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PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA - SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
TERMINOLOGIA: INJÚRIA OU LESÃO OU AGRAVO FÍSIC...
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PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Coordenador:
Renata Dejtiar Waksman
Colaboradores:
Amélia Gorete Reis
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PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
Renata D Waksman
Danilo Blank
Regina M C Gikas
1. INTRODUÇÃO
Os aciden...
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O universo da prevenção dos acidentes tenta então reduzir a morbimortalidade devido ao trauma
através dos 3 tipos de pre...
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Esquema conceitual para ações de prevenção de acidentes
Prevenir a criação de agentes potencialmente causadores de lesõe...
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Os progressos mais significativos são alcançados pela maior aplicação prática da epidemiologia,
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Prevenção de acidentes na infância e adolescência

Published on: Mar 4, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Prevenção de acidentes na infância e adolescência

  • 1. 1 PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA - SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO TERMINOLOGIA: INJÚRIA OU LESÃO OU AGRAVO FÍSICO NÃO INTENCIONAL HISTÓRICO E EPIDEMIOLOGIA MODELO EPIDEMIOLÓGICO APLICADO AOS ACIDENTES EXPOSIÇÃO E RISCO IMPORTÂNCIA DO TEMA A PREVENÇÃO
  • 2. 2 PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Coordenador: Renata Dejtiar Waksman Colaboradores: Amélia Gorete Reis Médica Pediatra; Doutora em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Médica do Pronto Socorro do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas – FMUSP; Coordena- dora do Curso Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS) do Conselho Nacional de Ressuscitação; Membro do Departamento de Emergências da Sociedade de Pediatria de São Paulo – SPSP. Daniel Katayama Médico Pediatra, Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Soci- edade Brasileira de Pediatria - SBP e da Sociedade de Pediatria de São Paulo - SPSP.Médico Assistente do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da FMUSP. Danilo Blank Médico Pediatra; Membro do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP; Professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Divino Martins da Costa Médico Pediatra; Professor de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG; Mestrado em Pediatria, Fun- dador e membro da Unidade de Tratamento de Queimados do Hospital João XXIII- Fundação Hospitalar de Minas Gerais; Membro do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente da Socieda- de Brasileira de Pediatria - SBP. Glaura César Pedroso Médica Pediatra da UNIFESP. Mestrado em Pediatria pela UNIFESP. Membro do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade de Pediatria de São Paulo - SPSP. Maria de Jesus Castro Harada Enfermeira; Doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Mestrado em Enfermagem pela Escola Paulista de Medicina – EPM; Coordenadora do Projeto "Escola Promotora de sa- úde: prevenção de morbidade por causas externas no município de Embu” em parceria UNIFESP/FAPESP /Secretaria de Saúde e Educação do município de EMBU/SP; Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente e do Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes da Socie- dade de Pediatria de São Paulo - SPSP. Regina Maria Catucci Gikas Médica Pediatra; Membro do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo - SPSP. Regina Maria Brunetti Kaiser Pirito Médica Pediatra; Presidente do Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente da Sociedade de Pediatria de São Paulo - SPSP. Renata Dejtiar Waksman Médica Pediatra; Doutora em Pediatria pela FMUSP; Presidente do Departamento de Segurança da Crian- ça e do Adolescente da Sociedade Brasileira de Pediatria - SBP; Coordenadora do Núcleo de Estudos da Violência contra Crianças e Adolescentes da Sociedade de Pediatria de São Paulo - SPSP. Vera Lúcia Venâncio Gaspar Médica Pediatra; Membro do Departamento Científico da Segurança da Criança e do Adolescente da Soci- edade Brasileira de Pediatria – SBP; Coordenadora da Clínica Pediátrica do Hospital Márcio Cunha, Ipatin- ga, Minas Gerais.
  • 3. 3 PREVENÇÃO DE ACIDENTES NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA Renata D Waksman Danilo Blank Regina M C Gikas 1. INTRODUÇÃO Os acidentes são causa crescente de mortalidade e invalidez na infância e adolescência e impor- tante fonte de preocupação em nosso país, constituindo-se no grupo predominante de causas de morte a partir de 1 ano de idade e chegando a atingir percentuais superiores a 70% em adolescentes de 10 a 14 anos, quando se analisam as mortes decorrentes de causas externas (acidentes e violências). A cada ano, 120.000 brasileiros morrem e outros 360.000 sobrevivem com incapacidade física permanente devido aos acidentes. De acordo com o Ministério da Saúde as mortes no Brasil por esta causa dobraram em número nas duas últimas décadas. As causas externas (acidentes e violências) relacionadas ao trauma incluem: Lesões Não Inten- cionais (atropelamentos, ocupantes de veículos automotores, afogamentos, queimaduras, quedas, enve- nenamentos, obstruções de vias aéreas) e Lesões Intencionais (homicídios, suicídios, abuso). Na faixa etária até um ano a principal causa de morte é a obstrução de vias aéreas, seguida de acidentes envolvendo veículos automotores, afogamentos e quedas. No grupo entre 1 a 4 anos, os acidentes envolvendo veículos automotores lideram as causas de morte, seguidos de: afogamentos, queimaduras, obstruções das vias aéreas e quedas. Na faixa etária de 5 a 14 anos, as mortes conseqüentes a acidentes envolvendo veículos automo- tores continuam na liderança, seguidas de afogamentos e quedas. TERMINOLOGIA: INJÚRIA OU LESÃO OU AGRAVO FÍSICO NÃO INTENCIONAL O conceito de acidentes, como eventos incontroláveis do destino, inesperados e casuais, é errô- neo e impede o progresso do seu controle. Uma vez reformulado este conceito e, ao ser interpretado como um evento previsível e que pode ser prevenido, torna-se possível identificar os grupos de risco e, a partir daí, as principais estratégias de prevenção. O acidente tem causa, origem e determinantes epidemiológicos como qualquer outra doença e, em conseqüência, pode ser evitado e controlado. Nos locais e ocasiões em que sua importância é reconhecida, os programas específicos voltados para a segurança são poucos e principalmente orientados para o tratamento das lesões, como por exemplo os de treinamento em primeiros socorros. Assim, a prevenção não é realizada, e quando ocorre geralmente é mal orientada, não atingindo os alvos corretos na cadeia das causas dos acidentes. HISTÓRICO E EPIDEMIOLOGIA Na primeira metade do século 20 a prevenção de acidentes iniciou-se com a premissa de que as pessoas que sofriam acidentes eram descuidadas, ignorantes ou indiferentes. Em 1942 DeHaven ressal- tou a importância dos mecanismos e da biomecânica dos acidentes e que eles não seriam inevitáveis. Se- te anos após foi instituído, por John Gordon, o conceito da epidemiologia dos acidentes, ao ser compara- do com o que se conhecia das doenças infecciosas: os acidentes poderiam assim ser caracterizados por possuir variação episódica e sazonal, tendências em longo prazo e distribuição demográfica. Em 1961 es- te conceito foi modificado por Gibson, que introduziu o conceito da transferência de energia como causa direta do acidente. Somente 11 anos depois que o Dr. William Haddon Jr desenvolveu este conceito e o resumiu na sua Matriz (Tabela). Ao serem organizados e estudados como as doenças infecciosas, no modelo agente-hospedeiro- ambiente, os acidentes foram assim caracterizados: a existência de um hospedeiro (pessoa com pneu- monia ou que sofreu um trauma fechado) que interage com um agente (a bactéria ou o veículo automotor) e com o ambiente físico e sócio-econômico (local superpopuloso), propiciando a liberação de energia so- bre a vítima. A prática da prevenção de acidentes deve ter como alicerce o conhecimento da epidemiologia, bi- omecânica e comportamento. A epidemiologia provê a distribuição do risco de acidentes entre populações de crianças, a biomecânica avalia a vulnerabilidade e capacidade de recuperação humana conseqüentes à transferência de energia, de modo que esta possa ser limitada a quantidades toleráveis. A ciência do comportamento busca os caminhos efetivos para uma vida mais segura.
  • 4. 4 O universo da prevenção dos acidentes tenta então reduzir a morbimortalidade devido ao trauma através dos 3 tipos de prevenção: primária, através de campanhas de prevenção bem elaboradas e modi- ficações do ambiente físico, secundária, através da melhoria dos atendimentos pré-hospitalar e hospitalar e terciária, através de reabilitação mais acessível e adequada. Tabela - Dimensão epidemiológica Fases Hospedeiro Agente Ambiente Físico Ambiente Sócio Econômico Pré-Acidente Campanhas de Prevenção Reduzir a quantida- de Separar agente da vítima Modificações ambi- entais Acidente Estabilizar e Repa- rar Diminuir a liberação de energia Afastar outros agen- tes Disponibilidade de barreiras ou prote- ções Pós-Acidente Reabilitar Centros de Trauma Suporte e Treina- mento de Atendi- mento de Emergên- cia MODELO EPIDEMIOLÓGICO APLICADO AOS ACIDENTES O modelo agente-hospedeiro-ambiente pode ser adaptado para o estudo dos acidentes. A criança é o hospedeiro (ou a vítima). O agente patogênico é a energia (mecânica, térmica, química, elétrica etc.). Os vetores são todos os objetos (automóvel, moto, bicicleta, escada, mobília, faca, brinquedo, fios elétri- cos etc.), elementos naturais (fogo, água), produtos químicos (medicamentos, produtos de limpeza) ou a- nimais (cão, animais peçonhentos) que possibilitam a liberação da energia sobre a vítima. Mas para que a injúria não intencional ocorra, é necessário que exista um meio ambiente que favoreça sua ocorrência e, do ponto de vista sócio-econômico, seja desfavorável. Os vetores e o hospedeiro interagem em um meio ambiente que inclui fatores biopsicossociais, os quais podem manter um equilíbrio ou quebrá-lo, causando a lesão física. Assim, todas as possíveis “cau- sas” de acidentes, de alguma forma, passam pelas ações das pessoas. A figura 2 identifica os múltiplos fatores que levam à ocorrência de acidentes. Figura 2. Fatores envolvidos na ocorrência de acidentes. William Haddon Jr. (citado e exemplificado por Blank) deu uma importante contribuição ao criar uma matriz lógica para raciocinar em torno de estratégias de prevenção de acidentes .É um sistema que ordena as relações causais entre agentes e vítimas e facilita a geração de idéias novas para abordar o controle de lesões físicas específicas. A partir da relação completa de ações de prevenção de acidentes, opta-se pelas estratégias passíveis de serem implantadas, resumidas abaixo:
  • 5. 5 Esquema conceitual para ações de prevenção de acidentes Prevenir a criação de agentes potencialmente causadores de lesões físicas. o Reduzir a quantidade do agente. o Prevenir a liberação de energia potencialmente causadora de lesão pelo agente. o Modificar a liberação do agente ou da energia por ele produzida. o Separar agente e vítima no tempo e/ou espaço. o Separar agente e vítima com barreiras físicas o Modificar qualidades básicas do agente. o Aumentar a resistência da vítima. Reduzir a lesão física causada e/ou suas conseqüências. o Estabilizar, reparar e reabilitar a vítima. Segundo a Organização Mundial de Saúde, alguns fatores de risco podem ser considerados universais em relação ao acidente infantil: a) pobreza: grupo de risco para atropelamentos, queimaduras, afogamentos e lesões físicas em geral, devido às condições ambientais desfavoráveis, tais como promiscuidade, ausência de locais adequados para recreação, moradias próximas a vias de tráfego intenso e sem controle de velocidade. b) predominam as ocorrências no sexo masculino, na proporção de 2:1, em todas as faixas etárias. c) existe uma correlação entre a idade da criança e o ambiente físico onde ocorrem os acidentes: as crianças menores sofrem acidentes dentro ou nas proximidades da casa, enquanto as maiores sofrem acidentes longe de casa. De acordo com o UNICEF, em seu relatório de mortalidade, • 98% das mortes por trauma ocorrem em países em desenvolvimento. • principais fatores de risco: pobreza, mãe solteira e jovem, baixo nível de educação materna, habitações pobres, famílias numerosas, uso de álcool e drogas pelos pais. EXPOSIÇÃO E RISCO Conforme seu desenvolvimento, a criança apresenta novas habilidades e capacidades e diferentes interações com o meio ambiente. É um ser imaturo, inquieto, curioso e repleto de energia, incapaz de avaliar ou prever as conseqüências de suas atitudes. Este fato envolve riscos variados, cuja prevenção deve ser conhecida pelos seus responsáveis e por todos aqueles que lidam com ela. As próprias crianças devem ser “vacinadas” contra os acidentes, transformando-se nos principais agentes de proteção de si mesmas. Ao se analisar as ocorrências das injúrias, ao se conhecer as janelas de vulnerabilidade, isto auxiliará a todos que lidam com crianças e adolescentes 9 : • menores de dois anos: estão sujeitos a riscos impostos por terceiros, como: queimaduras, intoxicações, colisão de automóvel e quedas. • pré-escolares: sofrem mais atropelamentos, acidentes por submersão, quedas de lugares altos, feri- mentos, lacerações e queimaduras. • idade escolar: podem ser vítimas de atropelamentos, quedas de bicicletas, quedas de lugares altos, traumatismos dentários, ferimentos com armas de fogo e lacerações. • adolescentes: costumam sofrer acidentes de transporte (como motorista e passageiro), atropelamentos, acidentes como ciclistas e motociclistas, fraturas associadas a práticas esportivas, afogamento, homicí- dios e intoxicações por abuso de drogas. IMPORTÂNCIA DO TEMA Através da análise dos dados de internações hospitalares por trauma, constata-se que esta causa leva a perda de anos de vida produtiva superior às doenças cardiovasculares e o câncer em conjunto. A o- cupação de leitos hospitalares é freqüente e prolongada, as seqüelas físicas são graves e sobrecarrega a sociedade e o país com danos financeiros e emocionais. As principais causas de internação (que não levam ao óbito, mas podem deixar seqüelas graves) devido ao trauma são: as uedas (em todas as idades), seguidas de queimaduras (contato com fogo ou ou- tras substâncias quentes), acidentes de transporte (atropelamentos) e, em quarto lugar, as agressões. A PREVENÇÃO Segundo Blank, as principais estratégias para prevenir os acidentes seriam: • -orientar as pessoas de risco para alterar seu comportamento e melhorar sua proteção; • -mudanças de comportamento individuais através de leis ou regras administrativas; • -proteção automática promovida por produtos seguros.
  • 6. 6 Os progressos mais significativos são alcançados pela maior aplicação prática da epidemiologia, menos do que através dos conhecimentos de biomecânica ou de mudança de comportamento e associados à concentração de recursos humanos e econômicos nas intervenções apoiadas em evidências científicas. Concluímos que os acidentes são passíveis de controle, ao impedir que o evento traumático acon- teça, através do bloqueio da transmissão de energia, do atendimento de urgência e cuidados hospitalares adequados e da reabilitação efetiva. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. DATASUS [site na internet]. Brasil: Banco de dados do Sistema Único de Saúde Brasil. Ministério da Saúde/Funasa/CENEPI – Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM, 1998. citado em novembro de 2006. Disponível em: http://www.datasus.gov.br/cgi/sim/dxmap.htm 2. GUYER B; GALLAGHER SS. Abordagem à Epidemiologia dos Acidentes na Infância. Clin. Pediatr. Amer. Norte, 1:3-13, 1985. 3. BLANK D.& cols.- Manual de Acidentes e Intoxicações na Infância e Adolescência, Schering-Plough, Rio de Janeiro, 1994. 4. RUNYAN CW. Introduction: back to the future - revisiting Haddon's conceptualization of injury epidemi- ology and prevention. Epidemiol Rev. 2003;25:60-4. 5. SCHVARTSMAN S . Conceito de Risco e Segurança. In:Segurança na Infância e Adolescência – coor- denadores: Renata Dejtiar Waksman e Regina Maria Catucci Gikas - São Paulo: Editora Atheneu, 2003- (Série Atualizações Pediátricas: Sociedade de Pediatria de São Paulo). 6. WHO.int (World Health Organization) [site na Internet]. Geneve: Departament of injuries and violence prevention. Disponível em: http://www.who.int/violence_injury_prevention/vip.htm 7. UNICEF. A league table of child deaths by injury in rich nations. No 2. Florence: UNICEF Innocenti Research Centre; 2001. www.unicef-icdc.org. 8. GIKAS RMC. & cols.- Promoção da Segurança Infantil- O Pediatra no Centro de Saúde, Sarvier, São Paulo, 2000. 9. BLANK D - Conceituação e Dimensão Epidemiológica dos Acidentes e Violências. In: Segurança da Criança e do Adolescente – coordenadores: José Américo de Campos, Carlos E N Paes, Danilo Blank, Divino M Costa, Luci Pfeiffer, Renata D Waksman – Belo Horizonte: Sociedade Brasileira de Pediatria e Nestlé 354 p, 2005

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