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Narrativa+em+capitulos

Published on: Mar 3, 2016
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Narrativa+em+capitulos

  • 1. ,NARRATIVA EM CAPÍTULOS «Escrevemos para ser o que somos, ou para ser aquilo que não somos. Em um ou em outro caso nos buscamos a nós mesmos, eternos desconhecidos. J)(Octavio Paz) Este é um capítulo diferente. Em vez de técnicas diversas girando sobre um mesmo assunto, propomos umencadeamento de atividades que resulta em um produto final precioso e surpreendente: um texto narrativo quemuito nos ensina sobre o imenso potencial criativo e sobre o mundo interior dos alunos.1. Motivação ou aquecimento 1. Com pelo menos uma aula de antecedência, peça aos alunos que tragampara a aula um livro que leram recentemente e que tenham gostado. 2. No dia da atividade, em grupos 4 ou 5 pessoas, eles examinarão os livros que trouxeram. Além do textoprincipal, que outros elementos compõem a obra? Destes, quais terão sido elaborados pelo próprio autor?Todos os livros contém todos os elementos citados? 3. Estipule que, em cada grupo, haverá um aluno "número 1", "número 2", "número 3", "número 4" ou"número 5". Convide então todos os alunos de mesmo número a formarem novos grupos, ou seja: o grupo dosalunos" 1 ", o grupo dos alunos "2", etc. Nos novos grupos, os alunos irão comparar os itens que haviamanotado em seus grupos de origem, ampliando e complementando as suas listas originais. 4. A seguir, compartilhe com os alunos o seguinte texto, seja numa leituraem voz alta ou reproduzido numa folha: . Ao pegarmos o lápis na mão para contarmos uma história, experimentamos opoder de criar gente, dar vida e dar morte; fazer surgir um monstro das profundezas do oceano ou do ralo da pia; criarterremotos ou furacões; separar e juntar grandes amores; explorar ambientes nos quais o homem jamais chegou; surpreender o leitore deixd-lo preso à sua história... e a matéria-prima para criarmos o inusitado pode estar no universo ilimitado da fantasia ou em nossaextraordindria realidade.
  • 2. Cem Aulas Sem Tédio Após a leitura do texto, convide os alunos a experimentarem o poder da criação, ou seja, a elaborarem asua própria narrativa em capítulos. Aterte-os para o fato de que este projeto irá levar várias aulas para serconcluído, porque, como eles próprios observaram nos grupos de discussão, um livro envolve bem mais do quesimplesmente contar uma história.2. Criação dos personagens 1. Prepare uma folha com o esboço (somente o contorno) de rostos. Quatro ou cinco, pois é preferível terpoucos, mas com maior riqueza de dados. Ao lado de cada contorno, coloque linhas que servirão para acaracterização psicológica (ver exemplo no apêndice). No alto da folha, proponha: De pertinho, ninguém é igualCrie, assim, tipos diferentes a partir dos desenhos. Procure diferencidlos por características que suponham jeitos, hdbitos, manias,desejos e experiências (pois nossos personagens também têm a sua história própria). 2 . Sugira aos alunos que adquiram uma pasta para colocar todos os trabalhos que mais tarde irão resultarna sua "obrà. Os esboços dos personagens será a primeira inclusão.Sugestão: * Solicite que cada aluno escolha um entre os personagens criados e desenhe-o de corpo inteiro,caracterizando-o melhor. Neste desenho ele (ou ela) deverá estar no lugar que mais gosta (sobre uma árvore, nosótão secreto, no shopping, na beira da praia) e vestindo a sua roupa favorita. Este será o seu provávelpersonagem principal.3. Elaboração do enredo 1. Como tarefa de casa, solicite aos alunos que recortem de revistas ambientes variados (de trabalho, delazer, de moradia, de circulação...) para a elaboração de possíveis cenários para a sua história. Quanto maisambientes, melhor. Esses recortes servirão de inspiração para o desenvolvimento da narrativa. 2. Em aula, os alunos deverão selecionar (no mínimo quatro) ambientes, relacionando-os aos personagenscriados na atividade anterior. Cada persona
  • 3. .gem poderá ser associado a mais de um ambiente (casa, trabalho e lugares que freqüenta, por exemplo). 3. Dessa escolha resultará um relatório, que será apresentado a um colega. Nesse relatório, cada alunoexplicitará o perfil de cada um de seus personagens, delineando suas principais características pessoais (comoé, o que faz, onde vive, do que gosta, que problemas enfrenta, etc.).4. Escrevendo a história 1. Para iniciar o enredo do texto narrativo, elabore com todos os alunos uma lista de objetos que, naconstrução da trama, deverão aparecer em mo mentos importantes da história. (Todos devem participar,cada aluno dizendo um, para a lista ser significativa para todos.)Exemplo:carta! Passagem/ fotografia / perfume/ chave dinheiro/ maquina/ cachorro I peça de roupa I termômetro Iisqueiro I livro 1 óculos I bola I binóculo I vídeo game! arma I quadro I osso I mapa /senha / machadinha 2. Chegou a vez de escrever o roteiro, ou seja, a base do que será, fururamente, a narrativa em capírulos.Lembre aos alunos que este roteiro não será estático, ou seja, poderá sofrer alterações à medida que a narrativaavance; entretanto, é importante que neste estágio o autor já tenha uma idéia do enredo que irá desenvolver ede qual o conflito que desencadeará a trama (que poderá ser suspense, comédia, aventura, drama, romance,ficção científica etc.). Um (ou mais) dos objetos elencados terá de ser elemento-chave nesse conflito. Ospersonagens criados deverão estar interligados em algum ou em todos os mo mentos da trama, na qual irãointeragir. 3. A partir daí, os alunos começarão a contar e escrever a sua história (o que provavelmente já estará naponta do gatilho), exercendo, na prática, o poder de inventar o arranjo das coisas. 4. Para acompanhar o processo de criação e mobilizar os menos ágeis, o professor, como um repórtercurioso sobre como são inventadas as histórias, entrevistará cada aluno. Fará perguntas como:
  • 4. a) Onde ocorre a história?b) Quais são os personagens mais importantes?c) Qual é o conflito?d) Existe um antagonista? Em caso afirmativo, quais as suas características? e) De que forma você pretendesurpreender o leitor?f) Quando os fatos da tua história acontecem?g) Qual a característica mais marcante do personagem principal?h) Você se identifica com algum personagem?i) De onde você tirou a idéia para a sua história?j) Teu livro terá ilustrações? E como será a capa?k) Para quem você irá dedicar esta obra? Por quê?1) Como é o narrador?m)Há alguma descrição? Qual, por exemplo? Como os demais colegas da turma serão, entre outros, os leitores da obra, as informações reveladas naentrevista deverão ser mantidas em sigilo. (São os mistérios da criação!) A entrevista é um momentoimportante de troca de informações, motivações e afeto.5. Escrevendo a sinopse e escolhendo um título Ao dar uma idéia geral sobre o conteúdo do livro, a sinopse cumpre duas funções básicas: orientar o leitorsobre o enredo (para, democraticamente, permitir-lhe que decida se quer lê-Io ou não) e servir como isca,seduzindo-o a entrar na história que está sendo narrada. Mas o título é outro chamariz impor tante: ao mesmotempo que dá uma idéia geral sobre o assunto da narrativa, deve instigar o leitor a querer saber mais. Emresumo, não basta escrever uma boa história; tem de saber "vender o peixe"! 1. Prepare cópias ou lâminas para retroprojetor com alguns exemplos de sinopses de filmes de locadora ede livros. Dois de cada seriam suficientes, mas o ideal é pelo menos três, num total de seis. 2. Em aula, simule com a turma uma situação em que uma loja vai fechar e todos os produtos descritospelas sinopses estão em liquidação. Apesar das pechinchas, cada aluno tem dinheiro suficiente para adquirirapenas urn livro e uma fita. Que títulos eles escolheriam?I
  • 5. J 3. Em duplas ou pequenos grupos, peça aos alunos que revelem as suas escolhas e as razões que asmotivaram. "Sei lá" não vale; é responsabilidade do professor de Língua Portuguesa desenvolver a habilidadede argumentação paralelamente a qualquer assunto trabalhado. 4. Tendo como referência as sinopses dos produtos que escolheram (afinal, foram iscas que deram certo),os alunos irão redigir a sinopse do seu próprio trabalho. É importante salientar aos alunos que o desfechojamais pode ser revelado. 5. Depois da elaboração da sinopse, que não deixa de ser um resumo com os pontos altos da trama, ficarámais fácil escolher o título. Lembre aos "autores" que o nome que darão à sua obra será responsável, muitasvezes, por um prejulgamento por parte dos leitores. Ser criativo é importante, mas saber esco lher as palavrascertas de acordo com o público alvo é essencial. Por mais brilhante que seja a narrativa, um livro chamado "Agalera doidona do Bom Fim" tem poucas chances de atrair crianças, adultos e mesmo adolescentes que não seidentificam com esse tipo de vocabulário.6. Planejando as ilustrações e a capa Antes de começar o processo de ilustração do livro, é importante chamar a atenção dos alunos para o fato de que,quanto menor a faixa etária à qual o livro é destinada, normalmente maior será a proporção de ilustrações em rela ção aotexto. Assim, mais uma vez, o público alvo tem de ser levado em consideração. 1. Pergunte aos alunos por que, na sua opinião, os livros para adultos têm, normalmente, tão poucas ilustrações. Épossível que eles cheguem à conclusão, sozinhos, de que as ilustrações costumam compensar o universo de linguagemmais restrito dos mais jovens. Com um vocabulário maior e com estruturas gramaticais mais complexas, um autor queescreve para adultos não precisa de ilustrações para descrever um personagem ou uma paisagem, por exemplo. 2. Peça aos alunos que, baseados num perfil aproximado dos seus leitores, decidam se irão incluir ilustrações durantea narrativa ou apenas na capa. Caso as ilustrações acompanhem também a narrativa, é preciso decidir exatamente em queponto(s) elas serão inseridas.
  • 6. 3. As próximas decisões a serem tomadas dizem respeito ao formato do livro (tamanho ofício ou meio ofício?) equem ilustrará o trabalho. Sugerimos um. projeto integrado com a disciplina de Artes e a escolha entre diferentes técnicas(desenho, fotografia, colagem ou pintura) para a ilustração. Outras opções incluem o uso de "diparts" (figuras disponíveisem softwares de computador) ou a ajuda externa de uma pessoa que, tendo lido a história, interprete-a através de desenhosilustrativos. Podem participar os pais, parentes ou amigos, mas a escolha da pessoa certa deverá levar em consideraçãouma afinidade com a ótica do autor, já que a tarefa de ilustração acrescentará à obra outros valores e o ponto de vista doilustrador.7. A Biografia Também chamada de "biodatà, a biografia relata fatos significativos da vida do autor. Ela é uma parteimportante do livro porque, situando-o no tempo e no espaço, ela sacia a curiosidade do leitor em relação àmente que há por trás dos personagens, diálogos, cenas e paisagens que compõem a narrativa. 1. Peça aos alunos que pensem sobre os acontecimentos significativos de sua vida e sobre outrasproduções já feitas que tenham sido motivo de orgulho ou comentário geral (todo mundo tem uma história paracontar). 2. A partir dessa reflexão, os alunos deverão redigir um parágrafo de 1 O a 15 linhas, referindo-se a elespróprios na terceira pessoa. Tanto quanto possível, essa biografia deverá ser criativa e interessante, dando aoleitor mais uma possibilidade de deleite textual.Sugestão: Visite com os alunos a biblioteca da escola e peça a uma bibliotecária que fale aos alunos sobre os dados que devemestar presentes nas fichas catalográficas. Ainda que de forma simplificada, essas fichas poderão ser elaboradas pelos alu -nos para a inclusão no livro.8. A dedicatória A dedicatória é uma maneira de compartilhar o prazer e os méritos da criação com alguém especial.
  • 7. 1. Proponha aos alunos que pesquisem, em casa ou na biblioteca da escola, diferentes dedicatórias e, entre elas, selecionem duas ou três de que mais gostaram. 2. Em aula, peça aos alunos que leiam as suas dedicatórias preferidas e comentem, brevemente, sobre o que gostaram nelas. Quando um colega esti ver lendo as suas dedicatórias, os demais deverão observar se o autor:a) citou alguém,da sua famíliab) citou colegas de trabalho ou outros profissionais c) agradeceu a alguém por alguma coisad) dedicou a obra a uma só pessoa ou a váriase) justificou a sua homenagemf) deu à dedicatória um tom emotivog) usou mais de três linhas para redigir a dedicatória. Estas indagações poderão estar escritas no quadro e, depois de cada leitura, os alunos poderão opinar comum mero "sim" ou "não" sobre o conteúdo das dedicatórias apresentadas. Assim fazendo, ficará mais fácil paraeles decidirem-se a quem vão dedicar a sua obra, de que maneira e por quê.9. Correção do texto e elaboração do índice A correção é, ao mesmo tempo, a parte mais crucial e mais difícil no processo de escrever uma narrativaem capítulos. É crucial porque erros de ortografia e gramática (sobretudo de pontuação) podem comprometer aclareza ou o valor da obra; e é difícil porque o texto é a criatura do autor, e os erros tendem a "sumir" peranteos olhos de quem está direta e profundamente ligado à história narrada. Assim, devido à importância desseestágio da narrativa, mais uma vez a ajuda externa irá ser solicitada e bem-vinda. 1. Explique aos alunos que, antes de produzirem o texto "definitivo" da narrativa, é preciso reler commuito cuidado (e de preferência em voz alta) tudo o que foi escrito. 2. Oriente aqueles que escreveram o texto em computador a utilizarem a função de correção automática dodocumento, presente na maioria do editores de texto. No Wórd os alunos deverão selecionar todo o texto eclicar em "ortografia e gramáticà no menu "ferramentas". É bom frisar, entretanto, que alguns problemaspoderão passar despercebidos nesse tipo de correção, que ainda apresenta falhas. .
  • 8. Cem Aulas Sem Tédio 3. Necessariamente, um adulto que conheça bem a língua portuguesa (o professor não vale!) deverá fazer acorreção final do trabalho. As sugestões apontadas por este revisor poderão ser aceitas ou não; a escolha entreaceitar uma crítica e manter o seu "estilo" oferecerá mais uma possibilidade de crescimento do aluno através darealização desse trabalho. 4. O índice deverá ser elaborado apenas após o término do processo de correção porque, dependendo daextensão das mudanças, o número das páginas poderá ser alterado. Observação: A correção culmina no encaminhamento sugerido acima, mas, certamente, ocorrerá durantetodas as etapas do trabalho, momentos nos quais você estará acompanhando, sugerindo e orientando questõesde estrutura, expressão e conteúdo dos textos produzidos.10. Comentário crítico Ao fim da elaboração da história, cada aluno convidará duas pessoas para lerem a obra, avaliarem o seu trabalho eregistrarem um comentário sobre a sua apreciação crítica. É importante que sejam, respectivamente, um adulto e umamigo da mesma faixa etária. Nesse texto, os comentaristas convidados irão discorrer sobre as virtudes da história e doautor, convidando oUtros leitores a apreciarem a obra. Os comentários críticos serão "publicados" nas últimas páginas do livro, ou um deles poderá Ser escolhido paraaparecer, já nas primeiras páginas, sob forma de apresentação. . . Importante: No capítuló 3, apontávamos para a necessidade de devolver à linguagem escrita a função de comunicar,ou seja, de tornar comum. Mais do que qualquer outro trabalho, este deverá ser lido, apreciado, analisado, elogiado (ouquem sabe até criticado construtivamente) pelo maior número possível de leitores. Entre outras formas de divulgação,sugerimos: a) o lançamento dos livros num evento para os alunos da escola e comunidade; b) o intercâmbio de livros entre as turmas; c) a leitura das obras (uma por aluno), em grupos de quatro alunos, queescolherão a sua preferida para ser dramatizada; , d) a exibição dos livros durante encontros pedagógicos com os pais;
  • 9. e) a organização de uma biblioteca aberta e permanente onde os livros poderão ser retirados por qualqueraluno da escola (desde que se tomem os cuidados necessários para a preservação e devolução das obras); e f) se os alunos dispuserem do equipamento necessário (um computador para a edição eletrônica de seustextos), a inclusão das obras, catalogadas por autor ou assunto, no site da escola.

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