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Narrativa transmídia em curso de libras a distância senai es

Published on: Mar 3, 2016
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Transcripts - Narrativa transmídia em curso de libras a distância senai es

  • 1. UMA HISTÓRIA, MUITOS CAPÍTULOS: A INOVAÇÃO NAAPLICAÇÃO DE NARRATIVA TRANSMÍDIA EM CURSO DE LIBRAS A DISTÂNCIA Vitória - ES – Abril 2010 Dayane Assis de Freitas - SENAI-ES - dfreitas@findes.org.br Fernanda Pagani Tessinari - SENAI-ES - ftessinari@findes.org.br Tatyana Ferreira Silva - SENAI-ES - tferreira@findes.org.br Vanessa Bicas Yee Ramos - SENAI-ES - vramos@findes.org.br Categoria (C) Métodos e Tecnologias Setor Educacional (5) Educação Continuada em Geral Natureza do Trabalho (B) Descrição de Projeto em Andamento Classe (2) Experiência Inovadora ResumoO presente artigo relata a experiência na elaboração e na execução de umcurso online de Libras a distância para capacitar funcionários da Federação daIndústria do Espírito Santo (Findes), e relaciona essa experiência àstransformações das formas de comunicação e educação a partir da ótica dacibercultura e da narrativa transmídia, termo que designa a transmissão doconteúdo por vários meios, de forma inovadora e sem repetição. A interaçãodos participantes e a vivência de novas experiências por eles é o ponto fortedessa nova tendência em que o conteúdo e uma boa história são maisimportantes que o meio para divulgá-los. No curso, a competição que começavirtual terminava nos encontros presenciais em que os jogadores-alunos seenfrentavam em equipes. A experiência com a turma piloto do cursodemonstrou que o processo da aprendizagem da Libras ficou mais fácil edivertido com esse enredo condutor e a possibilidade de ampliar a metáforacom o uso de diferentes suportes.Palavras-chave: educação a distância; narrativa transmídia; Libras;cibercultura; interação.
  • 2.   21 - Introdução Vivemos em uma época de convergência, em que as possibilidadescomunicacionais se ampliaram de uma forma sem precedentes. Nacontemporaneidade, não há mais um receptor passivo a espera de digerir osconteúdos, tanto informacionais quanto educativos, repassados pelas mídiastradicionais ou pelo professor. Também a noção de hipertexto ultrapassou seus limites levando-nos àhipermídia, processo comunicacional que segue em constante mutação,baseado nas premissas da interatividade, da participação, da bidirecionalidadee da multiplicidade de conexões. Texto, imagem e som são acessados eproduzidos de maneira interativa, em uma nova economia informacional emque a relação dos indivíduos com as “velhas mídias”, como a TV, está sealterando. Além disso, há uma convergência cultural. A popularização decâmeras fotográficas e celulares permite ao usuário produzir seus própriosconteúdos em foto e vídeo, transformando cada vez mais o modo comopensamos, aprendemos, nos relacionamos com os outros e com nós mesmos. Esse novo modo de se relacionar com os conteúdos multimidiáticosinfluencia todos os setores da economia e da sociedade, gerando uma novaordem global de pensamento e de consumo e novas oportunidades denegócios e produção. É a era da cibercultura, “da extensão das novas redes decomunicação para a vida social e cultural”, conforme Pierre Lévy (1999, 12),das práticas e modos de pensar que crescem no ciberespaço. Segundo Lévy (1999, p. 157), a relação contemporânea com o sabertambém está totalmente modificada, pois cada vez mais tecnologia einformação estão intrinsecamente ligados. O profissional da atualidade deveentender que, em seu trabalho, se ocupará de aprender, transmitir ideias erepassar conhecimentos, que muito antes de serem absorvidos já estarãoobsoletos. As tecnologias são cada vez mais intelectuais e nos fazem acionarmecanismos diversos e complexos, como percepção, raciocínio e memória. O fluxo que vivemos agora é informativo, a noção de território não émais suprimida e sim subvertida, subordinada aos fluxos econômicos. (Lévy,1994, p. 23). Acessamos a informação de maneira diferenciada e, por meiodela, raciocinamos. A transversalidade de informações é grande, e como não é
  • 3.   3possível saber tudo sabemos um pouco e compartilhamos em rede, nadinâmica de inteligência coletiva anunciada por Lévy (1994). A internet permitiu a disseminação do conhecimento e uma novarelação com o saber. As redes sociais de compartilhamento se multiplicamvertiginosamente, e a EAD se torna catalisadora dessas transformações,oferecendo aos alunos um novo estilo de pedagogia, conforme aponta Lévy(1999, p. 158) ao afirmar que a educação a distância favorece ao mesmotempo a aprendizagem personalizada e coletiva em rede. A partir dessas considerações, este artigo apresentará uma experiênciainovadora vivida pelo Núcleo de Educação a Distância do Senai-ES naelaboração de um curso básico de Língua Brasileira de Sinais (Libras) adistância. Serão apresentadas as principais características do curso, suametodologia e sua afinidade com a cibercultura e o conceito de narrativatransmídia, termo que designa uma nova relação do conteúdo com o usuário,que o acessa por multimeios e tem uma relação inovadora e interativa com ele.2 – O ambiente virtual e a narrativa transmídia Em consonância com os valores do Senai e do Sistema Findes, e diantede uma demanda interna por profissionais qualificados para atender o públicosurdo que deseja fazer cursos no Senai, no Sesi e no IEL, o Núcleo deEducação a Distância desenvolveu uma solução educacional para possibilitar acomunicação entre funcionários ouvintes e alunos surdos ou com deficiênciaauditiva, garantindo o acesso destes às entidades do Sistema e ao mercado detrabalho. Ao perceber que o público-alvo do curso seria formado por pessoas defaixas etárias diversas, que teriam em comum apenas o interesse em aprendera língua de sinais, a equipe criou uma metáfora relacionando o uso da Librasao jogo paintball, tornando assim o curso atrativo e dinâmico. O cenário do ambiente virtual de aprendizagem é lúdico e foi pensadopara que o aluno seja estimulado a participar e, consequentemente, não sesinta desmotivado ao ter que adquirir um grande repertório de palavras emLibras, ou seja, mais de 600 termos.
  • 4.   4 Por isso, no curso os alunos se transformam em “jogadores” virtuais como objetivo de aprender a língua oficial dos surdos brasileiros, se tornamparticipantes ativos e responsáveis pelo seu sucesso e o da sua equipedurante a competição. Para isso, devem obedecer às regras do jogo, que exigesilêncio e concentração. Em vez de gestos, como no paintball, os participantesusam os sinais de Libras para a comunicação entre os integrantes das equipesdurante as aulas presenciais. Figura 1. Ambiente online – campo de batalha virtual De acordo com a metáfora do curso, o participante da competiçãodeverá conquistar o território oponente na competição virtual. Para isso,enfrentará desafios e cumprirá tarefas que só serão bem desempenhadas coma prática e o entendimento dos conteúdos das aulas, denominadas missões. Acada etapa concluída no ambiente virtual, o aluno conquista uma bandeira doconcorrente. Nas aulas presenciais, momento nas quais a competição ocorreráde fato, o desempenho tanto do aluno quanto da equipe será avaliado por meiode atividades propostas pelo tutor, que é um professor surdo, acompanhado deum intérprete. Nas atividades presenciais, a equipe que vencer a tarefa receberá
  • 5.   5bandeiras reais que serão somadas às do ambiente virtual. Ao final do curso, aequipe que conseguir mais bandeira é a vencedora. Durante essas tarefas, oprofessor irá avaliar cada aluno para constatar se foi alcançado o objetivo damissão.   Figura 2. Extensão da batalha virtual: encontro presencial No ambiente virtual de aprendizagem (AVA) estão disponíveis oconteúdo do curso, que engloba as orientações de como sinalizar, e os vídeoscom os sinais representados pelo professor surdo. Além de textoscomplementares sobre a cultura e a identidade surda, características e tipos desurdez, teorias de ensino para pessoas com deficiência auditiva, entre outros.Essas leituras ajudam os alunos a entender o mundo dos surdos. Durante o curso, os alunos passam por quatro tipos de avaliação: online,presencial, diagnóstica e somativa. A avaliação diagnóstica é feita no início docurso. O objetivo é verificar o grau de conhecimento sobre a Libras. A avaliação online é realizada no AVA, sempre ao final de cada missão,com o objetivo de verificar se os estudantes aprenderam os sinais importantespara desenvolver as competências requeridas para aquela parte do conteúdo. A avaliação presencial é o momento em que os alunos vão comprovar
  • 6.   6se possuem as competências exigidas para sinalizar e interpretar os sinais. Érealizada por meio de atividades práticas nas quais serão avaliados pelo tutor epor si próprios, na autoavaliação. Este momento se dará em duas ocasiões: aotérmino da missão 3, por videoconferência, e ao término da missão 6, queconsiste na avaliação final a ser realizada nas unidades do Sistema Findes deorigem do aluno. É nesse momento que percebemos a integração entre conteúdo online eatividade presencial. São duas possibilidades narrativas diferentes, mas quesão continuidade uma da outra, conforme alguns preceitos baseados no termonarrativa transmídia, abordado por Jenkins (2008). Quem não estudou noambiente virtual de aprendizagem não saberá com tanta certeza responder aosexercícios propostos pelo professor surdo presencialmente. No entanto, oaluno não é excluído desse momento, se ao menos tiver acessado uma vez oambiente virtual e entrado em contato com a metáfora proposta no curso elepoderá se tornar interlocutor de sua equipe na competição presencial. Cadachamada no ambiente virtual para que se prepare para a competiçãopresencial é um estímulo para que o aluno se empenhe nos estudos e tenha aresponsabilidade de levar sua equipe a vitória nas aulas presenciais. Assim,conforme relata Geoffrey Long em entrevista a Marcus Tavares (2009),  cada capítulo deve servir como uma “toca do coelho” para que a audiência descubra a história, como fez a personagem Alice ao entrar no País das Maravilhas. O truque é fazer com que as audiências sintam que existe um mundo ficcional massivo a ser explorado por meio de uma narrativa que se desdobra através de todos os capítulos (...). Assim, aguçando a fantasia do aluno propomos que ele se dedique aestudar a Libras no ambiente virtual para que se torne vencedor no próximocapítulo do curso que é a aula presencial. Ao final do curso, é aplicada a avaliação somativa que permite avaliar oprocesso de evolução da aprendizagem dos alunos. O objetivo é verificar odesempenho, a eficiência das estratégias adotadas para o estudo autônomo, aassimilação do conhecimento e, por fim, se as competências foramdesenvolvidas. Esse retorno é importante porque contribui para comprovar osucesso e identificar dificuldades relacionadas ao que foi aprendido.
  • 7.   7 Assim, atentando para a estrutura narrativa, conforme Roesler (2007), odiscurso construído no ambiente virtual pela equipe de produção teve apreocupação de manter o aluno na expectativa de algo a mais. Junto com ospares, os participantes se tornam interlocutores de uma equipe que, à maneirado paintball, se une para conquistar bandeiras para si por meio dos sinais daLibras. Os alunos interagem, não são passivos. No ambiente virtual, nasmensagens enviadas pela monitoria e durante as aulas presenciais eles sãoconvidados a todo o momento a ser responsáveis por sua aprendizagem, porcontribuir para que sua equipe na competição presencial seja a vencedora. (...) Tendo como base a interpretação balizada pelo conceito de dialogicidade, um curso a distância seria ancorado na produção e oferta de materiais didáticos concebidos e organizados para provocar a geração de sentidos, além de proporcionar oportunidades para o exercício interpretativo e imaginativo, ao permitir que professores e estudantes não se guiem mais pelos tradicionais papéis de transmissores e receptores de informação, mas compartilhem processos de produção de sentidos. (SARTORI, ROESLER, 2005, p. 63, apud ROESLER, 2007). Roesler (2007) diz que a relação entre comunicação e educação,analisada sob a ótica da cibercultura, privilegia a troca, a co-autoria, ainterlocução entre indivíduos e a interatividade. Essa relação entre pessoas éestabelecida também pela intensidade e velocidade da informação na rede quepermitem a constante atualização do hipertexto. As ações dos estudantes seconstituem em “navegar, manipular e disponibilizar informações diversas emespaços virtuais, através de ações individuais ou coletivas, o que constituidiversificados interrelacionamentos a distância”. Por meio das simulações, dos grandes bancos de dados de imagens edas conferencias eletrônicas, conforme salienta Lévy (1999, p. 164), acapacidade imaginativa se prolonga, se afastando da abstração teórica. Amemória humana ganha assim um aliado na fixação de informações. Lévy (1999, p. 167) ainda faz uma projeção de que nas próximasdécadas o computador será imprescindível para a memória, o pensamento e acomunicação. E que qualquer instituição que atue com educação deve levarisso em conta.
  • 8.   8 Por isso, como alerta Roesler (2007), os ambientes virtuais deaprendizagem devem privilegiar os recursos de interação com os alunos paraque, por meio deles, o processo de ensino-aprendizagem ocorra da forma maiseficaz. O que a autora chama de “estar junto virtual” é a forma de socialidadena rede propiciada pelas interlocuções comunicativas.3 - Considerações finais O desafio de realizar um curso a distancia de Libras foi posto e erapreciso tornar essa experiência marcante para os alunos. A maior preocupaçãoda equipe de desenvolvimento era o fato de que os estudantes deveriamaprender muitas palavras em um tempo relativamente curto (cerca de doismeses). A tarefa poderia se tornar maçante e a evasão grande se os alunosnão fossem envolvidos em uma história na qual têm função importante. Tornar o ambiente virtual um local de competição, por meio da qualcada membro da equipe tem a responsabilidade de conseguir mais bandeirasque o time adversário, possibilitou aos alunos assumirem os papéis deinterlocutores no processo de conhecimento. Conforme Fantauzzi (2009),“ambientes hipermidiáticos permitem ao aluno sentir-se único, responsávelpelas suas escolhas (...) cooperando espontaneamente a partir de interessescomuns a um grupo (...)”. Por meio do discurso no ambiente virtual, foi possível preparar o alunopara a competição física. No contexto da narrativa transmídia, os encontrospresenciais se tornam um novo texto, distinto do ambiente virtual deaprendizagem. Aqueles que não conseguem interagir tanto no ambiente virtualpodem aprofundar seus conhecimentos da Libras por meio de outro suporte, ocontato físico e a competição. O conceito de narrativa transmídia ainda é algo recente. Suasimplicações e possibilidades de uso na educação, no entretenimento e nomundo do trabalho ainda precisam ser avaliadas, o caminho ainda está sendotraçado, conforme salienta Jenkins (2008, p. 136). No entanto, é possívelvislumbrar muitas oportunidades narrativas principalmente para cursos adistância, pois “quanto mais direções diferentes seguir, quanto maiscomunidades puder sustentar e quanto mais experiências diferentes puderproporcionar, melhor”.
  • 9.   9 E essa característica narrativa dialógica já é constante na construçãode produtos de EAD. Basta que os desenvolvedores atentem para as enormespossibilidades proporcionadas pela era da cibercultura.4 - Referências bibliográficasFANTAUZZI, Elizabeth. Cultura da convergência e a TV digital interativa:desafios para o design instrucional de cursos a distância mediados pelas TICs.In: III Simpósio Nacional da ABCiber, São Paulo. Banco de Papers. São Paulo,ABCiber, 2009. Disponível em:http://www.abciber.com.br/simposio2009/trabalhos/anais/pdf/artigos/4_educacao/eixo4_art6.pdf. Acesso em: 4 abr. 2010.JENKINS, Henry. Cultura da convergência. Tradução de Susana Alexandria.São Paulo: Aleph, 2008.LÉVY, Pierre. Cibercultura. Tradução de Carlos Irineu da Costa. São Paulo,Editora 34,1999.__________. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço.São Paulo: Loyola, 1994.ROESLER, Jucimara. Comunicação, socialidade e educação on-line. In: 13ºCongresso Internacional de Educação a Distância, 2007, Curitiba. Trabalhoscientíficos. Curitiba: Abed, 2007. Disponível em:http://www.abed.org.br/congresso2007/tc/552007104412PM.pdf. Acesso em:15 abr. 2010.TAVARES, Marcus. Transmídia: a narrativa da atualidade. Rio de Janeiro:Revista Pontocom, 2009. Disponível em:http://www.revistapontocom.org.br/category/edicoes-anteriores-conversa-com/page/22. Acesso em: 8 abr. 2010.