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JOSÉ GONÇALVES
POR QUE CAEM
OS VALENTES?
Uma análise bíblica e teológica acerca do fracasso ministerial
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Todos os direitos reservados. Copyright © 2006 para a língua
portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus.
Apr...
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PREFÁCIO
Honra-me sobremodo, o autor da obra Por que Caem os
Valentes?, meu amigo, irmão em Cristo e colega de ministéri...
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falaram dos valores absolutos e relativos, enfocando vários
aspectos dos diferentes segmentos da sociedade humana. Fica,...
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SUMÁRIO
Prefácio
Introdução
1. Por que?
2. Um fenômeno meramente psicanalítico?
3. Sob fogo inimigo
4. Um passado canane...
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INTRODUÇÃO
Como Caíram os Valentes
"A tua glória, ó Israel, foi morta sobre os teus altos! Como
caíram os valentes! [......
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dificuldade de se expressar, ele pegou um pedaço de papel,
escreveu algumas palavras e entregou-me. No pequeno texto
est...
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Por que?
Na altura do quilômetro 30 da BR 343 da auto-estrada que
liga a cidade de Altos a capital Teresina, no Estado...
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nosso mundo dos sentidos era apenas uma cópia imperfeita, já
Aristóteles achava que não necessitava de nada disso. Para...
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modernos levam em conta o todo e não apenas suas partes como
fazia o modernismo.
Quando perguntamos: Por que caem os va...
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FENÔMENO MERAMENTE
PSICANALÍTICO?
Estávamos em um culto no ano de 1983, eu era um novo
convertido, mas consigo ainda ...
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Figueroa envolveu-se com Madalena quando a aconselhava em
seu gabinete pastoral.
Muitas vezes ouvimos relatos como este...
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chegar. Ele vestia roupas militares, trazia uma mochila sobre as
costas, os seus gestos demonstravam que viera em uma m...
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A maior batalha de toda a minha vida espiritual foi talvez travada na
época em que tomei o importante compromisso de en...
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Precisamos separar o joio do trigo e saber também que somos
agentes morais.
Notas
1 Os nomes aqui são fictícios, mas a ...
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SOB FOGO INIMIGO
"Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário,
anda em derredor, bramando como leão,
busca...
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Você já deve ter ouvido falar de Kathryn Kuhlman, de São Petesburgo,
ministra usada de forma muito poderosa por Deus no...
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quando observei um jovem deslocar-se em direção ao púlpito.
Parecia estar em êxtase, falava em voz audível em uma lingu...
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anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa
tragar" (1 Pe 5.8).
Alguns Detalhes Revelados nesse Texto
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2. A palavra vigilante traduz o termo grego grcgoréô, que
ocorre 22 vezes no texto grego do Novo Testamento.4 Esse term...
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6 TALIAFERRO, Mike. Citado em A Batalha — como Derrotar
os Inimigos de nossa Alma. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 1999.
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UM PASSADO CANANEU
O Voto Precipitado
"Era, então, Jefté, o gileadita, valente e valoroso, porém filho
de uma prostit...
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tão, foi-se ela com as suas companheiras e chorou a sua
virgindade pelos montes. E sucedeu que, ao fim de dois meses,
t...
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para levá-los à queda.
Conheci um pregador famoso que teve seu ministério preju-
dicado, devido a uma ação de divórcio ...
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ônibus chegou e minha esposa entrou nele, nesse momento aque-
le indivíduo fez um pequeno bilhete em forma de um "avião...
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3 SCHULTZ, Samuel J. A História de Israel no Antigo
Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SF, 1986.
4 Tony Evans co...
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O RELATIVISMO MORAL
E A QUEDA DOS VALENTES
"Não há nenhum relativista que goste de ser tratado
relativamente."
Josh M...
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portamento moral dos homens em sociedade",1 enquanto a moral
"é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente,...
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outro lado o valor relativo seria o oposto disso. Um valor absoluto
tem validação universal, enquanto aquilo que se é r...
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Platão fizeram foi "anular" o lado dionisíaco do homem, negando
seus instintos e afirmando somente o seu lado racional....
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eternos. Ele não está sujeito ao relativismo moral, pois o Deus a
quem ele serve é universal e eterno.
Josh MacDowell, ...
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havia frases como: "Meu bem, eu te amo", "Não posso viver sem
você", etc. Contou-me que uma jovem da sua igreja havia
e...
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"irrepreensível". O clássico Dicionário do Novo Testamento Grego
de Vine, assim define esta palavra:
Significa que não ...
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ganhar dinheiro deles [...], refere-se ao engajamento em negócios
escusos.18 Este vocábulo é formado por duas palavras ...
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6 SCHOPENHAUER, Arthur,. Sobre o Fundamento da Moral.
Ed. Martins Fontes, São Paulo - SP, 1995.
7 McDOWELL, Josh. Certo...
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VIDA DEVOCIONAL POBRE
"Exercita-te na piedade.
1 Timóteo 4.7
Por que caem os valentes? Estou certo de que a negligênc...
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negligenciada. Deus, na sua muita misericórdia estava me exor-
tando. No dia seguinte, acordei com as palavras da músic...
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operação de desmonte de suas programações. A razão era simples,
o jogo seria às 8 horas da manhã de domingo, exatamente...
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escorraçados da casa do vizinho. Ficam olhando pelo buraco da
fechadura. Precisamos nos conscientizar. Por outro lado, ...
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demos nos conformar com os apelos desse mundo e esquecer a
nossa maior vocação — a adoração. Precisamos voltar a nos de...
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AS ARMAS DOS VALENTES
No livro de 2 Samuel 23.8-22, lemos a respeito dos valentes
que serviam ao rei Davi:
"Estes são...
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valentes. Dentre os trinta, ele era o mais nobre, porém aos três
primeiros não chegou; e Davi o pôs sobre os seus guard...
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disciplinas espirituais como adoração, jejum, oração, meditação,
auto-exame e confissão. Estamos muito ocupados, indo d...
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da manhã. Ouvi uma voz me chamando, consegui identificar
aquela voz, pertencia a uma das minhas irmãs. Já conhecendo a
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extrema - não é a mesma coisa que santidade, apesar de algumas formas de
ascetismo fazer parte da vida de uma pessoa sa...
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APOIO AÉREO
Super Armas!
Recentemente a mídia internacional deu ampla cobertura à
guerra do Afeganistão. Naquele conf...
Por que Caem os Valentes? - José Gonçalves
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Por que Caem os Valentes? - José Gonçalves

Published on: Mar 4, 2016
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Transcripts - Por que Caem os Valentes? - José Gonçalves

  • 1. 1
  • 2. 2 JOSÉ GONÇALVES POR QUE CAEM OS VALENTES? Uma análise bíblica e teológica acerca do fracasso ministerial
  • 3. 3 Todos os direitos reservados. Copyright © 2006 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Preparação de Originais: Gleyce Duque Revisão: Luciana Alves Capa e projeto gráfico: Eduardo Souza Editoração: Wagner de Almeida CDD: 248 - Vida Cristã ISBN: 85-263-0751-7 As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: www.cpad.com.br SAC — Serviço de Atendimento ao Cliente: 0800-701-7373 Casa Publicadora das Assembléias de Deus Caixa Postal 331 20001-970, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 3ª Edição/2006 4ª Edição 2006
  • 4. 4 PREFÁCIO Honra-me sobremodo, o autor da obra Por que Caem os Valentes?, meu amigo, irmão em Cristo e colega de ministério, evangelista e professor José Gonçalves, solicitando-me o prefácio do seu novo livro. A tarefa não é fácil! É honrosa, mas árdua. Nada obstante, constitui-se um privilégio para qualquer cidadão prefaciar uma obra de autoria de um homem com o mérito do irmão José Gonçalves, que é teólogo, filósofo, professor de Grego, Hebraico, Filosofia e Teologia Sistemática. Por que caem os valentes? Logicamente, o leitor terá a resposta a esta pergunta dada pelo ilustre autor, que já deu provas claras de sua habilidade filosófica, sociológica, científica e teológica. Porém, após rápida reflexão, podemos concluir que, invariavelmente, todos os valentes são auto-suficientes. São grandes aos seus próprios olhos. São vaidosos. Pensam que são donos do mundo, donos de todo o poder! Ignoram a fragilidade e pequenez de que são possuídos. Parece até que se esquecem de que são limitados seres humanos, cuja valentia desaparece da noite para o dia. No pranto de Davi por Saul e Jônatas, ele inseriu estas palavras: "Saul e Jônatas, tão amados e queridos na sua vida, também na sua morte não se separaram! Eram mais ligeiros do que as águias, mais fortes que os leões. Vós, filhas de Israel, chorai por Saul, que vos vestia de escarlata em delícias, que vos fazia trazer ornamentos de ouro sobre as vossas vestes. Como caíram os valentes no meio da peleja! Jônatas nos teus altos foi ferido!" (2 Sm 1.23-25) Além dos acontecimentos dos nossos dias, este livro tem algo escatológico sobre a queda de grandes e valentes que surgem de vez em quando. Deus revelou ao profeta Isaías a ruína da Babilônia com o seu poderio. Na descrição dos eventos, o Senhor disse: "Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!" (Is 14.12) Sim, Satanás, este grande valente que debilitava as nações, a quem o Senhor viu cair como raio (Lc 10.18). Toda valentia tem limites. Veja o que disse Jesus : "Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança está tudo quanto tem. Mas, sobrevindo outro mais valente do que ele e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos" (Lc 11.21,22). Não existe valente que não caia. As causas podem ser muitas, porém, resume-se à fragilidade humana. O autor desta obra histórica de fatos reais cita nomes de vários personagens, filósofos, teólogos, psicólogos e outros, que
  • 5. 5 falaram dos valores absolutos e relativos, enfocando vários aspectos dos diferentes segmentos da sociedade humana. Fica, então, provado que o ser humano é frágil por natureza e cuja fragilidade é uma das conseqüências do pecado. Parabéns, irmão José Gonçalves, por mais esta obra. Para- béns, leitor que enriquece sua biblioteca com este livro. E gratificante prefaciar mais um livro de um colega que en- trou também na seara literária. Fraternalmente em Cristo, Pr. Nestor H. Mesquita Presidente da CEADEP Convenção Estadual das Assembléias de Deus no Piauí. Membro da UBE-PI. Presidente do Conselho Regional do Nordeste da CCADB
  • 6. 6 SUMÁRIO Prefácio Introdução 1. Por que? 2. Um fenômeno meramente psicanalítico? 3. Sob fogo inimigo 4. Um passado cananeu 5. O relativismo moral e a queda dos valentes 6. Vida devocional pobre 7. As armas dos valentes 8. Apoio aéreo 9. Tratando os feridos 10. Placas de advertências Apêndice A Demônios fortes, ministros fracos? Apêndice B Satanás e o pecado não devem ser subestimados
  • 7. 7 INTRODUÇÃO Como Caíram os Valentes "A tua glória, ó Israel, foi morta sobre os teus altos! Como caíram os valentes! [...] Como caíram os valentes no meio da peleja! Jônatas sobre os montes foi morto! [...] Como caíram os valentes, e pereceram as armas de guerra!" (2 Sm 1.19-27, ARA - grifos do autor) Como caíram os valentes! é o lamento de Davi. Acredito que essa lamentação do até então futuro monarca de Israel, pela morte de Saul e Jônatas no campo de batalha, identifica-se com cada um de nós em determinadas situações da vida. Quem nunca experimentou esse sentimento de perda? Falando em termos ministeriais, quem nunca chorou a "queda" de um ministro do evangelho? Quem nunca sentiu um vazio, quando um pregador a quem devotávamos uma grande admiração e respeito foi tirado de cena? Um Ministério em Jogo Há anos, em um Congresso de Jovens da União de Mocidade de meu estado, vivi de forma intensa esse "lamento de Davi". A igreja tinha se preparado para esse dia. O trabalho de marketing também havia sido bem feito pelos organizadores do evento; a mídia dera ampla cobertura àquele que seria mais um grande Congresso Metropolitano da União de Mocidade de Teresina. Milhares de pessoas costumavam lotar o "Pavilhão", um local espaçoso destinado a feiras e eventos. O tempo gasto para percorrer os 42 km, distância que separa a cidade de Altos da capital Teresina, foi o suficiente para encontrar um auditório superlotado. A minha mente, quase que inconsciente, dirigiu-me à plataforma onde estava situado o púlpito. Os meus olhos procuravam o conferencista. Aquele jovem pastor era muito requisitado, pelo que não era fácil conseguir agendá-lo. Eu queria saber se de fato ele teria vindo, conforme fora anunciado. Fiquei aliviado, viera e estava sentado na primeira fila de cadeiras. A sua grande eloqüências unida à sua poderosa voz profética, fez dele uma espécie de ícone entre a juventude pentecostal. Convidado a ocupar um lugar no púlpito, logo percebeu a minha chegada e convidou-me a ocupar uma cadeira ao lado da sua. A nossa amizade, fruto de longos anos, nos dava a liberdade de desfrutarmos uma comunhão sólida. Mas ao trocar as primeiras palavras, percebi que ele queria partilhar algo comigo, mas parecia estar "entalado". Foi então que percebi que havia alguma coisa muito além do corriqueiro. Com uma visível
  • 8. 8 dificuldade de se expressar, ele pegou um pedaço de papel, escreveu algumas palavras e entregou-me. No pequeno texto estava escrito: José, estou passando por um grande conflito. É tão intenso que o meu ministério está em jogo. Confesso que naquele momento essas palavras cortaram meu coração. O culto seguia seu curso normal: cantores e mais cantores se revezavam no púlpito, mas para mim acabara ali. O ecoar daquelas palavras impediam-me de ouvir qualquer outro som. A velocidade da luz, eu tentava racionalizar: "Não deve ser nada grave". Tentava a todo custo acalmar a minha mente, afinal um ministério tão belo e maravilhoso como o daquele irmão não poderia, sob hipótese alguma, ser danificado. Não vou entrar em detalhes sobre o desfecho desta história, mas estou consciente de que fatos como este acontece com mais freqüência do que imaginamos. Como pregador itinerante, por onde andava, ouvia muitos relatos parecidos com esse. Outras vezes, recebia telefonemas de colegas de ministério onde as suas falas começavam assim: "Você já sabia que fulano de tal caiu?" Às vezes, a informação surgia velada, geralmente as perguntas originavam-se dessa outra forma: "O que você está sabendo acerca de beltrano?" Quando respondia: "Nada", o outro completava: "Ele caiu". Ao escrever sobre esse assunto, faço com temor e tremor, afinal também sou um ministro do evangelho. Estou no mesmo barco, corro os mesmos riscos. Procurei fugir do farisaísmo, característica de quem só sabe criticar. Por outro lado, também não tive a intenção de "abrir" feridas já cicatrizadas em alguns valentes, até porque acredito que aqueles que o Senhor restaurou, estão de fato restaurados. O meu propósito é levar-nos a uma reflexão acerca do "ofício do ministro evangélico"; todavia não apenas de suas glórias, mas principalmente dos perigos que o cercam. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!
  • 9. 9 1 Por que? Na altura do quilômetro 30 da BR 343 da auto-estrada que liga a cidade de Altos a capital Teresina, no Estado do Piauí, encontra-se erguido um grande memorial de concreto armado. Nele, se lê em letras garrafais a seguinte interrogação: Por quê? Há alguns anos naquele local, um caminhão de carga chocou-se com um ônibus de passageiros. Doze pessoas tiveram suas vidas ceifadas em conseqüência daquela colisão. Foi uma tragédia! Por quê? E a grande pergunta que fazemos após presenciarmos uma tragédia. Por que morrem todos os dias crianças inocentes? Por que há tantas catástrofes? Por que existe o mal? Por que caem os valentes? As respostas das três primeiras perguntas não são tão fáceis de serem dadas, elas envolvem diretamente a soberania de Deus. Mas quanto à quarta pergunta, embora ofereça um certo grau de dificuldade para ser respondida, acredito termos elementos suficientes nas Escrituras Sagradas para responder-lhe. Um dos pressupostos básicos da lei da física é "que toda ação, provoca uma reação". Isto pode ser dito de outra forma: "Para todo efeito há uma causa que o determina". Isso significa que é possível encontrarmos a partir dos efeitos, as causas determinantes de nossos porquês. Voltemos ao acidente entre os dois veículos para entendermos o que está sendo dito. Ao chegar no local do acidente, a perícia constatou que o motorista do caminhão invadiu a pista do ônibus. Esse acidente foi causado, portanto, pelo motorista do caminhão. Quer estivesse cansado, embriagado ou dopado, ele foi responsabilizado pela culpabilidade moral de seu ato. O motivo e a resposta deste fato satisfaz à nossa racionalidade. Mas nem sempre é assim. A história humana é um volumoso arquivo onde estão registradas as mais diferentes e contradizentes respostas aos mesmos porquês. Na Grécia antiga, por exemplo, um filósofo querendo responder o porque da origem de tudo, recorria à água como sendo o elemento formador desse princípio. Por outro lado, um outro filósofo achava que o elemento oposto, o fogo, explicaria melhor essa mesma origem. São os mesmos porquês, mas com respostas radicalmente diferentes. Platão recorreu ao mundo das idéias, um mundo completa- mente diferente do nosso e ao qual ele chamou de inteligível para explicar a existência de tudo. Para ele, o porquê da existência de nosso mundo sensível encontrava-se nesse mundo ideal, do qual o
  • 10. 10 nosso mundo dos sentidos era apenas uma cópia imperfeita, já Aristóteles achava que não necessitava de nada disso. Para ele, tudo estava aqui e as respostas dos porquês poderiam ser dadas a partir daqui mesmo. Os escolásticos (também denominados filó- sofos da Escola), na Idade Média, acreditavam que seus métodos eram plenamente confiáveis na explicação dos porquês relaciona- dos às verdades físicas e religiosas. Todavia, o filósofo francês René Descartes (1596 - 1650), em seu livro O Discurso do Método, procurou demolir essa certeza dos escolásticos e oferecer uma nova resposta para esses porquês. Descartes, autor da famosa frase: Penso, logo existo, achou que faltou bom senso por parte dos pensadores que o precederam ao elaborarem as respostas para seus porquês. Gottfried Wilhelm Leibiniz (1646 - 1716) achava que as Mônadas, uma espécie de unidade panteísta formadora de todas as coisas, explicaria com precisão o porquê da dinâmica do cosmo, mas por outro lado Immanucl Kant (1724 - 1804), filósofo alemão, achou puro delírio as idéias de Leibiniz. Para Kant, as idéias do autor da teoria monadológica eram inviáveis uma vez que em lugar de dados experimentais ele contou simplesmente com argumentos racionais. O próprio Kant achava que as respostas que a igreja dava para os porquês eram destituídas de valor, uma vez que ela não podia comprová-las com a experiência. Novos porquês e suas Respostas Pois bem, a partir de Descartes uma visão tecnicista ou cartesiana do universo se popularizou. Esse novo paradigma seria conhecido como modernismo ou cientificismo. Esse novo modelo via o funcionamento do cosmo assemelhai" Se ao do uma máquina. Por aproximadamente três séculos o modernismo reinou absoluto na cultura ocidental, todos os porquês teriam suas respostas dadas à luz das novas descobertas científicas. Aquilo que não passasse pelo crivo da razão e recebesse comprovação científica deveria ser posto de lado. As respostas dos porquês dadas pela religião foram colocados sob suspeição ou simplesmente ignoradas. Os filósofos dizem que um paradigma ou modelo está fadado ao fracasso quando ele não consegue mais dar resposta satisfatória aos novos porquês. Surge assim um novo paradigma. Foi exatamente isso o que aconteceu com o modernismo. Com o advento da física quântica, novas descobertas revelaram um universo diferente daquele imaginado pelo modelo cartesiano. Nas décadas de 60 e 70, esse novo paradigma, também denominado pós-modernismo ou ainda de holísmo, passou a dominar todas as áreas do saber. As respostas dos porquês dadas pelos pós-
  • 11. 11 modernos levam em conta o todo e não apenas suas partes como fazia o modernismo. Quando perguntamos: Por que caem os valentes?, estamos diante de um porquê cuja resposta transcende à nossa racionalidade, isto é, ela não depende somente do nosso entendimento racional para ser dada, depende também da revelação divina jorrada nas páginas da Bíblia Sagrada sobre a natureza e o ofício desses agentes do Reino de Deus. Isso, no entanto, não significa dizer que as ciências humanas não tenham suas importantes contribuições nas respostas de muitos porquês, elas têm sim; todavia o que é preciso ficar bem claro é que têm suas áreas de ação bem delimitadas. A psicanálise, por exemplo, sabe tudo sobre o inconsciente, mas não tem nada a dizer sobre aquilo que a Bíblia chama de o velho homem. A psicologia tem muito a nos dizer sobre o comportamento dos humanos, mas nada sabe a influência que Satanás causa sobre esse mesmo comportamento. A sociologia fala muito sobre agregação social, mas o que diz sobre o trabalho desagregador dos demônios em meio a essa mesma sociedade? Nada. Não é competência dela. O nosso porquê, definitivamente, só terá sua resposta dada de forma satisfatória se nos fundamentarmos nas Escrituras Sagradas. Portanto, é nosso projeto nos apoiarmos no Livro Santo.
  • 12. 12 2 FENÔMENO MERAMENTE PSICANALÍTICO? Estávamos em um culto no ano de 1983, eu era um novo convertido, mas consigo ainda lembrar com precisão da mensagem pregada naquele domingo. J. Figueroa,1 um pregador pentecostal, era conhecido por sua eloqüência e poderosa voz profética. Ele fora convidado naquele dia para ser o preletor em nossa igreja. O pequeno templo estava superlotado, todos procuravam uma melhor acomodação para ouvir a Palavra de Deus. A fama de ser um grande pregador do evangelho fazia a multidão esperar com expectativa o momento da preleção daquele irmão. Naquela noite, ele inspirara-se na visão do vale de ossos secos para falar do poder restaurador de Deus (Ez 37.1-14). Com uma unção incomum e um carisma contagiante, discorreu sobre o seu tema. Até então, não conhecia ninguém que pregasse com tanta clareza, eloqüência e conhecimento bíblico como aquele amado pastor. As lágrimas corriam copiosamente na face dos presentes. Dezenas de pessoas aglomeravam-se em frente ao altar para emendar os seus caminhos, muitas outras entregaram suas vidas ao Senhor Jesus. Depois daquele dia, tive o privilégio de ouvir aquele irmão outras vezes. Acontecia sempre a mesma coisa: conversões, reconciliações e um forte sentimento da presença de Deus quando ele pregava. O seu nome tornou-se uma celebridade entre os pentecostais de meu estado, todos gostariam de solicitá-lo como preletor de seus congressos e cruzadas. A sua igreja, mais do que as outras, promovia freqüentemente eventos de natureza evan- gélica. Certo dia, no verão de 1984, eu, meu irmão e um primo fomos participar de um evento promovido pela igreja daquele obreiro. Foi ali que conhecemos Madalena, uma jovem simpática, mas sem muita beleza física. Ela era membro da igreja de J. Figueroa. Naquele culto, como era costume acontecer, J. Figueroa pregou com uma unção assoberbante. Os anos passaram e por diversas oportunidades tive o privilégio de ouvir J. Figueroa pregando. Certo dia, ao chegar no templo onde me congregava, observei que um grupo de irmãos conversava reservadamente. Pelo baixo tom de voz deduzi que o assunto era sigiloso. Ao me aproximar mais um pouco, ouvi a frase que gostaria de jamais ter ouvido na minha vida: J. Figueroa caiu em adultério com a Madalena. Fiquei estupefato ouvindo aquele irmão ainda com sua voz embargada continuar o seu relato. Aquele irmão continuou a sua narrativa dizendo que J.
  • 13. 13 Figueroa envolveu-se com Madalena quando a aconselhava em seu gabinete pastoral. Muitas vezes ouvimos relatos como este, não é novidade para ninguém. Mas o que leva um obreiro tão bem-sucedido em seu ministério a jogar tudo fora para desfrutar de uma aventura sexual? Por que alguém estaria disposto a destruir não somente a sua vida, mas também a sua família? A última vez que tive notí- cias de J. Figueroa, ele havia abandonado a sua família para jun- tar-se a uma outra mulher, que não era a Madalena. Segundo um amigo que o conhece de perto, a vida daquele ex-obreiro tornou-se um verdadeiro inferno. Por quê? Um Simples Fenômeno de "Transferência"? Para um psicanalista experiente, o que ocorreu entre J. Figueroa e a jovem Madalena foi simplesmente aquilo que os analistas denominam de transferência.2 A jovem Madalena teria procurado J. Figueroa para ser aconselhada acerca de uma desilusão sentimental que tivera. J. Figueroa querendo melhor ajudar a Madalena procurou conhecer melhor a sua história. Os dois tornaram-se muito íntimos durante as sessões de aconselhamento. Por fim, estavam completamente apaixonados um pelo outro. O fim você já conhece. De acordo com a teoria psicanalista, aquela jovem viu em J. Figueroa a figura de seu pai. Um modelo ideal que ela projetou como sendo perfeito. J. Figueroa tornou-se seu príncipe encantado, o homem que ela sempre sonhara. A relação pastor/ovelha, devido às suas peculiaridades, acabou por criar esse fenômeno da transferência. O aconselhado enxerga em seu conselheiro o seu herói, a partir daí projeta em sua mente que essa é a pessoa que ele precisa em sua vida. Não medirá esforços para ter uma aproximação maior com o seu modelo. Fará de tudo para agradar-lhe: desde presentes até mesmo a gratificação sexual. Todo pastor de alguma forma envolve-se no ministério de aconselhamento. Não há como escapar dessa prática, os membros necessitam de uma palavra de seu pastor. Essa proximidade peculiar ao próprio ministério de aconselhamento cria as condições para que fatos como esse aconteçam. Mas seria esse um fenômeno meramente psicanalítico? Acredito firmemente que não. Um Dardo Apontado para Você Há um tempo tive uma experiência que me fez lembrar da história de J. Figueroa. Eram aproximadamente 2h30min da madrugada de uma segunda-feira quando acordei. O sonho que acabara de ter deixou-me inquieto. Sonhara que um de meus irmãos que mora em um outro estado da federação acabara de
  • 14. 14 chegar. Ele vestia roupas militares, trazia uma mochila sobre as costas, os seus gestos demonstravam que viera em uma missão. Havia muito tempo que não o via; quando o contemplei, indaguei- o: "O que trouxe você aqui?" A sua resposta foi direta: "Vim para avisar-lhe que há um dardo apontado para você". Foi quando despertei. Nessa época, era funcionário da Polícia Federal, e à noite dava aulas em uma escola teológica. Naquele dia fui para o serviço muito pensativo, indagava para mim mesmo: O que isso quer dizer? No meu íntimo, sentia que alguma investida do Diabo estava a caminho, mas não sabia como isso aconteceria. Na quarta-feira encontrava-me na instituição teológica da qual era professor. Não fosse um pequeno incidente ocorrido com uma aluna, aquele seria um dia normal como os outros. Aquela aluna parecia estar com muito mau humor, procurei estimulá-la para a aula, afinal era uma das melhores alunas da minha disci- plina. Os meus esforços foram em vão. Terminada a aula, uma de suas colegas confidenciou-me algo que me fez estremecer. Per- guntou-me se eu sabia a razão que levara aquela aluna a estar tão mal- humorada. Respondi negativamente, e ela então completou: "Ela está apaixonada por você". Jamais imaginara que aquilo fosse de fato verdade. A partir da revelação feita por aquela jovem, as imagens daquele sonho que tivera dias antes começaram a fluir na minha mente: "Há um dardo apontado para você". Sim, Satanás investira contra mim, e era exatamente sobre aquilo que o Senhor me avisara. A partir daquele momento comecei a observar de perto todos os movimentos daquela jovem com respeito a minha pessoa. Descobri que o seu mau humor devia-se ao fato de não haver correspon- dência de minha parte aos seus sentimentos. Não tendo mais nenhuma dúvida sobre seus sentimentos em relação a mim, re- solvi conversar com ela para pôr fim naquele ardil do Diabo. Ela ficou embaraçada, pareceu ser pega de surpresa com minha po- sição firme em abortar aquele sentimento, mas por fim desistiu de sua fantasia. Aquele dardo inflamado do Diabo fora apagado. O Senhor me deu a vitória. Estou convencido de que forças espirituais são as grandes responsáveis pela queda de muitos obreiros, muito mais do que temos imaginado. Em geral, a nossa compreensão desses fatos é tirada de algumas conclusões meramente circunstanciais. Precisamos enxergar mais longe. Jack Halford, pastor de uma grande igreja pentecostal nos Estados Unidos da América, chama de batalha espiritual aquilo que um analista comumente denomina de transferência:
  • 15. 15 A maior batalha de toda a minha vida espiritual foi talvez travada na época em que tomei o importante compromisso de entrar na esfera da plenitude do poder e busca do Espírito Santo. Foi no início do meu ministério e sem o mínimo interesse da minha parte em "ter um caso" que, devagar, mas definitivamente, encontrei-me numa armadilha espiritual. Meu casamento era sólido e meu compromisso com Cristo e com a pureza espiritual era forte. Mas meu envolvimento freqüente com uma mulher de igual dedicação evoluiu para uma afinidade que, com o tempo, passou de amizade a uma paixão quase adúltera. Durante aqueles dias sombrios de uma tentação sexual a que nunca me rendi, lutei muito em oração contra os tentáculos emocionais que estavam buscando estrangular minha alma e me arrastar para o pecado. Sozinho em casa, clamava a Deus — freqüentemente com surtos de linguagem espiritual que brotavam em intercessão pelo meu desamparo. Só posso louvar a graça e a soberania da misericórdia de Deus, por ter sido poupado da perda da minha integridade, casamento, ministério — minha vida!"1 Ao denominar sua experiência de armadilha espiritual, Halford interpretou corretamente a natureza desse conflito. Só teremos alguma chance diante de uma guerra dessa magnitude, se possuirmos a consciência de que ela está sendo travada em outro plano — nas regiões celestiais (Ef 6.12). Isso, no entanto, não é uma forma de nos eximir de nossa responsabilidade moral, pondo a culpa somente no Diabo. Fala- remos mais adiante sobre a voluntariedade de nossas ações como uma condição necessária para que sejamos culpados ou inocen- tados moralmente. Somos feitos por Deus seres livres e com ca- pacidade de escolha. Todavia, não podemos esquecer de que "Não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais" (Ef 6.10-12). Sim, as Escrituras afirmam enfaticamente que o Diabo está em oposição não somente aos obreiros, mas a todos os crentes. Essa oposição, no entanto, não deve ser entendida como sendo sinônimo de domínio. Para que não fique a impressão de que estou dizendo que os demônios tem super poderes sobre os crentes, estarei colocando no final deste livro dois apêndices que fazem parte de um texto que escrevi tempos atrás sobre esse assunto.4 No Apêndice A, procurei mostrar que é completamente equivocada a crença que dá super-poderes aos demônios. Deve ser observado ainda que uma coisa é o cristão ser influenciado pelos demônios, outra, completamente diferente, é os demônios pos- suírem o crente. No Apêndice B, procuro mostrar também um correto entendimento sobre a natureza do pecado, a fim de que não o subestimemos. O crente não pode denominar de operação demoníaca aquilo que as Escrituras chamam de obras da carne.
  • 16. 16 Precisamos separar o joio do trigo e saber também que somos agentes morais. Notas 1 Os nomes aqui são fictícios, mas a história é verídica. 2 "Designa em psicanálise, o processo pelo qual fantasias in- conscientes se atualizam no decorrer da análise e se exteriorizam na relação com o analista" (DORON, Roland & PAROT, J. Figueroae. Dicionário de Psicologia. Ed. Ática, São Paulo SP, 1998). 3 HAIFORD, Jack. A Beleza da Linguagem Espiritual. Editora Quadrangular, São Paulo — SP, 1996. 4 GONÇALVES, José. Sabes o Grego? — Tira Dúvidas de Grego Bíblico. Edições do autor, Altos — PI, 2001.
  • 17. 17 3 SOB FOGO INIMIGO "Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar." 1 Pedro 5.8 Adeodato Campos ainda é bem jovem, recentemente casou- se com Selena. Já assistira Adeodato pregando o evangelho, mas só recentemente convidei-o a pregar na minha igreja. Seu sermão, aliás, como de costume foi vigoroso, mas com um detalhe - Adeodato atacou duramente naquela noite as forças infernais. No meu íntimo parecia que ouvi o Espírito Santo dizer-me: "Adeodato sofrerá uma oposição satânica sem precedentes na sua vida". Nada lhe disse naquela ocasião. Com o tempo fiquei mais íntimo da família Campos. Certo dia, fui procurado pela esposa de Adeodato; queria falar-me dos conflitos conjugais que estavam passando. Conflitos no casamento não são raros, principalmente para cônjuges recém-casados. Os pastores já estão habituados a lidar com esse tipo de problema. A prática do aconselhamento acaba por fazer os ministros bem treinados para encararem esse tipo de problema. Pois bem, nas primeiras semanas procurei ajudá-los, usando algumas técnicas de aconselhamento usadas com êxitos em casos similares, mas parecia que nada mudava a situação. Por fim, a esposa de Adeodato confidenciou-me que já havia tomado a decisão de abandoná-lo, pois, segundo me disse, não agüentava mais a forma como ele a tratava. Fiquei alarmado. Ali estava uma família que estava se desmoronando e eu nada podia fazer. Foi então que lembrei daquelas palavras que vieram à minha cabeça em que Adeodato sofreria uma oposição satânica sem precedentes. Resolvi chamá-lo para contar-lhe esse fato novo. Enquanto falava, Adeodato baixou a cabeça pensativamente. Ele parecia concordar com cada palavra que ouvia. O conflito estava em outro plano e precisava acordar para esse fato. A sua luta não era contra a sua esposa, mas contra os principados e as potestades. Todos os valentes se confrontarão com as forças do inferno, devemos estar preparados para esses embates. Nunca esqueci de algo que David Wilkerson disse acerca dos valentes em um de seus livros. Cora um discernimento incomum, esse profeta americano, alertou a todos os valentes sobre esse confronto:
  • 18. 18 Você já deve ter ouvido falar de Kathryn Kuhlman, de São Petesburgo, ministra usada de forma muito poderosa por Deus no ministério de cura e já falecida. Deus bondosamente permitiu-me trabalhar naquela cidade por mais de cinco anos e durante esse tempo eu e minha esposa, Gwen, pudemos conhecê-la melhor.Lembro-me do tom calmo de sua voz quando discutíamos sobre Satanás e os poderes das trevas. Certa ocasião, contava-lhe acerca do nosso trabalho com viciados em drogas e álcool na cidade de Nova Iorque, quando notei que ficou entristecida. Ela deve ter imaginado que eu estava indiferente ao assunto, uma vez que se relacionava com atividades demoníacas. E serenamente observou: "David, jamais fique despreocupado em relação às batalhas espirituais ou poderes satânicos. Este é um assunto sério!"Até onde pude perceber, Kathryn nunca temeu Satanás ou os demônios. Porém, jamais considerou principados e poderes das trevas um problema leve. Deus concedeu-lhe olhos espirituais para ver parte da guerra travada nos lugares celestiais.Jesus conhecia a violência de Satanás e as armas que usava para peneirar o povo de Deus. Acho que nenhum de nós pode compreender quão grande é a batalha travada hoje no campo espiritual nem perceber a determinação de Satanás em destruir os crentes que colocaram em seus corações o firme propósito de andar com Cristo. Porém, em nossa caminhada temos de cruzar a linha da obediência. No momento em que cruzamos a linha de obediência à Palavra de Deus e dependência exclusiva de Jesus tornamo- nos uma ameaça para o reino das trevas e alvo importante de seus principados. O testemunho de quem se volta para o Senhor de todo o coração inclui súbitos e estranhos problemas ou provações. Se você cruzou essa linha, então está agitando o mundo invisível. Todos nós experimentamos algum tipo de tormento do inferno. [...] Lembro de um jovem evangelista poderosamente usado por Deus para curar enfermos. Possuía uma unção especial e havia recebido revelação da Palavra. A mão de Deus estava sobre ele. Porém, ele e sua esposa começaram a se desentender e separaram-se. Os olhos do evangelista caíram então sobre uma jovem mulher. Ele sabia estar errando em cortejá-la, e decidiu ser "apenas um amigo". Ligava-lhe duas ou três vezes ao dia "para falar de Jesus". Resultado: divorciou se e casou-se com ela. Seu ministério continuou, mas era apenas uma sombra do passado. O jovem evangelista perdera Deus. Seu exemplo serve-nos de advertência.1 Satanás Têm Tentado Destruir sua Vida Naquela noite, o pequeno templo da Assembléia de Deus, lo- calizado no bairro "todos os santos", na capital do Piauí, estava completamente lotado. Eu havia sido convidado para ser o prega- dor em um culto promovido pelos jovens. Preguei uma mensagem intitulada: Dai de graça, porque recebestes de graça, baseado no texto do Evangelho de Mateus 10.8. O poder de Deus se revelou de uma forma especial. Mostrei durante o meu sermão como fomos alcançados pela graça de Deus, e que agora deveríamos também de graça levar avante as insondáveis riquezas de Cristo. Observei que a igreja correspondera à mensagem da cruz, um mover do Espírito se fez notório. Choros se misturavam às enunciações em linguagem espiritual. O ambiente se tornou maravilhoso. Já estava chegando o momento de encerrar a mensagem,
  • 19. 19 quando observei um jovem deslocar-se em direção ao púlpito. Parecia estar em êxtase, falava em voz audível em uma linguagem espiritual. Colando-se na minha frente, ainda transbordando do Espírito Santo, ele começou a dizer: "Meu servo, eu te ungi para o ministério, Satanás tem procurado destruir tua vida, mas tenho te dado grandes livramentos". Como numa fração de segundos, dezenas de eventos relacionados a livramentos que o Senhor havia me dado vieram-me à mente. Ele continuou: "Satanás intentará contra tua vida nesta noite, mas eu te livrarei, assim diz o Senhor". Comecei a chorar de gratidão diante do Senhor, sabia que tudo aquilo era verdade; se ainda estava de pé pregando a sua Palavra, era por causa da sua misericórdia. Naquela noite, despedi-me dos irmãos, chamei o companheiro que andava comigo e voltamos para a nossa cidade de origem. Ainda bem próximo daquela igreja, procurava manobrar o carro em frente a um barranco, quando de repente perdi o controle do carro. Na nossa frente estava um buraco feito para o deslocamento do trem, a sua profundidade era de aproximadamente uns cinco ou seis metros. Quando percebi que o veículo iria cair naquela cavidade, tentei freá-lo, mas meus esforços foram em vão. Quando me dei conta o carro já havia cruzado a rua e passado por cima do meio fio. O veículo ficou suspenso no meio fio como numa espécie de gangorra, tanto as rodas traseiras como as dianteiras ficaram suspensas no ar. O automóvel ficou com sua bandeja (ou seu centro) apoiado sobre o meio fio. Um movimento em falso e cairíamos direto naquele abismo. O irmão que andava comigo, vendo que eu tentava sair do veículo, e que esse gesto poderia fazer o carro precipitar buraco adentro, falou com voz temerosa: "Cuidado, pois senão o carro desce". Apesar de tudo isso, eu parecia não demonstrar a menor preocupação, a profecia ouvida minutos antes falava ainda bem alto aos meus ouvidos: "Eu te darei livramento". Sim, o Senhor já havia providenciado o livramento. A única marca daquele acidente foi um pequeno arranhão na pintura do meu carro, que fora provocado por minha aliança quando eu e mais dez irmãos retirávamos aquele veículo dali. Glória a Deus! Com certeza há acidentes provocados por causas diversas tais como imprudência, embriaguez, falhas mecânicas, etc, não questiono isso. Não podemos associar diretamente todos os acidentes que ocorrem às ações de demônios, mas naquela noite não tive dúvidas de que sofrerá um ataque de Satanás. O apóstolo Pedro demonstrou estar consciente desse conflito, ele exorta aos crentes a manterem a sobriedade e a vigilância: "Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário,
  • 20. 20 anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar" (1 Pe 5.8). Alguns Detalhes Revelados nesse Texto 1. A palavra sóbrios traduz o termo grego nephôs, ocorrendo seis vezes no texto grego do Novo Testamento.2 Esta palavra tem o significado de "manter a mente limpa, ser sábio". E no grego clássico significava ainda "abster-se de vinho".3 Vejamos em que contexto ela aparece no Novo Testamento Grego: a) Em 1 Tessalonicenses 5.6: "Não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios". b) Em 1 Tessalonicenses 5.8: "Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e da caridade e tendo por capacete a esperança da salvação". Nestes textos, o apóstolo Paulo usa esse termo após afirmar que "não somos da noite nem das trevas" (v. 5). c) Em 2 Timóteo 4.5: "Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as afli- ções, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério". Nesta passagem o apóstolo usa essa palavra após falar do pro- gresso da apostasia: "e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas" (v. 4). d) Em 1 Pedro 1.13: "Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo". Pedro fala em um contexto em que os crentes de seus dias são exortados a não mais se amoldarem às "concupiscências que antes havia em vossa ignorância" (v. 14). e) Em 1 Pedro 4.7: "E já está próximo o fim de todas as coisas; portanto, sedes sóbrios e vigiai em oração". Anteriormente o apóstolo fala do rompimento que o crente deve ter com o passado: "Porque é bastante que, no tempo passado da vida, fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borracheiras, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias" (v. 3). Quer se refira ao domínio exercido anteriormente por Satanás, quer ao poder que a antiga natureza possuía sobre os cristãos, essas Escrituras nos exortam a tomarmos consciência da nossa nova posição espiritual. Há inimigos de todos os lados.
  • 21. 21 2. A palavra vigilante traduz o termo grego grcgoréô, que ocorre 22 vezes no texto grego do Novo Testamento.4 Esse termo mantém o significado de ficar acordado, vigiar. De acordo com Frietz Rienecker, o tempo verbal grego aqui usado, o aoristo, soa agudamente como: "Estejam alerta! Sejam vigilantes!" A confiança em Deus não deve levar à preguiça; a batalha espiritual que enfrentamos demanda vigilância." Ao falar sobre o rugir do leão, o pastor Mike Taliaferro, que pastoreia o rebanho de Deus na África do Sul, nos mostra com precisão o que o apóstolo tinha em mente ao comparar as táticas do Diabo as de um leão caçando: Já vi leões caçando. Eles vivem em seu próprio território e não costumam perseguir as manadas migratórias. Ao contrário, caçam numa área específica. Quando um rebanho se aproxima de seu território, espreitam de longe. Os leões conhecem a direção do vento e sabem se colocar numa posição contrária, para que a presa não perceba sua presença. Muitas vezes, entretanto, não importam se a manada os percebe, tal a confiança que têm em si mesmos. Os leões costumam perseguir uma manada, sem pressa, sem correria, gerando medo nos animais. Ele deseja vê-los em disparada, assombrados. Aos olhos humanos, o recuo da manada é algo normal, mas não para o leão. Ele vê ali o seu almoço. Observa os animais velhos, cansados e feridos da manada. Aquele que estar levemente manco, algo imperceptível ao olho humano, é prontamente notado pelo leão. Ele assusta a manada, a fim de destacar o fraco. Depois de escolher a presa, ele deixa todos os outros de lado, para saltar sobre o que foi escolhido.6 Sim, os valentes estão sob o fogo do Inimigo, entretanto, muito mais sob a proteção do sangue do Cordeiro de Deus. Não devemos temer. Fiquemos debaixo de suas potentes mãos. Notas 1 WILKERSON, David. Faminto por mais de Jesus. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 1992. 2 HUGO, M. Petter. Concordância Greco — Espanola del Nuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona, Espanha. 3 PEREIRA, Isidro. Dicionário Grego — Português e Português - Grego. Livraria Apostolado da Imprensa, Porto - Portugal. 4 HUGO, M. Petter. Concordância Greco — Espanola del Nuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona — Espanha. 5 RIENECKER, Fritz. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. Edições Vida Nova, São Paulo — SP.
  • 22. 22 6 TALIAFERRO, Mike. Citado em A Batalha — como Derrotar os Inimigos de nossa Alma. CPAD, Rio de Janeiro, RJ, 1999.
  • 23. 23 4 UM PASSADO CANANEU O Voto Precipitado "Era, então, Jefté, o gileadita, valente e valoroso, porém filho de uma prostituta; mas Gileade gerara a Jefté. Também a mulher de Gileade lhe deu filhos, e, sendo os filhos desta mulher já grandes, repeliram a Jefté e lhe disseram: Não herdarás em casa de nosso pai, porque és filho de outra mulher. Então, Jefté fugiu de diante de seus irmãos e habitou na terra de Tobe; e homens levianos se ajuntaram com Jefté e saíam com ele. E aconteceu que, depois de alguns dias, os filhos de Amom pelejaram contra Israel. Aconteceu, pois, que, como os filhos de Amom pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gileade buscar Jefté na terra de Tobe. E disseram a Jefté: Vem e sê-nos por cabeça, para que combatamos contra os filhos de Amom. Porém Jefté disse aos anciãos de Gileade: Porventura, não me aborrecestes a mim e não me repelistes da casa de meu pai? Por que, pois, agora viestes a mim, quando estais em aperto? E disseram os anciãos de Gileade a Jefté: Por isso mesmo tornamos a ti, para que venhas conosco, e combatas contra os filhos de Amom, e nos sejas por cabeça sobre todos os moradores de Gileade. [...] E Jefté fez um voto ao SENHOR e disse: Se totalmente deres os filhos de Amom na minha mão, aquilo [ou aquele] que, saindo da porta de minha casa, me sair ao encontro, voltando eu dos filhos de Amom em paz, isso será do SENHOR, e o oferecerei em holocausto. Assim, Jefté passou aos filhos de Amom, a combater contra eles; e o SENHOR os deu na sua mão. E os feriu com grande mortandade, desde Aroer até chegar a Minite, vinte cidades, e até Abel-Queramim; assim foram subjugados os filhos de Amom diante dos filhos de Israel. Vindo, pois, Jefté a Mispa, à sua casa, eis que a sua filha lhe saiu ao encontro com adufes e com danças; e era ela só, a única; não tinha outro filho nem filha. E aconteceu que, quando a viu, rasgou as suas vestes e disse: Ah! Filha minha, muito me abateste e és dentre os que me turbam! Porque eu abri a minha boca ao SENIIOR e não tornarei atrás. E ela Ihe disse. Pai meu, abriste tu a tua boca ao SENHOR; faze de mim como saiu da tua boca, pois o SENHOR te vingou dos teus inimigos, os filhos de Amom. Disse mais a seu pai: Faze-me isto: deixa-me por dois meses que vá, e desça pelos montes, e chore a minha virgindade, eu e as minhas companheiras. E disse ele: Vai. E deixou-a ir por dois meses. En-
  • 24. 24 tão, foi-se ela com as suas companheiras e chorou a sua virgindade pelos montes. E sucedeu que, ao fim de dois meses, tornou ela para seu pai, o qual cumpriu nela o seu voto que tinha feito; e ela não conheceu varão. E daqui veio o costume em Israel, que as filhas de Israel iam de ano em ano a lamentar [ou celebrar] a filha de Jefté, o gileadita, por quatro dias no ano" (Jz 11.1-8; 30- 40, grifo do autor). Há uma farta literatura comentando este texto das Escrituras, a grande parte sobre o voto precipitado que Jefté fizera. Há aqueles que defendem que ele não sacrificou a sua filha conforme o texto dá a entender, por outro lado há os que estão convictos de que Jefté de fato matou a sua filha. Há erudição de ambos os lados. Li dezenas de comentários sobre esse assunto, mas um deles escrito pelo erudito no Antigo Testamento Samuel J. Schultz me chamou a atenção. Schultz nos mostra ambas as posições, mas aqui reproduzirei apenas aquela que ao meu ver se ajusta melhor ao contexto do livro de Juizes: Teria Jefté, realmente, sacrificado sua filha para cumprir seu voto? Nesse dilema por certo ele não teria agradado a Deus com um sacrifício humano, o que, em parte alguma das Escrituras, conta com a aprovação divina. De fato, esse foi um dos pecados grosseiros por cuja causa os cananeus deveriam ser exterminados. Por outro lado, como poderia ele agradar a Deus se não cumprisse seu voto? Embora os votos fossem feitos voluntariamente em Israel, uma vez que uma pessoa fizesse um voto ficava obrigado a dar-lhe cumprimento (veja Nm 6.1-21). O que fica claramente implícito em Juizes 11 é que Jefté cumpriu o seu voto (veja v. 39). Mas a maneira pela qual o fez tem sido sujeita a várias interpretações. Que os líderes não se moldavam à religião pura, nos dias dos Juizes, é patente no registro bíblico.1 Jefté, que tinha um passado meio cananeu, pode ter se conformado aos costumes pagãos dominantes, ao sacrificar sua própria Mina.2 Visto que os montes eram considerados símbolos de fertilidade pelos cananeus, sua filha se retirou para as montanhas, a fim de lamentar sua virgindade, para evitar qualquer possível rompimento na fertilidade da terra. Periodicamente, a cada ano, donzelas israelitas passavam quatro dias a reinterpretar o lamento da jovem sacrificada".3 Jefté possuía um passado meio cananeu. E esse passado cananeu o calcanhar de Aquiles de muitos valentes. Já sabemos pelas Escrituras que "se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17). O passado não deveria ser mais problema, mas a verdade é que ele ainda continua sendo para muitos. No Apêndice B procuro mostrar que o problema do nosso velho homem, nosso antigo eu, já foi resolvido na cruz do calvário (Rm 6.6); esse é um fato incon- testável, porém não há como negar que muitos crentes continuam ainda prisioneiros de seu passado. Satanás encontra aí uma porta
  • 25. 25 para levá-los à queda. Conheci um pregador famoso que teve seu ministério preju- dicado, devido a uma ação de divórcio impetrada por sua esposa. Quando eu soube do acontecido, disseram-me que sem uma razão aparente, aquela senhora acionou seu esposo perante a justiça. O casamento acabou. Anos depois conversei com um irmão que conhecia de perto aquele casal. Ele me informou que mesmo antes de se casarem, aquela esposa possuía um ciúme doentio por aquele irmão. Ele saia muito de casa para atender aos inúmeros convites que recebia para pregar. Depois de muitos anos de casados, ela começou a imaginar que ele tinha outras mulheres. Foi essa herança do passado que Satanás usou para arruinar aquele ministério tão belo. Eu também já tive problemas com o passado, "ainda hoje continuo mortificando os feitos do corpo pelo Espírito" (Rm 8.12,13).4 Antes de conhecer ao Senhor Jesus, eu conhecera o mundo, converti-me com a idade de dezoito anos. Pois bem, como a grande maioria dos nossos jovens não evangélicos, a minha se- xualidade foi despertada precocemente. Tempos depois de minha conversão, verifiquei que antigos desejos de lascívia estavam voltando com muita intensidade. Travei uma luta árdua contra a minha natureza terrena. Procurei disciplinar hábitos que detectei como sendo pecaminosos, a luta diminuiu a sua intensidade, mas parecia ainda querer dominar-me. Resolvi fazer um jejum. De início programei um jejum de três dias, quando estava chegando ao seu final, resolvi continuar por mais três, e assim continuei até completar um período de quinze dias. Foi durante esse período de abstinência que tive a nítida percepção que estava lutando não somente contra a minha carne, mas também com as forças espirituais do mal. No décimo segundo dia, tive um sonho em que me vi numa grande luta e um cão enorme ladrando próximo de mim. Quando acordei, tive a sen- sação de que aquele cão simbolizava a ação de demônios. No décimo terceiro dia, aproximadamente às 19:00 horas, encontra- va-me sentado na sala da biblioteca, quando me pareceu ouvir a voz de alguém próximo a mim: "Antes que complete os quinze dias, esse espírito que te resiste cairá". Não tive dúvidas de que fora o Senhor que me falara. Na noite do décimo quarto dia para o décimo quinto, tive um outro sonho. Nele, me encontrava em uma avenida da cidade, do lado oposto vi minha esposa em um ponto de ônibus. Observei que ela estava acompanhada de uma pessoa que identifiquei como sendo um missionário que eu conhecia. Observei que aquele homem com grande astúcia estava assediando minha esposa. Fiquei preocupado, pois observei que ela não estava sabendo das reais intenções daquele homem. O
  • 26. 26 ônibus chegou e minha esposa entrou nele, nesse momento aque- le indivíduo fez um pequeno bilhete em forma de um "aviãozinho" e jogou para dentro daquele ônibus. Aconteceu algo que ele não esperava: o bilhete entrou por uma janela do ônibus e saiu pela janela oposta, vindo na minha direção. Quando ele percebeu o que havia acontecido, correu desesperado no meu rumo tentando pegar o bilhete antes de mim, mas quando chegou eu já estava com o bilhete em mãos e já havia lido o seu conteúdo. Naquele papel havia frases de conteúdo sedutor. Quando ele se aproximou de mim foi logo dizendo que não era nada daquilo que eu estava pensando. Nesse momento, disse-lhe que já sabia de tudo, pois havia lido o bilhete; ele então emudeceu. Falei que o seu projeto havia falhado e olhando para cerca de seis soldados do exército que estavam ao meu lado, falei: se você quiser me resistir, saiba que eu não estou só, há todos esses soldados do meu lado, prontos para agir a um comando meu. Ele então se retirou. Acordei. Olhei para o relógio, eram aproximadamente 3 horas da madrugada. Sentado na minha cama, o Espírito Santo começou a dar-me o significado daquele sonho. A minha esposa que estava sendo assediada significava o meu ministério que estava sendo seduzido. O missionário que eu conheci significava o demônio que estava in- flamando os desejos do velho homem. O Senhor me deu a enten- der que a camuflagem de missionário que ele usava significava a sua perspicácia na sua ação (2 Co 11.14). A sua intenção era que eu pensasse que estava tratando apenas com desejos que eram meus, meramente humanos, e que eu os poderia vencê-los sem muito esforço. O conteúdo do bilhete era toda aquela guerra mental que estava sendo travada. O Senhor ainda me mostrou que a oração associada ao jejum foram os responsáveis pela interceptação daquele bilhete, trazendo revelação sobre todo o seu ardil. Os soldados eram anjos que vieram pelejar a meu favor (Hb 1.14). A batalha estava terminada, o Senhor havia me dado a vitória. Tenha cuidado com o seu passado cananeu, mantenha ele sob a cruz, não deixe ele se transformar em uma arma nas mãos do Diabo. Notas 1Gideão fez uma estola de ouro, que fez os israelitas pende- rem para a idolatria. A vida de Sansão esteve longe de ser um exemplo de religião pura. 2 Esse ponto de vista foi mantido por intérpretes judeus até ao século XII d.C.
  • 27. 27 3 SCHULTZ, Samuel J. A História de Israel no Antigo Testamento. Edições Vida Nova, São Paulo, SF, 1986. 4 Tony Evans comenta: "Deixe-me dizer duas coisas objetivas. A primeira é que a Bíblia nunca o condena por ser homem e ter desejos de homem. Deus o fez desse jeito. Seus desejos são coisas normais e você vai morrer com eles. Portanto, a resposta à tentação não é negar quem e o que você é. A Segunda é que a Bíblia nunca permite que você apresente desculpas para o pecado baseadas em sua masculinidade e seus desejos normais dados por Deus. Por quê? Porque suas tentações para pecar não são de Deus (Tg 1.13- 16) e porque Deus fornece armas para que tenhamos vitória sobre a tentação" (citado em Vitória Sobre a Tentação, obra citada).
  • 28. 28 5 O RELATIVISMO MORAL E A QUEDA DOS VALENTES "Não há nenhum relativista que goste de ser tratado relativamente." Josh MacDowell Séculos após séculos o padrão moral da civilização ocidental vem sofrendo corrosão. O impacto provocado por essa relatividade da cultura têm surtido um efeito devastador. A linha divisória entre o moral e o imoral é cada vez mais tênue. Sem padrões morais bem definidos, o valente está à mercê das investidas do Diabo. Ainda me lembro de que quando fazia faculdade de filosofia em uma Universidade Federal, tínhamos uma professora de história da filosofia que era uma verdadeira sumidade. Todos gostavam das suas aulas, ela se destacava dos demais professores graças a sua erudição. Certa vez, durante uma de suas aulas, exaltava o pensamento de determinado filósofo. Quando eu e outros colegas nos posicionamos contrariamente àquele pensa- mento, ela esbravejou: "Eu não aceito juízo de valores". Podíamos tudo, menos emitir uma idéia contrária ao pensamento daquele filósofo a quem ela fizera referência. Por quê? Por que tudo era relativo, não havia verdades absolutas, ninguém segundo ela podia dizer que estava com a verdade. Afinal, não há um certo e um errado? É impossível falarmos de valores que norteiam a vida do cristão, sem nos referirmos a problematicidade da ética e da moral. Mas o que é moral? Ou em palavras mais simples: o que é certo e o que é errado? É possível estabelecermos um padrão que distinga o certo do errado? A discussão em torno dos problemas éticos e morais não é nova. Aristóteles escreveu um volumoso tratado em dez volumes denominado de "Ética a Nicômaco", no qual trata em minúcias dos problemas éticos. Todavia, muito tempo antes do filósofo grego, Hamurabi (século XVIII a. C.) deu ao mundo o seu famoso "Código de Hamurabi", um tratado sobre problemas éticos, jurídicos e morais. No Antigo Testamento, encontramos o Pentateuco, obra escrita pelo legislador hebreu Moisés, onde nos seus cinco livros encontra-se uma vasta explanação acerca de problemas éticos e morais. Adolfo Sanchez Vazquez faz distinção entre ética e moral. Para esse filósofo mexicano, a ética "é a teoria ou ciência do com-
  • 29. 29 portamento moral dos homens em sociedade",1 enquanto a moral "é um conjunto de normas, aceitas livre e conscientemente, que regulam o comportamento individual e social dos homens".2 Pela definição de Vazquez, a moral seria aquilo que está no campo da prática — normas sociais que regulam o nosso dia-a-dia — e a ética, uma reflexão acerca dessa prática moral. Em palavras mais simples, a ética e a moral se complementam, enquanto uma (a moral) regula as nossas ações em sociedade, a outra (ética) reflete sobre o significado dessa ação. Pois bem, tudo que falamos até aqui nos leva a um outro questionamento não menos importante: qual a origem da ética e da moral? Em outras palavras, qual a origem ou a causa dos nossos valores? A Fonte da Moral Ao longo da história, três fontes são dadas como originadoras do comportamento moral: Deus, a natureza e o homem. Deus - Se Deus é a origem de nosso comportamento moral, isso significa dizer que nesse caso a moral é algo exterior ao homem, isto é, a moral não é criação humana, mas algo que lhe é dado. A moral baseada na divindade é uma moral revelada, que transcende ao próprio homem. Podemos denominá-la de moral vertical. Natureza - A crença de que o homem em nada difere das outras coisas criadas gerou uma moralidade horizontalizada. O instinto biológico seria então o agente regulador do comporta- mento moral humano. Com o advento do pós-modernismo, cor- rente filosófica que ganhou força a partir das décadas de 60 e 70, esse pensamento ficou em evidência. Para os holístas, o homem deve estar em perfeita harmonia com a natureza, afinal é um todo harmônico, dizem. O homem - Nesse caso os valores morais são criação do pró- prio homem. É o homem quem estabelece os valores. Mais adiante neste trabalho, veremos como essa forma de pensar influenciou drasticamente o pensamento ocidental. Valores Absolutos e Relativos Definir o que é absoluto e o que é relativo tem sido um desa- fio, tanto para a teologia como para a filosofia. Podemos dizer que um valor é absoluto quando ele vale para todos os povos, em todas as épocas e em todos os lugares; por
  • 30. 30 outro lado o valor relativo seria o oposto disso. Um valor absoluto tem validação universal, enquanto aquilo que se é relativo não goza dessa prerrogativa. É contigente ou circunstancial. Na Grécia antiga, surgiu uma escola filosófica denominada "A Sofistica" (os sábios). O seu principal expoente foi Protágoras de Abdera (490-410 a. C). Não há como negar que Protágoras é o pai do relativismo ocidental. Ele negava que houvesse valores absolutos e eternos. Segundo ele, todos os valores são humanos. É conhecida a frase atribuída a ele: "O homem é a medida de todas as coisas". E interessante conhecermos melhor o pensamento desse filósofo grego, para entendermos o que acontece hoje em nossa cultura no que diz respeito aos valores morais. Giovanni Reale, famoso historiador da filosofia, comenta sobre Protágoras: A proposta basilar do pensamento de Protágoras era o axioma: "O homem é a medida de todas as coisas, daquelas que são por aquilo que são e daquelas que não são por aquilo que não são". Por medida, Protágoras entendia a "norma de juízo", enquanto por todas as coisas entendia todos os fatos e todas as experiências em geral. Tornando-se muito célebre, o axioma foi considerado — e efetivamente é — quase a magna carta do relativismo Ocidental. Com esse princípio, Protágoras pretendia negar a existência de um critério absoluto que discriminasse o verdadeiro e o falso. O único critério é somente o homem, o homem individual: "Tal como cada coisa aparece para mim, tal ela é para mim; tal como aparece para ti, tal é para ti". Este vento que está soprando, por exemplo, é frio ou quente? Segundo o critério de Protágoras, a resposta é a seguinte: "Para quem está com frio, é frio; para quem não está, não é". Então, sendo assim, ninguém está no erro, mas todos estão com a verdade (a sua verdade).1 A Genealogia da Moral Esse relativismo radical de Protágoras influenciou muitos pensadores. O alemão Friedrich Nietzsch (1844 - 1900) absorveu profundamente a filosofia de Protágoras. Ele tornou-se um dos mais fortes inimigos da moral cristã. A sua filosofia influenciou e continua influenciando o mundo acadêmico. Nietzsch atacou duramente os pensadores gregos Sócrates e Platão, acusando-os de "domesticar" o ser humano através de princípios morais. Para ele, antes desses dois pensadores, o homem primitivo não seguia a normas morais inventadas, mas agia de acordo com seus instintos. Prevalecia então o que ele denominava de "vontade de potência". Nietzsch, para ilustrar o seu pensamento recorreu a duas personagens da mitologia grega — os deuses Apoio e Dionísio. Na mitologia grega, Dionísio é a imagem da força instintiva, é a fonte dos prazeres e da paixão sensual. Por outro lado, Apoio é o deus da moderação, aquilo que faz as coisas seguirem o seu equilíbrio. Para ele, o que Sócrates e
  • 31. 31 Platão fizeram foi "anular" o lado dionisíaco do homem, negando seus instintos e afirmando somente o seu lado racional. Essa "anulação" foi feita através de princípios morais ardilosamente inventados. Em seu famoso livro: A Genealogia da Moral,4 ele procura provar que todos os valores morais são criação do próprio homem. Nietzsch acusou também os cristãos de anular esse lado dionisíaco do homem, implantando aquilo que ele denominava de "moral de escravo". Na sua fúria contra o cristianismo, esse pensador chegou a chamar o apóstolo Paulo de "o mais sangui- nário dos apóstolos". Mas o seu furor contra os valores morais cristãos está bem sintetizado nessa frase de sua autoria: "Sócrates foi um equívoco, toda a moral do aperfeiçoamento, inclusive a cristã, foi um equívoco". O Existencialismo e o Relativismo Um outro pensador que influenciou grandemente a nossa cultura foi Jean, Paul Sartre (1905-1980). Sartre sofreu influências diretamente de Heidegger e indiretamente de Nietzsch. Sartre afirmou: Se Deus não existisse, tudo seria permitido. Ai se situa o ponto de partida do existencialismo. Com efeito, tudo é permitido se Deus não existe, fica o homem, por conseguinte, abandonado, já que não encontra em si, nem fora de si, uma possibilidade a que se apegar [...] Se por outro lado Deus não existe, não encontramos diante de nós valores ou imposições ou desculpas [...] o existencialismo não pensará que o homem pode encontrar auxílio num sinal dado sobre a terra, e que o há de orientar, porque pensa que o homem o decifra mesmo esse sinal como lhe aprouver.1 A moral sartriana não necessita de um ser transcendente, ela é construída a partir da existência do próprio homem. A Fonte da Moral Cristã Vemos, pois, que a problemática ético e moral está centrada naquilo que a fundamenta, ou seja, em sua origem. Foi Schopenhauer (1788-1860) quem disse: "Pregar a moral é fácil, fundamentar a moral é difícil".6 Como vimos, quando Deus não é a fonte ou origem dos valo- res morais, nós não temos uma base sólida para fundamentá-la. Para nós cristãos, o alicerce de nossos valores morais está em Deus, não em um deus qualquer, mas no Deus que se revelou ao longo da história (Gn 12.1-3; Êx 3.1-12). Essa revelação está codificada na Bíblia Sagrada, nossa única regra de fé e prática. Para o Cristão, há sim um modelo ou paradigma para as questões morais - Deus. Assim sendo, o cristão pode falar de valores universais e
  • 32. 32 eternos. Ele não está sujeito ao relativismo moral, pois o Deus a quem ele serve é universal e eterno. Josh MacDowell, pensador cristão contemporâneo, ilustra a questão da universalidade e eternidade dos valores em sua regra dos três "P" - preceito, principio e pessoa.7 Por trás de todo pre- ceito bíblico, quer seja uma norma quer um mandamento, há um princípio, que por sua vez se fundamenta em uma pessoa, que é Deus. Nesse caso, para o cristão a norma moral "não adulterarás" tem valor absoluto (universal), pois esse preceito (norma) traz o princípio de que ninguém quer ser traído, e que esse princípio tem sua origem em um Deus fiel e que não tolera a infidelidade. Da mesma forma, a norma "não matarás" trás em si o princípio de que todos têm direito à vida, e a pessoa que a fundamenta — Deus — é o originador da vida. Esse princípio de universalidade dos valores morais foi um dos pilares da filosofia kantiana: "Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal".8 Fica, pois, estabelecido que a origem dos valores morais para o cristão, bem como a sua fundamentação, está em Deus, e que a sua forma codificada é a Bíblia Sagrada. Como se comportam aqueles que não têm um padrão que distinga o certo do errado? A filósofa Maria Lúcia de Arruda Ara- nha, ao falar dos "jeitinhos brasileiros", traz uma revelação inte- ressante sobre o assunto: Todo mundo já ouviu falar do "jeitinho brasileiro". Poder, não pode, mas sempre se dá um jeito... Muitos até chegam a achar que se trata de virtude a complacência com a qual as pessoas "fecham os olhos" para certas irregularidades e ainda favorecem outras tantas. Certos "jeitinhos" parecem inocentes ou engraçados, e às vezes até são vistos como sinal de vivacidade e esperteza; por exemplo, quando se fura a fila do banco. Ou então pegar o filho na escola, que mal há em pararem fila dupla? Outros "jeitinhos" não aparecem tão às claras, mas nem por isso são menos tolerados: notas fiscais com valor declarado acima do preço para o comprador levar sua comissão, compras sem emissão de nota fiscal para sonegar impostos, concorrências públicas com "cartas marcadas". O que intriga nessa história toda é que as pessoas que estão sempre "dando um ]eitinho" sabem, na maioria das vezes, que transgridem padrões de comportamento. Mas raciocinam como se isso fosse absolutamente normal, visto que é comum; só eu? e os outros? Todo mundo age assim, quem não fizer o mesmo é trouxa. Quem não gosta de levar vantagem em tudo?9 É esse relativismo que enfraquece a vida espiritual de muitos valentes. Certo dia, recebi em minha casa a visita de um amado irmão. A nossa amizade permitia-nos compartilhar nossas alegrias e tristezas. Pois bem, aquele irmão trazia em mãos uma folha de papel escrita, e pediu para que eu a lesse. Lendo-a, logo nas primeiras linhas percebi que se tratava de uma carta de amor,
  • 33. 33 havia frases como: "Meu bem, eu te amo", "Não posso viver sem você", etc. Contou-me que uma jovem da sua igreja havia endereçado-lhe aquela carta. O mesmo filme de sempre — ele estava dando uma de "conselheiro" para aquela jovem. Após uma longa conversa, mostrando-lhe os perigos que ele estava correndo, aconselhei-o a tomar imediatamente uma decisão radical a res- peito daquilo, peguei a carta e rasguei na sua frente. Disse-lhe que da mesma forma ele deveria tratar com aquela situação. Todavia, procurou relativizar o problema. Disse que não era tão grave como eu pensava, e que estava no controle da situação. Afinal, estava ajudando alguém. Estava equivocado. A última vez que o vi, estava afastado dos caminhos do Senhor. Quando lemos as Escrituras somos informados do alto padrão moral exigido para os valentes de Deus. Paulo deixou isso bem claro na sua carta endereçada a Tito: "Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei: aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes"(1.5-9). Acredito que esse texto que o apóstolo escreveu a Tito é uma das mais belas exposições bíblicas acerca dos valores cristãos. No versículo 5, Paulo usa a expressão: epidiorthosê que vem do verbo grego epidiorthoô, significando "colocar em linha reta, colocar em ordem, endireitar". Para Paulo, os valores que ele iria exigir daqueles que viessem a ser líderes tinham o poder de "en- direitar, corrigir e colocar em linha reta". Lembramos que a pala- vra epidiorthoô é formada pela junção de três palavras gregas: epi, que é uma preposição significando "sobre, acima de"; dia, uma outra preposição significando "através de" e orthós cujo significado é "direito, correto" etc, esta última aparece em Atos 14.10, onde Paulo disse ao paralítico: "Levanta-te direito sobre teus pés" (grifo do autor). O verbo grego na sua forma composta tem seu significado intensificado. Em outras palavras, o propósito do após- tolo era que Tito seguisse as suas recomendações, e seguindo-as com certeza estava colocando os valentes de Deus em uma linha reta. Analisemos alguns desses valores: v. 6. Anenklêtos - nossas Bíblias traduzem esta palavra como
  • 34. 34 "irrepreensível". O clássico Dicionário do Novo Testamento Grego de Vine, assim define esta palavra: Significa que não pode ser chamada a pedir contas, isto é, sem acusa- ção alguma (como resultado de uma investigação pública), irrepreensível (1 Co 1.8; Co 1.22; Tt 3.10, 1.6,7). Implica não somente mera absolvição, mas a inexistência de qualquer tipo de acusação contra uma pessoa.10 v. 7. Oikonomos - "mordomo, administrador da casa. A pala- vra enfatiza a tarefa a alguém e a responsabilidade envolvida. É uma metáfora extraída da vida contemporânea e retrata o admi- nistrador de uma casa ou estado."" Esta palavra deu origem a nossa palavra portuguesa "economia" e significa primeiramente o governo de uma família ou dos assuntos de uma família (oikos - uma casa, nomos - lei), isto é, o governo ou administração da propriedade dos outros, e por isso se usa de uma mordomia, Lc 16.2 [...] nas epístolas de Paulo, se aplica: a) A responsabilidade que lhe foi confiada de pregar o evan- gelho (1 Co 9.17). b) Da administração que lhe foi entregue para que anuncias- se "cabalmente a palavra de Deus". c) Em Efésios 1.10 se usa da disposição ou administração de Deus.12 v. 7. Authade - não arrogante. "Obstinado em sua própria opinião, teimoso, arrogante, alguém que se recusa a obedecer a outras pessoas. E o homem que mantém obstinadamente a sua própria opinião, ou assevera seus próprios direitos e não leva em consideração os direitos, sentimentos e interesses de outras pes- soas."13 Autocomplacente (autos, auto, e hêdomai, complacente), denota uma pessoa que, dominado pelo seu próprio interesse, e sem consideração alguma pelos demais, afirma arrogantemente sua própria vontade, "soberbo" (Tt 1.7); "contumaz" (2 Pe 2.10) o oposto de epiekês, amável, gentil (1 Tm 3.3), "um que supervaloriza de tal maneira qualquer determinação a que ele mesmo chegou no passado que não permitirá ser afastado dela".14 v. 7. Orgilos -que não seja: irascível, inclinado à ira, de tem- peramento quente.15 v. 7. Pároinos - não dado ao vinho. Um adjetivo, literalmente, que tem seu entretenimento no vinho (para, en, oinos, vinho), dado ao vinho [...], é provável que tenha o sentido secundário, dos efei- tos da embriaguez, isto é, um ébrio.lb v. 7. Pléktês - não violento. Briguento, espancador. A palavra pode ser literal: "não pronto a bater em seu oponente".17 v. 7. Aischrokerdés - não cobiçoso. Alguém que lucra deso- nestamente, adaptando o ensinamento aos ouvintes a fim de
  • 35. 35 ganhar dinheiro deles [...], refere-se ao engajamento em negócios escusos.18 Este vocábulo é formado por duas palavras gregas: aischros (vergonhoso) e kerdos (ganância). v. 8. Philóksenos - amor aos estranhos, hospitaleiro. v. 8. Philágathos - amigo do bem, amante do que é bom. De- nota devoção a tudo o que é excelente. v. 8. Sóphrona - sóbrio. Denota mente sã (sozo - salvar, phren - a mente); daí, com domínio próprio, sóbrio, se traduz "sóbrio" em Tito 1.8 (a Reina - Valera traduz como "temperado"); em Ti to 3.2, significa "prudente". 19 v. 8. Díkaion - justo, aquele que age com justiça. v. 8. Hósios - devoto, santo. Significa religiosamente reto, santo, em oposição ao que é torto ou contaminado. Está comumente associada a retidão. Refere-se a Deus em Apocalipse 15.4; 16.5 [...] Em Tm 2.8 e Tt 1.8 se utiliza do caráter do cristão, na Septuaginta hósios é freqüentemente tradução da palavra hebraica hasid, que varia entre os significados de "santo" e "mi- sericordioso".20 v. 8. Enkratê - que tenha domínio de si. A Bíblia de Jerusalém traduz como "disciplinado". Significa também "autocontrole, completo autodomínio, que controla todos os impulsos apaixonados e mantém a vontade leal à vontade de Deus".21 Denota ainda o "exercício do domínio próprio, alguém que é dono de si mesmo".22 v. 9. Antechómenon - apegado a, firme aplicação. Na voz média significa "manter-se firmemente ao lado de uma pessoa". Paulo usa o termo associando ao líder que é apegado à Palavra de Deus. Para nós cristãos, a fronteira entre a verdade e o erro está bem demarcada. Há sim um padrão divino que estabelece a di- ferença entre o certo e o errado. Os valentes de Deus devem ter isso bem definido em suas mentes. Agindo de acordo com o modelo divino exposto na Palavra de Deus, o valente não irá ter problemas com o relativismo moral. Notas 1 VAZQUEZ, Adolfo Sanchez. Ética. Ed. Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1998 2 Id. Ibid. 3 REALE, Giovanni. História da Filosofia, vol. I. Ed. Paulus. São Paulo - SP, 1990. 4 NIETZSCH, Wilhelm. A Genealogia da Moral. Editora Morais Ltda. São Paulo - SP, 1991. 5 SARTRE, Jean - Paul, O Existencialismo é um Humanismo. Coleção os Pensadores. São Paulo, Abril Cultural.
  • 36. 36 6 SCHOPENHAUER, Arthur,. Sobre o Fundamento da Moral. Ed. Martins Fontes, São Paulo - SP, 1995. 7 McDOWELL, Josh. Certo ou Errado. Editora Candeia, São Paulo, 1997. 8 KANT, Emmanuel Crítica da Razão Prática. Editora Ediouro, Rio de Janeiro - RJ. 9 ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Temas de Filosofia. Edito- ra Moderna. São Paulo - SP, 1992. 10 VINE, W. E. Diccionario Expositivo de Palabras dei Nuevo Testamento. Vol. 2. Ed. CLIE. Barcelona-Espanha. 11 RIENECKER, Fritz. Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. Ed. Vida Nova, São Paulo, 1988. 12 VINE, W.E. op. cit. Vol. 1 13 RIENECKER, Fritz. Opc.cit. 14 VINE, W.E. op.cit. vol. 2 15 RIENECKER, Fritz, Chave Lingüística do Novo Testamento Grego. Op.cit. 16 VINE, W.E Diccionario Expositivo de Palabras dei Nuevo Testamento. Op. cit. Vol.2. 17 RIENECKER, Fritz. Chave lingüística do Noi'o Testamento Grego. Edições Vida Nova, São Paulo - SP. 18 REINECKER, Frietz, op.cit. 19 id.ibib. 20 VINE, W.E. Op.cit. 21 REINECKER, Fritz. Chave Lingüística. Op. cit. 22 VINE, W.E. op.cit.
  • 37. 37 6 VIDA DEVOCIONAL POBRE "Exercita-te na piedade. 1 Timóteo 4.7 Por que caem os valentes? Estou certo de que a negligência na nossa vida devocional de oração, o que acaba por empobrecer a nossa espiritualidade, tem sua grande parcela de culpa nisso. Não é fácil manter uma vida disciplinada quando a prática envolvida é a oração. Todo pastor está consciente desse fato. Sabemos que precisamos orar, mas não oramos. Por quê? Há todo um conjunto de fatores envolvidos, mas a falta de consciência acerca da importância vital da oração para nós se sobressai aos demais. Certo obreiro disse que se encontrava em casa orando, quando foi interrompido por um irmão que desejava falar com ele. Quando o obreiro saiu na porta, aquele irmão perguntou-lhe: "O pastor estava fazendo o quê?" A esta indagação, o pastor respondeu: "Eu estava orando". Aquele irmão visitante então ponderou: "Ah! Que bom, o irmão não estava fazendo nada mesmo!" É exatamente isso o que pensam muitos acerca da oração: uma perda de tempo. Todo valente que deseja ser um vencedor nos conflitos espirituais deve levar a sério a vida de oração. Não há desculpas. A negligência aqui é fatal. Certo dia, recebi a visita em minha casa de um menino; ele trazia em mãos algo parecido com uma carta. Aquela criança disse-me que fora sua mãe, uma das senhoras integrantes do círculo de oração da nossa igreja, que havia mandado. Comecei a lê-la. A carta falava de um sonho que ela tivera comigo. No sonho ela via um antigo petromax, que fora de minha propriedade, abandonado e enferrujado. O petromax ainda funcionava, possuía óleo em seu tambor e mantinha uma chama muito alta. Naquela narrativa, ela dizia que ficou admirada com o poder de fogo daquele petromax. Mas eu estava abandonando o petromax, e essa era a causa da sua oxidação. Naquelas imagens oníricas que ela tivera, via-me dizendo: "Eu vou buscar de volta o meu petromax, ele foi a minha salvação no passado e será agora no presente". Quando li aquelas palavras, senti profundamente no meu íntimo que deveria voltar para a corrida. Deveria renovar o meu compromisso com a oração. Desde que me voltei para o Senhor após a minha conversão, procurei levar uma vida disciplinada na oração. Li todos os livros que pude encontrar que falava sobre o assunto, passei a gostar de oração. Mas naqueles dias que recebi aquela correspondência, a minha vida de oração estava pobre e
  • 38. 38 negligenciada. Deus, na sua muita misericórdia estava me exor- tando. No dia seguinte, acordei com as palavras da música de Sérgio Lopes na minha mente: Me faz lembrar daquelas madrugadas de oração e das Lágrimas no chão e que o tempo ao passar vai tentando Apagar do coração. Me faz lembrar onde deixei o meu Primeiro amor, se for preciso eu vou recomeçar, mas Confesso que dependo do Senhor. A nossa geração já foi denominada defast food e geração shopping center. Esta é a geração da alimentação self-service, das embalagens descartáveis e da religiosidade superficial. Vivemos em um contexto onde se busca atalho para se chegar mais rápido ao céu; o que importa são fórmulas que funcionem em curto prazo. Falar de vida devocional dentro desta ótica parece um contra-senso. A oração como principal moeda da vida devocional parece desvalorizar-se a cada dia nesta cultura. A razão parece simples - a mesma consome tempo em demasia daqueles que pretendem se dedicar, e como o tempo é uma mercadoria valiosa demais para ser "desperdiçada" na nossa cultura pós-moderna, o melhor parece deixar com os "místicos" a vida de meditação. Tornou-se mais fácil aderir às fórmulas, chavões e modismos do que gastar longas horas em oração ou na leitura da Bíblia. Por que perder tempo orando e lendo as Escrituras quando se pode "amarrar" os demônios e até mesmo mandar em Deus? Falar de homens como John Wesley, que acordava todos os dias às 4 horas da madrugada para orar por duas horas seguidas, parece uma loucura para muitos cristãos modernos. O que dizer então de George Müller que chegou a ler a Bíblia toda 20Ü vezes^ Sem dúvidas, não faltarão vozes dispostas a afirmar que esses homens viveram em outro contexto e em outra cultura. A nossa Concorrência George Barna nos adverte que os concorrentes dos crentes atuais não são as outras igrejas, mas "a televisão, os maus hábi- tos culturais, os campeonatos esportivos que chegam a se tornar manias, as atividades em família, os passatempos pessoais entre outros".1 Não vamos aqui ser extremistas a ponto de amaldiçoar- mos a mídia, mas por outro lado não podemos ser infantis e pen- sar que tudo o que nela veicula é de uma inocência angélica. Às vezes, corremos o risco de sabermos mais acerca de suas trivialidades do que acerca das coisas de Deus. Pude verificar a veracidade desse comentário feito por George Barna, durante a final da copa do mundo. Tendo o Brasil chegado à final do campeonato, muitos pastores começaram uma verdadeira
  • 39. 39 operação de desmonte de suas programações. A razão era simples, o jogo seria às 8 horas da manhã de domingo, exatamente no horário da Escola Bíblica Dominical. Cultos matutinos no domingo foram cancelados, tudo para atender a uma demanda do mundo. Na minha igreja havíamos programado com antecedência a ceia do Senhor para esse dia quando o Brasil passou pelas quartas de final; senti a pressão de alguns membros para que esse culto fosse cancelado. Alguns, para garantir presença na final, trataram logo de procurar outras congregações para anteciparem as suas ceias. Lembrei do grande despertamento de 1904, ocorrido no País de Gales nos dias de Evans Roberts. Ele era apenas um jovem de dezoito anos, mas não se conformava com o estado de letargia de sua igreja. A frieza que dominava os rituais dos cultos o incomodava. Naqueles dias, a mania era os campeonatos de briga de galos. O povo deixava de ir aos cultos para assistir aos galos brigando! Por um período de um ano, Roberts agonizou diante de Deus clamando por um avivamento. Deus ouviu seu servo e en- viou uma chuva de avivamento. Milhares de pessoas foram alcançadas como conseqüência desse despertamento. Não me entenda mal, não estou dizendo que futebol é coisa do Diabo; não, futebol é uma manifestação cultural como tantas manifestação cultural alguma. Não podemos organizar a agenda do Reino de Deus em função da agenda do mundo. Assistir a um evento esportivo é uma coisa, programar-se em função dele é outra completamente diferente. Outro dia fui convidado a minis- trar estudos bíblicos em determinada igreja. Após a ministração da Palavra, no horário da tarde, fomos para um jantar. Os assun- tos foram variados até que alguém comentou a participação de um ex-governador no programa Show do Milhão. Pronto, isso foi o suficiente para que as virtudes intelectuais de alguns dos parti- cipantes desse programa fossem exaltadas. Cada um dos presen- tes demonstrava está por dentro de tudo que se passava nos pro- gramas de auditório. Uma senhora afirmou que ficou impressio- nada com a quantidade de acertos que um tal "Luiz" tivera nesse programa. Daí para frente, o próximo passo era o Programa do Ratinho. Logo ficou claro para mim que os crentes eram os res- ponsáveis por boa parte do IBOPE desse programa. Ninguém segurou mais, os comentários giravam em torno de Raul Gíl, Casa dos Artistas, Big Brother, etc. Mais uma vez vamos deixar as coisas bem claras: não pode- mos isolar os crentes do mundo civilizado, nem tampouco proibi- los de usufruir as benesses que a mídia nos traz. Isso seria, no mínimo, uma tolice. A Bíblia chama isso de farisaísmo. Conheço colegas que se vangloriam de não possuir um aparelho de televi- são em casa, todavia os filhos estão sendo humilhados e
  • 40. 40 escorraçados da casa do vizinho. Ficam olhando pelo buraco da fechadura. Precisamos nos conscientizar. Por outro lado, ao utili- zarmos os modernos meios de comunicação de massa, deveríamos ser mais cuidadosos na filtragem de todo entulho produzido por eles. R. Kent Hughes nos alerta: É essa sensualidade "legal", as concessões socialmente aceitáveis, que derruba os homens. As longas horas diante da TV, o que não apenas é aceito culturalmente, mas é até mesmo esperado do homem, é o altar máximo da dessensibilização. As conversas que se esperam de um homem — com duplo sentido, humor de baixo calão e sorrisos provocados por coisas que nos deveriam encher de vergonha — é outro agente mortal. Sensualidades aceitáveis têm afetado insidiosamente homens cristãos, como as estatísticas atestam. Um homem que sucumbe á falta de sensibilidade gerada pela sensualidade 'legal' está fadado a cair.2 Acerca desse poder da "Indústria Cultural", a Escola de Frankfurt em sua crítica da sociedade tem a sua parcela de contribuição para nos dar: O homem civilizado quase não pode viver sem os meios de comunicação social: imprensa, rádio, televisão, etc. [...] A mera ausência de toda propaganda e de todos os meios doutrinários e de informação e diversão lançariam o indivíduo num vazio traumático.3 Essa denúncia da Escola de Frankfurt é de uma atualidade impressionante. A menos que o cristão saiba lidar com Indústria Cultural e disciplinar sua vida devocional, ele terá muitos pro- blemas em desenvolver a sua vida espiritual. A sua vida como adorador será pobre. Em meio a uma cultura imediatista, às vezes parece difícil o líder impor o seu próprio ritmo. Muitos evidentemente acham mais cômodo render-se ao modelo imposto pela sociedade. Homens de Deus que até pouco tempo eram arautos de um cristianismo bíblico renderam-se aos apelos da cultura pós- moderna. Alan Jones, teólogo anglicano, observa em seu livro Sacrifício c Alegria que: É muito difícil nadar contra a corrente e ser ministro da Palavra, quando o que a cultura quer é um camelô da religião adaptado ao consumo público.4 Nesta cultura pós-moderna, a adoração foi relegada ao se- gundo plano. O obreiro está sob constantes pressões para atender aos apelos das massas. O seu lugar de "oráculo divino" é usurpado pelo "artista de púlpito". É tentado a todo o momento a se tornar um animador de culto. Adorar da maneira bíblica se torna difícil. Todavia, devemos estar conscientes de que não po-
  • 41. 41 demos nos conformar com os apelos desse mundo e esquecer a nossa maior vocação — a adoração. Precisamos voltar a nos de- dicar a oração e a Palavra (At 6.4). Notas 1 BARNA, George. O Poder da Visão - ed. Abba Press, São Paulo - SP. 2 HUGHES, R, Kent. Citado em Vitória sobre a Tentação. Editora Mundo Cristão, São Paulo - SP. 3 NOGARE, Pedro Dalle. Humanismos e Anti-Humanismos — uma Introdução à Antropologia Filosófica. Ed. Vozes. São Paulo, 1977. 4 JONES, Alan. Sacrifício c Alegria — Espiritualidade para o Ministro Religioso. Ed. Paulus, São Paulo, 1995.
  • 42. 42 7 AS ARMAS DOS VALENTES No livro de 2 Samuel 23.8-22, lemos a respeito dos valentes que serviam ao rei Davi: "Estes são os nomes dos valentes que Davi teve: Josebe- Bassebete, filho de Taquemoni, o principal dos capitães; este era Adino, o eznita, que se opusera a oitocentos e os feriu de uma vez. E, depois dele, Eleazar, filho de Dodô, filho de Aoí, entre os três valentes que estavam com Davi, quando provocaram os filisteus que ali se ajuntaram à peleja e quando de Israel os homens subiram, este se levantou e feriu os filisteus, até lhe cansar a mão e ficar a mão pegada à espada; e, naquele dia, o SENHOR operou um grande livramento; e o povo voltou atrás dele somente a tomar o despojo. E, depois dele, Sama, filho de Agé, o hararita, quando os filisteus se ajuntaram numa multidão, onde havia um pedaço de terra cheio de lentilhas, e o povo fugira de diante dos filisteus. Este, pois, se pôs no meio daquele pedaço de terra, e o defendeu, e feriu os filisteus; e o SENHOR operou um grande livramento. Também três dos trinta cabeças desceram e vieram no tempo da sega a Davi, à caverna de Adulão; e a multidão dos filisteus acampara no vale dos Refains. Davi estava, então, num lugar forte, e a guarnição dos filisteus estava, então, em Belém. E teve Davi desejo e disse: Quem me dera beber da água da cisterna de Belém que está junto à porta! Então, aqueles três valentes romperam pelo arraial dos filisteus, e tiraram água da cisterna de Belém que está junto à porta, e a tomaram, e a trouxeram a Davi; porém ele não a quis beber, mas derramou-a perante o SENHOR. E disse: Guarda-me, ó SENHOR, de que tal faça; beberia eu o sangue dos homens que foram a risco da sua vida? De maneira que não a quis beber. Isso fizeram aqueles três valentes. Também Abisai, irmão de Joabe, filho de Zeruia, era cabeça de três; e este alçou a sua lança contra trezentos, e os feriu, e tinha nome entre os três. Porventura, este não era o mais nobre dentre estes três? Pois era o primeiro deles; porém aos primeiros três não chegou. Também Benaia, filho de [oiada, filho de um homem valoroso de Cabzeel, grande em obras, este feriu dois fortes leões de Moabe; e desceu ele e feriu um leão no meio de uma cova, no tempo da neve. Também este feriu um homem egípcio, homem de respeito; e na mão do egípcio havia uma lança, porém Benaia desceu a ele com um cajado, e arrancou a lança da mão do egípcio, e o matou com a sua própria lança. Estas coisas fez Benaia, filho de Joiada, pelo que teve nome entre os três
  • 43. 43 valentes. Dentre os trinta, ele era o mais nobre, porém aos três primeiros não chegou; e Davi o pôs sobre os seus guardas." Há algumas observações interessantes que podemos fazer, quando lemos a história desses valentes: 1. Eles fazem coisas incomuns (v. 8) Nessa passagem lemos que um dos valentes de Davi, de nome Josebe-Bassebete, feriu a 800 homens de uma vez! 2. Eles nunca fogem à luta (v. 11) Aqui vemos Samá, um dos valentes que se opôs aos filisteus quando todo o povo fugira. 3. Eles lutam com as armas que têm (v. 21) Esse é o ponto mais interessante que eu acho nesse texto, as armas com que os valentes lutam. Benaia, filho de Joiada, apenas com um simples cajado, enfrentou um egípcio que a Escritura diz que era de grande estatura e ainda estava armado com uma lança. A Bíblia diz que Benaia com aquele cajado arrancou a lança da mão do egípcio e com ela o matou! Às vezes, fico pensando que Benaia leva vantagem sobre nós. Benaia não possuía uma arma possante, mas sabia lutar; nós, ao contrário, possuímos armas poderosas (2 Co 10.3-5), mas não sa- bemos lutar. E por que não sabemos? Somos mal treinados. Espi- ritualmente, estamos com excesso de peso. Alimentação sem exercício torna a pessoa obesa, preguiçosa e propensa a uma série de problemas físicos. O que é verdadeiro para o corpo físico também o é para o interior, a não ser que nos entreguemos ao exercício espiritual, o alimento que ingerimos provavelmente nos fará mais mal do que bem. Há muitos santos comendo muito e se exercitando pouco e é por isso que Paulo colocou juntos comida e exercício quando escreveu estas palavras a Timóteo: "Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade. Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir" (1 Tm 4.6-8). [...] Houve um tempo na história da igreja que os cristãos se deleitavam em discutir a disciplina espiritual da vida cristã; mas, hoje em dia, qualquer coisa que cheire a disciplina é rotulada de "legalista" e estranha aos ensinamentos do Novo Testamento sobre a graça. Os cristãos contemporâneos não têm tempo para
  • 44. 44 disciplinas espirituais como adoração, jejum, oração, meditação, auto-exame e confissão. Estamos muito ocupados, indo de uma reunião a outra, procurando atalhos seguros para a maturidade.' Se quisermos ser um valente que não tombe na batalha, te- mos de levar a sério a nossa disciplina no manejo das armas espirituais. Não há um plano B. Sempre fiquei fascinado com o testemunho de homens como Wesley, Finney, Moody, Spurgeon e outros. Quanto mais sabia sobre esses homens, um elemento comum a todos eles parecia se destacar — todos foram homens disciplinados em suas práticas devocionais. Eram homens disciplinados na arte de orar. Precisamos orar, e orar com jejuns. Wiersbe já nos disse que muitos acham isso um legalismo, mas após examinar a Palavra de Deus e servir ao Senhor por vinte anos, não tenho mais dúvida de que não temos outra escolha. O livro de Atos dos Apóstolos registra as seguintes palavras: "E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo"(13.2). Não há como negar que o jejum era uma pratica comum na igreja apostólica. Aquela era uma igreja bem treinada, bem disciplinada espiritualmente. Em Atos 14.23, lemos novamente: "E, havendo lhes por comum consentimento eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem haviam crido" (grifo do autor). Orar com jejuns, conforme registra este texto, é o segredo da vitória. Tempos atrás travei uma das maiores batalhas espirituais de minha vida por um período de seis meses estive em um conflito espiritual sem precedentes. No momento que eu parecia estar bem forte, foi quando Satanás disparou seus dardos contra mim. Aonde eu fosse ou onde estivesse, aquele problema como algo onipresente me acompanhava. Tentei todas as saídas que eu conhecia. Tudo em vão. Isso aconteceu antes da minha entrada para o ministério de tempo integral. No local de trabalho, os colegas percebiam que eu estava com uma espécie de depressão. Durante esse tempo todo eu continuava orando a Deus. Certo dia, senti o Espírito Santo impulsionando-me para um jejum. Comecei então um período de cinco dias de jejum. Como ainda trabalhava no serviço público federal, fiz um jejum parcial. Abstinha-me do café da manhã e do almoço, jantando quando chegava em casa. Aquela semana pareceu longa, tamanha era a intensidade do conflito. Todavia, no meu interior senti paz, percebia que a batalha estava sendo ganha. Não tive visão, sonho ou revelação nos primeiros dias do meu jejum, mas quando estava no último dia, já encerrando aquele propósito, acordei às 5h30min
  • 45. 45 da manhã. Ouvi uma voz me chamando, consegui identificar aquela voz, pertencia a uma das minhas irmãs. Já conhecendo a história de Samuel registrada no capítulo três de seu primeiro livro, discerni que era o Senhor quem me chamara. Levantei-me, acendi a luz e caminhei em direção à bibliote- ca. No meu interior, algo parecia dizer-me: "leia o Salmo 24". Sen- tado na cadeira, com a Bíblia aberta sobre a escrivaninha, comecei a ler a Palavra de Deus. Quando cheguei ao versículo 8 que diz: "Quem é o Rei da Glória? O Senhor, forte e poderoso, o Senhor poderoso nas batalhas" (ARA), as palavras poderoso nas batalhas, se destacaram. Tive a sensação de que o Senhor era quem estava lutando por mim. Ouvi nitidamente o Senhor falando comigo: "não precisa mais se preocupar com isso, eu vim livrar você, você está livre". Estas palavras foram fortes demais para mim, comecei a chorar copiosamente. O Senhor havia me libertado, eu estava de fato livre. Muitos anos já se passaram e continuo livre. Às vezes, tento me lembrar daquele problema, mas é como se ele nunca tivesse existido. Aleluia! Ainda bem cedo na minha vida cristã, tive contato com um amado irmão (hoje pastor) que me introduziu a prática do jejum. Certo dia, ele convidou a mim e a outro irmão para irmos orar em um sítio de sua avó. Chegando ali, recolheu algumas limas (um tipo de laranja bem doce) e falou-nos: "Vamos ficar o dia todo aqui orando, lendo a Bíblia e nos alimentado somente do líquido dessas laranjas". Assim fizemos; primeiramente lemos o livro de Provérbios e partimos para um período de oração. Foi naquele dia, dez anos antes de entrar para o ministério de tempo integral, que recebi a confirmação no meu interior de que o Senhor me chamaria para sua obra. Isso de fato aconteceu. É bíblico orar com jejuns. Uma das razões de o jejum ser eficaz é que há uma sutil relação entre o físico e o espiritual. Quando o corpo é disciplinado, como durante o período de jejum, o Espírito Santo tem a liberdade de esclarecer a mente e purificar as intenções, tornando nossa oração e meditação muito mais poderosa. Ele pode usar períodos de jejum para santificar a nossa vida e glorificar ao Senhor.2 O jejum, no entanto, não deve ser usado com fins legalistas, procurando aquele que jejua transparecer mais espiritualidade do que os outros. Alguém já disse que o jejum não muda a Deus, Ele será o mesmo antes, durante e depois do jejum. O jejum muda aquele que jejua. Quebranta a nossa carne e deixa-nos mais sen- síveis para as coisas do Espírito de Deus. J. I. Packer, um renomado cristão puritano, diz: Mas o ascetismo - abstinência voluntária, auto-privação e austeridade
  • 46. 46 extrema - não é a mesma coisa que santidade, apesar de algumas formas de ascetismo fazer parte da vida de uma pessoa santa. Nem o formalismo - no sentido de uma intensa conformidade em atos e palavras com os padrões que Deus estabeleceu - pode ser confundido com a santidade, ainda que possamos assegurar que não há santidade sem essa conformidade.3 Em tempos recentes, a igreja tem sido despertada para essa prática que andava esquecida. Louvemos a Deus por isso. Notas 1 WIERSBE, Warren. Citado em Vitória Sobre a Tentação. Editora Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1999. 2 WIERSBE, Warren. Vitória Sobre a Tentação. Op.cit. Editora Mundo Cristão. 3 PACKER, J.I. citado em Vitória Sobre a Tentação. Op. cit. Editora Mundo Cristão.
  • 47. 47 8 APOIO AÉREO Super Armas! Recentemente a mídia internacional deu ampla cobertura à guerra do Afeganistão. Naquele conflito armado, os Estados Uni- dos da América usaram o que tinha de mais moderno em tecnologia bélica contra o regime Talibã. Todavia, a "guerra de comunicação" começou muito antes dos primeiros mísseis serem disparados. Era a guerra da propaganda. Por um lado os talibãs diziam que durante dez anos os soviéticos tentaram conquistá-los, mas não tiveram êxito. Os talibãs juravam que eram especialistas em guerrear nas montanhas e possuíam milhares de cavernas para se esconderem. Até mesmo a imprensa começou a acreditar nessa hipótese, afirmando que os americanos teriam muita dificuldade em sua missão. Por outro lado, os Estados Unidos faziam questão de exibir em todos os canais de televisão do mun- do o que eles tinha de mais modernos em matéria de equipamento bélico - satélites que mapeavam todo o território afegão; porta aviões equipados com mísseis teleguiados de longo alcance, ca- pazes de serem disparados até 2.500 km de distância do alvo e acertá-los com uma precisão cirúrgica; submarinos; helicópteros apaches e cobra, usados para apoiar as tropas terrestres; caças F- 15,16 e 18; aviões B-52, a fortaleza voadora, capaz de transportar até 30 toneladas de explosivos; aviões bombardeiros F-30, com oito canhões cada um e capazes de disparar até 2.500 tiros por minuto; os poderosos B-2, capazes de invadir qualquer espaço aéreo sem serem notados pelos radares, além disso tudo havia ainda as poderosas bombas BLU-28; a bomba termobárica para destruir cavernas e a poderosa GBU- 82, denominada a "corta margaridas", pesando sete toneladas e capaz de arrasar tudo em um raio de 600 metros! O cenário para a destruição estava montado. Todos já sabemos o final: os Estados Unidos venceram! O tempo recorde com que os americanos venceram essa guerra causou admiração no mundo. Onde estavam as cavernas impenetráveis? Onde estavam os soldados afegãos especialistas em guerras nas montanhas? Todas essas perguntas eram interessantes, mas nenhuma delas pôde se comparar com esta: que estratégia os americanos usaram para arrasar tão depressa o regime talibã? A resposta está no apoio aéreo dado pelos aviões bombardeiros. A propósito, essa tática já havia sido usada pelo norte-americanos na guerra do golfo contra o Iraque. O apoio aéreo foi decisivo na guerra. Antes de as tropas avançarem por