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Por uma reestrutura_ao_da_filarmonica_de_pocinhos (1)

Published on: Mar 4, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Por uma reestrutura_ao_da_filarmonica_de_pocinhos (1)

  • 1. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012 Por uma reestruturação da Filarmônica do Município de Pocinhos Hermes de Oliveira Filho Universidade Federal de Campina Grande – hermes.filho@hotmail.com Gilson José de Albuquerque Universidade Federal de Campina Grande – gilson300a@gmail.com Jean Márcio Sousa Universidade Federal de Campina Grande – jms_trombone@hotmail.com Emy Porto Universidade Federal de Campina Grande – emyporto@gmail.com Resumo: O objetivo deste trabalho é descrever o surgimento e relatar as causas da extinção da Filarmônica São José da cidade de Pocinhos, tendo em vista a viabilização de sua reestruturação. Os dados foram coletados através de pesquisa exploratória, com aplicação de questionários e entrevistas com alguns músicos que fizeram parte da história dessa filarmônica entre 1944 e 1970. Os resultados apontam para uma possibilidade real de reativação da Filarmônica de Pocinhos, em face da importância da música para a inclusão social. Palavras-chave: Filarmônica, Música, Inclusão social For a restructuration of Pocinhos Philharmonics Abstract: The purpose of this paper is to describe the beginning of the Philharmonic San José in Pocinhos City, then report the causes of its extinction in view of the viability of its restructuration. Data were collected through exploratory research with questionnaires and interviews with a few musicians who took part in this philharmonic history between 1944 and 1970. The results point to a real possibility of reactivation of the Pocinhos Philharmonic, given the importance of music for social inclusion. Keywords: Philharmonic, Music, Social inclusion 1. Introdução Quem não guarda lembranças dos tempos de outrora, quando as bandas de músicadesfilavam pelas ruas centrais de cidades do interior em busca do seu coreto, geralmentesituado em frente à matriz local, onde a população ansiosa esperava reunida para ouvir asmelodias previamente preparadas pelo Mestre para o deleite dos expectadores? Entretanto, aopassar dos anos, temos visto o desaparecimento dessa prática salutar que representa umfenômeno histórico e sociológico importante para a cultura de nosso país, como instrumentode grande influência na formação musical e inclusão social e com capacidade para despertarnas crianças e nos jovens o gosto pela arte musical. De acordo com teorias de vários autores,com experiências em bandas de música, percebe-se que a música é capaz de despertar osindivíduos para os valores da vida, a fim de vencer novos desafios, aflorando suas virtudes e
  • 2. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012seus dotes inatos, capacitando-os para a vida em sociedade. Com isso, as pessoas envolvidasnos projetos de musicalidade aprendem a respeitar a individualidade de seus semelhantes,aumenta sua própria autoestima, melhorando sua criatividade. Portanto, cresce aprobabilidade de uma ação harmônica, visando promover a interação entre o corpo e a mente.Ao se tornar um músico, o indivíduo adquire uma profissão que lhe dará renda para o sustentofamiliar, além de estabelecer na sua personalidade um sentimento de integração social. Esse fato nos estimulou a escrever sobre a saudosa Filarmônica São José, domunicípio de Pocinhos, a fim de mostrarmos as causas do seu desaparecimento, com aintenção de estimular na comunidade local o desejo de sua reabilitação. As informações aquirelatadas foram colhidas a partir de contatos com pessoas que viveram na época ou queparticiparam ativamente da Banda. No contexto histórico, foram utilizados os livros: Históriae tradição da música militar (CARVALHO, 2006) e A formação da música popular carioca(DINIZ, 2007). 2. A banda de música na história do Brasil De início, definir a palavra banda é de extrema importância para o nosso trabalho,uma vez que diversos grupos são indiscriminadamente assim denominados. De acordo com o The New GROVE dictionary of music e musicians, o termo“banda” é definido como: Um conjunto instrumental. Em sua forma mais livre “banda” é usada para qualquer conjunto maior do que um grupo de câmara. A palavra pode ter origem do latim medieval bandum (“estandarte”), a bandeira sob a qual marchavam os soldados. Essa origem parece refletir em seu uso para um grupo de músicos militares, tocando metais, madeiras e percussão, que vão de alguns pífaros e tambores até uma banda militar de grande escala (SADE, 1980 p. 71). A história das sociedades filarmônicas brasileiras remonta ao período em que D.João VI chegou ao Brasil. Acompanhando a Corte, estava a Banda da Armada Real dePortugal, um conjunto militar muito conhecido na Europa. Na época, atuavam no Brasilpequenas orquestras de cordas e couros destinados aos ambientes das igrejas e outros espaçosreligiosos, nas residências, salões, teatros e no âmbito das manifestações de rua (procissões,serestas, festas de largo). A música dita das ruas era feita pelas bandas de barbeiros, queexecutavam instrumentos de sopro. Com antecedentes das bandas de barbeiros, as sociedadesfilarmônicas e suas bandas foram se estruturando e se firmando, durante a segunda metade doséculo XIX e começo do século XX, ocupando espaços cada vez maiores na vida musicalurbana, cívica e/ou militar. Em seu trabalho de pesquisa, Alfredo José Moura de Assis relata: A organização de uma sociedade filarmônica não se restringia a arte da execução musical. Com o advento das primeiras entidades, suas diretorias interessavam-se pela criação de bibliotecas e de salas para audição de poemas e apresentações de dança (ASSIS, 2005).
  • 3. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012 Durante o século XIX, as bandas de música foram uma das instituições musicaismais presentes no Brasil, e no século XX transformaram-se em uma das mais popularesmanifestações da cultura nacional. As bandas estavam presentes em praticamente todos oseventos sociais, sacros e profanos, militares e civis; ainda hoje são os centros geradores devasto repertório de diversos gêneros, como chorinhos, marchas e dobrados e nelas formam-semúsicos profissionais e amadores. Alguns anos após a chegada da família real, em 1810, foram criadas as bandaspara os regimentos de infantaria e cavalaria da Corte (CARVALHO, 2006). Devido àdecadência do ouro no século XIX a pompa dos cerimoniais religiosos foi reduzida,provocando a diminuição no número de instrumentistas, e a dificuldade de formação deorquestras resultou na criação de bandas civis, inicialmente formadas por músicos militares.Em 1831 foram criadas as bandas de música da Guarda Nacional dando início aodesenvolvimento das bandas militares e civis nos grandes centros urbanos do Império(DINIZ, 2007). Mais tarde surgiram as bandas civis imitando a sua formação, tocando embares e apresentando-se nos coretos das praças. As bandas civis proliferam no fim do século XIX, ostentando nomes iniciados emgeral por “Lira”, “Filarmônica”, “Associação”, “Corporação” ou mesmo “Banda”, comuniformes que remetem aos uniformes militares e com os tradicionais quepes (CARVALHO,2006). A partir do século XX a música das bandas perdeu espaço para outras formas derepresentação musical, como por exemplo, os grupos de choro. 3. A Filarmônica São José A Filarmônica São José atuava no município de Pocinhos, cidade situada noagreste/cariri paraibano, região metropolitana de Campina Grande, com uma população, deacordo com o IBGE, censo 2010, de 17.032 habitantes, com uma área territorial de 630 km². O povoado de Pocinhos teve sua origem em 1790, quando José Ayres Pereiradeixou Alagoa Nova e se estabeleceu no Olho D’água do Bravo, erguendo a casa grande doBravo, bem próxima ao manancial, fundando o que viria ser o núcleo que daria origem aPocinhos. Em 1815, José Ayres solicita através do padre Leonardo Ribeiro, autorização aDiocese de Olinda para edificar uma capela em sua propriedade, que deixa de se chamar OlhoD’água do Bravo e passa a ser Pocinhos. A capela foi construída no mesmo lugar onde hoje seencontra a atual Matriz. Em 20 de fevereiro de 1938 chega a Pocinhos o padre José Augusto da SilvaGalvão, ou simplesmente o Padre Galvão (foto 1), que certamente não imaginava a magnitudedas transformações que viria a realizar na cultura desta então pequena povoação e que poucotempo depois (02.03.1938) seria elevada a vila com status de Distrito de Campina grande. Vale ressaltar que naquela época, segundo os dados do censo demográficorealizado no Brasil em 1935, Pocinhos contava apenas com 226 moradias e 775 habitantes. Após organizar e dinamizar os trabalhos paroquiais, o Padre Galvão passou acuidar da educação da juventude Pocinhense e criou, em 1º de maio de 1944 a EscolaParoquial de Música com a contratação do Mestre Oscar, um potiguar de Carnaúbas dosDantas, que ficou encarregado da formação musical dos alunos. Para dirigi-la foi eleita aseguinte diretoria: Pe. José Galvão, como Presidente; José Martins de Oliveiral, comoSecretário; e, José Manoel dos Santos (Zé Grande), como Tesoureiro.
  • 4. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012 Foto 1: Padre José Augusto da Silva Galvão, fundador da Filarmônica São José Ainda naquele mesmo ano, no dia 08 de dezembro, em plena festa da PadroeiraNossa Senhora da Conceição, deu-se a primeira apresentação da filarmônica São José, com aseguinte composição (foto 2): Antonio Vital e José Lourenço (trombones); Geraldo Veríssimo(trompete); Otávio Herculano de Melo (soprano); João Veríssimo Ferreira (sax alto); LuisMartins de Oliveira, Arnaldo Herculano de Melo, José Felinto e José Herculano de Melo(Clarinetes); Hernandes Herculano de Melo e Nino Januário (tubas); Hermes Oliveira daRocha, Nicodemos de Brito e José Augusto da Silva – “Zé Caneta” – (trompas); JoséHerculano de Melo –“Ciba” – (pratos); Carlos Herculano de Melo (tarol); José Veríssimo(surdo) e José Gusmão (bombo) Foto 2: Primeira formação da Filarmônica São José, regida pelo Mestre Oscar
  • 5. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012 Durante dezesseis anos, a Filarmônica São José animou a festa da Padroeira dePocinhos, além de outros eventos e solenidades que aconteceram, enchendo o orgulho dopovo de uma terra que começava a despertar para o futuro. Em meados da década de 60, o mestre Oscar, por motivos pessoais, teve quevoltar a sua terra natal deixando a banda sem regente, causando a paralisação dos trabalhos daFilarmônica. Em 1966, Padre Galvão, prefeito do município, reativou os trabalhos da banda.Para isso, convidou o Sr. João Veríssimo, contra mestre da antiga banda para atuar comomestre. De início, foi reaberta a Escola Paroquial de Música para que novos componentesfossem formados, dando oportunidade aos jovens da comunidade á aprender a arte musical.Depois de seis meses a banda estava em plena atividade graças à junção dos antigoscomponentes com os alunos formados pela atual escola. A partir desse momento, a igreja seafastou da direção da banda, cedendo apenas o prédio onde os músicos ensaiavam, ficando ocomando dos trabalhos a cargo do mestre e dos próprios músicos que se empenhavam aomáximo para que não houvesse interrupção das atividades, inclusive arcando com as despesasde material e remuneração do Sr. João Veríssimo. A sociedade Pocinhense, sensibilizada pelasituação precária da banda, se mobilizou promovendo bingos beneficentes cuja renda seriautilizada na aquisição de novos instrumentos, além das pessoas que faziam doaçõesindividualmente. Apesar das dificuldades a banda continuava fazendo seu papel cultural esocial dentro do previsto, participando das festas tradicionais do município e formando novoscomponentes. Este trabalho não se restringia apenas à banda de música. Os componentes daFilarmônica participavam de outros grupos musicais paralelos, formando pequenas orquestras(foto 3) que atuavam nas festas de clube e carnavais, tanto de Pocinhos como de outrosmunicípios paraibanos. Foto 3: Orquestra formada por músicos pertencentes a Filarmônica São José. A filarmônica São José (foto 4) era formada, na maioria, por jovens na faixa etáriade 13 a 17 anos, além dos componentes remanescentes da antiga associação musical. Era umaprática habitual pessoas de uma mesma família tocarem juntos, visto que prevalecia interessede que a arte musical fosse passada de geração a geração. Em 1970, ocorreram fatos decisivos para a extinção da banda de música. Várioscomponentes tiveram que se ausentar para prosseguir seus estudos na cidade de CampinaGrande com a intenção de concluir o ensino médio e prestar vestibular, seguindo caminhosdiferentes. A falta de apoio das autoridades constituintes fez com o maestro João Veríssimoao receber uma proposta financeira de outro município, deixasse sua terra natal em troca deuma garantia de estabilidade visando o bem estar de sua família. Sem ninguém da
  • 6. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012comunidade qualificado para substituir o maestro na formação de novos componentes, abanda não se renovou e acabou sucumbindo e parando suas atividades. Foto 4: A Filarmônica São José em 1970, no ano que foi extinta, em sua última formação. 4. Metodologia Os procedimentos adotados foram através de uma pesquisa de naturezaexploratória em que a coleta de dados se deu com base em entrevistas e questionários, cujosparticipantes são integrantes da população do município. As perguntas foram direcionadas aomotivo da problemática, história e sugestões para uma possível solução da questão. Foramutilizadas coletas de informações na internet, livros e fotos, com a intenção de ressaltar otrabalho realizado. Então, a metodologia de nossa pesquisa compreende três passos:levantamento, coleta e análise interpretativa. O levantamento foi preparado através deperguntas para buscar evidências que respondesse as questões, confirmando ou refutando ashipóteses elaboradas. A coleta de deu por meio de questionário previamente elaborado comperguntas fechadas, fáceis de responder e os entrevistados não precisaram escrever, masapenas marcar com um “x” a alternativa que melhor se lhe aplique. A análise e interpretaçãodo conteúdo se darão através da codificação dos dados colhidos.Referências:SADE, Stanley. The New GROVE Dictionary of Music and Musicians. London: MacmillanPublishers Limited, 1980.CARVALHO, Vinícius Mariano de. História e tradução da Música militar. Disponível emhttp://www.defesa.ufjf.br/fts/musicamilitar.pdf. Acesso em 06.03.2012.DINIZ, André. A formação da música popular: Bandas e Chorões. Curso on-line.junho, 2007.Disponível em http://www.niteroiartes.com.br/cursos/muspop/modulo1.php. Acesso em22.03.2012.
  • 7. XXII Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – João Pessoa – 2012ASSIS, Alfredo José Moura de. A história das sociedades filarmônicas brasileiras.Disponível em: www.bandasfilarmonicas.com/documentos/notassoltas/aa_história, acesso em12 de novembro de 2011.

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