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Nações em confronto

Published on: Mar 3, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Nações em confronto

  • 1. 99 Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas comparadas no século XIX Luiz Eduardo Oliveira* RESUMO: A historiografia romântica constitui-se como estra- tégia discursiva preponderante na construção da narrativa da nação, uma vez que mobiliza mitos fundacionais e inventa tra- dições. Por outro lado, o Romantismo transcende as barreiras do nacional, pois, ao implicar a relação entre as estruturas das línguas e a índole de suas literaturas, sugere aos historiadores a comparação de diferentes narrativas nacionais. Este ensaio in- vestiga o modo como a comparação entre literaturas configu- rou-se, no século XIX, como uma comparação entre estados- nação, os quais se constroem discursivamente em mútuo confronto, num processo permeado de relações de poder e estranhamento. PALAVRAS-CHAVE: história literária, identidade nacional, lite- ratura comparada. ABSTRACT: The romantic historiography is constituted as a discoursive strategy which is preponderant in the construction of the narratives of the nation, once it mobilizes foundational myths and invents traditions. On the other hand, Romanticism transcends the limits of the national, for, implying a relation between the structures of the languages and the character of their literatures, suggests to the historians the comparison between different national narratives. This essay investigates the way how the comparison of literatures, during the nineteenth century, configures a comparison between nation states, which are themselves constructed discoursively in mutual confrontation, in a process permeated by relations of power and strangeness. KEYWORDS: literary history, national identity, comparative literature.* Universidade Federal deSergipe (UFS).
  • 2. 100 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009 Comparar literaturas é comparar nações, as quais seconstroem discursivamente, de forma dialética e dialógica,em mútuo confronto, num processo de assimilação recí-proca e, na maior parte das vezes, desigual, permeado derelações de poder e estranhamento. É também conceberde modo quase metafísico uma entidade específica cha-mada literatura, algo que se constitui como instâncialegitimadora dos estados-nação, concorrendo de modo pri-vilegiado para o processo de construção das identidadesnacionais. Para se imaginar a nação, contudo, foi necessário nãosomente que as comunidades religiosas e dinásticas en-trassem em declínio, mas também que uma nova maneirade apreender o mundo fosse configurada, passando a his-tória a ser concebida como uma cadeia de causas e efeitos,o que implicava uma separação radical entre as noções depassado e presente. Foi quando a concepção medieval detempo – na qual passado, presente e futuro se confundiam– deu lugar a um “tempo vazio e homogêneo”, nas palavrasde Benjamin (apud Anderson, 2008, p. 54), fazendo comque a ideia de simultaneidade se tornasse possível. Tal ideiaserviu de suporte aos dois gêneros que proporcionaram, noséculo XVIII, os meios técnicos necessários para se “re-presentar” – ou “narrar”, como quer Bhabha (2006) – as“comunidades imaginadas” correspondentes à nação: oromance e o jornal. Desse modo, fazer uma nação corresponde a fazer umaliteratura, como notou Miranda (1994, p. 33), uma vez quea concepção de história herdeira do Iluminismo, como umatemporalidade linear e contínua, evoluindo ou progredin-do de forma monolítica rumo a um futuro ilimitado, con-tribui de maneira decisiva para a construção de históriasliterárias que, em nome do interesse nacional e de prerro-gativas étnicas, buscam “re-presentar” – ou “narrar” – anação de modo unificado e sem fissuras. Para Carpeaux (1959, p. 21), Herder teria sido o fun-dador da história literária autônoma, ao criar o conceito
  • 3. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 101de “literatura nacional” como a expressão mais completada evolução espiritual de uma nação, inspirando todo onacionalismo do século XIX, o qual teria dado origem tan-to ao “pan-eslavismo” quanto ao “racismo alemão”. SuasIdeias para a filosofia da história da humanidade (1784-1791),ademais, teriam não somente formulado o conceito de “li-teratura universal” como também estabelecido – ou “na-turalizado” – a relação entre as estruturas das línguas e aíndole de suas literaturas. Ao tratar das comunidades religiosas, as quais eramimaginadas pelo uso de uma língua e uma escrita sagradas,como foi o caso do árabe e do chinês escritos, bem como dolatim, no Ocidente, Anderson (2008, p. 44) relaciona oseu declínio, no final da Idade Média, com as exploraçõesdo mundo não europeu e as narrativas de viagem delasdecorrentes. Segundo o autor, no confronto com o Outro,“o uso inconsciente do ‘nossa’ (que se torna ‘deles’)” e a“qualificação da fé cristã como ‘a mais verdadeira’” de-nunciam uma “territorialização dos credos”, prenuncian-do o discurso nacionalista de que “a ‘nossa’ nação é a ‘me-lhor’ – num campo comparativo e competitivo”. Desse modo,o rebaixamento gradual das línguas sagradas – o que, nocaso ocidental, pode ser representado pelo declínio do la-tim – corresponde à ascensão dos vernáculos, algo tornadomassivo pelo “capitalismo tipográfico”, que possibilitou aprodução de livros escritos nas línguas vernáculas(Anderson, 2008, p. 46). Nesse processo de estandardização dos vernáculos eu-ropeus, concorreram vários outros fatores, dentre os quaispodem ser destacados o desenvolvimento dos sabereslinguísticos, a administração dos grandes Estados, a ex-pansão colonial, o proselitismo religioso das duas Reformase a literarização dos idiomas, em sua relação com a identi-dade nacional. Nesse sentido, a constituição das naçõeseuropeias acarreta uma situação de luta entre elas,institucionalizando, consequentemente, uma concorrên-cia entre as línguas:
  • 4. 102 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009 A velha correspondência uma língua, uma nação, tomando valor não mais pelo passado mas pelo futuro, adquire um novo sentido: as nações transformadas, quando puderam, em Estados, estes vão fazer da aprendizagem e do uso de uma língua oficial uma obrigação para os cidadãos (Au- roux, 1992, p. 49). Nessa perspectiva, se o fato da gramatização,1 como 1 O conceito defenômeno massivo, pode situar-se no século XVI, no qual “gramatização”, tal como o define Auroux (1992, p. 65) –se verifica o aparecimento de grande número de gramáti- “o processo que conduz acas, e de quase todas as línguas do mundo, cujas descri- descrever e a instrumentarções eram baseadas na gramática da língua latina, fato uma língua na base de duas tecnologias, que são aindaverificado inclusive no Brasil, como testemunha a Arte da hoje os pilares de nosso sabergrammatica da lingoa mais usada na costa do Brasil, de 1595, metalinguístico: a gramática e o dicionário” –, difere-secomposta pelo padre jesuíta José de Anchieta (1533-1597), das primeiras tentativasé por essa época também que a disputa entre as línguas se filológicas de tradução etorna objeto dos vários diálogos então publicados, como foi interpretação de textos, assim como da grammatikéo caso da língua portuguesa. grega, que nasce na virada Gênero em voga no Renascimento, o diálogo era uma dos séculos V e IV antes deespécie de encenação de uma conversa entre dois ou mais nossa era. Sua formulação tem origem no século II a.C.,indivíduos, os quais eram representados pelos homens de com a Escola de Alexandria,letras, nobres e autores da época. No caso português, dois e associa-se ao conhecimentose tornaram célebres: O diálogo em louvor da nossa lingua- empírico dos poetas e prosadores, mas o sentidogem, de João de Barros, publicado em 1540, e o Diálogo em moderno, como corpo dedefensão da língua portuguesa, de Pero de Magalhães regras que explicam como construir palavras medianteGândavo, publicado em 1574. Ambos estão articulados em paradigmas, para aprender aoposição à língua espanhola, na tentativa de provar que o falar – e depois ler e escreverportuguês, estando mais próximo do latim, seria superior e –, é um advento mais recente e coincide com omais nobre do que o espanhol, num momento em que o Renascimento.movimento de defesa e ilustração das línguas vulgares seespalhou pela Europa, suscitando uma série de publica-ções sobre o tema. Assim, tanto Pietro Bembo, em Prosedella volgar lingua (1525), quanto Juan de Valdés, no Diálo-go de la lengua (1535), e Joachim du Bellay, em La deffenceET illustration de la langue françoyse (1549), além dos auto-res portugueses acima mencionados, defendiam a ideia deque a língua vulgar poderia ser tão digna quanto a latina,afirmando ser a própria língua nacional superior às demais:
  • 5. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 103 No contexto português, a defesa da língua articulava-se também com a expansão marítima e territorial, com o pro- jeto imperialista da coroa portuguesa e com a colonização das novas possessões orientais e ocidentais. Como sinteti- zava Antonio de Nebrija no prólogo de sua gramática: “sem- pre a língua foi companheira do império”. Fernão de Oli- veira, nosso primeiro gramático, também enfatizava o caráter político da língua: “porque quando senhoreavam o mundo mandaram todas as gentes a elas sujeitas aprender suas línguas”. [...] O português e também o espanhol se sonhavam como língua imperialista, projetando a sua ex- pansão pelas novas terras conquistadas, a exemplo dos ro- manos e do latim: uma nova língua imperial, herdeira do império romano (Hue, 2007, p. 16). No diálogo de João de Barros, em que o autor conversalongamente com o filho sobre as qualidades e potencialidadesda língua portuguesa, preconizando uma pedagogia para seuensino, a relação entre língua e império, bem como os exem-plos clássicos, se faz evidente em mais de uma oportunida-de, como deixa ver o momento em que o pai, ao tentarconvencer o filho de que a aprendizagem da gramáticaportuguesa, além de garantir a transmissão dos preceitosda fé cristã, facilita o entendimento de outras línguas, re-fere-se a “Túlio, César, Lívio” – tidos como “fonte daeloquência” – para justificar que eles aprenderam sua “na-tural linguagem” antes da língua grega, argumentando ain-da que Carlos Magno e “outros tão graves e doutos barões”preferiam a vitória que sua língua tinha, em ser recebida –ou imposta – em nações bárbaras, à submissão dos seus po-vos ao jugo do seu império (apud Hue, 2007, p. 52-53). Gândavo, por sua vez, em seu Diálogo em defensão dalíngua portuguesa, representa o antagonismo de doisinterlocutores: Petrônio, que defende, em português, a sualíngua, e seu adversário, Falêncio, que, em seu próprio idio-ma, argumenta a favor da superioridade do castelhano. Apesarde ter como modelo João de Barros, e de usar muitos deseus argumentos em favor da nobreza da língua portugue-
  • 6. 104 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009sa, por ser mais próxima do latim do que o espanhol,Gândavo sugere uma aproximação entre as línguas e os gê-neros, pois, para o autor, cada língua tem um estilo que lheé mais próprio. Desse modo, o grego seria mais apropriadopara versos, o latim para orações, o toscano para os sone-tos, o português para as comédias em prosa e o verso herói-co e o castelhano para as “trovas redondas e garridas quenaturalmente parecem feitas para ela” (apud Hue, 2007, p.73). 2 Como afirma Hue (2007, p. É nesse momento que, para provar que os portugueses 11), “a ameaça do castelhano, língua de corte,não tinham necessidade de usar o castelhano, algo critica- arte e saber, refletia umado pelo autor – que afirma que a nação portuguesa era configuração ibérica em que o espanhol tinha se afirmado“mais afeiçoada às coisas dos outros reinos que às da sua como idioma de culturamesma natureza, coisa que se não acha nas outras nações”2 desde meados do século XV.(apud Hue, 2007, p. 72) –, Gândavo faz uma relação dos Carlos V, em 1536, em Roma, adota o espanhol no âmbitopoetas e escritores portugueses, indicando suas obras. Tra- da diplomacia, configurandota-se, nesse caso, do estabelecimento do primeiro cânone oficialmente uma ‘praxis dede autores de língua portuguesa: Francisco Sá de Miranda, poder’ da língua e promovendo suacujas comédias e versos são tidos como os primeiros verda- ‘internacionalização’. Sãodeiramente portugueses; João de Barros; Frei Heitor Pinto, vários os autores portuguesesautor da Imagem da vida cristã; Lourenço de Cárceres; Fran- no século XVI que escrevem em espanhol para que suascisco de Moraes; Jorge Ferreira; Antonio Pinto; Luís de obras alcancem um públicoCamões, “de cuja fama o tempo nunca triunfará”; Diogo maior, reconhecendo-o como língua mais difundida e comBernardes; António Ferreira e André de Resende (apud maior número de leitores”.Hue, 2007, p. 73-75).3 3 Em seu cânone, não está Nesse sentido, tem razão Buescu (1969, p. 18), quan- presente o único autordo afirma que português mencionado por João de Barros, em seu diálogo: Gil Vicente. Para Ao pretender forjar para as línguas vulgares uma regulari- Hue (2007, p. 26-27), “seu dade idêntica à das línguas antigas, os Gramáticos do sécu- teatro popular, de raízes lo XVI estão, pois, coerentes consigo mesmos, na medida medievais, não se prestava ao em que o grande leitor motivo de toda a actividade mental objetivo de mostrar a língua portuguesa próxima do latim renascentista se concentra na dignificação das nações e imersa no classicismo”, modernas em paralelo com os povos da Antiguidade, so- razão por que “dá preferência bretudo o povo latino. A consciência lingüística vai, pois, a autores cujas obras estão pontuadas por um vasto – e a par com a consciência nacional, até mesmo com a cons- por vezes exibicionista – ciência imperial, e a língua aparece-nos pela primeira vez saber erudito e por inúmeras considerada como o espírito e alma de cada Nação. citações de autores latinos e gregos”.
  • 7. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 105 Para Anderson (2008, p. 73-75), três fatores externoscontribuíram para o surgimento da consciência nacional,contribuindo para a dignidade literária dos vernáculos: 1) amudança de caráter do latim, que, de língua sagrada, gra-ças à sua condição de texto, passa a ser objeto de apreciaçãoestética e/ou estilística, tornando-se arcano por conta doque estava escrito, isto é, da “língua-em-si”; 2) o impactoda reforma, especialmente com a aliança entre o protestan-tismo e o capitalismo editorial; 3) a lenta difusão de algunsvernáculos como instrumentos de centralização administra-tiva, por obra de certos monarcas bem posicionados, compretensões absolutistas. Há que se observar, contudo, a diferença entre uma“escolha” da língua como fruto de um desenvolvimentoinconsciente ou aleatório, como foram os casos inglês efrancês, e as políticas linguísticas autoconscientes dosdinastas oitocentistas – e mesmo setecentistas, como foi ocaso da política linguística e educacional do rei portuguêsD. José I, por meio do seu ministro, o Marquês de Pombal(Andrade, 1978) –, diante dos nacionalismos linguísticospopulares de oposição. Se por meio do “gênio” de uma língua poderíamos apre-ender o espírito de uma nação, é pela sua expressão maisalta, a literária, que a nação é narrada. Assim pensavaHerder, em suas já mencionadas Ideias para a filosofia dahistória da humanidade (1784-1791). Sua obra, nessa pers-pectiva, teria sugerido a Humboldt, “o criador da linguísticacomparativa”, o estudo filológico das literaturas modernas,e a Friedrich Schlegel a ideia de um paralelismo históricona evolução de todas as artes, a partir de uma “lei de evo-lução espiritual” que apareceria na narrativa cronológicados fatos literários. Tal concepção de tempo estaria ligadaao “passadismo” dos românticos, pois o fio cronológico se-ria a “árvore genealógica das obras do espírito” (Carpeaux,1959, p. 22). Esse era o mote, por exemplo, das primeiras obras dahistoriografia da literatura inglesa, como observou Wellek
  • 8. 106 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009(1962, p. 315-316): Thomas Warton, em sua história dapoesia inglesa, de 1774, afirmava que o objetivo do estudoda literatura antiga era “registar fielmente as feições dasépocas e preservar as mais pitorescas e expressivas repre-sentações dos costumes”. Henry Morley, no prefácio a Englishwriters (1864), concebia a sua obra como a “história doespírito inglês”. W. J. Courthope, por sua vez, em outra his-tória da poesia inglesa, publicada em 1895, definia o estu-do da poesia inglesa como “o estudo do contínuo cresci-mento das nossas instituições nacionais tais quais elasaparecem reflectidas na nossa literatura”. A historiografia romântica, nesse sentido, ao estabe-lecer como critério o princípio cronológico, alarga os hori-zontes temporais retrospectiva e prospectivamente, na me-dida em que (re)descobre períodos até então inexploradosou desprezados, como a Idade Média e o Barroco, graçasao desenvolvimento dos estudos arqueológicos e filológicos.Ademais, constitui-se como estratégia discursiva prepon-derante na construção da narrativa da nação, uma vez quemobiliza mitos fundacionais e de “povo original”, ou raçapura, inventando tradições (Hall, 2005, p. 52-56). Por outro lado, o Romantismo transcende as barreirasdo que Carpeaux (1959, p. 23) denomina “miopia nacio-nal”, uma vez que, ao implicar a relação entre as estrutu-ras das línguas e a índole de suas literaturas, sugere aoshistoriadores da “literatura universal” a comparação dediferentes tradições literárias, ou de diferentes narrativasnacionais: A França devia a Chateaubriand contatos novos com a literatura inglesa, e a Madame de Stael a descoberta da literatura alemã. A Histoire des Littératures Du Midi de l’Europe (1813/1819), de Sismonde de Sismondi, chamou a atenção para os trovadores provençais, para Petrarca e Ariosto, Cervantes e Camões. Sainte-Beuve, no Tableau Historique et Critique de la Poesie Française et du Théàtre Fran- çais au XVI Siècle (1828), reabilitou a honra de Ronsard. O professor alemão Friedrich Bouterwek (Geschichte der neu-
  • 9. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 107 en Poesie und Beredsamkeit, 1801/1819) deu notícia exata de todas as literaturas ao alcance da sua vasta erudição lingu- ística (Carpeaux, 1959, p. 23). Tal comparação entre literaturas configurava-se, emmuitos aspectos, como uma comparação entre estados-na-ção, pois sugeria a associação entre unidades geopolíticas e/ou linguísticas e determinadas identidades que, tidas comonacionais, consistiam na padronização, ou estereotipificação,de suas (auto)representações. Tal foi o caso de Bouterwek,tido como precursor da historiografia da literatura brasilei-ra. Ao comparar entre si as literaturas do Ocidente, emsua já mencionada História da poesia e eloquência desde ofinal do século XIII (1801-1819) – a qual era parte de umambicioso projeto coordenado por Johann GottfriedEichhorn, que pretendia formular, com a ajuda de outrosintelectuais alemães, uma História das artes e da ciência desdea sua criação até o final do século XVIII –, Bouterwek fazia-se valer dos pressupostos estabelecidos por Madame deStäel, segundo os quais a natureza do homem do Nortecontrapunha-se à do homem do Sul. Ao tecer comentáriossobre a literatura espanhola, por exemplo, o autor ressaltao seu “iberismo congenial”, bem como sua “originalidademeridional”, em confronto com a “sensaboria nórdica”(César, 1978, p. xix-xx). Com efeito, na “Introdução geral à história da poesiae eloquência mais novas”, Bouterwek associa a pobreza ouriqueza dos povos – isto é, das nações – à riqueza ou pobre-za de suas línguas, as quais encontram a sua mais alta ex-pressão na poesia e na eloquência: O poeta não pode expressar simbolicamente, por meio de palavras, aquilo que o público não consegue entender. Como consequência, da mesma maneira que o espírito de um povo se mostra na sua língua, ele também se mostra inevitavelmente em todos os trabalhos poéticos feitos nessa língua. A quantos fios de representações obscuras, que
  • 10. 108 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009 acompanham cada palavra, não está preso o significado estético de uma poesia! E este jogo de representações obs- curas, para o qual quer ativar o espírito de seu público, é, em grande parte, resultado do caráter nacional, da cultura nacional e da maneira geral de pensar do povo, em cuja língua ele se expressa (apud Bolognini, 2003, p. 98-99). Tal dicotomia entre as literaturas do Norte e do Sul,professada por Madame de Stäel, repercute também nosquatro tomos da obra de Sismondi, De la littérature du midide l’Europe (1813): Não sabemos, até hoje, exatamente quais as razões que a inspiraram, mesmo porque a animadora do grupo de Co- ppet não o disse com suficiente clareza, nem os seus discí- pulos o puderam fazer. A verdade, hoje reconhecida, é que, se falta peso a tal divisão, teve ela entretanto o mérito de dirigir a curiosidade crítica de homens como Sismondi para as regiões meridionais (César, 1978, p. xxiv). Com Ferdinand Denis, em seu Resumé de l’histoirelittéraire du Portugal, suivi du resumé de l’histoire littéraire duBrésil (1826), tal relação é levada ao extremo, tornando-sereceituário, especialmente para a “literatura brasileira”, quepela primeira vez aparecia desvinculada de Portugal, poiso autor francês, ao eleger, entre os poetas setecentistasnascidos no Brasil, precursores para um certo indianismobrasileiro – que, em sua opinião, deveria ser mais bem ex-plorado, a exemplo do que fizera Cooper nos Estados Uni-dos –, aconselha os autores aqui nascidos a fazerem maisuso da matéria nativa, isto é, da fauna e da flora do país,sugerindo um verdadeiro “programa nacional literário”(Rouanet, 1991, p. 229), no intuito de assegurar à literatu-ra produzida no Brasil uma legitimidade que pudesse con-ferir-lhe, junto com a recente independência política, umaautonomia estética. Nessa perspectiva, pode-se traçar uma linha de conti-nuidade entre a historiografia romântica e a historiografianaturalista – cujo modelo clássico é a Histoire de la littérature
  • 11. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 109 anglaise (1877), de Hippolyte Taine –, na medida em que esta, ao adotar os métodos objetivistas das ciências natu- rais, priorizando os condicionamentos ou fatores extrínsecos à obra – a raça, o meio e o momento histórico –, vai pro- porcionar um instrumental científico que servirá de supor- te à associação romântica entre unidades geopolíticas e/ ou linguísticas e identidades nacionais. Um exemplo célebre, no caso brasileiro, é o de Sílvio Romero, que, em sua História da literatura brasileira (1888), foi o primeiro – e talvez o único – a discordar do “humoris- mo” e “pessimismo” de Machado de Assis, sendo, por isso, o pioneiro no trato da questão da influência não só dos4 O narrador de Memórias humoristas britânicos, mas também dos filósofos pessimis-póstumas de Brás Cubas, no tas.4 Segundo o crítico e historiador sergipano, o humour sóprólogo intitulado “AoLeitor”, ao revelar a adoção podia ser verdadeiro, ou “genuíno”, quando se confundiada “forma livre de um Sterne com a “índole” do escritor, que por sua vez era um produtoou de um Xavier deMaistre”, refere-se à possível da “psicologia”, da “raça” e do “meio” do seu povo: “o tem-introdução de “algumas peramento, a psicologia do notável brasileiro não eram osrabugens de pessimismo” na mais próprios para produzir o ‘humour’, essa particularíssimaobra. (Assis, 1991) A crítica,talvez motivada por tais feição da índole de certos povos. Nossa raça em geral épistas, não hesitou em incapaz de o produzir espontaneamente” (Romero, 1954,caracterizá-la com o humour p. 1629).sterneano ou com os seuselementos pessimistas, Para assegurar seus argumentos, Romero contrapõeconstruindo assim, a alguns dados biográficos de Laurence Sterne, “filho dedespeito da solene militar inglês”, ao “sensato, manso, criterioso e tímidodiscordância de SílvioRomero, consensos que se Machado”, asseverando a profunda diferença entre o au-reproduzem até na tor de Memórias póstumas de Brás Cubas e o de Tristramhistoriografia recente daliteratura brasileira, como na Shandy. Quanto a uma possível relação entre as obras, nãoHistória concisa da literatura há nenhuma referência, limitando-se o crítico à mençãobrasileira (1970), em que, a das cenas mais famosas criadas pelo romancista inglês, “nopropósito de alguns poemasque teriam precedido a dizer dos mestres, verdadeiras obras primas”, e à afirmaçãosegunda fase do autor, da disparidade entre os personagens de Sterne, “criaçõesalude-se o “pessimismo cheias de realidade”, e os do escritor brasileiro, que “ja-cósmico de Schopenhauer eLeopardi” (Bosi, 1994, p. mais ideou nada que lembre os dois irmãos Shandys”178), ou em De Anchieta a (Romero, 1954, p. 1630).Euclides, onde Brás Cubas é Os mesmos pressupostos naturalistas – “a psicologia”,considerado um “romancesterneano” (Merquior, 1979, “a raça” e “o meio” – são utilizados para descartar o pessi-p. 166).
  • 12. 110 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009mismo de Machado de Assis. O nosso romancista, não des-cendendo das raças arianas, não poderia ser um desencan-tado à maneira dos verdadeiros pessimistas: Nós brasileiros somos faladores, desrespeitadores das con- veniências, assaz irrequietos, até onde nos deixa ir nossa ingênita apatia de meridionais, não somos pessimistas, nem nos agrada o terrível desencanto de tudo, sob as formas desesperadoras dos nirvanistas à Buda ou à Schopenhauer (Romero, 1954, p. 1631). O que está em causa, aqui, não é a obra do autor bra-sileiro em suas relações com a do romancista inglês, massimplesmente a sua suposta personalidade, no que tem deinferior e incompatível com a de Laurence Sterne. Ao queparece, Sílvio Romero nunca lera o autor de TristramShandy, sendo talvez esse o motivo pelo qual não desenvol-ve suas afirmações, podendo-se supor que suas opiniões arespeito de Sterne fossem adquiridas de segunda mão –provavelmente via Taine. Tal preconceito de Romero justifica-se pelo próprioprojeto de sua obra, que buscava encontrar as “leis” quepresidiam a formação do gênio, do espírito e do caráter do“povo brasileiro”. Para tanto, era de suma importância ofenômeno da miscigenação, o qual seria gerado a partir decinco fatores: o português, o índio, o meio físico e a imita-ção estrangeira. Desse modo, a literatura somente adqui-riria um caráter nacional quando exprimisse, literariamente,o novo tipo histórico criado pela miscigenação, algo que, aseu ver, não seria realizado por Machado de Assis. Embora sua proposta e seu método sejam diferentesdaqueles dos historiadores românticos, uma vez que bus-cam identificar a nacionalidade literária a partir de crité-rios objetivos e tidos à época como científicos, Romero acabapor (in)definir o “caráter nacional” como “um não sei quê”indicativo de nacionalidade, reforçando assim, nesse as-pecto, o pressuposto romântico de que a literatura repre-senta o espírito – algo difícil de definir – das nações:
  • 13. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 111 Essa aproximação auxilia, assim, na inserção de Romero na tradição historiográfica, como também dimensiona o ensaio de Machado [“Literatura brasileira – instinto de nacionalidade”, publicado em 1873] como “ponte” entre os românticos e os “modernos” do fim do século. A noção do “caráter nacional”, do “sentimento íntimo”, já podia ser lida em Santiago Nunes Ribeiro; ela passa por Macha- do, que a desvincula dos índices específicos da nacionali- dade – a natureza, o indígena etc. – abrindo a literatura para os temas gerais da humanidade; e deságua em Sílvio Romero, que busca, embora problematicamente, desven- dar-lhe historicamente os fundamentos (Weber, 1997, p. 76). A busca pela nacionalidade literária, meta principalda historiografia romântica e naturalista, atravessa todaa historiografia da literatura brasileira, tornando-se pro-blemática na historiografia produzida durante a décadade 1970, principalmente entre os partidários da teoria dadependência. Apesar da ideia de uma literatura nacio-nal homogênea e integrada à tradição ocidental desselugar a uma visão dialética de seus descompassos edescontinuidades, inserindo as literaturas da América La-tina na zona de influência das literaturas metropolitanas,a tradição historiográfica inaugurada com o Romantismose mantinha presente, especialmente no tocante à questãosempre reiterada da circulação de ideias, dentro e “fora dolugar”: Reescrevia-se, dessa forma, portanto, boa parte da tradi- ção – de uma tradição, melhor dito, que, desde o Roman- tismo, levantava a questão por vezes incômoda da imita- ção, das influências, da transplantação: a da imitação dos clássicos pelos árcades, sinônimo, para os românticos, de imitação da e de subserviência à literatura portuguesa (en- quanto, “paradoxalmente”, se saía a campo consumindo modelos franceses...); a da importação constante de mo- dismos estrangeiros, já denunciada por um Sílvio Romero, por exemplo, a fazer com que um modismo se substituísse
  • 14. 112 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009 a outro, sem que as idéias apresentassem “seriação inter- na” (atitude “paradoxalmente” reforçada pelo próprio Síl- vio, ao consumir a última moda cientificista européia e o “último autor”, ou ao propor a substituição do francesis- mo pelo germanismo...); a da importação que levaria um Oswald de Andrade, nos anos 20, a propor a devoração antropofágica (modo “paradoxal” de se continuar a im- portação...); a da transplantação de Nelson Werneck So- dré (que, “paradoxalmente”, denunciava a “ideologia do colonialismo”, a resultar na diferença entre a cultura importada e a realidade nacional, com base na ortodoxia stalinista...) (Weber, 1997, p. 144-145). Essa busca da nacionalidade literária, como se vê, sópode realizar-se em confronto com as outras nações, pormeio de relações de poder e estranhamento, se pensar-mos o Outro como uma oposição ou negação contra aqual uma subjetividade dominante é definida, pois, comoa psicanálise lacaniana tem postulado, é a partir dasalteridades que as identidades se constituem (Boehmer,1995, p. 21). Ela remonta tanto à origem dos sabereslinguísticos – uma vez que, nas tradições egípcia,babilônica e grega o florescimento do saber linguísticotem sua fonte no fato de que a escrita, fixando a lingua-gem, tem por objetivo a alteridade e a coloca diante dosujeito como um problema a resolver (Auroux, 1992, p.23) – quanto aos primórdios da história literária, na épo-ca da produção das primeiras bibliotecas sistemáticas edicionários biobibliográficos, no século XVI.5 5 Entre essa primeiras obras, É o que sugere Diogo Barbosa Machado, em sua Biblio- Carpeaux (1959, p. 18) menciona a Bibliothecateca Lusitana (1741), ao justificar a publicação de sua obra, Universalis (1545-1555), deque buscava inscrever-se no “movimento geral de dotar as Conradus Gesner, e o Dictionarium Historicum,nacionalidades européias de histórias de literatura” (Lajolo, Geographicum et Poeticum1994, p. 88): (1553), de Carolus Stephanus. Estimuladas de ambição da glória as mais célebres nações do mundo querendo estender a sua fama, assim como a tinham dilatado com as espadas, perpetuarão nos monu- mentos literários das bibliotecas os admiráveis progressos
  • 15. Nações em confronto: as histórias literárias e as literaturas... 113 que fizeram em todas as faculdades [...]. Entre todos os reinos e cidades da Espanha, que com gloriosa emulação compuseram bibliotecas para perpetuar na república das letras os nomes de seus naturais, unicamente Portugal se não jactava de semelhante brasão (apud Lajolo, 1994, p. 88). Desse modo, se, no processo de constituição das naçõeseuropeias, a produção das histórias literárias se fazia acom-panhar da aliança entre língua e império, ou por uma espé-cie de nacionalismo imperialista que se forjava em oposiçãoao Outro colonial, como no caso inglês (Boehmer, 1995, p.32), no caso dos países americanos, nos quais a língua nãoera um elemento que os diferenciava das respectivas metró-poles imperiais, nunca tendo se colocado como questão nasprimeiras lutas de libertação nacional (Anderson, 2008, p.84-85), os primeiros impulsos historiográficos confundem-secom o corte dos vínculos políticos com as potênciascolonialistas europeias, na tentativa de tornar possível o apa-recimento de novas nacionalidades literárias, as quais, emoposição à metrópole, inseriam-se em um projeto de inde-pendência nacional para o qual era de suma importânciauma narrativa de sua fundação e destino (Souza, 2007, p.13). Assim, a ênfase de boa parte da reflexão teórica sobre opassado, especialmente em países de condição pós-colonial,tem levado a uma revisão dos pressupostos da historiografiaromântica e, portanto, do próprio projeto da modernidade,uma vez que passa a ser postulada a multiplicidade de relatose sujeitos, em oposição a uma narrativa monolítica eunificadora que despreza os fenômenos de desterritorialização,migração e integração: O sujeito enunciador do discurso fundante do estado-na- ção na América Latina durante o século XIX – indepen- dentemente de sua individuação – teve um projeto patri- arcal e elitista que excluiu [...] não só a mulher, como também índios, negros, escravos, analfabetos e, em muitos casos, aqueles que não tinham propriedades. Esse perfil do
  • 16. 114 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009 sujeito enunciador contribuiu, por sua vez, para a constru- ção do perfil de um sujeito da nação (o cidadão) que se identificou com o discurso de certo nacionalismo (Achu- gar, 1994, p. 49-50). Tal nacionalismo, por sua vez, em função de uma lín-gua e uma literatura nacional que “esquece” – no sentidoque Renan (2006) dá ao termo – ou apaga as diferençasétnicas, sociais, linguísticas e culturais que não se encai-xam no projeto nacional de que o Estado e os homens deletras são os principais representantes, estabelece o padrãonecessário para a produção de dicionários, gramáticas,antologias, parnasos e, principalmente, histórias literárias,os quais, institucionalizando-se nos sistemas de educaçãonacionais, serão uma instância preponderante, no séculoXIX, para a legitimação das identidades nacionais. Estas, como já se afirmou, constituem-se discursivamente,em confronto com uma alteridade, que pode ser representadapelo colonizador ou pelas nações concorrentes, em relação àsquais, ou em decorrência das quais, suas narrativas foram sen-do produzidas. Nesse sentido, o processo de institucionalizaçãoda historia literária, seja como instância legitimadora do esta-do-nação, seja como disciplina escolar e acadêmica, encon-tra-se indissoluvelmente associado ao da configuração dos pri-meiros estudos de literatura comparada.ReferênciasACHUGAR, Hugo. A escritura da história ou a propósito das funda-ções da nação. In: MOREIRA, Maria Eunice (Org.). Histórias daliteratura: teorias, temas e autores. Porto Alegre: Mercado Aberto,2003.ANDERSON, B. R. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a ori-gem e a difusão do nacionalismo. Tradução: Denise Bottman. SãoPaulo: Companhia das Letras, 2008.ANDRADE, Antonio Alberto Banha de. A reforma pombalina dosestudos secundários no Brasil. São Paulo: Saraiva / Edusp, 1978.
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  • 18. 116 Revista Brasileira de Literatura Comparada, n.14, 2009ROUANET, Maria Helena. Eternamente em berço esplêndido: a fun-dação de uma literatura nacional. São Paulo: Siciliano, 1991.SOUZA, Roberto Acízelo de. Introdução à historiografia da literaturabrasileira. Rio de Janeiro: Eduerj, 2007.WEBER, João Hernesto. A nação e o paraíso: a construção da nacio-nalidade na historiografia literária brasileira. 1997.WELLEK, René; WARREN, Austin. Teoria da literatura. Tradução:José Palla e Carmo. Lisboa: Europa-América, 1962.

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