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www.ebooksgospel.com.br/blog Alguns Detalhes Revelados nesse Texto 1. A palavra sóbrios traduz o termo grego nep...
www.ebooksgospel.com.br/blogmantém o significado de ficar acordado, vigiar. De acordo com Frietz Rienecker, o tempo v...
www.ebooksgospel.com.br/blog 4 UM PASSADO CANANEU ...
www.ebooksgospel.com.br/blogde uma prostituta; mas Gileade gerara a Jefté. Também a mulherde Gileade lhe deu filhos, e, se...
www.ebooksgospel.com.br/blog Há uma farta literatura comentando este texto dasEscrituras, a grande parte sobre o voto...
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www.ebooksgospel.com.br/blogcom o bilhete em mãos e já havia lido o seu conteúdo. Naquelepapel havia frases de conteúdo se...
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www.ebooksgospel.com.br/blogEditora Mundo Cristão, São Paulo - SP. 3 NOGARE, Pedro Dalle. Humanismos e Anti-Hu...
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Published on: Mar 4, 2016
Published in: Spiritual      Entertainment & Humor      
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Transcripts - Porquecaemosvalentes josgonalves-100818091215-phpapp01

  • 1. www.ebooksgospel.com.br/blog E-book digitalizado por: Levita Digital Com exclusividade para: www.ebooksgospel.com.br
  • 2. www.ebooksgospel.com.br/blog ANTES DE LEREstes e-books são disponibilizados gratuitamente, com a única finalidade de oferecer leitura edificante à aqueles que não tem condições econômicas para comprar.Se você é financeiramente privilegiado, então utilize nosso acervo apenas para avaliação, e, se gostar, abençoe autores, editoras e livrarias, adquirindo os livros. * * * * “Se você encontrar erros de ortografia durante a leitura deste e-book, você pode nos ajudar fazendo a revisão do mesmo e nos enviando.” Precisamos de seu auxílio para esta obra. Boa leitura! E-books Gospel
  • 3. www.ebooksgospel.com.br/blog JOSÉ GONÇALVES POR QUE CAEM OS VALENTES? Uma análise bíblica e teológica acerca do fracasso ministerial
  • 4. www.ebooksgospel.com.br/blogTodos os direitos reservados. Copyright © 2006 para a línguaportuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus.Aprovado pelo Conselho de Doutrina.Preparação de Originais: Gleyce DuqueRevisão: Luciana AlvesCapa e projeto gráfico: Eduardo SouzaEditoração: Wagner de AlmeidaCDD: 248 - Vida CristãISBN: 85-263-0751-7As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida eCorrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvoindicação em contrário.Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e osúltimos lançamentos da CPAD, visite nosso site:www.cpad.com.brSAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-701-7373Casa Publicadora das Assembléias de DeusCaixa Postal 33120001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil3ª Edição/20064ª Edição 2006
  • 5. www.ebooksgospel.com.br/blog PREFÁCIO Honra-me sobremodo, o autor da obra Por que Caem osValentes?, meu amigo, irmão em Cristo e colega de ministério,evangelista e professor José Gonçalves, solicitando-me o prefáciodo seu novo livro. A tarefa não é fácil! É honrosa, mas árdua.Nada obstante, constitui-se um privilégio para qualquer cidadãoprefaciar uma obra de autoria de um homem com o mérito doirmão José Gonçalves, que é teólogo, filósofo, professor de Grego,Hebraico, Filosofia e Teologia Sistemática. Por que caem os valentes? Logicamente, o leitor terá aresposta a esta pergunta dada pelo ilustre autor, que já deuprovas claras de sua habilidade filosófica, sociológica, científica eteológica. Porém, após rápida reflexão, podemos concluir que,invariavelmente, todos os valentes são auto-suficientes. Sãograndes aos seus próprios olhos. São vaidosos. Pensam que sãodonos do mundo, donos de todo o poder! Ignoram a fragilidade epequenez de que são possuídos. Parece até que se esquecem deque são limitados seres humanos, cuja valentia desaparece danoite para o dia. No pranto de Davi por Saul e Jônatas, ele inseriuestas palavras: "Saul e Jônatas, tão amados e queridos na suavida, também na sua morte não se separaram! Eram mais ligeirosdo que as águias, mais fortes que os leões. Vós, filhas de Israel,chorai por Saul, que vos vestia de escarlata em delícias, que vosfazia trazer ornamentos de ouro sobre as vossas vestes. Comocaíram os valentes no meio da peleja! Jônatas nos teus altos foiferido!" (2 Sm 1.23-25) Além dos acontecimentos dos nossos dias, este livro tem algoescatológico sobre a queda de grandes e valentes que surgem devez em quando. Deus revelou ao profeta Isaías a ruína daBabilônia com o seu poderio. Na descrição dos eventos, o Senhordisse: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva!Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!" (Is14.12) Sim, Satanás, este grande valente que debilitava as nações,a quem o Senhor viu cair como raio (Lc 10.18). Toda valentia tem limites. Veja o que disse Jesus : "Quandoo valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudoquanto tem. Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele evencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte osseus despojos" (Lc 11.21,22). Não existe valente que não caia. As causas podem sermuitas, porém, resume-se à fragilidade humana. O autor desta obra histórica de fatos reais cita nomes devários personagens, filósofos, teólogos, psicólogos e outros, que
  • 6. www.ebooksgospel.com.br/blogfalaram dos valores absolutos e relativos, enfocando váriosaspectos dos diferentes segmentos da sociedade humana. Fica,então, provado que o ser humano é frágil por natureza e cujafragilidade é uma das conseqüências do pecado. Parabéns, irmão José Gonçalves, por mais esta obra. Para-béns, leitor que enriquece sua biblioteca com este livro. E gratificante prefaciar mais um livro de um colega que en-trou também na seara literária. Fraternalmente em Cristo, Pr. Nestor H. Mesquita Presidente da CEADEP Convenção Estadual das Assembléias de Deus no Piauí. Membro da UBE-PI. Presidente do Conselho Regional do Nordeste da CCADB
  • 7. www.ebooksgospel.com.br/blog SUMÁRIO Prefácio Introdução 1. Por que? 2. Um fenômeno meramente psicanalítico? 3. Sob fogo inimigo 4. Um passado cananeu 5. O relativismo moral e a queda dos valentes 6. Vida devocional pobre 7. As armas dos valentes 8. Apoio aéreo 9. Tratando os feridos 10. Placas de advertências Apêndice A Demônios fortes, ministros fracos? Apêndice B Satanás e o pecado não devem ser subestimados
  • 8. www.ebooksgospel.com.br/blog INTRODUÇÃO Como Caíram os Valentes "A tua glória, ó Israel, foi morta sobre os teus altos! Comocaíram os valentes! [...] Como caíram os valentes no meio da peleja!Jônatas sobre os montes foi morto! [...] Como caíram os valentes, epereceram as armas de guerra!" (2 Sm 1.19-27, ARA - grifos doautor) Como caíram os valentes! é o lamento de Davi. Acredito queessa lamentação do até então futuro monarca de Israel, pela mortede Saul e Jônatas no campo de batalha, identifica-se com cadaum de nós em determinadas situações da vida. Quem nuncaexperimentou esse sentimento de perda? Falando em termosministeriais, quem nunca chorou a "queda" de um ministro doevangelho? Quem nunca sentiu um vazio, quando um pregador aquem devotávamos uma grande admiração e respeito foi tirado decena? Um Ministério em Jogo Há anos, em um Congresso de Jovens da União de Mocidadede meu estado, vivi de forma intensa esse "lamento de Davi". A igreja tinha se preparado para esse dia. O trabalho demarketing também havia sido bem feito pelos organizadores doevento; a mídia dera ampla cobertura àquele que seria mais umgrande Congresso Metropolitano da União de Mocidade de Teresina. Milhares de pessoas costumavam lotar o"Pavilhão", um local espaçoso destinado a feiras e eventos. O tempo gasto para percorrer os 42 km, distância quesepara a cidade de Altos da capital Teresina, foi o suficiente paraencontrar um auditório superlotado. A minha mente, quase queinconsciente, dirigiu-me à plataforma onde estava situado opúlpito. Os meus olhos procuravam o conferencista. Aquele jovempastor era muito requisitado, pelo que não era fácil conseguiragendá-lo. Eu queria saber se de fato ele teria vindo, conformefora anunciado. Fiquei aliviado, viera e estava sentado na primeirafila de cadeiras. A sua grande eloqüências unida à sua poderosavoz profética, fez dele uma espécie de ícone entre a juventudepentecostal. Convidado a ocupar um lugar no púlpito, logo percebeu aminha chegada e convidou-me a ocupar uma cadeira ao lado dasua. A nossa amizade, fruto de longos anos, nos dava a liberdadede desfrutarmos uma comunhão sólida. Mas ao trocar asprimeiras palavras, percebi que ele queria partilhar algo comigo,mas parecia estar "entalado". Foi então que percebi que haviaalguma coisa muito além do corriqueiro. Com uma visível
  • 9. www.ebooksgospel.com.br/blogdificuldade de se expressar, ele pegou um pedaço de papel,escreveu algumas palavras e entregou-me. No pequeno textoestava escrito: José, estou passando por um grande conflito. É tãointenso que o meu ministério está em jogo. Confesso que naquele momento essas palavras cortarammeu coração. O culto seguia seu curso normal: cantores e maiscantores se revezavam no púlpito, mas para mim acabara ali. Oecoar daquelas palavras impediam-me de ouvir qualquer outrosom. A velocidade da luz, eu tentava racionalizar: "Não deve sernada grave". Tentava a todo custo acalmar a minha mente, afinalum ministério tão belo e maravilhoso como o daquele irmão nãopoderia, sob hipótese alguma, ser danificado. Não vou entrar em detalhes sobre o desfecho desta história,mas estou consciente de que fatos como este acontece com maisfreqüência do que imaginamos. Como pregador itinerante, poronde andava, ouvia muitos relatos parecidos com esse. Outrasvezes, recebia telefonemas de colegas de ministério onde as suasfalas começavam assim: "Você já sabia que fulano de tal caiu?" Àsvezes, a informação surgia velada, geralmente as perguntasoriginavam-se dessa outra forma: "O que você está sabendo acercade beltrano?" Quando respondia: "Nada", o outro completava: "Elecaiu". Ao escrever sobre esse assunto, faço com temor e tremor,afinal também sou um ministro do evangelho. Estou no mesmobarco, corro os mesmos riscos. Procurei fugir do farisaísmo,característica de quem só sabe criticar. Por outro lado, tambémnão tive a intenção de "abrir" feridas já cicatrizadas em algunsvalentes, até porque acredito que aqueles que o Senhor restaurou,estão de fato restaurados. O meu propósito é levar-nos a umareflexão acerca do "ofício do ministro evangélico"; todavia nãoapenas de suas glórias, mas principalmente dos perigos que ocercam. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!
  • 10. www.ebooksgospel.com.br/blog 1 Por que? Na altura do quilômetro 30 da BR 343 da auto-estrada queliga a cidade de Altos a capital Teresina, no Estado do Piauí,encontra-se erguido um grande memorial de concreto armado.Nele, se lê em letras garrafais a seguinte interrogação: Por quê? Háalguns anos naquele local, um caminhão de carga chocou-se comum ônibus de passageiros. Doze pessoas tiveram suas vidasceifadas em conseqüência daquela colisão. Foi uma tragédia! Por quê? E a grande pergunta que fazemos apóspresenciarmos uma tragédia. Por que morrem todos os diascrianças inocentes? Por que há tantas catástrofes? Por que existe omal? Por que caem os valentes? As respostas das três primeirasperguntas não são tão fáceis de serem dadas, elas envolvemdiretamente a soberania de Deus. Mas quanto à quarta pergunta,embora ofereça um certo grau de dificuldade para ser respondida,acredito termos elementos suficientes nas Escrituras Sagradaspara responder-lhe. Um dos pressupostos básicos da lei da física é "que todaação, provoca uma reação". Isto pode ser dito de outra forma:"Para todo efeito há uma causa que o determina". Isso significaque é possível encontrarmos a partir dos efeitos, as causasdeterminantes de nossos porquês. Voltemos ao acidente entre osdois veículos para entendermos o que está sendo dito. Ao chegar no local do acidente, a perícia constatou que omotorista do caminhão invadiu a pista do ônibus. Esse acidentefoi causado, portanto, pelo motorista do caminhão. Quer estivessecansado, embriagado ou dopado, ele foi responsabilizado pelaculpabilidade moral de seu ato. O motivo e a resposta deste fatosatisfaz à nossa racionalidade. Mas nem sempre é assim. A história humana é um volumosoarquivo onde estão registradas as mais diferentes e contradizentesrespostas aos mesmos porquês. Na Grécia antiga, por exemplo, umfilósofo querendo responder o porque da origem de tudo, recorria àágua como sendo o elemento formador desse princípio. Por outrolado, um outro filósofo achava que o elemento oposto, o fogo,explicaria melhor essa mesma origem. São os mesmos porquês,mas com respostas radicalmente diferentes. Platão recorreu ao mundo das idéias, um mundo completa-mente diferente do nosso e ao qual ele chamou de inteligível paraexplicar a existência de tudo. Para ele, o porquê da existência denosso mundo sensível encontrava-se nesse mundo ideal, do qual o
  • 11. www.ebooksgospel.com.br/blognosso mundo dos sentidos era apenas uma cópia imperfeita, jáAristóteles achava que não necessitava de nada disso. Para ele,tudo estava aqui e as respostas dos porquês poderiam ser dadas apartir daqui mesmo. Os escolásticos (também denominados filó-sofos da Escola), na Idade Média, acreditavam que seus métodoseram plenamente confiáveis na explicação dos porquês relaciona-dos às verdades físicas e religiosas. Todavia, o filósofo francês René Descartes (1596 - 1650), emseu livro O Discurso do Método, procurou demolir essa certeza dosescolásticos e oferecer uma nova resposta para esses porquês.Descartes, autor da famosa frase: Penso, logo existo, achou quefaltou bom senso por parte dos pensadores que o precederam aoelaborarem as respostas para seus porquês. Gottfried Wilhelm Leibiniz (1646 - 1716) achava que asMônadas, uma espécie de unidade panteísta formadora de todasas coisas, explicaria com precisão o porquê da dinâmica do cosmo,mas por outro lado Immanucl Kant (1724 - 1804), filósofo alemão,achou puro delírio as idéias de Leibiniz. Para Kant, as idéias doautor da teoria monadológica eram inviáveis uma vez que em lugarde dados experimentais ele contou simplesmente com argumentosracionais. O próprio Kant achava que as respostas que a igrejadava para os porquês eram destituídas de valor, uma vez que elanão podia comprová-las com a experiência. Novos porquês e suas Respostas Pois bem, a partir de Descartes uma visão tecnicista oucartesiana do universo se popularizou. Esse novo paradigma seriaconhecido como modernismo ou cientificismo. Esse novo modelovia o funcionamento do cosmo assemelhai" Se ao do umamáquina. Por aproximadamente três séculos o modernismo reinouabsoluto na cultura ocidental, todos os porquês teriam suasrespostas dadas à luz das novas descobertas científicas. Aquiloque não passasse pelo crivo da razão e recebesse comprovaçãocientífica deveria ser posto de lado. As respostas dos porquêsdadas pela religião foram colocados sob suspeição ousimplesmente ignoradas. Os filósofos dizem que um paradigma ou modelo está fadadoao fracasso quando ele não consegue mais dar respostasatisfatória aos novos porquês. Surge assim um novo paradigma.Foi exatamente isso o que aconteceu com o modernismo. Com oadvento da física quântica, novas descobertas revelaram umuniverso diferente daquele imaginado pelo modelo cartesiano. Nasdécadas de 60 e 70, esse novo paradigma, também denominadopós-modernismo ou ainda de holísmo, passou a dominar todas asáreas do saber. As respostas dos porquês dadas pelos pós-
  • 12. www.ebooksgospel.com.br/blogmodernos levam em conta o todo e não apenas suas partes comofazia o modernismo. Quando perguntamos: Por que caem os valentes?, estamosdiante de um porquê cuja resposta transcende à nossaracionalidade, isto é, ela não depende somente do nossoentendimento racional para ser dada, depende também darevelação divina jorrada nas páginas da Bíblia Sagrada sobre anatureza e o ofício desses agentes do Reino de Deus. Isso, noentanto, não significa dizer que as ciências humanas não tenhamsuas importantes contribuições nas respostas de muitos porquês,elas têm sim; todavia o que é preciso ficar bem claro é que têmsuas áreas de ação bem delimitadas. A psicanálise, por exemplo,sabe tudo sobre o inconsciente, mas não tem nada a dizer sobreaquilo que a Bíblia chama de o velho homem. A psicologia temmuito a nos dizer sobre o comportamento dos humanos, mas nadasabe a influência que Satanás causa sobre esse mesmocomportamento. A sociologia fala muito sobre agregação social,mas o que diz sobre o trabalho desagregador dos demônios emmeio a essa mesma sociedade? Nada. Não é competência dela. O nosso porquê, definitivamente, só terá sua resposta dadade forma satisfatória se nos fundamentarmos nas EscriturasSagradas. Portanto, é nosso projeto nos apoiarmos no Livro Santo.
  • 13. www.ebooksgospel.com.br/blog 2 FENÔMENO MERAMENTE PSICANALÍTICO? Estávamos em um culto no ano de 1983, eu era um novoconvertido, mas consigo ainda lembrar com precisão damensagem pregada naquele domingo. J. Figueroa,1 um pregadorpentecostal, era conhecido por sua eloqüência e poderosa vozprofética. Ele fora convidado naquele dia para ser o preletor emnossa igreja. O pequeno templo estava superlotado, todosprocuravam uma melhor acomodação para ouvir a Palavra deDeus. A fama de ser um grande pregador do evangelho fazia amultidão esperar com expectativa o momento da preleção daqueleirmão. Naquela noite, ele inspirara-se na visão do vale de ossossecos para falar do poder restaurador de Deus (Ez 37.1-14). Comuma unção incomum e um carisma contagiante, discorreu sobre oseu tema. Até então, não conhecia ninguém que pregasse comtanta clareza, eloqüência e conhecimento bíblico como aqueleamado pastor. As lágrimas corriam copiosamente na face dospresentes. Dezenas de pessoas aglomeravam-se em frente ao altarpara emendar os seus caminhos, muitas outras entregaram suasvidas ao Senhor Jesus. Depois daquele dia, tive o privilégio de ouvir aquele irmãooutras vezes. Acontecia sempre a mesma coisa: conversões,reconciliações e um forte sentimento da presença de Deus quandoele pregava. O seu nome tornou-se uma celebridade entre ospentecostais de meu estado, todos gostariam de solicitá-lo comopreletor de seus congressos e cruzadas. A sua igreja, mais do queas outras, promovia freqüentemente eventos de natureza evan-gélica. Certo dia, no verão de 1984, eu, meu irmão e um primofomos participar de um evento promovido pela igreja daqueleobreiro. Foi ali que conhecemos Madalena, uma jovem simpática,mas sem muita beleza física. Ela era membro da igreja de J.Figueroa. Naquele culto, como era costume acontecer, J. Figueroapregou com uma unção assoberbante. Os anos passaram e por diversas oportunidades tive oprivilégio de ouvir J. Figueroa pregando. Certo dia, ao chegar notemplo onde me congregava, observei que um grupo de irmãosconversava reservadamente. Pelo baixo tom de voz deduzi que oassunto era sigiloso. Ao me aproximar mais um pouco, ouvi afrase que gostaria de jamais ter ouvido na minha vida: J. Figueroacaiu em adultério com a Madalena. Fiquei estupefato ouvindoaquele irmão ainda com sua voz embargada continuar o seurelato. Aquele irmão continuou a sua narrativa dizendo que J.
  • 14. www.ebooksgospel.com.br/blogFigueroa envolveu-se com Madalena quando a aconselhava emseu gabinete pastoral. Muitas vezes ouvimos relatos como este, não é novidadepara ninguém. Mas o que leva um obreiro tão bem-sucedido emseu ministério a jogar tudo fora para desfrutar de uma aventurasexual? Por que alguém estaria disposto a destruir não somente asua vida, mas também a sua família? A última vez que tive notí-cias de J. Figueroa, ele havia abandonado a sua família para jun-tar-se a uma outra mulher, que não era a Madalena. Segundo umamigo que o conhece de perto, a vida daquele ex-obreiro tornou-seum verdadeiro inferno. Por quê? Um Simples Fenômeno de "Transferência"? Para um psicanalista experiente, o que ocorreu entre J.Figueroa e a jovem Madalena foi simplesmente aquilo que osanalistas denominam de transferência.2 A jovem Madalena teriaprocurado J. Figueroa para ser aconselhada acerca de umadesilusão sentimental que tivera. J. Figueroa querendo melhorajudar a Madalena procurou conhecer melhor a sua história. Osdois tornaram-se muito íntimos durante as sessões deaconselhamento. Por fim, estavam completamente apaixonadosum pelo outro. O fim você já conhece. De acordo com a teoriapsicanalista, aquela jovem viu em J. Figueroa a figura de seu pai.Um modelo ideal que ela projetou como sendo perfeito. J. Figueroatornou-se seu príncipe encantado, o homem que ela sempresonhara. A relação pastor/ovelha, devido às suas peculiaridades,acabou por criar esse fenômeno da transferência. O aconselhadoenxerga em seu conselheiro o seu herói, a partir daí projeta emsua mente que essa é a pessoa que ele precisa em sua vida. Nãomedirá esforços para ter uma aproximação maior com o seumodelo. Fará de tudo para agradar-lhe: desde presentes atémesmo a gratificação sexual. Todo pastor de alguma forma envolve-se no ministério deaconselhamento. Não há como escapar dessa prática, os membrosnecessitam de uma palavra de seu pastor. Essa proximidadepeculiar ao próprio ministério de aconselhamento cria ascondições para que fatos como esse aconteçam. Mas seria esse umfenômeno meramente psicanalítico? Acredito firmemente que não. Um Dardo Apontado para Você Há um tempo tive uma experiência que me fez lembrar dahistória de J. Figueroa. Eram aproximadamente 2h30min damadrugada de uma segunda-feira quando acordei. O sonho queacabara de ter deixou-me inquieto. Sonhara que um de meusirmãos que mora em um outro estado da federação acabara de
  • 15. www.ebooksgospel.com.br/blogchegar. Ele vestia roupas militares, trazia uma mochila sobre ascostas, os seus gestos demonstravam que viera em uma missão.Havia muito tempo que não o via; quando o contemplei, indaguei-o: "O que trouxe você aqui?" A sua resposta foi direta: "Vim paraavisar-lhe que há um dardo apontado para você". Foi quandodespertei. Nessa época, era funcionário da Polícia Federal, e à noitedava aulas em uma escola teológica. Naquele dia fui para o serviçomuito pensativo, indagava para mim mesmo: O que isso querdizer? No meu íntimo, sentia que alguma investida do Diabo estavaa caminho, mas não sabia como isso aconteceria. Na quarta-feira encontrava-me na instituição teológica daqual era professor. Não fosse um pequeno incidente ocorrido comuma aluna, aquele seria um dia normal como os outros. Aquelaaluna parecia estar com muito mau humor, procurei estimulá-lapara a aula, afinal era uma das melhores alunas da minha disci-plina. Os meus esforços foram em vão. Terminada a aula, uma desuas colegas confidenciou-me algo que me fez estremecer. Per-guntou-me se eu sabia a razão que levara aquela aluna a estar tãomal- humorada. Respondi negativamente, e ela então completou:"Ela está apaixonada por você". Jamais imaginara que aquilo fosse de fato verdade. A partirda revelação feita por aquela jovem, as imagens daquele sonhoque tivera dias antes começaram a fluir na minha mente: "Há umdardo apontado para você". Sim, Satanás investira contra mim, eera exatamente sobre aquilo que o Senhor me avisara. A partirdaquele momento comecei a observar de perto todos osmovimentos daquela jovem com respeito a minha pessoa. Descobrique o seu mau humor devia-se ao fato de não haver correspon-dência de minha parte aos seus sentimentos. Não tendo maisnenhuma dúvida sobre seus sentimentos em relação a mim, re-solvi conversar com ela para pôr fim naquele ardil do Diabo. Elaficou embaraçada, pareceu ser pega de surpresa com minha po-sição firme em abortar aquele sentimento, mas por fim desistiu desua fantasia. Aquele dardo inflamado do Diabo fora apagado. OSenhor me deu a vitória. Estou convencido de que forças espirituais são as grandesresponsáveis pela queda de muitos obreiros, muito mais do quetemos imaginado. Em geral, a nossa compreensão desses fatos étirada de algumas conclusões meramente circunstanciais.Precisamos enxergar mais longe. Jack Halford, pastor de umagrande igreja pentecostal nos Estados Unidos da América, chamade batalha espiritual aquilo que um analista comumentedenomina de transferência:
  • 16. www.ebooksgospel.com.br/blog A maior batalha de toda a minha vida espiritual foi talvez travada naépoca em que tomei o importante compromisso de entrar na esfera daplenitude do poder e busca do Espírito Santo. Foi no início do meu ministérioe sem o mínimo interesse da minha parte em "ter um caso" que, devagar, masdefinitivamente, encontrei-me numa armadilha espiritual. Meu casamento erasólido e meu compromisso com Cristo e com a pureza espiritual era forte. Masmeu envolvimento freqüente com uma mulher de igual dedicação evoluiu parauma afinidade que, com o tempo, passou de amizade a uma paixão quaseadúltera. Durante aqueles dias sombrios de uma tentação sexual a que nunca merendi, lutei muito em oração contra os tentáculos emocionais que estavambuscando estrangular minha alma e me arrastar para o pecado. Sozinho emcasa, clamava a Deus — freqüentemente com surtos de linguagem espiritualque brotavam em intercessão pelo meu desamparo. Só posso louvar a graça ea soberania da misericórdia de Deus, por ter sido poupado da perda da minhaintegridade, casamento, ministério — minha vida!"1 Ao denominar sua experiência de armadilha espiritual,Halford interpretou corretamente a natureza desse conflito. Sóteremos alguma chance diante de uma guerra dessa magnitude,se possuirmos a consciência de que ela está sendo travada emoutro plano — nas regiões celestiais (Ef 6.12). Isso, no entanto, não é uma forma de nos eximir de nossaresponsabilidade moral, pondo a culpa somente no Diabo. Fala-remos mais adiante sobre a voluntariedade de nossas ações comouma condição necessária para que sejamos culpados ou inocen-tados moralmente. Somos feitos por Deus seres livres e com ca-pacidade de escolha. Todavia, não podemos esquecer de que "Nãotemos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra osprincipados, contra as potestades, contra os príncipes das trevasdeste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugarescelestiais" (Ef 6.10-12). Sim, as Escrituras afirmam enfaticamente que o Diabo estáem oposição não somente aos obreiros, mas a todos os crentes.Essa oposição, no entanto, não deve ser entendida como sendosinônimo de domínio. Para que não fique a impressão de queestou dizendo que os demônios tem super poderes sobre oscrentes, estarei colocando no final deste livro dois apêndices quefazem parte de um texto que escrevi tempos atrás sobre esseassunto.4 No Apêndice A, procurei mostrar que é completamenteequivocada a crença que dá super-poderes aos demônios. Deve serobservado ainda que uma coisa é o cristão ser influenciado pelosdemônios, outra, completamente diferente, é os demônios pos-suírem o crente. No Apêndice B, procuro mostrar também umcorreto entendimento sobre a natureza do pecado, a fim de quenão o subestimemos. O crente não pode denominar de operaçãodemoníaca aquilo que as Escrituras chamam de obras da carne.
  • 17. www.ebooksgospel.com.br/blogPrecisamos separar o joio do trigo e saber também que somosagentes morais. Notas 1 Os nomes aqui são fictícios, mas a história é verídica. 2 "Designa em psicanálise, o processo pelo qual fantasias in-conscientes se atualizam no decorrer da análise e se exteriorizamna relação com o analista" (DORON, Roland & PAROT, J.Figueroae. Dicionário de Psicologia. Ed. Ática, São Paulo SP, 1998). 3 HAIFORD, Jack. A Beleza da Linguagem Espiritual. EditoraQuadrangular, São Paulo — SP, 1996. 4 GONÇALVES, José. Sabes o Grego? — Tira Dúvidas deGrego Bíblico. Edições do autor, Altos — PI, 2001. 3 SOB FOGO INIMIGO
  • 18. www.ebooksgospel.com.br/blog "Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar." 1 Pedro 5.8 Adeodato Campos ainda é bem jovem, recentemente casou-se com Selena. Já assistira Adeodato pregando o evangelho, massó recentemente convidei-o a pregar na minha igreja. Seu sermão,aliás, como de costume foi vigoroso, mas com um detalhe-Adeodato atacou duramente naquela noite as forças infernais. Nomeu íntimo parecia que ouvi o Espírito Santo dizer-me: "Adeodatosofrerá uma oposição satânica sem precedentes na sua vida".Nada lhe disse naquela ocasião. Com o tempo fiquei mais íntimoda família Campos. Certo dia, fui procurado pela esposa deAdeodato; queria falar-me dos conflitos conjugais que estavampassando. Conflitos no casamento não são raros, principalmentepara cônjuges recém-casados. Os pastores já estão habituados alidar com esse tipo de problema. A prática do aconselhamentoacaba por fazer os ministros bem treinados para encararem essetipo de problema. Pois bem, nas primeiras semanas procurei ajudá-los,usando algumas técnicas de aconselhamento usadas com êxitosem casos similares, mas parecia que nada mudava a situação. Porfim, a esposa de Adeodato confidenciou-me que já havia tomado adecisão de abandoná-lo, pois, segundo me disse, não agüentavamais a forma como ele a tratava. Fiquei alarmado. Ali estava umafamília que estava se desmoronando e eu nada podia fazer. Foientão que lembrei daquelas palavras que vieram à minha cabeçaem que Adeodato sofreria uma oposição satânica sem precedentes.Resolvi chamá-lo para contar-lhe esse fato novo. Enquanto falava,Adeodato baixou a cabeça pensativamente. Ele parecia concordarcom cada palavra que ouvia. O conflito estava em outro plano eprecisava acordar para esse fato. A sua luta não era contra a suaesposa, mas contra os principados e as potestades. Todos osvalentes se confrontarão com as forças do inferno, devemos estarpreparados para esses embates. Nunca esqueci de algo que DavidWilkerson disse acerca dos valentes em um de seus livros. Coraum discernimento incomum, esse profeta americano, alertou atodos os valentes sobre esse confronto: Você já deve ter ouvido falar de Kathryn Kuhlman, de São Petesburgo,ministra usada de forma muito poderosa por Deus no ministério de cura e jáfalecida. Deus bondosamente permitiu-me trabalhar naquela cidade por maisde cinco anos e durante esse tempo eu e minha esposa, Gwen, pudemos
  • 19. www.ebooksgospel.com.br/blogconhecê-la melhor.Lembro-me do tom calmo de sua voz quando discutíamossobre Satanás e os poderes das trevas. Certa ocasião, contava-lhe acerca donosso trabalho com viciados em drogas e álcool na cidade de Nova Iorque,quando notei que ficou entristecida. Ela deve ter imaginado que eu estavaindiferente ao assunto, uma vez que se relacionava com atividadesdemoníacas. E serenamente observou: "David, jamais fique despreocupado emrelação às batalhas espirituais ou poderes satânicos. Este é um assuntosério!"Até onde pude perceber, Kathryn nunca temeu Satanás ou os demônios.Porém, jamais considerou principados e poderes das trevas um problema leve.Deus concedeu-lhe olhos espirituais para ver parte da guerra travada noslugares celestiais.Jesus conhecia a violência de Satanás e as armas que usavapara peneirar o povo de Deus. Acho que nenhum de nós pode compreenderquão grande é a batalha travada hoje no campo espiritual nem perceber adeterminação de Satanás em destruir os crentes que colocaram em seuscorações o firme propósito de andar com Cristo. Porém, em nossa caminhadatemos de cruzar a linha da obediência. No momento em que cruzamos a linhade obediência à Palavra de Deus e dependência exclusiva de Jesus tornamo-nos uma ameaça para o reino das trevas e alvo importante de seusprincipados. O testemunho de quem se volta para o Senhor de todo o coração incluisúbitos e estranhos problemas ou provações. Se você cruzou essa linha, entãoestá agitando o mundo invisível. Todos nós experimentamos algum tipo detormento do inferno. [...] Lembro de um jovem evangelista poderosamente usado por Deuspara curar enfermos. Possuía uma unção especial e havia recebido revelaçãoda Palavra. A mão de Deus estava sobre ele. Porém, ele e sua esposacomeçaram a se desentender e separaram-se. Os olhos do evangelista caíramentão sobre uma jovem mulher. Ele sabia estar errando em cortejá-la, edecidiu ser "apenas um amigo". Ligava-lhe duas ou três vezes ao dia "parafalar de Jesus". Resultado: divorciou se e casou-se com ela. Seu ministério continuou, mas era apenas uma sombra do passado. Ojovem evangelista perdera Deus. Seu exemplo serve-nos de advertência.1 Satanás Têm Tentado Destruir sua Vida Naquela noite, o pequeno templo da Assembléia de Deus, lo-calizado no bairro "todos os santos", na capital do Piauí, estavacompletamente lotado. Eu havia sido convidado para ser o prega-dor em um culto promovido pelos jovens. Preguei uma mensagemintitulada: Dai de graça, porque recebestes de graça, baseado notexto do Evangelho de Mateus 10.8. O poder de Deus se revelou deuma forma especial. Mostrei durante o meu sermão como fomosalcançados pela graça de Deus, e que agora deveríamos tambémde graça levar avante as insondáveis riquezas de Cristo. Observeique a igreja correspondera à mensagem da cruz, um mover doEspírito se fez notório. Choros se misturavam às enunciações emlinguagem espiritual. O ambiente se tornou maravilhoso. Já estava chegando o momento de encerrar a mensagem,quando observei um jovem deslocar-se em direção ao púlpito.Parecia estar em êxtase, falava em voz audível em uma linguagemespiritual. Colando-se na minha frente, ainda transbordando do
  • 20. www.ebooksgospel.com.br/blogEspírito Santo, ele começou a dizer: "Meu servo, eu te ungi para oministério, Satanás tem procurado destruir tua vida, mas tenho tedado grandes livramentos". Como numa fração de segundos,dezenas de eventos relacionados a livramentos que o Senhor haviame dado vieram-me à mente. Ele continuou: "Satanás intentarácontra tua vida nesta noite, mas eu te livrarei, assim diz oSenhor". Comecei a chorar de gratidão diante do Senhor, sabiaque tudo aquilo era verdade; se ainda estava de pé pregando a suaPalavra, era por causa da sua misericórdia. Naquela noite, despedi-me dos irmãos, chamei ocompanheiro que andava comigo e voltamos para a nossa cidadede origem. Ainda bem próximo daquela igreja, procuravamanobrar o carro em frente a um barranco, quando de repenteperdi o controle do carro. Na nossa frente estava um buraco feitopara o deslocamento do trem, a sua profundidade era deaproximadamente uns cinco ou seis metros. Quando percebi que oveículo iria cair naquela cavidade, tentei freá-lo, mas meusesforços foram em vão. Quando me dei conta o carro já haviacruzado a rua e passado por cima do meio fio. O veículo ficoususpenso no meio fio como numa espécie de gangorra, tanto asrodas traseiras como as dianteiras ficaram suspensas no ar. Oautomóvel ficou com sua bandeja (ou seu centro) apoiado sobre omeio fio. Um movimento em falso e cairíamos direto naqueleabismo. O irmão que andava comigo, vendo que eu tentava sair doveículo, e que esse gesto poderia fazer o carro precipitar buracoadentro, falou com voz temerosa: "Cuidado, pois senão o carrodesce". Apesar de tudo isso, eu parecia não demonstrar a menorpreocupação, a profecia ouvida minutos antes falava ainda bemalto aos meus ouvidos: "Eu te darei livramento". Sim, o Senhor jáhavia providenciado o livramento. A única marca daquele acidentefoi um pequeno arranhão na pintura do meu carro, que foraprovocado por minha aliança quando eu e mais dez irmãosretirávamos aquele veículo dali. Glória a Deus! Com certeza há acidentes provocados por causas diversastais como imprudência, embriaguez, falhas mecânicas, etc, nãoquestiono isso. Não podemos associar diretamente todos osacidentes que ocorrem às ações de demônios, mas naquela noitenão tive dúvidas de que sofrerá um ataque de Satanás. O apóstolo Pedro demonstrou estar consciente desseconflito, ele exorta aos crentes a manterem a sobriedade e avigilância: "Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário,anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possatragar" (1 Pe 5.8).
  • 21. www.ebooksgospel.com.br/blog Alguns Detalhes Revelados nesse Texto 1. A palavra sóbrios traduz o termo grego nephôs, ocorrendoseis vezes no texto grego do Novo Testamento. 2 Esta palavra tem osignificado de "manter a mente limpa, ser sábio". E no gregoclássico significava ainda "abster-se de vinho".3 Vejamos em que contexto ela aparece no Novo TestamentoGrego: a) Em 1 Tessalonicenses 5.6: "Não durmamos, pois, como osdemais, antes vigiemos e sejamos sóbrios". b) Em 1 Tessalonicenses 5.8: "Mas nós, que somos do dia,sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade etendo por capacete a esperança da salvação". Nestes textos, oapóstolo Paulo usa esse termo após afirmar que "não somos danoite nem das trevas" (v. 5). c) Em 2 Timóteo 4.5: "Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as afli-ções, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério".Nesta passagem o apóstolo usa essa palavra após falar do pro-gresso da apostasia: "e desviarão os ouvidos da verdade, voltandoàs fábulas" (v. 4). d) Em 1 Pedro 1.13: "Portanto, cingindo os lombos do vossoentendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça quese vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo". Pedro fala em umcontexto em que os crentes de seus dias são exortados a não maisse amoldarem às "concupiscências que antes havia em vossaignorância" (v. 14). e) Em 1 Pedro 4.7: "E já está próximo o fim de todas ascoisas; portanto, sedes sóbrios e vigiai em oração". Anteriormenteo apóstolo fala do rompimento que o crente deve ter com opassado: "Porque é bastante que, no tempo passado da vida,fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções,concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedices eabomináveis idolatrias" (v. 3). Quer se refira ao domínio exercidoanteriormente por Satanás, quer ao poder que a antiga naturezapossuía sobre os cristãos, essas Escrituras nos exortam atomarmos consciência da nossa nova posição espiritual. Háinimigos de todos os lados. 2. A palavra vigilante traduz o termo grego grcgoréô, queocorre 22 vezes no texto grego do Novo Testamento.4 Esse termo
  • 22. www.ebooksgospel.com.br/blogmantém o significado de ficar acordado, vigiar. De acordo com Frietz Rienecker, o tempo verbal grego aquiusado, o aoristo, soa agudamente como: "Estejam alerta! Sejamvigilantes!" A confiança em Deus não deve levar à preguiça; abatalha espiritual que enfrentamos demanda vigilância." Ao falar sobre o rugir do leão, o pastor Mike Taliaferro, quepastoreia o rebanho de Deus na África do Sul, nos mostra comprecisão o que o apóstolo tinha em mente ao comparar as táticasdo Diabo as de um leão caçando: Já vi leões caçando. Eles vivem em seu próprio território e nãocostumam perseguir as manadas migratórias. Ao contrário, caçam numa áreaespecífica. Quando um rebanho se aproxima de seu território, espreitam delonge. Os leões conhecem a direção do vento e sabem se colocar numa posiçãocontrária, para que a presa não perceba sua presença. Muitas vezes,entretanto, não importam se a manada os percebe, tal a confiança que têm emsi mesmos. Os leões costumam perseguir uma manada, sem pressa, sem correria,gerando medo nos animais. Ele deseja vê-los em disparada, assombrados. Aosolhos humanos, o recuo da manada é algo normal, mas não para o leão. Ele vêali o seu almoço. Observa os animais velhos, cansados e feridos da manada.Aquele que estar levemente manco, algo imperceptível ao olho humano, éprontamente notado pelo leão. Ele assusta a manada, a fim de destacar ofraco. Depois de escolher a presa, ele deixa todos os outros de lado, para saltarsobre o que foi escolhido.6 Sim, os valentes estão sob o fogo do Inimigo, entretanto,muito mais sob a proteção do sangue do Cordeiro de Deus. Nãodevemos temer. Fiquemos debaixo de suas potentes mãos. Notas 1 WILKERSON, David. Faminto por mais de Jesus. CPAD, Riode Janeiro, RJ, 1992. 2 HUGO, M. Petter. Concordância Greco — Espanola delNuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona, Espanha. 3 PEREIRA, Isidro. Dicionário Grego — Português e Português- Grego. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto - Portugal. 4 HUGO, M. Petter. Concordância Greco — Espanola delNuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona — Espanha. 5 RIENECKER, Fritz. Chave Lingüística do Novo TestamentoGrego. Edições Vida Nova, São Paulo — SP. 6 TALIAFERRO, Mike. Citado em A Batalha — como Derrotaros Inimigos de nossa Alma. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 1999.
  • 23. www.ebooksgospel.com.br/blog 4 UM PASSADO CANANEU O Voto Precipitado "Era, então, Jefté, o gileadita, valente e valoroso, porém filho
  • 24. www.ebooksgospel.com.br/blogde uma prostituta; mas Gileade gerara a Jefté. Também a mulherde Gileade lhe deu filhos, e, sendo os filhos desta mulher jágrandes, repeliram a Jefté e lhe disseram: Não herdarás em casade nosso pai, porque és filho de outra mulher. Então, Jefté fugiude diante de seus irmãos e habitou na terra de Tobe; e homenslevianos se ajuntaram com Jefté e saíam com ele. E aconteceuque, depois de alguns dias, os filhos de Amom pelejaram contraIsrael. Aconteceu, pois, que, como os filhos de Amom pelejassemcontra Israel, foram os anciãos de Gileade buscar Jefté na terra deTobe. E disseram a Jefté: Vem e sê-nos por cabeça, para quecombatamos contra os filhos de Amom. Porém Jefté disse aosanciãos de Gileade: Porventura, não me aborrecestes a mim e nãome repelistes da casa de meu pai? Por que, pois, agora viestes amim, quando estais em aperto? E disseram os anciãos de Gileadea Jefté: Por isso mesmo tornamos a ti, para que venhas conosco, ecombatas contra os filhos de Amom, e nos sejas por cabeça sobretodos os moradores de Gileade. [...] E Jefté fez um voto ao SENHOR e disse: Se totalmentederes os filhos de Amom na minha mão, aquilo [ou aquele] que,saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eudos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecereiem holocausto. Assim, Jefté passou aos filhos de Amom, acombater contra eles; e o SENHOR os deu na sua mão. E os feriucom grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite, vintecidades, e até Abel-Queramim; assim foram subjugados os filhosde Amom diante dos filhos de Israel. Vindo, pois, Jefté a Mispa, à sua casa, eis que a sua filha lhesaiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela só, a única;não tinha outro filho nem filha. E aconteceu que, quando a viu,rasgou as suas vestes e disse: Ah! Filha minha, muito me abatestee és dentre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca aoSENIIOR e não tornarei atrás. E ela Ihe disse. Pai meu, abriste tua tua boca ao SENHOR; faze de mim como saiu da tua boca, poiso SENHOR te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom. Dissemais a seu pai: Faze-me isto: deixa-me por dois meses que vá, edesça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhascompanheiras. E disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses. En-tão, foi-se ela com as suas companheiras e chorou a suavirgindade pelos montes. E sucedeu que, ao fim de dois meses,tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinhafeito; e ela não conheceu varão. E daqui veio o costume em Israel,que as filhas de Israel iam de ano em ano a lamentar [ou celebrar]a filha de Jefté, o gileadita, por quatro dias no ano" (Jz 11.1-8;30-40, grifo do autor).
  • 25. www.ebooksgospel.com.br/blog Há uma farta literatura comentando este texto dasEscrituras, a grande parte sobre o voto precipitado que Jeftéfizera. Há aqueles que defendem que ele não sacrificou a sua filhaconforme o texto dá a entender, por outro lado há os que estãoconvictos de que Jefté de fato matou a sua filha. Há erudição deambos os lados. Li dezenas de comentários sobre esse assunto, mas um delesescrito pelo erudito no Antigo Testamento Samuel J. Schultz mechamou a atenção. Schultz nos mostra ambas as posições, masaqui reproduzirei apenas aquela que ao meu ver se ajusta melhorao contexto do livro de Juizes: Teria Jefté, realmente, sacrificado sua filha para cumprir seu voto?Nesse dilema por certo ele não teria agradado a Deus com um sacrifíciohumano, o que, em parte alguma das Escrituras, conta com a aprovaçãodivina. De fato, esse foi um dos pecados grosseiros por cuja causa oscananeus deveriam ser exterminados. Por outro lado, como poderia eleagradar a Deus se não cumprisse seu voto? Embora os votos fossem feitosvoluntariamente em Israel, uma vez que uma pessoa fizesse um voto ficavaobrigado a dar-lhe cumprimento (veja Nm 6.1-21). O que fica claramenteimplícito em Juizes 11 é que Jefté cumpriu o seu voto (veja v. 39). Mas amaneira pela qual o fez tem sido sujeita a várias interpretações. Que os líderes não se moldavam à religião pura, nos dias dos Juizes, épatente no registro bíblico.1 Jefté, que tinha um passado meio cananeu, podeter se conformado aos costumes pagãos dominantes, ao sacrificar sua própriaMina.2 Visto que os montes eram considerados símbolos de fertilidade peloscananeus, sua filha se retirou para as montanhas, a fim de lamentar suavirgindade, para evitar qualquer possível rompimento na fertilidade da terra.Periodicamente, a cada ano, donzelas israelitas passavam quatro dias areinterpretar o lamento da jovem sacrificada".3 Jefté possuía um passado meio cananeu. E esse passadocananeu o calcanhar de Aquiles de muitos valentes. Já sabemospelas Escrituras que "se alguém está em Cristo, nova criatura é:as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co5.17). O passado não deveria ser mais problema, mas a verdade éque ele ainda continua sendo para muitos. No Apêndice B procuromostrar que o problema do nosso velho homem, nosso antigo eu,já foi resolvido na cruz do calvário (Rm 6.6); esse é um fato incon-testável, porém não há como negar que muitos crentes continuamainda prisioneiros de seu passado. Satanás encontra aí uma portapara levá-los à queda. Conheci um pregador famoso que teve seu ministério preju-dicado, devido a uma ação de divórcio impetrada por sua esposa.Quando eu soube do acontecido, disseram-me que sem uma razãoaparente, aquela senhora acionou seu esposo perante a justiça. Ocasamento acabou. Anos depois conversei com um irmão queconhecia de perto aquele casal. Ele me informou que mesmo antes
  • 26. www.ebooksgospel.com.br/blogde se casarem, aquela esposa possuía um ciúme doentio poraquele irmão. Ele saia muito de casa para atender aos inúmerosconvites que recebia para pregar. Depois de muitos anos decasados, ela começou a imaginar que ele tinha outras mulheres.Foi essa herança do passado que Satanás usou para arruinaraquele ministério tão belo. Eu também já tive problemas com o passado, "ainda hojecontinuo mortificando os feitos do corpo pelo Espírito" (Rm8.12,13).4 Antes de conhecer ao Senhor Jesus, eu conhecera omundo, converti-me com a idade de dezoito anos. Pois bem, comoa grande maioria dos nossos jovens não evangélicos, a minha se-xualidade foi despertada precocemente. Tempos depois de minhaconversão, verifiquei que antigos desejos de lascívia estavamvoltando com muita intensidade. Travei uma luta árdua contra aminha natureza terrena. Procurei disciplinar hábitos que detecteicomo sendo pecaminosos, a luta diminuiu a sua intensidade, masparecia ainda querer dominar-me. Resolvi fazer um jejum. Deinício programei um jejum de três dias, quando estava chegandoao seu final, resolvi continuar por mais três, e assim continuei atécompletar um período de quinze dias. Foi durante esse período de abstinência que tive a nítidapercepção que estava lutando não somente contra a minha carne,mas também com as forças espirituais do mal. No décimo segundodia, tive um sonho em que me vi numa grande luta e um cãoenorme ladrando próximo de mim. Quando acordei, tive a sen-sação de que aquele cão simbolizava a ação de demônios. Nodécimo terceiro dia, aproximadamente às 19:00 horas, encontra-va-me sentado na sala da biblioteca, quando me pareceu ouvir avoz de alguém próximo a mim: "Antes que complete os quinzedias, esse espírito que te resiste cairá". Não tive dúvidas de quefora o Senhor que me falara. Na noite do décimo quarto dia para odécimo quinto, tive um outro sonho. Nele, me encontrava em umaavenida da cidade, do lado oposto vi minha esposa em um pontode ônibus. Observei que ela estava acompanhada de uma pessoaque identifiquei como sendo um missionário que eu conhecia.Observei que aquele homem com grande astúcia estavaassediando minha esposa. Fiquei preocupado, pois observei queela não estava sabendo das reais intenções daquele homem. Oônibus chegou e minha esposa entrou nele, nesse momento aque-le indivíduo fez um pequeno bilhete em forma de um "aviãozinho"e jogou para dentro daquele ônibus. Aconteceu algo que ele nãoesperava: o bilhete entrou por uma janela do ônibus e saiu pelajanela oposta, vindo na minha direção. Quando ele percebeu o quehavia acontecido, correu desesperado no meu rumo tentandopegar o bilhete antes de mim, mas quando chegou eu já estava
  • 27. www.ebooksgospel.com.br/blogcom o bilhete em mãos e já havia lido o seu conteúdo. Naquelepapel havia frases de conteúdo sedutor. Quando ele se aproximoude mim foi logo dizendo que não era nada daquilo que eu estavapensando. Nesse momento, disse-lhe que já sabia de tudo, poishavia lido o bilhete; ele então emudeceu. Falei que o seu projetohavia falhado e olhando para cerca de seis soldados do exércitoque estavam ao meu lado, falei: se você quiser me resistir, saibaque eu não estou só, há todos esses soldados do meu lado,prontos para agir a um comando meu. Ele então se retirou.Acordei. Olhei para o relógio, eram aproximadamente 3 horas damadrugada. Sentado na minha cama, o Espírito Santo começou a dar-meo significado daquele sonho. A minha esposa que estava sendoassediada significava o meu ministério que estava sendo seduzido.O missionário que eu conheci significava o demônio que estava in-flamando os desejos do velho homem. O Senhor me deu a enten-der que a camuflagem de missionário que ele usava significava asua perspicácia na sua ação (2 Co 11.14). A sua intenção era queeu pensasse que estava tratando apenas com desejos que erammeus, meramente humanos, e que eu os poderia vencê-los semmuito esforço. O conteúdo do bilhete era toda aquela guerramental que estava sendo travada. O Senhor ainda me mostrouque a oração associada ao jejum foram os responsáveis pelainterceptação daquele bilhete, trazendo revelação sobre todo o seuardil. Os soldados eram anjos que vieram pelejar a meu favor (Hb1.14). A batalha estava terminada, o Senhor havia me dado avitória. Tenha cuidado com o seu passado cananeu, mantenha elesob a cruz, não deixe ele se transformar em uma arma nas mãosdo Diabo. Notas 1 Gideão fez uma estola de ouro, que fez os israelitas pende-rem para a idolatria. A vida de Sansão esteve longe de ser umexemplo de religião pura. 2 Esse ponto de vista foi mantido por intérpretes judeus atéao século XII d.C. 3 SCHULTZ, Samuel J. A História de Israel no AntigoTestamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SF, 1986. 4 Tony Evans comenta: "Deixe-me dizer duas coisas objetivas.A primeira é que a Bíblia nunca o condena por ser homem e terdesejos de homem. Deus o fez desse jeito. Seus desejos são coisasnormais e você vai morrer com eles. Portanto, a resposta à tentaçãonão é negar quem e o que você é. A Segunda é que a Bíblia nuncapermite que você apresente desculpas para o pecado baseadas em
  • 28. www.ebooksgospel.com.br/blogsua masculinidade e seus desejos normais dados por Deus. Porquê? Porque suas tentações para pecar não são de Deus (Tg1.13-16) e porque Deus fornece armas para que tenhamos vitóriasobre a tentação" (citado em Vitória Sobre a Tentação, obra citada). 5 O RELATIVISMO MORAL E A QUEDA DOS VALENTES "Não há nenhum relativista que goste de ser tratado relativamente." Josh MacDowell Séculos após séculos o padrão moral da civilização ocidental
  • 29. www.ebooksgospel.com.br/blogvem sofrendo corrosão. O impacto provocado por essa relatividadeda cultura têm surtido um efeito devastador. A linha divisóriaentre o moral e o imoral é cada vez mais tênue. Sem padrõesmorais bem definidos, o valente está à mercê das investidas doDiabo. Ainda me lembro de que quando fazia faculdade de filosofiaem uma Universidade Federal, tínhamos uma professora dehistória da filosofia que era uma verdadeira sumidade. Todosgostavam das suas aulas, ela se destacava dos demais professoresgraças a sua erudição. Certa vez, durante uma de suas aulas,exaltava o pensamento de determinado filósofo. Quando eu eoutros colegas nos posicionamos contrariamente àquele pensa-mento, ela esbravejou: "Eu não aceito juízo de valores". Podíamostudo, menos emitir uma idéia contrária ao pensamento daquelefilósofo a quem ela fizera referência. Por quê? Por que tudo erarelativo, não havia verdades absolutas, ninguém segundo elapodia dizer que estava com a verdade. Afinal, não há um certo e um errado? É impossível falarmosde valores que norteiam a vida do cristão, sem nos referirmos aproblematicidade da ética e da moral. Mas o que é moral? Ou em palavras mais simples: o que écerto e o que é errado? É possível estabelecermos um padrão quedistinga o certo do errado? A discussão em torno dos problemas éticos e morais não énova. Aristóteles escreveu um volumoso tratado em dez volumesdenominado de "Ética a Nicômaco", no qual trata em minúcias dosproblemas éticos. Todavia, muito tempo antes do filósofo grego,Hamurabi (século XVIII a. C.) deu ao mundo o seu famoso "Códigode Hamurabi", um tratado sobre problemas éticos, jurídicos emorais. No Antigo Testamento, encontramos o Pentateuco, obraescrita pelo legislador hebreu Moisés, onde nos seus cinco livrosencontra-se uma vasta explanação acerca de problemas éticos emorais. Adolfo Sanchez Vazquez faz distinção entre ética e moral.Para esse filósofo mexicano, a ética "é a teoria ou ciência do com-portamento moral dos homens em sociedade",1 enquanto a moral"é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, queregulam o comportamento individual e social dos homens".2 Pela definição de Vazquez, a moral seria aquilo que está nocampo da prática — normas sociais que regulam o nosso dia-a-dia— e a ética, uma reflexão acerca dessa prática moral. Em palavrasmais simples, a ética e a moral se complementam, enquanto uma(a moral) regula as nossas ações em sociedade, a outra (ética)reflete sobre o significado dessa ação. Pois bem, tudo que falamos até aqui nos leva a um outroquestionamento não menos importante: qual a origem da ética e
  • 30. www.ebooksgospel.com.br/blogda moral? Em outras palavras, qual a origem ou a causa dosnossos valores? A Fonte da Moral Ao longo da história, três fontes são dadas comooriginadoras do comportamento moral: Deus, a natureza e ohomem. Deus - Se Deus é a origem de nosso comportamento moral,isso significa dizer que nesse caso a moral é algo exterior aohomem, isto é, a moral não é criação humana, mas algo que lhe édado. A moral baseada na divindade é uma moral revelada, quetranscende ao próprio homem. Podemos denominá-la de moralvertical. Natureza - A crença de que o homem em nada difere dasoutras coisas criadas gerou uma moralidade horizontalizada. Oinstinto biológico seria então o agente regulador do comporta-mento moral humano. Com o advento do pós-modernismo, cor-rente filosófica que ganhou força a partir das décadas de 60 e 70,esse pensamento ficou em evidência. Para os holístas, o homemdeve estar em perfeita harmonia com a natureza, afinal é um todoharmônico, dizem. O homem - Nesse caso os valores morais são criação do pró-prio homem. É o homem quem estabelece os valores. Mais adianteneste trabalho, veremos como essa forma de pensar influencioudrasticamente o pensamento ocidental. Valores Absolutos e Relativos Definir o que é absoluto e o que é relativo tem sido um desa-fio, tanto para a teologia como para a filosofia. Podemos dizer que um valor é absoluto quando ele vale paratodos os povos, em todas as épocas e em todos os lugares; poroutro lado o valor relativo seria o oposto disso. Um valor absolutotem validação universal, enquanto aquilo que se é relativo nãogoza dessa prerrogativa. É contigente ou circunstancial. Na Grécia antiga, surgiu uma escola filosófica denominada"A Sofistica" (os sábios). O seu principal expoente foi Protágoras deAbdera (490-410 a. C). Não há como negar que Protágoras é o paido relativismo ocidental. Ele negava que houvesse valoresabsolutos e eternos. Segundo ele, todos os valores são humanos.É conhecida a frase atribuída a ele: "O homem é a medida detodas as coisas". E interessante conhecermos melhor opensamento desse filósofo grego, para entendermos o que
  • 31. www.ebooksgospel.com.br/blogacontece hoje em nossa cultura no que diz respeito aos valoresmorais. Giovanni Reale, famoso historiador da filosofia, comentasobre Protágoras: A proposta basilar do pensamento de Protágoras era o axioma: "Ohomem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são edaquelas que não são por aquilo que não são". Por medida, Protágorasentendia a "norma de juízo", enquanto por todas as coisas entendia todos osfatos e todas as experiências em geral. Tornando-se muito célebre, o axiomafoi considerado — e efetivamente é — quase a magna carta do relativismoOcidental. Com esse princípio, Protágoras pretendia negar a existência de umcritério absoluto que discriminasse o verdadeiro e o falso. O único critério é somente o homem, o homem individual: "Tal comocada coisa aparece para mim, tal ela é para mim; tal como aparece para ti, talé para ti". Este vento que está soprando, por exemplo, é frio ou quente?Segundo o critério de Protágoras, a resposta é a seguinte: "Para quem estácom frio, é frio; para quem não está, não é". Então, sendo assim, ninguém estáno erro, mas todos estão com a verdade (a sua verdade).1 A Genealogia da Moral Esse relativismo radical de Protágoras influenciou muitospensadores. O alemão Friedrich Nietzsch (1844 - 1900) absorveuprofundamente a filosofia de Protágoras. Ele tornou-se um dosmais fortes inimigos da moral cristã. A sua filosofia influenciou econtinua influenciando o mundo acadêmico. Nietzsch atacou duramente os pensadores gregos Sócrates ePlatão, acusando-os de "domesticar" o ser humano através deprincípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, ohomem primitivo não seguia a normas morais inventadas, masagia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que eledenominava de "vontade de potência". Nietzsch, para ilustrar oseu pensamento recorreu a duas personagens da mitologia grega— os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é aimagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixãosensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo quefaz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates ePlatão fizeram foi "anular" o lado dionisíaco do homem, negandoseus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa"anulação" foi feita através de princípios morais ardilosamenteinventados. Em seu famoso livro: A Genealogia da Moral,4 eleprocura provar que todos os valores morais são criação do própriohomem. Nietzsch acusou também os cristãos de anular esse ladodionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de"moral de escravo". Na sua fúria contra o cristianismo, essepensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de "o mais sangui-
  • 32. www.ebooksgospel.com.br/blognário dos apóstolos". Mas o seu furor contra os valores moraiscristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: "Sócratesfoi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive acristã, foi um equívoco". O Existencialismo e o Relativismo Um outro pensador que influenciou grandemente a nossacultura foi Jean, Paul Sartre (1905-1980). Sartre sofreuinfluências diretamente de Heidegger e indiretamente de Nietzsch.Sartre afirmou: Se Deus não existisse, tudo seria permitido. Ai se situa o ponto departida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe,fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nemfora de si, uma possibilidade a que se apegar [...] Se por outro lado Deus nãoexiste, não encontramos diante de nós valores ou imposições ou desculpas [...]o existencialismo não pensará que o homem pode encontrar auxílio num sinaldado sobre a terra, e que o há de orientar, porque pensa que o homem odecifra mesmo esse sinal como lhe aprouver.1 A moral sartriana não necessita de um ser transcendente,ela é construída a partir da existência do próprio homem. A Fonte da Moral Cristã Vemos, pois, que a problemática ético e moral está centradanaquilo que a fundamenta, ou seja, em sua origem. FoiSchopenhauer (1788-1860) quem disse: "Pregar a moral é fácil,fundamentar a moral é difícil".6 Como vimos, quando Deus não é a fonte ou origem dos valo-res morais, nós não temos uma base sólida para fundamentá-la.Para nós cristãos, o alicerce de nossos valores morais está emDeus, não em um deus qualquer, mas no Deus que se revelou aolongo da história (Gn 12.1-3; Êx 3.1-12). Essa revelação estácodificada na Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática.Para o Cristão, há sim um modelo ou paradigma para as questõesmorais - Deus. Assim sendo, o cristão pode falar de valores universais eeternos. Ele não está sujeito ao relativismo moral, pois o Deus aquem ele serve é universal e eterno. Josh MacDowell, pensador cristão contemporâneo, ilustra aquestão da universalidade e eternidade dos valores em sua regrados três "P" - preceito, principio e pessoa.7 Por trás de todo pre-ceito bíblico, quer seja uma norma quer um mandamento, há umprincípio, que por sua vez se fundamenta em uma pessoa, que éDeus. Nesse caso, para o cristão a norma moral "não adulterarás"tem valor absoluto (universal), pois esse preceito (norma) traz o
  • 33. www.ebooksgospel.com.br/blogprincípio de que ninguém quer ser traído, e que esse princípio temsua origem em um Deus fiel e que não tolera a infidelidade. Damesma forma, a norma "não matarás" trás em si o princípio deque todos têm direito à vida, e a pessoa que a fundamenta — Deus— é o originador da vida. Esse princípio de universalidade dosvalores morais foi um dos pilares da filosofia kantiana: "Age de talmodo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre comoprincípio de uma legislação universal".8 Fica, pois, estabelecido que a origem dos valores morais parao cristão, bem como a sua fundamentação, está em Deus, e que asua forma codificada é a Bíblia Sagrada. Como se comportam aqueles que não têm um padrão quedistinga o certo do errado? A filósofa Maria Lúcia de Arruda Ara-nha, ao falar dos "jeitinhos brasileiros", traz uma revelação inte-ressante sobre o assunto: Todo mundo já ouviu falar do "jeitinho brasileiro". Poder, não pode, massempre se dá um jeito... Muitos até chegam a achar que se trata de virtude acomplacência com a qual as pessoas "fecham os olhos" para certasirregularidades e ainda favorecem outras tantas. Certos "jeitinhos" parecem inocentes ou engraçados, e às vezes até sãovistos como sinal de vivacidade e esperteza; por exemplo, quando se fura a filado banco. Ou então pegar o filho na escola, que mal há em pararem fila dupla? Outros "jeitinhos" não aparecem tão às claras, mas nem por isso sãomenos tolerados: notas fiscais com valor declarado acima do preço para ocomprador levar sua comissão, compras sem emissão de nota fiscal parasonegar impostos, concorrências públicas com "cartas marcadas". O que intriga nessa história toda é que as pessoas que estão sempre"dando um ]eitinho" sabem, na maioria das vezes, que transgridem padrões decomportamento. Mas raciocinam como se isso fosse absolutamente normal,visto que é comum; só eu? e os outros? Todo mundo age assim, quem nãofizer o mesmo é trouxa. Quem não gosta de levar vantagem em tudo?9 É esse relativismo que enfraquece a vida espiritual de muitosvalentes. Certo dia, recebi em minha casa a visita de um amadoirmão. A nossa amizade permitia-nos compartilhar nossas alegriase tristezas. Pois bem, aquele irmão trazia em mãos uma folha depapel escrita, e pediu para que eu a lesse. Lendo-a, logo nasprimeiras linhas percebi que se tratava de uma carta de amor,havia frases como: "Meu bem, eu te amo", "Não posso viver semvocê", etc. Contou-me que uma jovem da sua igreja haviaendereçado-lhe aquela carta. O mesmo filme de sempre — eleestava dando uma de "conselheiro" para aquela jovem. Após umalonga conversa, mostrando-lhe os perigos que ele estava correndo,aconselhei-o a tomar imediatamente uma decisão radical a res-peito daquilo, peguei a carta e rasguei na sua frente. Disse-lhe queda mesma forma ele deveria tratar com aquela situação. Todavia,procurou relativizar o problema. Disse que não era tão grave como
  • 34. www.ebooksgospel.com.br/blogeu pensava, e que estava no controle da situação. Afinal, estavaajudando alguém. Estava equivocado. A última vez que o vi, estavaafastado dos caminhos do Senhor. Quando lemos as Escrituras somos informados do altopadrão moral exigido para os valentes de Deus. Paulo deixou issobem claro na sua carta endereçada a Tito: "Por esta causa, tedeixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas que aindarestam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como játe mandei: aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher,que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissoluçãonem são desobedientes. Porque convém que o bispo sejairrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo,nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçosode torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem,moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a fiel palavra,que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto paraadmoestar com a sã doutrina como para convencer oscontradizentes"(1.5-9). Acredito que esse texto que o apóstoloescreveu a Tito é uma das mais belas exposições bíblicas acercados valores cristãos. No versículo 5, Paulo usa a expressão: epidiorthosê que vemdo verbo grego epidiorthoô, significando "colocar em linha reta,colocar em ordem, endireitar". Para Paulo, os valores que ele iriaexigir daqueles que viessem a ser líderes tinham o poder de "en-direitar, corrigir e colocar em linha reta". Lembramos que a pala-vra epidiorthoô é formada pela junção de três palavras gregas: epi,que é uma preposição significando "sobre, acima de"; dia, umaoutra preposição significando "através de" e orthós cujo significadoé "direito, correto" etc, esta última aparece em Atos 14.10, ondePaulo disse ao paralítico: "Levanta-te direito sobre teus pés" (grifodo autor). O verbo grego na sua forma composta tem seusignificado intensificado. Em outras palavras, o propósito do após-tolo era que Tito seguisse as suas recomendações, e seguindo-ascom certeza estava colocando os valentes de Deus em uma linhareta. Analisemos alguns desses valores: v. 6. Anenklêtos - nossas Bíblias traduzem esta palavra como"irrepreensível". O clássico Dicionário do Novo Testamento Gregode Vine, assim define esta palavra: Significa que não pode ser chamada a pedir contas, isto é, sem acusa-ção alguma (como resultado de uma investigação pública), irrepreensível (1 Co1.8; Co 1.22; Tt 3.10, 1.6,7). Implica não somente mera absolvição, mas ainexistência de qualquer tipo de acusação contra uma pessoa.10 v. 7. Oikonomos - "mordomo, administrador da casa. A pala-vra enfatiza a tarefa a alguém e a responsabilidade envolvida. É
  • 35. www.ebooksgospel.com.br/bloguma metáfora extraída da vida contemporânea e retrata o admi-nistrador de uma casa ou estado."" Esta palavra deu origem anossa palavra portuguesa "economia" e significa primeiramente ogoverno de uma família ou dos assuntos de uma família (oikos -uma casa, nomos - lei), isto é, o governo ou administração dapropriedade dos outros, e por isso se usa de uma mordomia, Lc16.2 [...] nas epístolas de Paulo, se aplica: a) A responsabilidade que lhe foi confiada de pregar o evan-gelho (1 Co 9.17). b) Da administração que lhe foi entregue para que anuncias-se "cabalmente a palavra de Deus". c) Em Efésios 1.10 se usa da disposição ou administração deDeus.12 v. 7. Authade - não arrogante. "Obstinado em sua própriaopinião, teimoso, arrogante, alguém que se recusa a obedecer aoutras pessoas. E o homem que mantém obstinadamente a suaprópria opinião, ou assevera seus próprios direitos e não leva emconsideração os direitos, sentimentos e interesses de outras pes-soas."13 Autocomplacente (autos, auto, e hêdomai, complacente),denota uma pessoa que, dominado pelo seu próprio interesse, esem consideração alguma pelos demais, afirma arrogantementesua própria vontade, "soberbo" (Tt 1.7); "contumaz" (2 Pe 2.10) ooposto de epiekês, amável, gentil (1 Tm 3.3), "um quesupervaloriza de tal maneira qualquer determinação a que elemesmo chegou no passado que não permitirá ser afastado dela".14 v. 7. Orgilos -que não seja: irascível, inclinado à ira, de tem-peramento quente.15 v. 7. Pároinos - não dado ao vinho. Um adjetivo, literalmente,que tem seu entretenimento no vinho (para, en, oinos, vinho), dadoao vinho [...], é provável que tenha o sentido secundário, dos efei-tos da embriaguez, isto é, um ébrio.lb v. 7. Pléktês - não violento. Briguento, espancador. A palavrapode ser literal: "não pronto a bater em seu oponente".17 v. 7. Aischrokerdés - não cobiçoso. Alguém que lucra deso-nestamente, adaptando o ensinamento aos ouvintes a fim deganhar dinheiro deles [...], refere-se ao engajamento em negóciosescusos.18 Este vocábulo é formado por duas palavras gregas:aischros (vergonhoso) e kerdos (ganância). v. 8. Philóksenos - amor aos estranhos, hospitaleiro. v. 8. Philágathos - amigo do bem, amante do que é bom. De-nota devoção a tudo o que é excelente. v. 8. Sóphrona - sóbrio. Denota mente sã (sozo - salvar,phren - a mente); daí, com domínio próprio, sóbrio, se traduz"sóbrio" em Tito 1.8 (a Reina - Valera traduz como "temperado");
  • 36. www.ebooksgospel.com.br/blogem Ti to 3.2, significa "prudente". 19 v. 8. Díkaion - justo, aquele que age com justiça. v. 8. Hósios - devoto, santo. Significa religiosamente reto,santo, em oposição ao que é torto ou contaminado. Estácomumente associada a retidão. Refere-se a Deus em Apocalipse15.4; 16.5 [...] Em Tm 2.8 e Tt 1.8 se utiliza do caráter do cristão,na Septuaginta hósios é freqüentemente tradução da palavrahebraica hasid, que varia entre os significados de "santo" e "mi-sericordioso".20 v. 8. Enkratê - que tenha domínio de si. A Bíblia deJerusalém traduz como "disciplinado". Significa também"autocontrole, completo autodomínio, que controla todos osimpulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade deDeus".21 Denota ainda o "exercício do domínio próprio, alguém queé dono de si mesmo".22 v. 9. Antechómenon - apegado a, firme aplicação. Na vozmédia significa "manter-se firmemente ao lado de uma pessoa".Paulo usa o termo associando ao líder que é apegado à Palavra deDeus. Para nós cristãos, a fronteira entre a verdade e o erro estábem demarcada. Há sim um padrão divino que estabelece a di-ferença entre o certo e o errado. Os valentes de Deus devem terisso bem definido em suas mentes. Agindo de acordo com omodelo divino exposto na Palavra de Deus, o valente não irá terproblemas com o relativismo moral. Notas 1 VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Ed. Civilização Brasileira.Rio de Janeiro, 1998 2 Id. Ibid. 3 REALE, Giovanni. História da Filosofia, vol. I. Ed. Paulus.São Paulo - SP, 1990. 4 NIETZSCH, Wilhelm. A Genealogia da Moral. EditoraMorais Ltda. São Paulo - SP, 1991. 5 SARTRE, Jean - Paul, O Existencialismo é um Humanismo.Coleção os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural. 6 SCHOPENHAUER, Arthur,. Sobre o Fundamento da Moral.Ed. Martins Fontes, São Paulo - SP, 1995. 7 McDOWELL, Josh. Certo ou Errado. Editora Candeia, SãoPaulo, 1997. 8 KANT, Emmanuel Crítica da Razão Prática. EditoraEdiouro, Rio de Janeiro - RJ. 9 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Temas de Filosofia. Edito-ra Moderna. São Paulo - SP, 1992. 10 VINE, W. E. Diccionario Expositivo de Palabras dei Nuevo
  • 37. www.ebooksgospel.com.br/blogTestamento. Vol. 2. Ed. CLIE. Barcelona-Espanha. 11 RIENECKER, Fritz. Chave Lingüística do Novo TestamentoGrego. Ed. Vida Nova, São Paulo, 1988. 12 VINE, W.E. op. cit. Vol. 1 13 RIENECKER, Fritz. Opc.cit. 14 VINE, W.E. op.cit. vol. 2 15 RIENECKER, Fritz, Chave Lingüística do Novo TestamentoGrego. Op.cit. 16 VINE, W.E Diccionario Expositivo de Palabras dei NuevoTestamento. Op. cit. Vol.2. 17 RIENECKER, Fritz. Chave lingüística do Noio TestamentoGrego. Edições Vida Nova, São Paulo - SP. 18 REINECKER, Frietz, op.cit. 19 id.ibib. 20 VINE, W.E. Op.cit. 21 REINECKER, Fritz. Chave Lingüística. Op. cit. 22 VINE, W.E. op.cit. 6 VIDA DEVOCIONAL POBRE "Exercita-te na piedade. 1 Timóteo 4.7 Por que caem os valentes? Estou certo de que a negligênciana nossa vida devocional de oração, o que acaba por empobrecer a
  • 38. www.ebooksgospel.com.br/blognossa espiritualidade, tem sua grande parcela de culpa nisso. Nãoé fácil manter uma vida disciplinada quando a prática envolvida éa oração. Todo pastor está consciente desse fato. Sabemos queprecisamos orar, mas não oramos. Por quê? Há todo um conjuntode fatores envolvidos, mas a falta de consciência acerca daimportância vital da oração para nós se sobressai aos demais.Certo obreiro disse que se encontrava em casa orando, quando foiinterrompido por um irmão que desejava falar com ele. Quando oobreiro saiu na porta, aquele irmão perguntou-lhe: "O pastorestava fazendo o quê?" A esta indagação, o pastor respondeu: "Euestava orando". Aquele irmão visitante então ponderou: "Ah! Quebom, o irmão não estava fazendo nada mesmo!" É exatamente issoo que pensam muitos acerca da oração: uma perda de tempo. Todo valente que deseja ser um vencedor nos conflitosespirituais deve levar a sério a vida de oração. Não há desculpas.A negligência aqui é fatal. Certo dia, recebi a visita em minha casade um menino; ele trazia em mãos algo parecido com uma carta.Aquela criança disse-me que fora sua mãe, uma das senhorasintegrantes do círculo de oração da nossa igreja, que haviamandado. Comecei a lê-la. A carta falava de um sonho que elativera comigo. No sonho ela via um antigo petromax, que fora deminha propriedade, abandonado e enferrujado. O petromax aindafuncionava, possuía óleo em seu tambor e mantinha uma chamamuito alta. Naquela narrativa, ela dizia que ficou admirada com opoder de fogo daquele petromax. Mas eu estava abandonando opetromax, e essa era a causa da sua oxidação. Naquelas imagensoníricas que ela tivera, via-me dizendo: "Eu vou buscar de volta omeu petromax, ele foi a minha salvação no passado e será agorano presente". Quando li aquelas palavras, senti profundamente no meuíntimo que deveria voltar para a corrida. Deveria renovar o meucompromisso com a oração. Desde que me voltei para o Senhorapós a minha conversão, procurei levar uma vida disciplinada naoração. Li todos os livros que pude encontrar que falava sobre oassunto, passei a gostar de oração. Mas naqueles dias que recebiaquela correspondência, a minha vida de oração estava pobre enegligenciada. Deus, na sua muita misericórdia estava me exor-tando. No dia seguinte, acordei com as palavras da música deSérgio Lopes na minha mente: Me faz lembrar daquelas madrugadas de oração e das Lágrimas no chão e que o tempo ao passar vai tentando Apagar do coração. Me faz lembrar onde deixei o meu Primeiro amor, se for preciso eu vou recomeçar, mas Confesso que dependo do Senhor. A nossa geração já foi denominada defast food e geração
  • 39. www.ebooksgospel.com.br/blogshopping center. Esta é a geração da alimentação self-service, dasembalagens descartáveis e da religiosidade superficial. Vivemosem um contexto onde se busca atalho para se chegar mais rápidoao céu; o que importa são fórmulas que funcionem em curtoprazo. Falar de vida devocional dentro desta ótica parece umcontra-senso. A oração como principal moeda da vida devocionalparece desvalorizar-se a cada dia nesta cultura. A razão parecesimples - a mesma consome tempo em demasia daqueles quepretendem se dedicar, e como o tempo é uma mercadoria valiosademais para ser "desperdiçada" na nossa cultura pós-moderna, omelhor parece deixar com os "místicos" a vida de meditação. Tornou-se mais fácil aderir às fórmulas, chavões e modismosdo que gastar longas horas em oração ou na leitura da Bíblia. Porque perder tempo orando e lendo as Escrituras quando se pode"amarrar" os demônios e até mesmo mandar em Deus? Falar de homens como John Wesley, que acordava todos osdias às 4 horas da madrugada para orar por duas horas seguidas,parece uma loucura para muitos cristãos modernos. O que dizerentão de George Müller que chegou a ler a Bíblia toda 20Ü vezes^Sem dúvidas, não faltarão vozes dispostas a afirmar que esseshomens viveram em outro contexto e em outra cultura. A nossa Concorrência George Barna nos adverte que os concorrentes dos crentesatuais não são as outras igrejas, mas "a televisão, os maus hábi-tos culturais, os campeonatos esportivos que chegam a se tornarmanias, as atividades em família, os passatempos pessoais entreoutros".1 Não vamos aqui ser extremistas a ponto de amaldiçoar-mos a mídia, mas por outro lado não podemos ser infantis e pen-sar que tudo o que nela veicula é de uma inocência angélica. Àsvezes, corremos o risco de sabermos mais acerca de suastrivialidades do que acerca das coisas de Deus. Pude verificar averacidade desse comentário feito por George Barna, durante afinal da copa do mundo. Tendo o Brasil chegado à final docampeonato, muitos pastores começaram uma verdadeiraoperação de desmonte de suas programações. A razão era simples,o jogo seria às 8 horas da manhã de domingo, exatamente nohorário da Escola Bíblica Dominical. Cultos matutinos nodomingo foram cancelados, tudo para atender a uma demanda domundo. Na minha igreja havíamos programado com antecedênciaa ceia do Senhor para esse dia quando o Brasil passou pelasquartas de final; senti a pressão de alguns membros para que esseculto fosse cancelado. Alguns, para garantir presença na final,trataram logo de procurar outras congregações para anteciparem
  • 40. www.ebooksgospel.com.br/blogas suas ceias. Lembrei do grande despertamento de 1904, ocorrido no Paísde Gales nos dias de Evans Roberts. Ele era apenas um jovem dedezoito anos, mas não se conformava com o estado de letargia desua igreja. A frieza que dominava os rituais dos cultos oincomodava. Naqueles dias, a mania era os campeonatos de brigade galos. O povo deixava de ir aos cultos para assistir aos galosbrigando! Por um período de um ano, Roberts agonizou diante deDeus clamando por um avivamento. Deus ouviu seu servo e en-viou uma chuva de avivamento. Milhares de pessoas foramalcançadas como conseqüência desse despertamento. Não me entenda mal, não estou dizendo que futebol é coisado Diabo; não, futebol é uma manifestação cultural como tantasmanifestação cultural alguma. Não podemos organizar a agendado Reino de Deus em função da agenda do mundo. Assistir a umevento esportivo é uma coisa, programar-se em função dele éoutra completamente diferente. Outro dia fui convidado a minis-trar estudos bíblicos em determinada igreja. Após a ministraçãoda Palavra, no horário da tarde, fomos para um jantar. Os assun-tos foram variados até que alguém comentou a participação de umex-governador no programa Show do Milhão. Pronto, isso foi osuficiente para que as virtudes intelectuais de alguns dos parti-cipantes desse programa fossem exaltadas. Cada um dos presen-tes demonstrava está por dentro de tudo que se passava nos pro-gramas de auditório. Uma senhora afirmou que ficou impressio-nada com a quantidade de acertos que um tal "Luiz" tivera nesseprograma. Daí para frente, o próximo passo era o Programa doRatinho. Logo ficou claro para mim que os crentes eram os res-ponsáveis por boa parte do IBOPE desse programa. Ninguémsegurou mais, os comentários giravam em torno de Raul Gíl, Casados Artistas, Big Brother, etc. Mais uma vez vamos deixar as coisas bem claras: não pode-mos isolar os crentes do mundo civilizado, nem tampouco proibi-los de usufruir as benesses que a mídia nos traz. Isso seria, nomínimo, uma tolice. A Bíblia chama isso de farisaísmo. Conheçocolegas que se vangloriam de não possuir um aparelho de televi-são em casa, todavia os filhos estão sendo humilhados eescorraçados da casa do vizinho. Ficam olhando pelo buraco dafechadura. Precisamos nos conscientizar. Por outro lado, ao utili-zarmos os modernos meios de comunicação de massa, deveríamosser mais cuidadosos na filtragem de todo entulho produzido poreles. R. Kent Hughes nos alerta: É essa sensualidade "legal", as concessões socialmente aceitáveis, quederruba os homens. As longas horas diante da TV, o que não apenas é aceitoculturalmente, mas é até mesmo esperado do homem, é o altar máximo da
  • 41. www.ebooksgospel.com.br/blogdessensibilização. As conversas que se esperam de um homem — com duplosentido, humor de baixo calão e sorrisos provocados por coisas que nosdeveriam encher de vergonha — é outro agente mortal. Sensualidadesaceitáveis têm afetado insidiosamente homens cristãos, como as estatísticasatestam. Um homem que sucumbe á falta de sensibilidade gerada pelasensualidade legal está fadado a cair.2 Acerca desse poder da "Indústria Cultural", a Escola deFrankfurt em sua crítica da sociedade tem a sua parcela decontribuição para nos dar: O homem civilizado quase não pode viver sem os meios de comunicaçãosocial: imprensa, rádio, televisão, etc. [...] A mera ausência de todapropaganda e de todos os meios doutrinários e de informação e diversãolançariam o indivíduo num vazio traumático.3 Essa denúncia da Escola de Frankfurt é de uma atualidadeimpressionante. A menos que o cristão saiba lidar com IndústriaCultural e disciplinar sua vida devocional, ele terá muitos pro-blemas em desenvolver a sua vida espiritual. A sua vida comoadorador será pobre. Em meio a uma cultura imediatista, às vezes parece difícil olíder impor o seu próprio ritmo. Muitos evidentemente achammais cômodo render-se ao modelo imposto pela sociedade. Ho-mens de Deus que até pouco tempo eram arautos de um cristia-nismo bíblico renderam-se aos apelos da cultura pós- moderna.Alan Jones, teólogo anglicano, observa em seu livro Sacrifício cAlegria que: É muito difícil nadar contra a corrente e ser ministro da Palavra,quando o que a cultura quer é um camelô da religião adaptado ao consumopúblico.4 Nesta cultura pós-moderna, a adoração foi relegada ao se-gundo plano. O obreiro está sob constantes pressões para atenderaos apelos das massas. O seu lugar de "oráculo divino" éusurpado pelo "artista de púlpito". É tentado a todo o momento ase tornar um animador de culto. Adorar da maneira bíblica setorna difícil. Todavia, devemos estar conscientes de que não po-demos nos conformar com os apelos desse mundo e esquecer anossa maior vocação — a adoração. Precisamos voltar a nos de-dicar a oração e a Palavra (At 6.4). Notas 1 BARNA, George. O Poder da Visão - ed. Abba Press, SãoPaulo - SP. 2 HUGHES, R, Kent. Citado em Vitória sobre a Tentação.
  • 42. www.ebooksgospel.com.br/blogEditora Mundo Cristão, São Paulo - SP. 3 NOGARE, Pedro Dalle. Humanismos e Anti-Humanismos —uma Introdução à Antropologia Filosófica. Ed. Vozes. São Paulo,1977. 4 JONES, Alan. Sacrifício c Alegria — Espiritualidade para oMinistro Religioso. Ed. Paulus, São Paulo, 1995. 7 AS ARMAS DOS VALENTES No livro de 2 Samuel 23.8-22, lemos a respeito dos valentesque serviam ao rei Davi: "Estes são os nomes dos valentes que Davi teve: Josebe-
  • 43. www.ebooksgospel.com.br/blogBassebete, filho de Taquemoni, o principal dos capitães; este eraAdino, o eznita, que se opusera a oitocentos e os feriu de uma vez.E, depois dele, Eleazar, filho de Dodô, filho de Aoí, entre os trêsvalentes que estavam com Davi, quando provocaram os filisteusque ali se ajuntaram à peleja e quando de Israel os homenssubiram, este se levantou e feriu os filisteus, até lhe cansar a mãoe ficar a mão pegada à espada; e, naquele dia, o SENHOR operouum grande livramento; e o povo voltou atrás dele somente a tomaro despojo. E, depois dele, Sama, filho de Agé, o hararita, quandoos filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaçode terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus.Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, eferiu os filisteus; e o SENHOR operou um grande livramento.Também três dos trinta cabeças desceram e vieram no tempo dasega a Davi, à caverna de Adulão; e a multidão dos filisteusacampara no vale dos Refains. Davi estava, então, num lugarforte, e a guarnição dos filisteus estava, então, em Belém. E teve Davi desejo e disse: Quem me dera beber da água dacisterna de Belém que está junto à porta! Então, aqueles trêsvalentes romperam pelo arraial dos filisteus, e tiraram água dacisterna de Belém que está junto à porta, e a tomaram, e atrouxeram a Davi; porém ele não a quis beber, mas derramou-aperante o SENHOR. E disse: Guarda-me, ó SENHOR, de que talfaça; beberia eu o sangue dos homens que foram a risco da suavida? De maneira que não a quis beber. Isso fizeram aqueles trêsvalentes. Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, eracabeça de três; e este alçou a sua lança contra trezentos, e osferiu, e tinha nome entre os três. Porventura, este não era o maisnobre dentre estes três? Pois era o primeiro deles; porém aosprimeiros três não chegou. Também Benaia, filho de [oiada, filhode um homem valoroso de Cabzeel, grande em obras, este feriudois fortes leões de Moabe; e desceu ele e feriu um leão no meio deuma cova, no tempo da neve. Também este feriu um homemegípcio, homem de respeito; e na mão do egípcio havia uma lança,porém Benaia desceu a ele com um cajado, e arrancou a lança damão do egípcio, e o matou com a sua própria lança. Estas coisasfez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre os trêsvalentes. Dentre os trinta, ele era o mais nobre, porém aos trêsprimeiros não chegou; e Davi o pôs sobre os seus guardas." Há algumas observações interessantes que podemos fazer,quando lemos a história desses valentes: 1. Eles fazem coisas incomuns (v. 8) Nessa passagem lemos que um dos valentes de Davi, denome Josebe-Bassebete, feriu a 800 homens de uma vez!
  • 44. www.ebooksgospel.com.br/blog 2. Eles nunca fogem à luta (v. 11) Aqui vemos Samá, um dos valentes que se opôs aos filisteusquando todo o povo fugira. 3. Eles lutam com as armas que têm (v. 21) Esse é o ponto mais interessante que eu acho nesse texto, asarmas com que os valentes lutam. Benaia, filho de Joiada, apenascom um simples cajado, enfrentou um egípcio que a Escritura dizque era de grande estatura e ainda estava armado com uma lança.A Bíblia diz que Benaia com aquele cajado arrancou a lança damão do egípcio e com ela o matou! Às vezes, fico pensando que Benaia leva vantagem sobre nós.Benaia não possuía uma arma possante, mas sabia lutar; nós, aocontrário, possuímos armas poderosas (2 Co 10.3-5), mas não sa-bemos lutar. E por que não sabemos? Somos mal treinados. Espi-ritualmente, estamos com excesso de peso. Alimentação sem exercício torna a pessoa obesa, preguiçosae propensa a uma série de problemas físicos. O que é verdadeiropara o corpo físico também o é para o interior, a não ser que nosentreguemos ao exercício espiritual, o alimento que ingerimosprovavelmente nos fará mais mal do que bem. Há muitos santoscomendo muito e se exercitando pouco e é por isso que Paulocolocou juntos comida e exercício quando escreveu estas palavrasa Timóteo: "Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministrode Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrinaque tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas eexercita-te a ti mesmo em piedade. Porque o exercício corporalpara pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendoa promessa da vida presente e da que há de vir" (1 Tm 4.6-8). [...] Houve um tempo na história da igreja que os cristãos sedeleitavam em discutir a disciplina espiritual da vida cristã; mas,hoje em dia, qualquer coisa que cheire a disciplina é rotulada de"legalista" e estranha aos ensinamentos do Novo Testamento sobrea graça. Os cristãos contemporâneos não têm tempo paradisciplinas espirituais como adoração, jejum, oração, meditação,auto-exame e confissão. Estamos muito ocupados, indo de umareunião a outra, procurando atalhos seguros para a maturidade. Se quisermos ser um valente que não tombe na batalha, te-mos de levar a sério a nossa disciplina no manejo das armasespirituais. Não há um plano B. Sempre fiquei fascinado com otestemunho de homens como Wesley, Finney, Moody, Spurgeon e
  • 45. www.ebooksgospel.com.br/blogoutros. Quanto mais sabia sobre esses homens, um elementocomum a todos eles parecia se destacar — todos foram homensdisciplinados em suas práticas devocionais. Eram homensdisciplinados na arte de orar. Precisamos orar, e orar com jejuns.Wiersbe já nos disse que muitos acham isso um legalismo, masapós examinar a Palavra de Deus e servir ao Senhor por vinteanos, não tenho mais dúvida de que não temos outra escolha. O livro de Atos dos Apóstolos registra as seguintes palavras:"E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo:Apartai-me a Barnabé e a Saulo"(13.2). Não há como negar que ojejum era uma pratica comum na igreja apostólica. Aquela erauma igreja bem treinada, bem disciplinada espiritualmente. EmAtos 14.23, lemos novamente: "E, havendo lhes por comumconsentimento eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, osencomendaram ao Senhor em quem haviam crido" (grifo do autor).Orar com jejuns, conforme registra este texto, é o segredo davitória. Tempos atrás travei uma das maiores batalhas espirituais deminha vida por um período de seis meses estive em um conflitoespiritual sem precedentes. No momento que eu parecia estar bemforte, foi quando Satanás disparou seus dardos contra mim.Aonde eu fosse ou onde estivesse, aquele problema como algoonipresente me acompanhava. Tentei todas as saídas que euconhecia. Tudo em vão. Isso aconteceu antes da minha entradapara o ministério de tempo integral. No local de trabalho, oscolegas percebiam que eu estava com uma espécie de depressão.Durante esse tempo todo eu continuava orando a Deus. Certo dia, senti o Espírito Santo impulsionando-me para umjejum. Comecei então um período de cinco dias de jejum. Comoainda trabalhava no serviço público federal, fiz um jejum parcial.Abstinha-me do café da manhã e do almoço, jantando quandochegava em casa. Aquela semana pareceu longa, tamanha era aintensidade do conflito. Todavia, no meu interior senti paz,percebia que a batalha estava sendo ganha. Não tive visão, sonhoou revelação nos primeiros dias do meu jejum, mas quando estavano último dia, já encerrando aquele propósito, acordei às 5h30minda manhã. Ouvi uma voz me chamando, consegui identificaraquela voz, pertencia a uma das minhas irmãs. Já conhecendo ahistória de Samuel registrada no capítulo três de seu primeirolivro, discerni que era o Senhor quem me chamara. Levantei-me, acendi a luz e caminhei em direção à bibliote-ca. No meu interior, algo parecia dizer-me: "leia o Salmo 24". Sen-tado na cadeira, com a Bíblia aberta sobre a escrivaninha, come-cei a ler a Palavra de Deus. Quando cheguei ao versículo 8 que

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