajudá-la a escorregar pela ponta da banheira. Ela tremia, mas dava para perceber que era batalhadora. Depois de ajudá-la a sair da banheira, tirou a máscara de oxigênio e colocou-a sobre o rosto dela, para que seus pulmões pudessem receber um pouco de ar puro. Ela tentou empurrar, tentou colocar a máscara sobre o rosto da filha, mas ele previra esse movimento e balançou a cabeça. — Você precisa disso primeiro — alertou, em voz alta, para que ela pudesse ouvi-lo através da máscara. — Do contrário, será um peso morto e nenhum de nós sairá daqui vivo. Então, Megan puxou a máscara e encaixou-a no rosto. Os olhos dela se arregalaram quando inalou o oxigênio pela primeira vez, e Gabe sabia que tinha de retirar a máscara para que ela pudesse tossir algumas vezes antes de colocá-la de volta, segurando-a suavemente no lugar enquanto ela recebia o que tanto precisava. Quando ela balançou a cabeça e olhou ansiosamente para a filha, ele tirou a máscara, relutante, e colocou-a sobre a boca e o nariz de Summer. A garotinha se movimentou um pouco e tossiu. Estavam todos deitados no chão para evitar o calor e ele estava prestes a dizer a Megan quais seriam os próximos passos do plano de fuga quando o alarme do detector de movimento disparou. Era preciso reprogramá-lo antes que alguém da equipe pudesse ficar preocupado por ele estar machucado. Era tão perigoso quanto o inferno estar naquele apartamento no terceiro andar, e ele não queria
  • 12. mais ninguém de sua equipe ali, a não ser que não houvesse outra opção. Com a visibilidade quase nula, ele gritou: — Vamos engatinhar encostados no rodapé da parede para ficarmos abaixo da fumaça e do calor até encontrarmos a porta. Percorreram vagarosamente o caminho pelo rodapé até encontrarem a porta. Gabe carregava Summer sob o braço esquerdo e observava Megan com frequência enquanto continuavam o caminho pela sala de estar, que estava milhões de vezes mais quente do que o banheiro. Ele rezava para que ela não desmaiasse com o calor. Por precaução, de vez em quando a ajudava, colocando o braço livre ao redor da cintura dela e puxando-a para a frente. Ela não se afrouxava nos braços dele, o que era uma coisa boa, mas podia sentir o quanto Megan estava fraca, o quanto estava lutando com todas as forças para permanecer consciente. Finalmente chegaram até a ponta da mangueira. — Você está indo muito bem — animou-a. — Tudo o que precisamos fazer é agarrar a mangueira e segui-la até embaixo. Ele pegou a mão dela e colocou-a sobre a rígida mangueira pressurizada. Ao ter certeza de que ela tinha conseguido, ficou atrás para ajudá-la a empurrar, erguendo-a quando suas pernas se dobravam, a cada metro, ou quando estava tossindo muito para continuar por conta própria. Estava bastante difícil atravessar o calor e a fumaça, mesmo com seu macacão e seu reservatório de ar, e ele a admirou muito. Ele deveria estar carregando dois pesos mortos para fora daquele prédio, e não só a garotinha. O fato de Megan se segurar daquele jeito faria a diferença entre a vida e a morte. — Vire-se — ele disse a ela quando alcançaram a base no topo das escadas. — Vamos descer de costas. E vamos continuar nos movimentando aconteça o que acontecer.
  • 13. Ele se posicionou atrás dela de novo, descendo os degraus para pegá-la caso ela caísse. A garotinha estava se mexendo nos braços dele e Gabe rezava para que ela não acordasse no meio desse inferno em chamas. Ouvindo um barulho alto de alguma coisa se abrindo, ele viu parte da parede ao lado da porta da frente que tinha arrebentado cair aos pedaços. Agarrado a Megan, ele andou com ela e a filha o mais rápido que pôde, muitos degraus abaixo. Ela abaixou a cabeça e tinha os braços sobre os cabelos, para evitar cair dura feito uma pedra. — Continue andando! — ele gritou. Cada segundo que passava enquanto desciam um degrau depois do outro era longo e perigoso. Ele podia sentir o quanto os degraus eram finos e gastos, e sabia que podiam despencar a qualquer momento. Quando conseguiu ouvir os gritos de sua equipe sobre o som das pequenas explosões que pipocavam ao redor deles, Gabe decidiu que era hora de correr. Ele ficou em pé para descer o mais rápido que pôde, com uma pessoa sob cada braço. Quase no final da escada, Gabe finalmente conseguiu ver o que tinha impedido seu parceiro de voltar para cima para ajudá-lo com a mangueira. Uma enorme viga do teto caíra sobre o corrimão, deixando toda a área em chamas. A julgar pela água e pela fumaça que saíam, ele imaginou que Eric tivesse se concentrado em apagar aquele fogo antes que queimasse toda a escadaria e deixasse Gabe e as vítimas presos no andar de cima. De algum modo, precisava passar pela viga, mas ela era muito grande e estava muito quente para atravessar sem colocar Megan no chão. Que droga! Ele não queria deixá-la ali sozinha, sujeita a qualquer coisa que pudesse acontecer enquanto levasse Summer para fora. Graças a Deus, nesse exato momento, através da fumaça, ele ouviu uma voz
  • 14. gritando: — Entregue-as para a gente. — E, momentos depois, Eric e Todd tiravam mãe e filha de seus braços para levá-las a um lugar seguro. Por incrível que pareça, foi nesse instante que Megan perdeu a consciência, e os dedos fortes que estiveram agarrados aos braços dele foram ficando frouxos, enquanto Eric a tomava de Gabe. Quando gritou para Eric — A mãe acabou de desmaiar —, a atenção de Gabe estava tão focada nela que ele esperou tempo demais para se desviar da viga em chamas. Ouviu um estalido alto um milésimo de segundo antes de um pedaço do teto despencar direto sobre sua testa. Ele caiu no chão com a mesma força que a viga que o atingira. A escuridão tomou conta de seus olhos. A última coisa que ouviu foi o alarme de movimento de seu cinto disparar.
  • 15. CAPÍTULO dois Megan Harris acordou com a filha nos braços. Elas costumavam se enroscar uma na outra, depois de um filme à noite ou se Summer tivesse um pesadelo, porém algo parecia diferente. Não só a cama, mas aquele local coçando na parte de dentro do cotovelo de Megan, a garganta parecia seca e machucada. Ela sentiu o cheiro de fumaça no seu cabelo e no cabelo de Summer e torceu o nariz diante do cheiro pesado de fogo que seus poros pareciam exalar. Ela acordou de verdade com um suspiro profundo, os olhos se abrindo de repente no quarto do hospital. Havia duas camas estreitas colocadas uma ao lado da outra, mas a cama de Summer estava vazia, porque obviamente decidira subir na cama da mãe em algum momento durante a noite. O fogo. Ah, meu Deus, o fogo. Ela quase perdera... Não. Summer estava bem ali, nos braços dela. Megan puxou a filha para mais perto de si e Summer se mexeu para olhá-la. — Mamãe? — Oi, meu amor. — As palavras saíram secas e entrecortadas, como se ela tivesse engolido fogo. Na verdade, era o que realmente tinha acontecido. Megan beijou sua garotinha na testa e na bochecha e continuou com os beijos até lhe dar uma bitoca estalada nos lábios macios. — Como está se sentindo?
  • 16. Summer se mexeu um pouco. — Tudo bem, mas quero que tirem esse tubo do meu braço; coça muito. — Ela levantou o braço esquerdo e olhou para o braço de Megan. — Estamos combinando. Sorrindo através das lágrimas que insistiam em cair, ela concordou. — Estamos mesmo. E então levantou quatro dedos. — Quantos dedos eu estou levantando? — Seis. — O sorriso sapeca da filha lhe dizia que estava brincando. — Quatro. — Summer ergueu um dedo. — E eu? — Um — Megan confirmou, dando um beijinho na ponta do dedo da filha. — Que tal chamarmos a médica para ver se podemos ir embora? Uma médica de meia-idade entrou assim que Megan tocou a campainha, claramente satisfeita por vê-las acordadas e passando tão bem. A médica verificou rapidamente os sinais vitais, sorrindo enquanto escrevia no relatório. — Vocês são bem-vindas para ficarem um pouco mais por aqui se quiserem, mas estou feliz em dizer que, aparentemente, nenhuma das duas apresenta quaisquer dos sérios efeitos colaterais pela inalação prolongada de fumaça, provavelmente porque são jovens e saudáveis. Megan olhou para Summer. — Obrigada, mas gostaríamos de ir para casa. — Tarde demais, percebeu que não tinham mais uma casa para onde ir. A médica lançou-lhe um olhar compreensivo. — Tenho certeza de que gostariam de tomar banho e trocar de roupa. — Antes que Megan pudesse lembrá-la de que não tinha roupas limpas para usar, a médica entregou uma sacola. — O hospital mantém algumas peças de roupas para pessoas na situação de vocês. Sinto muito pelo que aconteceu, mas estou feliz por estarem tão bem. As lágrimas ameaçaram cair de novo. Ela estava em uma situação delicada.
  • 17. Como desejava que suas situações delicadas tivessem ficado para trás. Bem, ela pensou enquanto tentava esconder as lágrimas a todo custo, ela e Summer haviam sobrevivido à primeira situação delicada cinco anos atrás e sobreviveriam a essa também. Puxa vida, já tinham sobrevivido, não tinham? Agora era só mais um detalhe. E se havia uma coisa com a qual Megan sabia lidar era com detalhes. Seu trabalho como contadora significava que ela era mestra em reunir os detalhes financeiros geralmente desorganizados da vida de seus clientes e transformá-los em contas e planilhas limpas e bem organizadas. Agora ela simplesmente teria de fazer isso para si mesma. Ainda bem que era metódica com o backup dos arquivos de seus clientes. Pelo menos estaria bem nesse quesito, até encontrar outro lugar para ficar e estar pronta para voltar ao trabalho. Antes de saírem, a médica lembrou-as de não abusarem por alguns dias e pediu que voltassem ao hospital caso tivessem algum problema para respirar, crises de tosse ou se sentissem tontura e confusão mental. Quando ficaram sozinhas novamente, Megan disse à filha: — Vou tomar um banho e então você pode entrar e se limpar. Summer concordou, alcançando o controle remoto e virando seus grandes olhos verdes e pidões para a mãe. — Posso ver TV? Apesar de Megan geralmente ser muito rígida com relação a não assistir à TV durante o dia, ela rapidamente decidiu que não pensar em nada seria uma coisa boa para sua filha neste momento. Ela concordou, bagunçando os cabelos curtos e louros de Summer antes de escorregar para fora da cama. — Só um pouquinho.
  • 18. — Oba! Ao dirigir-se para o banheiro onde iria tomar o melhor banho de sua vida, Megan estava feliz em saber que, até onde conhecia a força de sua filha, parecia que ela ficaria bem. Entretanto, enquanto estava embaixo da ducha morna que lavava vagarosamente as manchas pretas de fumaça de sua pele, bem como o que percebera serem as pontas queimadas de seu cabelo, ela não tinha ideia de quanto tempo levaria para sentir-se bem também. Não com as visões do que poderia ter acontecido lhe passando pela cabeça, uma após a outra, imagens mentais da dura experiência pela qual tinham passado, manchadas pelos contornos escuros de uma nuvem espessa e negra. No entanto, apesar da exaustão e da total falta de energia, nunca se esqueceria do bombeiro heroico que as tinha resgatado do apartamento em chamas. Ele arriscou a vida dele por elas. Assim que ela e Summer estivessem recuperadas, iria encontrá-lo. Não só para agradecer-lhe, mas para encontrar uma maneira de recompensá-lo pela dádiva fantástica que ele lhes dera. A valiosa dádiva da vida, quando a morte esteve tão terrivelmente perto. Fechando os olhos com força, como se isso pudesse manter as visões sinistras de lado, ela ergueu o rosto e deixou que a água lavasse as lágrimas de choque e alegria por poder viver outro dia com a garotinha que significava absolutamente tudo para ela. Enquanto caminhavam por uma loja Target perto dali, umas duas horas depois, Megan estava impressionada ao ver que, apesar dos horrores pelos quais tinham passado, Summer tinha recuperado quase imediatamente sua personalidade normal e cheia de energia. Megan desejou poder se recuperar com a mesma rapidez. Obviamente, os dois milhões de formulários que acabou de preencher para a companhia de seguros
  • 19. não ajudaram muito o seu estado de espírito. Estava acostumada com muito trabalho burocrático, mas aquilo tinha passado dos limites até mesmo para ela. Ela havia comprado o pequeno, porém charmoso, apartamento no inverno passado e estava reformando-o nas horas livres. Agora, tudo o que tinha restado de seu trabalho árduo era a promessa de dinheiro da companhia de seguros. Depois que fizessem a vistoria, é claro. Até lá, lhe deram dinheiro suficiente para sobreviver durante um tempo até que pudesse contatar seu banco e pedir novos cartões de débito e crédito. Também lhe informaram que haviam feito uma reserva no hotel Best Western, perto do hospital, até que ela tivesse condições de tomar outras providências. Assim que comprasse um telefone celular novo, ligaria para seus pais para tentar contar sobre o incêndio sem lhes provocar um ataque cardíaco. Sem dúvida, eles pegariam o próximo voo vindo de Minneapolis para cuidar dela e de Summer. Obviamente, queria vê-los, queria sentir os braços calorosos ao redor dela, mas, ao mesmo tempo... bem, não estava ansiosa por uma repetição do que ocorrera cinco anos antes, quando David morrera. Com certeza eles fariam pressão para que ela “ voltasse para casa”. Usariam esse incêndio como um exemplo perfeito de quanto ela e Summer estariam mais seguras na cidadezinha onde Megan crescera. Sem perceber, Megan levantou o queixo. Ela tinha orgulho de como se saíra bem criando a filha sozinha. E, independentemente da opinião dos pais, ela aprendera as lições sobre segurança perfeitamente bem. Os homens com quem tinha namorado nos últimos dois anos eram contadores como ela, ou professores, ou engenheiros. Ela nunca cometeria o mesmo erro de novo, de entregar-se a um homem que vivesse de riscos, que corria em direção ao perigo em vez de fugir dele, como qualquer pessoa prudente e sensata. Summer arrastou a mãe em direção à praça de alimentação e, ao comprarem dois cachorros-quentes, nachos e dois enormes frozen de cereja, Megan quebrou outra de suas regras, dessa vez sobre comer “ porcarias”. Apesar de Summer estar
  • 20. comendo tudo, Megan não conseguiu dar mais do que duas mordidas naquela porcariada cheia de gordura. Sabendo o quanto sua filha gostava de roupas novas — ah, a quem ela estava enganando, as duas gostavam de roupas novas —, Megan lhe disse: — Hoje só vamos comprar algumas coisas essenciais, como jeans e camisetas. — Mas vamos precisar comprar um monte de outras coisas logo, logo, certo? Agradecendo silenciosamente a Deus por sua filha estar mais contente em comprar roupas novas do que triste por perder as antigas no incêndio, foram experimentar várias peças e estavam a caminho da frente da loja para pagá-las, quando Megan percebeu que esquecera algo muito importante. Sim, elas precisavam de roupas e, claro, precisavam de comida. Mas, apesar do bom humor de Summer diante daquela situação, a filha tinha perdido tudo, inclusive a boneca Rapunzel com a qual dormia toda noite. Assim, sabendo que precisavam ser muito cuidadosas com o dinheiro nesse momento, Megan desistiu de uma das camisetas que tinha colocado no carrinho do provador e levou a filha até a seção de brinquedos. — Olha, acho que devem ter bonecas Rapunzel aqui. Os olhos de Summer se iluminaram e ela jogou os braços ao redor da mãe. — Você é a melhor mãe do mundo! Enquanto corria pelo corredor para pegar a boneca, Megan deu por si em pé no meio da gigantesca loja, com as lágrimas ameaçando cair novamente. Quando estavam presas na banheira, ela esperou e rezou para que ela e a filha pudessem viver para desfrutarem de algo tão comum quanto fazer compras juntas, mas, à medida que o fogo ficava cada vez maior e mais quente, à medida que as sirenes tocavam cada vez mais alto sem que ninguém viesse resgatá-las,
  • 21. ela quase perdera a esperança. Mais do que depressa, enxugou a evidência da emoção que ameaçava aflorar novamente. Quando Summer voltou com a boneca nova em folha, perfeita em sua embalagem brilhante, Megan sabia que tinha muito a aprender com o rostinho sorridente da filha, com a felicidade com algo tão pequeno quanto uma linda boneca. Elas perderam as coisas, mas ainda tinham uma à outra. Tudo o que queria agora era fazer o check-in no hotel e se enroscar em Summer para tirarem a soneca da qual tanto precisavam. Assim que chegaram ao hotel, porém, sua vizinha e amiga, Susan Thompson, puxou-a de lado. — Megan, Summer, graças a Deus que estão bem! A senhora puxou-as para um abraço. Mais uma vez, as lágrimas ameaçaram cair e Megan teve de segurar a respiração e se concentrar em um pedaço de chiclete seco no tapete para não chorar. Ela normalmente não era uma chorona, não se permitira cair em lágrimas até mesmo após a morte de David. Na época, estava muito ocupada tentando cuidar de sua filhinha de 2 anos, tentando manter seu emprego como contadora, tentando colocar comida na mesa e um teto sobre a cabeça, tentando lidar com a pressão dos pais para fazê-la voltar para casa imediatamente e não sair de lá nunca mais. A Sra. Thompson, no entanto, não tinha restrições às lágrimas. Assim que as deixou cair, elas cobriram-lhe o rosto. — Quando eu disse ao bombeiro que vocês estavam lá dentro, ele correu direto para salvá-las. Durante as últimas horas, volta e meia o cérebro de Megan trazia de volta o bombeiro que as tinha resgatado na banheira, a voz firme e confiante dele lhe passando instruções. A pele, os músculos e os ossos dela ainda sentiam a sensação-fantasma das mãos dele, da força com que ele erguera, movera e empurrara Summer e ela em direção a um lugar seguro.
  • 22. Susan sentou-se no sofá desbotado do lobby perto delas. — Ele tinha acabado de ajudar a mim e ao Larry a chegar até a calçada quando olhei em volta e percebi que você e Summer não estavam lá com o restante de nós. — A boca da idosa tremia. — Tinha visto você entrar um pouquinho antes; sabia que tinha alguma coisa errada. Megan engoliu em seco, esticando o braço para cobrir as mãos da mulher. — Muito obrigada — ela murmurou. — Se não tivesse dito a ele... Não, ela pensou, olhando para Summer, que estava feliz desempacotando a boneca. Megan não conseguiu terminar a frase. Sua filha parecia estar totalmente envolvida pelo brinquedo, mas Megan sabia muito bem que Summer estava atenta a cada detalhe ao redor dela. Cada expressão, cada palavra. Megan não queria que Summer transformasse o que quase acontecera em um medo que levasse com ela para o futuro. No entanto, a Sra. Thompson balançava a cabeça. — Aquele bombeiro foi um verdadeiro herói. Não queriam deixar mais ninguém entrar no prédio, mas ele não hesitou em correr lá dentro para salvar vocês. Só espero que esteja bem depois do que aconteceu com ele. Megan olhou horrorizada para a amiga. — Ele se machucou? Susan franziu o cenho. — Você não sabia? — Não. — Ela não conseguia se lembrar de nada depois que tinham descido as escadas. — Mamãe? Megan sabia que precisava se controlar por causa da filha, que era a coisa mais importante a fazer, mas, em vez disso, tudo o que conseguiu perguntar foi: — Ele se machucou muito? A amiga suspirou fundo, parecendo ainda mais chateada.
  • 23. — Tiveram de carregá-lo para fora em uma maca. Megan sentiu-se exatamente da mesma maneira de quando estavam presas na banheira: como se mal pudesse respirar, como se a escuridão a encobrisse novamente. Ela pulou do sofá. — Tenho de ligar para o hospital. Preciso saber como ele está. — Susan ficou em pé com ela e seguiu-a até a recepção do hotel. — Preciso usar seu telefone, por favor. O homem atrás do balcão concordou prontamente, e ela percebeu que ele poderia estar escutando a conversa delas. — Claro, sem problema. A mão dela tremia ao pedir ao serviço de informações o número do telefone da Central. Ela pediu que lhe transferissem para o Corpo de Bombeiros de seu bairro. Quando a ligação foi completada, ela estava à beira de um ataque de nervos. A voz baixa de um homem mal disse olá antes de ela anunciar: — Sou a mulher que o bombeiro salvou ontem. A mim e à minha filha. Acabei de saber que se machucou. Preciso saber como ele está. Ele se machucou muito? Quanto tempo vai demorar para ele ficar bem de novo? O homem do outro lado da linha ficou em silêncio durante um longo momento. — Desculpe-me, senhora, mas não posso lhe dar essa informação. — Ele se colocou em uma situação terrivelmente perigosa para salvar a mim e à minha filha. Preciso agradecer-lhe; preciso que saiba o quanto significa o que ele fez por nós. — Compreendo que esteja preocupada, mas... — Ele parou de falar e ela ouviu outra voz ao fundo. — Espere um momento. Outro homem pegou o telefone.
  • 24. — É a Sra. Harris? Por um momento, ficou surpresa pelo homem saber o nome dela. — Sim, aqui é Megan Harris. — Meu nome é Todd Phillips. Sou o capitão do Pelotão 5. Como você e sua filha estão passando? — Saímos do hospital há poucas horas — ela respondeu prontamente. — Fico feliz em saber disso. E sinto muito pelo incêndio em seu apartamento. Megan sabia que chegaria a hora em que ficaria de luto pela perda dos momentos preciosos dos tempos em que a filha era bebê e de David. A perda de seus bens materiais, porém, não significava nada diante do terrível fato de que um bombeiro se ferira tentando salvá-las. — Preciso agradecer ao bombeiro pessoalmente pelo que fez tentando ajudar a mim e a minha filha. Ela quase podia ouvir o capitão dos bombeiros balançar a cabeça do outro lado da linha. — Desculpe-me, Sra. Harris, mas... — Por favor — ela implorou —, devo tudo a ele. Tudo. Depois de um breve silêncio, ele propôs: — Preciso falar com Gabe primeiro. — Muito obrigada. Ela deu ao capitão o número do telefone da recepção do hotel antes de desligar, mas, mesmo subindo com Summer para sua nova casa temporária, tendo a filha hipnotizada novamente em frente ao canal da Disney, Megan não
  • 25. conseguia parar de se preocupar com o homem — Gabe — que havia colocado a própria segurança em risco para garantir a segurança delas. Ela estava ao telefone do quarto, resolvendo mais algumas burocracias com o representante do banco, quando ouviu uma batida na porta. O jovem rapaz da recepção havia lhe trazido um recado. — Um capitão dos bombeiros ligou. Vai se encontrar com a senhora no hospital em meia hora.
  • 26. CAPÍTULO três Sair. Gabe Sullivan queria sair daquela maldita cama de hospital. Também queria arrancar o soro do braço, e estava prestes a fazer isso quando sua mãe entrou. — Não ouse tentar tirar isso daí. Mary Sullivan já tinha vindo vê-lo mais cedo, mas desta vez voltara com dois de seus irmãos e as respectivas namoradas. Nicole foi na frente. — Ai, meu Deus, fiquei tão preocupada com você! Quando a namorada pop star de Marcus ouvira que o Corpo de Bombeiros da cidade estava atravessando uma fase de cortes pesados no orçamento, teve a ideia de fazer um show para angariar fundos para eles. Mas, no final de seu show acústico beneficente, o Pelotão 5 fora chamado para um prédio de três andares na Rua Conrad. Ela jogou os braços ao redor dele, que, de propósito, puxou-a mais para perto enquanto Marcus observava. O jeito que seu irmão balançou a cabeça indicava que sabia o que Gabe estava fazendo. Em qualquer outra situação, Marcus o teria colocado contra a parede por chegar tão perto de sua mulher, mas, evidentemente, estar preso em uma cama de hospital tinha lá suas vantagens; por exemplo, o fato de estar tão feliz ao ver o irmão vivo o fez se controlar ao ver as mãos de Gabe apoiadas bem na cintura de Nicole. Mesmo assim, Gabe sabia que só poderia abusar até certo ponto, pois Marcus
  • 27. enroscou as mãos na cintura de Nicole, grunhindo: — Arranje sua própria namorada — e puxou-a de volta para ele. Gabe entendia exatamente por que seu irmão mais velho tinha se apaixonado pela pop star: ela era não apenas bonita e talentosa, mas também tinha um coração enorme. Fazia anos que Gabe não ficava com alguém como ela, uma mulher que tivesse todas essas qualidades, alguém com quem pudesse realmente imaginar ter um relacionamento de longo prazo em vez de só algumas horas entre lençóis. Felizmente, assim que Nicole foi puxada para trás, Chloe tomou o lugar dela nos braços de Gabe. — Puta merda! — Chase resmungou. — Agora ele pegou a minha. Nada como ser um herói para as mulheres se jogarem em cima de você. Estavam tão felizes por Gabe estar bem que, claramente, por ora, deixariam passar qualquer coisa. Todos, exceto a mãe, que o olhava fixamente com olhos de águia. — Acabei de falar com o médico e ele me informou que você ficará aqui outra noite para terem certeza de que não começou nenhuma hemorragia interna no seu cérebro. — Ah, mãe! — ele reclamou, enquanto Chloe voltava para Chase, parecendo mais um garoto de 14 anos do que um homem de 28. — Estou me sentindo bem. — A cabeça dele doía a ponto de explodir, mas já tinha passado por ressacas tão ruins quanto isso. — Já que tenho certeza de que a viga na cabeça lhe tirou o pouco de bom senso que tinha, vou confiar no médico. — Ele mal conseguia reprimir o gemido por estar preso em um lugar por tantas horas a fio, quando sua mãe acrescentou: — E você também. Chase estava fazendo um bom papel fingindo que o curativo na cabeça de Gabe não era grande coisa. Marcus, porém, que tinha tomado o lugar do pai
  • 28. quando esse falecera mais de vinte anos antes, estava claramente preocupado. — Como aconteceu isso, Gabe? Você sempre foi esperto, mas, pelo que pudemos ouvir dos noticiários sobre o incêndio, aquele prédio não era um lugar seguro para entrar. — A expressão de Marcus fechou-se ainda mais. — Nem perto de ser seguro. Gabe imaginou que Marcus, oito anos mais velho do que ele, seria quem faria as perguntas sobre o que ele fizera. No entanto, apesar de o resgate ter quase terminado em tragédia, Gabe não teria feito absolutamente nada diferente. Não quando ainda conseguia ver aquela garotinha indefesa nos braços da mãe, os grandes olhos verdes dela implorando para que ele salvasse a pessoa que ela mais amava no mundo. — O prédio estava vazio. — Era a única explicação que importava. — Você podia ter morrido, Gabe. Ele olhou para o irmão mais velho. — Você está certo. Eu podia. — Esperou um momento antes de dizer: — Mas ainda estou aqui. Marcus soltou um suspiro profundo. — Quantas vezes você vai abusar da sorte tentando bancar o herói? — Marcus! — a mãe exclamou. Querendo quebrar a tensão no quarto do hospital e ciente de que tudo isso era por pertencer à família de um bombeiro, Gabe tranquilizou: — Tudo bem, mãe. Este é o jeito de Marcus mostrar que se preocupa comigo. Felizmente, Nicole riu e ajudou a amenizar as coisas. Quando Marcus olhou para a namorada, ela basicamente sorriu para ele e comentou: — Todo mundo sabe que você é como um desses doces duros com o recheio
  • 29. mole, Marcus. — Ele a olhou com uma cara feia, mas, quando ela ficou na ponta dos pés e beijou-lhe, a cara feia sumiu. Antes que Marcus, ou alguém mais, começasse a dar bronca em Gabe novamente, ele deu um bocejo grande e alto. O dia inteiro foi um vaivém de irmãos, um depois do outro. A certa altura, até mesmo a enfermeira perguntou: — Quantos vocês são? Meu paciente precisa descansar. É claro que, quando Ryan flertou sem o menor pudor com a enfermeira, o efeito certeiro daquele rosto maravilhoso fez com que ela concordasse em estender as horas de visita o máximo possível para o clã Sullivan. Lendo o sinal de Gabe, a mãe começou a mandá-los sair, beijando-o no rosto antes de ir embora. — Levarei comida à sua casa amanhã. Ele podia se alimentar sozinho, mas sabia que o ajudando daquela forma a mãe se sentiria melhor em relação ao que acontecera, ou, mais especificamente, sobre o que quase acontecera. Ela nunca foi muito fã dos perigos inerentes ao fato de ele ser um bombeiro, mas, mesmo assim, o apoiou. — Obrigado, mãe. Eles saíram e Gabe fechou os olhos por alguns minutos, quando ouviu outra batida na porta. Seu capitão, Todd, entrou no quarto. — Como está indo, Gabe? — Bem, capitão. Ele sentou-se mais ereto na cama e Todd balançou a cabeça. — Está bem assim. Sei que sua cabeça deve estar doendo muito. — Ele apontou para a porta com a cabeça. — Está pronto para ver a Sra. Harris e a filha, Summer? Não, ele pensou, era melhor nunca mais olhar para aqueles olhos de novo.
  • 30. Pensava tempo demais em Megan e na filha dela para se confortar, não só por estar repassando o resgate, tentando analisar o que poderia ter feito diferente para tirá-las mais rápido e com mais segurança, mas porque não conseguia esquecer a força dela, o quanto Megan tinha lutado para permanecer consciente, e o quanto tinha sido uma batalhadora em cada segundo daquela jornada angustiante para sair do apartamento em chamas. Mesmo assim, ele compreendia que as vítimas do incêndio sentiam necessidade de agradecer aos homens que as tinham salvado, especialmente em um caso como esse, quando a morte tinha passado tão perto. Vendo a expressão de desaprovação no rosto dele, Todd completou: — Vou pedir a Megan e à filha que voltem mais tarde então. O nome combinava com ela — Gabe pegou-se novamente pensando mais do que gostaria. Megan era bonito e forte ao mesmo tempo. Seria melhor pensar nela como a Sra. Harris. Ainda assim, ele pensou, será que havia um marido? Se sim, onde ele esteve durante o incêndio e por que não estava ali com elas agora? — Não — ele decidiu. — Será melhor vê-las agora. Ela agradeceria, ele lhe diria que estava feliz em ver a filha e ela tão bem e seria isso. Não seria mais perseguido por aqueles olhos, pela força surpreendente que havia demonstrado a ele quando engatinhou no chão do apartamento e pela escadaria abaixo. Dois minutos depois, Todd entrou de volta com a mãe e a filha. Ignorando a dor na cabeça, Gabe sentou-se mais ereto e forçou um sorriso no rosto. E, então, os olhos dele se encontraram com os de Megan e o sorriso dele congelou. Meu Deus, ele pegou-se imaginando antes que pudesse colocar o pensamento de lado, ela é linda.
  • 31. A última vez que vira o rosto dela fora através da névoa espessa de fumaça escura e da consciência de que qualquer movimento errado significaria a morte deles. Os olhos dela eram tão grandes e lindos como antes, o corpo tão esguio e forte como quando ele a ajudou a se arrastar pelo chão, mas agora ele conseguia ver sua meiguice, as curvas macias de seus seios e quadris dentro da camiseta e do jeans. Gabe não conseguia parar de olhar para os olhos verdes impressionantes, o cabelo escuro e sedoso caindo sobre os ombros, e o jeito da filhinha, que era uma cópia perfeita dela; a única diferença estava no cabelo, um era escuro e o outro, claro. Ela parecia tão surpresa quanto ele e, por um bom tempo, os dois ficaram se olhando em silêncio até que a filha correu e jogou os braços em volta dele. — Obrigada por salvar a mim e a minha mãe. Os braços da garotinha eram tão fortes quanto os da mãe. — De nada, Summer. Quantos anos você tem? — Fiz 7 no sábado. Ela brilhava para ele, e exatamente naquele momento, Gabe entregou um pedaço de seu coração àquela garotinha sem os dois dentes da frente. — Feliz aniversário. — Ele precisava se lembrar de pedir ao Pelotão 5 que enviasse um presente a ela. Do canto do olho, um movimento lhe chamou a atenção. Megan estava chegando mais perto dele e, de novo, quando olhou para ela, não conseguiu tirar os olhos. Sem perceber o que estava fazendo, deu uma olhada na mão esquerda dela procurando uma aliança de casamento, mas não achou nada. — Sr. Sullivan, não consigo dizer o quanto significa para mim o que fez. Ele quase pediu a ela que o chamasse de Gabe, mas sabia que seu nome soaria muito bem saindo daqueles lábios carnudos. Seu cérebro já estava querendo entrar na fantasia de como seria ouvi-la dizendo seu nome em circunstâncias
  • 32. absolutamente diferentes, sem uma criança nem o capitão no quarto... e com muito menos roupa. Como era de se esperar, ele não conseguia tirar os olhos dos lábios dela, que se mexiam pouco a pouco. Ela cerrou os lábios enquanto esfregava rapidamente os olhos com as pontas dos dedos. — Me desculpe — disse, com um risinho forçado. — Prometi a mim mesma que não choraria. — Ela fica fazendo isso — Summer disse a ele em um sussurro dramático, enquanto a mãe tentava vencer a batalha contra as lágrimas. Ele sussurrou de volta. — É perfeitamente normal. — Precisávamos vir aqui para agradecer-lhe. — Os olhos de Megan passaram sobre os curativos dele antes de ela acrescentar: — E para ter certeza de que estava bem. A voz dele estava mais rouca do que o normal. — Estou bem. — Fico tão feliz por isso. — Como vocês duas estão? Inalaram muita fumaça. Ela deu um sorrisinho que lhe revirou as entranhas. — Nós duas estamos bem. — Ela colocou a mão na garganta. — A médica disse que só vou ficar parecendo um sapo por mais uns dois dias. — Precisa ver a mamãe coaxar — Summer disse a ele —, ela fica igualzinha ao sapo que temos na minha classe da escola. Faça para ele ver, mamãe. A força do sorriso dela, a maneira que seus olhos se iluminaram e a covinha que apareceu na sua bochecha esquerda o destruíram. Ele poderia ficar bêbado com os sorrisos dela e já sentia como se tivesse sido golpeado por um deles. Se Megan fosse alguém que ele tivesse conhecido em um café ou em um bar, ou se fosse uma das amigas de suas irmãs — se ela fosse qualquer outra pessoa e
  • 33. não alguém que ele tivesse resgatado de um incêndio —, ele não só estaria tentando encontrar maneiras para ela ficar mais um pouco, como também tentaria conseguir seu telefone ou marcaria um encontro com ela. Entretanto, a única razão de o olhar com o coração nos olhos era porque ele havia salvado a vida dela e da filha. Sabia que era melhor não se deixar levar por ela e por aquela linda garotinha. Ele não precisou se esforçar para fechar a cara diante das lembranças do passado, do quanto fora idiota ao ignorar os limites profissionais e, estupidamente, se envolver com uma vítima de incêndio. — Claro que ele quer ouvir — a garotinha disse e, então, quando ele permaneceu em silêncio, voltou-se para ele e continuou. — Não é mesmo? Depois de tudo, Gabe não poderia decepcionar a garota. — Com certeza — ele finalmente disse em um tom que soava exatamente o contrário. — Por que não? Megan, porém, o decifrou sem a menor dificuldade, puxando a garota dos braços dele para os dela. — Não queríamos incomodá-lo — afirmou, com uma voz defensiva. Ele não lhes disse que não havia sido um incômodo. Era melhor acharem que tinham incomodado, assim não voltariam, assim ele não veria nenhuma das duas de novo. Diante da rispidez dele, Megan disse: — Agradeço por nos deixar vê-lo hoje. — E então pegou a mão da filha puxando-a para a porta. — Já precisamos ir mesmo? — a garotinha protestou. — Aposto que ele tem histórias muito legais sobre todas as coisas assustadoras que já fez. Megan virou-se de volta para ele, agora preocupada.
  • 34. — Tenho certeza de que o Sr. Sullivan precisa descansar, querida. — Ela forçou os lábios em um sorriso falso, fazendo-o sentir como se um peso de duzentos quilos tivesse caído sobre o peito. — Diga adeus agora, meu amor. Summer fechou a cara, pressionando os lábios como uma miniatura perfeita da mãe. E, em vez de dizer o adeus que sua mãe recomendou, ela sugeriu: — Acha que podemos passar qualquer dia pelo Pelotão do Corpo de Bombeiros? Você sabe, para nos mostrar as coisas? Megan não lhe deu a chance de responder, reprovando — Summer — com um claro aviso que fez a filha suspirar fundo, resignada. — Adeus, Sr. Sullivan. Ele quis sorrir para a garotinha, queria que soubesse que a maneira como ele estava agindo não tinha nada a ver com ela, e tudo a ver com saber que era melhor não se deixar envolver por algo que, no final, terminaria machucando a todos. Em vez disso, tudo o que conseguiu dizer foi: — Adeus, Summer.
  • 35. CAPÍTULO quatro Dois meses depois... Megan enrolou-se em uma toalha de banho extragrande e saiu do banheiro para se trocar. O apartamento que estavam alugando até conseguirem encontrar um lugar perfeito para comprar era tão pequeno que conseguia ver a cozinha enquanto ia em direção ao quarto de casal. — Summer, o que você está fazendo? — perguntou, tentando manter-se calma enquanto tirava farinha do rosto e do cabelo da filha, farinha que também estava toda espalhada pelo chão da cozinha. Nos dois últimos meses, toda vez que Summer fazia algo que a deixava louca, tudo o que Megan tinha de fazer era tentar lembrar-se do quanto sua filha parecia pequena e frágil durante o incêndio, do quanto desejou os arranhões e as enrascadas nas quais Summer sempre se metia, e as frustrações logo passavam. Nos últimos dias, porém, parecia que Summer estava cada vez mais focada em tirá-la do sério, e o controle de Megan estava por um fio. — Fazendo muffins — Summer retrucou, tão alto a ponto de o apartamento do outro prédio poder saber exatamente o que estava acontecendo no 1C do outro lado da rua. Apesar de Megan sempre ter amado a vista das ruas de São Francisco, nunca mais moraria em outro lugar que não fosse no primeiro andar. Já tinha quase parado de ter pesadelos sobre estar presa no terceiro andar e ter de engatinhar pelos andares que pareciam sem fim, e preferia ter segurança a ter uma bela vista. Se sentisse falta da vista, bem, era algo com o que precisaria lidar e se
  • 36. conformar. — OK — ela disse, devagar, enquanto apertava mais a toalha embaixo dos braços e entrava descalça na cozinha. — Mas por que isso às — ela parou para olhar no relógio do forno — seis e quinze da manhã? As duas gostavam de acordar cedo, mas a filha não costumava ser muito produtiva tão cedo, especialmente no primeiro dia do feriado de inverno. Summer deu-lhe um sorriso largo, aquele que sempre usava para convencer as pessoas a fazer exatamente o que queria. Megan gostava de achar que isso não funcionava com ela. Nem sempre, enfim. — Podemos levá-los para o Corpo de Bombeiros. — Summer alargou ainda mais o sorriso. — Para os bombeiros comerem no café da manhã. Nas primeiras semanas após o incêndio, Summer não parava de fazer perguntas sobre o fogo, sobre os carros de bombeiros... e sobre Gabe Sullivan. Megan respondia a todas as perguntas técnicas o melhor que podia, com a ajuda da internet e de alguns livros da biblioteca. No entanto, tinha feito o máximo para despistar as perguntas da filha com relação ao bombeiro que as salvou. Sobretudo aquelas que envolviam vê-lo novamente. No hospital, vira a emoção sincera nos olhos dele quando Summer o abraçou. Mas, depois, ele se fechou tão repentina e completamente que ela, na verdade, ficou um pouco magoada. Tinha consciência de que era melhor não levar para o lado pessoal, especialmente quando sabia que aquela viga lhe atingira em cheio a cabeça. E as emoções dela tinham estado à flor da pele naquele dia, borbulhando. Disse a si mesma que fora este o motivo de ficar tão chateada com o comportamento dele. Infelizmente, Summer não fora a única a pensar nele o tempo todo. Megan também pensava nele todos os dias, em quanto se sentia agradecida por ter feito o que fez por elas, em quanto ele fora altruísta ao arriscar a própria vida por elas. E, às vezes, tarde da noite, quando estava sozinha na cama, pensava em como
  • 37. ele era bonito e em quanto seus músculos eram grandes. Não que esses pensamentos servissem para alguma coisa. Mesmo que ele não as tivesse mandado embora do quarto do hospital, ela nunca poderia ficar com um homem como ele. Não depois de ter aprendido sobre os riscos, e a dor, de estar com um homem viciado em perigo, e da maneira mais difícil de aprender essas lições. Megan queria um futuro com um homem que definitivamente ficasse em casa toda noite. Ela recusava-se a passar outro dia, outra noite, esperando o telefone tocar, a batida à porta com a notícia de que perdera o parceiro que esperava estar ali. Não ajudou muito quando o Pelotão 5 enviou um presente de aniversário para Summer algumas semanas após o incêndio. Era uma bonequinha vestida de bombeiro, com maria-chiquinha amarela, um sorriso largo e um cachorrinho dálmata com uma coleira vermelha da cor do carro de bombeiros. Summer levava aquela boneca e o cachorrinho para todo lado; dormia com eles embaixo do braço, e se enroscava neles no sofá à noite. Até mesmo agora a boneca e o cachorro de pelúcia estavam lá, em pé, no balcão da cozinha. — Tenho certeza de que já comeram bastante no café da manhã — disse à filha, com uma voz suave. Summer limpou as mãos e pegou a bandeja para enfiar a mistura dentro do forno. — Nada tão bom quanto muffins, eu acho. Megan não podia argumentar. Os muffins de chocolate, banana e mirtilo de Summer eram famosos. Era uma combinação que não deveria dar certo, mas que, no final das contas, virou um sucesso. Deus sabia que a filha não tinha puxado a ela para os dotes culinários. Não, isso vinha de David, que tinha um talento especial para cozinhar. Summer se
  • 38. parecia tanto com o pai, em tudo, inclusive do cabelo louro-claro, que às vezes Megan sentia que ele ainda estava vivo. — Vamos conversar sobre isso depois que eu me vestir. — OK, mamãe — a filha chilreou, sabendo que estava prestes a conseguir o que queria. E, realmente, Megan pensou, com um pequeno suspiro, que não tinha mais desculpas para não irem até o quartel para dizer “ olá” aos bombeiros. Então é isso; elas deixariam os muffins, admirariam os carros brilhantes e depois iriam ao parque para passar algumas horas. Não se deixaria incomodar pela possibilidade de ver Gabe. Na verdade, ele nunca lhes dissera para chamá-lo de outra coisa a não ser de Sr. Sullivan, mesmo não sendo muito mais velho do que ela. De qualquer forma, quais seriam as chances de ele estar de plantão nessa manhã? Ou mesmo de se lembrar delas? Megan deu uma olhada no espelho sobre a cômoda e pensou que não havia mais como ignorar as mentiras que estava acumulando, uma após a outra, nesta manhã. Só de pensar no bombeiro já sentia um nó no estômago e não havia nada que pudesse fazer a respeito disso. Se ele estivesse de plantão, se lembraria delas, já que houve uma conexão inegável, uma faísca palpável entre os dois. Ela afastou-se do espelho e abriu o closet. Se estivesse mentindo a si mesma ou sendo completamente honesta, uma coisa era fato: ela não tinha absolutamente nada para usar no quartel do Corpo de Bombeiros nesta manhã fria de sábado, em dezembro. Summer foi pulando na frente de Megan, que carregava uma travessa cheia de muffins quentes. Há quase um quarteirão de distância, Summer desapareceu para dentro das portas abertas do quartel do Corpo de Bombeiros. Megan sabia que seu coração não deveria bater tão rápido. Sim, elas subiram uma colina, mas ela estava em boa forma por causa dos DVDs de ioga com os quais praticava todas
  • 39. as manhãs. E então a filha saiu com ele e o coração de Megan praticamente parou de bater. Os pés dela também pararam, deixando-a estranhamente estagnada na calçada, segurando os muffins, com a boca entreaberta. Ele estava lindo na cama do hospital, com curativos na cabeça e um lençol cobrindo a maior parte do corpo. Mas agora... Ah, agora... Não havia palavras, pelo menos não em seu cérebro cheio de desejo, para um homem como este. Alto, moreno e atraente era pouco para descrevê-lo. Maravilhoso, lindo... cada um desses adjetivos era muito comum para aqueles ombros fortes, quadris estreitos, os olhos azuis brilhantes sobressaindo-se sobre aquele maxilar quadrado e da boca carnuda e máscula. Megan tratou de lembrar que não poderia correr e se jogar para cima daquele homem. Sua libido dormente aproveitou-se desse momento para voltar à vida, mas isso não significava nada diante do grande escopo das coisas. Em algum momento, quando estivesse sozinha em sua enorme cama, encontraria uma maneira de saciar esse novo desejo por sexo. Mas não poderia arriscar seu coração e o da filha por um homem que talvez não vivesse para ver o dia de amanhã. Esse pensamento trouxe-a de volta à realidade e permitiu que deixasse de lado seu constrangimento com a óbvia reação diante da beleza dele. Desejando que seus pés se mexessem novamente, ela finalmente caminhou os poucos metros até ele, colocando os ombros para trás e o queixo para cima, assim ele não pensaria que era mais derrotada do que ela já se sentia, babando em cima dele dessa maneira. — A Summer fez isso para vocês. Ela lhe entregou a travessa cheia de muffins e ele sorriu para Summer. —
  • 40. Obrigado. — Ele ergueu a tampa e inspirou profundamente, claramente surpreso pelo cheiro bom. — Parece que isso aqui está ótimo. Os rapazes daqui vão implorar por esses muffins. — Podem dividir porque depois eu faço mais! Megan sabia que as coisas iriam nessa direção; que, se cedesse e permitisse que viessem ao quartel uma vez, isso se transformaria em visitas recorrentes. No momento em que pensava nisso, ele virou-se para ela, o rosto cuidadosamente inexpressivo. Não havia sorrisos para ela, só para sua filha. Claramente, ele não estava feliz em vê-la mais do que ela estava feliz em vê-lo. Melhor assim. Talvez a visita devesse ser breve. Summer puxou a manga dele. — Obrigada pela boneca. Ela é meu presente favorito de 7 anos. O cachorrinho dela é fofo também. O agradecimento formal fez Gabe abaixar-se até o nível dos olhos dela. — Fico feliz. O aniversário de 7 anos é realmente muito importante. Summer concordou. — Agora pode mostrar o carro de bombeiros e todos os botões que é preciso apertar para fazer as coisas, Sr. Sullivan? Não, a visita breve não seria breve, Megan pensou, com um gemido que mal podia esconder. Quando viu o sorriso de volta para a filha, porém, Megan sentiu suas entranhas se derretendo de novo, apesar das barreiras altas e fortes que havia construído para proteger-se do encanto absolutamente poderoso dele. Há quanto tempo procurava um homem que olhasse para sua filha desse jeito? Como se achasse que o sol nascia com Summer, assim como o próprio nome indicava? Como se ela fosse importante, e não só alguma criança chata que Megan por acaso teve com outro cara? — Com certeza. — Ele lançou um olhar questionador a Megan. — Se você concordar, quero dizer.
  • 41. Ela estava prestes a responder quando notou uma cicatriz meio apagada na testa dele, que ia desde a sobrancelha esquerda até a linha do cabelo, e as pernas dela ficaram bambas. A testa dele estava coberta de curativos a última vez que o vira no hospital, e ela sabia que deveria ter sido a viga que o atingiu logo após terem chegado aos pés da escadaria. Ela quis dizer alguma coisa, queria agradecer-lhe de novo e pedir desculpas por colocá-lo naquela posição, mas sabia que soaria estranho e errado. Em vez disso, ela disse: — Claro que está tudo bem para mim. A Summer adora máquinas grandes e adora descobrir como elas funcionam, não é? Assim como o pai dela gostava. Só que a máquina que ele escolhera fora um avião, em vez de um carro de bombeiros. Gabe pegou a mão esticada de Summer e levou-a até o brilhante carro de bombeiros histórico, no canto do fundo do quartel. Normalmente Megan os teria seguido, mas não tinha certeza de que estar perto dele por muito tempo seria uma boa ideia. Não quando os hormônios dela ainda estavam em pandemônio. Caminhando mais para dentro do quartel, ela rapidamente percebeu-se no meio de um grupo de homens grandes e fortes. No entanto, mesmo com toda a testosterona dentro da sala, apesar da preponderância dos troncos largos, quadris estreitos e maxilares quadrados, os hormônios dela não se manifestaram e a libido não veio à tona. Por alguma razão, só um bombeiro específico tinha esse efeito sobre ela. Deixando de lado essa percepção inútil, Megan fez questão de conhecer todos os bombeiros e agradecer a equipe pelo que fizeram por ela e pela filha. Notou algumas sobrancelhas levantando quando apontou para a filha em cima do carro de bombeiros antigo, a maneira como outros bombeiros se entreolharam, como
  • 42. se compartilhassem um segredo que ela não conhecia. Summer e o homem que tinha feito o coração dela explodir riam juntos de alguma coisa, e, por um momento, Megan quis fingir que eram mais do que estranhos, que a filha dela tinha uma figura paterna para lhe ensinar as coisas, para ter orgulho dela, para dizer que a amava quando a colocava na cama com um beijo de boa-noite. — Acho que estou sentindo cheiro de muffins de mirtilo. Todd, o capitão, apareceu no canto exatamente nesse momento, e ela sorriu para aquele homem de meia-idade tão simpático que a tinha levado tão gentilmente para conhecer seu salvador no hospital. — Foi a Summer quem fez — disse antes de dirigir-se à frente da sala para pegar a travessa com os muffins. Ela praticamente deu de cara com uma linda mulher. — Ah, oi, desculpe, não tive a intenção de quase atropelar vo... — Ela parou no meio da palavra. — Sophie? Sou eu, Megan Harris. — Ela balançou a cabeça. — Bem, na faculdade era Megan Green. — Megan! — Os braços de Sophie a rodearam e elas se abraçaram. Sophie afastou-se. — Não posso acreditar quanto tempo passou desde a última vez que a vi. Seis, sete anos? Ambas trabalharam meio período na biblioteca de Stanford e passaram tantos anos guardando e catalogando livros juntas nos corredores escuros, que acabaram se tornando amigas. Elas provavelmente teriam se tornado ainda mais íntimas se Megan não tivesse ficado grávida de Summer. Quando ela e David se casaram, ela saiu da faculdade temporariamente para acompanhar o marido piloto da Marinha no seu novo trabalho na base de San Diego. — Você está linda! — ela elogiou Sophie. — Você também! — A velha amiga pareceu confusa. — Nunca vi você aqui
  • 43. antes. Está trabalhando em alguma coisa no quartel? Megan sentiu-se mal por não ter mantido contato. — Minha filha quis vir aqui trazer alguns muffins. — Ah, meu Deus, como pude esquecer que você se casou e teve um bebê? Onde ela está? Megan apontou para o canto onde o antigo carro de bombeiros estava. — Summer está lá com um dos bombeiros. Sophie franziu o cenho novamente. — Espere aí. O nome da sua filha é Summer? — Ela meneou a cabeça. — Vocês são a mãe e filha a quem Gabe salvou uns dois meses atrás? Quase nesse exato momento, Megan percebeu que uma pista importante havia passado despercebida pelo caminho. Sullivan era um nome tão comum que ela não pensou em ligar Sophie a Gabe. — Você é irmã dele? Quando Sophie concordou, Megan finalmente respondeu: — Sim, seu irmão nos salvou. Ele é o herói da Summer para o resto da vida — acrescentou carinhosamente. — O meu também. Sorrindo, ela disse a Sophie: — Summer assou alguns muffins para ele hoje de manhã e acredito que está prestes a convencê-lo a deixá-la dirigir aquele carro de bombeiros antigo em volta do quarteirão. Megan se esforçou para manter a voz baixa. Tomara que Sophie nunca percebesse como ela estava ridiculamente atraída por seu irmão. E por falar em estranhas coincidências... — Devia ver todos aqueles botões e puxadores! — Summer correu a toda a velocidade pelo chão de cimento. Gabe não estava em lugar nenhum. — É tão
  • 44. legal! Eu adoro os bombeiros! Obrigada por finalmente me deixar vir aqui! Megan pegou a mão da filha enquanto ela gesticulava animada e contava sobre as maravilhas do carro de bombeiros. — Querida, esta é uma amiga minha da faculdade. O nome dela é Sophie! Sophie abaixou-se até a altura de Summer e exclamou: — Ah, meu Deus, você é maravilhosa! Summer fez brilhar seu maior sorriso para Sophie. — Você também é bonita. Sophie riu. — De que tipo de história que você gosta? A garotinha pensou por um minuto. — Todas. Sophie lançou um olhar embasbacado para Megan. — Perfeito — ela explicou rapidamente. — Sou bibliotecária de uma biblioteca aqui pertinho. Adoraria se pudessem vir me ver, especialmente porque sempre estou procurando bons leitores para me ajudar na hora da contação de história para os pequenos. A garotinha ergueu a mão. — Eu posso fazer isso. Sou uma ótima leitora. — Tenho certeza que sim, ainda mais com uma mãe tão inteligente como a sua. Então, arrepios percorreram a espinha de Megan. Ela olhou e viu Gabe vindo em direção a elas. Megan desejou que não estivesse tão ligada a ele... e que ele também não fosse tão absurdamente atraente. Era bom que Sophie e Summer estivessem conversando sobre o livro de gravuras favorito delas e não precisavam muito da participação dela, pois a proximidade de Gabe parecia sempre sugar todas as células de seu cérebro. Ficou surpresa ao ver que ele não ficou feliz em ver Sophie. Isso se confirmou quando ele perguntou: — Ei, Soph, o que está fazendo aqui? — disse, em voz seca.
  • 45. A irmã simplesmente sorriu para ele, claramente nem ligando para seu cumprimento mal-humorado. — Pensei em lhe trazer algo saudável para o café da manhã. — Ela ergueu uma sacola e abriu-a para ele poder ver dentro. — Pãezinhos integrais. Sem açúcar ou conservantes. Ele fez uma careta. — Já tenho muffins muito bons esperando por mim, mas, mesmo assim, obrigado. Dando de ombros, ela fechou o saquinho e disse: — Acredita que Megan e eu nos conhecemos da faculdade? Inacreditável, não é? Ele olhou de uma para outra, ainda mais descontente do que há alguns minutos. — Inacreditável. — A voz dele fora sem entonação e distintamente irritada. Megan ficou feliz pela filha ter sido levada pelo restante dos membros da equipe de bombeiros, que lhe diziam ser a melhor preparadora de muffins que já existiu. Do contrário, a mudança abrupta de humor de Gabe não teria passado despercebida nem mesmo para Summer. Desta vez, Megan não estava chateada pela expressão dura no rosto dele. Tinha passado do estágio de chateada para louca da vida. Qualquer que fosse o problema dele, não sabia nada sobre ela, e não merecia ser a receptora do mau humor dele. Sim, ela devia muito a ele — para sempre — pelo que tinha feito por ela e Summer. Entretanto, poderia ser grata longe dele, intimamente em seus pensamentos, quando ele não estivesse olhando para ela como se tivesse uma doença contagiosa. — Obrigada por mostrar o carro para Summer — agradeceu-lhe, com voz mais educada e distante, antes de se virar para a irmã com um sorriso acolhedor
  • 46. e verdadeiro. — Estou tão feliz por encontrar você, Sophie. — Eu também. Não acredito que não sabia que você morava tão perto. Megan balançou a cabeça. — Infelizmente não mantive muito contato com ninguém depois que David e eu nos casamos e mudamos para San Diego. — Como está o David? Percebendo que não havia como Sophie saber sobre o que acontecera, ela respondeu: — Ele morreu. — Ah, não. — Sophie parecia horrorizada. — Sinto muito, Megan. Querendo assegurar à amiga de que estava bem e ao mesmo tempo não falar muito com Gabe ainda em pé na frente delas, com uma expressão sisuda naquele rosto maravilhoso, ela continuou: — Já faz alguns anos. Sophie olhou na direção de Summer, que ainda era o centro das atenções do Pelotão 5. — Você cuida dela sozinha? — Antes que Megan pudesse responder, ela acrescentou: — Ou se casou de novo? — Não. Somos só eu e Summer. — Ela forçou um sorriso que desejou ter parecido sincero. — Temos nos saído muito bem. — E agora esse incêndio que destruiu seu apartamento. Não parece justo. — Sinceramente, nós estamos bem — repetiu, olhando para Gabe e Sophie. Sophie colocou uma mão sobre o braço de Megan. — Gostaria que as coisas tivessem sido diferentes para você.
  • 47. — Soph — Gabe interrompeu, com voz frustrada —, quantas vezes ela terá de lhe dizer que está bem? Ele claramente estava tentando aconselhar a irmã a recuar um pouquinho, e ainda que Megan tivesse apreciado isso em qualquer outro momento, sabia que Sophie só estava expressando seus sentimentos e emoções como sempre fazia: direto do coração. Sophie simplesmente torceu o nariz para o irmão antes de virar de volta para Megan. — Sabe de uma coisa? Nossa mãe fará a festa anual de Natal esta semana em nossa antiga casa perto de Palo Alto. Por favor, diga que você e Summer virão para conhecer todo mundo! — Antes que Megan pudesse responder, Sophie acrescentou: — Não acha que todo mundo adoraria as duas, Gabe? Ele as olhava de cima quando exclamou, com total falta de interesse, do mesmo jeito que fez no hospital quando Summer lhe perguntou se queria ouvir Meg imitar um sapo: — Com certeza! Bem, estava muitíssimo claro para todos o que Gabe achava disso tudo, não estava? Megan podia sentir os olhos de Sophie olhar de um para o outro, claramente tentando descobrir qual era o problema... e por que ele não suportava vê-la. Em meio ao silêncio desconcertante, Sophie finalmente revelou: — Na verdade, alguns dos meus irmãos adoram crianças. Ah, Deus. Sophie não estava tentando bancar o cupido, estava? Mais do que horrorizada pela ideia de mais de um homem na família como Gabe, ela perguntou: — Quantos irmãos você tem?
  • 48. — Seis! Mas Chase e Marcus não estão mais no páreo, e as namoradas deles — bem, noiva, no caso de Chase — são fantásticas. Então, sobram Zach, Ryan e Smith. Estão todos livres. Pelo menos até onde eu sei. Outra luz se apagou. Smith Sullivan, o astro de cinema, era irmão de Sophie. E também Ryan Sullivan, o jogador de baseball profissional. Obviamente, a família Sullivan vai muito bem, obrigado. Entretanto, ver Smith em uma grande tela de cinema e Ryan no gramado nunca a fizera sentir tão arrepiada quanto o olhar zangado de Gabe neste segundo, quando ele franzia o cenho por ela ter a audácia de respirar na frente dele. Sophie continuou falando enquanto Megan processava e se esforçava para conseguir respirar uma vez após a outra. — Eles vão adorá-la. Não tenho dúvidas de que meus irmãos terminarão brigando por você. Você não concorda, Gabe? — Você está mesmo tentando juntar sua amiga com Zach e Ryan, dois dos maiores cafajestes do planeta? — Ele balançou a cabeça. — E Smith é pior ainda. Sabe Deus o que aconteceria a uma criança dentro daquele mundo revirado de astro de cinema. Sophie desconsiderou as preocupações dele com uma mão no ar. — Acho que todos vocês são fantásticos. E eles são cafajestes só porque ainda não encontraram a mulher certa. Megan notou que Sophie não dissera nada a respeito de Gabe ser ou não cafajeste. Ela também não havia oferecido Gabe como um potencial namorado. Provavelmente porque ele já tinha uma namorada. Uma namorada a quem Megan tinha absoluta certeza que odiaria só pelo fato de ser namorada dele. — Por favor, diga que virão, Megan. Você e Summer seriam muito bem- vindas à festa!
  • 49. Na verdade, Megan não queria ter de passar mais tempo do que já tinha passado ao lado de Gabe, mas o diabinho que raramente sentava-se em seu ombro de repente apareceu e a fez dizer: — Adoraríamos ir. — Ela adorou ver a expressão do rosto de Gabe se fechar ainda mais. — O que podemos levar? Tenho certeza de que Summer adoraria preparar algo especial para a festa de Natal de sua mãe. Depois de Megan e Sophie trocarem os números dos telefones e os e-mails, Sophie prometeu lhe mandar todas as informações sobre a festa. Com o dever cumprido, e sabendo que precisaria de cada segundo até sábado para ter certeza de que estaria pronta para trancafiar todos os seus desejos e hormônios estúpidos perto de Gabe na festa, ela alertou: — Bem, acho que Summer e eu devemos ir embora e deixar todo mundo voltar ao trabalho. Ela chamou pelo nome da filha e negou os pedidos dela para ficar “ só mais um pouquinho”, pois estava tendo “ o melhor dia da vida dela” passando umas horas com os bombeiros. Depois de muito tempo, Summer finalmente pegou na mão da mãe e Megan conseguiu escapar de volta para a calçada, o coração batendo ainda mais rápido agora do que de manhã, mesmo descendo a colina. Tudo isso porque tinha certeza de que veria Gabe Sullivan novamente. — Você não vai tentar juntá-la com Zach ou Ryan, vai? — A ideia de um dos seus irmãos tocando em um só fio de cabelo de Megan deixava Gabe furioso. A irmã deu de ombros. — E por que não? Ela é meiga e inteligente, não acha? Ele não responderia a essa pergunta, pois não deixaria sua irmã saber que ele
  • 50. achava Megan a coisa mais linda sobre a qual ele já pusera os olhos. — Eles vão engoli-la e depois cuspi-la. Sophie cruzou os braços sobre o peito. — Ela perdeu um marido e cria uma filha sozinha. E parece estar se recuperando muito bem depois de perder tudo naquele incêndio. Acho que só essas duas coisas já provam o quanto ela é forte. — Ela deu de ombros novamente. — Quem sabe? Talvez ela seja o furo na armadura do Zach ou do Ryan. Nem pensar. Não quando ela já tinha lhe penetrado a pele. Ele não a queria impregnada na pele de seus irmãos também. — Sei o que está fazendo, Boazinha. Normalmente, o apelido fazia jus a ela, mas não hoje. Hoje a irmãzinha dele estava claramente disposta a lhe perturbar, convidando Megan e a filha para o círculo familiar. Sophie lançou-lhe um olhar inocente, com os olhos castanhos um pouco arregalados. — Megan é uma amiga da faculdade. Gosto muito dela. Quero vê-la mais vezes. — Então, convidá-la para a festa não tem nada a ver comigo? A irmã prendeu-o com um olhar que dizia saber exatamente o que ele estava sentindo por sua velha amiga. — Você é quem me diz, Gabe. Tem alguma coisa a ver com você? Ele arrancou o saquinho de porcaria integral da mão dela. — Obrigado pelo café da manhã. Tenho que voltar ao trabalho. Antes que pudesse virar e se afastar da irmã de quem ele normalmente gostava muito, pegou-a sorrindo. E sabia exatamente o que ela estava pensando. Sophie achou que ele estava começando a ficar loucamente apaixonado por Megan e sua linda filhinha.
  • 51. Estava enganada.
  • 52. CAPÍTULO cinco Sábado à noite... Megan nunca ficou tão feliz com um pneu furado em toda sua vida. Ela e Summer fizeram as últimas tarefas do dia e estavam estacionando o carro na garagem subterrânea quando sentiu o carro bater em alguma coisa. O zunido do ar foi alto o bastante para conseguirem ouvi-lo, mesmo com as janelas fechadas. Sabendo que a oficina fechava por volta das oito no sábado, ela disse a Summer que não poderiam dirigir os quase setenta quilômetros até Palo Alto com um estepe. Ela sentiu-se mal com a decepção de Summer por perder a festa de Natal da mãe de Sophie, mas, bem, fazer o quê? Era assim que as coisas aconteciam na vida. Apesar de a filha ser elétrica, ela normalmente era compreensiva com coisas desse tipo. Assim, Megan ficou surpresa quando Summer teve um ataque por não poder ir à festa. — Será só um monte de adultos. — Megan não entendia qual era o problema. Ou melhor, ela não queria entender. — Não entendo o que há de tão importante com essa festa. — Você sabe exatamente o que há de tão importante nessa festa — Summer acusou-a, antes de sair pisando duro em direção ao quarto e bater a porta com toda a força. — A essa hora já deveríamos estar lá, mas você nos atrasou com suas tarefas estúpidas, que nem precisávamos fazer esta noite! Megan teve de respirar fundo muitas vezes para manter-se calma.
  • 53. Não funcionou. Não quando ela tinha passado o dia todo com os nervos à flor da pele pensando em como ir à festa e ver Gabe de novo. — Não ouse bater a porta na minha cara, mocinha! — ela gritou do outro lado da porta. — É melhor você abrir agora mesmo. Alguns segundos depois, a porta abriu um pouquinho. Megan estava prestes a escancará-la e exigir desculpas, mas parou bem a tempo. As duas estavam fazendo uma tempestade em copo d’água. Em algumas horas, tudo voltaria ao normal e elas estariam enroscadas embaixo do cobertor no sofá vendo um filme sobre Rodolfo, a rena do nariz vermelho. Ela voltou para a cozinha e pegou o telefone para avisar a amiga que não conseguiria ir à festa, que, àquela hora, deveria estar no auge. Achando que deixaria um recado na caixa postal, ficou surpresa quando a amiga atendeu ao telefone. — Megan, você e Summer estão com problemas para achar a casa? — Na verdade — ela explicou —, não conseguiremos ir. — Ah, não. Por que não? Nenhuma de vocês duas ficou gripada, não é? Megan, de repente, desejou que tivesse fingido uma tosse, mas, não acreditava em mentiras. E, com certeza, não queria ensinar a filha a fazer alguma coisa desse tipo. — Não, estamos em perfeito estado de saúde. Meu carro é que não está muito bem. Estou com um pneu furado e não conseguirei arrumá-lo até segunda-feira. — Posso ligar de volta daqui a pouco? Megan concordou e desligou o telefone. Enquanto esperava tocar de novo, teve um mau pressentimento, um pressentimento que tentava convencer a si mesma ser ridículo. — Ótimas notícias! — Sophie disse alguns minutos depois, quando ligou
  • 54. novamente. — Gabe ainda não saiu e adoraria passar aí para pegá-las. Megan apoiou a cabeça na parede e fechou os olhos. — É muita gentileza dele, mas não gostaria de fazê-lo vir até aqui. Estamos tristes por perder a festa, mas... — Ele mora bem perto de vocês — Sophie garantiu. — Não tem problema nenhum. Posso passar o seu endereço para ele? Não! — Tudo bem — concordou. E, então, ciente de estar sendo muito mal- agradecida, acrescentou: — Obrigada, Sophie. Summer vai ficar muito feliz em saber que estamos de volta ao jogo. Quando desligou, estava escuro o bastante para Megan ver o próprio reflexo na janela da cozinha. Não ficou surpresa por parecer tão confusa. E preocupada, também. Entretanto, havia algo mais na expressão dela, algo que não deveria estar ali. Expectativa. Ela virou-se rapidamente da janela. — Boas notícias, Summer! — ela gritou com uma alegria forçada. — Parece que, depois de tudo, vamos mesmo à festa. Summer soltou um gritou de felicidade e então correu para a cozinha para cortar em pedacinhos o doce de chocolate que havia feito para a festa. Sophie pareceu absolutamente feliz com o pneu furado de Megan, Gabe pensou, enquanto estacionava a caminhonete em fila dupla em frente ao prédio e saía para buscar suas passageiras inesperadas. De fato, enquanto falava com ele, a irmã lhe havia perturbado muito por não ter se oferecido para levar a amiga e a filha à festa. O pior é que, obviamente, Sophie estava certa. Ele deveria ter se oferecido. Mas não tinha feito isso porque não sabia se podia confiar em si mesmo ao
  • 55. lado de Megan; receava que a atração entre eles pegasse fogo e queimasse os dois. Ele bateu à porta, e ela se abriu totalmente antes mesmo que os nós dos dedos pudessem fazer contato outra vez. — Sr. Sullivan! — Summer jogou os braços ao redor dele. Ele a abraçou também, olhando para dentro do apartamento, quando Megan apareceu no canto... E tirou-lhe completamente o fôlego. Ela parecia surpresa ao vê-lo. — Ah, oi! Não ouvi você bater. — O olhar dela ficou tenro quando o viu com a filha. — Obrigada por vir nos buscar tão em cima da hora. Havia uma dúzia de coisas que ele poderia ter dito, pelo menos umas cinco respostas que fariam sentido. E, mesmo sabendo que era melhor não fazer isto, tudo o que conseguiu dizer foi: — Você está linda. E ela realmente estava. Tão linda que o coração dele não sabia se parava de bater dentro do peito ou se disparava descontroladamente. Ele a observou tentando conter a surpresa diante do elogio inesperado dele. E então ela sorriu. — Obrigada. Ai, meu Deus. Aquele sorriso. O sorriso dela mexia com ele do mesmo jeito que acontecera no hospital. Ele já vira a determinação, as lágrimas e a gentileza forçada... Mas o sorriso doce e verdadeiro dela tirava-o do sério toda vez. Ele sentiu Summer puxá-lo pelo braço e mal conseguiu tirar os olhos da mãe dela. — Você também está linda, garota — ele elogiou a garotinha, que fez uma
  • 56. pequena pirueta para exibir o vestido verde brilhante. — E toda vez que diz Sr. Sullivan acho que está falando com o meu avô; então por que não me chama de Gabe? — OK, Gabe. Podemos ir? Quando você resolveu ser um bombeiro? Como é ter tantos irmãos e irmãs? Foi difícil virar bombeiro? Por que seu chapéu de bombeiro é vermelho? A enxurrada de perguntas da garota de 7 anos sentada no meio da cabine estendida deveria ser a maneira perfeita para lhe tirar a atenção de Megan vez ou outra durante a viagem para fora da cidade até a casa no subúrbio onde ele crescera; sobretudo quando a mulher sentada ao lado dele permanecia em silêncio quase absoluto. Durante a viagem de quarenta minutos, porém, apesar do cheiro de dar água na boca da grande travessa do doce de chocolate que Summer preparara, Gabe estava muito ciente do cheiro suave de Megan, algo floral e fresco, em conjunto com suas curvas maravilhosas embaixo do vestido de veludo até o joelho e daquelas pernas bem torneadas que ele fora incapaz de não admirar enquanto as acompanhava do apartamento até a caminhonete. Finalmente, quando parou diante da casa de sua mãe para que elas descessem, no momento em que foi até a calçada para abrir a porta da caminhonete, Gabe aspirou profundamente o ar frio e cortante. — Vejo vocês duas lá dentro daqui a pouco, depois que estacionar. Megan assentiu, mas não fez contato visual com ele, enquanto ajudava Summer a pular em seus braços. Ele não fumava desde o primeiro dia de treinamento com a equipe de bombeiros. Mas, pela primeira vez em muitos anos, Gabe teria dado a vida por um cigarro. Não levou mais do que cinco minutos para achar um lugar para estacionar a
  • 57. caminhonete e entrar na casa de sua mãe, decorada com uma árvore de quase três metros de altura e ao som de canções natalinas. Mas como seus irmãos poderiam ter encontrado Megan tão rápido? Zach e Ryan estavam cada um de um lado dela e, quando riu de algo que eles lhe disseram, ela ficou linda. Tão linda que o fazia sentir um nó no estômago cada vez que olhava para ela. Ele mataria seus irmãos. Se eles ousassem colocar as mãos nela, seriam homens mortos. E, então, quase em câmera lenta, ele viu o conhecido movimento de ataque de Zach, quando o irmão ergueu o braço para tirar uma mecha de cabelo dos olhos dela. Gabe estava a meio caminho da sala, com os punhos cerrados, quando a mãe parou-o com um abraço. — Querido, fico feliz por finalmente ter chegado. — Ela olhou para o outro lado da sala, onde seus irmãos estavam entretendo Megan. — E estou tão feliz por ter trazido Megan e Summer com você. Elas são adoráveis. Absolutamente adoráveis. Gabe tentou fazer sua pressão sanguínea voltar ao normal. Ele não tinha nenhum direito sobre Megan. Talvez Sophie tivesse razão. Talvez alguém como Megan fosse exatamente o que um idiota como o Zach precisasse para enxergar e mudar seu jeito de ser. Mas só de pensar nisso o sangue de Gabe já ficava mais quente. Sentindo o olhar da mãe sobre ele, de alguma maneira, conseguiu se controlar o suficiente para comentar: — Parece que vamos ter outra festa maravilhosa, mãe. — Contanto que todos vocês estejam aqui, estou feliz. Bem, menos um, infelizmente, mas sei que Smith fez o que pôde para voltar.
  • 58. Smith não tinha conseguido cancelar a agenda de filmagens para voar até São Francisco. Verdade seja dita, Gabe estava impressionado com o número de compromissos familiares aos quais Smith conseguia comparecer. Na verdade, eles estavam empatados: a cada filmagem da qual Smith não conseguia escapar, Gabe tinha de atender a um chamado de incêndio em vez de ver a família. A risada de Megan o fez olhar de volta para ela, apesar de seus esforços para olhar para outro lugar. Ele estava entre querer receber uma chamada de emergência e fugir da tentação e não querer parar de olhar para ela nunca mais. A julgar pelo modo que Zach estava prestando atenção em cada palavra dela, podia dizer que o irmão estava se sentindo da mesma forma. — Megan me falou a coisa mais meiga quando nos conhecemos. — As mãos da mãe sobre o braço dele o fizeram voltar a atenção para ela. — Ela me agradeceu por criar um homem tão maravilhoso, que fez tanta diferença na vida dela. — Ele observou a mãe engolir em seco. — Quase comecei a chorar lá mesmo na cozinha, pensando no que poderia ter acontecido a ela e à filha se você não estivesse lá. Ele sabia que era melhor não pensar na cena, no que teria sido se ele não tivesse chegado a tempo. Em vez disso, disse a si mesmo que estava feliz pela lembrança do que eles eram um para o outro. Megan era a mulher a quem ele salvara. Na única vez em que tinha cometido o erro de se envolver com uma vítima de incêndio a quem tinha salvo, as coisas tinham dado muito errado. Depois de todos estes anos, ainda mal podia acreditar no que Kate fizera quando ele terminou com ela, que ela... — Gabe, querido, você está bem? Diante da mão da mãe sobre o braço dele e da pergunta tenra, porém preocupada, ele enterrou a memória de volta. Ainda assim, precisava fazer a mãe entender que Megan não era diferente de nenhuma outra vítima de incêndio, que não havia nada de especial entre eles.
  • 59. — Ela ainda está processando o que aconteceu. É perfeitamente normal. — Acho que sim — ela disse ternamente. — Mas não esperava que viesse se desculpar comigo. Ele franziu a testa. — Ela se desculpou? — Ela sente-se responsável por você ter se machucado. Disse que, se tivesse andado mais rápido, se tivesse conseguido se controlar mais, você não estaria onde estava quando a viga caiu. — Isso é bobagem. Ele não percebeu que tinha se expressado em voz alta até sua mãe olhar para ele com as sobrancelhas levantadas, mas não podia suportar a ideia de Megan se culpar, de alguma forma, por qualquer coisa que tivesse acontecido. — Ela foi incrivelmente forte. Deveria ter ficado inconsciente muito antes, mas estava lutando pela vida da filha. — Ele fechou os olhos por um segundo e voltou para dentro da fumaça. — Você deveria tê-la visto. — Sophie está muito feliz por terem contato de novo. Espero vê-la mais vezes. Só Zach sabia que ele não saía mais com vítimas de incêndio — e a razão disso. E, provavelmente, foi por esse motivo que Zach pensou não haver problemas em investir em Megan, pois ele sabia que estar com ela quebraria uma das regras mais rígidas e seguras de Gabe. No entanto, graças a Deus, a mãe dele nunca acreditara em “ operação cupido”. Assim, ele procurou não ler nada nas entrelinhas da mensagem dela. — O que gostaria de beber, querido? Nossa! Como ele precisava de alguma coisa para relaxar. O problema era que, mesmo não sendo seu turno oficial, o batalhão estava com falta de pessoal durante as festas, e ele concordara em ser o backup na lista de plantão. Isso
  • 60. significava que não poderia beber naquela noite. — Pode ir entreter seus convidados, mãe. Eu providenciarei minha bebida. — OK. Se não se incomodar em acender o fogo do braseiro, eu agradeceria muito. Qualquer um de seus irmãos poderia ter acendido o fogo para ela, mas Gabe sabia que sua mãe gostava que ele o fizesse porque — com razão — presumia que ele seria mais cuidadoso do que os outros com relação à segurança. — Sem problemas. Ela beijou-o no rosto e voltou para junto de um grupo de velhos amigos. Contudo, em vez de seguir para o bar para tomar um refrigerante, Gabe fez uma linha reta em direção à mulher de quem planejara ficar longe a noite toda.
  • 61. CAPÍTULO seis Por que Gabe estava olhando para ela daquele jeito? Megan sentia-se um pouco zonza por conta do champanhe que tomara rápido demais, mas estava longe de estar bêbada. Então, por que tremia sobre os saltos enquanto Gabe atravessava por entre as pessoas na sala de estar e vinha na direção dela e do irmão dele? Ela sentia que ele a observava conversando com Zach e Ryan — e talvez tivesse gargalhado um pouco mais alto do que o normal, só para fazê-lo pensar que ela não estava nem um pouco interessada nele. — Me ligue amanhã e eu consertarei o pneu furado para você — Zach Sullivan disse aquelas palavras com um sorriso que a fez corar. Não porque estivesse atraída por ele. OK, ela era humana e, de todos os homens da família Sullivan, Zach era, sem dúvida, o mais bonito dentro de uma escala técnica que media a altura dos ossos da mandíbula e a distância entre os olhos. A questão era que, o que quer que fosse aquela sensação borbulhante proveniente da completa atenção de Zach, agora havia um terremoto acontecendo dentro dela, apenas pelos lindos olhos de Gabe, do outro lado da sala, cortando- a ao meio. Um terremoto que a sacudia, ameaçando revelar partes dela que jurava estar escondidas. Ela abriu a boca para agradecer Zach pela ajuda, mas, antes de conseguir fazer isso, Gabe se colocou no meio deles.
  • 62. — Saia daqui, Zach. Zach quem? Megan não conseguia tirar os olhos daquele bombeiro maravilhoso. — Onde está a Summer? — ele perguntou. Apesar do champanhe, a boca de Megan estava muito seca para responder. — Sua mãe a apresentou a outras crianças. Acho que estão dando uma olhada na sala de jogos no porão. — Que bom. Precisamos conversar. — Ele apontou para o quintal. — Algum lugar com mais privacidade seria melhor. Apesar de sempre estar relaxado ao lado da filha dela, Gabe era sempre muito tenso perto de Megan. Mesmo assim, agora ele parecia mais sério que o normal. Havia alguma coisa errada, ela tinha certeza disso, mas não sabia dizer o quê. É claro que ela não o conhecia o suficiente ainda. Ela passou pelas portas de vidro que davam no pátio vazio, seguida tão de perto por Gabe que podia sentir seu calor enquanto saíam no ar frio. Ela caminhou ainda mais para dentro da escuridão, longe dos convidados que bebiam, comiam e riam ao mesmo tempo. Ele tirou a jaqueta de couro. — Aqui está. Não havia nada gentil ou romântico em suas palavras bruscas ou em seu tom de voz. E, mesmo assim, quando ele colocou a jaqueta sobre os ombros dela, antes que ela pudesse recusar, nada pôde fazer a não ser sentir-se tocada por aquele gesto. Ela adorava o cheiro de Gabe, o jeito que o odor de fumaça parecia sempre estar impregnado nele, um perfume absolutamente exclusivo. — Sobre o que precisa falar comigo? — Apagar incêndios é o meu trabalho, Megan — ele começou sem
  • 63. preâmbulos, sem jogar conversa fora. — Sou treinado para lidar com situações perigosas e até mesmo fatais. Quando os bombeiros se machucam, ou é porque não tomaram as providências necessárias ou é por causa da força natural do fogo, que não se pode controlar. — Ele observou o rosto dela e, quando não viu o que estava procurando, ele disse: — Não deveria ficar se desculpando com a minha mãe pelo que aconteceu comigo. Ela não conseguiu disfarçar a surpresa. — Mas é verdade. Se eu tivesse... Ele a interrompeu. — Eu deveria ter carregado dois pesos mortos fora dali, mas você não desistiu em nenhum momento. Em nenhum momento, até saber que sua filha estava em segurança. A luz vinda das lanternas decorativas penduradas nos galhos dos carvalhos lhe permitia ver a expressão no rosto dele. Puro respeito. Por ela. — Você foi maravilhosa, Megan. E não quero que se sinta culpada pela minha participação no incêndio. Jamais. Mais do que surpresa, ela finalmente disse: — Obrigada por dizer isso, apesar de achar que não consigo mudar o que estou sentindo. — Nem eu. Eles se olharam fixamente, o ar entre eles provocando faíscas e correntes elétricas. De repente, ela não sabia se ainda estavam falando do incêndio... ou da tensão sensual no ar. — Não deveria ter trazido você aqui fora — ele disse de repente. — Está muito frio aqui sem uma lareira. Vejo você lá dentro daqui a pouco, depois que conseguir acender o braseiro.
  • 64. Claramente, esta era a maneira de ele se livrar dela. E Megan sabia que deveria ser inteligente para ir embora antes que qualquer das faíscas entre eles pegasse fogo. Mas que droga! Ela não gostava de sair concordando com todos os termos dele. E ela definitivamente não gostou quando ele se afastou como se ela já tivesse saído e começou a encher os braços com a madeira que estava por perto. Nenhuma mulher gosta de pensar que poderia ser esquecida tão facilmente. Mesmo uma que jurara não querer a atenção do homem em questão. Sabendo que sua teimosia a prejudicava, ela foi em direção à pilha de madeira e pegou vários pedaços que pareciam bons. Gabe não parecia feliz ao ver que ela ainda estava lá. — Você não vai entrar? Megan imaginou que a maioria das mulheres com quem Gabe saía provavelmente obedecia prontamente às ordens daquela boca linda, e ajoelhou-se ao lado do braseiro embutido que ele estava destampando. — Achei que pudesse ajudar a acender o fogo. — Ela admirou a estrutura de tijolos. — Isso é fantástico. A Summer vai me implorar por um desses em nosso quintal. Ela é uma grande fã de sanduíches de biscoito com marshmallow e chocolate. — Seu apartamento tem quintal? Ela balançou a cabeça. — Não o apartamento temporário em que estamos agora. Mas, assim que encontrarmos um novo lugar, é provável que tenha. — No entanto, mesmo enquanto falava, já sabia que nunca faria isso, pois ficaria muito preocupada com o fogo se espalhando do braseiro para o prédio. — Espero que encontre logo um lugar ideal, Megan. — Ele ficou em silêncio por um momento antes de continuar: — Já estive em milhares de incêndios em milhares de casas, mas não é a mesma coisa de ter acontecido comigo. Sinto
  • 65. muito por tudo o que deve ter perdido. E não ergueu os olhos dos pedaços de lenha com os quais fazia uma pirâmide perfeita. — Eu também. Ela não queria dizer isso a Summer; em vez disso, acreditava que a filha precisava que ela fosse forte. Não queria que seus clientes se preocupassem com o fato de ela não poder administrar a carga de trabalho; então, simplesmente garantiu a cada um deles que manteve seus arquivos de backup em lugar seguro e à prova de fogo. Independentemente do que ela dissesse, os pais dela se preocupariam; assim, obviamente manteve a boca fechada em relação a seus sentimentos também. E, quanto às amigas, a verdade era que, com o trabalho e os cuidados com Summer, ela não tivera muito tempo para sair com elas. Algumas das outras mães da escola eram simpáticas, mas não sentira uma conexão forte com nenhuma delas. E por isso foi tão bom ter reencontrado Sophie. — Por sorte, a maioria das nossas fotos ainda está em meu HD, mas as coisas que tinha guardado de quando Summer era bebê, do primeiro dia dela na escola, o primeiro dentinho... Gostaria que todas essas coisas não tivessem se perdido. — Ela obrigou-se a dar de ombros e a colocar um sorrisinho no canto dos lábios enquanto pegava os fósforos que ele lhe entregava. — Mas elas se foram e vai ficar tudo bem. Tive muita sorte com a minha filhinha. Ele concordou e olhou para o fogo que ela acabara de acender, dizendo: — Teve mesmo. O fogo acendeu e Gabe sorriu para ela. — Por falar nisso, bom trabalho com o fogo. Ele já havia sorrido para Summer várias vezes, mas não diretamente para ela. A força daquele sorriso, tão absolutamente verdadeiro, sem nenhum dos truques
  • 66. conhecidos que seus irmãos Ryan e Zach aplicavam, a fez querer dar mais dois passos para perto e beijá-lo. Como se ele pudesse ouvir os desejos silenciosos dela, o sorriso desapareceu em um instante e os olhos se escureceram, enchendo-se daquele calor do qual ela não conseguia se desvencilhar, do calor que a deixava morrendo de vontade de se aproximar, para ver se conseguia esquentar todos aqueles lugares dentro dela que estiveram frios por tanto tempo. — Preciso voltar lá dentro e ver se está tudo bem com a Summer. Os olhos dele ainda ferviam intensamente quando concordou. — Vá. Ela estava a meio caminho das portas de vidro quando percebeu que ainda usava a jaqueta de Gabe. Ela virou-se, voltou até onde ele a observava fixamente e a tirou dos ombros. — Obrigada. As pontas dos dedos se roçaram, e ela estava feliz pelo clima frio servir de desculpa para os arrepios que lhe percorriam a pele. Só ela precisava saber que não fora a temperatura que os provocara. Ela não esperou que ele dissesse “ De nada”. Simplesmente se virou e deu meia-volta em direção a um terreno mais seguro. Quando as crianças descobriram que havia um braseiro no pátio, todas correram para pegar gravetos no quintal para os marshmallows que a Sra. Sullivan colocara sobre uma mesa perto dali. O açúcar derretido na ponta do graveto, porém, não era a única surpresa maravilhosa que as aguardava. — Tem uma casa em cima de uma das árvores — Summer disse a Megan, os olhos arregalados e cheios de animação. A festa claramente estava tão divertida quanto ela imaginara. — Gabe disse que vai nos levar lá em cima para mostrá- la, se nossos pais deixarem.
  • 67. Ignorando a voz dentro de sua cabeça, que dizia Eu também quero brincar na casa da árvore, Megan passou a mão sobre o cabelo macio e brilhante da filha. — Claro que você pode ir. Só tenha cuidado para não cair. Summer revirou os olhos. — Não sou um bebê. Megan puxou-a para um abraço. — Você é meu bebê. — Mãe! — Summer se desvencilhou da mãe. — Preciso pegar uma lanterna antes que peguem todas. Ela atravessou o gramado até onde Gabe esperava com as lanternas, e Megan tentou não sentir o nó no estômago ao vê-lo sair para se aventurar com as crianças, rindo e fazendo piadas com aquele grupo cheio de energia. Ela nunca tinha visto um homem tão à vontade com crianças. Mas era mais do que isso, percebeu rapidamente. Ele gostava de crianças; simples assim. Até mesmo o pai de Summer, ainda que adorasse sua garotinha, não sabia muito bem o que fazer com ela. E Megan sempre teve a sensação de que David contava os minutos para a soneca, assim ele poderia fazer algo mais empolgante. Quando viu Sophie caminhando rapidamente pelo pátio, saindo, em um momento, de um canto escuro para a luz antes de seguir em direção à lateral da casa, Megan chacoalhou a cabeça e achou melhor não comparar David com Gabe. Ela procurou Sophie quando chegou, mas não conseguiu encontrá-la para colocarem o papo em dia. Haviam tentado manter contato nos últimos dias, mas, com a agenda ocupada de Sophie na biblioteca e os feriados de inverno de Summer na escola, chegaram à conclusão de que a festa seria o melhor momento para bater papo. No entanto, agora, em vez de querer ter uma conversa de mulher com alguém de quem ela sempre gostara, Megan estava um pouco preocupada. Sabendo que Summer estava em boas mãos com Gabe, Megan seguiu o
  • 68. caminho que Sophie havia feito ao lado do quintal até chegar a uma pequena casinha. Abrindo-a devagar, ela olhou para dentro e encontrou a amiga sentada sobre um vaso virado de boca para baixo. — Sophie? — Ah! — Sophie começou a levantar-se quando percebeu quem era. — Oi, Megan. — Ela parecia um pouco tímida por ter sido pega na casinha onde guardavam material de jardinagem, mas sorriu e convidou: — Gostaria de se juntar a mim? Megan sorriu para a velha amiga, fechando a porta atrás dela. Havia uma lâmpada no teto que iluminava o interior apertado, permeado com o cheiro de terra. — Está tudo bem? Sophie soltou uma respiração trêmula. — Alguma vez já quis muito algo que não deveria querer? Megan ficou pasma com a pergunta franca da amiga. Não havia falsidade em Sophie; nunca houve. Essa era uma das coisas que a levaram a se aproximar da amiga. Assim, mesmo tentada a fugir da pergunta, Megan assentiu, pois esperava que pudessem recuperar a boa e velha amizade que começaram na faculdade, especialmente agora, morando tão perto uma da outra. — Sei exatamente o que é isso — disse, pensando em quando estava no quintal com Gabe e sentiu um calor que não tinha nada a ver com o fogo aceso no braseiro. No entanto, concordar com isso não pareceu fazer Sophie sentir-se melhor. Quando a amiga olhou para as mãos, Megan acompanhou o olhar até as unhas bem cortadas e sem esmalte. Sophie usava um vestido de malha azul, que lhe

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