Presidenciais: entre o bocejo e o vómito, é preciso reflectirSumário1 – Habemus praesidens! Gloria in excelsis Deo!2 – Os ...
E o rei vai nu, por vários motivos, destacando-se dois:Primeiro porque não é um rei mas um presidente da república. Chama-...
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dez palavras, onde se incluem trabalhadores, direita, povo, Portugal, produção nacional, constituição e umas poucas ...
Fala-se há muito de eleições legislativas para depois das presidenciais.Ficou claro, dia 23, o que pensa a maioria das pes...
Já por diversas vezes explicitamos a caracterização da esquerdainstitucional portuguesa (2) que mais parece um embrulho de...
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• Teriam de reconhecer que não há quaisquer possibilidades de maioria de “esquerda” pois aí nunca entrará o PS. As...
redondamente. Pior, pois havendo (contrariamente a 2011) uma candidatura verdadeiramente independente de esquerda – ...
aceitando, naturalmente as regras da casa – José Magalhães, OsvaldoCastro, Barros Moura, Pina Moura, Lino, o actual minist...
O PC, com a “política patriótica e de esquerda”, com a defesa daindependência nacional, só evidencia o seu carácter fóssil...
Outra questão, a da actualidade do recenseamento eleitoral érecorrente. O PS/PSD pouco liga à questão pois o excesso de 74...
Votantes/Eleitorado (%) 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 1976 1980 1986-1 1986-2 1991 199...
eleitores fantasmas) e o número dos votantes que só sentem algumaexcitação quando há, forçosamente, uma substituição da ve...
tolerância do mandarinato nacional. José Coelho surgiu, pois, naMadeira, como algo de novo no ambiente mafioso e de delaçã...
Há contas que é preciso fazer para se compreender a ineficácia daesquerda institucional, tomando como termo de comparação ...
candidato (visto por eles) como do BE, de extrema esquerda, paramuitos. E daí, nas contas do “Sol”, que somente 405000 ele...
militantes de esquerda. E daí que tantos tenham desrespeitado adisciplina, não votando em Francisco Lopes.Há uma realidade...
presidência, aumentando, consequentemente, o poder dos conselhosde ministros que tudo decidem, depois de, numa primeira fa...
votantes. Porém, o aumento forçado dos participantes nos escrutínios,aumentando a participação, iria ser exibida pelo mand...
(8) http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/quiosque-jornal-noticias-expresso-tvi24-revista- de-imprensa/1210734-4071...
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Presidenciais entre o bocejo e o vómito, é preciso reflectir

Sumário1 – Habemus praesidens! Gloria in excelsis Deo!2 – Os próximos tempos, negros e frios3 - Novamente, relembremos o carácter do PS4 - Notas eleitorais
Published on: Mar 4, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Presidenciais entre o bocejo e o vómito, é preciso reflectir

  • 1. Presidenciais: entre o bocejo e o vómito, é preciso reflectirSumário1 – Habemus praesidens! Gloria in excelsis Deo!2 – Os próximos tempos, negros e frios3 - Novamente, relembremos o carácter do PS4 - Notas eleitorais1 – Habemus praesidens! Gloria in excelsis Deo!Et consumatum est! AmenFinalmente, a pátria consagrou a veneranda figura do Pai. Podemostodos dormir, com aquela tranquilidade que só as crianças têm pois oPai zela por nós. E Pai é sempre pai, mesmo que se trate de um idiota,de um ignorante, cuja inteligência se restringiu ao chico-espertismo defacilitar o singrar de uns amigos de confraria, cobrando,subrepticiamente por isso, mais tarde. Uma coisa é certa, são mesmoamigos, devotam-se mutuamente, uma fiel amizade, insensível àpassagem do tempo.O alarido em torno das presidenciais, os temas abordados, sobretudopelos mais credenciados dos candidatos, que oscilaram entre umgongórico floreado e uma disfarçada ignorância, não permitiu,contrariamente ao sucedido na fábula, que alguém gritasse: o rei vainu!E, de facto, o rei vai nu, encarregando-se os candidatos e as suasbandas de assessores, seguranças e jornalistas, os apoiantes, oscorruptos ou tontinhos de aldeia, os distribuidores de papelada emirones sorridentes para as câmaras da televisão, todos eles, deocultarem a nudez do rei, com a opacidade possível das vestes.Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 1
  • 2. E o rei vai nu, por vários motivos, destacando-se dois:Primeiro porque não é um rei mas um presidente da república. Chama-se presidente, ainda que só presida a um rancho folclórico (conselho deestado) e aos trintanários do palácio de Belém; ainda que somenteresuma a sua actividade rotineira a uma missa semanal, a sós com umtipo a que se chama primeiro-ministro e passe o resto do tempo a ouvire a conversar com tontos, bajuladores e ansiosos de cunha. Por vezes, opresidente ocupa a abertura do telejornal para proferir uma discursetavaga ou vazia, entre duas imagens de um pano colorido e esvoaçantee dois periodos com uma marcha militar ridícula que, convém, porrespeito patriótico, designar por hino nacional.Segundo, não há república nenhuma pois a res publica já foiprivatizada ou está hipotecada para pagar a dívida; exceptuando, oque foi roubado ou está em vias de o ser.De facto, o sistema educativo está de pantanas e resume-se à emissãode diplomas e ao pagamento de propinas, tendo como ruido de fundoas imbecilidades de uma ministra e a gritaria dos colégios privados comfedor de sotaina no ar. O sistema de saúde, apontadoconstitucionalmente e de modo capcioso “tendencialmente gratuito” éuma farsa aplaudida pelas farmacêuticas, pelo baronato médico epelos bancos que vão financiando clínicas e hospitais, tudo longe da talgratuitidade. Também por aí aparece uma figura sonsa de vendedorade vacinas, que sucedeu a uma metástase fascizante do sistemapolítico, colocada a banhos em Estrasburgo… mesmo que aí as praiasnão sejam grande coisa.As estradas mais utilizadas são privadas e só lá passa quem pagar astarifas e os aparelhómetros de contagem das mesmas. Os transportesditos públicos são, na realidade, pasto para barraqueiros e quejandos,com preços a subir, de modo inversamente proporcional ao númerodas carreiras.Até mesmo as forças armadas que defendem a pátria (dizem) nãopassam de oportunidades de negócio para vendedores dearmamento, ladrões de G3, incontornáveis bancos e consultores quealimentam coxos argumentos para que uns 30000 mercenáriosabocanhem o orçamento, sem fazer literalmente nada de útil para agrei.Não havendo res publica para garantir e zelar, para que serve o estadodito português? Para nada, apetece dizer. Mas não, é puro engano.Para além dos negócios específicos, da corrupção generalizada que seconhece e, sobre a qual todos sabem os nomes colocados nasEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 2
  • 3. etiquetas, há outra função deveras relevante. É preciso alguém quemantenha a funcionar a máquina fiscal, que garanta aoperacionalidade da seringa que, espetada no nosso braço, exerce apunção ordenada por aquela lista de acrónimos – FMI, BCE, UE, CE, APB,PSI20, etc – a favor dos “mercados”. E que mantenha o cacete perto danossa cabeça para que tenhamos as orelhas viradas para baixo.É nos “mercados” que reside a soberania sobre este espaço de 92000km2 com cerca de 10.5 M de pessoas. O presidente e a assembleia,ambos da tal república que não existe são, portanto, realidades virtuais,encenações para convencer a populaça de que existe por ali qualquercoisa com soberania. O chamado primeiro-ministro é, na realidade, oCEO de um regimento de intendência ao serviço dos “mercados” ecuja autoridade reside apenas na polícia, nos tribunais e no exercíciooperacional da tal punção fiscal. E, como é normal em todos os serviçosde intendência, com o tradicional desvio de víveres da dispensa. Onegócio das batatas do intendente Valentim oferece um paralelismointeressante e conhecido.É neste contexto que se celebrou, dia 23 de Janeiro, um ensaio dopróximo carnaval que, dada a falta de dinheiro, não promete sergrande coisa.Os intervenientes, por ordem alfabética, foram: • O Aníbal da quinta da Coelha, emir de Boliqueime, amigo e protector do gang do BPN, economista de enormes méritos que só ele reconhece (presunção e água benta…), a não ser que se considere como grande feito profissional a valorização das acções da SLN; • Defensor de Moura, autarca minhoto reformado, defendeu a regionalização e o fim das touradas, causas meritórias que, quando citadas, obrigaram a concorrência a fingir distração. Irritou, encurralou e emudeceu o Aníbal, apesar dos pergaminhos de catedrático do último; • O Fernando foi trazido a estas lides pelo manhoso Mário Soares que o pretendeu usar para se vingar do Manuel (ver adiante) que, havia humilhado o patriarca, cinco anos atrás, num evento eleitoral homólogo. Beneficiou da sua não ligação orgânica a partidos, embora aqui e ali já tenha apoiado quase todos; • O Francisco não se sabe bem se existe ou se é um insuflável preparado pelo CC do PCP, com tecnologia norte-coreana, muito avançada na criação de power-points em 3D. O seu discurso inova e é sempre o produto da combinatória de umasEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 3
  • 4. dez palavras, onde se incluem trabalhadores, direita, povo, Portugal, produção nacional, constituição e umas poucas mais; • O Manel foi o alquimista que procurou fundir esquerda e direita, governo e oposição com voz de locutor de rádio e rivalizou com o Francisco na construção de frases ocas: este conviva usa amiúde, república, democracia, fascismo, pide, cavaco, “ele”, pátria, Portugal e vacuidades do género; • Para o fim deixamos o Zé Coelho, (não da Coelha!), traquejado como único opositor do bokassa madeirense, o que não é tarefa fácil. Por isso foi o único candidato realista ao evidenciar que as ditas presidenciais são pouco mais que um teatro de robertos, que só servem para distrair crianças e outros infantes.2 – Os próximos tempos, negros e friosPassando ao sério.Cavaco era o candidato da direita, já toda a gente sabia e por issoteve o pleno dos fãs do PSD e do CDS, como também o teve dogoverno PS e dos capos deste partido. É também homem dos bancos,dos “mercados”, do FMI, do BCE, da Comissão Europeia e tem provasdadas quando foi chefe do governo. Com essa coligação do dinheiro éele que ganhou, naturalmente. Logo no dia 1 de Fevereiro estevereunido com os banqueiros, a colher instruções (1).Cavaco é um autómato, com um modelo macro-económico comosistema operativo e gosta que o respeitem como veneranda figura,como pai da pátria, que lhe batam palmas nos discursos e não odesdigam quando evoca a sua competência e experiência. Para mais,com esta eleição, ganha cinco anos de novas oportunidades paraentrar na sala Oval da Casa Branca, troféu que lhe falta para completaras memórias. Pouco importa se é inculto, racista, inseguro e intolerante.Ou rançoso como excelentemente lhe chamou Baptista-Bastos.Porém, Sócrates é, o preferido do capital como executivo, pois éautoritário, desavergonhado, pouco dado a escrúpulos e tem umaexperiência de vários anos de governação. Cavaco não gosta deSócrates mas, o capital gosta e está tudo dito; e o capital tal comoCavaco não acredita nas qualidades da pileca Passos como“challenger” do Sócrates. Será mais um chefe que ficará num rodapédos anais do PSD.Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 4
  • 5. Fala-se há muito de eleições legislativas para depois das presidenciais.Ficou claro, dia 23, o que pensa a maioria das pessoas do pentapartidoque nos rouba, por acção, por arremedo ou omissão de acção.Qualquer eleição, na actual conjuntura, é colocar a multidão peranteum baralho de cartas viciadas, envelhecidas, com aquelas típicasmarcas pretas de sujidade acumulada.Se o governo Sócrates cumprir as prescrições do FMI, da ComissãoEuropeia, dos “mercados”, aproveitando-se da benevolência com quea multidão aceita a canga do desemprego, dos cortes salariais, etc,Cavaco não terá argumentos nem autorização superior para promovereleições. De nada serviria dissolver a AR para de novo o PS ter de formargoverno, só ou acompanhado… e os candidatos à parceria seriamtodos os capangas de pentapartido. Para azar nosso e do enteCavaco, pessoalmente, tudo indica que Sócrates está a cumprir e queà custa do roubo da multidão e dos trabalhadores em particular, ascoisas talvez não piorem, do ponto de vista do capital, bem entendido.Cavaco aumentará o seu poder de intervenção se Sócrates falhar e, sea partir de novas eleições, o PSD constituir governo. Nesse caso, Cavacoapareceria como figura tutelar de um Passos primeiro-intendente doFMI. Cavaco, que não gosta do personagem (a sua amiga Manuelaconsiderava-o mesmo como uma versão beta de Sócrates) dominariatotalmente a cena. Se entretanto, o PSD se cansar de Passos e inventaruma nova figura, Cavaco só teria problemas se lhe caisse no prato ummoscardo como o Borges, aliás com mais notoriedade nos “mercados”do que o próprio Cavaco.Cavaco, sendo conservador, aprecia particularmente a estabilidade,sobretudo a dos cemitérios; no que é aplaudido pelos capitalistas epelos “mercados”. Na sua (in)cultura sorvida em Salazar, consideracaber aos portugueses, trabalhar, obedecer e confiar em quem sabe.Recordamos aqui o “deixem-nos trabalhar” com que brindou aoposição ao seu governo, há uns vinte anos; como opinou com acriação de uma “comissão de sábios” (onde ele se incluiria,naturalmente) para a gestão do deficit, antes de ascender a PR; comodesvalorizou os membros do seu governo, denominando-os “seusajudantes”; como recentemente acenou com os custos do exercício dademocracia a haver segunda volta nas presidenciais. E, comoconservador, nada tem contra Sócrates como primeiro-ministro, comoaliás se viu no início do seu mandato como PR, fase imortalizada numahilariante peça criada pelos Gatos Fedorentos.3 - Novamente, relembremos o carácter do PSEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 5
  • 6. Já por diversas vezes explicitamos a caracterização da esquerdainstitucional portuguesa (2) que mais parece um embrulho de grilosfalantes. E como eles não aprendem nada com a prática da vida,relembramos aqui a caracterização do PS já enunciada, cerca de umano atrás (3)Só na cabeça dos grilos do BE ou do PC é que o PS é um partido deesquerda e, como objectivamente nunca o terá sido – pelas origens epelo comportamemto de décadas – mascaram a coisa criticando as“políticas de direita” dos governos PS. Está claro que o PS e os seusgovernos também tomaram algumas posições decentes através dostempos mas, com base em excepções também o PSD e o CDScertamente teriam de ser considerados como esquerda. Não aderimosa conceitos religiosos sobre o mal absoluto, encarnações satânicas doMal.O que caracteriza um partido? A fraseologia usada? Um programa (queninguém sabe qual é ou, sabendo, lê) a que nem os seus militantes liga?É a prática política que conta e pouco mais; tudo o mais, os discursos, aretórica, os slogans não passam de marketing, tão válidos como o dodetergente que “lava mais branco”.O PS, nos tempos do PREC, liderou a direita toda, acoitou civis e militarespara ganhar o respeito e os marcos alemães que lhe caiam a rodos naconta bancária. Reforçou aí os tiques anti-comunistas e anti-esquerdaque já Soares havia manifestado, nos seus amores secretos comCaetano nas eleições de 1969, quando aceitou não falar da guerracolonial para ganhar a respeitabilidade de “oposição” tolerada peloactor das “conversas em família”.O primeiro governo do Soares afirmava que Portugal atingiria o nível daentão CEE em 1980 (estava-se em 1976) enquanto se afadigava ementregar as terras a proprietários absentistas, a preparar o sectornacionalizado para as privatizações que Cavaco viria a cumprir, ainventar uma UGT com financiamento alemão.Em 1977, amancebou-se com o CDS para cumprir os ditames do FMI,adivinhem à custa de quem. Seguidamente, ainda com o tratanteSoares à cabeça (o da Emáudio, não o filho, que se estatelou numsafari aéreo e que popularizámos aqui com o epíteto de “batata comdois olhos”) veio a unidade patriótica com o PSD que nos trouxe denovo o FMI (1983) e uma perda de poder de compra na ordem dos 15%.Guterres mostrou-se mais magnânimo em termos económicos devidoao dinheiro da UE mas, tratou de chumbar os interesses das pessoasdecentes nos referendos do aborto e da regionalização, antes de se pôrao fresco. Finalmente e neste ciclo de empobrecimento que vivemosEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 6
  • 7. surge como o grande líder da direita, sem alternativa, como se viu nasgovernanças de Durão e Santana e nas candidaturas falhadas que sevêm sucedendo das várias pilecas do PSD – Mendes, Menezes, Manuelae Passos.Mesmo quando, com Sócrates, o PS assume descaradamente umcarácter anti-social como actualmente, para sobreviver no poder,como capataz do conhecido escol – FMI, BCE, BES… a esquerdaportuguesa não consegue incluir o PS na direita. Mesmo quando omancebato com o PSD se torna um público casamento com assinaturade convenção nupcial (escritura do PEC) e o PS se torna um partido deactuação proto-fascista e genocida, a esquerda institucionalportuguesa permanece muda e queda sobre o vero carácter do PS.A esquerda institucional portuguesa, talvez porque tenha pouco deinternacionalista, esquece, que branqueando o carácter de direita doPS, solidariza-se, objectivamente com um emérito membro dainternacional dita socialista, com um partido irmão do NDP de Mubarak,do MPLA do nosso conhecido JES e da sua rica filha, importanteinvestidora em Portugal, do PPP do corrupto Zardari do Paquistão, dopartido trabalhista israelita, “habitué” no governo... Todos reconhecidospelos pergaminhos democratas, como sabemos.E assim, se mantém, há mais de 30 anos, estagnada, promovendo aimobilidade social, ajudando ao conservadorismo na sociedadeportuguesa. E, através dos boiardos sindicais, o feudalismo dos seusdirigentes, alimentando sebastianismos e combatendo qualquer laivode marias da fonte, qualquer pequeno movimento que escancare oseu reaccionarismo, como se viu a propósito da cimeira da NATO, emNovembro último (4). Se alguma coisa mexe em Portugal, ou aconseguem controlar por estrangulamento (caso do movimento dosprofessores), boicotam e combatem para tentar destruir (as acçõesanti-NATO) ou destróiem mesmo (tentativa de um forum socialportuguês).Porque não é, a esquerda portuguesa, capaz de dizer claramente queo PS e os seus governos fazem parte da direita? Porque são estúpidos?Porque estão enganados? Nada disso. Trata-se de uma opção políticaconsciente que se prende com o seu imobilismo e oportunismo. Sereconhecessem inequivocamente que o PS é um partido de direita, • Teriam de reconhecer que há um bloqueio político empobrecedor com a maioria PS/PSD e, portanto, que não há saídas de carácter institucional, através da sucessão dos jogos florais parlamentares, das liturgias eleitorais, com as (sempre!) grandiosas manifestações nas avenidas, de Outubro a Maio, com férias prolongadas entre a quadra natalícia e o carnaval;Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 7
  • 8. • Teriam de reconhecer que não há quaisquer possibilidades de maioria de “esquerda” pois aí nunca entrará o PS. Assim, teriam de assumir, para não se descredibilizarem junto da multidão, a rotura com as práticas actuais, meramente institucionais; e, nesse contexto – uma vez que ninguém acredita numa maioria parlamentar BE/PC - que só há combate político e social sério se o seu epicentro for a luta popular e não a AR. Luta que é bem menos fofa que as alcatifas de S. Bento; • Não poderiam alimentar junto da multidão uma sebastiânica esperança de mudança nas políticas do PS, a probabilidade de um cataclismo interno dentro do gang, o surgimento de um salvador (um Chavez, um Lula) que conduzisse os militantes do PS a uma glória democrática; • Não poderiam sonhar com uma participação no poder, como muleta do PS, em troca de umas secretarias de estado ou a colocação de alguns dos seus quadros, em direcções-gerais e empresas públicas.Os anseios de participação no poder são antigos e começaram aindadurante o PREC quando grupos trotskistas clamavam a unidade entrePS, PC e… Intersindical. O PC durante anos clamou, debalde, pelamaioria de esquerda como reflexo da composição na AR… até que secansou. O BE veio a assumir a mesma estratégia mais tarde, de formaimplícita, por muito crispada que possa ser a encenação parlamentar.De facto, • O PS e o PC, em 1976, detinham 147 dos 263 deputados e o que se assistiu foi à montagem da normalização capitalista, decididamente encabeçada pelo PS; e Alegre já lá estava; • Em 1983, o PS e o PC detinham 145 em 250 deputados e o que se assistiu foi ao chamado bloco central (PS/PSD) e à intervenção do FMI com a habitual austeridade; e Alegre já lá estava; • Em 1985, mesmo com o namoro do PC com Eanes, dono do epifenómeno PRD, as capacidades do PS não foram além da preparação da maioria absoluta de Cavaco em 1987; e Alegre já lá estava; • Seguiu-se, na primeira volta das presidenciais que vieram a eleger Soares, o espectáculo da tentativa de divisão do PS com o lançamento, pela mão do PC, do alegre que estava, então, à mão - Salgado Zenha. Tal como o BE, recentemente, o PC falhouEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 8
  • 9. redondamente. Pior, pois havendo (contrariamente a 2011) uma candidatura verdadeiramente independente de esquerda – Pintasilgo - o PC preferiu abatê-la ligando-se a uma coisa dúbia chamada PRD. Para gáudio da direita o PC convocou, antes da segnda volta, um congresso à pressa para contrariar a orientação inicial de “nunca votarem Soares”; e, anteciparam o dilema do PSF e da esquerda francesa quando tiveram de apoiar o corrupto Chirac contra o fascista Le Pen. Curiosamente, o que se poderia chamar ala esquerda do PS veio a constituir a base do apoio de Guterres e, pormenor interessante, Alegre estava com Soares; • Em 1995, no estertor do cavaquismo, o PS e o PC tiveram 127 deputados em 230 e Guterres não se importou nada de ficar em minoria, declinando qualquer aliança com o PC para, com uma maioria, se abalançar com uma esquerdização da acção política portuguesa, já então fortemente condicionada pelo maná dos fundos comunitários; • Em 1999, o PS ficou exactamente com metade do hemiciclo e até podia escolher entre o PC e os dois recém-chegados deputados do BE, para construir uma estabilidade governativa à esquerda. E borrifou-se nisso, claro está, desconhecendo-se qualquer protesto do Alegre; • A nível autárquico, existe o exemplo da câmara de Lisboa. A maioria de esquerda, PS/PC nos anos 90 não criou raizes e foi destruida pelo tonto Santana que acabou por ganhar a maioria em 2005. O PC, que chegou a ter um enorme eleitorado em Lisboa, está reduzido, hoje, a um vereador de oposição. O BE, depois de ter escolhido um idiota para vereador, pretendeu dar ares de responsabilidade governativa, entrando em acordo com o António Costa, no primeiro mandato deste, sem que ninguém houvesse percebido a mais valia da experiência para o povo de Lisboa. Sem surpresa, Costa cooptou o “Zé que faz falta” e o BE perdeu a vereação, com a derrota humilhante do Fazenda. Estamos muito longe dos tempos em que o executivo camarário lisboeta dominado pelos republicanos prenunciava o fim da putrefacta monarquia. • Depois da maioria absoluta de Sócrates em 2005, chega-se à sua maioria relativa de 2009, com total desprezo pelos 31 deputados do BE/PC para construir uma maioria estável à esquerda. As escolhas políticas e económicas do PS estão suficientemente presentes para ser aqui necessário lembrá-las.Entretanto, durante todos estes anos, “a maioria de esquerda” foiconseguida por aqueles ilustres caciques que se acoitaram no PS,Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 9
  • 10. aceitando, naturalmente as regras da casa – José Magalhães, OsvaldoCastro, Barros Moura, Pina Moura, Lino, o actual ministro Mendonça,estando sempre na rampa de lançamento novas fornadas de“renovadores”, em regra, fotocópias de fotocópias. De outrosquadrantes, que não passaram pelo PC, refiram-se os antigos MES –Ferro, Sampaio, Cravinho ou o ex-UDP Jorge Coelho.Onde está, nestes anos todos, algo onde se tenha visto o carácter deesquerda do PS? Este aliás, para bem se demarcar do resto da direita emanter as distâncias face à esquerda institucional (BE/PC) designa estacomo… extrema-esquerda (!), pretendendo sublinhar a suarespeitabilidade junto dos “mercados”, apresentando-se comoesquerda “democrática”, moderna, responsável e uns epítetos vaziosou idiotas do género, onde incluimos a criação teórica (?) de Soares, o“socialismo em liberdade”. Assim, o PS, para ocultar o seu carácter dedireita, dá o exclusivo dessa etiqueta ao mano PSD e ao CDS e, paranão se misturar com a esquerda institucional, designa-a como extremaesquerda. Tudo não passa de uma rábula de teatro de revista, em quetodos divertem o público.Se havia uma relevante faixa de gente à esquerda, no PS, o seu enterrocomo alternativa interna de poder, verificou-se no passado dia 23.Mas… entre os apoiantes de Alegre do PS onde estava a gente deesquerda? No António Costa? Na Belém? Na mulher do ilibadoPedroso? Nos discursos trauliteiros do ministro Augustus SS? Nas claquesque aplaudiram as aparições fugazes do seu “fuhrer”, no apoio aAlegre?Todos os partidos têm gente com posicionamentos distintos; uns menosreacccionários que outros, uns mais sensíveis às dificuldades damultidão que outros. O monolitismo não existe mesmo dentro dospartidos únicos ou abrigados no “centralismo democrático”,designação típica do cientismo estalinista para dourar o “quem mandasão os chefes”. Assim, há no PS, como em qualquer partido da direita,gente menos à direita e entulho mais fedorento, mais á direita.O enterro desse rei momo como se pode chamar a essa invenção do BEchamada “ala esquerda” do PS, veio a favorecer Sócrates que nunca aapoiou ficando agora, claramente, dono e senhor do gang. O PSD ficatambém entalado entre um Cavaco tutelar e um PS que ocupa umamaior faixa à direita, mandando o PSD para um regresso adiado sine dieao poder, a não ser como muleta do governo, obrigado pelos“mercados”, pelo FMI, BCE, etc. Para mais, nem tem um lider credível,apesar das sondagens, não tivesse Passos sido uma emanação daquelacasta de autarquetas manhosos da província que o Ruas tão bemretrata.Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 10
  • 11. O PC, com a “política patriótica e de esquerda”, com a defesa daindependência nacional, só evidencia o seu carácter fóssil, inalteradocom a chuva ou com o sol. Ignora a quase total perda de soberania,que não é de agora mas, que se acelerou com a entrada (inevitável)na UE, no contexto da globalização e da reestruturação capitalistaneoliberal, após a queda do Muro de Berlim e do fim da URSS. Se antesde 1986, o PCP se dizia contra a adesão à UE, passou depois a silenciaressa posição e continua a não dar esse passo actualmente por realismopolítico mas, enganando as pessoas com o discurso da pátria e daindependência que mesmo os distraidos já perceberam que acabou. Otempo das pátrias acabou, agora é o tempo da multidão mundial,contra o capitalismo globalizado e os seus Estados.4 - Notas eleitoraisCavaco ganhou e todos nós melhorámos a auto-estima. Tinhamos oCR7, agora temos também o CS23, o que revela uma mais-valiaassinalável; porém, Ronaldo tem melhores pés e mais adeptos do queum presidente de 23% do eleitorado.Como ponto prévio, abordemos a confusão dos cartões de cidadão;incúria, amadorismo, eventual entrega das estruturas informáticas avárias empresas pouco articuladas entre si. A revelação clara darelevância e do empenho do mandarinato no funcionamento dademocracia, mesmo que de mercado. Esta não foi (ainda) suspensacomo sugerido pela Balela Ferreira Leite mas, em tempos de“consolidação orçamental” não merece muitos cuidados.Importante, importante é a máquina fiscal, os cruzamentos paraapanhar os pobres e os trocos, os recibos verdes (agora tambémelectrónicos), os biscates dos desempregados, dos trabalhadoresdoentes (5). Importante é a dotação da polícia com formas dedetectar se um carro a circular na estrada já foi ou não objecto dainspecção periódica dentro do prazo para aplicação de coima. E,finalmente, é importante o fornecimento de dados biométricos paraalimentar a paranóia anti-terrorista dos EUA.Este ministro, um togado que dá pelo nome de Rui Pereira, não temsomente cara de parvo; a cara é o espelho que reflecte a sua essência.É capaz de saltar do poleiro, como produto do fogo de artifícioparlamentar ou por jogada de antecipação de Sócrates para evitar oespectáculo. Sem que isso se prenda minimamente com o roubo e oempobrecimento colectiva que recai sobre a multidão.Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 11
  • 12. Outra questão, a da actualidade do recenseamento eleitoral érecorrente. O PS/PSD pouco liga à questão pois o excesso de 743000,eleitores segundo cálculos nossos (6), permite aumentar os subsídios doEstado aos partidos e até aumentar o número de vereadoresnascâmaras. E por isso, a aldrabice vai-se mantendo.Terceira questão prévia. Quem obtiver mais de 5% dos votos tem oEstado a pagar os gastos de campanha – o que, naturalmente,beneficia os candidatos apoiados pelo pentapartido, muito silenciososobre o tema. Todos podemos concorrer a PR mas, na realidade, só osque têm apoios em funcionários, sedes e com dinheiro por detrás opodem fazer; como é apanágio das democracias de mercado onde odinheiro é o único aferidor de tudo. Como se costuma dizer, emdemocrcia de mercado há uns mais iguais que outros.Se se aceitar como legítimo que o Estado pague papeladas, cartazes ea sua colocação, passeios pelo país, consultores de imagem, almoços,jantares, ceias, comícios, onde, de facto, nada há de intenção deesclarecimento do eleitorado, porque razão um candidato com menosde 5% dos votos terá de ser desconsiderado e penalizado? Parabeneficiar o pentapartido, avesso a outsiders desestabilizadores daságuas do pântano, é a nossa resposta.Essa discriminação anti-democrática está bem espelhada nasdeclarações de Cravinho que afirma ter a lei do financiamento dospartidos aberto a porta à corrupção (7). A mesma lei permitiu coimassuperiores a € 5000 por uma falha processual de € 75 numa factura daEDP paga por um partido (POUS) que tem o enorme orçamento anualde … € 6000! Em contrapartida, a mesma lei, através de uma aplicaçãoretroactiva perdoa aos partidos na Madeira € 23 M de gastos indevidos ,dos quais 80% cabem ao PSD do Jardim (8). Apenas mais um pormenor;essa lei foi promulgada por Cavaco, em pleno periodo eleitoral…O atraso cultural e político dos portugueses – mesmo apesar da quedado fascismo – mantido pelo carácter elitista e sectário dos partidos,alimenta uma delegação da acção política em profissionais da mesmaerigidos em classe, em burocracia, em mediadores e aplanadores dosconflitos; e, cada vez menos capazes e mais ladrões.Refira-se, relativamente ao último acto eleitoral, do dia 23 de Janeiro e,em primeiro lugar, a parcela de votantes e a sua representatividade nototal dos eleitores. Como a existência de eleitores fantasmas é mais oumenos permanente, o peso dos votantes tem algum significado quandose observam os resultados de todas as eleições presidenciais.Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 12
  • 13. Votantes/Eleitorado (%) 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 1976 1980 1986-1 1986-2 1991 1996 2001 2006 2011A tendência é clara atingindo-se um máximo absoluto de participaçãona segunda eleição de Eanes, quando o seu principal adversário eraum pouco recomendável Soares Carneiro patrocinado pela AD, dooutro Carneiro, o Sá. Para além do mínimo agora atingido e a despeitode alguma crispação entre os candidatos, a única situação em que avotação não atingiu os 50% dos eleitores corresponde ao passeio queconduziu à segunda eleição de Sampaio. Inscritos e Votantes 9.500.000 9.000.000 8.500.000 8.000.000 7.500.000 7.000.000 6.500.000 6.000.000 5.500.000 5.000.000 4.500.000 4.000.000 1976 1980 1986-1 1986-2 1991 1996 2001 2006 2011 Inscritos VotantesComo se pode observar, é cada vez maior a distância entre osrecenseados, cujo volume cresce, em função do aumento e doenvelhecimento da população, (para além da omnipresença dos taisEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 13
  • 14. eleitores fantasmas) e o número dos votantes que só sentem algumaexcitação quando há, forçosamente, uma substituição da venerandafigura do pai da pátria. Tudo, num quadro geral de não ser muito visívela importância da dita figura.Dizem almas apreciadoras da democracia de mercado que asabstenções nada significam em termos de atitude política mas, apenasdesinteresse e comodismo. Tudo isso porém, são atitudes que revelamdistanciamento da mais elementar forma de participação política eque os agentes que pretendem monopolizar a representação não sãoatrativos nem convincentes. É, na realidade uma atitude dedesinteresse, desprezo ou distanciamento mas, não é uma atitudemilitante.Por coincidência, a parcela de votantes que anularam o voto ou omantiveram (em branco) sem menção de escolha, foi de 0.9% paracada uma daquelas opções, na média do periodo 1976/2006. No dia 23de Janeiro último, os votantes que entregaram o boletim em brancoforam 4.3% do total que, somados aos 1.9% que anularam o voto,somam 6.2%; o que é substancialmente mais do que em eleiçõespresidenciais anteriores.A anulação do voto é uma acção clara e inequívoca de repúdio,enquanto o voto branco evidencia, de modo mais brando, a nãoaceitação das propostas apresentadas, em conjunto tomadas comoinsatisfatórias ou inconvenientes. Se a abstenção pode resultar decomodismo, votar branco ou nulo, pelo contrário, mostra uma atitudebem consciente e militante, em que o repúdio está bem presente.O crescimento dos votos brancos e nulos na última eleição presidencialtem o significado inequívoco de que sectores significativos da multidãonão se reviu nos candidatos, nem seguiu as indicações de voto,expressas ou implícitas, do pentapartido; os sectores de descontentescresceram, uma vez que já nas últimas legislativas, os votos brancos enulos haviam atingido 3.12% dos votantes e, nas eleições para oparlamento europeu em 2009, 6.6%.A evolução registada nas últimas presidenciais para o conjunto dosvotos brancos ou nulos, para todos os distritos e regiões autónomas,revela que o aumento dos votos expressos de repúdio tem um carácternacional, com maior relevância em Coimbra, Leiria e Lisboa.Curiosamente, na Madeira, aqueles tipos de votação que tinham amaior representatividade a nível nacional, em 2006, passaram agora ater a menor dimensão, embora sofrendo um ligeiro acréscimo.Entendemos que para isso contribuiu a candidatura do madeirense JoséCoelho que atraiu a si as manifestações de repúdio ao imperadorbokassa, ente que há dezenas de anos vem sendo objecto de toda aEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 14
  • 15. tolerância do mandarinato nacional. José Coelho surgiu, pois, naMadeira, como algo de novo no ambiente mafioso e de delação que ogauleiter local instaurou. E, já afirmou os seus propósitos de combatedeclarado a Jardim, sem alianças com os partidos da rotineira oposiçãolocal. Brancos e nulos/votantes (%) 2011 2006 madeira açores v iseu v ila real v iana setubal santarem porto portalegre lisboa leiria guarda faro ev ora coimbracastelo branco bragança braga beja av eiro TOTAL 0 1 2 3 4 5 6 7 8Esquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 15
  • 16. Há contas que é preciso fazer para se compreender a ineficácia daesquerda institucional, tomando como termo de comparação osresultados das legislativas de 2009. 2009 PS+BE+MRPP 2.688.541 PSD+CDS 2.247.774 PCP 446.994 2011 Alegre 831.959 Cavaco 2.230.104 Lopes 300.840 2009-2011 (perda) 1.856.582 (perda) 17.670 (perda) 146.154No quadro atrás, vê-se que o PSD/CDS garantiu praticamente ocorrespondente ao seu eleitorado de 2009. Mais relevante, do nossoponto de vista, são as enormes perdas dos chamados candidatosinstitucionais do que se convencionou designar por esquerda.Muitas conjecturas se poderão fazer mas, preferimos registar factos.Matematicamente, Alegre teria condições para ser eleito, se fosse umdado adquirido que os votos nos partidos apoiantes se iriam transporordeiramente para os seus candidatos.No que diz respeito ao PS não é estranho que muitos dos seus votantesde 2009 tenham constituido em 2011, uma diáspora que terá estadoincluida nos abstencionistas (975000 segundo o jornal “Sol”), nosapoiantes de Nobre (285000), Cavaco (280000) Coelho (85000) e Moura(35000), para além dos 405000 que terão votado em Alegre; pelascontas do “Sol” a diáspora não se teria estendido aos 277000 votos nulosou brancos. Por outro lado, de acordo com os cálculos do jornal, ahaver tanta gente do PS a votar em Cavaco teria havido um númeroequivalente de habituais apoiantes do PSD/CDS em 2009 que teriamemigrado para a abstenção, o que não parece plausível. Recorde-seque em 2006, mesmo juntando todos os votos de Alegre e Soares issonão ultrapassaria mais de 73.7% dos resultados de Sócrates no anoanterior.Sem dúvida que muita gente que votou Sócrates em 2009 o fez comovoto útil contra a jararaca Manuela e garantir o poder, questão que senão punha agora, uma vez que a vitória de Cavaco estandoanunciada, não fomentava votos úteis. Por outro lado, toda a gentesabe que é muito mais importante determinar o primeiro-ministro do queum PR, permitindo-se aqui, a fantasias e criatividade. E, daí a diásporarecente.Sendo o PS um partido de direita, Alegre, com a sua fraseologiaformalmente de esquerda, alheia à composição actual e à história doseu partido, não teria condições para polarizar a massa dos apoiantesdo PS, para mais, lançado este numa senda reaccionária e anti-socialque afasta qualquer um que detenha um simples neurónio deprogressismo. Essa mesma massa reaccionária não teria tambémgrandes atractivos para uma união de forças com o BE, ou com umEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 16
  • 17. candidato (visto por eles) como do BE, de extrema esquerda, paramuitos. E daí, nas contas do “Sol”, que somente 405000 eleitores PStenham apoiado Alegre.A ser assim, os cerca de 427000 restantes votantes em Alegre, a 23 deJaneiro, de onde vieram? Do eleitorado PC não terão vindo, decerto,dado o antagonismo histórico daquele partido com Alegre, desde ostempos em que o PC foi expulso do “grupo de Argel”. E, se vieram doeleitorado BE e MRPP de 2009 – 610846 indivíduos – então, quase 184000destes terão emigrado para outros destinos, mormente Nobre, Coelho,votando nulo ou em branco ou, abstendo-se. Recorde-se que mesmoLouçã, a estrela máxima do BE, em 2006, com os seus 288756 votossomente fixou 79.1% dos votantes no partido, no ano anterior, decertoem benefício de Alegre, então o candidato independente dos partidos,o candidato da revolta contra o directório do PS, que havia escolhidoum candidato perdedor – o geronte Soares – pois Cavaco já então, erao candidato, não confessado, de Sócrates.Alegre, em 2006, era um candidato anti-partido, da novidade, dafrontalidade e daí, ter entusiasmado muita gente. Porém, a partir deentão Alegre dormiu no conforto da AR, com um ou outro sobressaltode esquerda como prova de vida e desperdiçou completamente edesiludiu muitos dos 1127472 que votaram nele; e esse descrédito, nemAlegre, com o seu perfil autista de cacique nem, sobretudo o BEsouberam perceber, numa lógica de extrapolação não analitica darealidade passada. O futuro de Alegre é a dedicação às caçadas,entre dois poemas e uma entrevista por mês, onde começará com umareferência anti-fascista, terminando com um arroto patriótico; é odestino final de um “bon vivant” com um percurso irrelevante ecinzento.Francisco Lopes, a despeito de alguns méritos no empenho e naimagem que acumulou, não conseguiu fixar 35.6% da votação deJerónimo, em 2006, nem quase um terço (32.7% dos votos da CDU em2009. Como é óbvio, tudo isto, na linguagem delirante típica do CC doPCP, constituiu… uma vitória (?).Há aqui um aspecto novo. Em 2006, Jerónimo conseguiu melhorarligeiramente a votação do partido obtida em 2005 e, como seobservou, esse feito não foi repetido por Lopes. A passagem do tempoe a redução do número dos apoiantes com mais idade, eivados deuma certa religiosidade face ao partido da “classe operária” conduz amaior relevância de um novo eleitorado do PC, mais volúvel, menosdisciplinado face às directivas da confraria dos órfãos de Brejnev (oenorme corpo de funcionários). Tratando-se de apoiantes com maiorescolaridade e sem a vivência do fascismo, são menos sensíveis àdisciplina estalinista e mais abertos a algum diálogo com outrosEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 17
  • 18. militantes de esquerda. E daí que tantos tenham desrespeitado adisciplina, não votando em Francisco Lopes.Há uma realidade que exige novas formas de organização e actuaçãopolítica, como vimos clamando, de base, com desobediência e mesmoingovernamentalização a partir de um dado nível de contestação; semcaciques, sem controlo dos movimentos, dos sindicatos, sem sabotagemdas lutas, por acção ou omissão dos barões partidários.Está claro que o mandarinato está atento à situação, pois acredibilidade dos seus postos de trabalho é quase nula. E daí, irãoestudar o assunto; cheira a reforma do sistema eleitoral e que esta,sempre latente, poderá avançar em várias frentes. Esperam em primeirolugar, ir ao encontro dos desejos do tal eleitorado que se contenta commigalhas de reformas; tenderão, de permeio, a proceder areajustamentos que permitam um maior afunilamento no pântanoPS/PSD. Vejamos. • Alterações no formato de nomeação do PRFormalmente, para evitar custos com eleições – tema que sensibiliza adireita, bem consciente do seu carácter cosmético – podem inventarduas soluções. Uma é o alargamento de um mandato único do PR parauns sete anos, reduzindo a frequência do folclore eleitoral. A outra éelegerem a veneranda figura por votação na AR, de forma mais oumenos concertada, semelhante à do arraial que entronizou o provedorde justiça.A primeira fórmula não coibiria o PR a ser manso no primeiro mandato,para arreganhar os dentes no segundo e último; seria lobo ou cordeiro atempo inteiro e trabalharia apenas para ficar bem na galeria dospresidentes.A segunda fórmula apresenta mais conveniências; dispensa oenvolvimento da plebe, as campanhas eleitorais, a lavagem de roupasuja com as inconveniências que descredibilizam o mandarinato, ocultaa evidência do seu descrédito perante a multidão, colocada à margemdessas lides, entregues ao siso dos seus dignos e avisados“representantes”.A fórmula aumentaria o poder do executivo, mormente do primeiro-ministro, transformando o PR numa figura (ainda) mais de berloquedemocrático. Essa eleição indirecta é feita, hoje, em países como aAlemanha ou a Itália, com resultados semelhantes e com menos folcloreeleitoral – ninguém sabe o nome dos PR italiano ou alemão mas, todosconhecem o Berlusconi e a Merkel. Este sistema é o adoptado pela UEque assim nomeou um tal van qualquer coisa para uma decorativaEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 18
  • 19. presidência, aumentando, consequentemente, o poder dos conselhosde ministros que tudo decidem, depois de, numa primeira fase, teremcolocado como primeiro comissário europeu uma figura de fracogabarito, ocasionalmente nascido em Almada. Em outros paíseseuropeus – escandinavos, Grã-Bretanha, Benelux e Espanhamantiveram-se figuras folclóricas equiparadas, com a designação dereis e cujas famílias contribuem largamente para o fomento domercado da literatura cor-de-rosa e dos escândalos de alcova.A democracia de mercado controlando a multidão de modo maissubtil, colocaria como PR um indivíduo emanado do poder pois,nenhum real independente teria essa possibilidade. Nesse contexto, opoder manteria a fachada democrática sem sobressaltos e, nascondições sociológicas da população portuguesa, manteria ainda oculto da figura de um pai protector e distante, como Salazar ouCavaco; a imagem do mago capaz de olhar e confortar a plebe pelasmisérias do momento. Trabalhar, obedecer, confiar é o lema doautoritarismo, exigente da submissão total, tão diligentementetrabalhada por Salazar.Salazar depois de 1958 e do susto Delgado acabou também com aeleição directa do PR, passando a fazê-lo através dos deputados daassembleia nacional fascista. Quanto a PR’s saiba-se que: Salazar deixou na História o impagável Tomaz O PS/PSD criou Aníbal, das finanças um ás • Redução do número de deputadosUma vez que todo o sistema político converge na manutenção doputrefacto PS/PSD, a composição da AR nunca deixará de permitir oseu simultâneo funcionamento, como válvula de exibição dadiversidade política que baste e da estabilidade que faz a alegria dosmercados.Por mais criatividade que o mandarinato tenha, é o PS/PSD que poderáreduzir o número de deputados e, naturalmente, aproveitará o ensejopara que isso seja feito a expensas da esquerda institucional. Aliás, ésabida a grande desigualdade já hoje existente no sistema eleitoralactual e sobre a qual procedemos a um exercício, recentemente (9) • O voto obrigatórioHá também quem defenda o voto obrigatório para acabar com asabstenções, sabendo que, a priori, muitos dos votantes obrigados iriamter um perfil pouco diferenciado dos habituais voluntariamenteEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 19
  • 20. votantes. Porém, o aumento forçado dos participantes nos escrutínios,aumentando a participação, iria ser exibida pelo mandarinato comoatestado da sua legitimidade e da sua profunda (?) ligação ao povo.Na Bélgica, na Itália, na Grécia, o voto é obrigatório; no primeiro caso,não ajuda em nada à formação de governos duradouros, no segundo,não impede a existência de Berlusconis, Bossis e Finis e, finalmente, naGrécia, são claras as diferenças entre o que sai do poder Pasok e osdesejos da multidão, acossada e roubada.Em Portugal, só nos recordamos da frenética eurodeputada Ana Gomescomo defensora do voto obrigatório. A sua existência, nas condiçõesculturais da lusolândia iria promover a indústria dos atestados médicos emais umas centenas de burocratas para aferir das causas das nãocomparências, com a aplicação e cobrança das incontornáveiscoimas. Se explicarem isto ao Teixeira dos Santos ele descobrirá aquimais uma forma de angariar dinheiro para entregar aos “mercados” oupagar submarinos.------------------------------------Notas:(1)http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Cavaco-Silva-reuniu-se-com- banqueiros.rtp&headline=20&visual=9&article=412297&tm=6(2) O sistema partidário português http://www.slideshare.net/durgarrai/o-sistema-partidrio-portugus A democracia de mercado e a actuação da esquerda http://www.slideshare.net/durgarrai/a-democracia-de-mercado-e-a-actuao-da- esquerda(3) esquerda,PS,Alegre – confusões e premeditações eleitorais http://www.scribd.com/doc/24681888/Esquerda-PS-e-Alegre-%E2%80%93- Confusoes-e-premeditacoes-eleitorais(4) A miséria da esquerda que anda por aí. Um “case study”, a Cimeira da NATO http://www.slideshare.net/durgarrai/a-misria-da-esquerda-que-anda-por-a-um- case-study-a-cimeira-da-nato(5) Democracia, democracia das empresas e Wikileaks http://www.slideshare.net/durgarrai/documents?order=latest(6) http://www.scribd.com/doc/16494875/Eleicoes-europeias-2009-limitacoes-e-oportunidades(7) ttp://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/politica/financiamento-dos- partidos-lei-e-nodoa-negra-na-democraciaEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 20
  • 21. (8) http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/quiosque-jornal-noticias-expresso-tvi24-revista- de-imprensa/1210734-4071.html(9) Um sistema eleitoral falsificado e enganador http://www.slideshare.net/durgarrai/um-sistema-eleitoral-falsificado-e-enganadorEste e outros textos em:http://www.scribd.com/group/16730-esquerda-desalinhadahttp://www.slideshare.net/durgarrai/documentswww.esquerda_desalinhada.blogs.sapo.ptEsquerda Desalinhada grazia.tanta@gmail.com 2/2/2011 21

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