UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA MAICON EMERSON FERREIRA MOTA ROBSON SILVANARRANDO O REAL: POVOADO ...
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DEDICATÓRIA Dedicamos esse trabalho a todos os moradores do povoado Maracujá, poissão os atores principais do vídeo e...
AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente ao Senhor que nos deu forças para realizar essetrabalho. Aos moradores ...
RESUMOEste trabalho tem como objetivo contar através de um vídeo documentário a históriado povoado para os moradores desta...
ABSTRACTThis study aims to tell through a video documentary history of the village for theresidents of this town and other...
SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO1.2 APRESENTAÇÃO DO TEMA DO PROUTO............................................... ...
8INTRODUÇÃOApresentação do Tema O povoado Maracujá está situado a 18 quilômetros da sede Conceição doCoité, cidade s...
9ObjetivosGeral  Fazer um vídeo-documentário Contando a história do povoado, abordando a sua origem e um pouc...
10olhar sobre sua história, tendo valorizado e fortalecida a sua cultura e assim semotive em busca de melhorias para a sua...
11 No segundo capítulo dialogamos com alguns autores como Roy Armes, BillNichols, Robert-Breslin, Rudi Santos, entre ...
121. POVOADO MARACUJÁ: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO1.1 Características do povoado Maracujá Não há registros formais sob...
13de 1920, informação obtida através do censo. Segundo o pesquisador, essesquatros homens com suas famílias permaneceram n...
14ainda é um grande problema no povoado, pois quando não chove as pessoas aindarecorrem aos tanques para obter água. ...
15que eles não pensavam conseguir por causa da situação financeira do povoado e,sobretudo, pela inexistência de eletricida...
16 Alguns assuntos como a identidade negra na região, e outros temas públicoscomo cidadania e cultura não têm sido di...
17rurais e por sua forma de falar, sendo os moradores considerados como pessoasmenos inteligentes por isso. Orlando M...
18estrada principal, energia para o povoado e outros benefícios que sempre estavabuscando através dos políticos que ela ap...
19 O Brasil é um país preconceituoso de forma silenciosa, onde se coloca aculpa sempre no vizinho. Ninguém quer admit...
20 Foucault explica os mecanismos de controle do Estado moderno de fazerviver ou deixar morrer os seus cidadãos, que ...
21 Podemos entender a reivindicação do reconhecimento da comunidade comoremanescente quilombola pelo Estado como uma ...
222. O SUPORTE 2.1 O vídeo e seu contexto social Esse capítulo se destina a abordar o papel do vídeo no meio soc...
23então depois disponibilizar o vídeo para os seguimentos sociais que o utilizam paraalguns fins. Ainda de acordo com...
24suporte principal para as grandes interlocuções existentes em cada lugar do sistemaglobal, para assim ressaltar a grande...
25nesse gênero. Diferente de outros filmes, nada pode imitá-lo completamente; suasabordagens são variadas, buscando novas ...
26 É de suma importância antes de filmar analisar outros filmes que contenhamsonoras para entender quais procedimento...
27atores com os espectadores através do som das próprias palavras faladas pelosemissores (RODRIGUES, 2005). O som ...
283. DESCRIÇÃO DAS ETAPAS ESPECÍFICAS DE REALIZAÇÃO DO PRODUTOPRÉ-PRODUÇÃOPesquisa De acordo com Bernard (2008), para...
29 Na quarta visita ao povoado, as fortes chuvas na região dificultaram oagendamento das datas com todas as pesso...
30 Para isso, elaboramos o roteiro de gravação de acordo com as idades econhecimento das pessoas a serem entrevistada...
31respeito da ex-escrava Martinha, identificando também alguns descendentes delaainda vivos no povoado. A professora ...
32 A professora Eliene Dantas, que ao lado de Rita do Maracujá, ensinou aspessoas da região e lutou para uma melhor e...
33relação ao assunto tratado. Os planos médios foram os melhores para registrar agesticulação dos entrevistados. Quan...
34Descrição das gravações Nas entrevistas utilizamos com maior frequência o plano médio. Essa foi anossa estratégia p...
35branca. Optamos por realizar a entrevista em frente da casa, com o desafio dachuva, dificultando assim a gravação. Tivem...
36os quatros irmãos que chegaram ao povoado. Fizemos também algumas imagensno distrito de Conceição do Coité, chamado Juaz...
37PÓS-PRODUÇÃODecupagem É a fase na qual fizemos uma pré-seleção das falas que serviriam como basepara a escolha das ...
38Roteiro de edição O roteiro de edição usou uma metodologia semelhante a utilizada nadecupagem. Elaboramos uma tabel...
39mantendo a perseverança mesmo nos momentos difíceis. O play back dessacanção tocando em frente foi utilizado no momento ...
40Coité, outra no Centro Cultural da cidade, além de uma apresentação nacomunidade do Maracujá, onde foi realizado o vídeo...
41 entrevistados, moradores e pr...
42 Produção do X vídeo- documentário Entrega e ...
43importância do documentário; autores como Robert-Breslin (2009) falando sobre aimagem e o som, e sua importância para os...
44REFERÊNCIASARMES, Roy. On Vídeo: o significado do vídeo nos meios de comunicação social.São Paulo: Summus, 1999.BARRETO,...
45ROBERT-BRESLIN, Jan. Produção de Imagem e Som. Rio de Janeiro: Elsevier,2009.RUBIM, Albino. Cidadania, Comunicação e Cul...
46 APENDICES CRONOGRAMA DAS PERGUNTASNININHA COMO SE DEU O INÍCIO D...
47 CRONOGRAMA DE ENTREVISTASOrigem do povoado Dona Nininha Falará sobre o inicio do ...
Narrando real povoado maracujá, história e desenvolvimento
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Narrando real povoado maracujá, história e desenvolvimento

Published on: Mar 3, 2016
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Transcripts - Narrando real povoado maracujá, história e desenvolvimento

  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA MAICON EMERSON FERREIRA MOTA ROBSON SILVANARRANDO O REAL: POVOADO MARACUJÁ, HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO Conceição do Coité 2011
  • 2. MAICON EMERSON FERREIRA MOTA ROBSON SILVANARRANDO O REAL: POVOADO MARACUJÁ, HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Radialismo, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação, realizado sob a orientação da Professora Msc. Carolina Ruiz Macedo. Conceição do Coité 2011
  • 3. MAICON EMERSON FERREIRA MOTA ROBSON SILVANARRANDO O REAL: POVOADO MARACUJÁ, HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO Trabalho de conclusão apresentado ao curso de Comunicação Social – Habilitação em Radio e TV, da Universidade do Estado da Bahia, como requisito parcial de obtenção do grau de bacharel em Comunicação, sob a orientação da Professora Mestre Carolina Ruiz Macedo Data: ___________________________________ Resultado: _______________________________ BANCA EXAMINADORA Prof.ª Msc. Carolina Ruiz de Macedo (Orientadora) Assinatura: ________________________________ Prof.ª Msc. Kátia Santos de Morais Assinatura:________________________________ Prof. Msc. Tiago Santos Sampaio Assinatura:________________________________
  • 4. DEDICATÓRIA Dedicamos esse trabalho a todos os moradores do povoado Maracujá, poissão os atores principais do vídeo e do trabalho em si. A todos que desejam conhecermais sobre a história desse povo que tem uma história de luta e resistência.
  • 5. AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente ao Senhor que nos deu forças para realizar essetrabalho. Aos moradores do povoado Maracujá, que cooperaram e participaram commuito boa vontade, fornecendo informações e concedendo entrevistas para o vídeo. Aos colegas do curso e professores, principalmente à professora orientadoraCarolina Ruiz que foi paciente em nossas dificuldades. A todos que acreditaram em nosso potencial e àqueles que participaramdireta e indiretamente desse trabalho.
  • 6. RESUMOEste trabalho tem como objetivo contar através de um vídeo documentário a históriado povoado para os moradores desta localidade e para outras pessoas, buscandoapresentar sua origem, trajetória e características nos dias atuais, frisando o papeltransformador exercido pela líder comunitária Rita do Maracujá. Esse trabalho temcomo objeto o povoado Maracujá, localizado na zona rural da cidade de Conceiçãodo Coité. Existem nos últimos anos alguns relatos orais, de que esse povoado podeser um remanescente quilombola. Durante muitos anos esse povoado foi esquecidopelas autoridades, permanecendo por um longo período isolado e sem nenhumaassistência do Estado. Para realizar esse propósito, utilizamos informações doestudo da professora Lúcia Maria Parcero, da UNEB Campus XIV, e das pesquisasdo escritor coiteense Orlando Matos Barreto. Como subsídios teóricos paracompreender questões ligadas ao povoado, utilizamos alguns conceitos de racismo,negritude e cidadania, assim como discutimos o vídeo como suporte e ascaracterísticas do gênero documental. Utilizamos ainda como recursosmetodológicos entrevistas com alguns moradores, professores, pesquisadores eoutras pessoas envolvidas.Palavras-chave: Povoado Maracujá – vídeo-documentário – história – mudanças.
  • 7. ABSTRACTThis study aims to tell through a video documentary history of the village for theresidents of this town and others, seeking to present its origin, trajectory andcharacteristics today, emphasizing the transformative role played by communityleader Ritas Passion. This work has as its object the settlement Passion, located inthe rural town of Conception intercourse. There are some reports in recent yearsoral, that this town may be a remnant Quilombo. For many years this town has beenforgotten by the authorities, staying for a long time alone and without any assistancefrom the State. To accomplish this purpose, we use data from the study by ProfessorMaria Lucia Parcero of UNEB Campus XIV, and research the writer coiteenseOrlando Matos Barreto. As theoretical support to understand issues related topeople, using some concepts of racism, blackness and citizenship, as well as discussthe video as support and the characteristics of the documentary genre. We also useinterviews as methodological resources with some residents, teachers, researchersand others involved.Keywords: Povoado Maracujá - History - documentary video - development.
  • 8. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO1.2 APRESENTAÇÃO DO TEMA DO PROUTO............................................... 081.3 OBJETIVOS................................................................................................... 091.4 JUSTIFICATIVA............................................................................................. 091.5 DESCRIÇÃO DOS CAPÍTULOS.................................................................... 101.6 PÚBLICO-ALVO............................................................................................. 112. POVOADO MARACUJÁ: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO..................... 121.1 CARACTERÍSTICAS DO POVOADO DE MARACUJÁ................................. 121.2 RITA DO MARACUJÁ.................................................................................... 171.3 NEGRITUDE E RACISMO............................................................................ 183. SUPORTE....................................................................................................... 212.1 O VÍDEO E SEU CONTEXTO SOCIAL........................................................ 212.2 O GÊNERO DOCUMENTAL........................................................................ 242.3 A TÉCNICA................................................................................................... 254. DESCRIÇÃO DOS PROCESSOS DE PRODUÇÃO....................................... 273.1 PRÉ- PRODUÇÃO........................................................................................ 273.2 PRODUÇÃO.................................................................................................. 333.3 PÓS-PRODUÇÃO......................................................................................... 36CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 41REFERÊNCIAS................................................................................................... 44APÊNDICE ......................................................................................................... 46
  • 9. 8INTRODUÇÃOApresentação do Tema O povoado Maracujá está situado a 18 quilômetros da sede Conceição doCoité, cidade situada no semiárido baiano, a 210 quilômetros de Salvador, capital doestado da Bahia. Quase 100% das pessoas dessa localidade são negras, por essemotivo algumas pessoas têm tentado nos últimos anos provar que o povoado é umremanescente quilombola, a fim de conquistar o reconhecimento do governo. Opovoado sofreu bastante por descasos dos governos competentes, deixando osmoradores em condições subumanas, mas essas pessoas sobreviveram mesmocom o desprezo dos governos e com os preconceitos das pessoas do própriomunicípio por causa da precariedade do local e por ser uma comunidade negra. Com isso surgiu a ideia do trabalho vídeo-documentário sobre a história dopovoado, através das falas dos próprios moradores da comunidade, mostrandocomo tudo começou no povoado, através de olhares de escritores, professores eprincipalmente de pessoas mais velhas ou que fizeram parte da história dacomunidade Maracujá. A intenção é mostrar ainda por meio desse trabalho, comoestá o povoado atualmente e o que os moradores ainda anseiam, pois muitas coisasainda precisam melhorar na localidade. A história do povoado é cheia de luta pelasobrevivência. Assim, o vídeo pretende descrever um pouco sobre algumas pessoasque se tornaram atores principais no desenvolvimento do povoado, como Rita doMaracujá e a escrava Martinha. Os métodos que utilizamos para a realização da pesquisa que antecedeu aelaboração do vídeo foram a pesquisa bibliográfica, a realização de entrevistas comos moradores do povoado e outros que conheciam um pouco da temáticatrabalhada, além de visitas exploratórias na comunidade para entender mais sobreela.
  • 10. 9ObjetivosGeral  Fazer um vídeo-documentário Contando a história do povoado, abordando a sua origem e um pouco de seu desenvolvimento;Específicos  Mostrar algumas transformações do povoado a partir da ação da líder comunitária Rita do Maracujá;  Apresentar as características atuais do povoado;  Dar maior visibilidade ao povoado e à sua história de resistência, divulgando um pouco da sua cultura e modo de vida.Justificativa. A escolha desse povoado se deve a situação peculiar de isolamento em quevive até hoje a sua população, de origem afro-descendente, agravada pela carênciade ações governamentais que proporcionem as condições básicas aos seusmoradores. Desta forma, a realização desse documentário deseja contribuir com amelhoria do atual cenário desfavorável em que se encontra essa comunidade,através do registro e divulgação da sua história e transformações, oportunizandouma maior visibilidade e sensibilização por parte dos governantes e da comunidadeacadêmica regional. Um dos aspectos relevantes abordado neste documentário está relacionadoàs diferentes versões sobre a origem do povoado Maracujá, as quais envolvemargumentações discordantes entre uma possível remanescência quilombola. Além disso, este trabalho se propõe a retratar as tradições presentes nacultura do povoado Maracujá, estabelecendo conexões entre o seu modo de vidaatual e os costumes que remetem a sua origem. Ao utilizar uma linguagemaudiovisual clara e objetiva, pretende-se que a própria comunidade possa ter um
  • 11. 10olhar sobre sua história, tendo valorizado e fortalecida a sua cultura e assim semotive em busca de melhorias para a sua localidade. Outro olhar importante na construção desse produto audiovisual é a deevidenciar a falta da inclusão de políticas básicas de assistência nesta localidade,pois ao dar voz aos vários problemas que a comunidade ainda enfrenta, esse projetopode auxiliar aos governantes na identificação de ações prioritárias a seremimplementadas. Como consequência dessa desassistência política, se observam problemasde saúde, causados principalmente pela falta de saneamento básico e fornecimentode água tratada à população, além do grande êxodo rural, praticadopredominantemente pelos jovens da comunidade que não encontram perspectivasde trabalho e renda voltados à realidade daquela região. Diante deste cenário desfavorável, esperamos que a produção dessedocumentário colabore com o objetivo de tornar pública a realidade do povoadoMaracujá para estudantes, professores, governo e demais integrantes da sociedadeque passarão a conhecer melhor a história de vida desses bravos cidadãoscoiteenses, para que assim despertem para a necessidade de somar esforços nabusca de soluções que oportunizem melhores condições de vida a essas pessoas. Ademais, este trabalho tenta através da realização dos seus objetivos cumprirum dos papéis primordiais da academia, qual seja o de promover o desenvolvimentoda região onde atua, contribuindo para a compreensão e a valorização da culturalocal.Descrição dos Capítulos O primeiro capítulo do trabalho versa sobre o seu objeto, ou seja, o povoadoMaracujá. Buscamos fazer um resumo da história e características do Maracujá combase em pesquisa bibliográfica e de campo. Assim, apresentamos algumasinformações sobre a origem do povoado através dos relatos das poucas pessoasque a conhecem. Falamos ainda sobre a líder comunitária Maria Rita MarcelinaSilva, a Rita do Maracujá, que nasceu no povoado de Juazeirinho e quando adultapassou a morar no povoado Maracujá, trazendo mudanças significativas para acomunidade.
  • 12. 11 No segundo capítulo dialogamos com alguns autores como Roy Armes, BillNichols, Robert-Breslin, Rudi Santos, entre outros, a respeito de questões relativasaos aspectos técnicos e sociais do vídeo-documentário e a sua importância para adivulgação de informações e conhecimento, assim como para a promoção dereflexões na sociedade contemporânea. O objetivo desse capítulo é tratar sobre osuporte utilizado, ou seja, sobre o vídeo-documentário, abordando elementos dalinguagem audiovisual. Falamos sobre o vídeo, conceituando seus processos iniciaise contextualizando seus avanços e desafios. Esse capítulo traz ainda uma revisãode parâmetros importantes sobre a produção de som e imagem, como as noções deluz, enquadramento e trilha sonora, assim como aborda sucintamente sobre ogênero documentário, seus conceitos, sua linguagem, e seus modos de fazer. O terceiro capítulo é destinado à descrição das fases de pré-produção,produção e pós-produção, onde explicitamos as atividades realizadas: as gravações,as viagens, todo material preparado para que o trabalho acontecesse etc.Descrevemos ainda os passos finais do trabalho, o que engloba as decupagens,processo de edição e ajustes feitos após o término do vídeo.Público Alvo Esse trabalho é dirigido, primeiramente, às pessoas do povoado, pois sãoeles os autores principais da história. O vídeo também poderá ser utilizado porgovernos e ONGs com o intuito de levar melhorias ao povoado. Poderá também serutilizado como pesquisa acadêmica, ampliando o conhecimento sobre a região. É,enfim, voltado para todos os coiteenses e interessados pela história do povoado
  • 13. 121. POVOADO MARACUJÁ: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO1.1 Características do povoado Maracujá Não há registros formais sobre a história do povoado Maracujá. O queexistem são algumas pesquisas realizadas no povoado há alguns anos por algunsintelectuais com o intuito de conhecer a cultura deste povo de modo de vida rural.Nesse trabalho buscamos algumas informações sobre a história do povoado atravésdas poucas pessoas que a conhecem, inclusive evidenciando algumas dascontradições entre as versões desses personagens. Uma das peculiaridades do Maracujá é que quase a totalidade da suapopulação é negra, diferindo neste aspecto dos demais povoados e da populaçãoque vive na sede de Conceição do Coité, localizada a apenas 18 km do povoado.Por essa característica, surgiram nos últimos anos discussões de que o povoadopoderia ser um remanescente quilombola, o que tem sido defendido por algunsestudiosos como a professora Maria Lúcia Parcero, do Campus XIV da Uneb deConceição do Coité, que fez uma tese com a temática sobre o povoado, abordandosobre as crenças e a vida daquelas pessoas, e principalmente por algunsintegrantes do povoado Maracujá, cientes dos benefícios que o reconhecimentodesse título poderia trazer à localidade através das atuais políticas governamentaisde inclusão social. Entretanto, através da pesquisa de campo realizada para a elaboração destetrabalho, pudemos constatar que essa discussão não perpassa pelo conhecimentoda maior parte dos moradores do povoado, e que alguns dos que têm conhecimentosobre o assunto não desejam ser reconhecidos como povoado remanescente dequilombo ou não entendem muito as implicações de um possível reconhecimento,por haver um grande preconceito por parte da região, em relação às pessoas dopovoado e pelo assunto ser novo na localidade. Para o escritor Orlando Matos Barreto, um dos principais pesquisadores sobrea história do povoado, apesar de sua origem aparecer em alguns aspectosrelacionados à história da escravidão na região, a possibilidade de o Maracujá serremanescente de quilombo é muito remota, uma vez que, segundo suas pesquisas,o povoado teve origem a partir de quatro irmãos que compraram as terras por volta
  • 14. 13de 1920, informação obtida através do censo. Segundo o pesquisador, essesquatros homens com suas famílias permaneceram nessa região conhecida hojecomo Maracujá. Essa informação é ratificada pelo depoimento de alguns moradoresda comunidade. O povo que vive no Maracujá tem uma história triste, sofrida pela falta deágua, de energia, de postos de saúde, de transporte e de acesso à educação, sendoque parte de sua sobrevivência vem de plantações de grãos como feijão e milho, doplantio do sisal, e do trabalho pesado na extração e no tratamento da planta nomotor. O plantio e a extração do sisal, característico da região e que foipreponderante como forma de sobrevivência durante vários anos no povoado, é umtrabalho pesado e de pouca lucratividade para os trabalhadores rurais que atuamnestas atividades. A riqueza advinda dessa cultura fica restrita aos donos dasfábricas, que comercializam o produto em dólar e não dividem os lucros obtidos comos trabalhadores dos motores de sisal. A localidade tem aproximadamente trezentos habitantes, porém, poucosmoradores têm renda fixa e algumas famílias dependem dos aposentados parasobreviver. A região onde se encontra o povoado é muito carente de oportunidadese a principal fonte de renda dos moradores é a subsistência familiar. Outro desafio que os moradores enfrentavam e, mesmo que de forma menosdura, ainda enfrentam, é a escassez de água no povoado, pois não havia cisternaspara acumular água da chuva. Assim, era necessário que fossem feitas grandesjornadas em busca deste bem precioso, essencial à vida. Somente no final dos anos 1990 alguns programas sociais começaram achegar ao povoado, tendo como resultados a implantação de cisternas para guardarágua, a fim de substituir os “tanques”1, e a construção de algumas casas popularespela iniciativa municipal2. A primeira das casas construídas foi a da líder Rita doMaracujá, no ano 1997. As cisternas foram construídas no povoado em meados do ano 2000 emelhoraram bastante a situação da localidade. Apesar desta inovação, a falta d’água1 Depressões naturais no relevo que empoçam a água da chuva, gerando uma espécie dereservatório de água a céu aberto, exposto a todo tipo de sujeira e que serve inclusive aos animais.2 A construção se deu durante a gestão do então prefeito Everton Rios de Araújo e do vice-prefeito,conhecido como Resedá.
  • 15. 14ainda é um grande problema no povoado, pois quando não chove as pessoas aindarecorrem aos tanques para obter água. Outro meio de sobrevivência tradicional ainda realizado na década de 1990era a comercialização de esteiras de pindobas na sede do município, sendo, noentanto, necessário percorrer muitos quilômetros para encontrar o material parafazer as esteiras. Esse comércio ainda hoje é realizado por algumas pessoas. Por falta de oportunidade no povoado Maracujá, desde a década de 80, e atémesmo antes disso, muitos jovens passaram a buscar meios de sobrevivência emgrandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, entre outras. Em muitoscasos esses jovens tinham pouca ou nenhuma qualificação profissional e acabavamfazendo trabalhos pesados nessas cidades durante anos para ajudar suas famíliasque permaneciam no povoado. No entanto, a educação é uma grande preocupação para a maioria dosmoradores. Há muitos anos os jovens, a fim de estudar, se deslocam de suas casaspara outros povoados ou até mesmo para a cidade de Conceição do Coité e ointerior de Riachão do Jacuípe, distrito de Chapada situado a alguns minutos dopovoado. A partir dos anos 1990 a localidade passou a ser notada por políticos, quecomeçaram a visualizar a comunidade com propósitos eleitorais. Apesar de anosantes a líder comunitária Rita do Maracujá já buscava através das autoridades egovernantes melhorias para o povoado, no decorrer dos anos não se viu muitastransformações em benefício do povoado. Durante muitos anos de luta poucasmudanças ocorreram em áreas importantes como saúde, comunicação, educação,empregos, dentre outras. Uma das poucas áreas em que ocorreram mudanças foi na iluminação, queantes era à base de lampião e candeeiro. Essa transformação ocorreu na transiçãodos governos de Everton Rios de Araújo Filho e Wellington Passos de Araújo, doano 2000 para 2001. Hoje existe eletricidade nas casas dos moradores depois demuitos anos de sofrimento e esquecimento dos órgãos competentes e graças aoempenho da líder comunitária Rita do Maracujá. Com a chegada da eletricidade algumas coisas mudaram no povoado. Acomunicação entre os próprios moradores melhorou, pois muitos adquiriramaparelhos telefônicos, televisão e antenas parabólicas em suas casas, benefícios
  • 16. 15que eles não pensavam conseguir por causa da situação financeira do povoado e,sobretudo, pela inexistência de eletricidade no local. No campo da educação, muitos adultos e idosos não concluíram nem oprimário, pois não tiveram oportunidades em seus anos de juventude. As labutas dodia-a-dia nas plantações, os cuidados com os filhos e muitas vezes os trabalhos emmotores ou trabalhos em fazendas alheias, dificultavam bastante o aprendizado.Esse ainda é um grande problema, pois muitos não querem estudar por achar quenão necessitam ou não têm mais tempo para isso. Outra situação vivenciada hoje éa de muitos jovens que conseguem se formar e permanecem no povoado cuidandode seus familiares mais velhos ou para trabalhar cuidando das plantações e animais. Foi com grande esforço que o povoado sobreviveu em meio a tantaslimitações, aproveitando cada oportunidade que a terra fornecia como a caça devários animais, a pesca em tanques da região e a comercialização de frutas nacidade de Conceição do Coité. Há algum tempo as melhorias foram chegando, como luz elétrica, casaspopulares e cisternas em cada domicílio. Mas um dos grandes problemas continuasendo a falta de oportunidades para os jovens locais, que se deslocam em suamaioria para os grandes centros, e a falta de melhores condições de vida para opovo, como saneamento básico, programas de valorização à cultura e pavimentaçãodas estradas que ligam o povoado à sede do município. Toda inspiração para lidar com as dificuldades e para continuar buscandomelhorias para o povoado foram herdadas de pessoas que lutaram para deixar umlegado de força e determinação para os próximos moradores, colaborando paraescrever uma trajetória de resistência para o povoado. Mesmo sem ajuda degovernos ou até mesmo da sociedade civil, eles tiveram pessoas importantes emsua história que contribuíram bastante para o desenvolvimento da comunidade,como por exemplo, as professoras Rita do Maracujá e Eliene, que fizeram muito poressa terra, assim como Lourival de Oliveira Souza, atual líder comunitário. De acordo com as pesquisas realizadas pela professora pesquisadora LuciaMaria de Jesus Parcero e pelo escritor Orlando Matos Barreto, percebe-se que alémdas necessidades básicas como saneamento e educação, outras questões degrande relevância no povoado do Maracujá foram deixadas de lado pelosgovernantes.
  • 17. 16 Alguns assuntos como a identidade negra na região, e outros temas públicoscomo cidadania e cultura não têm sido discutidos ao longo dos anos por setores dasociedade e nem mesmo por parte do governo municipal, a fim de trazer benefíciospara o povo deste local. Foram realizados poucos trabalhos para entender melhor a situação dopovoado e sua história. Há cerca de dez anos, professores e estudantes começarama se interessar pelo tema e pelo povoado devido à suposição deste serremanescente de escravos. De acordo com a professora e pesquisadora LúciaParcero em sua tese de doutorado Povoado Maracujá; sua gente, sua língua, suascrenças (2007), que investigou a influência da cultura africana em alguns aspectosdo modo de vida desse povo, a localidade é remanescente quilombola e foi iniciadapor quatro irmãos que chegaram nessas terras no começo do século XX. De acordocom o trabalho da professora, na época da realização de suas pesquisas o povoadoera composto por quatrocentos habitantes. Dentre os temas estudados, Parcero (2007) aborda a religião praticada nopovoado. Embora aponte que o candomblé é a religião dominante na comunidade,registrou que muitos não queriam falar por medo da discriminação que a religião dematriz africana sofre por parte dos moradores da região. Assim, segundo apesquisadora, a comunidade pratica de forma velada o candomblé, vivenciandoseus ritos e rituais de maneira discreta, escondida e muitas vezes misturadas aalguns ritos católicos, como veremos na fala de um morador da cidade coiteense,apresentada no trabalho da autora. Muitos seguem, oficialmente, a religião católica. Doc. E quanto à religião, você conhece alguma característica particular da comunidade? Inf. Eu sei que eh... tem um grupo de candomblé lá, mas não sei detalhes. Não sei lhe dizer também o que fez eles participarem cá (igreja) e lá... eu acho que sim. (apud Parcero, 2007, p. 28). Outro aspecto relevante trazido pela pesquisa de Parcero para compreendera influência da cultura africana e visualizar traços da descendência de escravos nopovoado é a identificação e análise de alguns elementos linguísticos utilizados pelosmoradores, como termos de origem africana e formas de pronunciar algumaspalavras e expressões características dos escravos. Ainda segundo a pesquisadoraem entrevista concedida para o vídeo produto desse projeto, o povoado sofrepreconceito por parte das pessoas da sede do município por suas características
  • 18. 17rurais e por sua forma de falar, sendo os moradores considerados como pessoasmenos inteligentes por isso. Orlando Matos Barreto, em seu livro Martinha, escrava, esposa e rainha(2004), fala a respeito de uma ex-escrava que viveu nas regiões próximas aJuazeirinho, distrito de Conceição do Coité. Martinha se casou com um dosfazendeiros da época, mesmo ainda sendo escrava. Segundo Barreto, ela lutou pararesgatar seus irmãos e filhos da escravidão em meados 1865. Aos poucos oslibertados foram sendo incorporados aos trabalhadores da freguesia de NossaSenhora de Conceição do Coité. Martinha tem uma ligação próxima com o povoadoMaracujá, pois seus familiares começaram a se espalhar pelas regiões vizinhas,formando assim, em parte, o povoado Maracujá. De acordo com o escritor epesquisador até hoje existem descendentes dessa mulher na comunidade.1.2 Rita do Maracujá O Maracujá começa a passar por algumas transformações na década de1960, com a chegada da professora Maria Rita Marcelina Silva, que morava nopovoado de Juazeirinho, e que a partir de sua morada no local passa a serconhecida por muitos como Rita do Maracujá. Algumas pessoas achavam que ela não era capaz de ensinar, no entantocom bastante esforço ela recebeu o cargo de professora, ensinando no povoadoMaracujá e em outros povoados. Filiada ao partido conhecido na cidade como opartido dos azuis (PL e PMDB), ela começa uma trajetória que faria diferença nalocalidade. Mais tarde sai do partido dos azuis para o dos vermelhos (PP e PFL).Essa mudança se deu pela necessidade que Rita tinha de ajudar a sua famíliaatravés do emprego como professora da região, além de contribuir com odesenvolvimento do povoado. Tornou-se líder comunitária anos mais tarde, e travouuma luta em favor dos moradores e do povoado. Através de sua garra entrou no meio político, trabalhando pela prefeituramunicipal da cidade de Conceição do Coité na década de 1960, porém, em seusanos de liderança, buscava melhorias para o local, sendo responsável pela fundaçãoda Associação de Moradores do povoado. Trabalhou a fim de conseguir um posto desaúde, uma escola melhor para uma educação mais eficaz para todos, asfalto para a
  • 19. 18estrada principal, energia para o povoado e outros benefícios que sempre estavabuscando através dos políticos que ela apoiava e lutava em prol das candidaturas. Rita não conseguiu, em vida, ver a realização daquilo que tanto buscou, quefoi a energia para o povoado e a construção de muitas casas. Isso só se tornourealidade alguns anos depois da sua morte, que aconteceu em 1998, aos quarenta enove anos de idade. A energia e a construção das casas vieram através de algunsprogramas governamentais, que ela sempre lutou, entre outras coisas, para quechegassem até o povoado. Através de seu trabalho, mesmo com dificuldades, conseguiu algumasmudanças importantes para a comunidade, que hoje está melhor do que anos atrás.Com bastante luta os moradores conseguiram televisão, geladeira, sofás, e algunscom seu carro próprio. Essas conquistas se deram com mais ênfase a partir dadécada de 1990. Rita do Maracujá se tornou uma mulher conhecida em toda acidade de Coité e seus povoados por sua determinação em cuidar de sua família edo bem estar dos moradores deste local.1.3 Negritude e Racismo Munanga (1986, p. 44) afirma que “o negro tem de buscar estratégias a fim deconseguir sua identidade”, valorizando a sua cultura para assim buscar descobrirsuas origens e depois valorizar suas tradições, sua terra, suas famílias, perpetuandoassim tradições de grande valor para a sua vida. Para Munanga (1986, p 213), é essencial cada comunidade reencontrar o fiocondutor que a liga ao seu passado ancestral, o mais longínquo possível. Énecessário que os negros resgatem a história que permita recapturar a suaidentidade e tirar dela o benefício necessário para reconquistar seu lugar no mundomoderno. Munanga (1996) usa a frase de Florestan Fernandes para iniciar umadiscussão a respeito do racismo: “no Brasil se tem preconceito de se terpreconceito”. Dando continuidade à sua reflexão, o Brasil, assim como outrospaíses, carrega uma bagagem enorme de exclusão do negro, assim comoaconteceu na Alemanha nazista, na África do Sul com o apartheid e nas sociedadesescravistas, que praticaram o racismo institucionalizado. Para o autor, atualmente ospaíses da América do Sul praticam o racismo de forma diferente.
  • 20. 19 O Brasil é um país preconceituoso de forma silenciosa, onde se coloca aculpa sempre no vizinho. Ninguém quer admitir ser racista no Brasil, foi o queindicou a revista Folha em uma pesquisa realizada no ano de 1995 que perguntou àpopulação sobre preconceito racial. A maior parte dos entrevistados negou serracista, sendo que muitos procuraram desculpas para dizer que não excluem o outroda sociedade. Mas o que se percebe é outra situação, um país no qual as coisas sãorealizadas de forma velada, onde as tradições negras são desvalorizadas, umracismo bruto é praticado por empresas no que se refere a empregar funcionáriosnegros e a educação oferecida pelo Estado dá à população negra (que também é amais pobre) as piores oportunidades. O negro tem dificuldades de participação nomeio político, na mídia e em outros setores da sociedade, sendo quase semprediscriminado e esquecido. E tudo isso tem sempre a responsabilidade atribuída aopassado escravista, como que se fosse uma justificativa válida para desqualificar onegro, pois de acordo com o autor isso não justifica ações preconceituosas paracom o negro (MUNANGA, 1996). Por causa disso percebe-se a importância dos negros buscarem sempre suaidentidade cultural e ancestral, para saber agir e defender seus direitos dentro docontexto atual em que vivem como qualquer cidadão. Rubim (2003) fala sobre os desafios para se construir uma cidadania plena,pois alguns desafios como a concentração de poder nas grandes organizaçõesgovernamentais e instituições é um dilema difícil de desfazer, pois fazem com queos direitos e os deveres dos cidadãos fiquem de certa forma esquecidos, mas,sobretudo, os direitos do cidadão. Segundo o autor, a desigualdade social intensa ea concentração de renda e poder no Brasil aparecem como um dos maiores perigospara a realização plena da cidadania, pois sem a superação de tais flagelos ficadifícil uma realização ampla e satisfatória para introduzir no cotidiano uma maiorvalorização do cidadão e de seus objetivos. Os moradores do povoado Maracujá experienciam uma situação precária desobrevivência: vivem com dificuldade e recebem muito pouca assistência ou atençãodo Estado. Falta maquinário para trabalho, saneamento básico, abastecimento deágua encanada, atendimento médico e políticas de defesa da terra. Esse aspectopode ser entendido como outra forma de experiência de racismo, explicitada porFoucault (1999).
  • 21. 20 Foucault explica os mecanismos de controle do Estado moderno de fazerviver ou deixar morrer os seus cidadãos, que se contrapõem aos utilizados pelopoder soberano, em que o Soberano tinha controle disciplinar sobre os corpos pormeio do direito de morte, ou seja, controlava a vida pela possibilidade de matar, oque configurava o direito de deixar viver ou fazer morrer. Esmiuçando a questão,Foucault argumenta que no Estado moderno, em que a função do poder político éfazer viver os seus cidadãos, o Estado só pode expor à morte ou deixar morreratravés do racismo. Nesse contexto, Foucault define o racismo como “o meio de introduzir nessedomínio da vida de que o poder se incumbiu um corte: o corte entre o que deve vivere o que deve morrer” (1999, p. 304). Acrescenta como característica do racismo adistinção e hierarquização das raças e a qualificação de algumas como boas e deoutras como inferiores e indica como uma de suas funções a promoção dafragmentação da população. O racismo autoriza o direito do deixar morrer, justifica amorte da raça ruim ou inferior, do degenerado ou anormal, o que garante uma vidamais sadia à coletividade. Nesse sentido, pode morrer não o indivíduo que não seadéqua, mas aquele que não é necessário e isso pode ser entendido do ponto devista econômico, político ou social. Por tirar a vida não entendo simplesmente o assassínio direto, mas também tudo o que pode ser assassínio indireto: o fato de expor à morte, de multiplicar para alguns os risco de morte ou, pura e simplesmente, a morte política, a expulsão, a rejeição, etc. (FOUCAULT, 1999, p. 306). Diante da argumentação de Foucault, o abandono dessa população acondições adversas e a uma situação de marginalização social não pode serencarado com a ingenuidade do acaso ou justificada apenas pela pobreza, opção deisolamento ou questão de classe. Segundo Peruzzo (apud Vieira, 2003) os direitos civis e individuais vêm acrescer de forma significativa a partir do século XVIII, quando surge a noção decidadania e no qual aflora a busca pelos direitos sociais, como educação, saúde edireitos trabalhistas. Peruzzo continua descrevendo os direitos sociais e afirma quenos séculos XX e XXI outros direitos começaram a surgir na sociedade, relacionadosà orientação sexual, ambiental, direito à religiosidade e nacionalidade, possibilitandouma busca maior por eles.
  • 22. 21 Podemos entender a reivindicação do reconhecimento da comunidade comoremanescente quilombola pelo Estado como uma das estratégias de resistênciaencabeçadas pelas lideranças do povoado, a fim de transfigurar características quesempre dificultaram a sobrevivência da comunidade em benefícios concretos para opovoado através dos incentivos do governo ligados as atuais políticas de reparaçãoe inclusão social. Através desse reconhecimento a comunidade receberia um olharmais atento dos órgãos públicos e da sociedade em si, ganhando mais legitimidade,inclusive para as suas práticas culturais. Diante dessas questões, o vídeo proposto tem o potencial de cumprir umimportante papel social para a região de Conceição do Coité e principalmente para acomunidade Maracujá, uma vez que se propõe a contribuir para a valorização dacultura local, abordando algumas questões sobre sua identidade e cidadania e daralguns esclarecimentos sobre o povoado. O vídeo também é uma forma de chamar atenção dos poderes públicos paravisualizar a comunidade como uma região que necessita de apoio à cultura,cidadania e melhores condições de vida. Através da narrativa de caráter documentala localidade será mostrada como um lugar que foi desvalorizado por muitos anos,apesar de sua história de luta e de todo o seu valor.
  • 23. 222. O SUPORTE 2.1 O vídeo e seu contexto social Esse capítulo se destina a abordar o papel do vídeo no meio social, com focona sua capacidade em trazer à tona as especificidades de um determinado objetosocial. Aos termos como objeto uma comunidade tradicional, essa capacidade dovídeo pode revelar e valorizar a história e costumes dessa comunidade aos própriospersonagens representados, assim como aos demais espectadores da sua narrativa.Dessa forma, explicitaremos as possibilidades que a representação através daimagem e o som pode trazer como contribuição na vida de uma comunidade. Porisso torna-se necessário compreender os mecanismos desse tipo de suporte quevem se popularizando a cada ano. O audiovisual, ao contrário do que muitas pessoas e instituições poderãodizer, não é um meio ou suporte limitado somente ao cinema, ou a grandesapresentações. Dentro de uma pequena comunidade podemos também desenvolvervárias formas de se usar o som e a imagem em seu benefício. Armes (1999) relata arespeito das possibilidades de aplicação do vídeo, como um suporte que é bastanteutilizado no meio televisivo e esportivo, no entanto seu papel vai além dessas formasde aplicação. Assim como qualquer produto audiovisual, o vídeo pode ser utilizadocom fins lucrativos, mas é possível também trabalhar com pequenas produções,narrando fatos que acontecem no cotidiano das pessoas. O vídeo é capaz de unirvários públicos, e com pequenas produções familiares, pode contar a históriasdessas famílias. No decorrer dos anos, vários públicos perceberam a grande importância queessa linguagem possui, popularizando o seu uso por meio das facilidades advindasdos avanços tecnológicos nos equipamentos utilizados na produção, e no usocrescente da Internet para a divulgação dos seus produtos audiovisuais. Rodrigues(2005) diz que a popularização do que hoje é denominado ou chamado de vídeo, foium processo lento. Segundo o autor, quando uma invenção é colocada no mercado,já se tem um bom período de testes, que nesse caso já vinham sendo feitos porprofissionais com acesso a tecnologia e por grandes empresas de televisão, para
  • 24. 23então depois disponibilizar o vídeo para os seguimentos sociais que o utilizam paraalguns fins. Ainda de acordo com Armes (1999), a reprodução de imagem e do som aolongo dos anos passou por três fases. A primeira foi a revolução eletrônica que sedeu com as transmissões de rádio, na década de 1920; a segunda aconteceu com odesenvolvimento da televisão; e dando continuidade às fases anteriores, veio aintrodução das gravações eletromagnéticas após a segunda Guerra Mundial. No século XX o cinema ganha força por ser o único meio de produçãoaudiovisual existente até então. Um elemento sonoro característico do início docinema, quando este era ainda “mudo”, e que é frequentemente esquecido, é aapresentação verbal do mestre de cerimônias. Esse apresentador ficava ao lado datela, guiando a audiência na recepção das imagens, localizando cenas, identificandoos personagens e contando a história, criando assim um contexto verbal no quais asimagens eram vistas e apreciadas. Depois a televisão passa ser um suporte existente na vida da grande maioriada população, sendo seus produtos consumidos em massa. O consumo em massadas histórias exibidas na televisão vem evoluindo a partir da percepção dos autoresquanto ao interesse do público e pela produção de obras com temas relevantes paraa sociedade. Bernard (2008) relata que uma boa história do cinema envolve cenasque cativem o interesse do público, leitores, ouvintes e espectadores, envolvendo-osem vários níveis, como o emocional e intelectual, para motivá-los a assistirem o quevenha a seguir no trabalho audiovisual. Quando aplicamos esse suporte no meio social, nota-se que o vídeo poderátrazer benefícios importantes para a comunidade retratada, pois permite registrar asua história, costumes e tradições. Dessa forma, esse suporte pode oportunizar oresgate e a valorização dos acontecimentos entre as gerações, contribuindo nacompreensão de fatos importantes para na sua memória e compartilhandoconhecimento ao público interessado. De acordo com Armes (1999), não basta mostrar vídeo como ele reproduz ossistemas de imagem e som desenvolvidos pelo cinema e pela televisão. Devemostambém lembrar que ele adota um processo de gravação análogo à fita de sommagnética, cuja gama de aplicações e potencial de produção reflete, de modointegral, as possibilidades plenas do meio. Portanto, as limitações da costumeiralinha de abordagem cinema – televisão – vídeo, podem considerar o vídeo como
  • 25. 24suporte principal para as grandes interlocuções existentes em cada lugar do sistemaglobal, para assim ressaltar a grande importância que executa tal suporte paraidentificar necessidades ou importâncias em cada local. A evolução do som e imagem aconteceu de forma a trazer muitas mudançasna sociedade, perpassando pela eletricidade e eletrônica, revolucionando os meiosde comunicação. Traz consigo a interação com os fatores econômicos, sociais eculturais, transformando os meios de comunicação de uma forma a causar grandeimpacto na indústria cultural, quando se refere à questão de desenvolvimento dacomunicação, e nas formas de aplicação nos meios sociais (ARMES, 1999). 2.2 O Gênero Documental O documentário é um gênero do audiovisual que se caracteriza pelocompromisso de representar o real. Reforça a ideia de que o documentário poderepresentar uma argumentação sobre temas históricos ou atuais na vida cotidianadas pessoas, em algumas ocasiões diferentes de um filme de ficção, por exemplo,que narra uma história imaginária. Assim, o documentário é uma representação da realidade, uma narrativa apartir do olhar do cineasta, voltada para a apreensão e apresentação de aspectos domundo histórico, aquele em que estamos inseridos. Podemos dizer que é uma visãode mundo, trazendo formas e traços do mundo histórico, aquele compartilhado, poisele nos oferece um conhecimento importante sobre a história e as ideias existentesno mundo (NICHOLS, 2005). No entanto as representações se tornam inadequadas quando não háevidências do tema trabalhado no produto audiovisual, pois é essencial aconvivência com a temática estudada, sendo imprescindível que o cineasta eprodutores estejam cientes do papel social do tema analisado (NICHOLS, 1997). Nichols (2005) diz ainda que o documentário não adota nada fixo, como umconceito definitivo do gênero ou sobre como um documentário deve ser dirigido ouproduzido. O autor coloca que isso é algo que está sempre em transformação. Hácineastas sempre fazendo mudanças, diminuindo ou acrescentando algo em suastécnicas, pois acaba sendo para uns, uma visão pessoal sobre o que se pretendemostrar no produto documental, pois não se usa uma única forma de representar
  • 26. 25nesse gênero. Diferente de outros filmes, nada pode imitá-lo completamente; suasabordagens são variadas, buscando novas alternativas para fazer um produto demelhor qualidade, ou melhor, representar um tema. Assim, para Nichols (2005) o documentário é composto por seis modos derepresentação mais recorrentes: O poético, o expositivo, o participativo, oobservativo, o reflexivo e o performático. No entanto, de acordo com o autor, essasformas de estruturar os filmes se misturam no decorrer das produções em cadaépoca, e assim um mesmo filme pode ter características de diferentes modos epredominância de cada modo que leva um pouco do outro. Segundo Nichols (2005), o vídeo documentário precisa ter credibilidade,porém, para que isso aconteça em determinados gêneros, ou sobre que tipo seráeste produto, os fatos e as imagens precisam ser reais, no entanto uma encenaçãotambém pode assumir status de representação do real, como mais um recurso àdisposição do documentarista. Nichols (2005) ainda afirma que com os avanços tecnológicos, e com seugrande poder, o vídeo documentário se fortalece a cada ano, em sua autenticidadeno que se refere ao poder de causar grandes impressões nas vidas dosespectadores. 2.3 A técnica Não é apenas usando os efeitos sonoros, as mudanças de ângulos nascenas, as câmeras profissionais ou os melhores aparelhos eletrônicos de iluminaçãodo mercado, que se faz um bom produto audiovisual. É preciso ter um bomdirecionamento do que se deseja mostrar ao seu público alvo e, talvez o maisimportante seja um bom diálogo com os atores, sendo eles profissionais ou não, poisessa interação facilita alcançar que se quer mostrar em cada gênero especifico. Segundo Bernard (2008), para ter um ótimo filme é importante que osmembros da equipe da produção participem das filmagens. Caso isso não aconteça,é essencial envolver o cinegrafista dentro da história, pois ele não é simplesmenteum profissional que faz tomada, ele pode ir muito além disso, agregando uma maiorbeleza estética ao documentário. Bernard diz também que ser capaz de enquadraras imagens com beleza, não é a mesma coisa que enquadrar com beleza imagenssignificativas.
  • 27. 26 É de suma importância antes de filmar analisar outros filmes que contenhamsonoras para entender quais procedimentos e ângulos se utilizam em umdeterminado filme. Com isso é possível decidir mais facilmente como serão feitas asentrevistas, quais suas intenções, e determinar se vai aparecer ou não na câmera.Segundo a autora, sempre acontecerão imprevistos nas filmagens e por issoconhecer a história não é um opção e sim algo essencial para se ter um bom filme esaber quais decisões emergenciais deve-se tomar na hora das gravações(BERNARD, 2008). Os filmes avançam no tempo e levam consigo públicos. É seu desejo quetambém a narrativa avance, e faça-o para motivar a apresentação da exposição. Emoutras palavras, quer-se que o público esteja e se mantenha curioso sobre ainformação passada para eles. Para que isso aconteça é preciso não perder o focoda história, não deixando que o filme perca seu sentido, desestimulando assim odesejo do público. No entanto contar um pouco de história pregressa, o “comochegamos até aqui”, costuma ser interessante (mesmo se a história acontecer nopassado (BERNARD, 2008). Ainda de acordo com Bernard (2008), é essencial ter um fio condutor para otrabalho audiovisual, que contará a história do início ao fim. Às vezes haverádesafios para se manter essa sequência, no entanto pode-se aproveitar essamudança para obter mais informações sobre o tema e logo após poderá retomar ahistória dando continuidade à narrativa sem perder a ideia central do vídeo,possibilitando ao espectador entender a história mesmo com os pequenos deslizesno decorrer do filme. A relação das palavras entre os personagens é importante para qualquerproduto audiovisual e seu entendimento do que mostrar para seus espectadores,mas é sempre bom lembrar que as imagens, os sons e as palavras têm que estarsempre bem conectados uns com os outros. Pode se ter também uma linguagemapenas utilizando o som e a imagem, como era o cinema mudo, que utilizava essesartifícios em comum acordo para mostrar o que se pretendia e prendia muito aatenção do espectador (ROBERT-BRESLIN, 2009). Em 1960, o cinema mundial tem uma grande mudança. A inovação técnica dosom, substituindo o óptico pelo som magnético e a possibilidade de gravar imagense sons sincronizados em externas, trouxeram importantes mudanças na forma deproduzir um produto documental mais eficiente, com a interação mais próxima dos
  • 28. 27atores com os espectadores através do som das próprias palavras faladas pelosemissores (RODRIGUES, 2005). O som sincronizado possibilitou a produção ou realização de documentáriosque pareciam com o Cinema Direto, pois procuravam uma linha de pensamento oude características que se aproximam da realidade. Com o seguimento de som trazido aos documentários pelos novosequipamentos de gravação simultânea de som e imagem pode haver certapluralidade de personagens nas entrevistas. Rodrigues (2005) cita Marsolais quefala sobre o cinema direto, pelo qual se aproximam as fronteiras que separam o realda ficção e a vida da representação, através de sua própria técnica de filmagem.Podendo assim os documentários e outros produtos audiovisuais se aproximar darealidade com maior autenticidade. Isso se tornou mais eficaz, devido primeiro, ao modo de filmagem utilizandoequipamentos cada vez mais leves e fáceis de transportar. Segundo, poderia-seutilizar mais facilmente pessoas reais para direcionar tal produto para uma formamais próxima da realidade, facilitando assim a proximidade do cineasta junto ao seuelenco e seu público. O terceiro elemento é devido a possibilidade da utilização dosom sincronizado, o que deu uma certa pluralidade aos personagens (RODRIGUES,2005). De acordo com Robert-Breslin (2009), é possível através do som criarimaginações visuais, reforçando experiências dos recursos visuais. É importanteabordar que a televisão, de acordo com o autor, é como se fosse o rádio ilustrado,pois procura sempre enriquecer suas tramas através de diálogos, mostrando que émelhor entender a TV através do som. Quando o telespectador o ouve e dá maisatenção, entendendo mais do assunto abordado. Por isso é tão importante prestar aatenção na narração e fala dos personagens no momento de produção de um vídeo. É possível através do som, ouvir as pessoas, dialogar com elas e entender oque gostam o que esperam que aconteçam em uma determinada coisa, ou sobre umfilme, e o que está acontecendo no dia-a-dia. As palavras faladas podem ter umsignificado diferente das impressas, pois em algumas situações não é necessáriousar regras gramaticais, pois elas são de fácil entendimento para qualquer pessoaentender o que o emissor quer passar para os ouvintes (ROBERT-BRESLIN, 2009).
  • 29. 283. DESCRIÇÃO DAS ETAPAS ESPECÍFICAS DE REALIZAÇÃO DO PRODUTOPRÉ-PRODUÇÃOPesquisa De acordo com Bernard (2008), para se ter uma boa narrativa na produção deum documentário é preciso que haja uma boa pesquisa sobre um tema do qual vocêentenda, a fim de poder apresentar evidências para os espectadores. É precisodedicar empenho para se fazer um bom documentário, sem deixar de abordar asperguntas básicas sobre o tema, observando os detalhes que facilitarão a suacompreensão por parte do seu público alvo. No caso deste trabalho é importante também que a própria comunidade,objeto da pesquisa, possa se sentir bem retratada no resultado final do produto, poiso vídeo pode servir como instrumento para reivindicar seus direitos e preservar asua memória. Além disso, Nichols (2005) aponta o cuidado na representação dostemas e principalmente do outro como uma questão de ética fundamental àrealização de documentários, obras que têm o compromisso em retratar o mundohistórico, este compartilhado por todas as pessoas. Para a elaboração do produto, realizamos algumas viagens ao povoado paraconversarmos sobre a produção do vídeo documentário com alguns moradores. Anossa primeira viagem foi feita no final de março de 2011, para identificar quais osmoradores poderiam falar melhor a respeito da história do povoado, relatandobrevemente como seria feita a gravação, e quais temas abordaríamos. Na segunda visita, fomos reforçar a ideia do documentário para osmoradores, explicar basicamente quem seriam os entrevistados, sobre qual temacada um deles falaria, e combinarmos inicialmente as datas em que poderiam serfeitas as gravações. Devido à greve das universidades Estaduais e um acidente demoto que aconteceu com um dos integrantes da equipe do vídeo documentário, nãopudemos fazer as entrevistas que estavam marcadas para o início de abril. Noentanto, mesmo com esses imprevistos, continuamos a contatar as pessoas porcelular, explicando os motivos da interrupção das entrevistas e logo após arecuperação do acidente continuamos a visitar o povoado e a pensar nas possíveislocações a serem feitas posteriormente.
  • 30. 29 Na quarta visita ao povoado, as fortes chuvas na região dificultaram oagendamento das datas com todas as pessoas que iriam participar das filmagens.As péssimas condições da estrada para o trânsito, transformada em um lamaçaldevido à chuva, impossibilitou a nossa chegada no povoado, sendo possívelcontatar apenas algumas pessoas. As que não conseguimos entrar em contatonessa ocasião foram contatadas em uma nova viagem ao povoado. Nesse intervalo de tempo, procuramos o senhor Orlando Matos Barreto,historiador e escritor, que tem uma grande bagagem a respeito da história dopovoado. Após muitas tentativas sem sucesso para encontrá-lo conseguimos falarcom ele via celular, quando tivemos a oportunidade de explicar sobre o propósito dovídeo, e marcamos uma entrevista. Uma semana antes da data agendada,encontramos casualmente com o senhor Orlando e marcamos formalmente aentrevista para o dia 19 de agosto de 2011. Planejamos também uma sonora com aprofessora Lúcia Parcero, da UNEB Campus XIV, que fez um trabalho de pesquisano povoado no ano 2000. Além disso, marcamos uma entrevista com senhor EvaldoOliveira, um morador da cidade de Conceição do Coité que conhecia um poucosobre uma suposta senzala próxima ao povoado Maracujá. Voltando ao povoado Maracujá, fizemos uma sexta visita a fim de definirdetalhes para as locações e outras tomadas gerais do povoado. Após isso, fizemosum roteiro de perguntas3, separando-as de acordo com os conhecimentos daspessoas a serem entrevistadas, abordando temas a respeito da história e dodesenvolvimento do povoado. Nessa ocasião deixamos uma cópia do questionáriocom algumas das pessoas que seriam entrevistadas. Após essa visita ao povoado, fizemos um novo contato com o escritor OrlandoMatos e a senhora Eliene Dantas, professora do povoado, para confirmar as datasdas suas entrevistas para os dias 18, 19 e 20 de agosto.Roteiro de gravação O roteiro de gravação foi pensado de forma sequencial, partindo da históriado povoado Maracujá, permeando pelo seu desenvolvimento ao longo do tempo atéa constatação da sua realidade atual.3 Ver anexos.
  • 31. 30 Para isso, elaboramos o roteiro de gravação de acordo com as idades econhecimento das pessoas a serem entrevistadas, ou sua proximidade com atemática escolhida. Segundo Nichols (2005), um documentário deve apresentar pessoas reais enão atores treinados. Por isso optamos por filmar as pessoas simples desse lugar, afim de mostrar a realidade que esses cidadãos viveram ao longo desses anos, comfalta de oportunidades e de melhorias essenciais em suas vidas. Dessa forma, identificamos como principal colaborada a senhora AurelianaOliveira Copa (Dona Nininha), uma das mulheres mais velhas do povoado, para falara respeito da história do povoado, com foco no seu início e no relato das primeirastradições da comunidade. Além dela, o senhor Albertino Maia e a senhora Maria daSilva Maia, também integrantes da classe de pessoas mais velhas do povoado,reforçaram um pouco sobre a história do povoado. Falaram das antigas tradiçõesque prevaleciam no início do povoado e que hoje não são mais praticadas pelosatuais moradores, além de abordarem sobre a líder comunitária Rita do Maracujá,que contribuiu para o desenvolvimento dessa região. O senhor Lourival de Oliveira Souza (Louro do Maracujá) deu continuidade nalinha do tempo do povoado, ao falar sobre a sua parente Martinha, uma ex-escravaque fez parte da história do Maracujá, mesmo não morando na localidade. Ele aindarelatou sobre a chegada de quatros irmãos que segundo algumas fontes deramorigem ao povoado, além das possibilidades da localidade ser remanescentequilombola. O senhor Lourival também colocou as dificuldades enfrentadas pelaregião e os avanços que a comunidade conquistou ao longo desses anos. Outra entrevistada foi a senhora Marizete de Jesus que falou sobre aprofessora e líder do povoado conhecida como Rita do Maracujá, que travou umagrande luta em favor do povoado, enfatizando um pouco das qualidades da Ritacomo mulher guerreira e exemplo para a região. Em seguida, a professora ElieneDantas relatou sobre o seu trabalhou com Rita do Maracujá destacando as açõesrealizadas para a melhoria educação no povoado e a grande contribuição que elasderam à população do Maracujá, trazendo uma escola para a comunidade e lutandopara educar e servir ao povo. O escritor Orlando Matos Barreto contribuiu nas entrevistas ao abordar suapesquisa no povoado, trazendo mais detalhes sobre a origem do Maracujá e a
  • 32. 31respeito da ex-escrava Martinha, identificando também alguns descendentes delaainda vivos no povoado. A professora do Campus XIV da UNEB, Lúcia Maria Parcero, pesquisadoraque fez sua tese de doutorado sobre povoado no ano 2000, falou a respeito daorigem do povoado, assim como sobre alguns moradores e o escritor Orlando MatosBarreto. Ela também abordou a história dos quatros irmãos que chegaram aopovoado, formando assim a comunidade, além de retratar aspectos da religiosidadedos moradores do Maracujá Entrevistamos também o senhor Evaldo Oliveira, morador coiteense que faloua respeito de uma suposta senzala situada na fazenda pedra branca, próxima aopovoado Maracujá, na qual ele relata que há muitos anos atrás essa fazenda era umlugar de escravos.Descrição dos personagens e locações As filmagens foram feitas em frente das casas dos entrevistados, e outros emsuas casas, mostrando detalhes das locações, outra sonora e imagens do prédioescolar, pois mostrava os alunos e professores interagindo com a comunidade,tentamos fazer as imagens sem muitas mudanças no cenário, ou seja, nas locaçõesdos moradores, para mostrar algo mais natural. Os personagens principais do documentário são Aureliana Copa, conhecidano povoado como dona Nininha e por sua memória cheia de conhecimento sobre opassado da comunidade. O casal Albertino e dona Maria trazem consigo a alegria de viver no povoadoe o orgulho por terem vencido muitas barreiras ao longo desses anos paraconstruírem sua família e ajudar no crescimento do povoado. A senhora Marizete, uma mulher que foi como uma irmã para líder principaldo povoado, Rita do Maracujá, apoiando com muita força para que essa mulherprosseguisse sua luta de guerreira dentro da localidade. O senhor Lourival que faz parte da história do Maracujá, já tendo atuadocomo vice-presidente da associação quando Rita era presidente, trabalhando juntospara ajudar a mitigar os problemas sociais do povoado, e hoje é o presidente daassociação da comunidade do Maracujá.
  • 33. 32 A professora Eliene Dantas, que ao lado de Rita do Maracujá, ensinou aspessoas da região e lutou para uma melhor educação. O senhor Evaldo que agregou informações sobre as questões da escravidãona região e a sua relação com o povoado. O historiador conhecido na cidade coiteense, senhor Orlando Barreto, queresgata a história da localidade, assim como a professora Lucia Parcero, que buscouentender aspectos linguísticos do povoado, tentando associá-los à fala característicados escravos, abordando também em seu trabalho as crenças dos moradores doMaracujá.Figurino e maquiagem Procuramos deixar os entrevistados à vontade em relação a sua maquiageme seu vestuário, com o intuito de captar algo mais espontâneo.Cenografia Tentando retratar com maior naturalidade a realidade da comunidade, no quediz respeito às locações, usamos as próprias casas dos moradores como cenáriopara realizar as entrevistas. Antes da definição de quais casas seriam filmadasfizemos uma pesquisa exploratória para adequar a proposta cenográfica pretendidaà realidade local. Utilizamos também um tecido estampado em uma das locações,devido a cor natural da parede da casa a fim de que esta não interferissenegativamente na qualidade das filmagens.Fotografia Os planos foram pensados com a ideia de mostrar as imagens em harmoniacom as falas dos entrevistados. Foram utilizados planos gerais para dar uma ideiade como são as casas, e da sua distribuição no povoado. Os planos fechados foramusados para destacar as diferenças naturais, que ocorreram ao passar dos anos,entre as casas antigas e as atuais. Também foram dados close up para enfocar asexpressões das pessoas durante as entrevistas mostrando seus sentimentos em
  • 34. 33relação ao assunto tratado. Os planos médios foram os melhores para registrar agesticulação dos entrevistados. Quanto a iluminação, não houve muitas mudanças, a não ser o uso eventualde um ponto de luz artificial de 1.000 V, quando necessário, porém a maior parte daluz capturada nas imagens foi natural. Também utilizamos um rebatedor, nos casosem que foi preciso compensar a luz natural ou a aparição de sombras indesejadas.PRODUÇÃOEquipe e Equipamentos utilizados O trabalho foi realizado pelos alunos de Comunicação Social, MaiconEmerson Ferreira Mota e Robson Silva, e contou com a contribuição do cinegrafistaReinaldo de Assis, cedido pela WEBTV UNEB, que se deslocou de Salvador até acidade de Conceição do Coité para realizar as filmagens. Sendo assim, foinecessária a realização de uma reunião preparatória com o cinegrafista na própriacomunidade, conforme sugerido por Bernard (2008) sobre a importância de que ocinegrafista esteja por dentro do tema trabalhado, para facilitar as gravações. Nessaetapa contamos também com a colaboração do editor de imagens do laboratório docurso de comunicação social da Uneb Campus XIV, Rodrigo Carneiro, que emvários momentos operou a segunda câmera. O período de gravações ocorreu entre os dias 19 e 21 de agosto, e contoucom um carro locado pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Em relaçãoaos equipamentos foram usadas duas câmera filmadoras uma profissionalPanasonic AG-DVC20 3CCD e uma semi-profissional Sony DCRSR67, foramutilizadas sete fitas Mini DV. Na câmera fixa usamos cinco fitas do Campus XIV deConceição do Coité, e duas fitas na câmera móvel, além de uma câmera fotográficasemi-profissional Canon 7-D, com objetiva 70-300 mm e 18-55 mm, cedida pelaprofessora orientadora do trabalho, um rebatedor, um tripé e dois microfones (um delapela, e outro unidirecional, este último também cedido pela professora orientadorado trabalho).
  • 35. 34Descrição das gravações Nas entrevistas utilizamos com maior frequência o plano médio. Essa foi anossa estratégia para a condução das entrevistas, pois o que importava mais era ahistória a ser contada do que os recursos estéticos de ângulos e planos sofisticados.Por se tratar de uma temática séria, com discussões importantes, escolhemos fazeruso do plano médio, mais tradicional e mais sóbrio. Nos planos gerais pensamosnas imagens do povoado e das casas, devido à distância entre elas. Outros planos,como detalhes ou closes, foram utilizados para mostrar emoções dos entrevistadose movimentos das mãos, pés e objetos, como no caso do samba. Pensamos numa narrativa em que o espectador pudesse compreender ahistória trabalhada, envolvendo algumas pessoas da comunidade e alguns escritorespara trazer algo mais concreto sobre o povoado, além de trazer mais sonoras dosmoradores mais velhos e alguns que ajudaram na construção do povoado a fim deque pudessem contar um pouco da história da comunidade Maracujá. Assim,montamos uma narrativa linear, contando cronologicamente a história do lugar,obedecendo à seguinte estrutura: origem, desenvolvimento e dias atuais. O trabalho do vídeo documentário teve início no mês de março de 2011,período em que começamos a pensar nas datas que visitaríamos o povoado parafalar sobre a ideia do trabalho com os moradores. Nesse meio tempo, começamos apensar nas informações que queríamos saber das pessoas do povoado. Quandosurgiu a ideia do documentário, pensamos em fazer o trabalho referente à questãoquilombola no povoado, pois surgiram rumores que o povo era remanescente dequilombo. Posteriormente mudamos um pouco essa visão de como fazer o trabalho,pensando em pesquisar sobre a história e desenvolvimento do povoado, inserindocomo personagem principal do trabalho a Rita do Maracujá. As gravações ocorreram nos dias 18, 19 e 20 de agosto, e no primeiro diaentrevistamos a senhora Aureliana Copa, umas das mulheres mais velhas dopovoado. Essa entrevista aconteceu na área em frente da sua casa, com a capturade algumas fotos dela tecendo esteiras e cozinhando. Por ser uma das mulheresmais velhas da região, falou sobre o começo do povoado. Após entrevistarAureliana, fomos para a próxima entrevista com a senhora Marizete de Jesus, ondetivemos algumas dificuldades com a locação devido a parede da sua casa ser de cor
  • 36. 35branca. Optamos por realizar a entrevista em frente da casa, com o desafio dachuva, dificultando assim a gravação. Tivemos que dar uma parada e esperar achuva cessar para continuamos a gravação, registrando o seu relato sobre a vida deRita do Maracujá. Aproveitamos para fazermos algumas imagens do reservatórionatural de água, denominado pelos moradores como “fonte” ou “tanque”. Após a sonora com Marizete ficamos sabendo que a próxima entrevistada,Josefa, não poderia participar das filmagens, pois não estaria em casa na horamarcada. Fomos então à sua casa, mas não a encontramos. Decidimos almoçar nacasa de Maria de Souza e em seguida ligamos para o senhor Albertino e donaMaria, pois a entrevista do casal estava prevista para o sábado, dia 20. Com oimprevisto de Josefa, o roteiro mudou e marcamos a entrevista com o casal paraaquele mesmo dia. Após o almoço fomos para a casa de Albertino e dona Maria efizemos a entrevista, filmando seus relatos sobre a história e o desenvolvimento dalocalidade, além das mudanças que ocorreram nos últimos anos. Fizemos imagenspontuais, como a de uma telha antiga, a da flor do maracujá, do mandacaru, dotanque e da caatinga, para então nos despedirmos do casal e prosseguirmos viagempara a cidade de Conceição do Coité. No percurso da viagem para a cidade fizemos imagens da fazenda PedraBranca, local no qual, segundo relato de outro entrevistado, existiu, há mais de centoe cinquenta anos, uma senzala. No mesmo dia, à noite, entrevistamos a professoraLucia Parcero, cuja entrevista estava marcada para o dia 19 de agosto. Como houveum imprevisto, devido a uma viagem de emergência da professora, fizemos agravação no Núcleo de Pesquisa e Extensão do Campus XIV da UNEB deConceição do Coité, setor que ela coordena na Instituição. A professora Lúcia faloudo seu trabalho, o qual aborda sobre a linguagem e as crenças no povoado,reforçando também fatos da história do Maracujá e como era a comunidade naépoca de seu trabalho. Logo depois da sua sonora fizemos algumas imagens daprofessora lecionando na faculdade. No dia 19 de agosto fizemos algumas entrevistas, começando por OrlandoMatos, em seu trabalho, o CEREST - Centro de Referência a saúde do Trabalhador.Ele é um escritor e pesquisador que fez seu trabalho sobre a escravidão na região esobre a história do povoado, dando detalhes a respeito da escrava Martinha, sobre aqual escreveu um livro e que até hoje tem alguns de seus descendentes vivos nopovoado. Ao falar de Martinha e da sua história ele se emociona, fala também sobre
  • 37. 36os quatros irmãos que chegaram ao povoado. Fizemos também algumas imagensno distrito de Conceição do Coité, chamado Juazeirinho, região na qual as pessoasdo povoado buscavam água quando não chovia em sua terra. Hoje a maior parte das pessoas é descendente deles, e o senhor Orlandomostra grande conhecimento a respeito da região, falando de forma clara das datasdos acontecimentos. Na entrevista no CEREST, houve alguns barulhos dosveículos, mas mudamos de sala, o que tornou possível continuar a gravação deforma tranquila. No mesmo dia, no final da tarde, entrevistamos professora ElieneDantas, no Bairro da Quadra de Conceição do Coité. Ela falou sobre a educação nalocalidade, a respeito da agricultura familiar e os projetos para o povoado. Tambémrelatou como era a educação na época que ela ensinava com a líder do povoadoRita do Maracujá. Às dezenove horas neste mesmo dia entrevistamos o senhor Evaldo Oliveiraque falou sobre a suposta senzala na fazenda Pedra Branca próximo ao povoadoMaracujá. Ele não tinha muita base para fazer as declarações, pois não possuía emmãos as informações contidas num suposto disquete. Dando continuidade às gravações, no dia 20 de agosto voltamos para opovoado Maracujá para fazer a nossa última entrevista, desta vez com o presidenteda associação, Lourival de Oliveira Souza. Ele falou sobre a história de Martinha edos quatros homens que chegaram e formaram o povoado. Relatou sobre a situaçãoprecária que a localidade enfrentou, e as mudanças que ocorreram nos últimosanos, além dos benefícios que o povoado poderá ter se for reconhecido comoremanescente quilombola. No mesmo dia filmamos uma casa velha do povoado eum pé de Maracujá que deu origem ao nome do local. No dia 23 de agosto, já sem oauxílio do cinegrafista e dos equipamentos da WEB TV UNEB, fomos registrarimagens de um samba, brincadeira de roda que ocorreu na escola da comunidade,aproveitando cada detalhe do evento e das pessoas que estavam participando. Durante todas as entrevistas buscamos aproveitar todas as informações quepudessem ser fornecidas pelos entrevistados, como recomenda Bernard (2008) aofalar da importância em pensar na narração de forma a aproveitar cada detalhe dasfalas, pois cada informação, por menor que seja, é essencial para se construir umaboa narrativa.
  • 38. 37PÓS-PRODUÇÃODecupagem É a fase na qual fizemos uma pré-seleção das falas que serviriam como basepara a escolha das sonoras na edição. Entre os dias 21 e 30 de agosto decupamosas gravações realizadas no povoado Maracujá, Conceição do Coité e algumasimagens do povoado Juazeirinho. Nesses dias trabalhamos sem parar a fim dedecupar todas as filmagens, pois foram mais de 6 horas de gravações, e muitasimagens importantes registradas do povoado. Para fazer uma decupagem maisdetalhada, selecionamos as imagens desejadas e anotamos em uma tabela. Atabela foi composta por uma coluna onde colocamos os tempos, inicial e final, alémdas durações da sonora escolhida. Em outro campo selecionamos as falas dosentrevistados e em outras colunas criamos espaços para anotar as imagens quepoderiam ser utilizadas, o plano em que foram feitas as entrevistas, além dosrespectivos movimentos e transição da câmera utilizada. No início especificamos a câmera se era fixa ou móvel, e a numeração da fitagravada, nas falas escritas, separando-as de acordo com a temática. Nas sonorassobre a história da localidade foram colocadas na cor verde, as falas sobredesenvolvimento em vermelho e o azul utilizamos para especificar sobre aatualidade da comunidade. O mesmo foi feito com as imagens, os planos e os BGs,as câmeras, separando tudo pelas cores de acordo com as falas das pessoas,visando facilitar o trabalho de edição. Nas falas não detalhamos palavra por palavra,mas colocamos frases que definiam o sentido da fala do entrevistado, pois levariamuito tempo para ouvir e transcrever tudo o que era dito. Tivemos algumas dificuldades para entender algumas sonoras, pelo fato dosentrevistados falarem baixo ou rápido, mas com muita cautela conseguimos ouvir osáudios sem maiores problemas. Como trabalhamos em dupla nessa atividade foipossível agilizar a decupagem ao dividirmos as fitas a serem decupadas, facilitandoassim as seleções das imagens.
  • 39. 38Roteiro de edição O roteiro de edição usou uma metodologia semelhante a utilizada nadecupagem. Elaboramos uma tabela para selecionar as cenas, enumerando cadauma delas, especificando o tempo que usaríamos para colocar no vídeo. Em outracoluna descrevemos os áudios selecionados, com as falas que iríamos usar paraformar a ideia central do vídeo. Em seguida colocamos apenas as falas que seriamusadas para a narração do vídeo. Após isso, selecionamos para a edição do roteiro, as imagens que seriamusadas em cada fala, e os planos que foram usados nas respectivas filmagens.Adotamos também as cores para o agrupamento das sonoras com temáticassemelhantes. As falas em verde são para identificar a história do povoado, avermelha para as falas sobre o desenvolvimento do povoado, e cor azul paradescrever sobre Rita do Maracujá e a atualidade da comunidade. No decorrer da edição fizemos algumas complementações no roteiro,algumas imagens do povoado, como por exemplo, as cenas da chegada no povoadoe tomadas dos moradores na escola, fazendo o samba. O início da narração nãoestava completo, e durante a edição acrescentamos mais algumas falas parafinalização de trecho.Trilha sonora Usamos trilhas que fossem condizentes com a realidade do povoado, emharmonia com as falas dos entrevistados. As trilhas sonoras usadas para o vídeodocumentário foram às músicas: Disparada, de Geraldo Vandré com interpretaçãode Sergio Reis e Almir Sater; Sorriso negro, de Jorge Porvela e Adilson Barbado,interpretado pelo grupo Fundo de quintal; e a música Tocando em frente, de AlmirSater e Renato Teixeira, com interpretação de Maria Bethânia. No decorrer do vídeotambém utilizamos o play back dessa mesma música. Utilizamos a música Disparada, de Geraldo Vandré, porque fala sobre osertão seco, a falta de oportunidades na região e sofrimento das pessoas que lávivem. Já a canção Sorriso Negro foi escolhida por exaltar a cultura negra, e aimportância dela para a sociedade, valorizando o negro e sua cultura. A músicaTocando em Frente foi pensada como um exemplo de continuidade da vida,
  • 40. 39mantendo a perseverança mesmo nos momentos difíceis. O play back dessacanção tocando em frente foi utilizado no momento em que se fala sobre a líder Rita,para mostrar um sentimento de luta e força, passado por ela para a comunidade.Edição e finalização Na edição seguimos o roteiro, com exceção de alguns pequenos ajustes nasimagens e narração. Porém a maior parte do vídeo seguiu numa sequênciacronológica definida no roteiro. Fizemos pequenas alterações nas sonoras sobreMartinha e Rita no final do vídeo. A edição teve início no dia 01 de setembro e durouaté o dia o dia 11 desse mesmo mês. A edição foi feita no tempo estimado, sem atraso. Os recursos utilizados novídeo foram básicos devido a temática escolhida. No entanto utilizamos algunssimples efeitos de transição para dar uma dinâmica melhor ao documentário.Ficha TécnicaPesquisa, roteiro, produção, direção e edição: Maicon Emerson e Robson SilvaCinegrafista: Reinaldo de AssisTécnico de edição de imagens: Rodrigo CarneiroSupervisão e Fotos: Prof.ª Carolina Ruiz de MacedoCréditos das imagensReinaldo de AssisMaicon Emerson Ferreira MotaRobson SilvaOperacionalização do projetoDistribuição / veiculação Entregaremos uma cópia do documentário para o povoado Maracujá e aalguns entrevistados. Faremos três exibições, uma no Campus XIV da UNEB de
  • 41. 40Coité, outra no Centro Cultural da cidade, além de uma apresentação nacomunidade do Maracujá, onde foi realizado o vídeo.Orçamento (Incluindo a Campanha de Lançamento)Gastos Propósito Valor/ unitário TotalGasolina para a As primeiras R$ 2,60 R$ 26,00disponibilidade das viagens, viagens aoindo de moto para o povoado. povoadoGastos da gasolina utilizando Filmagens do R$ 2,60 R$ 60, 00o carro alugado pela UNEB. documentário feitas no povoado e na sede do município.Almoço e um litro de Para três 2 comercial de R$ 28,00refrigerante pessoas dia R$ 12,00/ cada 19/09/2011, em almoço um dos dias das R$ 4,00 o filmagens refrigeranteLavagem da moto Porque uma das R$ 5, 00 R$ 5, 00 vezes que fomos ao povoado a estrada estava cheia de lama e o veículo ficou muito sujoMídias de DVD e CD Para utilizar nos R$ 1,00 R$ 8,00 BGs e nas cópias do vídeo que serão entregue para os professores da banca, e alguns moradores do povoado.Divulgação/carro de Divulgar o Carro de som R$ 620,00som/rádio/sites/possivelmente trabalho para 8h por R$ 80,00jornais e TV que a sociedade conheça o Rádio 10,00 R$ 300,00 povoado duas chamadas por dia – por 30 diasAluguel de datashow Para projeção R$ 60,00 R$ 60,00 do vídeo na comunidadeImpressão das capas dos DVDs para R$ 6,00 R$ 60,00DVDs alguns
  • 42. 41 entrevistados, moradores e professores da BancaImpressão do memorial Para entrega na R$ 18,00 R$ 54,00 banca, três encadernaçõesEncadernação com capa Biblioteca e R$ 40,00 R$ 120,00dura, final do memorial autores do memorial, três cópias- Fontes As fontes de pesquisa para esse trabalho sobre o povoado foram as sonorasdos próprios moradores da comunidade Maracujá, que incluem algumas daspessoas mais velhas do povoado e amigas da líder comunitária que fez história naregião. Recorremos às palavras do escritor Orlando Matos Barretos, que fezpesquisa sobre a história da localidade e escreveu um livro, Martinha, escrava,esposa e rainha (2004) que aborda sobre uma escrava guerreira que faz parta dahistória da localidade. Usamos algumas palavras do livro da professora Lúcia MariaParcero em seu trabalho Povoado Maracujá; sua gente, sua língua, suas crenças, eutilizamos a sonora de um morador da sede de Coité, falando sobre uma supostasenzala próxima do povoado Maracujá. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES MESES ATIVIDADES Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Levantamento X X X X X e leituras de fontes; seleção do material Visitas ao X X X X povoado e pesquisa exploratória Desenvolvime X X X X nto do memorial
  • 43. 42 Produção do X vídeo- documentário Entrega e X apresentação do memorial/ produto (vídeo- documentário)CONSIDERAÇÕES FINAIS O propósito do vídeo-documentário é conhecer um pouco mais sobre ahistória do povoado, contando seu desenvolvimento e as pessoas envolvidas.Existem algumas discussões a respeito do povoado, falas essas que dizem que éremanescente de quilombo, pelo fato de seus moradores serem quase todos negros.Esse assunto faz parte dessa história que abordamos um pouco tanto no vídeoquanto aqui no memorial, trazendo alguns desafios e questões a respeito do negro,no contexto local e histórico. Para entender sobre região, recorremos aos própriosmoradores e para dar uma sustentabilidade maior ao trabalho, ouvimos escritores eprofessores e lemos seus trabalhos que fizeram na localidade. Os objetivos foram cumpridos, que era fazer um vídeo-documentário arespeito do povo e sua história inserindo como protagonistas os primeiros moradoresdo povoado e a líder comunitária Rita do Maracujá. No produto audiovisual demosvoz a outras pessoas importantes relacionadas à história do povoado, assim comopessoas que fizeram pesquisas sobre o povo. No primeiro momento pensamos emdar mais ênfase à questão quilombola, porém como não existiam tantas coisasconcretas sobre a temática, resolvemos dar mais visibilidade às questões sociais ehistóricas da comunidade, cumprindo assim o propósito do vídeo-documentário. Para chegar a uma discussão sobre o negro, trabalhamos as ideias de algunsautores, como por exemplo, Rubim (2003) que aborda algumas noções sobrecidadania, Munanga (1986) que aborda a importância de o negro valorizar suasraízes e culturas. Outros autores foram Foucault (1999), falando sobre o Estado e oracismo, quando muitas vezes parcelas da sociedade são deixadas de lado. Para trabalhar o suporte, usamos as ideias de Armes (1999), quecontextualiza o vídeo na sociedade e seus avanços. Nichols (2005), que traz a
  • 44. 43importância do documentário; autores como Robert-Breslin (2009) falando sobre aimagem e o som, e sua importância para os produtos audiovisuais, trazendo umpouco sobre a técnica; Bernard (2008) abordando sobre como se fazer um bomdocumentário; Rodrigues falando sobre as tecnologias (2005); e por fim Gonçalvez(2006) fazendo um panorama do documentário no Brasil. E com isso construímos a temática sobre as questões do povoado a partir dasfalas dos próprios moradores do povoado Maracujá e através da discussão comesses autores. Expusemos aqui algumas ideias e possibilidades de ver as questõesreferentes ao negro com outro olhar, um olhar mais profundo, de mudanças no quese refere à cultura negra e todas essas questões que levantamos aqui nessetrabalho.
  • 45. 44REFERÊNCIASARMES, Roy. On Vídeo: o significado do vídeo nos meios de comunicação social.São Paulo: Summus, 1999.BARRETO, Orlando Matos. Martinha, escrava, esposa e rainha. Conceição doCoité: Nossa Gráfica, 2004.BERNARD, Sheila Curran. Documentário: técnicas para uma produção de altoimpacto. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008.FILHO, Luiz Augusto Coimbra de Rezende. Documentário e Representação –Desnaturalizando uma Evidência. Universidade Estácio de Sá, 2005.FOUCAULT, Michel. Em defesa da sociedade: curso no collège de France (1975 –1976). São Paulo: Martins Fontes, 1999.GONÇALVEZ, Gustavo Soranz. Panorama do documentário no Brasil. 2006.Disponível em PDF.MUNANGA, Kabengele. Negritude: usos e sentidos. São Paulo: Ática, 1986.MUNANGA, Kabengele. As facetas de um racismo silenciado. In: SCHWARCZ, LiliaMoritz. Raça e diversidade. São Paulo: Edusp, 1996.NICHOLS, Bill. Introdução ao documentário. São Paulo: Papirus, 2005.RUBIM, Albino Canela. Cidadania, Comunicação e Cultura. In PERUZZO, CicíliaMaria Krohling e ALMEIDA, Fernando Ferreira de. (orgs). Comunicação para acidadania. São Paulo: INTERCOM; Salvador: UNEB, 2003.PARCERO, Lúcia Maria de Jesus. Povoado Maracujá: sua gente, sua língua, suascrenças. (Tese de Doutorado). UNICAMP, 2007.RODRIGUES, Cristiano José. Documentário: tecnologia e sentido, um estudo dainfluência de três inovações tecnológicas no Documentário Brasileiro. Campinas -2005.
  • 46. 45ROBERT-BRESLIN, Jan. Produção de Imagem e Som. Rio de Janeiro: Elsevier,2009.RUBIM, Albino. Cidadania, Comunicação e Cultura. In PERUZZO, Cicília MariaKrohling e ALMEIDA, Fernando Ferreira de (orgs). Comunicação para a cidadania.São Paulo: INTERCOM; Salvador: UNEB, 2003.VIEIRA, Liszt. Cidadania e globalização. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1997.
  • 47. 46 APENDICES CRONOGRAMA DAS PERGUNTASNININHA COMO SE DEU O INÍCIO DO POVOADO? DE ONDE VIERAM ESSES HOMENS? O QUE ESSES HOMENS QUERIAM POR ESSAS TERRAS? QUEM ERA O DONO DAS TERRAS? POR QUE O NOME MARACUJÁ?ALBERTINO ELES ERAM DESCENDENTES DE ESCRAVOS? COMO FOI A DIVISÃO DAS TERRAS NA CONSTRUÇÃO DO POVOADO? AS PESSOAS QUE MORAM AQUI SÃO TODOS DESCENDENTES DESSES HOMENS?MARIA DE ALBERTINO QUAIS ERAM AS TRADIÇÕES NO INICIO DO POVOADO? QUAIS AS MAIORES DIFICULDADES HÁ MUITOS ANOS ATRÁS AQUI NO POVOADO?LOURIVAL ALGUNS PROFESSORES E PESQUISADORES DIZEM QUE O POVOADO PODE SER REMANESCENTE QUILOMBOLA, O QUE VOCE TEM A DIZER SOBRE ISSO? QUAIS FORAM AS MAIORES DIFICULDADES DO POVOADO ANOS ATRÁS? E AS QUAIS AS NECESSIDADES DE HOJE? QUAIS BENEFICIOS FORAM ALCANÇADOS ATUALMENTE? QUAL ERA O MEIO DE SOBREVIVÊNCIA NO PASSADO?MARIA DE ALBERTINO COMO FOI A CHEGADA DE RITA NO POVOADO? QUAIS AS DIFICULDADES ENCONTRADAS POR RITA, A FIM DE CONSEGUIR AS MUDANÇAS NO POVOADO?JOSEFA O QUE ELA FEZ PARA CONSEGUIR MELHORIAS PARA O POVOADO?MARIZETE COMO ERA A RELAÇÃO DELA PARA COM OS MORADORES?ELIENE COMO ERA A CULTURA DO POVOADO? E COMO É ATUALMENTE?
  • 48. 47 CRONOGRAMA DE ENTREVISTASOrigem do povoado Dona Nininha Falará sobre o inicio do povoado, chegada dos primeiros habitantes. Maria de Albertino Continuação da história Albertino Falará da origem do povoado Lourival (Pres. da Continuação da história do associação dos povoado e seu moradores) desenvolvimento.Desenvolvimento Eliene (professora) Mudanças na localidade Lourival Desenvolvimento no decorrer dos anos. Albertino Continuação/ povoado de antes para o de hojeLíder comunitária Marizete de Jesus Suas lutas (amiga) Josefa (amiga) Continuação de sua história para transformar o povoado. Maria de Albertino Chegada no povoado Eliene Líder/profissional. CRONOGRAMA DE GRAVAÇÕES 1º dia de gravação 2º dia de gravação 3º dia de gravaçãoNininha/ SONORA/ MARIZETE/ SONORA/ LUCIA PARCERO/ SONORAQUALQUER HORARIO NO TERÇA OU QUINTA - /QUINTA OU SEXTA-F EIRASABADO FEIRAMARIA DE ALBERTINO/ JOSEFA/ SONORA/ ORLANDO DO CEREST/SONORA/ SABADO TERÇA OU QUINTA - SONORA/ Ainda a confirmar FEIRAALBERTINO/ SONORA ELIENE/ SONORA/ MORADOR COITEENSE/SABADO TERÇA OU QUINTA - SONORA/ QUALQUER DIA FEIRA FINAL DA TARDELOURO DO MARACUJÁ/ IMAGENS DO POVOADO IMAGENS DA CIDADE/ SAÍDASONORA SÁBADO E DE UMA FAZENDA PARA O MARACUJÁ QUE ERA UMA SUPOSTA SENZALAALGUMAS IMAGENS DOPOVOADO.

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