HOJE NASCEU PARA VOCÊS O SALVADOR, QUE É O MESSIAS, O SENHOR!
Pe. José Bortolini – Roteiros Homiléticos Anos A, B, C Festa...
11. O nascimento de Jesus contrasta com o de João Batista: este
nasce em casa, Isabel recebe visitas dos parentes e amigos...
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Comentário: O NATAL DO SENHOR, dia 24

Comentário bíblico: NATAL DO SENHOR, dia 24 - Ano B - Tema: "HOJE NASCEU PARA VOCÊS O SALVADOR, QUE É O MESSIAS, O SENHOR" - LEITURAS BÍBLICAS (PERÍCOPES): http://pt.slideshare.net/josejlima3/natal-dia-24-ano-b-2014 - TEMAS E COMENTÁRIOS: AUTORIA: Pe. José; Bortolini, Roteiros Homiléticos, Anos A, B, C Festas e Solenidades, Editora Paulus, 3ª edição, 2007 - OUTROS: http://www.dehonianos.org/portal/liturgia_dominical_ver.asp?liturgiaid=337 SOBRE LECIONÁRIOS: - LUTERANOS: http://www.luteranos.com.br/conteudo/o-lecionario-ecumenico - LECIONÁRIO PARA CRIANÇAS (Inglês/Espanhol): http://sermons4kids.com - LECIONÁRIO COMUM REVISADO (Inglês): http://www.lectionary.org/ http://www.commontexts.org/history/members.html ; http://lectionary.library.vanderbilt.edu/ - ESPANHOL: http://www.isedet.edu.ar/publicaciones/eeh.htm (Less)
Published on: Mar 3, 2016
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Transcripts - Comentário: O NATAL DO SENHOR, dia 24

  • 1. HOJE NASCEU PARA VOCÊS O SALVADOR, QUE É O MESSIAS, O SENHOR! Pe. José Bortolini – Roteiros Homiléticos Anos A, B, C Festas e Solenidades – Paulus, 2007 * LIÇÃO DA SÉRIE: LECIONÁRIO DOMINICAL * ANO: ABC – TEMPO LITÚRGICO: NATAL DIA 24 – COR: BRANCO / AMARELO I. INTRODUÇÃO GERAL 1. Deus entra na história do ser humano por meio de uma mu- lher marginalizada. Celebrar o Natal é fazer memória dos eventos libertadores do nosso Salvador, Messias e Senhor. Jesus nasce no meio dos pobres, migrantes, pastores; enfim, encarna-se na reali- dade dos que sofrem, para remi-los. 2. A liturgia é comunicação do Deus que optou pelos pobres, falando a linguagem deles, resgatando-os definitivamente, para que ninguém venha de novo oprimi-los. Nasce para nós o Salva- dor. Hoje é dia de boas notícias, pois a história toma rumo novo, manifestando a solidariedade do Deus fiel. Glória a Deus no mais alto dos céus! Sua glória é ação concreta repercutindo na terra, trazendo para todos a paz. Chegou o dia do grande Jubileu! En- volto em faixas e colocado na manjedoura; envolto num lençol e colocado num sepulcro; feito pão e vinho e posto a serviço dos que ele ama: assim é o nosso Salvador, o Messias, o Senhor, aquele que não reservou para si sua vida, mas a entregou a fim de nos resgatar e purificar, tornando-nos seu povo, dedicado a prati- car a justiça. II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS 1ª leitura (Is 9,1-6): Chegou a salvação para os pobres e opri- midos 3. No ano 732 a.C. Teglat-Falasar III, rei da Assíria, tomou os territórios de Zabulon e Neftali, pertencentes ao reino do Norte. A situação do povo é descrita por Isaías como lugar de trevas e país tenebroso (9,1). Para esse povo dominado, sem identidade e li- berdade, o profeta anuncia a salvação que se aproxima. 4. O texto de hoje descreve em três momentos a libertação desses territórios dominados: 1. Luz que brilha: Isaías faz ver que está para nascer nova aurora (9,1), como no início da criação, quando Deus fez a luz (Gn 1,3), pondo ordem no caos; 2. A liber- tação se traduz, concretamente, no fim da opressão inimiga, pos- sibilitando ao povo crescer e viver em paz e alegria. A satisfação do povo libertado é semelhante à alegria experimentada durante uma colheita abundante; é como a alegria de repartir os despojos da guerra, onde o povo faz festa não só porque derrotou o inimi- go, mas sobretudo porque, mediante o despojo, reconquistou para si o que o opressor lhe havia roubado brutal e violentamente (v. 2). Terminando a guerra, acaba também a opressão: Deus quebra a canga que oprimia o povo, a carga que sobre ele pesava, que- brando a vara do capataz (v. 3). O equilíbrio é restabelecido, a justiça volta a vigorar. A vitória dos pobres e oprimidos recorda o episódio de Madiã (cf. Jz 7,15-25), quando Gedeão, organizando e liderando um punhado de pessoas, desbaratou numeroso exérci- to. Isaías continua descrevendo a vitória dos pobres: eles irão fazer uma grande fogueira com os símbolos da opressão: as botas dos soldados e os mantos embebidos de sangue (v. 4). 3. O nas- cimento de um menino que irá trazer a libertação para o povo. Esse é o motivo central, que explica e realiza o que até agora tinha sido anunciado. 5. As esperanças dos pobres e oprimidos reflorescem a partir desse nascimento. O v. 5 descreve, em primeiro lugar, a caracte- rística do menino-esperança para o povo sofrido: ele traz sobre os ombros o manto de rei. Em segundo lugar, mostra qual é a identi- dade dessa personagem. Seu nome dá a conhecer suas ações em favor do povo: “Conselheiro Maravilhoso”, “Deus Forte”, “Pai para Sempre”, “Príncipe da Paz”. Esse nome estranho, de signifi- cado profundo, traduz a prática do novo rei: será mais sábio que Salomão, capaz de fazer justiça ao povo (Conselheiro Maravilho- so); será mais forte que Davi, defendendo o povo das ameaças externas, pois tem a própria força de Deus (Deus Forte); será líder que supera a liderança de Moisés, conduzindo o povo à vida definitiva (Pai para sempre); mediante sua liderança, o exercício da justiça e a defesa do povo, criará a paz-plenitude dos bens (Príncipe da Paz). É a síntese de tudo o que aconteceu de bom no passado do povo de Deus. 6. O v. 6 descreve as conseqüências da administração justa: haverá um reino sem limites, realizando assim as promessas feitas a Davi. Como poderá tal reino se manter? Qual a força que o sustenta de forma perene? O próprio texto nos dá a resposta: esse reino vai durar para sempre porque fundado na administração do direito e da justiça. 7. O texto messiânico de Isaías se encerra afirmando que esse é o projeto que Deus pretende ver realizado no mundo (v. 6b). O Novo Testamento leu esse texto à luz do nascimento, morte e ressurreição de Jesus, porque tal espécie de realeza não encontrou ressonância nos reis de Judá e Israel. O oráculo ficava aberto, na expectativa-esperança. Lendo-o à luz do nascimento de Jesus, os cristãos constatam já possuir a realização da promessa. Contudo, permanece aberta a pergunta: por que o povo de Deus continua oprimido? Por que ainda não chegamos a fazer uma grande fo- gueira de tudo o que é sinal de opressão e morte? Evangelho (Lc 2,1-14): “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor” 8. No evangelho de Lucas, o relato do nascimento de Jesus pertence às narrativas da infância. Essas narrativas não nasceram da curiosidade em saber como tudo aconteceu; pelo contrário, surgiram da necessidade de reler os acontecimentos da infância de Jesus à luz de sua morte e ressurreição. Dessa forma, o texto de hoje não é um relato histórico, mas uma leitura teológica da história da salvação. O anúncio central do trecho de hoje (2,11) traz em si o início e a realização da salvação. Isso se torna com- preensível se levarmos em conta o título que o Menino recebe da parte dos anjos: ele é Salvador (a salvação não se esgota no nas- cimento de Jesus, mas se completa com a morte e ressurreição). 9. Ao descrever o nascimento de Jesus, o evangelista estabelece estreito paralelismo com a morte e ressurreição do Messias. De fato, em 2,7a se diz que “Maria enfaixou Jesus e o colocou na manjedoura”; em 23,53a afirma-se que “José de Arimatéia enfai- xou o corpo de Jesus e o colocou num sepulcro”. Os paralelismos são muitos, e não é necessário apresentá-los todos aqui. O impor- tante é notar a preocupação de Lucas: ele descreve o nascimento de Jesus à luz do evento central da nossa fé. Seu nascimento é já anúncio de sua morte e ressurreição. a. O Salvador nasce pobre no meio dos pobres (vv. 1-7) 10. O Messias entra na história da humanidade por caminhos alternativos não trilhados pelos poderosos. O imperador Augusto decreta, para todo o império romano, um recadastramento (2,1) que tem por objetivo arrecadar taxas sobre pessoas livres e escra- vas, homens e mulheres. A ordem vem de Roma, centro do poder de “Augusto”, que entende o poder na linha da dominação sobre as pessoas, arrogando-se direitos de explorar e dominar. O fato, para Lucas, se presta para uma leitura teológica da história: 1. A salvação não procede dos poderosos que dominam e abusam do poder; 2. Ela vem de um pobre, filho de migrantes marginaliza- dos e explorados. José e Maria peregrinam de Nazaré, na Galiléia, para Belém, na Judéia, pois Belém era a cidade natal de José (v. 3). Com isso, o evangelista faz ver que Jesus, o Messias pobre, nasce como líder e Salvador na cidade de Davi, o rei que unificou o povo, trazendo-lhe vida, liberdade e paz.
  • 2. 11. O nascimento de Jesus contrasta com o de João Batista: este nasce em casa, Isabel recebe visitas dos parentes e amigos, e o povo do lugar comenta o fato na expectativa da missão que o menino irá realizar. Maria, por sua vez, dá à luz sozinha, durante uma viagem, fora de casa, sem encontrar lugar entre os parentes (a casa da qual se fala no v. 7 é, provavelmente, a casa dos paren- tes de José), na maior solidão e abandono. Jesus é colocado numa manjedoura e recebe a visita dos pastores, gente marginalizada e odiada por causa de sua conduta. O comentário do fato fica por conta do anjo, e aqui reside a grande novidade: o pobre que nas- ceu no abandono é o Salvador, o Messias, o Senhor (título de Jesus ressuscitado). O povo não sabia qual seria o futuro de João Batista; mas os pastores recebem o anúncio da Boa Nova, do início da nova sociedade nascida desse pobre marginalizado. Na perspectiva de Lucas, portanto, a história da salvação não nasce em Roma, sede do poder absolutizado, e sim em Belém, na pes- soa de alguém que foi marginalizado antes mesmo de nascer. b. O Salvador pobre optou pelos pobres e marginalizados (vv. 8- 11) 12. O centro do trecho de hoje é o v. 11: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Se- nhor”. Esse tipo de notícia era bem conhecido naquele tempo. Utilizava-se essa expressão para anunciar o nascimento ou entro- nização de reis e imperadores, interpretados como epifania (mani- festação) dos deuses. O anúncio era feito aos nobres e graúdos da sociedade (hoje os meios de comunicação anunciam ao mundo inteiro o nascimento dos herdeiros ao trono dos poderosos). 13. O Menino pobre que nasce em Belém possui o poder da comunicação que vem de Deus: um anjo do Senhor se encarrega de comunicar a grande novidade (evangelho) à humanidade. Mas a comunicação de Deus possui caminhos alternativos: não se dirige aos poderosos, e sim aos pastores. Estes eram odiados por não respeitar as propriedades alheias, invadindo-as com seus rebanhos e cobrando preços exorbitantes pelos produtos. Um pastor — segundo o Talmud babilônico — não podia ser eleito a cargo de juiz ou testemunha nos tribunais, por causa da má fama e do desrespeito à propriedade. 14. O povo do Messias pobre são esses marginalizados da socie- dade. Eles são envolvidos da luz divina (v. 9) e recebem a comu- nicação da Boa Notícia, ao mesmo tempo em que são encarrega- dos de transmiti-la a todo o povo (v. 10): a salvação não vem de “Augusto” ou de seu sucessor, não parte de Roma, mas nasce em meio ao povo sofrido e segregado; nasce em Belém, a cidade de Davi, o rei pastor. c. Identidade e ação do Salvador (vv. 12-14) 15. O Salvador é pobre e se comunica a seu povo como pobre: “Vocês encontrarão um recém-nascido envolto em faixas e deita- do na manjedoura” (v. 12). Deus utiliza a linguagem dos empo- brecidos (faixas, manjedoura), dos migrantes e rejeitados da sociedade. A salvação entra na história da humanidade com as características do povo pobre, longe dos palácios e dos berços dourados. O modo de nascer do Salvador já é comunicação per- feita daquilo que irá realizar em vida: a glória de Deus e a paz para as pessoas de sua predileção (cf. v. 14). A glória de Deus é sua ação na história, e sua ação irá concretizar a paz (shalom = plenitude dos bens) para o povo no meio do qual ele optou nascer. 2ª leitura (Tt 2,11-14): A manifestação de Jesus é catequese para a vida cristã 16. “A carta a Tito foi escrita provavelmente pelos anos 64-65. Tito, seu destinatário, é o delegado pessoal de Paulo na ilha de Creta. Paulo conta com ele para organizar a comunidade de Creta e lutar contra os que falseiam a palavra de Deus. O Evangelho foi anunciado, as comunidades foram fundadas e, algumas dezenas de anos mais tarde, apareceram os verdadeiros problemas. Alguns cristãos… misturaram o Evangelho com teorias propagadas por grupos judaicos… Por outro lado, também os costumes relevados do paganismo se infiltram na comunidade, falseando a moral. É preciso recordar aos cristãos que a salvação foi trazida por Cristo, e também traçar as grandes linhas do comportamento para a vida particular e social…” (Bíblia Sagrada – Edição Pastoral, Paulus, p. 1540). 17. Para Paulo, o ponto de partida é a manifestação da graça de Deus que, em Jesus Cristo, trouxe a salvação para todas as pesso- as (2,11). O evento central de nossa fé repercute na prática dos cristãos, tornando-se catequese para a vida cristã. Vivendo em meio à sociedade estabelecida, que contrasta com o projeto de Deus, e sem fugir dos desafios que ela apresenta, os cristãos são convocados a viver a novidade de vida própria do evangelho. A novidade possui um aspecto de ruptura: abandonar a impiedade e as paixões mundanas, ou seja, romper com os esquemas e propos- tas de vida apresentados pelo “status quo”, o modo de viver pa- ganizado que não traduz a sociedade justa e fraterna desejada por Deus e inaugurada por Jesus Cristo; mas possui também caráter construtivo: viver no mundo com equilíbrio, justiça e piedade (v. 12). Essas três expressões (equilíbrio, justiça e piedade) sinteti- zam o modo de viver sintonizado com o projeto de Deus. Portan- to, a comunidade cristã não só rompe os esquemas iníquos, mas vive a justiça do Deus vivo (piedade), prolongando dessa forma a prática de Jesus. 18. A tensão entre a ruptura da impiedade e a vivência da justiça conduz a comunidade dos fiéis a caminhar na expectativa da feliz esperança e da manifestação definitiva da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus (v. 13). 19. O v. 14, que encerra a leitura de hoje, é breve catequese sobre quem é Jesus e quem são os cristãos: “Ele se entregou por nós para nos resgatar de toda maldade, purificando para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem”. Jesus é aquele que se entregou ao Pai por nós. Sua morte é resgate. Esta palavra recorda a compra de escravos no mercado. A morte de Cristo é libertação. Portanto, ninguém mais está autorizado a escravizar, dominar ou manipular pessoas ou grupos. Ser cristão é ser livre, comprometido com a liberdade e a vida para todos! A morte e ressurreição de Jesus colocaram o povo sob o domínio de Deus: ninguém poderá outorgar-se direitos sobre o povo, que pertence exclusiva e definitivamente a Deus. Mas pertencer ao povo de Deus é dedicar-se à prática do bem, prolongando as ações libertadoras do Salvador. III. PISTAS PARA REFLEXÃO 20. Chegou a salvação para os pobres e oprimidos. A I leitura aponta os tempos messiânicos, dos quais já vivemos sua realização na história. Por que, pois, nosso povo continua a "andar nas trevas, habitando nas sombras da morte"? Quais são as opressões que mantêm o povo nessa situação? 21. "Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é o Messias, o Senhor". Deus se encarna no meio dos migrantes, pobres, marginalizados… e com eles inicia a nova sociedade. Onde e em quais situações descobrimos Deus se encarnando? Qual a Boa Notícia a ser proclamada neste dia do grande Jubileu do nascimento de Jesus? 22. A manifestação de Jesus é catequese para a vida cristã. Ser cristão é ser livre e comprometido com a liberdade e a vida para todos. O que significa dedicar-se à prática do bem? Qual a catequese que brota do nascimento de Jesus?

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