ANÁLISE DO LIVRO “NA PRÓXIMA DIMENSÃO”
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(1917 -1934). ...
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Na Próxima Dimensão

Na Próxima Dimensão, análise de José Passini
Published on: Mar 3, 2016
Published in: Spiritual      
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Na Próxima Dimensão

  • 1. ANÁLISE DO LIVRO “NA PRÓXIMA DIMENSÃO” Ao lermos um livro novo sempre surgem questionamentos, para os quais buscamos respostas, que deverão ser claras para nós, antes de as “passarmos para frente”, principalmente se estamos na condição de expositor, evangelizador ou de escritor. Atualmente, nota-se uma onda avassaladora de novas obras, algu- mas até atraentes pelas novidades, mas que postulam leitura atenta e análise criteriosa, a fim de que os ma- lefícios de um deslumbramento inoperante não nos atinjam. O livro em pauta, psicografado por Carlos A. Baccelli, tem a autoria espiritual atribuída ao Dr. Inácio Ferreira, médico psiquiatra, um dos primeiros es- pecialistas da área a ter a coragem de declarar-se espírita e, nessa condição, tratar muitos pacientes. Causa estranheza, nessa obra, o ilustre clínico apresentar-se como personagem controversa, rude mesmo, cuja tônica, nesta e em outras obras, é atacar os espíritas e mais particularmente os médiuns. Entretanto, não é apenas a sua postura pessoal que causa estranheza, mas determinadas “revelações”, que merecem cuidadosa análise. Reparto com meus irmãos as minhas dúvidas, por julgar que, não tendo o Espiritismo “autoridades doutrinárias”, cabe-nos a todos nós, espíritas, o dever de preservar-lhe a integridade e a pureza. Nas citações a seguir, os trechos em negrito foram transcritos da obra citada; os números entre pa- rênteses se referem, às páginas: “Eu não habitava nenhuma região etérea, feita, como imaginava, de matéria quintessenciada: aos meus sentidos, tudo era quase igual, inclusive eu, que aos poucos me modificara em minha intimidade.” (11). Não é fácil entender, como um Espírito, que estudou o Espiritismo durante a sua encarnação, que conheceu as descrições claras e palpáveis de André Luiz sobre a continuidade da Vida, e como esta se or- ganiza no Mundo Espiritual, pode, depois de já ser diretor de um hospital na colônia espiritual que o aco- lhera, ainda ficar espantado com a “materialidade” das coisas que o cercavam. Além do mais, o psiquiatra espírita, Dr. Inácio Ferreira, manteve contato com o Mundo Espiritual, durante décadas, através da mediu- nidade segura de Maria Modesto Cravo. “Ainda lutando para me adequar à nova realidade, quando vi que a minha biblioteca estava sendo des- feita – o recanto em que eu passava a maior parte do meu tempo ocioso –, provoquei um encontro espiri- tual com Chico Xavier e, por via mediúnica, solicitei àquela que fora minha esposa no mundo que não continuasse dispersando meus livros: eu ainda necessitava deles, não para compulsá-los, mas é que, de- pois de perder o corpo, a sensação de perda que nos acomete é muito grande, para que nos conformemos em perder mais alguma coisa.” (12). É estranho, também, o fato de um Espírito em quem seria natural presumir-se equilíbrio e desapego, ter acesso à mediunidade e ter ocupado o precioso tempo de Chico Xavier para dar um recado de sua preo- cupação com a biblioteca que deixara na Terra. Estava no Mundo Espiritual ou ficara agarrado às coisas materiais? Note-se que se trata de um psiquiatra que estudou Espiritismo durante décadas! “(...) grande hospital, cuja direção, no Mais Além, estava sob minha responsabilidade (eu não sei quan- do é que vou me livrar desse carma!)” (12) Difícil, também, é imaginarmos que alguém, a quem fora concedida a direção de um hospital, con- siderasse a nobre tarefa como um carma, quando se aprende na Doutrina algo como a “honra de servir”... “(...) eu não sei a causa de, ao nos tornarmos espíritas, passamos a achar que somos privilegiados...” (17). “Os médiuns, Inácio, acham que a mediunidade corre por conta dos espíritos; quase nenhum quer ser parceiro ou sócio e entrar com a parte que lhe compete...” (21). “(...) mil vezes combater os padres que os espíritas!... Qualquer que ocupe um cargo de direção, vira a cabeça e passa a se acreditar um espírito encarnado investido de elevada missão...” (30). “O espírita necessita, com urgência, de se conscientizar de sua indigência.” (33). “Eu já tinha ouvido falar de alguns espíritas que apregoam um Espiritismo sem espíritos.” (40). “(...) os espíritas, com raras exceções, acham que são os tais: colocam a mão no bolso e olham os outros por cima da cabeça, como se o conhecimento espírita, por si só, lhes concedesse supremacia...” (88). Atualmente, afirmativas como essas não se encontram nem nos pronunciamentos daqueles poucos que ainda atacam o Espiritismo e os espíritas. Trata-se de uma generalização leviana, capaz de suscitar defensores dos espíritas até dentre pessoas que não professam a Doutrina, mas que respeitam a maioria dos seus profitentes. “É uma questão que, infelizmente, ainda há de suscitar muita polêmica entre os espíritas que mourejam na carne, mas, para determinado segmento espiritual, no qual eu me incluo, isto é ponto pacífico. São notáveis as “coincidências” ou os pontos de contato entre as duas personalidades, inclusive na seme- lhança física...” (54).
  • 2. 2 Alguns argumentos apresentados em defesa dessa tese, a começar por esse apresentado acima, refe- rindo-se à semelhança física entre Kardec e Chico Xavier, constituem um verdadeiro atentado à capacidade de comparação, de análise e à própria lucidez do leitor. Além do mais, se o próprio Dr. Odilon reconhece que o assunto irá “suscitar muita polêmica”, por que ele o traz à discussão? Não se entende o motivo por que um Espírito venha trazer lenha à fogueira da inócua e inoportuna discussão que se estabeleceu a respeito de Chico ser a reencarnação de Kardec. Quanta gente, que poderia empregar melhor o seu tempo, irá demorar-se em conjecturas e pesquisas. Para quê? Em que isso contribui para a divulgação do Espiritismo, para o esclarecimento e a evangelização dos espíritas? Neste contexto, vale a pena transcrever advertência de Emmanuel em se referindo a outra tese, de- fendida via mediúnica, que causou muita discussão inócua: “As próprias esferas mais próximas da Terra, que pela força das circunstâncias se acercam mais das controvérsias dos homens que do sincero aprendi- zado dos espíritos estudiosos e desprendidos do orbe, refletem opiniões contraditórias da Humanidade (...). São dignos de nota alguns argumentos apresentados em defesa da tese: “(...) o casal havia renunciado a qualquer tipo de convivência mais íntima na esfera sexual, para devo- tar-se aos valores do espírito, e, tanto assim que ambos não geraram herdeiros diretos (...)” (56). Causa também estranheza essa “revelação”, que invade a intimidade do casal, talvez na tentativa de mostrar que a abstinência sexual vivida pelo Chico já lhe era habitual... Ou talvez para pôr em relevo uma “conduta monástica”? Será que, no caso de Kardec, não seria mais racional e humano deixar o assunto por conta do seu plano reencarnatório que poderia ter previsto uma esterelidade, sua ou da esposa? Até para que não ficasse na Terra alguém que quisesse continuar uma “dinastia kardequiana”? “É inegável que a obra de um é o complemento da outra: a mesma linha de pensamentos, a mesma ter- minologia, a mesma luz...” (57). Essa mistura de afirmações é que leva muitos leitores a não observarem o restante de um período que contém uma verdade, seguida de afirmações discutíveis. É inegável que a obra de Chico Xavier é um desdobramento da Revelação codificada por Kardec, mas isso não serve como prova de que o autor seja o mesmo, pois qualquer outro grande Espírito poderia tê-lo feito. Entretanto, no rastro dessa verdade, vem a argumentação falaciosa, atribuída a Antusa, em favor da tese: “a mesma linha de pensamentos, a mesma terminologia, a mesma luz...” Ora, é claro que a “linha de pensamentos” tem de ser a mesma, vez que é a própria expressão doutrinária. Quanto à terminologia, qualquer Espírito, encarnado ou desencarnado, ex- pondo o pensamento espírita deverá usar a mesma terminologia. Igualmente diga-se da “luz”, que deve ser aquela própria de um Espírito Superior que se proponha à missão de desdobrar a Doutrina Espírita. Se, en- tretanto, com a afirmativa pretendeu comparar estilos, pouco se tem para definir um “estilo” do Chico, mesmo porque, quanto melhor o médium, menos o seu estilo se revela. E se formos nos basear no pouco que escreveu, a prova é exatamente contrária ao que foi argumentado. E o que dizer da “Saudação de Allan Kardec”, psicografada por Júlio César Grandi Ribeiro, na noite de 2 de janeiro de l984, na comemoração do centenário da Federação Espírita Brasileira e transferência de sua sede para Brasília, conforme publicado no “Reformador” de março de 1984? Entretanto, aqueles que quiserem continuar argumentando, sabemos que poderão dizer o Chico po- deria ter deixado seu veículo físico em Uberaba, possivelmente psicografando àquela hora – era uma se- gunda-feira – e ter ido a Brasília, feito toda uma revolução psicológica em si mesmo, a fim de apresentar-se como Kardec... Bem, vamos ao restante do livro: Conversando sobre a possibilidade de o Chico comunicar-se em breve, o Dr. Inácio diz não acreditar isso possa ocorrer. O Dr. Odilon concorda, mas diz que “o seu pensa- mento, que continua a se irradiar, será captado diferentemente, por diversos medianeiros...” e arremata: “Quando o espírito não vai ao médium, o médium vai ao espírito...” Depois, explica: “Na ânsia de obter contato com determinada entidade, o médium provoca a sintonia, apropriando-se do seu pensamento (...).” Não satisfeito com a explicação, o Dr. Inácio diz-lhe: “Mas aí não é o espírito...”, ao que ele responde: “Não é nem deixa de ser.” Continuando seus “esclarecimentos”, diz ser necessário levar em conta o pro- blema da sintonia direta e indireta, afirmando: “Na primeira temos o fenômeno genuíno; na indireta a par- ticipação do médium sobrepõe-se à do espírito que está sendo trazido à baila...” E para que o assunto fique ainda mais ambíguo: “Quer dizer que o espírito não vem; ele é trazido?...” E a resposta do Instrutor: “Sim e não”.(116 / 118). Pode-se prever que, lendo isso, haverá muita gente querendo se apropriar desse pensamento do Chi- co que “se irradia”. Não serão essas afirmativas um convite ao estabelecimento de um clima de descrédito da mediunidade? “(...) também sou suscetível a periódicas crises de depressão... Afinal, ao que me consta, ainda sou gente, não é?” (138).
  • 3. 3 Causa estranheza o fato de um Espírito que é o diretor de um hospital no Mundo Espiritual sofrer crises de depressão, e usar de uma argumentação infantil para justificá-la. “Li o seu livro, que se converteu em best seller, uma única vez e não tive oportunidade de ler, detalha- damente, os demais que lhe constituem a famosa série; desculpe-me, mas para ler, como a maioria dos espíritas, sempre fui um tanto preguiçoso...” (207/208). O diálogo acima está num pretenso encontro com André Luiz, em “Nosso Lar”.Fica difícil entender como um Espírito que tem tanto amor à biblioteca, a ponto de incomodar um médium do porte de Chico Xavier (12), para que sua esposa não dispusesse dela, agora dizer que tinha preguiça de ler. E, para não perder a oportunidade, mais um ataque aos espíritas! “(...) Doutor, estou apenas admirando o seu modo transparente de colocar as coisas... Isso talvez seja uma virtude também rara por aqui, depois da morte” (210). É realmente absurda essa declaração atribuída a André Luiz. É absurda porque seus livros são e- xemplos vivos de transparência nos diálogos entre Espíritos. O próprio André Luiz experimentou, por vá- rias vezes, a advertência clara, sem subterfúgios, transparente, conforme registrado nas seguintes páginas da obra “Nosso Lar”, em diálogos com o médico Henrique de Luna (32 e 33), com Lísias (39, 47, 69 e 73), com o Ministro Clarêncio (43, 44, 76, 77, 78, 81 a 84), com a sua mãe (88, 89, 93), com a senhora Laura (137 e 138). Isso, sem nos referirmos a todas outras obras de André Luiz, onde a transparência, a limpidez nos pronunciamentos se revela de forma a servir de modelo a nós encarnados. Como é que poderia, um Espírito que vivenciou e relatou tantas situações como as citadas acima, de repente, perder o compromisso com a Verdade e generalizar essa acusação de falsidade sobre os habitantes da colônia “Nosso Lar”? “Mas, respondendo-lhe, digo-lhe que é preciso que eu esqueça, assim como não mais me lembro de que, um dia, fui Carlos Chagas, haverei de me esquecer de que sou André Luiz... - Você não era Osvaldo Cruz?... indaguei sem vacilar. - Não!.. - E por qual motivo não se identificou desde o início? - A obra do médium Xavier não necessitava do meu nome para lhe conferir credibilidade e, de- pois, precisávamos evitar maiores problemas para a Doutrina... - Está se referindo ao caso envolvendo a família do escritor Humberto de Campos? - A ele e ao estardalhaço que a imprensa leiga haveria de promover; se o próprio Emmanuel constitui pseudônimo, por que eu não poderia ter feito o mesmo?... E Frederico Figner, porventura, não adotou o pseudônimo Irmão Jacó, em tributo à sua origem judaica?” (210). Mesmo que houvesse provas irrefutáveis de que André Luiz foi Carlos Chagas, pergunta-se em que esse conhecimento contribuiria para melhor divulgação e aceitação do Espiritismo? Afirmação extemporâ- nea, inconseqüente, que assume caráter mais grave, diante do fato de o famoso cientista ainda ter descen- dentes encarnados. Será que os Espíritos que se sentiram autorizados a fazer semelhante revelação não tive- ram acesso a dados referentes à vida de ambos? Vejamos: Não é difícil calcular a época da desencarnação de André Luiz, tomando-se por base suas conversas com Lísias: “Talvez não saiba ainda que sua permanência nas esferas inferiores durou mais de oito anos consecutivos.” (N.L., pág. 47). Em agosto 1939, André Luiz ouvia Lísias, que lhe falava sobre a iminência da Segunda Guerra Mundial (N.L., pág. 132). Daí pode-se deduzir que já estivesse desencarnado há, pelo menos, nove anos, portanto em 1930, vez que já estava perfeitamente sadio. Há, ainda, outros registros que permitem saber que André Luiz desencarnou em 1930: São suas es- tas palavras: “Meu pai, igualmente, fez a grande viagem, três anos antes do meu trespasse. (N.L., pág. 47). Em conversa com sua mãe, esta comenta: “Ah! teu pai! teu pai!... Há doze anos está numa zona de trevas compactas, no Umbral.” (N.L., pág. 91). É apenas questão aritmética: Se estão conversando em 1939, e a mãe de André Luiz diz que seu pai desencarnara havia doze anos, logo a sua desencarnação se dera em 1927; como o filho desencarnou três anos depois, só pode ter sido em 1930, possivelmente aos 40 anos, pois clinicou apenas 15 anos, conforme declaração de Clarêncio, citada abaixo. Carlos Chagas desencarnou em 1934, aos 55 anos. Além do mais, André Luiz fica perfeitamente caracterizado como clínico, pelas palavras de Clarên- cio: “(...) nos quinze anos de sua clínica, também proporcionou receituário a mais de seis mil necessitados. Verbalmente pede qualquer gênero de tarefa; mas, no fundo, sente falta dos seus clientes, do seu gabinete, da paisagem de serviço com que o Senhor honrou sua personalidade na Terra.” (...) Logo depois de gra- duado, começou a receber proventos compensadores, não teve sequer a dificuldade do médico pobre, com- pelido a mobilizar relações afetivas para fazer clínica. Prosperou tão rapidamente que transformou facili- dades conquistadas em carreira para a morte prematura do corpo. Enquanto moço e sadio, cometeu nume- rosos abusos, dentro do quadro de trabalho a que Jesus o conduziu.” (N.L., pág. 81). Nessa referência ao desempenho profissional de André Luiz na Terra, nada que pudesse identificá- lo com o eminente cientista: pesquisador, bacteriologista e sanitarista, que foi Carlos Chagas, que ingres-
  • 4. 4 sou, ainda na condição de acadêmico, no Instituto Bacteriológico Osvaldo Cruz, de que viria a ser diretor (1917 -1934). Cientista reconhecido mundialmente, foi professor da Faculdade de Medicina do Rio de Ja- neiro; recebeu o título Magister Honoris Causa das Universidades de Harvard e de Paris; pertenceu às aca- demias científicas de Nova Iorque, Paris e Lima; foi premiado com medalha de ouro pela Universidade de Hamburgo (Prêmio Kummel); passou dois anos viajando pelo vale amazônico, levantando a carta epidemi- ológica da região; à frente de campanha profilática, erradicou a malária na cidade de Santos. (Grande Enci- clopédia Delta Larousse). No desempenho profissional, nada que identifique André Luiz com Carlos Chagas. Este foi bacteri- ologista desde os tempos de estudante: André Luiz foi médico de consultório, conforme declarado por Cla- rêncio e por ele próprio: “Não nego a sua capacidade como excelente fisiologista, mas o campo da vida é muito extenso.” (N.L., pág. 82). Mais adiante, é o próprio André Luiz que declara sua condição de médico: “Perdi muito tempo na vaidade inútil, fiz enormes gastos de energia na ridícula adoração de mim mesmo... (...) No fundo, era o desejo de continuar a ser o que tinha sido até então – o médico orgulhoso e respeita- do, cego nas pretensões descabidas do egotismo em que vivia, encarcerado nas opiniões próprias.” (N.L., pág. 143). Há, ainda outros dados que podem ser comparados: André Luiz teve um filho e duas filhas; Carlos Chagas teve dois filhos. André Luiz desencarnou de câncer, no intestino, depois de sofrer duas operações graves, devido a oclusão intestinal (N.L., pág. 32); Carlos Chagas desencarnou subitamente, na sua mesa de trabalho. (Correio da Manhã, R. J., 09.11.34). Carlos Chagas ficou órfão de pai aos quatro anos; o pai de André Luiz desencarnou três anos antes dele. Carlos Chagas foi um benfeitor da Humanidade, reconhecido internacionalmente; André Luiz, segundo Henrique de Luna: “O meu amigo, no entanto, iludiu excelentes oportunidades, esperdiçando patrimônios preciosos da experiência física. A longa tarefa, que lhe foi confi- ada pelos Maiores da Espiritualidade Superior, foi reduzida a meras tentativas de trabalho que não se consumou.” (N.L., pág. 33). É de se ver que a novidade anima tanto, a ponto de esses que se põem a propalá-la se esquecem das palavras de Emmanuel, ao apresentar André Luiz, no prefácio do livro “Nosso Lar”: “Embalde os compa- nheiros encarnados procurariam o médico André Luiz nos catálogos da convenção. Por vezes o anonimato é filho do legítimo entendimento e do legítimo amor (...). É por isso que não podemos apresentar o médico terrestre e autor humano, mas sim o novo amigo e irmão na eternidade.” Diante de duas vidas em tudo tão diferentes, será que o que foi dito sobre André Luiz o foi apenas para despistar? Nesse caso, o livro traria uma longa série de inverdades, todas forjadas com o intuito de enganar o leitor. Apenas silenciar, não seria mais consentâneo com o caráter da Doutrina? E – mais grave ainda – se tivermos alguma dúvida sobre as declarações desses Espíritos, inclusive do próprio André Luiz, como acreditar no resto do livro? Importa se observe que a argumentação de “André Luiz”, nesse diálogo, aponta exatamente no sen- tido contrário a qualquer revelação de identidade, quando lembra o rumoroso “Caso Humberto de Cam- pos”, e o cuidado posteriormente tomado na publicação da obra “Voltei”, o que foi feito sob pseudônimo. Por que, de um momento para outro, é revelado que Jacob foi Frederico Figner, e que André Luiz foi Car- los Chagas? Quem teria decidido a suspensão do anonimato? Será que não persiste o risco de “estardalhaço da imprensa leiga”, além de ação judicial semelhante à do Caso Humberto de Campos? Além do mais, co- mo entender essa mudança de atitude do Mundo Espiritual, se na Terra tudo continua como dantes? “Enganam-se os que pensam que sejamos assexuados... (...) E nascem crianças por aqui? (...) É claro que sim, no entanto, convém que o senhor não se aprofunde agora neste assunto, pois correrá o risco de invalidar toda a sua obra...” (214/215). Já que o assunto correria “o risco de invalidar toda a sua obra”, por que foi citado? Seria melhor ca- lar a respeito. Na verdade, fica um tanto difícil entender o nascimento de crianças no Mundo Espiritual, principalmente diante do que é ensinado em “Evolução em Dois Mundos”. Ali, vê-se que o princípio inteli- gente evolui pari passu com o corpo físico. De fato foi revelado que há vegetação em “Nosso Lar”, logo há células vivas, há algum processo de reprodução celular. Mas no caso humano, o assunto apresenta outros aspectos. Com que fim um Espírito tomaria um novo corpo espiritual? Esse corpo teria que ser gestado no útero de uma mulher? Haveria o esquecimento do passado? A ser real essa revelação, salta aos olhos o con- traste entre a magnitude de tal assunto e a superficialidade, para não dizer leviandade, com que foi tratado. Percebe-se, com facilidade, que o assunto trará muita polêmica inútil, e que em nada contribuirá para o es- forço de aperfeiçoamento humano, tão urgente nesta fase da vida na Terra. Além disso, confundirá ainda mais aqueles que ainda não conseguem ainda entender a reencarnação nem na Terra... “O sexo, além da morte, não é algo pecaminoso: é instrumento de sublimação.” (216). O sexo não é algo pecaminoso em lugar algum, nem em dimensão alguma. O seu mau uso, sim, é pecaminoso, tanto na Terra, quanto nos Planos Espirituais. Finalmente, para que se analisasse minuciosamente os capítulos 35 e 36, seria necessário escrever todo um livro... José Passini Juiz de Fora MG passinijose@yahoo.com.br

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