UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA NARLA...
1 NARLA CAROLINE DE ARAÚJO CONCEIÇÃODIREITO AO ESPORTE E LAZER E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS JOVENS DE ALAGOINHAS...
2 NARLA CAROLINE DE ARAÚJO CONCEIÇÃODIREITO AO ESPORTE E LAZER E REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS JOVENS DE ...
3Dedico aos meus pais Nelson, Neuza e asminhas irmãs Naiara e Naiane e àquelesque com carinho me incentivaram ao longodo m...
4 AGRADECIMENTOS A monografia se constitui como um Trabalho de Conclusão de Curso, noen...
5foram para além das salas de aula. Aqui também conheci pessoas que direta eindiretamente facilitaram esse processo format...
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8 ABSTRACTThe present work of completion of the university degree result from a survey ...
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10 LISTA DE QUADROSQUADRO I- FREQUÊNCIA DOS JOVENS NOS ESPAÇOS 39 ...
11 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 122 POLÍTICAS P...
121 INTRODUÇÃO Hoje muito se fala em esporte e lazer como prática social cultural e suaimportância na formação humana...
13 Tomando o esporte e o lazer como direito de todos e dever do Estado quereúne em torno de si distintas possibilidad...
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15 Marcassa e Sousa (2007, p. 85) apoiados em Mascarenhas dizem que amanifestação do esporte sob a forma de lazer se ...
16 Um fenômeno tipicamente moderno, resultante das tensões entre o capital e traba...
17de políticas públicas e sobre o processo de sua constituição. A mesma autora definepolíticas públicas de forma bem sucin...
18 A prática assistencialista, alimentada pela gestão tradicional, cria nas lidera...
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20saberes e práticas de organização, indivíduos e grupos, sendo uma rede centradana identidade de um projeto”, garantindo ...
21 Vários estudos e documentos mais prescritivos têm destacado a importânciado envolvimento da população no processo ...
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26ou políticas, uma categoria sujeita, pois, a modificar-se ao longo do tempo” (PAIS2003, p.37). A noção mais geral e...
27enfoque maior em políticas públicas para juventudes, as quais são vistas comobônus demográfico, por oferecer oportunidad...
28“ligada ao tempo livre a ao lazer que abarca novas atividades e espaços de diversãoe novos padrões de comportamento, esp...
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31 A preocupação com o tempo livre da juventude não pode limitar-se a tentativade redução de danos ou de prevenção da...
32 A noção de representação social se dá na interface do psicológico e do social,do individual e do coletivo, que se ...
33sociedade. Portanto, as representações que criamos sobre determinado objeto sãosociais, uma vez que a existência humana ...
343 PERCURSO METODOLÓGICO A priori considero importante trazer algumas definições sobre ciência,pesquisa e método, an...
35métodos reflexivos de teor científico e que se estabelece para se reconhecer arealidade ou para descobrir verdades parci...
36para as práticas de esporte e lazer da cidade. Considero aqui a idéia de Rudio(2001, p. 40) que entende por observação “...
37 E ainda diz que o objeto de análise não se esgota em uma descrição, não tema ver com objetividade da análise, ...
384 DOCUMENTOS, DISCURSOS E OBSERVAÇÕES DE CAMPO Valendo-se do estudo bibliográfico e do mapeamento dos espaços, a ci...
39Cultura, Esporte e Lazer e seu papel para a cidade de Alagoinhas. Na entrevistafeita com o diretor de esporte e lazer da...
40Jovem A Finais de semanaJovem B Praticamente todos os diasJovem C De vez em quando, mais aos dom...
41considerados como ponto de encontro, onde diversas experiências coletivas eindividuais podem se constituir. A jovem E, a...
42identidade onde outros partilham dos mesmos interesses, o lazer como um espaçode aprendizagem das relações sociais em co...
43 Aqui o jovem A atribui importância ao lazer, por propiciar um tempo dedescontração, liberdade das cobranças diária...
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45 Porque nem eles mesmos ligam pra isso. É um direito deles, mas eles não fazem questão d...
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Published on: Mar 3, 2016
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  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA NARLA CAROLINE DE ARAÚJO CONCEIÇÃODIREITO AO ESPORTE E LAZER E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS JOVENS DE ALAGOINHAS Alagoinhas 2009
  • 2. 1 NARLA CAROLINE DE ARAÚJO CONCEIÇÃODIREITO AO ESPORTE E LAZER E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DOS JOVENS DE ALAGOINHAS Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade de Estado da Bahia - Campus II como requisito para obtenção do grau de Licenciada em Educação Física. Orientador: Augusto Cesar Rios Leiro. Alagoinhas/ BA 2009
  • 3. 2 NARLA CAROLINE DE ARAÚJO CONCEIÇÃODIREITO AO ESPORTE E LAZER E REPRESENTAÇÃO SOCIAL DOS JOVENS DE ALAGOINHAS Monografia apresentada como requisito parcial para a conclusão do curso deLicenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia, Campus II. Aprovada em 31 de Agosto 2009. BANCA DE AVALIADORES _______________________________________________ Prof. Dr. Cesar Leiro Doutor pela UFBA Docente da UNEB ________________________________________ Prof. Esp. Angelo Amorim Especialista pela FVC Docente da UNEB ________________________________________ Prof. Cândida Andrade de Moraes Especialista pela UNEB Docente da UNEB
  • 4. 3Dedico aos meus pais Nelson, Neuza e asminhas irmãs Naiara e Naiane e àquelesque com carinho me incentivaram ao longodo meu percurso formativo.
  • 5. 4 AGRADECIMENTOS A monografia se constitui como um Trabalho de Conclusão de Curso, noentanto o percurso adotado para chegar aqui foi tomado por acontecimentos queenriqueceram na minha formação tanto profissional quanto pessoal. E aqui venhomanifestar meus agradecimentos às pessoas e instituições por essa conquista. Inicialmente agradeço a Deus por me dar o fôlego de vida, por me conceder aTua graça e bênçãos, pela Tua infinita fidelidade e incomparável amor, por serevelar presente nos mínimos detalhes e pelo afago que encontrei em todos osmomentos em que precisei. Obrigada Senhor! Aos meus pais Nelson e Neuza que me apoiaram, orientaram, proferirampalavras de incentivo, encorajamento, amor. Às minhas irmãs Naiara e Naiane queme abençoaram durante boa parte do percurso de formação, pelos pequenos gestose palavras de carinho e que com todo amor se preocuparam comigo colocandosempre meu nome em suas orações. Aos meus avós Dionísio e Valdelina, pelo carinho, paciência e cuidado quetiveram comigo, os quais me receberam de braços abertos em sua casa. Essapequena distância Salvador – Alagoinhas fez aumentar e fortalecer esse laçofamiliar e de amizade, contribuindo de forma significativa também na minhaformação de caráter. À minha “nada pequena” família pelos votos de sucesso e por compartilharcomigo momentos inesquecíveis. Aos mais que amigos, irmãos, que ficaram emSalvador, mas que nos possíveis encontros manifestaram a felicidade ao mereencontrar e a curiosidade de conhecer um pouco da minha vida acadêmica. Aos colegas de curso que amei conhecer, cada um com sua personalidade eparticularidade, diferenças que não interferiram no meu relacionamento de amizadee respeito com eles. Foram tantos os momentos com essa turma que ficarão parasempre gravados, nossos encontros, viagens - e que viagens - amigos secretos,“junta panela”, eventos e seminários. Gravados também estão aqueles que começaram conosco, mas que poroutros motivos tomaram novos rumos. Que Deus os abençoe. Durante todo o curso estabeleci relações de amizade, respeito,companheirismo. Cabe citar aqui nomes das pessoas que com certeza fizeramdessa relação um fator para crescimento e aperfeiçoamento pessoal, poisaprendemos muito nessas interações . Agradeço a amiga Aurelice por tudo o que fez por mim, a qual se colocoumais do que uma simples amiga. De igual modo Nívea, que ainda não conhecipessoa como ela, com jeitinho muito especial de ser, mãe de três lindos filhos,batalhadora e que persistiu com muita fé em Deus para superar as dificuldades quelhe foram aparecendo no caminho. A Jeane e a Guilherme pelos raros e semprealegres momentos. Anne Sulivan, garota que luta com todas as garras paraconquistar seus sonhos e planos. Amiga Paulinha e Marquinhos, “o filho de mainha”,pelos momentos divertidos e de muita alegria. Reconheço que Deus me colocou naturma certa, a primeira. Cabe aqui agradecer a instituição de ensino que me possibilitou um ricoaprendizado neste percurso formativo, a Universidade do Estado da Bahia, emespecial ao Campus II situada na cidade de Alagoinhas, na qual encontreiprofessores e professoras onde as relações de amizade e cooperação estabelecidas
  • 6. 5foram para além das salas de aula. Aqui também conheci pessoas que direta eindiretamente facilitaram esse processo formativo, aos funcionários e funcionáriasdos setores de infra-estrutura, de coordenação e administrativo. Ressalto o nome dodiretor Gregório Benfica, pela inteira disposição em atender as necessidades dodepartamento, e em especial ao curso de Educação Física, o qual tem estabeleceuuma relação significativa com os discentes e docentes. Ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer, pelosdebates e discussões de âmbito político social que facilitaram e contribuíram naminha condição de pesquisadora. Paralelamente a PICIN, programa de iniciaçãocientifica da UNEB, a qual me concebeu uma bolsa financiando minha pesquisa. Ao diretório acadêmico pelos intensos momentos em que nos articulamospara defender os interesses do curso junto ao colegiado de Educação Física, nabusca de melhoras, no ensino, pesquisa e extensão. Agradeço a todos pelos singelos e sinceros votos de sucesso. E mais umavez a Deus, pois a Ele pertence a toda Honra e a Glória, para sempre, Amém!
  • 7. 6... A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. A gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte... Por: Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Sérgio Brito
  • 8. 7 RESUMOO presente trabalho de conclusão de curso resulta de uma pesquisa intitulada deOrdenamento Legal em Lazer e Esporte - OLLE, desenvolvida pelo Grupo deEstudos e Pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer - GEPEFEL doDepartamento de Educação de Alagoinhas da Universidade do Estado da Bahia.Trata-se de produção monográfica interessada em captar as representações sociaisde jovens a cerca do seu direito ao esporte e lazer na cidade de Alagoinhas/BA ecompreender como se comportam diante desse direito. Caracteriza-se comopesquisa qualitativa e se apresenta em cinco capítulos. Inicialmente apresenta asprincipais categorias do referencial teórico, posteriormente discute e analisa asrepresentações levantadas e por fim, sintetiza a temática afirmando a necessidadede ações de esporte e lazer para/com as juventudes alagoinhenses.Palavras chaves: Esporte e Lazer, Representação Social e Juventude.
  • 9. 8 ABSTRACTThe present work of completion of the university degree result from a survey entitledto Legal Planning for Recreation and Sport - OLLE, developed by the Group forStudy and Research in Physical Education, Sport and Leisure – GEPEFEL,Department of Education Alagoinhas the University State of Bahia. It is producingmonographic interested in capturing the social representations of young people abouttheir right to sport and leisure in the city of Alagoinhas / BA and understand how tobehave faced with that right. Is characterized as qualitative research and ispresented in five chapters. Initially presents the main categories of theoretical thendiscusses and analyzes the representations raised and finally, summarizes the issueby asserting the need for action sports and leisure activities for / with the youthsalagoinhenses.Keywords: Sport and Leisure, Social Representation, Youth.
  • 10. 9 LISTA DE SIGLASCELADE/ Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografia /CEPAL Comisión Económica para a América Latina y el CaribeGEPEFEL Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Física Esporte e LazerOLLE Ordenamento Legal em Lazer e EsporteUNESCO- Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e a Cultura
  • 11. 10 LISTA DE QUADROSQUADRO I- FREQUÊNCIA DOS JOVENS NOS ESPAÇOS 39 PÚBLICOSQUADRO II- MOTIVAÇÃO PARA USAR O ESPAÇO 40QUADRO III- NOÇÃO DE LAZER DOS SUJEITOS 41QUADRO IV- IMPORTÂNCIA DO ESPORTE E LAZER 42QUADRO V- NOÇÃO DO ESPORTE E LAZER COMO DIREITO 43 SOCIALQUADRO VI- PERCEPÇÃO DA GARANTIA DO DIREITO NA 44 CIDADEQUADRO VII- POSSIBILIDADES DA AÇÃO PÚBLICA PARA 45 GARANTIR ESSE DIREITO
  • 12. 11 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 122 POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTE E LAZER E 14 REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DAS JUVENTUDES 2.1 A QUESTÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTE E 14 LAZER 2.2 RETRATANDO A JUVENTUDE 23 2.3 A CONSTRUÇÃO DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS 313 PERCURSO METODOLÓGICO 344 DOCUMENTOS, DISCURSOS E OBSERVAÇÕES DE CAMPO 385 CONSIDERAÇÕES FINAIS 47 REFERÊNCIAS 49 APÊNDICES 52
  • 13. 121 INTRODUÇÃO Hoje muito se fala em esporte e lazer como prática social cultural e suaimportância na formação humana e cidadã das pessoas. Captar a representaçãosocial sobre essas práticas e sua relevância como direito dos jovens da cidade deAlagoinhas, se constitui no principal foco desta pesquisa. Esse tema surge do convívio com os jovens na cidade de Alagoinhas e dointeresse de compreender como esses sujeitos tomam o esporte e o lazer como odireito social e constitucional, que vai além das práticas assistencialistas edesvinculas das reais necessidades e interesses das populações. O presente trabalho teve como ponto de partida uma pesquisa matricialintitulada Ordenamento Legal em Lazer e Esporte – OLLE - desenvolvida pelo Grupode Estudos e Pesquisa em Educação Física, Esporte e Lazer / GEPEFEL doDepartamento de Educação de Alagoinhas da Universidade do Estado da Bahia doqual faço parte como bolsista. Trata-se de uma pesquisa sobre as representaçõessociais dos jovens a cerca do seu direito ao esporte e lazer na cidade de Alagoinhasno Estado da Bahia, tendo por objetivo compreender o que pensam e como secomportam diante do direito social. Esporte e lazer são fenômenos culturais desenvolvidos por todo mundo e sãotomados aqui de modo relacional e implicado. O esporte é uma prática socialdifundida globalmente na forma de competições esportivas oficiais, que encontramnos jovens, notadamente no seu momento de lazer, grande repercussão. Talprocesso é difundido pelos meios de comunicação de grande alcance e estáreferenciado, em grande medida, num conjunto de regras e normasinternacionalmente aceitas. Para superar essa visão restrita, o esporte também deveser visto como uma prática social e que assume significados peculiares do universoem que está inserido. Já o lazer, encontra definições em diversos campos teóricos.Muitos autores o retratam como uma prática histórica e cultural, na qual o serhumano se constrói e produz novas culturas ao longo das relações sociaisestabelecidas nesses momentos. Outros teóricos atrelam o lazer ao tempo livre oudisponível e defendem que a democratização do lazer requer uma democratizaçãodos espaços públicos e das ofertas de atividades organizadas de lazer na cidade.
  • 14. 13 Tomando o esporte e o lazer como direito de todos e dever do Estado quereúne em torno de si distintas possibilidades culturais e que pode promoverdiferentes programas e ações setoriais para as juventudes, a presente investigaçãobuscou captar as Representações Sociais sobre o esporte e lazer dos jovens quefrequentam os espaços públicos de lazer citadino. Sendo assim as políticas públicas de esporte e lazer implantadas nas cidadesdevem ampliar seu conceito de esporte e de lazer no processo de formulação eimplementação de programas e projetos nesse setor, resgatando a noção de direitosocial, garantindo-o, não só aos jovens, mas aos demais grupos sociais. A partir disso considero importante essa pesquisa pelo o que ela podecontribuir no debate sobre as representações sociais dos jovens sobre esporte elazer como direito constitucional, bem como para os avanços no planejamento depolíticas públicas para legitimar esse direto para e com a juventude. Para discutir otema a presente monografia foi estruturada em cinco capítulos. No capítulo introdutório situo as temáticas do esporte e do lazer como práticassocioculturais e faço uma breve caracterização dos sujeitos da pesquisa e do intentodo estudo. No segundo capítulo elejo o esporte e lazer, as representações sociais ea juventude como categorias teóricas principais. No terceiro capítulo apresento o percurso tomado para a construção dapesquisa, bem como os métodos utilizados para coleta e análise dos dados einformações levantadas ao longo da caminhada. No quarto capítulo discuto os dados e faço uma discussão daquilo que osjovens representam sobre o esporte e lazer e sobre e a realidade da administraçãopública no que tange ao fomento do esporte e lazer na cidade. Por fim no quinto capítulo apresento minhas considerações finais, fruto dosreferenciais teóricos e das informações colhidos ao longo do estudo e proponho umagestão pública comprometida com o esporte e lazer como direito.
  • 15. 142 POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTE E LAZER E REPRESENTAÇÕESSOCIAIS DAS JUVENTUDES O presente capítulo discute o esporte e o lazer como direito social que deveser assegurado por meio de políticas públicas que resgate a noção de direito dentrode uma perspectiva de ações públicas descentralizadas. Ao lado de umaapresentação sobre a juventude como categorias sociais que assume identidades ecaracterísticas diversas e por fim faz uma breve reflexão sobre a noção daconstrução das representações sociais, como construções que são afirmada ounegadas dentro das relações sociais.2.1 A questão das políticas públicas de esporte e lazer As discussões em torno do esporte e lazer têm se intensificado nas últimasdécadas à medida que se reconhece a importância desses fazeres culturais dentrode uma sociedade cada vez mais carente e necessitada de atenção. Os debates decorrentes de pesquisa e de fóruns de discussões, que apontama importância do esporte e lazer, têm favorecido um olhar mais crítico, quando sepensa nas políticas públicas destinadas a esse setor dentro de uma administraçãopública. Pois, a forma como tem sido tratada a questão do esporte e lazer acaba porrestringir suas possibilidades, dificultando assim uma discussão mais abrangentesobre o tema no âmbito nacional, regional e local. Para tanto, importa-nos levantar alguns conceitos de esporte e de lazer, parasubsidiar os debates. Leiro (2004, p.35) define esporte como uma “prática social queintegra as manifestações da cultura corporal do ser humano” que assumecaracterísticas próprias a partir do contexto que esteja inserido, “embora guardelinhas e gestos internacionalmente praticados”. E amplia dizendo que: Tais manifestações podem ainda, nos territórios citadinos formais e não-formais, se configurarem em espaços referenciais de aprendizagem das culturas corporais, independente do segmento social ao qual o cidadão pertence, da sua habilidade motora, do sexo ou da etnia. (p. 41)
  • 16. 15 Marcassa e Sousa (2007, p. 85) apoiados em Mascarenhas dizem que amanifestação do esporte sob a forma de lazer se constitui como: um tempo e espaço de organização da cultura e prática da liberdade que se expressa também na qualidade social e popular alcançada por uma sociedade que tem seu direito ao lazer alicerçado sobre princípios como planificação, justiça, democracia, autonomia etc. A percepção do lazer emerge em meio a construção de um novo modelo deprodução fabril e organização do trabalho em fábricas, o que resultou naartificialização do tempo (tempo de trabalho e de não-trabalho). Restringir o lazerao tempo subtraído a jornada de trabalho foi alvo de muitas reflexões,principalmente na segunda metade do século XX. Historicamente o debate em torno o lazer vem acolhendo diversos caminhosconceituais. No final da década de 70 o sociólogo francês Dumazedier (1980, p. 34)define lazer como: Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais. Outra definição muito importante é de Requixa (1980, p. 35) que entende olazer como “uma ocupação não obrigatória, de livre escolha do individuo que avive,e cujos valores propiciam condições de recuperação psicossomática e dedesenvolvimento”. Autor de grande repercussão teórica no campo do lazer, Marcellino (2004, p.31) entende o lazer como “cultura vivenciada, praticada ou fruída no ‘tempodisponível’. [...] A disponibilidade de tempo significa possibilidade de opção pelaatividade prática ou contemplativa”. O autor prefere usar o termo “disponível” ao“livre” sob o pressuposto de que tempo algum é totalmente livre por estar submetidoa processos de coação ou a normas de conduta social. Já Mascarenhas (2001, p.92) toma o lazer como prática da liberdade econsidera que o contexto em que o lazer emerge ocupa um lugar na sociedade e oconstitui como:
  • 17. 16 Um fenômeno tipicamente moderno, resultante das tensões entre o capital e trabalho, que se materializa como um tempo e espaço de vivências lúdicas, lugar de organização da cultura, perpassado por relações de hegemonia. O lazer pode se constituir como vivências de inúmeras práticas culturais,como o jogo, as brincadeiras, a festa, o passeio, a viagem, o esporte, e também asartes como pintura, teatro, cinema, musica, literatura. E os valores atribuídos a essasatividades, na linguagem comum são: divertimento, descanso e também ao ócio,este último muitas vezes relacionado, negativamente, ao não fazer nada, ao vazioou “coisa de vagabundo”. A ociosidade aparece na historia brasileira como forçanegativa e o lazer é pensado a partir de um conjunto de atitudes a serem cultivadaspelo individuo. Ao lado dos estudos do lazer emerge os discursos sobre os direitos sociais eo lazer como direito constitucional devendo sua prática ser assegurada e estendidapelo Estado de forma a garantir o bem estar social. A partir da Constituição Federal de 1988, o poder municipal no Brasil tevesuas funções bastante ampliadas, e com esse processo de descentralização, omunicípio se tornou responsável pelas principais ações que permitem assegurar aqualidade de vida de sua população, incluindo ações de ordem social voltadas aolazer e ao esporte enquanto políticas públicas de um direito social. Marshall, citado por Menicucci (2006, p. 138) define direito social como “odireito de participar por completo da herança social, levando a vida de um sercivilizado, de acordo com os padrões prevalecentes na sociedade em que estáinserido”. Diante disso a autora afirma que “os direitos sociais permitem reduzir osexcessos de desigualdades geradas pela sociedade de mercado e garantir ummínimo de bem-estar para todos”. Contudo, a efetivação desses direitos demandauma ação ativa do Estado por meio de políticas públicas. Sendo que, os mesmosapresentam uma capacidade de poderem ser ampliados e redefinidosfrequentemente devido às mudanças que ocorrem na sociedade, as quais estãovinculadas aos padrões em evidencia. Num contexto onde se busca especificar o conteúdo de uma política públicavoltada para o esporte e o lazer, ou melhor, em que se discute como efetivar odireito constitucional ao esporte e ao lazer, torna-se necessário analisar o conceito
  • 18. 17de políticas públicas e sobre o processo de sua constituição. A mesma autora definepolíticas públicas de forma bem sucinta: Uma política pública diz respeito à ação das autoridades públicas na sociedade, referindo-se àquilo que os governos produzem, para alcançar determinados resultados, através de alguns meios. Nessa concepção políticas públicas remetem a um conjunto de decisões e um conjunto de ações para implementar aquelas decisões (MENICUCCI 2006, p. 141). O processo de formação de uma política pública começa a partir daidentificação de um problema que demande uma intervenção governamental, masnão basta ser considerada problemática, é necessário que a questão levantadatambém seja um problema político, que a través de mobilizações políticas mediadaspor atores articulados e envolvidos nessa situação, façam com que seja reconhecidacomo problema e entre na agenda do governo. O esporte e o lazer não são problemas, mas sim a ausência deles comodireitos sociais. Depois de constatados como problema, o próximo passo é definir osconteúdos e estratégias para uma política de esporte e lazer. Para isso éfundamental o desenvolvimento de conhecimento e produção teórica, capacitaçãode profissionais, veiculação de idéias e aglutinação do pensamento crítico e criativo,além da construção de uma rede de atores que agregue diferentes segmentos quepossam participar do processo de construção social do lazer e do esporte tantocomo direito quanto política pública, consolidando uma agenda pública que ostematizem. Zingoni (2003) percebe que nas administrações públicas brasileiras, no quediz respeito ao esporte e lazer, que elas são pautadas por característicasmesquinhas e tradicionais, marcadas pela fidelidade e pela troca de favores, suasações não são planejadas, agem por intuição. Suas propostas são marcadas peloassistencialismo, ações desconectadas das reais aspirações das populações. O assistencialismo é o acesso a um bem através de doação, em outraspalavras, supõe sempre um doador e um receptor. Dessa forma o dirigente esportivoage como alguém que quer ganhar o reconhecimento e a dívida de favor por suaprática. Sobre isso, Zingoni (2003, p. 228) afirma:
  • 19. 18 A prática assistencialista, alimentada pela gestão tradicional, cria nas lideranças esportivas o mesmo hábito alimentado pelos dirigentes, ou seja, as lideranças esportivas não conseguem se pensar como gestores públicos, agentes do governo provido de direitos e deveres, mas sim, como meros mensageiros de demandas e favores. O desafio para as gestões nesse campo deve contemplar ações públicas queem sintonia com o direito social e uma política pública que garanta o acesso àsatividades com qualidade social, independentemente da renda ou segmento socialdos sujeitos. De acordo com Zingoni (2003) persistem nas administrações públicasbrasileira de esporte e de lazer uma estrutura e um estilo de gestão burocrático, queestabelecem hábitos políticos e sociais marcados por algumas característicascomuns neste setor, onde a gestão é marcada pelo discurso da competênciapuramente técnica, possui um estilo centralizador de governar - distanciando-se dapopulação, de suas demandas e desejos e na qual a dimensão econômicasobrepuja à dimensão social - a capacidade de investimentos da burocracia estásempre em primeiro lugar, em tempos de crise, os primeiros cortes são feitos nosprogramas sociais. A autora ainda cita que no Brasil, existe um outro estilo de gestão nasadministrações públicas de esporte e lazer, o tradicional, pautado pelas seguintescaracterísticas: a) Políticas públicas marcadas pela fidelidade e pela troca defavores. O dirigente aparece como um patrono, um protetor que se comove com osofrimento do outro, é aí que o seu poder se alimenta, pela cumplicidade; b)Ausência de planejamento global de ações. O plano de ação é considerado, pelosdirigentes, como instrumentos de fiscalização e controle, rejeitam discursos técnicose regras fixas. Administram puramente por intuição e pela falta de planejamento; c)Pospostas marcadas pelo assistencialismo. O dirigente procura criar o maior númerode ações assistencialista que mantém a dependência da comunidade à sua boavontade, ele não acredita que a população se encontra madura e autônoma paradeterminar os rumos de sua vida. Superar esses estilos de gestão e essa visão restrita ao esporte e lazerdemanda uma descentralização dos órgãos administrativos das políticas públicasdeste setor, o que tem sido um dos objetos de estudo e ações do nosso grupo depesquisa.
  • 20. 19 Nas políticas sociais do município, há necessidade de entender o esporte e olazer como direitos integrados as demais políticas sociais, sem, contudo, seremsubordinados a elas e ancorados nelas para receber atenção do poder público,como aponta Marcellino (2001, p. 11-12) quando fala em políticas de lazer. Falar de uma política de lazer significa falar não só de uma política de atividade, que na maioria das vezes acabam por se constituir em eventos isolados, e não em políticas de animação como processo, significa falar em uma redução de jornada de trabalho – sem redução de salário, e portanto, numa política de reordenação do tempo, numa política de transporte urbano etc.; significa, também falar de numa política de reordenação do solo urbano, incluindo aí os espaços e equipamentos de lazer, o que inclui a moradia e seu entorno; e finalmente falar numa política de formação de quadros profissionais e voluntários para trabalharem de forma eficiente e atualizada. Resumindo: o lazer tem sua especificidade, inclusive como políticas públicas, mas não pode ser tratado de forma isolada de outras questões sociais. Diante desse diagnóstico, a gestão municipal tem sido um laboratório deinovações na busca de maior efetividade das ações num contexto de muitasdemandas e poucos recursos. Partindo de um maior conhecimento sobre a realidadena qual atuam as políticas sociais, novas estratégias de gestão vêm sendoimplementadas. Ao se reconhecer que os problemas, que são objetos de diversaspolíticas sociais, são integrados e independentes e se reforçam mutuamente, umaproposta de integração intersetorial e interinstitucional tem ganhado força nosúltimos anos, no desenho de implementação e gestão de políticas sociais. Essa proposta de intersetorialidade tem sido vistas como uma nova maneirade abordar os problemas sociais, considerando o cidadão em sua totalidade eestabelecendo uma nova lógica para gerir a cidade, o que acaba por superar aforma segmentada e desarticulada de como as políticas públicas são abordadas eimplementadas em diversos setores. A intersetorialidade se apresenta como desafio para a gestão e para osgestores, pela necessidade de se obter uma compreensão compartilhada definalidades, objetivos, ações, indicadores e práticas articuladas. Ou seja, se colocacomo desafio por demandar uma construção coletiva de objetivos e o compromissode superar os problemas de maneira integrada. Menicucci (2006, p.148) vê esse modelo organizacional como uma rede queestabelece “um espaço de poder compartilhado e de articulação de interesses,
  • 21. 20saberes e práticas de organização, indivíduos e grupos, sendo uma rede centradana identidade de um projeto”, garantindo assim uma melhor efetivação das ações. Ao considerar que o trabalho em rede se baseia em uma visão sistêmica domundo, Zingoni (2003, p. 223) define rede como: Um espaço de convergência de vários atores sociais, todos incompletos, que precisam tecer uma articulação de esforços diante de objetivos definidos, ou seja, potencializar recursos com e para o público comum. [...] A idéia de rede consagra o princípio de descentralização, entendida em suas três vertentes: horizontal- compartilhamento de poder dentro de um mesmo nível de governo; a vertical- compartilhamento de poder entre diferentes níveis de governo, e a extragovernamental- compartilhamento de poder entre Estado e sociedade civil. Diante disso, a implementação de políticas públicas de esporte e lazer quevisa a superação, das que estão postas na sociedade brasileira, demanda umtrabalho integrado intra e intersecretarias, como realça Marcellino (2001) umtrabalho pautado na intersetorialidade. Uma vez que o lazer e o esporte estãoligados à educação, à saúde, à habitação, ao transporte, ao serviço social, de formaa efetivar o planejamento, a execução e a avaliação dos programas e equipamentosdestinados às praticas de esporte e lazer na cidade. Ao se pensarem uma política pública descentralizada, visando a decadênciados modos de gestão burocrático e tradicional, anteriormente citados, algunsindicadores apontam para um novo estilo de governar, o estilo participativo, que édestacado por algumas características levantadas por Zingoni (2003, p. 227). a) Uma política de esporte e lazer que busca um estilo participante de governar deve superar o centralismo das decisões. É preciso que os dirigentes esportivos passem a se reconhecer e a se fazer reconhecidos como gerentes dos assuntos públicos do município, pois em suas mãos encontra-se, por lei, a responsabilidade pelo diagnóstico, programação, supervisão e continuidade das ações de espore e lazer. b) Estas decisões devem ser compartilhadas com a sociedade civil, [...] o objetivo é articular formas de democracia direta: os próprios governados decidem sobre as políticas; com formas representativas: eleição de representantes que fazem a mediação entre o Estado e a sociedade civil. c) Para as formas colegiadas de governo funcionarem, é necessário construir um novo perfil de liderança popular no esporte e lazer. É preciso agregar a estes a capacidade de formulação de políticas públicas, gestão e fiscalização de sua implementação.
  • 22. 21 Vários estudos e documentos mais prescritivos têm destacado a importânciado envolvimento da população no processo decisório e na gestão das políticassociais, como forma de garantir legitimidade e sustentabilidade das políticas, bemcomo a eficácia das ações. Isso se justifica na medida em que as políticas sociaisafetam diretamente a vida das pessoas e envolvem muitas vezes mudanças decomportamento e de atitudes do público alvo. Enfim, resgatar a noção de direito ao esporte e ao lazer, na formulação depolíticas públicas, vem contrapor a lógica da indústria cultural, que se apropriadesses elementos culturais como mercadoria, um entretenimento a ser consumido,reduzindo as possibilidades de acesso ao patrimônio historicamente construído pelahumanidade, o que acaba reforçando os valores de uma sociedade de consumo. Outro aspecto das políticas públicas de esporte e lazer está na atençãoatribuída aos espaços e equipamentos destinados a essas práticas na cidade. Para tanto, os conceitos de espaço e equipamentos se confundem.Marcellino (2006, p. 66) aponta Santini, o qual cita que há duas maneiras deentendimento para essa diferença entre os conceitos. O primeiro entendimentosugere que sejam tratados como sinônimos, já o segundo propõe uma distinçãoclara entre espaço e equipamento. “Espaço é entendido como suporte para osequipamentos. E os equipamentos são compreendidos como os objetos queorganizam o espaço em função de determinada atividade”. Marcelino conclui que épossível se exercer as práticas culturais de esporte e de lazer sem a existência deum equipamento, mas não é possível a realização dessas praticas sem a existênciade um espaço. O crescimento de nossas cidades caracterizado pela aceleração e oimediatismo e o aumento da população, decorrente do êxodo rural e das migraçõesde cidades menores para aquelas constituídas como pólo de atração, geramconsequências inevitáveis na ocupação do solo, provocando desníveis,diferenciando-o de forma notável, onde “de um lado se estabelece as áreas centrais,concentradoras de benefícios, e de outro a periferia, verdadeiro depósito dehabitações” (MARCELLINO 2006, p. 66-67). Sendo assim, isso justifica o fato dos equipamentos específicos de lazer eesporte estarem concentrados nas áreas centrais da cidade, pois a maioria dosinvestimentos que são feitos, esses os são, pela iniciativa privada, que os vêm como
  • 23. 22uma mercadoria a mais para atrair o consumidor, consequentemente favorecendoàqueles que residem nessas áreas, dificultando-se assim o acesso de quem morana periferia, os quais dependem de transporte, preços mais acessíveis para usufruirdesses equipamentos, sem falar no tempo gasto para o deslocamento até essasáreas centrais. Isso se dá ao fato de que os equipamentos que são dispostos, de certa formaescassos, para a população periférica são de péssima qualidade, retrato danegligência do poder público para essa questão. Um dos fatores mais importantes para o crescimento do lazer mercadoria é afalta de espaços vazios urbanizados. As ruas e a maioria das praças, das grandescidades, são, geralmente, concebidas como locais de acesso e passagem. Sobreisso Marcellino (2006, p.76) expõe que “o espaço público vem perdendo seu usomultifuncional, deixando de ser um local de encontro, de prazer, de lazer, de festa,de espetáculo”. Diante dessa problemática da falta e, até mesmo, da centralização dessesequipamentos nos espaços da cidade, somando ao aumento da violência urbana efalta de segurança, são aspectos que vêm contribuindo para o enclausuramento daspessoas em suas próprias casas, elevando o número de indivíduos que têm, nacasa, seu próprio equipamento de lazer. Vivendo uma realidade, como apontaMarcellino (2006, p. 77) citando Rodrigues, “travestida pelo virtual e pela imitação,dessa forma desaparece a família, a rua, as relações de vizinhança que deixam deexistir no interior desses espaços públicos”. Para ir contra essa individualização do lazer, torna-se necessário umademanda de políticas públicas de esporte e lazer, formuladas pelo poder público,que enfatizem os espaços e equipamentos contribuindo para o lazer de convivênciasocial. Criando novos e revitalizando antigos, proporcionando à população maiordisponibilidade de acesso às atividades de lazer e esportivas, garantindo assim, oseu direito constitucional. Contudo, o diálogo com a população, notadamente com a juventude, se tornafundamental no processo de planejamento de um equipamento de lazer, antes dasua construção, para identificar quais são as aspirações e necessidades dacomunidade em questão e a partir daí saber que tipo de equipamento construiratendendo os conteúdos culturais locais.
  • 24. 23 A participação comunitária é importante para o conhecimento do ambiente eda cultura, e para o incentivo a um comportamento destinado à preservação,valorização e revitalização urbanas. De acordo com Marcellino (2006) essesespaços preservados e revitalizados contribuem para uma vivência mais rica dacidade, quebrando a monotonia dos conjuntos, estabelecendo pontos de referênciae vínculos afetivos. Enfim, é preciso atenção e entender que todo processo de planejamento,construção e administração dos equipamentos resultará numa política dedemocratização cultural, alcançando também a população periférica. Para isso éimportante, nesse processo, a participação de profissionais da área. Garantindo-se,assim, as qualidades técnicas requeridas e as especificidades da área, promovendocom isso, espaços que contribuam para a convivencialidade e a qualidade de vidada população em geral.2.2 Retratando a juventude Os focos de atenção tradicionalmente predominantes nos estudos sobrejuventudes na América Latina tiveram como eixo considerações demográficas,biológicas e psicológicas. Nas últimas duas décadas, no entanto, os enfoquessociológicos e políticos vêm sendo dotados de forma crescente, bem como outrascontribuições provenientes de perspectivas culturais e antropológicas. Segundo dados da UNESCO - Organização das Nações Unidas para aEducação, a Ciência e a Cultura - (2004, p.25) no ponto de vista demográfico, osjovens são: Principalmente, um grupo populacional que corresponde a uma determinada faixa etária que varia segundo contextos particulares, mas que, geralmente, está localizada entre os 15 e os 24 anos de idade. No caso de áreas rurais ou de pobreza extrema, o limite se desloca para baixo e inclui o grupo de 10 a 14 anos; em estratos sociais médios e altos urbanizados se amplia para cima para incluir o grupo de 25 a 29 anos.
  • 25. 24 Dentro deste viés, de circunstâncias particulares, os jovens podem seridentificados como “um conjunto de pessoas de idades variáveis que não pode sertratado com começo e fim rígidos” (UNESCO 2004, p. 25). Nos enfoques biológicos e psicológicos, a juventude está definida como umperíodo que se inicia a partir da maturidade fisiológica até a maturidade social.Contudo, nem todas as pessoas de mesma idade passam por esse período damesma forma e nem atinge tal meta ao mesmo tempo. E é, a partir disso, que asociologia e as ciências políticas sentem a necessidade de incorporar outrasdimensões de análise. A juventude tem significados distintos para pessoas de diferentes estratos socioeconômicos, e é vivida de maneira heterogênea, segundo contextos e circunstâncias. Esse é um dos embasamentos para a utilização do termo juventudes no plural. Contudo não se apela para uma visão fragmentada por tipos de jovens, e se ressalta que há elementos comuns a todos os jovens (UNESCO 2004, p.25). Como tema de investigação científica, a juventude é identificada ora comoproblema social, ora como problema sociológico. Pais (2003) faz uma distinção entreesses problemas. O primeiro se trata de problemas que emergem de uma realidadematerial e social (real-social), cuja solução está em não pensar em uma realidadedistinta, em não diferenciar os contextos vividos pelos jovens, a solução dosproblemas da juventude (drogas, delinqüência, desemprego, etc.) passa pelaprojeção de uma modificação do real-social. Diferentemente são os problemassociológicos, que estão direcionados a interrogar essa realidade. Essas duas classes de problemas possuem origens diferentes e não propõema redução de uma na outra. Por esta razão começa a generalizar-se uma“consciência sociológica” da juventude, uma linguagem comum, de intervençãoadministrativa, do discurso político. O que acaba caracterizando a juventude comouma categoria socialmente manipulada e manipulável como retrata Pais (2003, p.28) abordando Bourdieu onde diz que o fato de se falar dos jovens como uma <<unidade social>>, um grupo dotado de <<interesses comuns>> e de se referirem esses interesses a uma faixa de idades constitui, já de si, uma evidente manipulação.
  • 26. 25 Nas representações correntes da juventude, os jovens são apontados comofazendo parte de uma cultura juvenil unitária. Contudo, a questão que se coloca àsociologia da juventude é a de explorar não apenas as possíveis semelhanças entreos jovens ou grupos de jovens, mas também, e principalmente, as diferenças sociaisque existem entre eles, reconhecendo-os como indivíduos que apesar de portadoresdo um sentimento comum, são pertencentes a classes sociais, grupos ideológicos,grupos profissionais diferentes. Sobre isso Pais (2003. p. 29-30) aponta duas tendências e como a juventude épor elas abordadas. a) Numa delas, a juventude é tomada como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por indivíduos pertencentes a uma <<fase da vida>>, prevalecendo a busca dos aspectos mais uniformes e homogéneos que caracterizam essa fase da vida – aspectos que[...] fariam parte de uma << cultura juvenil>>, específica , portanto, uma geração definida em tempos etários; b) Noutra tendência, contudo, a juventude é tomada como um conjunto social necessariamente diversificado, perfilando-se diferentes culturas juvenis em função de diferentes pertenças de classes, diferentes situações económicas, diferentes parcelas de poder, diferentes interesses, diferentes oportunidades ocupacionais, etc.. Isto é, nesta tendência, a juventude é tomada como um conjunto social cujo principal atributo é o de ser constituído por jovens em diferentes situações sociais. Nesta outro sentido, seria um abuso de linguagem, como refere Bourdieu, subsumir sob o mesmo conceito de juventude universos sociais que não têm entre si praticamente nada em comum. Segundo Pais (2003, p. 36) a definição de cultura juvenil “é como qualquermito, uma construção social que existe mais como uma representação do que comorealidade”. Daí a generalização da juventude como um problema social(manifestações, delinquência, moda, drogas, etc.). O autor indaga se os jovenssentem esses problemas como seus, na tentativa de desconstruir (desmistificar)sociologicamente alguns aspectos da construção social (ideológica) da juventudeque, em forma de mito, nos é passada, com a ajuda da mídia, como uma entidadehomogênea. O referido autor afirma que a juventude é “uma categoria socialmenteconstruída, formulada no contexto de particulares circunstâncias econômicas, sócias
  • 27. 26ou políticas, uma categoria sujeita, pois, a modificar-se ao longo do tempo” (PAIS2003, p.37). A noção mais geral e usada do termo juventude refere-se a uma faixa deidade, um período de vida em que se completam o desenvolvimento físico doindivíduo e uma série de mudanças psicológicas e sociais, período em queabandona a infância e ingressa num processo para entrar na vida adulta. Todavia, anoção de juventude é socialmente variável, e em algumas formações sociais é que ajuventude se configura como uma categoria com visibilidade social. Para Abramo (1994) a juventude aparece como uma categoria destacada nassociedades industriais modernas, especificadamente nas sociedades ocidentais. Ecomo fenômeno da sociedade moderna a juventude emerge como tema para asociologia. Ao traçar esse tema, a autora fala que a idéia central é a de que a juventude: É o estágio que antecede a entrada na ‘vida social plena’, e como situação de passagem, compõe uma condição de relatividade: de direito e deveres, de responsabilidades e independência, mais amplos do que os da criança e não tão completos quanto os do adulto (ABRAMO, 1994, p.11). Marcada sobre tudo pela negatividade: o que não se é mais e ainda nãochegou a ser; ou pela indeterminação: estado incerto que vem da coexistência, daimbricação e também da distancia entre o universo infantil e o universo adulto. Para Pais (2003) a noção de juventude somente adquiriu uma certaconsistência social a partir do momento em que, entre a infância e a vida adulta, secomeçou a verificar o prolongamento dos tempos de passagem que hoje em diacontinuam a caracterizar a juventude – derivando daí os consequentes problemassociais. Não que os jovens não tenham existido antes, mas não com o estatuto nemcom a autonomia ou a força de grupo social que agora têm. O mesmo autor fala quena sociedade contemporânea “os jovens revelam e reclamam uma capacidade deintervenção, decisão, e influência em numerosos domínios nos quais ditam modosde comportamentos” (PAIS 2003, p. 41). Diante do grande contingente demográfico de jovens no Brasil, as projeçõesda CELADE/CEPAL – Centro Latinoamericano y Caribeño de Demografia - indicamque serão, em 2010, cerca de 50 milhões de pessoas entre 15 a 29 anos(abrangendo o ciclo etário), o que chama a atenção sobre a importância de um
  • 28. 27enfoque maior em políticas públicas para juventudes, as quais são vistas comobônus demográfico, por oferecer oportunidades ao desenvolvimento econômico esocial do país. As políticas públicas voltadas, estrategicamente, para a juventudeincluem questões trabalhistas, a criminalidade, a educação e a previdência social,esta última influenciada pelo aumento da expectativa de vida. Apesar desse momento demográfico favorável para o país, quer pelainfluência desse contingente nas gerações sucessivas, quer por sua vulnerabilidadenegativa (alta exposição a violência e que resulta em morte, a gravidez precoce),quer pela potencialidade dos jovens para os novos paradigmas de desenvolvimentocomo identidade social, os mesmos jovens pedem tratamento como identidadesocial em si. A categoria juventude também começa a ser notada pela sua voz e forçaativa, quando começa a ir as ruas protestar e reclamar por seus direitos. A exemplodisso, nas décadas anteriores, temos o movimento das “Diretas Já” e oimpeachment do presidente Fernando Collor, onde os jovens, incontentes com arealidade da política brasileira, saem às ruas para lutar pela democracia, pelo votodireto. E hoje são inúmeros os movimentos juvenis, em especial destacam-se osmovimentos estudantis, que buscam melhoras no sistema educacional brasileiro. Écaracterístico dos jovens essa inquietação e questionamento contra os padrõesvigentes da sociedade, onde muitas vezes seu comportamento é considerado comoanormal/rebelde, por fugir dos padrões de socialização aos quais deveriam estarsubmetidos. Para Abramo (1994, p. 13) a juventude está associada a um período deturbulência e tensão, etapa conturbada pelas transformações envolvidas noprocesso de transição - para a vida adulta – que provoca uma relação conflituosa dojovem com seu ambiente, mudanças que: [...] provocariam uma serie de crises: de auto estima, conflitos familiares e outras autoridades e, por fim, choques com a própria ordem social na qual devem efetuar sua entrada (revolta contra as leis e contra as autoridades que definem essa ordem). Atualmente a juventude passa por mudanças significativas na suaconfiguração e problematização, centrada na ampliação e veiculação aos espaçosde lazer, à industria cultural e aos meios de comunicação. Uma cultura juvenil agora
  • 29. 28“ligada ao tempo livre a ao lazer que abarca novas atividades e espaços de diversãoe novos padrões de comportamento, especificamente juvenis” (Idem, p. 28). Nãoque isso queira dizer que eles deixaram de contestar os problemas sociais que osafetam. E é a partir desse aumento da disponibilidade e procura por diversão querápida foi e é a resposta por parte das indústrias, do comércio, e da publicidade quecomeçam a produzir bens e serviços para esse público. Segundo a UNESCO (2004, p. 33), lazer, formação cultural e exercícios deatividades esportivas são dimensões habitualmente relacionadas principalmente aosjovens, e que geralmente estão presentes em suas falas, sublinhando a vontade de:“ter aonde ir aos finais de semana, poder usufruir de atividades culturais e tambémdelas participar como produtores, assim como praticar não somente esporte nacomunidade, mas também em quadras e ginásios apropriados”. Essas dimensõessão importantes, tanto como direito dos jovens, como opções e alternativas demodos de vida, “como benefícios para eles próprios e para comunidade” (Idem,p.33). Falar de lazer implica também falar do tempo para usufruir-lo. E é nos temposlivres que os jovens: Constroem suas próprias normas e expressões culturais, ritos, simbologias e modos de ser que os diferenciam do denominado mundo adulto [...] a ocupação do tempo livre pelos jovens pressupõe a satisfação de necessidades materiais objetivas e a existência de tempo liberado das obrigações cotidianas e de conteúdos culturais que organizem que dêem sentidos à experiência desse tempo (CARRANO; DAYRELL; BRENNER. 1995. p.176). Os autores acima citado afirmam que o lazer juvenil como experiência culturalcoletiva ganha enfoque maior quando se considera a importância do grupo de paresno processo de formação humana. Essa convivência em grupos favorece a criaçãode relações de confiança, além das aprendizagens, provenientes dessas relaçõessociais, servem também de espelho para a construção de identidades coletivas eindividuais. De acordo com Carrano, Dayrell e Brenner (1995, p. 177), no espaço-tempodo lazer, “os jovens consolidam relacionamentos, consomem e (re)significamprodutos culturais, geram fruição, sentidos, e processos de identificação cultural”.
  • 30. 29Nesse sentido os espaços sociais públicos se tornam significativos laboratórios ondeas experiências acontecem e onde são produzidas as subjetividades decorrentesdas diferentes práticas coletivas. Os espaços de cultura e de lazer, bem como todas as suas potencialidades,se colocam na perspectiva do direito, um direito cultural que implica criar condiçõesde produção cultural, compreendendo o acesso dos produtos, informações, meiosde produção, difusão e valorização da memória cultural coletiva. Sob essa noção dedireito, Carrano, Dayrell e Brenner (1995, p.177) criam a expectativa de que aspolíticas públicas sejam capazes de “promover cidadania cultural em que amplie acapacidade critica dos jovens ante a tendência de indústrias culturais dehomogeneizar e reforçar os guetos de identidades”. As políticas públicas mais recentes tentam focalizar esforços nos setoresjuvenis que enfrentam mais dificuldades e carências, e desenvolver açõesmunicipais a partir de ações descentralizadas em temos de gestão pública. Emborao assunto tenha uma grande relevância, tensões são geradas pelos próprios órgãospúblicos e privados encarregados de proporcionar serviços e respaldos aos jovens,daí destacam-se dois tipos de confrontações, citado pela UNESCO (2004): naprimeira ocorre entre os enfoques promocionais e aquelas centradas no controlesocial; na segunda as confrontações estão entre os enfoques de desconfiança emrelação aos jovens – considerados perigosos – e aqueles que promovem amanipulação e a instrumentalização da juventude, a partir de posturas populistas. O lazer é atividade social e está condicionada “pelas condições de vidamaterial e pelo capital cultural que constitui esses sujeitos e coletividades”(CARRANO; DAYRELL; BRENNER. 1995 p. 178). Para os referidos autores os planos de ação são desenvolvidos sem umabase real de conhecimento sobre o que os sujeitos podem realizar ou desejamexperimentar, geralmente essas ações são sob bases voluntaristas. Os mesmosautores afirmam que o conhecimento sobre essa realidade pode, além de, contribuirpara políticas mais efetivas, também podem impor limites à ação ideológica doEstado na definição dos conteúdos de determinada diretriz da política cultural. A carência de uma visão integral e articulada dá lugar a uma política deenfoque universal que na verdade só beneficiariam os jovens pertencentes àsclasses média e alta da sociedade. Isto é, “os mais bem preparados para aproveitar
  • 31. 30os serviços que oferecem as políticas públicas universais, ou os mais aptos a utilizaros serviços que são regulados pelo mercado” (UNESCO, 2004. p. 34). Carrano, Dayrell e Brenner (1995, p. 210) ao analisar os dados da pesquisasobre o “Perfil das Juventudes Brasileira” constatam que: Os contrastes socioeconômicos da sociedade brasileira se manifestam eloqüentemente na desigualdade da qualidade do tempo livre juvenil e no precário acesso a bens, serviços e espaços públicos de cultura e lazer da maioria da população juvenil. A sociedade brasileira, por ser uma sociedade que tem atenuada asdesigualdades sociais, precisa desenvolver políticas públicas culturais para ostempos de lazer dos jovens, especialmente àquelas dos setores populares, que, porpossuírem poucos recursos para o consumo nos diferentes mercados culturais,habitam espaços com baixa infra-estrutura social pública. Os dados da pesquisa demonstraram que as desigualdades nas formas econteúdos de ocupação do tempo livre se manifesta mais acentuada nas variáveisde gênero e faixa de renda. No que se refere a gênero, percebeu-se que as mulheres praticam menos esportes e realizam mais atividades dentro de casa para ocupar o tempo livre dos que os homens. [...] determinado padrão de cultura corporal de movimento que faz a prática do futebol – seja responsável pela desigual frequência de participação em atividades esportivas. [...] A faixa de renda, por sua vez, é condicionante que limita o acesso aos bens e espaços culturais (CARRANO; DAYRELL; BRENNER, 1995.p. 211). Os autores evidenciam que a desigualdade social “gera desníveis culturaisque reproduzem o circulo vicioso que vem empobrecendo o capital instrutivo dosjovens”, por não permitir condições materiais e socioculturais das possibilidadespara os jovens realizarem “escolhas culturais alternativas” (CARRANO; DAYRELL;BRENNER, 1995, p. 212). Desta forma, o resgate da noção de direito é de fundamental importância nodesenvolvimento de política pública para a juventude no âmbito de cultura, esporte elazer, abrangendo a integração e serviços públicos ao analisar as condições de vidadas juventudes.
  • 32. 31 A preocupação com o tempo livre da juventude não pode limitar-se a tentativade redução de danos ou de prevenção da violência, mas considerar aspotencialidades impressas na vivencia plural do tempo disponível, do lazer e dacultura como direitos plenos de cidadania, garantindo a todos - ampliando para todaa sociedade - serviços e projetos de qualidade.2.3 A construção das representações sociais A noção de representação social se inspira na sociologia das formassimbólicas e das produções mentais coletivas, em que Mead, Mauss e Durkheim sãoos pioneiros. Entretanto, ela se desenvolve no campo da sociologia européia,fundada por Serge Moscovici (1961) na obra A psicanálise, sua imagem e seupúblico, na qual seu conceito se efetua dentro de uma perspectiva construtivista einteracionista, que assume o papel de fenômeno estruturante da realidade, dagênese das representações sociais. Anadón e Machado (2003, p.10) diz que para Durkheim “o termorepresentação social se refere a representações coletivas, como uma forma deideação social à qual se opõe a representação individual”. Sendo aplicado emrelação a sociedades estáticas e tradicionais. Durkheim concebia as leis de ideaçãosocial no jogo que permanece entre elas, sem discutir os aspectos cognitivos darepresentação e sua produção pelos grupos sociais. Moscovici retoma o ponto de vista de Durkheim em relação à sociedade esoma a essa perspectiva novas especificações, mostrando que é possível aconstrução de um conhecimento válido pelo senso comum e que se pode apreendero conhecimento de uma dimensão pisicossociológica. A proposição de Anadón e Machado (2003, p. 14) sobre a representaçãosocial é que ela é a: Construção social de um saber ordinário (de senso comum) elaborado por e dentro das interações sociais, através de valores, das crenças, dos estereótipos etc partilhada por um grupo social no que concerne a diferentes objetos.
  • 33. 32 A noção de representação social se dá na interface do psicológico e do social,do individual e do coletivo, que se assemelha a alguns conceitos da sociologia,como da ideologia e da psicologia, como os conceitos de cognição, opinião, atitude eimagem. Portanto, a noção de representação social tem suas especificidades: ela égerada e reproduzida ao longo das relações sociais. Amorim (2009, p.11) aponta que “as representações sociais dizem respeito aouniverso de opiniões construídas, reelaboradas e redimensionadas pelos indivíduos,em relação a um determinado objeto social, de acordo com a história de vida decada um”. E por ser uma construção social dos sujeitos ela é contextualizada a partirdas condições em que são produzidas e em que circulam. O conceito abordado para entender como as representações sociais sãoconstruídas, levantado por Moscovici (1961), que surge do olhar psicossocial àrealidade, rompendo assim, com o tradicional pensamento da psicologia, no qual anoção de sujeito era dissociada do contexto social. Para o autor sua teoria implica aconsideração de aspectos individuais e coletivos do conhecimento social, ou seja, osujeito se constitui nas relações sociais e esse fato ocorre através da linguagem,muito influente no processo da representação. Segundo Duveen (2003, p. 8) [...] as representações sociais sustentadas pelas influências sociais da comunicação constituem as realidades de nossa vida cotidianas e servem como o principal meio para estabelecer as associações com as quais nós nos ligamos uns aos outros. Minayo (1995) citando Schutz diz que a compreensão do mundo se dá a partirde um estoque de experiências pessoais e de grupo, isto é, de companheiros.Portanto, o conhecimento é produzido através da interação e comunicação e suaexpressão está sempre ligada aos interesses humanos que estão neles implicados.O conhecimento emerge do mundo onde as pessoas se encontram e interagem,surge das paixões humanas e nunca é desinteressado, é sempre produto dum grupoespecífico de pessoas. Jodelet sendo citada por Fernades, (2000?) enfatiza o fato de que, como sersocial, o homem precisa ajustar-se ao mundo em que vive, sobretudo para adequar-se a ele, no que se refere ao comportamento e sobrevivência. E para tal énecessária uma busca contínua de informações sobre esse mundo, informaçõesimportantes à vida cotidiana, que serve de instrumento para o convívio em
  • 34. 33sociedade. Portanto, as representações que criamos sobre determinado objeto sãosociais, uma vez que a existência humana não transcorre de um vazio social. Oconhecimento não se constrói no vazio, ele se enraíza nas formas e nas normas dacultura e se constrói ao longo das trocas cotidianas. Por isso que a representaçãosocial é socialmente construída. Como pontua Moscovici (2003), onde diz que pessoas e grupos criamrepresentações no decurso da comunicação e cooperação. O processo deconstrução é psicossocial do ser humano, portanto, envolve integração de históriapessoal à do grupo com o qual interage, em outras palavras, uma articulação entre oparticular e o social de forma indissociável.
  • 35. 343 PERCURSO METODOLÓGICO A priori considero importante trazer algumas definições sobre ciência,pesquisa e método, antes de relatar o percurso tomado. A ciência surgiu pela necessidade dos homens saberem o por que dosacontecimentos, descobrir como cada fato aconteciam. Para Mattos, Rossetto Jr.,Blecher (2004, p. 10), ciência pode ser definida como “uma busca constante deexplicações e soluções para os problemas que afligem e incomodam o ser humano”.Uma produção de conhecimento que pode e deve ser devolvida para a sociedadecom um acréscimo qualitativo. Para Lakatos e Marconi (2001, p. 80), a palavra ciência é entendida como “umconjunto de proposições lógicas correlacionadas sobre um comportamento de certosfenômenos que se deseja estudar”. Por haver diversas ciências, como a matemática, biologia, fisiologia, asciências sociais, elas apresentam objetos diferentes, sendo este último subdivididoem materiais (de modo geral) e formais (enfoque específico). A partir disso,podemos dizer que a ciência é algo dinâmico, um processo de construção, que semodifica de acordo com as necessidades da sociedade. Quando se pensa em fazer pesquisa, pressupõe-se que há uma dúvida,curiosidade ou um problema a ser resolvido. Sobre a pesquisa, ela pode sercaracterizada como uma atividade focada na descoberta de soluções para osproblemas levantados. Gil (2002, p. 17) define pesquisa como: Procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. [...] a pesquisa desenvolve-se ao longo de um processo que envolve inúmeras fases, desde a adequada formulação do problema até a satisfatória apresentação dos resultados. Marconi e Lakatos (2002, p.15) dizem que Ander-egg vai além, pois para ele apesquisa é um “procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico, que permitedescobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo doconhecimento”. Pode-se dizer que a pesquisa é um procedimento formal, com
  • 36. 35métodos reflexivos de teor científico e que se estabelece para se reconhecer arealidade ou para descobrir verdades parciais. Segundo Marconi e Lakatos (2001), método é um conjunto de atividadessistemáticas e racionais que permitem alcançar um objetivo, traçando o caminho aser seguido, detectando erros e auxiliando nas decisões do pesquisador, dandodirecionamento para a execução do trabalho. Sobre método científico, Mattos, Rossetto Jr. e Blecher (2004, p. 13) define-ocomo um “processo que possibilita questionar e manipular a realidade, ou seja, é otraçado das etapas fundamentais da pesquisa, o caminho e os procedimentos quese deve percorrer para chegar aos resultados de forma precisa e segura”. Com base nessas definições, um percurso metodológico foi traçado para essapesquisa. Inicialmente é preciso dizer que o presente trabalho caracteriza-se comopesquisa qualitativa, que teve como objetivo colher as representações sociais dejovens sobre direito ao esporte e ao lazer na cidade de Alagoinhas/BA. Como afirmaGaskell (2002, p. 68) “sobre pesquisa qualitativa, onde sua finalidade não é contaropiniões ou pessoas, mas ao contrário, explorar o espectro de opiniões, asdiferentes representações sobre o assunto em questão”. Considerada como o primeiro passo de qualquer pesquisa científica, apesquisa bibliográfica foi realizada com o intuito de me aproximar de materiais einformações que foram anteriormente abordados sobre o tema em destaque. Sob a perspectiva de pesquisa bibliográfica — definida por Gil (2002, p. 44)como “pesquisa desenvolvida com base em material já elaborado, constituídoprincipalmente de livros e artigos científicos” — foram consultados autores comoMoscovici, Jodelet, Minayo, Amorim, Anadón e Machado que tematizam sobrerepresentações sociais. No âmbito de esporte e lazer, inclusive como políticaspúblicas, os autores utilizados como referência foram Leiro, Marcassa e Sousa,Marcellino, Castellani Filho, Zingoni e Menicucci. Na perspectiva da juventude, osautores consultados foram Pais, Carrano, Dayrell, Brenner e Abramo, além de umdocumento sobre o tema no site da UNESCO. Com bases nessas referências e minhas andanças e observações pelas ruase praças realizei um mapeamento dos espaços públicos da cidade de Alagoinhas,sendo selecionadas as quadras Mario Laerte e a Praça Rui Barbosa, por seremespaços localizados na área central da cidade, o que contribui para reconhecer osprincipais lugares de interesses dos jovens bem como os equipamentos específicos
  • 37. 36para as práticas de esporte e lazer da cidade. Considero aqui a idéia de Rudio(2001, p. 40) que entende por observação “a aplicação de sentidos a fim de obteruma determinada informação sobre algum aspecto da realidade”. Paralelo a esse mapeamento foi realizado um levantamento documentalsobre programas públicos de esporte e lazer da cidade no site oficial da prefeitura deAlagoinhas. Para alcançar o objetivo central foi realizada entrevista semi-estruturada,como instrumento de coleta de dados, com a juventude frequentadora dos espaçospúblicos da cidade a fim de captar a representação social sobre seu direito aoesporte e lazer, sendo selecionados seis jovens, dois freqüentadores das quadrasMario Laerte e quatro de Praça Rui Barbosa. A seleção foi mediante observação deseu comportamento e sua relação com o espaço, tendo como critério se os sujeitosutilizam o espaço apenas para circulação ou como local de trocas, de convivência,de encontro com o novo e o diferente, um local para as práticas culturais de criaçãoe transformação. Foi realizada, também, uma entrevista com o diretor responsável pelo setorde esporte e lazer da cidade de Alagoinhas, com o intuito colher e confrontarinformações sobre as ações públicas para garantir o direito ao esporte e ao lazer nareferida cidade. Concebe-se a entrevista como método qualitativo que fornece osdados básicos para o desenvolvimento e compreensão das relações entre atoressociais e sua situação. Para a análise dos dados obtidos nas entrevistas, a técnica utilizada é aanálise do discurso, a qual contribui para dar elementos para a contextualização dafala. Eni Orlandi (1987 apud MINAYO, 2008, p. 320) diz que: A analise do discurso cria um ponto de vista próprio de olhar a linguagem como espaço social de debate e de conflito. Nela, o texto é considerado como unidade significativa, pragmática e portadora de contexto situacional dos falantes. A mesma autora diz que neste tipo de análise é possível compreender melhoraquilo que faz o homem ser especial com sua capacidade de significar e significar-se. Para ela, a análise do discurso “concebe a linguagem como mediaçãonecessária entre o homem e a realidade natural e social” (ORLANDI, 2007, p. 15).
  • 38. 37 E ainda diz que o objeto de análise não se esgota em uma descrição, não tema ver com objetividade da análise, mas com o fato de que todo discurso faz parte deum discurso mais amplo que é recortado. O procedimento de análise começa na transformação do discurso concretoem um objeto discursivo, onde saímos do produto acabado e começamos entrar noprocesso discursivo. Inicia-se o trabalho configurando o corpus do discurso,delineando-se seus limites, fazendo recorte e ao mesmo tempo retomando osconceitos e noções, pois a “análise de discurso tem um procedimento que demandaum ir-e-vir constante entre teoria, consulta ao corpus e a análise” (ORLANDI, 2007,p. 67). Diante disso a pesquisa foi realizada a fim de colher essas representaçõessociais sobre o direito ao esporte e lazer, de maneira que a sistematização dasinformações e dos dados levantados possam contribuir para futuras pesquisas eampliação das discussões sobre o tema visando a construção de uma políticapública que regaste a noção de direito assegurando aos diversos grupos sociais.
  • 39. 384 DOCUMENTOS, DISCURSOS E OBSERVAÇÕES DE CAMPO Valendo-se do estudo bibliográfico e do mapeamento dos espaços, a cidadede Alagoinhas, com 156 anos de história, com pouco mais de 139 mil habitantes,distribuídos nos 734 km², dispõe, oficialmente, de 48 praças, três delas possuemparques infantis, a cidade também acolhe um Centro de Cultura, um cinema, 120campos de futebol e um estádio, o Antônio Carneiro. No que tange aos espaçosdisponíveis para as práticas corporais de lazer temos as praças: Rui Barbosa,Kennedy, e Santa Isabel e as quadras Brasilinha, Santa Terezinha e Mário Laerte.Percebe-se então, uma redução das possibilidades às praticas de lazer, além dafalta de infra-estrutura adequada e de conservações desses espaços comoresponsabilidade do poder local. Foram recortadas as quadras Mario Laerte e aPraça Rui Barbosa para um estudo detalhado das práticas de lazer nesses espaços. A Praça Rui Barbosa, é a praça central da cidade, que geralmente é utilizada,durante a semana, como local de travessia, ponto de ônibus, por pessoas que vemde distritos próximos e que estudam na cidade e pelas crianças na saída da escola,que brincam no parque. A circulação é mais intensa nos finais de semana onde apopulação se concentra mais, circulam pela praça e encontram conhecidos, utilizama praça de alimentação, é nos finais de semana que os pais levam os filhos parabrincar, para utilizar além dos brinquedos disponíveis neste espaço público, outrosque são montados como mais uma opção para as crianças, os quais cobram umtaxa para utilizá-los, vemos aqui uma ramo da indústria cultural do lazer, que veemno lazer uma possibilidade de arrecadar dinheiro, no qual a sua utilização émediante pagamento. Nas quadras Mário Laerte possui duas quadras poliespotivas e uma pista deskate, as possibilidades de uso consiste na prática de esportes, resumidamente obasquete e o futsal, que geralmente já tem seus grupos estabelecidos e que seencontram frequentemente nesses espaços. A pista de skate tem um públicofreqüentador consistente, e que é muito utilizada ao cair da tarde, devido ascondições climáticas. Em pesquisa realizada no site oficial da prefeitura não foi encontrado nenhumdocumento ou citação de projetos que fomente a prática de esporte e lazer nacidade, embora possua, na sua página virtual, um link descrevendo a Secretaria de
  • 40. 39Cultura, Esporte e Lazer e seu papel para a cidade de Alagoinhas. Na entrevistafeita com o diretor de esporte e lazer da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer deAlagoinhas, o mesmo cita que o único programa que está sendo efetivado é oPrograma Segundo Tempo, do Governo Federal, oferecido à crianças eadolescentes na faixa etária de 7 ao 17 anos, em núcleos distribuídos na zona rurale urbana. Um programa que está acontecendo de forma deficiente a nível local porapresentar no seu desenvolvimento interesses políticos o que acaba fragilizando oprograma, esquecendo que foco está nas crianças e adolescentes por ofereceroportunidades de realização de práticas culturais. Ele diz que a secretaria dispõe de outros projetos, Jogos da Zona Rural,Jogos Estudantis de Alagoinhas, Escolinhas de Futebol nos bairros, Corridas de rua(pedestrianismo) em Alagoinhas, mas que estão previstos para começar emSetembro de 2009. Quando perguntado sobre os espaços públicos destinados a taispráticas, afirma que a cidade possui vários campos de várzeas, onde é utilizado,quase exclusivamente, para jogar futebol e quadras poliesportivas nos bairros para aprática das modalidades esportivas de quadra como o basquetebol, voleibol,handebol. Sobre as práticas de esporte e lazer, o diretor, as concebem comoinstrumentos para inclusão social, de promoção de saúde, gerando melhor qualidadede vida. Em certo ponto da entrevista ele afirma que esses fazeres culturais sãodireitos de todos os cidadãos, mas ao se perguntar quais as ações do poder públicolocal para garanti-los, fica perceptível o enfoque que é dado a cultura esportivistadentro do viés competitivo em que os participantes devem apresentar habilidadesespecíficas, o que reduz as possibilidades de práticas e de sujeitos, resultando nadescaracterização do esporte e do lazer como direito social de todos e que deve serassegurado pelo poder público. Visando captar as representações sociais dos jovens frequentadores dosespaços públicos de lazer da cidade de Alagoinhas sobre seu direito ao esporte elazer, está pesquisa preocupou-se em elaborar questões que pudessem dar contadesta captura, como podem ser observadas nos quadros a seguir.QUADRO I – FREQUÊNCIA DOS JOVENS NOS ESPAÇOS PÚBLICOS DE LAZER Sujeitos Frequência no espaço público de lazer
  • 41. 40Jovem A Finais de semanaJovem B Praticamente todos os diasJovem C De vez em quando, mais aos domingos.Jovem D De vez em quandoJovem E BastanteJovem F Finais de semana. Sempre, sempre tô por aqui. Sobre a frequência pode se notar que os espaços públicos são maisfreqüentados nos finais de semana, onde os jovens estão menos comprometidoscom as atividades escolares, de casa e/ou do trabalho. O jovem B, praticante deskate diz utilizar da pista de skate todos os dias, com intuito de aprimorar as técnicasdos movimentos próprios do esporte. Os jovens A, B, D, E e F vê o final de semanacomo melhor momento para as práticas de esporte e lazer, sendo este o momentodisponível para tais práticas. O uso desses espaços torna-se uma prática cotidiana,vivenciada por diferentes grupos sociais.QUADDRO II – MOTIVAÇÃO PARA USAR O ESPAÇO Sujeitos O que te traz/motiva ou o que você encontra aqui?Jovem A A vontade de andar (skate), eu tenho como um hobby.Jovem B O amor ao meu esporte, meu estilo de vida. (skate)Jovem C De fazer novas amizades, conhecer... encontrar uns amigos, uma paquera de vez em quando também é bom.Jovem D Aqui eu encontro amigos, a galera.Jovem E Nada. Nada mesmo... Me divertir com minhas amigas.Jovem F Passear, encontrar com os amigos. Falar de motivação é algo muito interessante no que diz respeito à prática doesporte e lazer, conhecer o interesse ou que estimulam os jovens para realizar taispráticas. Nos jovens A e B pode-se perceber que há uma relação de prazer comesporte que eles praticam - o skate - estando este prazer submerso no mundo deadrenalina e aprendizado em que eles encontram motivação. Os jovens C, D e Frelatam que o que os motivam a frequentar os espaços públicos é encontrar osamigos e fazer novas amizades, é no espaço e tempo de lazer os jovensestabelecem e consolidam relacionamentos. Aqui os espaços podem ser
  • 42. 41considerados como ponto de encontro, onde diversas experiências coletivas eindividuais podem se constituir. A jovem E, ao responder “nada”, relaciona a tuasaída de casa a um momento disponível para um simples passeio, mas entendo quepela inexistência de algo que chame sua atenção, como por exemplo,apresentações culturais na praça, esse simples passear na praça não gere ou nãoseja entendido como algo que provoque uma motivação, pois geralmente aspessoas atribuem ao lazer àquilo que é veiculado pela mídia com grande alcancepopular. Compreender o espaço público, como relata Rechia (2006, p. 95) consiste ementendê-los como ambientes que se “originam da necessidade de contato,comunicação, organização e troca entre as pessoas”. Portanto as representações dos jovens sobre o espaço público é que este évisto como local para reafirmar/fortalecer ou estabelecer novas relações de amizade.QUADRO III – NOÇÃO DE LAZER DOS SUJEITOS Sujeitos O que é lazer para você?Jovem A Lazer é tá com meus amigos, né. Fazendo o que gosta, se divertindo, botando o estresse da semana um pouco de lado.Jovem B Lazer é viver do jeito que eu gosto, com os meus amigos, estilo de vida, andando de skate sempre, conhecer muita gente boa.Jovem C Eu acho que é aquele momento mais descontraído que você... não se preocupa com a hora de chegar em casa.. Aquele momento mais de descontração... de... momento despreocupado.Jovem D Lazer pra mim seria uma forma de se divertir, brincando, curtindo.Jovem E Ter festa todo dia na praça, dia de sábado e domingo.Jovem F Lazer é me divertir, descontrair com os amigos, ter lugar bacana pra ir, mudar, a rotina do dia-a-dia, mas aqui não tem isso, não tem muitas opções. Neste quadro temos as concepções de lazer dos jovens, pode-se perceberque diversão, descontração e que estar com os amigos são fatores importantes paraesses momentos de lazer. Os jovens A, C, D e F relatam que o lazer seria ummomento em que a pessoa se desligaria das obrigações da vida diária e sededicaria à alguma atividade de sua escolha, O jovem B atribui às suas atividades de lazer aquilo que lhe dá prazer,adotando um estilo de vida que assume características próprias, construindo uma
  • 43. 42identidade onde outros partilham dos mesmos interesses, o lazer como um espaçode aprendizagem das relações sociais em contexto de liberdade de experimentação. Lazer para a jovem E é sempre ter festa, principalmente nos finais desemana, percebe-se aí a influência midiática e da indústria cultural sobre as práticasde lazer, restringindo as diversas possibilidades de vivenciais. Podemos dizer quemuitas pessoas fazem lazer sem saber que estão fazendo, pois associam lazeràquilo que difundido pela mídia. Essas práticas sociais realizadas no interior do mundo vivido – onde adimensão de existência se traduz mediante um cotidiano compartilhado por váriaspessoas - podem significar uma fuga a formas sistemáticas de trabalho e queadquirem novos valores humanos, distinguindo-se das atividades compensatórias,funcionalista e consumista. A representação dos jovens sobre o lazer consiste de um lado às possíveispráticas realizadas e de outro ao tempo disponível, momento este em que asobrigações da vida diária ficariam esquecidas.QUADRO IV – IMPORTÂNCIA DO ESPORTE E LAZER Sujeitos O esporte e lazer são importantes para o jovem?Jovem A Sem dúvida. Ainda mais nessa sociedade estressante que é. Cobrança todo dia, tanto no trabalho, quanto no estudo. Tem que ter um momento de lazer pra descontrair. E aí a gente encontra isso através do esporte, né?!.Jovem B Esporte e lazer proporciona aos jovens uma aprendizagem mais aberta culturalmente pra sociedade, a sociedade tem que se expandir, então o jovem tem que evoluir com alguma coisa, no caso, eu evoluo com o skate.Jovem C Com certeza é importante. É especial para os jovens. Rapaz eu acho que aí vai muito da cabeça do jovem, que tem muito jovem que não faz nada o dia todo. Só faz subir e descer, a vida dele já é um lazer. (risos). Daí vai da cabeça da pessoa. Da rotina de trabalho também.Jovem D Com certeza. Porque, por enquanto que ele ta lá se divertindo, não tá fazendo outras coisas erradas, não ía ficar imaginado coisas assim, eu acho que seria importante.Jovem E Com certeza, eu acho que sim. Pra mim é.Jovem F De grande importância, pra instruir os jovens. Fazer com que eles não fiquem, digamos que, de fácil acesso a cominhos exclusos, como as drogas e outros tipos de coisas que não são boas.
  • 44. 43 Aqui o jovem A atribui importância ao lazer, por propiciar um tempo dedescontração, liberdade das cobranças diárias. Os jovens B, C, D e F veem naspráticas de lazer uma possibilidade de aprendizado, as quais afastariam os jovensde caminhos, considerados errôneos, por levar às drogas, à criminalidade. Isso podeser visto como reprodução dos discursos políticos para o incentivo as realização deprojeto e programas de esporte e lazer nas cidades, atribuindo à essas práticasvalores tão mínimos, visa simplesmente a ocupação do tempo dos jovens. Umdetalhe importante está na fala do jovem C em que a importância está implicada aotempo que ele tem disponível para tal prática. A jovem E de fato consideraimportante, mas por inexperiência da pesquisadora, essa importância poderia sercaptada por outras perguntas, na tentativa de colher o porque as práticas de esportee lazer são importantes para os jovens. Em suma os jovens atribuem importância aessas práticas pelo viés educativo que o lazer e o esporte possibilitam. Na perspectiva educativa do lazer Mascarenhas (2004. p. 34) o configuracomo “uma possibilidade de construção de sujeitos co-participantes do processoeducativo e que se transforma na medida em que modificam também suas própriascircunstancia de vida“.QUADRO V – NOÇÃO DO ESPORTE E LAZER COMO DIREITO SOCIAL Sujeitos O esporte e o lazer é um direito social?Jovem A Sem dúvida, eu acho que até constitucional, né?! Constitucional. E aí... Se bem que a constituição não é muito seguida nesse Brasil, mas a gente pode dizer que sim, é um direito social.Jovem B Exatamente. É um direito de qualquer um, cara. Porque, cada um tem o seu livre arbítrio, então faz o que quer, se gosta, ingresse nisso.Jovem C Acho que sim. Acho que... Não, não é, mas acho que deveria ser. Porque o esporte ajuda muito na vida da pessoa. Uma pessoa, assim, atleta tal, tanto o físico como na mente e você vê muitos casos na televisão mesmo, que a pessoa conseguiu muitas coisas, através do esporte, do seu esforço também, tal.Jovem D Com certeza.Jovem E Com certezaJovem F Com certeza Esse quadro traz a perspectiva da noção do direito social, cinco dos jovensconsideram o esporte e lazer como direito. O jovem A afirma que é constitucional,mas devido o histórico brasileiro sobre a garantia de efetividade dos direitos, relata
  • 45. 44que nem sempre o que está na Constituição significa que seja comprido. O jovem Cafirma e depois nega que o esporte e lazer seja um direito, isso pode ser o retratodas políticas públicas de esporte e lazer quase inexistente na cidade. Digo quase,por haver de fato pelo menos um projeto na cidade, mas o mesmo não abrange todaa população juvenil, tanto na faixa etária quanto na quantidade que é limitada, sendoeste o Projeto Segundo Tempo. O mesmo jovem diz que o esporte se configuracomo um instrumento que possibilita uma melhora da condição de vida, e por issodeveria ser considerado como direito. Entende-o como um fator de transformaçãosocial, mas não amplia para o sentido de formação humana, uma vez que o esportee lazer contribuem para aprendizagens diversas no interior das relações sociaisproveniente de tais práticas. Castellani Filho diz que a população precisa vergarantido seu direito ao esporte e ao lazer de forma gratuita, direito esse capaz demobilizar interesses, incentivar a participação, construir valores como a cooperação,a solidariedade, o respeito às diferenças, propiciar situações em que os sujeitossuperem desafios e promovam conquistas coletivas. Mascarenhas (2004) defende aidéia do lazer como uma prática de liberdade e exercício de cidadania, o qual deixade ser monopolizado por aqueles que concentram o poder, estendendo-o para todaa sociedade.QUADRO VI – PERCEPÇÃO DA GARANTIA DO DIREITO NA CIDADE Sujeitos Aqui na cidade esse direito é garantido?Jovem A Eu acho que parcialmente, viu?! No caso do skate, a gente conseguiu essa pista apropriada para praticar o esporte, mas tem outro esporte que não tem o devido reconhecimento, então se for generalizar esporte, eu acho que não, ou melhor, parcialmente.Jovem B Rapaz, isso é uma questão que, aqui ainda não tem investimento suficiente. Tipo, que faça o atleta evoluir mesmo, investir no atleta, investir nos jovens. A galera não investe suficiente para um atleta expandir, tipo um patrocínio, uma ajuda de custo pra viagem, disputa de campeonatos, tudo mais. E aqui não rola, assim malmente fizeram uma pista de skate mesmo. Já é uma coisa, mas que deveria ter mais investimento.Jovem C Eu acho que não. Aqui falta muito ainda.Jovem D Eu acho que ainda falta investir mais, tá muito fraco. Tipo assim para os jovens.Jovem E Tem esporte e lazer aqui? Não, não tem não.Jovem F Nunca. Nuca foi, nem nessa gestão, nem nas gestões anteriores. Só que isso cabe muito aos jovens lutar pelos sues direitos.
  • 46. 45 Porque nem eles mesmos ligam pra isso. É um direito deles, mas eles não fazem questão de ir lá e brigar pra que seja garantido. Ao se fazer a pergunta: Como eles percebem o esporte e lazer na cidade? Ese eles são garantidos pelo poder público? Eles simplesmente confirmam ainexistência de projetos permanentes e que garantam esse direito. Pode-se notarque eles têm uma carência por essas práticas corporais e que as ações públicas nãocontemplam as necessidades e aspirações da população. As ações se tornamepisódicas e desarticuladas, isso por conceber o esporte e o lazer como políticasassistencialistas, como elementos compensatórios das mazelas sociais,principalmente para as populações mais carentes. O jovem A quando dizparcialmente, ele retrata uma cultura esportista brasileira, não diferente deAlagoinhas, que enfoca muito o futebol, por conseqüência, os demais esportes e oincentivo ao lazer são desprivilegiados ou até mesmo esquecidos, como ele mesmocita a pista de skate, que foi construída depois de muito insistirem na secretaria. Emgeral, eles percebem que faltam investimentos neste setor administrativo da cidade. Em tese os jovens permanecem imparciais diante da situação local, no quediz respeito a garantia de tais direitos. Um ponto muito importante está na fala dajovem F, onde diz que o direito a o esporte e lazer não foi e ainda não é garantido eressalta do papel dos jovens enquanto sujeitos ativos e que devem se organizar elutar para que seja garantido. Nesse sentido resgatar a noção de direito implica numa política democráticaque supere a visão reducionista do esporte e lazer como práticas sociais, comosugere Mascarenhas (2007) que coloca como desafio para o governo, reafirmar aresponsabilidade do Estado quanto à efetivação do direito ao esporte e lazer edesenvolver políticas de caráter transdisciplinar e intersetorial ultrapassando oslimites do esporte, que em geral é visto pelo enfoque da formação de atletas ou atémesmo de recreação.QUADRO VII – POSSIBILIDADES DA AÇÃO PÚBLICA PARA GARANTIR ESSEDIREITO Sujeitos Como o poder público poderia garantir esse direito?Jovem A Eu acho que junto a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer deveria ter uma espécie de ouvidoria, para que os, as pessoas que praticam o esporte, não muito comuns, como o futebol ou o vôlei,

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