mundo aforaPolíticas de internacionalização de universidades
nº9
mundo afora
Brasília, setembro de 2012
mundo aforaPolíticas de internacionalização
de universidades
nº 9
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Prefácio
A coleção Mundo Afora é publicada pelo Ministério
das Relações Exteriores com o intuito de fomentar
o debate no...
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É nesse contexto que o Itamaraty apresenta esta
edição da Mundo Afora, com relatos escritos por
diplomatas brasileiros n...
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Índice
Educação superior e pesquisa na Alemanha
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No caminho da internacionalização: desafios e
oportunidades do ...
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Coreia sem fronteiras – notas sobre a
globalização da educação e sinergias para
o Brasil
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Mobilidade no ensino s...
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A internacionalização do estudo superior na Índia
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Internacionalização da educação na Irlanda:
aposta na excelê...
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A dimensão internacional do ensino superior
em Portugal
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A internacionalização do ensino superior como
receita ...
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ALEMANHA
Educação superior e
pesquisa na Alemanha
Everton Vieira Vargas e Marcelo Cid
O sistema de educação...
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mas estudantes formados em escolas técnicas de
nível médio podem candidatar-se a vagas em es-
cola...
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Alemanha a oferta de cursos de mestrado. Em 2011,
foram titulados cerca de 25 mil doutores no país...
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anual de cerca de 1,5 bilhão de euros, sendo 40%
desse total custeado pelo governo alemão – os 60%...
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para alemães quanto para estrangeiros. O DAAD tem
várias fontes de financiamento, incluindo verbas...
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modalidades de bolsas/ incentivos a que o aluno
poderá candidatar-se, seja no nível estadual, seja...
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cursos de língua e estágios no exterior, seminários,
simpósios, cursos complementares e workshops,...
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mesma linha, o Dr. Christian Bode, do DAAD, diz em
entrevista ao Die Zeit: “Em uma estada universi...
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No caminho da
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e oportunidades do ensino
superior na Argentina
Enio ...
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São muitos os exemplos de centros qualificados
de investigação científica, tais como a Fundação
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Com o intuito de otimizar os esforços realizados
isoladamente pelas instituições, o Conselho Inte...
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Com o objetivo de promover a mobilidade educativa
e acadêmica e a formação de redes de comunicaçã...
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Em 2011, foi lançado o projeto-piloto do Programa
de Parcerias Universitárias de Graduação em Lín...
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concebida e sancionou seu Estatuto a partir de even-
tos organizados por IESs argentinas, em 2006...
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dades, articulando os vários aspectos da promoção
das IESs argentinas, apoiando missões das insti...
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da Universidade de Bolonha e da Faculdade Latino-
-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), ambas
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Embora não haja dados nacionais precisos, as
universidades argentinas registram progressivo
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THEILER, Julio C. La internacionalización de la educación supe-
rior en la República Argentina in...
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Austrália
Internacionalização do
ensino na Austrália: grande
oportunidade para parcerias
em cursos técnicos...
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mais de 180 mil empregos. Existem 38 universidades
públicas no país e quatro privadas.
Todos os c...
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–, as dinâmicas de mercado – em
especial a demanda por ensino dos países de rápi...
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Para descrever a internacionalização do ensino
superior no país, portanto, o termo mais adequado
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Austrália
Estudantes australianos no exterior
Apesar de a entrada de estudantes na Austrália ser
em número ...
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A facilidade de entrada no mercado de trabalho
dos que voltam, ainda que sem o reconhecimento
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três universidades australianas (ANU, Melbourne
e Sydney) figuram no ranking das 100 melhores
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Os estudantes brasileiros estão aproveitando a ofer-
ta de ensino australiana. Somam 16 mil matrí...
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vos da Austrália são a proximidade geográfica da
Ásia, região que mais cresce no mundo, e a ofert...
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tros). A ênfase conferida pelo Governo brasileiro à
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. Foi também estabelecido um no...
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superior na Austrália, por vias formais e informais.
Para Sean Burges, “discussões em classe são ...
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A queda da Austrália no PISA enviou alerta à clas-
se política, aumentando a preocupação quanto a...
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Ross, J. (2012, 15 de fevereiro). “Caution as students give the
thumbs-up”. The Australian, 30.
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Scholarships provided by the Australian and Latin American
governments and other institutions: ht...
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International Students and the most recent ABS data available:
http://www.abs.gov.au/ausstats/abs...
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A Áustria e a
internacionalização do
ensino superior
Julio Cezar Zelner Gonçalves e Flavio Elias Ri...
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Interessante notar que, para 15% dos estudantes,
um semestre no exterior constituiu ponto obrigatór...
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mais baixas e com relação a países como Itália,
França e Suíça. Vinte e seis por cento identificara...
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e aos Estados Unidos, porém com menor frequência
no caso de Itália, França e Espanha. Para 73% dos
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A internacionalização do
ensino superior no Canadá:
uma via de mão dupla
Piragibe dos Santos Tarragô...
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Em comparação com outros países da OCDE, o Ca-
nadá aparece como um dos que menos enviam es-
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Uma estratégia internacional de
educação teria que cobrir uma
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Um dos motivos apontados para a falta de protago-
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inovação de produtos;
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que pretende se candidatar é regulamentado ou não.
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Políticas de internacionalização de universidades

A coleção Mundo Afora é publicada pelo Ministério das Relações Exteriores com o intuito de fomentar o debate no Brasil sobre questões de relevo para o desenvolvimento nacional, a partir da experiência de outros países. Edições anteriores trataram de políticas públicas de geração de empregos, combate à violência urbana, redução das desigualdades regionais, financiamento à educação superior, divulgação cultural, criação de espaços verdes em áreas urbanas, promoção da igualdade de gênero e inclusão social de afrodescendentes. A edição atual é dedicada à questão da internacionalização do ensino superior, de importância crucial por vincular-se diretamente aos temas da inovação e competitividade. Lançado em 2011, o programa “Ciência sem Fronteiras” passou a ocupar um lugar central entre as políticas públicas do Brasil de hoje. Desde o primeiro momento, o Itamaraty tem buscado contribuir para esse objetivo estratégico do Governo brasileiro, ampliando suas ações de promoção da internacionalização do ensino superior, identificando novas parcerias no exterior e diversificando o apoio prestado aos bolsistas brasileiros. Disponível em http://dc.itamaraty.gov.br/publicacoes/colecao-mundo-afora/Capa%20e%20Miolo%20FINAL.pdf/
Published on: Mar 4, 2016
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  • 1. mundo aforaPolíticas de internacionalização de universidades nº9
  • 2. mundo afora
  • 3. Brasília, setembro de 2012 mundo aforaPolíticas de internacionalização de universidades nº 9
  • 4. 4 Prefácio A coleção Mundo Afora é publicada pelo Ministério das Relações Exteriores com o intuito de fomentar o debate no Brasil sobre questões de relevo para o desenvolvimento nacional, a partir da experiência de outros países. Edições anteriores trataram de políticas públicas de geração de empregos, com- bate à violência urbana, redução das desigualda- des regionais, financiamento à educação superior, divulgação cultural, criação de espaços verdes em áreas urbanas, promoção da igualdade de gênero e inclusão social de afrodescendentes. A edição atual é dedicada à questão da internacio- nalização do ensino superior, de importância crucial por vincular-se diretamente aos temas da inovação e competitividade. Lançado em 2011, o programa “Ciência sem Fronteiras” passou a ocupar um lugar central entre as políticas públicas do Brasil de hoje. Desde o primeiro momento, o Itamaraty tem buscado contribuir para esse objetivo estratégico do Governo brasileiro, ampliando suas ações de promoção da internacionalização do ensino superior, identificando novas parcerias no exterior e diversificando o apoio prestado aos bolsistas brasileiros.
  • 5. 5 É nesse contexto que o Itamaraty apresenta esta edição da Mundo Afora, com relatos escritos por diplomatas brasileiros no exterior sobre as solu- ções encontradas por Governos estrangeiros para os desafios representados pela necessidade de in- ternacionalização do ensino superior. O objetivo é o de contribuir para o aperfeiçoamento do programa “Ciência sem Fronteiras”.
  • 6. 6 Índice Educação superior e pesquisa na Alemanha PÁG.  10 No caminho da internacionalização: desafios e oportunidades do ensino superior na Argentina PÁG.  18 Internacionalização do ensino na Austrália: grande oportunidade para parcerias em cursos técnicos, graduação, pesquisa e desenvolvimento PÁG.  28 A Áustria e a internacionalização do ensino superior PÁG.  44 A internacionalização do ensino superior no Canadá: uma via de mão dupla PÁG.  48 A internacionalização do ensino superior na China: entre a massificação e a excelência PÁG.  60 Cingapura: a importância do ensino na trajetória do país do Terceiro Mundo ao Primeiro PÁG.  77 Internacionalização do ensino superior na Colômbia PÁG.  88
  • 7. 7 Coreia sem fronteiras – notas sobre a globalização da educação e sinergias para o Brasil PÁG.  98 Mobilidade no ensino superior: estratégia da Dinamarca num mundo globalizado PÁG.  121 O ensino superior na Espanha e seu processo de internacionalização – histórico, atualidade e perspectivas PÁG.  136 Programas de internacionalização do ensino superior nos Estados Unidos PÁG.  147 Os melhores também melhoram: a internacionalização do ensino superior na Finlândia PÁG.  167 França: do “albergue espanhol” à mobilidade estratégica PÁG.  179 A internacionalização do ensino superior neerlandês em tempos de transição de paradigmas universitários: autonomia a serviço da economia do conhecimento PÁG.  189
  • 8. 8 A internacionalização do estudo superior na Índia PÁG.  202 Internacionalização da educação na Irlanda: aposta na excelência do sistema de ensino doméstico PÁG.  213 A internacionalização do ensino superior na Itália PÁG.  222 Japão: os ensinamentos de um país à frente de seu tempo PÁG.  230 Educação superior na Malásia e sua internacionalização PÁG.  239 Internacionalização da educação superior no México PÁG.  250 Noruega como parceira para a nova fronteira tecnológica do Brasil PÁG.  259
  • 9. 9 A dimensão internacional do ensino superior em Portugal PÁG.  267 A internacionalização do ensino superior como receita para o sucesso – a experiência do Reino Unido e sua relevância para o Brasil PÁG.  276 A experiência de internacionalização do ensino superior na República Tcheca PÁG.  286 Programas de internacionalização do ensino na Rússia PÁG.  293 A internacionalização do ensino superior na Suécia PÁG.  307 A “Doi Moi” (renovação) e a internacionalização do ensino superior no Vietnã PÁG.  311
  • 10. 10 Mundo Afora ALEMANHA Educação superior e pesquisa na Alemanha Everton Vieira Vargas e Marcelo Cid O sistema de educação superior da Alemanha com- preende universidades tradicionais (Universitäten), escolas superiores de ciências aplicadas (Fachho- chschulen), de tecnologia (Technische Hochschulen), de administração (Verwaltungsfachhochschulen), de educação, de arte e música e escolas superiores mantidas pelas Forças Armadas (Universitäten der Bundeswehr). Essas instituições são, na maioria públicas e gratuitas, embora haja também escolas superiores mantidas pelas igrejas protestante e católica no país e um número crescente de insti- tuições privadas. Há no país cerca de 2 milhões de alunos matriculados em 355 instituições de ensino superior, dos quais aproximadamente 210 mil estran- geiros – a maior parte dos quais (12%) proveniente da China (seguida de Bulgária, Polônia e Rússia). A Alemanha é o terceiro país com o maior número de estudantes estrangeiros, atrás de Estados Unidos e Grã-Bretanha. Segundo dados do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio), há cerca de 2.000 brasilei- ros matriculados em instituições de ensino superior no país – número que deve crescer com a imple- mentação do Programa “Ciência sem Fronteiras”. Cabe observar que, em comparação com a popula- ção jovem, a porcentagem de alunos matriculados em instituições de ensino superior na Alemanha é menor do que a de outros países europeus, uma vez que muitas profissões podem ser exercidas apenas com a formação de nível médio. Para admissão em instituições de ensino superior, como regra, o candidato deve ter sido aprovado no “Abitur” (exame aplicado ao final do ensino médio),
  • 11. 11 Mundo Afora ALEMANHA mas estudantes formados em escolas técnicas de nível médio podem candidatar-se a vagas em es- colas superiores de tecnologia ou de outras áreas. Esses candidatos precisam passar por um “exa- me de aptidão”, com ou sem entrevista, também eliminatória. Além disso, na Alemanha vige um sistema de quotas (2% das vagas) para alunos com deficiência e/ou provenientes de famílias de baixa renda, também dirigido a descendentes de alemães nascidos no exterior (Spätaussiedler). Os alunos de baixa renda podem candidatar-se a uma bolsa de estudos (parcialmente reembolsável) de até 650 euros por mês. Nas universidades alemãs, tradicionalmente, os alunos possuem grande autonomia para escolha das disciplinas, que podem ser cursadas até mesmo em outras instituições. Disso resulta normalmente um tempo maior de estudo. O tempo médio para graduação é de cinco anos, mas, uma vez que a decisão sobre quando fazer os exames finais cabe inteiramente ao estudante, não é incomum que mui- tos permaneçam na instituição por mais tempo. Em 2008, a média de idade dos graduados foi de 27 anos e meio. A implementação do Protocolo de Bolonha, que tende a uniformizar os processos para a con- cessão de títulos acadêmicos na Europa, deverá mudar gradualmente esse quadro. Para algumas titulações – por exemplo, em Direito, Medicina e Pedagogia – os alunos normalmente seguem o curso superior por um período de quatro a seis anos, seguidos, em alguns casos, de estágio prático (de dois anos para os futuros advogados), e por fim prestam exame organizado pelo governo (Staatsexamen) para obter o devido licenciamento. Para essas carreiras, a aprovação no Staatsexamen garante também a titulação de Mestre. No caso das escolas superiores de tecnologia, não existem títulos de pós-graduação. Por esses motivos, não é ainda comum na Alemanha o sistema de pós-graduação com mestrado e doutorado, embora o Protocolo de Bolonha esteja transformando esse cenário. De fato, desde 1999 tem crescido continuamente na
  • 12. 12 Mundo Afora ALEMANHA Alemanha a oferta de cursos de mestrado. Em 2011, foram titulados cerca de 25 mil doutores no país. Com a gradual reestruturação do ensino superior na Alemanha, o governo federal tem também procurado criar centros de excelência nas mais diversas áreas. O principal projeto nesse sentido é a “Excellenzini- tiative” (“Iniciativa de Excelência”), que estimula, entre universidades e outras instituições de ensino superior, a competição por linhas de financiamento federal, que podem chegar a 6,5 milhões de euros por ano (no caso dos “Clusters de Excelência”, isto é, a união de várias instituições e empresas privadas em projeto comum), cedidos por um período de cinco anos. Há no país atualmente 76 instituições pre- miadas em 37 universidades – em outras palavras, uma em cada três universidades alemãs dispõe de um “centro de excelência” de nível internacional em alguma área do conhecimento. A Iniciativa também estimula a cooperação universidade-empresa e o consequente desenvolvimento de inovação. São exemplos de “Cluster de Excelência”: a Universidade Aachen RWTH (pesquisas sobre biocombustíveis), a Universidade Ludwig-Maxilian de Munique (fotô- nica) e a Escola Superior de Medicina de Hanover (terapia reconstrutiva). O orçamento da Iniciativa em Excelência para os próximos cinco anos é de 1,9 bilhão de euros. O estímulo à pesquisa científica é na Alemanha tarefa de diversas instituições e órgãos governamentais nos níveis federal e estadual, mas em linhas gerais o Ministério da Educação e Pesquisa (BMBF) concentra o financiamento federal a projetos de pesquisa. O orçamento para esse fim (total previsto para trans- ferência no atual governo) é de 6 bilhões de euros. De vital importância na pesquisa científica da Alema- nha são a Sociedade Fraunhofer e a Sociedade Max- -Planck, ambas formalmente independentes, mas destinatárias de vultosos investimentos do governo federal. A Sociedade Fraunhofer concentra-se em pesquisa aplicada; conta com mais de 80 institu- tos, tem cerca de 20 mil funcionários e orçamento
  • 13. 13 Mundo Afora ALEMANHA anual de cerca de 1,5 bilhão de euros, sendo 40% desse total custeado pelo governo alemão – os 60% restantes são receita pela prestação de serviços de pesquisa e desenvolvimento à iniciativa privada. Em 2009 (informação mais recente disponível), a Sociedade Fraunhofer registrou 675 patentes. A Sociedade Max-Planck dedica-se à pesquisa bási- ca; tem cerca de 14 mil funcionários e associa 80 institutos de pesquisa. Seu orçamento para 2011 é de 1,4 bilhão de euros, custeado pelo governo fe- deral e pelos governos estaduais da Alemanha. Até hoje, 32 cientistas ligados à Sociedade Max-Planck receberam o Prêmio Nobel. Caberia citar também a Associação Helmholtz, composta por 17 instituições de pesquisa (princi- palmente das áreas de medicina e biologia, três prêmios Nobel), que conta com 30 mil funcionários e tem orçamento de 3 bilhões de euros (2010); e a Associação Leibniz, que congrega 87 instituições de pesquisa, com 16 mil funcionários e orçamento de 1,3 bilhão de euros (2010). Bolsas de estudo e cooperação internacional em ensino Aproximadamente 80 mil alemães matriculam-se por ano em universidades no exterior. A maioria na Holanda, Áustria, Inglaterra, Suíça, Estados Unidos e França (nessa ordem). A Alemanha oferece inúmeros programas de bolsas de estudo a estudantes que desejam fazer sua graduação ou pós-graduação no exterior, em parte ou na íntegra. Esses programas são exclusivamente governamentais ou realizados em cooperação com fundações que se especializa- ram no fomento à educação e à cultura. Alunos e outros interessados têm à disposição, no Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), bancos de dados e consultoria sobre esses programas e ou- tras oportunidades. O DAAD, cabe lembrar, é a maior organização promotora de intercâmbio acadêmico e científico do mundo. Foi fundado em 1925 e já conce- deu mais de 1,5 milhão de bolsas de estudos, tanto
  • 14. 14 Mundo Afora ALEMANHA para alemães quanto para estrangeiros. O DAAD tem várias fontes de financiamento, incluindo verbas do Ministério do Exterior e outros ministérios alemães, da União Europeia, de universidades e empresas privadas. Seu orçamento em 2010 (últimos dados disponíveis) foi de 384 milhões de euros. O DAAD, em cooperação com diversas fundações e universidades, oferece bolsas de graduação de um ano em universidades parceiras, em todas as áreas de conhecimento e em todas as regiões do mundo. Os valores das bolsas variam de acordo com os valores das taxas universitárias, o lugar, a área de estudo e as exigências das fundações par- ceiras. Um dos programas mais recentes do DAAD (implementado em 2011) é o PROMOS (Programa de Incentivo à Mobilidade de Estudantes Alemães). Esse programa pretende incentivar estadas curtas (com duração máxima de seis meses) para formação no exterior, e não inclui cursos de pós-graduação. Foi criado tendo em mente os estudantes de áreas do saber (ou instituição estrangeira desejada para o intercâmbio) que não se enquadram nos programas já existentes. O PROMOS apoia cursos de aperfei- çoamento, de línguas, estágios e participação em concursos. Inclui bolsa mensal, custos de viagem e taxas escolares ou universitárias. No nível federal, o banco de dados do BMBF lista atualmente 115 programas de bolsas de estudo. Um dos incentivos mais populares entre a população estudantil é o Programa de Intercâmbio (Austaus- chprogramm), baseado nos institutos, universidades e faculdades estatais locais. Em cada universidade, um órgão chamado Administração Acadêmica do Exterior (Akademisches Auslandsamt) centraliza as informações sobre esse incentivo e oferece consul- toria e apoio na busca de vagas em universidades parceiras em outros países. Quando um programa de intercâmbio não está dis- ponível em sua universidade, o aluno tem a possibi- lidade de se candidatar diretamente em instituição de ensino do exterior. Também nesse caso há várias
  • 15. 15 Mundo Afora ALEMANHA modalidades de bolsas/ incentivos a que o aluno poderá candidatar-se, seja no nível estadual, seja no federal ou europeu. Os principais programas são os seguintes. Auslandsbafög (Programa Federal de Incentivo à Graduação no Exterior). Fornece apoio financeiro para cobrir as taxas universitárias (até 4.600 euros), cobre custos de viagem ida e volta e seguro saúde, além de bolsa mensal de até 255 euros, a depender do país escolhido. Esses benefícios não são reembolsáveis, isto é, o beneficiário não terá dívidas após o fim da graduação (à diferença de outras modalidades de bolsas federais ou estaduais). Programas de incentivo à graduação, pós-graduação e estágio da União Europeia – ERASMUS/ SOKRA- TES/ LEONARDO DA VINCI/ TEMPUS SOKRATES/ ERASMUS: Estes programas incentivam o inter- câmbio de professores e estudantes entre países europeus. Oferecem bolsa de estudos de três a 12 meses em uma universidade parceira europeia. Bol- sistas do ERASMUS não pagam taxas universitárias no exterior e recebem o chamado “suplemento de mobilidade”, que cobre outros custos básicos. Os créditos obtidos com esses programas são reco- nhecidos nas universidades alemãs. LEONARDO DA VINCI: Dirige-se a estudantes e recém-formados interessados em estágio em em- presas do exterior. TEMPUS: Apoia o intercâmbio universitário com países de fora da UE. Projeto de Incentivo à Graduação e Pós-Graduação de Portadores de Altas Habilidades. Esse progra- ma do BMBF é sustentado por 12 instituições – fundações e instituições religiosas de fomento à educação – e dirige-se a estudantes de graduação e pós-graduação portadores de “altas habilidades” ou de alta performance em algum ramo do conhe- cimento ou das artes. O incentivo é concedido em forma de bolsas mensais e apoios para estada,
  • 16. 16 Mundo Afora ALEMANHA cursos de língua e estágios no exterior, seminários, simpósios, cursos complementares e workshops, contatos com professores e tutores. Cobre também as taxas universitárias. Caberia citar ainda o papel da Comissão Fulbright. O seu programa de bolsas na Alemanha é o maior da Fundação no mundo. A Fulbright oferece bolsas de estudos para estudantes de graduação, de pós- -graduação, professores, pesquisadores e profis- sionais em todas as áreas do conhecimento. Desde sua implementação, em 1952, já concedeu bolsas a 40 mil americanos e alemães. Desafios da internacionalização do ensino superior alemão Várias publicações especializadas, assim como fo- ros e cadernos especiais em jornais, atestam que ainda existem problemas com o reconhecimento dos créditos e diplomas emitidos no exterior. Frequen- temente, o estudante precisa repetir os mesmos cursos, quando volta para a Alemanha. Dessa forma, a realização de estudos no exterior ainda não ocorre sem alguns prejuízos acadêmicos. Como observam certos críticos, as universidades muitas vezes não têm consciência de que os conteúdos diferentes do exterior podem ser tão importantes quanto os do país de origem. Contudo, a opinião geral é de que uma temporada no exterior é benéfica para o aluno alemão. A publicação especializada em Economia Wi, repetindo avaliação de vários foros de bolsistas e ex-bolsistas, afirma que um intercâmbio aumenta as chances no país natal: “Diante da perspectiva de interconexão internacional crescente e da demanda sempre maior, de parte da economia alemã, por especialistas com experiência internacional, um in- tercâmbio universitário no exterior oferece maiores chances no mercado de trabalho. Além de provar competência em línguas estrangeiras e interesse por outras culturas e costumes, uma experiência desse tipo mostra iniciativa própria, capacidade de integração e flexibilidade física e mental”. Na
  • 17. 17 Mundo Afora ALEMANHA mesma linha, o Dr. Christian Bode, do DAAD, diz em entrevista ao Die Zeit: “Em uma estada universitária no exterior aprende-se uma outra língua, outros costumes e visões do mundo, outra cultura e também a experiência de ‘ser estrangeiro’, o que tem efeito enorme no processo de autoconhecimento, de inde- pendência e no desenvolvimento da personalidade”. O processo de internacionalização das instituições de ensino alemãs é mais visível, porém, no número sempre crescente de bolsistas de outros países que escolhem a Alemanha como destino. Esse contin- gente inclui cada vez mais chineses e indianos, que procuram, sobretudo, os cursos de engenharia e outras áreas técnicas ou científicas. Também os brasileiros devem compor parcela considerável nos próximos anos, tendo em mente os objetivos do Programa “Ciência sem Fronteiras”. Everton Vieira Vargas é Embaixador do Brasil em Berlim. Marcelo Cid é diplomata lotado na Embaixada do Brasil em Berlim
  • 18. 18 Mundo Afora argentina No caminho da internacionalização: desafios e oportunidades do ensino superior na Argentina Enio Cordeiro e Yukie Watanabe Ao longo do século XX, a Argentina cultivou repu- tação de liderança e qualidade no ensino superior na América Latina. A Reforma Universitária – ini- ciada em Córdoba, em 1918 – estabeleceu um dos pilares que orientou a organização e o desenvol- vimento das instituições educacionais no país: a autonomia universitária. A reforma de 1918 deu forma ao modelo argentino de ensino superior – gratuito e de livre acesso –, e estabeleceu a exi- gência de concurso público para a contratação de professores. O movimento reformista sedimentou as bases de um ambiente acadêmico plural e ofe- receu inspiração ao sistema educacional de outros países do continente. Aliadas à pujante produção editorial, à presença de professores estrangeiros e à intensa procura por parte de estudantes de outros países, a Argenti- na consolidou-se, em meados do século XX, como referência em educação superior. Desde então, as áreas de excelência acadêmica argentina incluem ampla gama de disciplinas, destacando-se as Ciên- cias da Saúde e Biomédicas – Medicina, Bioquímica, Farmácia –, as Ciências Jurídicas e Sociais, Física e Agronomia. O destaque conferido às Ciências Mé- dicas reflete-se no reconhecimento internacional a três destacados pesquisadores argentinos: Bernardo Houssay (Nobel de Medicina, 1947), Luis Federico Leloir (Nobel de Química, 1970) e César Milstein (Nobel de Medicina, 1984).
  • 19. 19 Mundo Afora argentina São muitos os exemplos de centros qualificados de investigação científica, tais como a Fundação Instituto Leloir, que se dedica a pesquisas na área de Bioquímica e Biologia celular e molecular. No campo das Ciências Aplicadas, destacam-se o Ins- tituto Balseiro, vinculado academicamente à Uni- versidade Nacional de Cuyo, que oferece bolsas de estudo de verão para o curso de engenharia nuclear. A Comissão Nacional de Energia Atômica (CNEA), ao lado do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), são igualmente entidades de grande prestígio internacional. Outros campos de produção acadêmica particularmente dinâmica no país são Biotecnologia, Informática e Eletrônica. A atividade acadêmica argentina permanecia até os anos 1990, no entanto, centrada no âmbito lo- cal, com poucos laços duradouros ou sistemáticos com outras instituições estrangeiras. Até então, as instituições de ensino superior (IES) argentinas não concebiam suas atividades a partir de uma perspectiva voltada para o exterior. Ao final da dé- cada, as universidades argentinas perceberam as oportunidades advindas da cooperação externa e começaram a empreender iniciativas nesse sentido. Foi de especial importância ao contexto universi- tário argentino o papel da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI), por meio de seus programas de mobilidade no âmbito do espaço ibero-americano de cooperação universitária. Do intercâmbio de estudantes e professores à pes- quisa conjunta, o caráter bilateral dos programas levou também à necessidade de alocação e gestão de recursos a atividades. Data dessa época a criação de grande parte dos escritórios de relações interna- cionais das universidades argentinas, e permanece testemunho da importância dessa cooperação o grande número de programas existentes até hoje com instituições espanholas. Não obstante, as ati- vidades externas das IESs argentinas dependiam quase inteiramente de recursos próprios e da von- tade institucional de cada Reitoria.
  • 20. 20 Mundo Afora argentina Com o intuito de otimizar os esforços realizados isoladamente pelas instituições, o Conselho Inte- runiversitário Nacional (CIN), organismo que con- grega as Universidades Nacionais argentinas, criou, em 1999, a Rede de Cooperação Internacional das Universidades Nacionais (RedCIUN), com vistas à coordenação de políticas universitárias e à promoção de atividades de interesse acadêmico. Esse canal específico, pelo qual os escritórios de relações in- ternacionais de cada IES passaram a cooperar, visa a promover as universidades públicas argentinas e enfatizar a face internacional da educação superior por meio do intercâmbio de informações e do contato com associações de outros países. Atualmente, a Rede, que conta com 40 instituições ativas, é dirigida por uma Comissão Executiva, formada por sete de seus membros permanentes, e trabalha com quatro comissões: comunicação; capacitação; estudos; e cooperação em pesquisa, transferência e desen- volvimento. Além de assessorar o CIN em temas de sua competência, a Rede objetiva trabalhar na capacitação de pessoal para atuar nos escritórios e nas atividades internacionais das IESs. Foi apenas um primeiro passo. Em levantamento de 2003, realizado pela Universidade Nacional do Litoral, apurou-se que 75% das Universidades Na- cionais e todas as instituições privadas referiam-se à internacionalização de suas atividades em seus Planos de Desenvolvimento. Os recursos para os escritórios de relações internacionais, no entanto, quando destinados diretamente, não ultrapassavam 0,3% do orçamento anual da IES, sendo que na maio- ria delas não havia rubrica específica para a área, que dependia de instância administrativa superior. Paralelamente, iniciam-se as primeiras ações go- vernamentais voltadas para a internacionalização da educação. O governo argentino passou a organizar estruturas administrativas e implementar políticas voltadas para a cooperação educacional. A Direção Nacional de Cooperação Internacional (DNCI) foi criada em 2002, no âmbito do então Ministério de Educação, Ciência e Tecnologia.
  • 21. 21 Mundo Afora argentina Com o objetivo de promover a mobilidade educativa e acadêmica e a formação de redes de comunicação entre pesquisadores e alunos, a Direção Nacional de Cooperação Internacional do Ministério da Edu- cação formula programas de bolsas de estudo para intercâmbio e projetos educacionais conjuntos com outros países. A formação de recursos humanos no exterior concentra-se especialmente no intercâmbio ibero-americano. Nesse sentido, o Ministério da Educação prioriza áreas identificadas como estra- tégicas para políticas de desenvolvimento nacional e entre fundações e universidades que compartilhem objetivos comuns. O Governo argentino vem oferecendo bolsas de mes- trado, doutorado e pós-doutorado na modalidade de cofinanciamento, com base em acordos celebrados com outros países. Os valores das bolsas variam. Estudantes argentinos cursando mestrado ou dou- torado no Brasil, tanto na modalidade plena como “sanduíche”, podem receber bolsas de até 7.000 pesos argentinos, além de passagens e seguro. Em países como França e Espanha, o valor total médio das bolsas é de 1.200 euros. Com outros países, como México e República Tcheca, o convênio esta- belece que o Governo do país hospedeiro responda pela manutenção dos estudantes estrangeiros. Em 2003, a Secretaria de Políticas Universitárias, vinculada ao Ministério de Educação, Ciência e Tecnologia da Nação, organizou área de relações internacionais que, em coordenação com a DNCI, engendrou o Programa de Internacionalização da Educação Superior e Cooperação Internacional. Esse Programa mantém diversos convênios bilate- rais e participa de várias iniciativas no MERCOSUL. No que diz respeito à cooperação com o Brasil, tanto bilateral como regionalmente, há intercâmbio intenso em Ciências Sociais e Humanas. Objeto dos dois comunicados conjuntos presidenciais de 2011, o tema da capacitação de docentes para o ensino de português e espanhol como línguas estrangeiras apresenta significativo potencial de desenvolvimento.
  • 22. 22 Mundo Afora argentina Em 2011, foi lançado o projeto-piloto do Programa de Parcerias Universitárias de Graduação em Língua Espanhola e Portuguesa no MERCOSUL, da Coor- denação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Cinco projetos de parceria entre IESs brasileiras e argentinas foram selecionados e contemplados com recursos para a realização de missões de estudos, a saber: Universidade Nacional de Río Cuarto (Córdoba) e Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Nacional de Córdoba e Universidade Federal de Goiás (UFG); Universidade Nacional de Misiones e Universidade Federal de São Carlos (UFSCar); Universidade de Buenos Aires e Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFR- PE); e Universidade Nacional de Cuyo (Mendoza) e Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Nota-se também o incremento da mobilidade aca- dêmica nos cursos de Agronomia, Engenharia e Medicina, inscritos no Programa MARCA – programa de mobilidade acadêmica regional para cursos re- gistrados pelo Mecanismo de Acreditação de Cursos de Graduação do MERCOSUL e países associados. Há boas perspectivas de intensificação do intercâm- bio por meio do Sistema ARCU-Sul, de Acreditação Regional de Cursos Universitários do Sul, que inclui, também, as carreiras de Arquitetura, Veterinária, Enfermagem e Odontologia. Estabeleceu-se, ademais, parceria entre o Programa de Internacionalização da Educação Superior e Coo- peração Internacional e a RedCIUN, para a realização de seminários e projetos que ampliassem o alcance das IESs argentinas no cenário internacional. Com efeito, a RedCIUN contribuiu sobremaneira para o aprofundamento do processo de internacionalização da educação argentina. Internamente, promoveu a alteração da legislação referente à concessão de visto de estudante, simplificando e reduzindo custos para estrangeiros em intercâmbio acadêmico, desde 2002. No âmbito externo, apresenta-se como um dos mais ativos participantes nas redes correlatas. A Rede Latino-Americana de Relações Internacionais de Instituições de Educação Superior (ReLARIES) foi
  • 23. 23 Mundo Afora argentina concebida e sancionou seu Estatuto a partir de even- tos organizados por IESs argentinas, em 2006 e 2009, respectivamente. Além disso, a RedCIUN foi desig- nada coordenadora do grupo que congrega redes de universidades de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Tem desenvolvido, igualmente, sistemas de informação sobre cursos e convocatórias, de forma a intensificar a divulgação de projetos entre todas as Universidades Nacionais. Relevante aspecto da atuação da RedCIUN refere-se à ampliação da capacidade internacional de todas as universidades associadas, por meio de programas que beneficiam tanto instituições com recursos e tradição na implantação de projetos internacionais quanto IESs menores (algumas com poucos anos de existência). Por meio da Rede, procura-se ca- pilarizar a internacionalização, trazendo as IESs menores para iniciativas já consolidadas, com acesso às mesmas oportunidades e evitando-se que os processos se concentrem em poucas instituições e áreas geográficas. O ativismo da RedCIUN tem possibilitado às institui- ções argentinas o acesso a diversas oportunidades internacionais e a reflexão sobre o tema do ponto de vista institucional. Como é organizada no âmbi- to das próprias universidades e tem suas origens anteriores às políticas governamentais, a atuação dentro da Rede e por meio dela permite que cada uma das IESs identifique suas necessidades e pos- sibilidades de maneira autônoma e independente. Ademais, por estarem envolvidas no dia a dia da vida acadêmica, as instituições têm melhor visão da realidade dos estudantes e professores, dos ganhos e das dificuldades enfrentadas nos processos de internacionalização, de forma a poder contribuir para os debates e para os processos decisórios intrainstitucionais e governamentais de abertura ao cenário internacional. Em 2006, o Ministério da Educação estabelece o Programa de Promoção da Universidade Argentina (PPUA), que trabalha em conjunto com as universi-
  • 24. 24 Mundo Afora argentina dades, articulando os vários aspectos da promoção das IESs argentinas, apoiando missões das institui- ções ao exterior e organizando estandes em feiras internacionais de educação. Além disso, na linha da “internationalisation at home”, promove o projeto “Estudiar en Argentina” (http://estudiarenargentina. siu.edu.ar/), que incentiva a vinda de estudantes estrangeiros ao país. Embora esse conceito não seja novo, apenas recentemente passou a figurar na agenda latino-americana, ampliando a noção de internacionalização para além da mobilidade docente e estudantil. Estudo europeu realizado em 2000 demonstra que menos de 10% do corpo dis- cente tinha a oportunidade de estudar no exterior e questionava o que fazer para inserir “os outros 90%” na educação para o mundo globalizado. Na Argentina, além da necessidade de estender a internacionalização aos estudantes que não parti- cipam dos programas de intercâmbio, a internaliza- ção desses processos pode também ser entendida como a superação do papel de mero receptor de cooperação, uma vez que o país passa também a oferecê-la. Algumas universidades, como a de Bue- nos Aires, a Nacional de Córdoba e a Nacional do Litoral, oferecem cursos de espanhol e de cultura latino-americana e argentina para estrangeiros, recebendo estudantes de diferentes países em seus campi. Outras oferecem cursos presenciais de pós- -graduação direcionados ao público externo. Além de diversificar o corpo docente, essas estratégias têm o benefício adicional de gerar recursos para a instituição, uma vez que a maioria dos cursos são pagos. As IESs argentinas tornam-se também destino procurado por estudantes de graduação que, por imposição curricular, devem cumprir ao menos um semestre em instituições de outro país. Para fazer parte desse circuito, as universidades firmam parcerias com IESs ao redor do globo; as mais avançadas nesse aspecto chegam a ter de 200 a 300 convênios ativos. No contexto desses espaços institucionais de inter- nacionalização, registra-se a marcante presença
  • 25. 25 Mundo Afora argentina da Universidade de Bolonha e da Faculdade Latino- -Americana de Ciências Sociais (FLACSO), ambas sediadas em Buenos Aires. A Universidade de Bolonha instalou-se na capital argentina em 1998, no marco do Tratado de Cola- boração Científico-Cultural entre Argentina e Itália, com vistas a promover sua internacionalização e a contribuir com a aproximação com a América Latina. Trata-se da única sede daquela universidade – a mais antiga do mundo ocidental – fora da Itália. A FLACSO, por sua vez, teve sua sede acadêmica criada em 1974. Concebida como organismo inter- nacional, intergovernamental, regional e autônomo, proporciona ambiente acadêmico de grande potencial para a reflexão de temas de interesse comum da América Latina e Caribe, por meio da pluralidade do intercâmbio docente e discente entre países da região, inclusive mediante programa de oferta de bolsas de estudo. Na Argentina, a FLACSO foi pioneira na oferta de cursos de pós-graduação pela ampliação das mo- dalidades virtuais, ferramenta de inegável potencial para a internacionalização do ensino superior. Adicionalmente, no contexto da criação de polo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação Pro- dutiva (criado em 2007) e da Agência Nacional de Promoção Científica e Tecnológica, deverá ser inau- gurado centro de pesquisa de caráter binacional com a Alemanha, associado à Sociedade Max Planck, para pesquisas em ciências biomédicas. Em 2009, as 106 instituições universitárias argen- tinas contavam com mais de 1,6 milhão de alunos, em cursos de pré-graduação e graduação, e cerca de 80 mil na pós-graduação. Em 2011, o Ministério da Educação da Nação registrou a existência de 115 entidades acreditadas, das quais 47 são Universida- des Nacionais, financiadas por esse Ministério, e 46 universidades de gestão privada. O sólido ambiente universitário argentino, assim, é campo fértil para a evolução de programas de internacionalização do ensino superior.
  • 26. 26 Mundo Afora argentina Embora não haja dados nacionais precisos, as universidades argentinas registram progressivo aumento do interesse de estudantes brasileiros por seus cursos de graduação e pós-graduação, em contexto de crescente internacionalização de suas atividades. No biênio 2009-2010, por exemplo, a Universidade de Buenos Aires – maior e mais prestigiosa IES da Argentina – registrou o ingres- so de 600 alunos brasileiros em seu ciclo básico comum de graduação. Apesar dos significativos avanços que a Argentina conheceu nessa área nos últimos anos, há desafios para seu aprofundamento. Meta que ainda se almeja cumprir é a internacionalização do currículo, o que possibilitaria estender perspectiva global a todos os estudantes argentinos. Muitas IESs já realizam esfor- ços nesse sentido, com algumas delas estabelecendo verdadeiras estratégias de internacionalização, com programas e objetivos bem traçados, implementando políticas ativas e programas de mobilidade próprios. Referências bibliográficas FACULDADE LATINO-AMERICANA DE CIÊNCIAS SOCIAIS – sede argentina: http://www.flacso.org.ar/ HURTADO, Diego. La Ciencia Argentina – Un proyecto inconclu- so: 1930-2000. Buenos Aires: Edhasa. Resenha de: POLETTO, Ricardo dos Santos. “La Ciencia Argentina: um Proyecto Incon- cluso”. Revista Brasileira de Inovação – Departamento de Políti- ca Científica e Tecnológica/ Instituto de Geociências – UNICAMP, v. 10, No. 2, pp. 455-461, 2011. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO DA NAÇÃO: www.me.gov.ar/spu/ guia_tematica/ENCIU/enciu.html e www.me.gov.ar/spu/guia_ tematica/promocion/promocion.html. SCHWARTZMAN, Simon. Notas sobre os sistemas de ensino superior da América Latina (notas prévias preparadas para o projeto de Estudos Comparados sobre Política de Educação Su- perior para a América Latina), 1994. Disponível em: http://www. schwartzman.org.br/simon/america_latina.htm.
  • 27. 27 Mundo Afora argentina THEILER, Julio C. La internacionalización de la educación supe- rior en la República Argentina in Educación Superior em Améri- ca Latina. Su dimensión internacional. Banco Mundial, 2005. WÄCTHER, Bernd. Internationalisation at home: the context in Internationalisation at Home – a position paper. EAIE, 2000. www.iruas.ch/uploads/iruas/doku/IaHPositionPaper.pdf. REDCIUN: www.redciun.edu.ar. UNIVERSIDADE DE BOLONHA – representação em Buenos Ai- res: http://www.ba.unibo.it/BuenosAires/default.htm UNIVERSIDADE DE BUENOS AIRES: www.uba.ar. UNIVERSIDADE NACIONAL DE CÓRDOBA: www.unc.edu.ar. UNIVERSIDADE NACIONAL DO LITORAL: www.unl.edu.ar. *Agradecimentos especiais às licenciadas Marina Larrea e Anahí Astur, do Programa de Internacio- nalización de la Educación Superior y Cooperación Internacional (Ministério de Educação da Nação), ao arquiteto Juan Luís Mérega, coordenador da Red- CIUN, e ao engenheiro Julio Theiler, da Universidade Nacional do Litoral. Enio Cordeiro é Embaixador do Brasil em Buenos Aires. Yukie Watanabe é diplomata e foi chefe do Setor de Cooperação Educacional da Embaixada do Brasil em Buenos Aires.
  • 28. 28 Mundo Afora Austrália Internacionalização do ensino na Austrália: grande oportunidade para parcerias em cursos técnicos, graduação, pesquisa e desenvolvimento Rubem Corrêa Barbosa e Camila Serrano Giunchetti Pio da Costa Introdução: perspectiva atual A internacionalização do ensino superior figura entre os temas de maior relevância no debate político na Austrália, devido à importância econômica do setor. Apenas o minério de ferro (58,4 bilhões de dólares) e o carvão (43,9 bilhões de dólares) geram mais divisas do que a exportação de educação, que movimentou 15,8 bilhões de dólares no ano passado. Em 2010-11, passaram pela Austrália 2,6 milhões de estudantes estrangeiros. Em setembro de 2011, havia 237.730 alunos internacionais em universidades; 155.675 em cursos profissionalizantes (Vocational Education and Training – VET); 78.469 em escolas de língua (English Language Intensive Courses for Overseas Students – ELICOS)1 ; 20.097 em escolas secundárias; e 27.046 em outros cursos, totalizando 519.025 estudantes estrangeiros matriculados em instituições de ensino do país naquele mês. Os estrangeiros representam 21,3% do total de matrículas em universidades2 e a Austrália está em quarto lugar na lista de destinos preferidos, após Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. O setor gera 1 Esse número inclui apenas estudantes que entraram na Austrália com o visto apropriado para estudar inglês. Estima-se que 40% dos estudantes de inglês na Austrália entrem no país com outros vistos. 2 Um quarto de toda a pesquisa feita na Austrália é conduzida em universidades (a título de comparação,
  • 29. 29 Mundo Afora Austrália mais de 180 mil empregos. Existem 38 universidades públicas no país e quatro privadas. Todos os cursos, mesmo nas universidades públi- cas, são pagos pelos alunos. Há facilidades para a concessão de financiamento, com taxas de juros subsidiadas, exclusivamente para australianos que não podem arcar com os custos de sua formação. A quitação dos empréstimos obtidos é feita junto com o pagamento do imposto de renda, ao atingir-se determinado patamar de remuneração. De qualquer forma, as anuidades das universidades australianas costumam ser no máximo a metade daquelas co- bradas por universidades norte-americanas. Na Austrália, a internacionalização do ensino su- perior dá-se, portanto, pela via do acolhimento de estudantes, sendo marginal o papel desempenhado pela saída de estudantes e de pesquisadores aus- tralianos para o exterior. Outro aspecto invulgar é o fato de a internaciona- lização do ensino não ser apenas fruto de um con- junto de ações ordenadas do governo australiano, i.e., de um “programa oficial”. Embora seu início e desenvolvimento sejam marcados por incentivos governamentais – materializados principalmente sob a forma de bolsas para estudantes estrangeiros de países menos desenvolvidos e de atividades de pro- científica. Aproximadamente um quarto das pesquisas realizadas na Austrália contam com colaboração estrangeira (em especial, de parceiros localizados na Nova Zelândia, Cingapura, África do Sul, Reino Unido, Irã e China). apenas 10% das pesquisas realizadas na China estão em universidades). A Austrália produziu 18.900 trabalhos científicos reconhecidos internacionalmente em 2009, colocando-se em 12º lugar no ranking dos países que mais publicaram artigos científicos naquele ano. A Austrália tem registrado incremento anual médio de 3% na produção
  • 30. 30 Mundo Afora Austrália moção comercial3 –, as dinâmicas de mercado – em especial a demanda por ensino dos países de rápido crescimento no entorno geográfico –, influenciaram fortemente o desenvolvimento do setor. De acordo com Davis e Mackintosh: A Austrália, juntamente com o Rei- no Unido, tornou-se um dos primei- ros países a reconhecer o potencial de um novo discurso de mobilidade internacional de estudantes que não abandona inteiramente as as- pirações de desenvolvimento do Plano Colombo [de concessão de bolsas a estudantes de países me- nos desenvolvidos do Sudeste Asiá- tico], mas a complementa com uma linguagem de mercado educacio- nal.4 (tradução dos autores) 3 Em 1950, foi lançado o Plano Colombo, organização regional com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento econômico e social dos países membros na Região Ásia-Pacífico, com foco no desenvolvimento de recursos humanos. Originalmente concebido para durar seis anos, o Plano Colombo foi prorrogado várias vezes até 1980, quando foi finalmente prorrogado por tempo indeterminado. Desde 1951, o governo australiano fornece bolsas para estudantes de países integrantes dessa organização completarem seus estudos na Austrália. Em 1969, foi criado o Escritório Australiano de Assistência ao Desenvolvimento Internacional (AIDAB, na sigla em inglês), que também prestou, durante anos, apoio a estudantes do Sudeste Asiático na Austrália. Na década de 1970, no entanto, chegou a existir quota máxima de estudantes estrangeiros que poderiam ser aceitos nas universidades (10 mil). Na década de 1980, os programas de bolsas para estudantes estrangeiros e a política de atração de estudantes privados internacionais foram revistos. Foi abolida a quota de estudantes estrangeiros. A partir de 1985, o potencial econômico do setor da educação começou a ser explorado de maneira mais sistemática, em resposta a relatório elaborado após a realização de missões comerciais na Ásia, o qual chamou a atenção para o interesse desses países no mercado australiano. A partir de 1987, o governo australiano passou a enviar funcionários do Departamento do Emprego, Educação e Treinamento (DEET, na sigla em inglês) para as Embaixadas australianas em Pequim, Hong Kong e Kuala Lumpur. Em 1994, foi criada a Fundação Australiana para a Educação Internacional (AIEF, na sigla em inglês), a qual passou a enviar sistematicamente representantes para postos diplomáticos. Hoje, a atividade de promoção comercial do setor é desenvolvida pela Agência Australiana de Comércio (AUSTRADE, na sigla em inglês). 4 Davis, D., Mackintosh, B. (Eds.). (2011). Making a Diference: Australian International Education.
  • 31. 31 Mundo Afora Austrália Para descrever a internacionalização do ensino superior no país, portanto, o termo mais adequado talvez seja “processo”. No caso, um processo híbrido, no qual se apoiam mutuamente dinâmicas de gover- no e de mercado; e não “programa”, terminologia que denota planejamento prévio, esforço coordenado entre agências governamentais, metas e prazos. A presença do governo australiano no setor faz-se sentir principalmente por meio de regulação, fisca- lização e estratégias de marketing5 . Recentemente, essas atividades têm sido reforçadas em reconhe- cimento tanto da importância econômica do setor6 quanto da crescente concorrência internacional7 . Sydney, Australia: New South Publishing, p. 3. 5 A AUSTRADE lançou, em 21 de fevereiro de 2012, vídeo de promoção da indústria de educação, intitulado “Futuro Ilimitado”. O material de dois minutos e meio está disponível on-line e também será exibido em eventos de educação em todo o mundo. Foi produzido pela premiada empresa australiana Animal Logic, responsável por filmes de sucesso, como Happy Feet. 6 É claro que concepções de soft power também estão presentes na decisão governamental de se apoiar o setor, mas essas não parecem ser sua principal motivação. Poder inteligente é uma estratégia, bem como um resultado do ensino superior. A escolha da AUSTRADE para concentrar a atuação externa da Austrália na matéria deixa clara a predominância de motivações econômicas na condução das políticas públicas para o setor. 7 O governo australiano tem presente que se outros países da OCDE se tornarem mais atrativos em termos de custos e de qualidade da oferta, a Austrália pode facilmente perder espaço. Independentemente de quão forte sejam as universidades na Austrália, a supervalorização do dólar australiano diminui a competitividade dos estabelecimentos de ensino do país quando se consideram oportunidades semelhantes no Reino Unido e, cada vez mais, também nos EUA.
  • 32. 32 Mundo Afora Austrália Estudantes australianos no exterior Apesar de a entrada de estudantes na Austrália ser em número muito mais elevado do que a saída, é possível encontrar ofertas de bolsas para austra- lianos estudarem no exterior8 . O Australia Award9 é o programa do governo de maior destaque. Além de conceder bolsas para estrangeiros estudarem na Austrália, o programa também prevê o envio de australianos para o exterior e a colaboração de universidades locais com estrangeiras. Quanto aos destinos procurados pelos australianos, nota-se aumento do interesse pela América Latina, região cada vez mais “popular” entre os australia- nos10 . O Programa de Estudos Internacionais da Universidade de Tecnologia de Sydney é um dos que envia anualmente estudantes de várias disciplinas para distintos países da América Latina. Os processos de reconhecimento de créditos ou de revalidação de diplomas obtidos no exterior, assim como ocorre na maior parte do mundo, não são es- pecialmente eficazes na Austrália11 . No entanto, não é difícil para os australianos formados em universidades estrangeiras encontrar emprego ao retornar ao país. 8 Alguns exemplos de bolsas de estudo disponíveis para australianos estudarem ou pesquisarem no exterior são: AAS/ANSA Postgraduate Travel Grantes; The Robyn Wood Travel Grant; Ambassadorial scholarships (Rotary International); IFUW International Fellowships; Advisor Professional Development Grant; International Education Programs (IEP) Scholarship; Proworld Study Abroad; QS World Grad School Tour Scholar Award; e MAWA Travelling Scholarship. 9 O Australia Awards, lançado pelo Departamento de Educação, Emprego e Relações em Ambiente de Trabalho (DEEWR, na sigla em inglês), em conjunto com a Agência Australiana para o Desenvolvimento Internacional (AUSAID, na sigla em inglês – ver nota 12), é o programa de bolsas de estudo para estudantes estrangeiros que mais parece contemplar concepções de softpower como as que fundamentam as bolsas Chevenning (UK) e Fulbright (US). São mais de 200 milhões de dólares australianos disponíveis para subsidiar anualmente 5.000 estudantes e profissionais estrangeiros que queiram estudar na Austrália e para ajudar os australianos a viajar para estudos e pesquisas no exterior. 10 Entre 2004 e 2009, o número de memorandos entre universidades australianas e da América Latina (AL) passou de 80 para 231 (sendo o último deles firmado entre a Universidade Nacional da Austrália e a Universidade de Brasília). Na opinião de Sean Burges, ainda falta traduzir essas intenções de cooperação em realidade. No nível governamental, o interesse acadêmico pela AL se manifesta na recém- criação, na ANU, do Centro Nacional de Estudos Latino- Americano da Austrália (ANCLAS, na sigla em inglês), que começou, neste ano, a oferecer bacharelado em estudos latino- americanos. O ANCLAS também enviará estudantes australianos para missões de estudo e de pesquisa na AL. 11 Uma exceção é o memorando de entendimentos entre o Grupo das Oito Universidades da Austrália
  • 33. 33 Mundo Afora Austrália A facilidade de entrada no mercado de trabalho dos que voltam, ainda que sem o reconhecimento formal dos estudos realizados, resulta de fatores econômicos muito específicos: escassez de mão de obra local, combinada com políticas restritivas de imigração e com crescimento econômico contínuo nos últimos 20 anos, que fazem com que praticamen- te toda a mão de obra qualificada encontre espaço no território nacional. Estudantes estrangeiros na Austrália Como já indicado, a atração de estudantes estrangei- ros é o principal vetor da internacionalização do sis- tema educacional australiano. Seu movimento anual, todos os níveis somados, representa mais de 10% da população do país, de 23 milhões de habitantes. No nível universitário, os estudantes e pesquisa- dores estrangeiros provêm, em sua maioria, da China (95.528), Malásia (17.873), Índia (15.001), Vietnã (10.788) e Cingapura (8.384). Além disso, segundo o professor canadense da Universidade Nacional da Austrália (ANU, na sigla em inglês), Sean Bur- ges, no nível de pesquisa verifica-se claramente a intenção do governo e das universidades austra- lianas de atrair os melhores cérebros para o país. Os programas de financiamento de pesquisas do Conselho de Pesquisa Australiano (ARC, na sigla em inglês) quase não têm paralelo internacional e estão conseguindo atrair acadêmicos de prestígio da Europa e da América do Norte. Apesar de o governo australiano conceder bolsas (principalmente no âmbito do AUSAID)12 , a maioria dos estudantes estrangeiros na Austrália são fi- nanciados por recursos próprios ou provenientes de bolsas obtidas fora do país. O êxito da educação como negócio na Austrália se deve em muito à alta qualidade de suas instituições de ensino. A comunidade científica e as universidades australianas já conquistaram 12 prêmios Nobel e (Australia Group of Eight), que reúne as mais antigas e prestigiosas universidades do país (Universidades de Queensland, Sydney, Melbourne, Nova Gales do Sul, Adelaide, Western Australia, Nacional da Austrália e Monash) e a Universidade do Chile, que, além de promover a colaboração em pesquisas e a comercialização dos resultados de pesquisas, estabelece regras para o reconhecimento mútuo de diplomas. 12 AUSAID é a Agência Australiana para o Desenvolvimento Internacional. Dentre suas linhas de ação, há o programa de bolsas para nacionais de países de menor desenvolvimento estudarem na Austrália. As bolsas cobrem todas as despesas, desde as passagens aéreas e acomodação até ajuda de custo e anuidades. São 5.000 bolsas, oferecidas a estudantes de aproximadamente 100 países.
  • 34. 34 Mundo Afora Austrália três universidades australianas (ANU, Melbourne e Sydney) figuram no ranking das 100 melhores universidades do mundo (organizado pela Univer- sidade de Xangai). Além disso, e apesar do alto custo de vida, Melbour- ne, Sydney, Brisbane, Perth e Adelaide estão entre as melhores cidades para estudantes internacio- nais (4º, 6º, 22º, 25º e 26º lugar, respectivamente, de acordo com o Best Student Cities 2012 Index). A satisfação dos estudantes universitários, nacionais e estrangeiros, com a qualidade do ensino está em 80%, de acordo com a recente pesquisa “University Experience Survey”. Os estudantes estrangeiros universitários têm ma- nifestado preferência por cursos de administração e comércio (51%), engenharia e tecnologias associadas (9%), saúde (7%), sociologia e cultura (7%); e física e ciências naturais (5%). Victoria é o estado australiano que mais concentrou estudantes estrangeiros em 2009/2010 (43.600), seguido de Nova Gales do Sul (40.400) e de Queensland (18.300). Devido à qualidade reconhecida internacionalmente e à forte demanda, universidades e VETS australia- nos estão expandindo suas atividades além-frontei- ras, com a abertura de campi e unidades de ensino profissionalizante no exterior (Cingapura13 , Malásia, Fiji, Emirados Árabes, África do Sul, Vietnã e Cana- dá). No sentido contrário, há poucas universidades estrangeiras estabelecidas na Austrália. A primeira a percorrer esse caminho foi a norte-americana Carnegie Mellon University (CMU), que se estabe- leceu em Adelaide. Estudantes brasileiros na Austrália O Brasil é o décimo destino das exportações de servi- ços na área da educação, o que representa 374 milhões de dólares de vendas e 2% do total desse mercado para a Austrália. O primeiro destino é a China, e todos os outros nove países encontram-se na Ásia. 13 Há, hoje, mais estudantes cingapurenses estudando em instituições australianas em Cingapura do que na Austrália.
  • 35. 35 Mundo Afora Austrália Os estudantes brasileiros estão aproveitando a ofer- ta de ensino australiana. Somam 16 mil matrículas em cursos de todos os tipos por ano, dos quais 7.262 se concentraram – conforme a última compilação de dados, de setembro de 2011 –, em cursos de língua inglesa. Neste último grupo, apenas a China tinha mais estudantes, em números absolutos, do que o Brasil (22.202). O outro único país das Américas citado nas estatísticas nacionais é a Colômbia, com 4.615 estudantes matriculados em cursos de inglês naquele mês. Em nível universitário, o destaque para o recebi- mento de brasileiros cabe à Universidade de Que- ensland, cujo diretor do Departamento de Geologia é um brasileiro, Paulo Vasconcelos14 . Queensland é estado forte em mineração (carvão e minério de ferro). A Universidade de Queens- land desenvolveu, ao longo dos anos, parceria com empresas mineradoras que atuam no Brasil, em especial em Minas Gerais. Também firmou parce- rias com universidades daquele estado, sendo a principal estabelecida com a Universidade Federal de Ouro Preto. O adensamento das relações de Queensland com Minas Gerais levou à criação, em janeiro de 2012, de escritório de representação da- quele estado em Belo Horizonte, que tem à frente Renato Ciminelli. Outro brasileiro em posição elevada na Austrália é Júlio Licínio, diretor da Curtin School of Medical Research da ANU, universidade que está listada em 59º lugar no ranking de Xangai e já conquistou quatro prêmios Nobel. A distância e os custos para os estudantes univer- sitários brasileiros na Austrália são altos, mas há vantagens. Para estudantes que buscam países anglófonos, a relação custo-benefício favorece a Austrália, quando se consideram as elevadas anui- dades das universidades norte-americanas, o custo de vida no Reino Unido e as baixas temperaturas predominantes no Canadá15 . Outros pontos positi-   14 Paulo Vasconcelos é doutor pela Universidade da Califórnia (Berkeley). 15 O clima da Austrália ajuda, uma vez que a maior parte das cidades onde se localizam as universidades de maior prestígio da Austrália gozam de temperaturas parecidas com as de cidades da costa brasileira, principalmente na primavera e no verão.
  • 36. 36 Mundo Afora Austrália vos da Austrália são a proximidade geográfica da Ásia, região que mais cresce no mundo, e a oferta de trabalho bem remunerado, em meio período, durante os semestres letivos, e integral, nas férias. Fator que afeta negativamente a saída de brasileiros para cursar programas universitários na Austrália é a dificuldade de reconhecimento dos diplomas es- trangeiros no Brasil, mesmo quando provenientes de universidades de reconhecido prestígio internacio- nal. Mas esse é um problema que afeta igualmente os principais concorrentes da Austrália – Estados Unidos, Reino Unido e Canadá –, como potenciais destinos para brasileiros. O novo programa “Ciência sem Fronteiras” do Governo Federal tem despertado interesse nas universidades australianas, em especial nas uni- versidades de Curtin (Perth), de Monash (Melbour- ne) e de Queensland (Brisbane), que já estão se movimentando para atrair os futuros bolsistas. Delegação da Universidade de Monash, por exem- plo, esteve no Brasil, em outubro de 2011, em visita de prospecção de parcerias. O “Grupo das Oito”, congregação que reúne as oito universidades de maior prestígio da Austrália tam- bém enviou missão para o Brasil, em março de 2012, para firmar memorando de entendimentos com a CAPES, iniciar tratativas com o CNPQ e prospectar parcerias em pesquisa e desenvolvimento (PD) em São Paulo e em Minas Gerais. Além disso, estudantes e pesquisadores brasilei- ros podem se beneficiar de bolsas do Endeavour Awards, distribuídas pela AUSAID, que muitas ve- zes encontra dificuldade para preencher a quota destinada à América Latina. Mais importante, no entanto, parece ser o potencial ainda pouco explorado de parcerias entre esta- belecimentos de VETs australianos e instituições brasileiras de ensino profissionalizante (FATECs, cursos do SESC, SENAI, SESI e SENAC, dentre ou-
  • 37. 37 Mundo Afora Austrália tros). A ênfase conferida pelo Governo brasileiro à expansão da rede de ensino técnico, de um lado, e a expertise desenvolvida pela Austrália, não apenas na capacitação direta de alunos, mas, também, na formação de professores para esses cursos, de outro, parecem delinear cenário propício para o estabelecimento de laços profundos, com benefícios de longo prazo para ambas as sociedades. Nenhum dos outros países que disputam com a Austrália o mercado internacional de educação superior tem os setores de cursos profissionali- zantes e de capacitação de professores para esses cursos tão desenvolvidos como os da Austrália, que, inclusive, já acumula experiência relativamente larga em sua internacionalização, seja pela acolhida de estudantes, seja pelo envio de professores ou pela abertura de campi avançados de instituições de ensino no exterior. Conclusão: perspectiva futura Diante da capacidade da educação de gerar divisas e de projetar a imagem da Austrália como país de oportunidades e empenhado em promover uma sociedade cada vez mais justa – multiplicada por cada estudante que regressa a seu país e difunde a experiência vivenciada –, desenvolveu-se no governo consenso quanto à conveniência de se apoiar o setor, também afetado pela crise financeira internacional. Essa consciência se fortaleceu a partir de 2009, quando houve queda brusca no recebimento de estudantes indianos em virtude de onda de ataques racistas promovida contra eles em Melbourne. E, de maneira ainda mais intensa, a partir do final de 2011, quando se verificou declínio na ordem de 12% na renda gerada por estudantes internacionais no ano fiscal que se encerrou em julho. A partir daí, foram revistos e editados planos e di- retrizes, entre eles: a “Estratégia da Austrália para Estudantes Internacionais (2010-2014)”16 , o “Relató- 16 O propósito da “International Students Strategy for Australia – 2010/2014”, preparada pelo Conselho de Governos da Austrália (órgão que reúne governos estaduais e federal) –, é “apoiar uma experiência de alta qualidade para estudantes internacionais, a fim de garantir a sustentabilidade futura para educação internacional de qualidade na Austrália“ (tradução dos autores). O documento está disponível em: www. coag.gov.au/reports/ docs/aus_international_ students_strategy.pdf.
  • 38. 38 Mundo Afora Austrália rio Knight”17 e o “Enquadramento Australiano para Qualificação”18 . Foi também estabelecido um novo conselho, o “Conselho Consultivo sobre Educação Internacional”19 , que atuará no apoio ao setor ao lado das agências governamentais “Educação Internacio- nal Austrália” (AEI, na sigla em inglês) e AUSTRADE. Esse movimento, no entanto, não ocorre de maneira linear. No nível estadual, verificam-se retrocessos nas políticas de apoio aos estudantes estrangeiros. O estado de Queensland, por exemplo, passará a cobrar, a partir de 2013, anuidade escolar dos filhos de estudantes e pesquisadores estrangeiros que residem naquele estado, com exceção apenas dos filhos de pesquisadores de doutorado e dos filhos de bolsistas dos programas AUSAID ou do Ministério da Defesa. As anuidades variam de 8.720 a 10.120 dólares por criança. Essa mudança pode tornar as universidades em Queensland menos atraentes para os estudantes estrangeiros, em ambiente de acirramento da competição interna por estudantes e por trabalhadores estrangeiros qualificados. O atendimento à saúde dos estudantes estrangeiros é outra área controversa. Há relatos de unidades de saúde em Queensland e em Victoria que sistema- ticamente se recusam a prestar serviços médicos não emergenciais a esses estudantes. Estudantes e pesquisadores estrangeiros passarão, assim, a considerar o acesso a serviços públicos – tanto quanto já consideram a qualidade do ensino, o clima, o estilo de vida e os custos –, na hora de escolher seu destino. O setor educacional está, entretanto, otimista, acre- ditando que voltará a crescer nos próximos anos, com a implementação, principalmente, da “Revisão Knight” e das atividades de promoção da AUSTRADE. A opinião dos acadêmicos, menos preocupados com os aspectos econômicos da internacionalização da educação, é a de que esse processo é extremamente positivo, devido a seu impacto na qualidade do ensino 17 Em dezembro de 2010, o governo australiano nomeou Michael Knight, um político trabalhista de prestígio, para realizar a primeira revisão estratégica do programa de visto de estudantes, com o intuito de melhorar a qualidade, integridade e competitividade do programa. O “Relatório Knight” foi publicado em 2011, contendo 41 recomendações. O governo australiano endossou completamente o relatório. Dentre as recomendações, sugere-se que alunos aceitos em certas universidades australianas sejam tratados como de “baixo risco” pelas autoridades de imigração, o que deverá facilitar e baratear a concessão de vistos para esses estudantes. Além disso, será abolida a necessidade de teste prévio de inglês e será concedida autorização para o estudante permanecer no país até quatro anos, após sua formatura. O relatório pode ser acessado em: www. immi.gov.au/student/knight/. 18 “Australian Qualification Framework” (AQF, na sigla em inglês). 19 O Conselho foi criado em 14 de outubro de 2010 e tem por objetivo auxiliar o governo australiano no desenvolvimento de novas estratégias de longo prazo para o setor.
  • 39. 39 Mundo Afora Austrália superior na Austrália, por vias formais e informais. Para Sean Burges, “discussões em classe são muito enriquecidas pela diversidade das experiências trazi- das pelo corpo discente internacional, muitas vezes expondo os estudantes australianos a ideias e modos de pensar que são genuinamente novos. Junto ao cor- po docente, o processo de internacionalização resulta em contratação de mais estrangeiros, que contribuem para alavancar o nível das pesquisas e do ensino”. Cabe todavia mencionar que, apesar da excelência no nível superior e do aumento de 44% nos gastos públicos com gastos nos níveis fundamental e médio de educação entre 2000 e 2008, a Austrália foi um dos cinco países da OCDE que registraram maior queda no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes – “PISA” (15 pontos de 2000 a 2009). Os alunos australianos na faixa dos 15 anos de idade situados entre os 10% melhores do país estão mais de dois anos atrás dos seus pares em Xangai no aprendizado de matemática. A notícia intensificou os debates sobre o financia- mento público da educação básica, que é gratuita no país. Foi divulgado relatório sobre o tema (chamado de “Relatório Gonski”), com 41 recomendações, dentre elas o aumento de 5 bilhões de dólares nos recursos alocados para o setor. A Primeira Minis- tra Julia Gillard tomou nota do relatório, sem, no entanto, endossá-lo, devido ao compromisso de seu governo de alcançar superávit nas contas públicas no próximo ano fiscal (2012/2013). Segundo analistas, a Austrália está se concentrando em reformas educacionais, nos níveis fundamental e médio, que têm demonstrado alcance limitado – como melhor financiamento das escolas, aumento da remuneração dos professores, concessão de autonomia aos diretores e redução de alunos por sala –, enquanto os governos onde estão os alunos mais bem classificados no PISA (Xangai, Hong Kong, Cin- gapura e Coreia do Sul) têm reforçado suas políticas em torno do aprimoramento dos métodos de ensino.
  • 40. 40 Mundo Afora Austrália A queda da Austrália no PISA enviou alerta à clas- se política, aumentando a preocupação quanto ao futuro dos estudantes nacionais, que deverão en- contrar desafios crescentes na concorrência com estudantes estrangeiros, seja no acesso às uni- versidades, aos cursos profissionalizantes ou ao próprio mercado de trabalho. Referências bibliográficas Livro DAVIS, D., Mackintosh, B. (Eds.). (2011). Making a Diference: Australian International Education. Sydney, Australia: New South Publishing. Entrevista BURGES, S. W. (2012, 20 de fevereiro). Entrevista concedida por e-mail à Camila S. G. Pio da Costa. Periódicos FERRARI, J. (2012, 17 de fevereiro). “Lessons from Asia show way forward for schools”. The Australian, 1-2. GODDARD, G. (2012, 1º de fevereiro). “Graduates return to make a difference”. The Australian, 29. HALL, B. (2012, 17 de fevereiro). “Australian students lag Asia by three years”. The Sydney Morning Herald, 2. LANE, B. (2012, 15 de fevereiro). “Local Indians in VET visa race”. The Australian, 29. MARGINSON, S. (2012, 1º de fevereiro). “Asian tigers are roaring ahead in science and technology race”. The Australian, 24. MATCHESTT, S., Ross, J. (2012, 1º de fevereiro). “VET studant growth outpaces spending”. The Australian, 26. Oriel, J. (2012, 8 de fevereiro). “Higher Education TOP50/2012”. The Australian, 24. Rickards, F. (2012, 1º de fevereiro). “Grow the child, not the system. The Australian, 30.
  • 41. 41 Mundo Afora Austrália Ross, J. (2012, 15 de fevereiro). “Caution as students give the thumbs-up”. The Australian, 30. ROSS, J. (2012, 1º de fevereiro). “Hypocritical states just inter- ested in cash cows”. The Australian, 25. ROSS, J. (2012, 15 de fevereiro). “Short sweeter for student visi- tors”. The Australian, 31. ROSS, J. (2012, 1º de fevereiro). “State slugs foreign students’ kids”. The Australian, 25. ROWBOTHAM, J. (2012, 15 de fevereiro). “Best uni cities prove a mixed bag”. The Australian, 30. ROWBOTHAM, J. (2012, 1º de fevereiro). “UK expert adds impe- tus to solve the maths divide”. The Australian, 28. SAINSBURY, M. (2012, 8 de fevereiro). “China crisis as numbers tumble”. The Australian, 25. SAINSBURY, M. (2012, 17 de fevereiro). “Shanghai’s class act is the model to follow”. The Australian, 1-2. TROUNSON, A. (2012, 1º de fevereiro). “Decline to flow through to unis”. The Australian, 23. TROUNSON, A. (2012, 1º de fevereiro). “Student loan costs blow to $1bn a year”. The Australian, 24. TROUNSON, A. (2012, 15 de fevereiro). “Unis agree to stream- lined rules”. The Australian, 29. WITHERS, G. (2012, 1º de fevereiro). “Quiet revolution, but tasks loom”. The Australian, 29. Sites International Students Strategy for Australia, 2010 – 2014: http:// www.coag.gov.au/reports/docs/aus_international_students_ strategy.pdf Implementation of the Government Response to the Knight Re- view of the Student Visa Program: http://www.immi.gov.au/stu- dents/knight/
  • 42. 42 Mundo Afora Austrália Scholarships provided by the Australian and Latin American governments and other institutions: http://www.dfat.gov.au/co- alar/scholarships.html Education inequalities in Australia: http://www.ias.uwa.edu.au/ new-critic/five/educationinequalities/ Public University – Australia: http://en.wikipedia.org/wiki/Pu- blic_university/ Australian Government – Base Funding Review: http://www.de- ewr.gov.au/HigherEducation/Policy/BaseReview/Pages/default. aspx/ Study Overseas – Financial assistance: http://www.studyover- seas.gov.au/financialassistance/financial.html International Students, net overseas migration and Australia’s population growth: http://www.abs.gov.au/ausstats/abs@.nsf/ Products/3412.0~2009-10~Chapter~International+Students,+Ne t+Overseas+Migration+and+Australia’s+Population+Growth?Op enDocument Entidades do sistema “S” (SESI, SESC, SENAC, SENAI): http:// www.jusbrasil.com.br/topicos/489061/entidades-do-sistema-s- -sesi-sesc-senac-senai/ Prof. Paulo M. Vasconcelos – Head of Earth Sciences – The Uni- versity of Queensland: http://www.earth.uq.edu.au/professor- -paulo-vasconcelos Resources: Iron ore: http://www.austrade.gov.au/Invest/Oppor- tunities-by-Sector/Resources/Iron-ore/default.aspx Academic Ranking of World Universities: http://en.wikipedia. org/wiki/Academic_Ranking_of_World_Universities/ Academic Ranking of World Universities ­­— 2010: http://www. arwu.org/ARWU2010.jsp
  • 43. 43 Mundo Afora Austrália International Students and the most recent ABS data available: http://www.abs.gov.au/ausstats/abs@.nsf/Products/339C39D3 0C28A8AFCA2578B000119900?opendocument Trade in Services Australia 2010 Market: http://dfat.gov.au/ publications/stats-pubs/trade-in-services-australia-2010.pdf/ Rubem Corrêa Barbosa é Embaixador do Brasil em Camberra. Camila Serrano Giunchetti Pio da Costa é diplomata lotada na Embaixada do Brasil em Camberra.
  • 44. 44 Mundo Afora Áustria A Áustria e a internacionalização do ensino superior Julio Cezar Zelner Gonçalves e Flavio Elias Riche O Governo austríaco tem buscado incentivar os es- tudantes do ensino superior, e recém-formados, no sentido de realizarem ao menos um intercâm- bio no exterior, seja para fins de estudo, seja para fins de pesquisa. A opção mais comum de intercâmbio é a realização de um semestre de estudo em universidades estran- geiras (Auslandssemester), escolhida principalmente por futuros professores do ensino médio e estudan- tes de administração/ economia/ ciências sociais. À medida que cresce a idade dos estudantes, diminui a propensão de realizar a referida modalidade de estudo. A pesquisa no exterior se afigura como al- ternativa especialmente popular entre estudantes de arte e teologia e com maior participação dos homens. Examinando os países-alvo dos estudantes, verifica- -se que o país que reúne a preferência da maior parte dos estudantes (10%) é a Espanha, seguida por países como Grã-Bretanha e Suécia. Os países do Leste Europeu são menos populares. Com rela- ção aos países ultramarinos, os EUA e a China são escolhidos com maior frequência. A duração média do semestre no exterior é de quase sete meses e cresce à medida que aumenta a idade do estudante. Jovens abaixo dos 21 anos passam, em média, cinco meses no exterior, ao passo que entre os universitários acima dos 30 anos a duração é de, aproximadamente, oito meses, sem que haja diferença significativa resultante da origem social.
  • 45. 45 Mundo Afora Áustria Interessante notar que, para 15% dos estudantes, um semestre no exterior constituiu ponto obrigatório estabelecido pelo regulamento do curso escolhido. A duração da estadia no exterior é ligeiramente mais curta entre os universitários que foram “obrigados” por motivos da carreira escolhida do que entre os que o realizaram de forma voluntária. Sobre os aspectos financeiros dos programas de mobilidade estudantil, 77% dos estudantes que pas- saram um semestre no exterior receberam apoio por parte da família, em média 416 euros por mês, o suficiente para cobrir 40% dos custos totais. Sessenta e quatro por cento financiaram a estadia no exterior por conta própria, perfazendo em média 330 euros mensais, o que cobre apenas 27% dos custos totais. Bolsas concedidas pela União Europeia constituem outra fonte importante de financiamento. Em média, 64% dos estudantes que foram ao exterior receberam o referido auxílio no valor de 220 euros em média, o suficiente para arcar com 18% dos custos. Outras fontes dos recursos incluem bolsas concedidas pela universidade, pela Áustria e pelo país-alvo. Até os 29 anos, o apoio familiar permanece a fonte mais importante para apoiar o estudo no exterior. Depois, cresce o montante arrecadado por conta própria e proveniente de atuação profissional. Os custos mensais de universitários provenientes de camadas com melhor situação de renda é superior à média, em aproximadamente 100 euros, o que se deve ao maior apoio prestado pelos familiares. No caso de estudantes das camadas média e baixa, a participação da bolsa concedida pela Áustria repre- senta a fonte principal de subsídio. Conforme apontado pelos estudantes em retrospec- tiva, o maior problema que enfrentaram durante a execução do “semestre no exterior” foi de ordem financeira (34%). Apenas 3% dizem que não tiveram esse problema. Vinte e seis por cento disseram que foi difícil encontrar moradia no país-alvo, apontado com maior frequência por estudantes das camadas
  • 46. 46 Mundo Afora Áustria mais baixas e com relação a países como Itália, França e Suíça. Vinte e seis por cento identificaram a perda de tempo relacionada à programação regular do curso como fator a criticar e até a desaconselhar o estágio. Nessa categoria sobressaem as mulheres e estudantes entre os 21 e 30 anos de idade. Apenas 10% dizem não encarar esse aspecto como problema. Um dado importante para a realidade brasileira é que, mesmo em um país com uma rede de ensino superior consideravelmente desenvolvida e implementada, os entraves burocráticos relativos ao reconhecimento dos estudos feitos em outro país ainda constituem problema considerável. Cerca de 21% dos estudan- tes afirmam ter enfrentado dificuldades na hora de revalidar as notas obtidas no exterior, fator apontado, surpreendentemente, por universitários que tiveram o semestre no exterior como requisito indispensável na programação do curso. A falta de informações sobre a possibilidade de realizar estudo no exterior foi identificada por 18% dos estudantes e 14% afirmaram que o semestre passado no exterior não se afigurou como muito proveitoso para o curso regular na Áustria. Outras dificuldades identificadas incluem a falta de apoio por parte da própria universidade, a perda do emprego, problemas causados pela falta de vagas na instituição-receptora e dificuldades na hora de entrar no país-alvo, principalmente com relação à América Latina, Ásia, Canadá, Austrália e Estados Unidos. Indagados sobre o proveito obtido pela estadia exterior, 95% disseram que as esperanças que nutriam com relaçãoaoproveitodosemestreparaodesenvolvimento pessoal se realizaram, resultado apontado com menor frequência pelos jovens que foram para a Alemanha. Oitenta e cinco por cento disseram que conseguiram aprimorar seus conhecimentos da língua estrangeira, porcentual que atinge 99% no caso dos estudantes que de deslocaram para a América Latina e 96% no caso dos que estudaram nos Estados Unidos. Três quartos dosuniversitáriosafirmaramqueoapoioeaorientação recebidosporpartedocorpodocentenainstituição-alvo foram satisfatórios, principalmente referente à Suécia
  • 47. 47 Mundo Afora Áustria e aos Estados Unidos, porém com menor frequência no caso de Itália, França e Espanha. Para 73% dos estudantes, as expectativas quanto à integração social na instituição receptora se concretizaram, principal- mente nos Países Baixos e na Finlândia e com menor incidência na França, Suíça e Espanha. Dois terços se dizem satisfeitos com a qualidade de ensino na uni- versidade em que passaram a estudar, principalmente no caso da Suécia e da Suíça, porém, com menor pro- babilidade, referente a países como Espanha, França e Itália. Citem-se como outros aspectos com índice de aprovação de cerca de 60% o nível acadêmico e as possibilidades de estudo e pesquisa na instituição-alvo. A avaliação global do “semestre no exterior” é alta- mente positiva. Noventa e dois por cento dizem que suas expectativas foram cumpridas. Desmembrado segundo países-alvo, o índice de aprovação é o maior entre estudantes que estudaram na América Latina (99%) assim como na Suíça e nos Estados Unidos (97%), enquanto que o porcentual mais baixo se verifica em países como França (84%), Itália (86%)e Espanha (89%). Quanto às universidades estrangeiras estabelecidas em solo austríaco, seu regimento se dá conforme a Lei Federal de 1999 sobre Acreditação de Institui- ções de Ensino enquanto Universidades Privadas. Em outras palavras, tais instituições recebem, por parte do Governo austríaco, tratamento similar às universidades privadas nacionais. A denominação de “universidade privada” confere à instituição de ensino o direito de emitir títulos acadêmicos nos moldes das demais universidades. Atualmente, existem 13 dessas instituições de ensino em território austríaco, das quais apenas uma, a Webster University Vienna pode ser denominada “internacional” por possuir campi em outros países além da Áustria. Julio Cezar Zelner Gonçalves é Embaixador do Brasil em Viena. Flavio Elias Riche é diplomata lotado na Embaixada do Brasil em Viena.
  • 48. 48 Mundo Afora canadá A internacionalização do ensino superior no Canadá: uma via de mão dupla Piragibe dos Santos Tarragô, Renato Barros de Aguiar Leonardi e Renata Fernandes Peres Rodegher Possuidor de um sistema educacional respeitado e conhecido pela sua qualidade, o Canadá registra uma espécie de “déficit comercial” no que diz respeito à mobilidade acadêmica internacional. Por um lado, recebe todos os anos um grande contingente de estudantes de outros países – atualmente, são cerca de 200 mil alunos; por outro, envia apenas 2,2% dos seus universitários para o exterior para estudar e obter créditos em suas próprias faculdades1 . Esse percentual é ainda menor no caso de estudantes canadenses em escolas técnicas e profissionali- zantes – somente 1,1% deles participam de algum programa de mobilidade acadêmica internacional. Convém ressaltar que a atração de estudantes inter- nacionais para os bancos universitários canadenses faz parte há anos de uma política indireta de imigra- ção seletiva deste país. Dos estudantes que chegam ao Canadá, cerca de 60% escolhem morar permanen- temente neste país após o término dos seus estudos – devido, em grande medida, às políticas de estímulo à imigração e facilidades oferecidas. Do ponto de vista econômico, também é compreensível a existência de estratégias para recrutar um número crescente de alunos internacionais: o concurso de 200 mil estu- dantes internacionais ao Canadá movimentou, em 2010, cerca de 8 bilhões de dólares canadenses (R$ 13,6 bilhões), além de gerar 83 mil empregos diretos e indiretos e garantir a arrecadação de mais de 291 milhões de dólares canadenses (R$ 497 milhões) em impostos, segundo dados do governo. 1 Internationalization Survey, 2006, Association of Universities and Colleges of Canada.
  • 49. 49 Mundo Afora canadá Em comparação com outros países da OCDE, o Ca- nadá aparece como um dos que menos enviam es- tudantes ao exterior. Nos EUA, 9% dos universitários participam de algum tipo de intercâmbio com outros países, e 30% dos estudantes alemães também se envolvem com algum programa de mobilidade aca- dêmica internacional. Na União Europeia (UE), a maioria dos países atingiu a meta de enviar cerca de 15% de seus pesquisadores ao exterior. Apesar do número modesto de canadenses estu- dando fora do país, o processo de internacionaliza- ção e envio de estudantes ao exterior é visto como positivo pelos principais formuladores das políticas públicas do setor no Canadá (AUCC, DFAIT, CBIE, ACCC, universidades e Parlamento)2 . Apontam-se vantagens como a “diplomacia do conhecimento” (na expressão do Governador-Geral) e se destaca o papel de “embaixadores canadenses” (expressão cara à AUCC e à ACCC) dos alunos do país que possuem experiência no exterior. De fato, parece ser unânime o entendimento de que experiências globais ajudam a tornar os estudantes mais adaptáveis e atentos às diferentes realidades culturais, sociais e econômicas e os expõem a novas maneiras de pensar e de solu- cionar problemas. Os alunos retornam do exterior com uma visão e um entendimento mais amplo não somente da realidade ao seu redor, mas também deles próprios. Isso traz reflexos positivos nos níveis social e econômico, já que vislumbram, muitas vezes, oportunidades de emprego e negócios distintos dos existentes no seu país de origem. Neste aspecto, parece haver, nos meios acadêmico e governamental, convergência para os benefícios advindos do envio de pesquisadores nacionais ao estrangeiro. Surge, além disso, necessidade de re- formulação dos modelos tradicionais de mobilidade acadêmica frente a uma maior presença do Canadá no tabuleiro internacional – especialmente devido à crise da UE e à baixa atividade econômica dos EUA. Como salienta o Presidente da ACCC: 2 AUCC: Association of Universities and Colleges of Canada; DFAIT: Department of Foreign Affairs and Trade; CBIE: Canadian Bureau for International Education; ACCC: Association of Canadian Community Colleges.
  • 50. 50 Mundo Afora canadá Uma estratégia internacional de educação teria que cobrir uma gama maior de atividades interna- cionais, incluindo um fluxo de mão dupla de professores, alunos e pes- quisadores que o país-parceiro pre- fira. Uma maior mobilidade inter- nacional de dupla via contribuiria para os objetivos da política externa canadense da seguinte forma: a) aumentaria a capacidade empresa- rial canadense de competir em es- cala global; e, b) por meio da forma- ção de times com experiência mul- tinacional, haveria estímulo a ideias inovadoras em pesquisas aplicadas. Estas ideias têm muito apoio entre os líderes dos setores privados, professores universitários, gover- nos provinciais e parceiros interna- cionais do Canadá.3 Ou, como afirma a Presidenta da CBIE, no caso es- pecífico com a China: Estudar no exterior é um caminho de via dupla. O comunicado conjunto do Canadá e da China na primeira se- mana de fevereiro de 2012, quando da visita do Primeiro-Ministro cana- dense àquele país, traz um compro- misso de ambos países de “explorar meios adicionais de um intercâmbio acadêmico de dupla via, aspirando ao objetivo de, no prazo de cinco anos, ter 100 mil alunos estudando no território dos respectivos paí- ses. Ambas as partes reconhecem que há uma necessidade especial de encorajar mais estudantes cana- denses a estudar na China”. A pro- porção atual é de 10 para 1 – 60 mil chineses estudando no Canadá para 6.000 canadenses na China.4 3 Knight, James. “Creative thinking needed to boost student mobility”. In Embassy, February 15, 2012, p. 19. 4 McBride, Karen. “Ambitious study-abroad targets vital to Canada’s future. In op.cit, p. 19.
  • 51. 51 Mundo Afora canadá Um dos motivos apontados para a falta de protago- nismo canadense na área de mobilidade acadêmica é a carência de recursos federais, provinciais ou das próprias instituições de ensino para custear parcerias internacionais. Outras razões sugeridas seriam as dificuldades financeiras dos estudantes (que, em sua maioria, se endividam para pagar a universidade no próprio Canadá), a baixa procura de canadenses por oportunidades de estudo no exterior e a percepção de que eles já têm uma espécie de experiência in- ternacional dentro do seu próprio país devido ao alto percentual de imigrantes na população e a limitação linguística. Ainda segundo Knight: Há necessidade de ideias criativas para identificar recursos poten- ciais. Talvez, devamos considerar cobrar um adicional pelo visto con- cedido para cada um dos 200 mil alunos internacionais que vêm para o Canadá e destiná-lo a apoiar fi- nanceiramente alguns milhares de canadenses que querem estudar no exterior. Talvez, empregadores inte- ressados no mercado internacional poderiam oferecer mobilidade, me- diante fornecimento de bolsas. Tal- vez, uma parte do valor da matrícu- la pago por alunos estrangeiros no Canadá poderia formar um fundo a ser completado com contribuições do governo canadense. Esperamos que com boa vontade e imaginação o engajamento do Canadá na edu- cação internacional possa crescer, pelo menos ao nível dos outros paí- ses da OCDE.5 Para fazer frente à dificuldade financeira de se es- tudar no exterior e possibilitar que mais nacionais tenham experiência e formação acadêmica inter- nacional, o governo do Canadá oferece, de forma direta ou indireta, um leque variado de bolsas e auxílios financeiros para pesquisadores. Fatores5 Idem, op. cit., p. 19.
  • 52. 52 Mundo Afora canadá como valor da bolsa, extensão, grau de exigência e finalidade dependerão do tipo do benefício e do grau acadêmico exigido. O DFAIT, por exemplo, conta com os programas College and Undergraduate Student Exchange (bolsas de curto prazo – quatro meses – para estudantes de graduação, no valor total de 7.500 dólares canadenses por aluno), College and Graduate Student Exchange (bolsas de pós-graduação de curto prazo – cinco a seis meses de pesquisa –, no valor total de 10 mil dólares canadenses por estudante) e o Long-Term Graduate Student Exchange (bolsas para pós-doutorado no valor total de 36,5 mil dólares canadenses para o período de um ano). Há também oferta de bolsas por parte de fundações e programas específicos de fomento direcionados a países e áreas definidas, no âmbito de acordos bilaterais, conforme discriminadas a seguir: 1)  Trudeau Doctoral Scholarship: bolsas destinadas a doutorandos, no valor de 40 mil dólares cana- denses para um período de três anos, oferecidas pela Fundação Pierre Elliott Trudeau, com doa- ções do governo canadense; 2)  Canada-UK Millennium Research Awards: prêmio destinado a doutorandos agraciados pelo Pos- tdoctoral Fellowship Program (PDF), programa de bolsas concedido pelo Natural Sciences and Engi- neering Research Council of Canada (NSERC) para período de dois anos (no valor de 40 mil dólares canadenses por ano). O Canada-UK Millenium Re- search Awards é uma complementação no valor do PDF para pesquisadores canadenses estudarem no Reino Unido, no valor de 5 mil dólares canadenses por ano, por um período de dois anos); 3)  Commonwealth Scholarship and Fellowship Plan (CSFP): bolsas de pós-graduação para canaden- ses nos países da Commonwealth, com objetivo de fomentar os laços educacionais entre essas nações. Para o Reino Unido, por exemplo, o pro- grama se destina a doutorado para período de 12 a 36 meses (completo), ou 12 meses (sanduíche Canadá-Reino Unido). Valores incluem matrícu-
  • 53. 53 Mundo Afora canadá la, anualidade e despesas de custeio (números variam de acordo com a instituição britânica); 4)  Foreign Government Award Program: programa em cooperação com países parceiros, geralmente custeados com verbas, em sua maioria, oriundas do país recipiendário. Destinado a estudantes de graduação, especialização e pós-graduação, o programa cobre valor total (matrícula, anualidade etc.) para período de seis a 12 meses; 5)  Programa de Subvenções para o Intercâmbio de Pesquisa Canadá-América Latina e Caribe (LACREG): administrado pela AUCC e financiado pelo Centro Internacional de Pesquisas para o Desenvolvimento (IDRC), o LACREG apoia pes- quisa participativa de pequeno porte em áreas temáticas do IDRC (agricultura, meio ambiente, C,TI, política social, economia, saúde), até o montante de 15 mil dólares canadenses. Pesqui- sas têm prazo máximo de 16 meses; 6)  Organization of the American States Fellowship Program: com o objetivo de fomentar o processo de formulação de políticas públicas nos países- -membros em áreas pré-selecionadas. O progra- ma é destinado a mestrandos e doutorandos, no valor de 30 mil dólares canadenses por ano, para até dois anos; 7)  Canadian-China Scholars Exchange Program: baseado em acordo de 1973, o programa concede bolsas a canadenses com interesse em estudar na China. O programa já beneficiou mais de 900 pesquisadores desde a sua criação. Bolsas são destinadas aos níveis de mestrado e doutorado, para período de um ano. Pesquisadores devem ser fluentes em língua chinesa; 8)  Canada-Brazil Awards – Joint Research Projects: este programa, criado em 2010, é fruto do Memo- rando de Entendimento assinado em 2010, entre o DFAIT e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). O programa
  • 54. 54 Mundo Afora canadá visa a apoiar equipes de pesquisadores para proje- tos de pesquisa a serem desenvolvidos no Brasil ou no Canadá, em nível de doutorado, por um período de dois anos. As áreas cobertas são governança, prosperidade e segurança, bem como ciência e tecnologia. Até o momento, os projetos se encai- xam em 11 áreas de concentração. As bolsas são financiadas pelo DFAIT (especificamente, o CBIE), para estudantes brasileiros, e pela CAPES, para estudantes canadenses. O programa é o primeiro concedido pelo governo canadense especificamen- te para pesquisadores brasileiros. Segundo o CBIE, os desafios para a cooperação acadêmica com o Brasil exigirão soluções criativas de ambas as partes, sobretudo para a solução de problemas que afetam iniciativas desse jaez, como os requisitos de proficiência de idioma, o custo do visto e a neces- sidade de deslocamento por parte dos estudantes (ou contratação de serviços de despachantes). O governo canadense, em uma estratégia de interna- cionalização da educação, anunciou, em 2011, plano para investir, em dois anos, cerca de 10 milhões de dólares canadenses (R$ 17 milhões). Ainda que a maior parte de tais recursos vá para atividades de captação de estudantes, uma parcela será dedicada ao envio de pesquisadores canadenses ao exterior. É relevante sublinhar que, adicionalmente aos pro- gramas de bolsa do governo, as universidades têm disponibilizado recursos e criado estrutura e apoio para garantir aos estudantes acesso a instituições de ensino no estrangeiro como parte dos seus pro- gramas acadêmicos. A maioria das bolsas, contudo, é concedida para pesquisadores estrangeiros ou nacionais para pesquisa no Canadá. No que se refere à participação dos setores privado e entidades não governamentais sem fins lucrativos, pode-se citar o Memorando de Entendimento entre o International Science and Technology Partner- ships – Canada (ISTPCanada) e o Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), cujos projetos hoje contam com financiamento de cerca de 60 indústrias interessadas, no âmbito do International
  • 55. 55 Mundo Afora canadá Science and Technology Partnership Program. Já foram destinados 3,7 milhões de dólares canadenses ao Programa para as áreas de fibras óticas, plásticos biodegradáveis, tecnologia satelital, nanotecnologia e telecomunicações. Outra iniciativa que merece relevo é o sistema Mitacs, sediado em Vancouver. O Mitacs oferece possibilidade de pesquisa em diversos setores associados a áreas de engenharia e busca parcerias com empresas interessadas. O sistema oferece bolsas de estudo para estágio e pesquisa em indústrias canadenses, em geral em nível de mestrado e doutorado, e são financiadas tanto pelo setor privado, quanto pelo Mitacs. Criado em 1999, o Mitacs possui cerca de 650 empresas cadastradas em projetos de pesquisa em diversas áreas de conhecimento. Além do Mitacs, o programa Industrial RD In- ternship (IRDI), vinculado ao Networks of Centres of Excellence (NCE), oferece programa que visa a criar oportunidades a pesquisadores em níveis de mestrado, doutorado e de pós-doutorado em áreas- -chave na indústria canadense. Com a participação do setor privado, o IRDI financiou, no biênio 2010- 2011, cerca de mil estágios. Para 2012, o programa espera financiar outras mil vagas de estágio em indústrias canadenses. De acordo com o ranking anual da revista McLean’s e em rankings internacionais6 , as seguintes univer- sidades são conhecidas pela excelência acadêmica, divididas por áreas de conhecimento: a. Artes e humanidades: nesta categoria, que inclui cursos de línguas, história, filosofia e geografia, destacam-se as universidades McGill, Toronto, Columbia Britânica (UBC), Alberta e Montréal; b. Engenharia e tecnologias: tal área inclui cursos de engenharia (aeronáutica, computação, civil, elétrica, das comunicações, química, mecatrô- nica etc.). As universidades de Toronto, McGill, UBC, Waterloo, Queen’s, Calgary e Alberta são 6 Vide os índices do Timer High Education e QS.
  • 56. 56 Mundo Afora canadá as que mais se destacam em pesquisa e em inovação de produtos; c. Medicina e ciências biológicas e psicologia: des- taque para as universidades de Toronto, McGill, McMaster, UBC, Montréal e Dalhousie; d. Ciências naturais: tal segmento inclui áreas como metalurgia, química, física, matemática, enge- nharia florestal, ciências ambientais, ciências da terra e marinhas. Merecem destaque as universi- dades de Toronto, Dalhousie (ciências marinhas), McGill, UBC, Alberta, Carleton e Waterloo; e. Ciências sociais: nesta categoria, incluem-se cursos de ciência política, relações internacio- nais, sociologia, estatística, direito, economia, finanças e contabilidade. Sobressaíram-se as universidades de Toronto, McGill, UBC, Queen’s, McMaster, Carleton, Simon Fraser e Western Ontario. Especificamente na área de ciência ju- rídica, destaque vai para as universidades de York, Dalhousie, Montréal e Ottawa. Ao lado das razões apontadas para a baixa procura, por parte dos canadenses, de oportunidades de es- tudo fora do país, há a dificuldade de reconhecimento de diplomas e certificados emitidos no exterior. No Canadá, inexiste regime jurídico federal para reco- nhecimento de títulos e diplomas acadêmicos obtidos no estrangeiro. Cada instituição de ensino superior local possui regras específicas para validação de tais documentos. O estudante que retorna ao Ca- nadá, após curso realizado no exterior, que queira aprofundar seus conhecimentos em universidade ou faculdade local, deverá contatá-la previamente para averiguar os procedimentos requeridos – o Canadian Information Centre for International Credentials (CI- CIC) oferece informação para auxiliar estudantes no reconhecimento de seus títulos localmente. Se o estudante, de regresso ao país, pretende tra- balhar, o mesmo deverá verificar perante o Foreign Credential Recognition Office (FCRO), órgão do Ci-
  • 57. 57 Mundo Afora canadá tizenship and Immigration Canada, se o emprego a que pretende se candidatar é regulamentado ou não. Caso a profissão seja regulamentada, o candidato deverá dirigir-se à administração provincial para mais esclarecimentos. Caso não haja, o procedimento para contratação fica exclusivamente a cargo do emprega- dor. No que tange ao reconhecimento da capacitação e treinamento obtido no exterior, normalmente este é de responsabilidade das entidades de classe. Por essa razão, algumas profissões que se autorregulam (tais como os engenheiros e os dentistas) têm feito acordos de reconhecimento mútuo (mutual recogni- tion agreements) para facilitar a compreensão dos processos de aprendizado no exterior e a harmoni- zação dos padrões com os seus parceiros estrangei- ros. Trabalhadores de ambos os países, mediante esse tipo de acordo, poderiam ser licenciados para o exercício de sua profissão quase que imediata- mente. É relevante salientar que, segundo o FCRO, devido à heterogeneidade das regras, é praticamente impossível garantir, de antemão, que determinado título ou diploma obtido no exterior será aceito no Canadá. Segundo Mathew Wilson, Vice-Presidente do Canadian Manufacturers and Exporters, maior associação canadense de comércio e indústria: O Canadá deve concentrar seus es- forços em diminuir as burocracias desnecessárias ao credenciamen- to de trabalhadores com formação e estudos no exterior. Os governos provinciais, a indústria, as entida- des regulatórias e as universidades devem trabalhar juntos para criar um banco de dados nacional, cen- tralizado, de todas as credenciais acadêmicas e instituições de ensino internacionais que já tiveram sua qualidade verificada e confirmada, para que a equivalência, no Canadá, possa ser determinada, facilitando o processo de contratação de traba- lhadores qualificados.7 7 Wilson, Mathew. “Simplify accreditation process for workers trained abroad”. In Embassy, February 15, 2012, p. 17.