PolêmicasESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005 251
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O último ato da ciência-espetáculo do século XX Há bem pouco tempo – menos de uma década – um acontecimento muitocon...
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“clonagem terapêutica” poderia se converter realmente em uma tecnologia de transferência de núcleos, que não seria ma...
Foto Alan Marques/Folha Imagem 2.3.2005Manifestantes a favor da Lei de Biossegurança comemoram sua aprovação em Brasília (...
Neste sentido, reivindicar a liberdade da pesquisa com células-tronco ex-traídas de embriões humanos – mesmo no estágio bl...
5 Cf. J. Marx, “Mutant Stem Cells May Seed Cancer”, Science, vol. 301, 2003, pp. 1308-1310; e M. E. Valk-Lingbeek; S. W....
PORCIONATTO, Marimélia A. Projeto Genoma: uma leitura atenta do livro da vida? Dissertação de Mestrado, São Paulo, PUC-São...
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Por detrás do último ato da ciência espetáculo as células-tronco embrionárias

Published on: Mar 4, 2016
Published in: Health & Medicine      
Source: www.slideshare.net


Transcripts - Por detrás do último ato da ciência espetáculo as células-tronco embrionárias

  • 1. PolêmicasESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005 251
  • 2. Por detrás do último atoda ciência-espetáculo:as células-tronco embrionáriasDANTE MARCELLO CLARAMONTE GALLIAN A crítica da medicina dogmáticaÉ COMUM OUVIR dizer o quão pouco aprendemos com a história. Quando, entretanto, aplicamos esta frase ao mundo da ciência, o efeito que nos causa – ou, pelo menos deveria causar – é o de perplexidade, no mínimode desconcerto. Estas são as sensações que infelizmente vêem aflorando neste historiadorda medicina ao se deparar, quase diariamente, nos últimos tempos, através dosdiversos meios de comunicação e entre os mais variados cenários científico-acadê-micos, com o alardeado tema das pesquisas com células-tronco embrionárias. Équase impossível não associar todo este fenômeno de marketing científico com afrase cunhada pelo médico e historiador Gregorio Marañón, que, já na primeirametade do século passado – 1946 – denunciava um certo “costume” pertinaz deseu tempo: “a superstição dos conhecimentos de última hora”1. Em ensaio intitulado Crítica da medicina dogmática, Marañón alertavaentão seus colegas cientistas sobre a necessidade de se estudar história da medi-cina como antídoto à superstição, ao dogmatismo e à ignorância, que invariávele cada vez mais rapidamente, nos tempos que correm, levam ao vexame e, conse-qüentemente, ao atraso da ciência. E, para tanto, justificava recordando dezenasde “desastres científicos” ocorridos em não mais de décadas e anos anteriores aosque então se viviam, provocados por “conclusões precipitadas e alardeantes”,fruto de entusiasmos ingênuos ou – o que é pior – de outros interesses, quecausaram não poucos estragos no desenvolvimento da ciência – o que é grave – ena vida de muitas pessoas – o que é muito mais grave. Frente a isto, Marañón defendia o desenvolvimento de uma crítica aomodelo dogmático da medicina, fundamentada, por um lado, no reconhecimen-to da falácia do dogmatismo científico – o cientificismo – e, por outro, no reco-nhecimento da profunda complexidade dos fenômenos deste mundo, que re-querem a participação de outros saberes, de maneira coerente e séria. Infelizmente, parece que as advertências e sugestões de Dom Gregorionão foram seguidas e sequer compreendidas por uma boa parcela dos nossoscientistas.ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005 253
  • 3. O último ato da ciência-espetáculo do século XX Há bem pouco tempo – menos de uma década – um acontecimento muitoconhecido e divulgado pela imprensa provou o quanto ainda aprendemos pou-co; o quanto ainda cultivamos o costume de repetir os mesmos erros do passado.Refiro-me ao Projeto Genoma. Na recente virada do século XX para o XXI, a corrida para integralizar oseqüenciamento do genoma humano tornou-se o tema científico por excelência.Divulgava-se, na ocasião, que tal feito proporcionaria uma verdadeira revoluçãona medicina, desencadeando transformações fantásticas na vida das pessoas e dassociedades. As “profecias” emitidas pelos adeptos do novo dogma genômicoparecem ter contaminado e convertido não só o público leigo, sempre esperan-çoso diante dos anúncios panacêuticos da medicina moderna, como também ossagazes capitalistas, que investiram milhões no projeto revolucionário. Depoisde uma carreira espetacular entre duas empresas norte-americanas – uma públicae outra privada – acompanhada quase que diariamente por milhares de especta-dores on line, num clima de verdadeiro show da ciência, o resultado chegou nãocomo êxtase, mas como um balde de água fria. Não porque não se tenha conse-guido realizar o feito do seqüenciamento, mas simplesmente porque o feito nãose fez milagre; ou seja, o mapeamento do genoma humano não trouxe, nestesúltimos anos, nenhuma conseqüência imediata para a medicina aplicada: nenhumremédio, nenhuma terapia revolucionária capaz de salvar vidas, recuperar doen-tes incuráveis, fazer andar paralíticos etc. Nada, pelo menos nos próximos anosou décadas... É difícil de acreditar que os cientistas, principalmente os geneticistas en-volvidos diretamente no projeto, só tenham chegado a esta desoladora conclu-são ao final do frenético trabalho. Sem dúvida. Mas, se evidentemente sabiambem antes, por que esta fulcral informação não foi divulgada? Por que se permi-tiu que se gerasse esta verdadeira mística em torno do Projeto Genoma? As respostas a estas perguntas não são, certamente, tão difíceis de respon-der, mas ao invés disso, gostaria de avançar um pouco no tempo, deslocando ofoco do penúltimo ao último grande ídolo científico de nosso tempo: a utiliza-ção de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos2. As células-tronco As pesquisas com células-tronco adultas (não embrionárias) – extraídasprincipalmente do sangue do cordão umbilical e da medula óssea – iniciaram-sehá mais de uma década, quando se descobriu que o caráter indiferenciado destaspotencializava uma grande margem de “manipulação” por parte do cientista,que poderia, com meios técnicos adequados, transformá-las ou diferenciá-lasem células específicas, possibilitando assim a regeneração de tecidos e mesmoórgãos. As experiências terapêuticas com células-tronco adultas em seres humanoscomeçaram a ser realizadas mais recentemente e, nos últimos anos, têm se divul-254 ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005
  • 4. gado resultados alentadores em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil,particularmente na regeneração de tecidos do coração, lesados por infarto. Na esteira do evento Dolly, entretanto, um novo tipo de célula-tronco,virtualmente mais promissora que a adulta, começou a ser objeto de interessedos cientistas: a embrionária, ou seja, células indiferenciadas presentes no estágioinicial de desenvolvimento do embrião – blastocisto. Segundo alguns cientistas,este tipo de célula-tronco apresentaria grandes vantagens em relação às células-tronco adultas por possuir um maior potencial de “plasticidade”, respondendomelhor aos processos de diferenciação induzida para a produção de linhagens,além de possibilitar a superação das limitações genéticas que, no caso de terapiade doenças congênitas, apresentariam as células-tronco adultas. Tudo isto, obvia-mente, em tese. Deixando de lado, pelo menos provisoriamente, os aspectos éticos queuma prática de pesquisa deste tipo implica – já que para se conseguir as células-tronco embrionárias é necessário sacrificar o embrião, “obtido” por clonagemou por compra em clínicas de reprodução assistida, que mantêm estoque de“excedentes” congelados – gostaria de me ater às dimensões estritamente cientí-ficas da questão e que não têm sido devidamente esclarecidas pelos meios acessí-veis de divulgação . Unanimemente, os cientistas que pesquisam ou reivindicam a liberdade depesquisar com células-tronco embrionárias, reconhecem as “grandes dificulda-des técnicas” que têm se apresentado no processo de investigação3. Ao contráriodo que vem ocorrendo com as células-tronco adultas, as experiências com célu-las-tronco embrionárias não produziram nenhum êxito terapêutico reconheci-do, sequer em animais4. Pelo contrário, estudos importantes vêm demonstrandoque a utilização de células-tronco embrionárias em experimentos terapêuticostêm causado tumores em animais, levando a crer que o mesmo deva ocorrer seadministrado em seres humanos5. Recentemente, cientistas coreanos, os primeiros a tentar realizar publica-mente pesquisa com células-tronco de embriões humanos, divulgaram nota es-clarecendo que “das três associações celulares humanas obtidas através declonagem – de um total de centenas de tentativas em centenas de óvulos – ape-nas uma derivou em linhagem celular do tipo embrionário”. Entretanto, esclare-cem, “tal linhagem apresentou-se imprestável para a pesquisa ou para usoterapêutico”6. Conclusão: a possibilidade de que se venha a conseguir linhagensúteis para pesquisa nos próximos anos é ínfima. Segundo Natalia López Mortalla, catedrática de bioquímica da Universi-dade de Navarra, Espanha, “a tecnologia da clonagem é extremamente ineficaze, no caso dos primatas, de mil tentativas realizadas (mil óvulos), não se conse-guiu nenhum verdadeiro embrião”7. Por outro lado, ainda de acordo com ela, existe um critério biológico claro sobre o que é uma associação de células vivas, mais ou menos organizadas e o que é um indivíduo. Com algumas cautelas, aESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005 255
  • 5. “clonagem terapêutica” poderia se converter realmente em uma tecnologia de transferência de núcleos, que não seria mais clonagem. [...] E se um dia se verificasse que as células embrionárias servem para curar, poder-se-ia consegui- las por outros procedimentos que não exijam óvulos8. Também em relação às células-tronco extraídas de embriões “produzidos”por reprodução assistida e que se encontram congelados, o argumento de quetais indivíduos seriam virtualmente incapazes de se desenvolverem, mas úteis doponto de vista terapêutico, não encontra sustentação adequada. Em suma, do ponto de vista estritamente científico, não há nada que justi-fique este clima de euforia que tem se procurado disseminar em nosso país, prin-cipalmente através dos mass media e que atingiu seu clímax recentemente com aaprovação, pelo Congresso Nacional, da lei de biossegurança, que autoriza aspesquisas com células-tronco extraídas de embriões humanos. Ao contrário doque vem ocorrendo com as pesquisas e experiências com células-tronco adultas,as perspectivas a curto e médio prazos são muito pouco promissoras. E isto jácomeça inclusive a ser admitido mais explicitamente pelos próprios cientistasque, aqui no Brasil, estiveram na linha de frente da luta pela aprovação da lei debiossegurança9. Tal como ocorreu com o Projeto Genoma, depois da euforia, damobilização apocalíptica e sentimentalista, vem o discurso da prudência, da paci-ência... O que de fato está em jogo em tudo isto? Por detrás da ciência-espetáculo Há duas questões que, a meu ver, parecem ser as principais e que merecematenção. Uma delas está explícita e a outra velada, ainda que não de todo desco-nhecida. Gostaria de começar pela última, que me parece mais simples e menosintrigante, para poder me deter na primeira, mais instigante e desafiadora, doponto de vista histórico. Com a autorização legal para a realização de pesquisas com células-troncoembrionárias no país, os primeiros beneficiados, do ponto de vista econômico,serão as clínicas que possuem estoques de embriões congelados, declaradamenteos primeiros a servirem para o desenvolvimento da linha de pesquisa. Com isto,uma nova fonte de receita se agregará a estas empresas, que inclusive terão adupla vantagem de diminuírem os gastos com a manutenção obrigatória dosembriões “excedentes”. Em relação à técnica da clonagem, sabe-se também que os insumos neces-sários são extraordinariamente custosos e que muitos laboratórios e empresasespecializadas em produtos bioquímicos têm muito a lucrar com a abertura destanova linha de pesquisa. A outra grande questão, entretanto, a que mais tem sido alardeada e promo-vida a pièce de resisténce pelos cientistas que defendem o direito de pesquisar comas células-tronco extraídas de embriões humanos, é a intangibilidade sagrada doavanço científico.256 ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005
  • 6. Foto Alan Marques/Folha Imagem 2.3.2005Manifestantes a favor da Lei de Biossegurança comemoram sua aprovação em Brasília (DF). Para uma parcela considerável do universo científico, barrar, proibir o desen-volvimento de determinada linha de pesquisa, ainda que esta não apresente pers-pectivas favoráveis a curto e médio prazos, por motivos “extra-científicos”, signi-fica não só ferir a dignidade da ciência, mas se posicionar contra a própria huma-nidade, na medida em que tolhe a grande força propulsora do seu progresso. Sem dúvida, a liberdade para pesquisar é um dos princípios fundamentaispara o desenvolvimento da ciência, entretanto, de acordo com os valores essen-ciais da sociedade livre e democrática, ao exercício da liberdade se associam nãosó direitos mas também deveres. A ciência é livre para pesquisar, mas deve sem-pre respeitar, promover e nunca prejudicar a vida. É sabido que os cientistas que defendem o direito de pesquisar com célu-las-tronco extraídas de embriões humanos justificam-se eticamente apoiando-seem concepções filosóficas que relativizam o conceito de vida humana, identifi-cando-o seja com uma noção difusa de continuidade impessoal10, seja com anoção kantiana de autodeterminação11. Entretanto, o próprio avanço da ciêncianas últimas décadas, principalmente no referente ao campo da genética e damedicina reprodutiva, tem apontado, indiscutivelmente, para uma visão cada vezmais genética e personalista da vida humana. Ou seja, nunca como antes, temostantas razões para afirmar – razões estas fornecidas pela própria ciência – que avida humana tem origem no momento da fecundação, da união do esperma-tozóide com o óvulo12. Insistir em negar tal evidência hoje representa negar opróprio avanço da ciência e desprezar o natural processo de revisão filosófica quedeve acompanhar o desenvolvimento da pesquisa e da ética científica.ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005 257
  • 7. Neste sentido, reivindicar a liberdade da pesquisa com células-tronco ex-traídas de embriões humanos – mesmo no estágio blastocístico – em nome do“progresso da ciência”, apresenta-se, ao meu ver, como um argumento simplistae dogmático. Identifica-se aqui, mais uma vez, a reedição da perspectiva dogmáticada ciência, tal como diagnosticou Marañón há mais de cinqüenta anos. Por de-trás de todo este “espetáculo”, certamente não está o “velho embate entre asluzes da ciência e as trevas da religião”, mas sim o posicionamento ideológico docientificismo que, tomando como fundamento uma concepção meramentetecnicista e pragmática de ciência e apoiada por uma leitura oportunista da filo-sofia, procura justificar o “avanço da ciência” pelo bem dela mesma. A análise cuidadosa da história – particularmente da história da ciência –em seus eventos menos ou mais recentes – como tivemos a oportunidade depontuar – aliada ao acompanhamento conseqüente do diálogo entre a ciência e aantropologia filosófica, continua sendo a melhor medida preventiva contra a“síndrome” da medicina dogmática. Mas a receita do Dr. Marañón parece con-tinuar sendo desprezada. Não tanto porque pareça amarga demais, mas talvezporque simplesmente exija, necessariamente, que o “paciente” pare, pense, refli-ta, enfim, que faça um “certo repouso” reflexivo. E isso é algo que o espírito donosso tempo não permite. Não podemos parar; a ciência não pode parar. Afinalo tempo é escasso, o tempo é... Enquanto isso, a quantos outros novos atos de ciência-espetáculo teremosque assistir?Notas 1 Cf. Gregorio Marañon, “Crítica de la medicina dogmática”, em Vocación y Ética y otros ensayos. Madrid, Espasa-Calpe, 1966, p. 342. 2 Para um visão mais completa sobre este e outros temas relacionados com o Projeto Genoma, remeto para o excelente trabalho da Dra. Marimélia A. Porcionatto, “Proje- to Genoma: uma leitura atenta do livro da vida?”, apresentado como dissertação de mestrado no programa de pós-graduação em História da Ciência da PUC-São Paulo em 2001. Marimélia Porcionatto é também doutora em bioquímica e docente na Unifesp/EPM. Tal como a autora e como todos os que estão diretamente envolvidos neste empreendimento, minha crítica não se dirige ao projeto em si, que sem dúvida é algo importantíssimo e de grande valor científico. A crítica dirige-se essencialmente à mistificação que se produziu à época de sua divulgação. 3 Cf., por exemplo, os artigos publicados no dossiê “Células Trono” do n. 51 desta revista, particularmente os de Anne Fargot-Largeault, “Embriões, células-tronco e terapias celulares: questões filosóficas e antropológicas”, e de Mayana Zats, “Clonagem e células-tronco”, Estudos Avançados 51, maio-ago. 2004, pp. 227-256. 4 Freed CR., “Will Embryonic Stem Cells be a Useful Source of Dopamine Neurons for Transplant into Pacients with Parkinson’s Disease?” Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. 99, 2002, pp. 1755-1757.258 ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005
  • 8. 5 Cf. J. Marx, “Mutant Stem Cells May Seed Cancer”, Science, vol. 301, 2003, pp. 1308-1310; e M. E. Valk-Lingbeek; S. W. Bruggeman e M. van Lohuizen, “Stem Cells and Cancer: The Polycomb Connection”, Cell, vol. 118, 2004, pp. 409-418. 6 N. L. Mortalla, “La clonación terapéutica: ni clonación, ni terapéutica, ni necesaria”. ABC, Madrid, 3 mar. 2005. Mais recentemente, uma nova nota divulgou um inespe- rado sucesso na obtenção das linhagens (maio de 2005), porém, artigo na revista Cell do mesmo mês, aponta que, novamente, as linhagens obtidas eram todas “doentes” e “incompatíveis para o uso terapêutico”. 7 Idem. 8 Em princípios de junho de 2005, James Battey, pesquisador do Instituto Nacional de Saúde de Bethesda, Maryland, EUA, divulgou nota afirmando que estaria conseguin- do obter células-tronco embrionárias através de células adultas. Cf. O Estado de S.Paulo, 8 jun. 2005, p. A22. 9 Cf. “Marco político e científico: entrevista com Mayana Zatz”, Agência Fapesp, 10/ 3/2005. Boletim eletrônico: http://www.agencia.fapesp.br/boletim_ dentro. php?id=3400.10 Cf. Mayana Zataz, op. cit..11 Cf. Anne Fagot-Largeault, op. cit.. Segundo a autora, “Não se trata de argumentar que o embrião humano, desde seus primeiros estágios de desenvolvimento, é objeto de respeito, portanto intocável. O respeito, no sentido kantiano, destina-se ao agente moral, isto é, a um ser capaz de se autodeterminar, de se comportar segundo a repre- sentação que ele tem do imperativo moral. Um embrião no estado de blastocisto não tem autonomia moral...” (p. 240).12 Cf. Vicent Bourguet, O ser em gestação; reflexões bioéticas sobre o embrião humano, São Paulo, Loyola, 2002 e Jean Bernard, Da biologia à ética, Campinas, Editorial Psy, 1994.Referências bibliográficasBERNARD, Jean. Da biologia à ética. Campinas, Editorial Psy, 1994.BOURGUET, Vicent. O ser em gestação; reflexões bioéticas sobre o embrião humano. São Paulo, Loyola, 2002.FARGOT-LARGEAULT, Anne. “Embriões, células-tronco e terapias celulares: ques- tões filosóficas e antropológicas”. Estudos Avançados 51, maio-ago. 2004, pp. 227- 245.FREED CR., “Will Embryonic Stem Cells be a Useful Source of Dopamine Neurons for Transplant into Pacients with Parkinson’s Disease?” Proceedings of the National Academy of Sciences. vol. 99, 2002, pp. 1755-1757.MRAÑÓN, Gregorio. “Crítica de la medicina dogmática”. Em Vocación y Ética y otros ensayos. Madrid, Epasa-Calpe, 1966.MARX, J. “Mutant Stem Cells May Seed Cancer”. Science, vol. 301, 2003, pp. 1308- 1310.MORTALLA, N. L. “La clonación terapéutica: ni clonación, ni terapéutica, ni necesaria”. ABC, Madrid, 3 mar. 2005.ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005 259
  • 9. PORCIONATTO, Marimélia A. Projeto Genoma: uma leitura atenta do livro da vida? Dissertação de Mestrado, São Paulo, PUC-São Paulo, 2001.VALK-LINGBEEK, M. E.; BRUGGEMAN S.W. e VAN LOHUIZEN, M. “Stem Cells and Cancer: The Polycomb Connection”. Cell, vol. 118, 2004, pp. 409-418.ZATS, Mayana, “Clonagem e células-tronco”. Estudos Avançados 51, maio-ago. 2004, pp. 247-256.RESUMO – PARTINDO da perspectiva da “crítica da medicina dogmática” de Gregorio Ma-rañón, o artigo pretende discutir o tema da pesquisa com as células-tronco à luz de con-siderações científicas, filosóficas e éticas que nem sempre são levadas em conta pelamaioria dos trabalhos que vem sendo publicados. É necessário analisar os posicionamentoscientíficos sobre esta questão no cenário político, ideológico e histórico que nos envolve.PALAVRAS-CHAVE: Bioética, Células-Tronco, História e Filosofia da Ciência.ABSTRACT – ROOTED in Gregorio Marañón’s “critique of dogmatic medicine”, this essaydiscusses stem cell research from the viewpoint of scientific, philosophical and ethicalconsiderations that most published works do not always take into account. It is incumbentthat scientific positions on this issue be analyzed in light of the political, ideological andhistorical scenarios in which we are immersed.KEY-WORDS : Bioethics, Stem Cells, History and Philosophy of Science.Dante Marcello Claramonte Gallian é doutor em História Social pela FFLCH-USP,diretor do Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde (CeHFi) da Unifesp emembro do Núcleo Interdisciplinar de Bioética (NIBio) da Unifesp.@ – dante.dac @epm.brRecebido em 21.7.05 e aceito em 3.8.05.260 ESTUDOS AVANÇADOS 19 (55), 2005

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