POLYANA DE SOUSA CORDEIROO Papel da Arte no Processo de Ensino-Aprendizagem De Crianças Com Necessidades E...
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AGRADECIMENTOSÀ Deus,Aos meus pais,Aos meus filhos,Às minhas colegas e amigas, pessoas a quem aprendi a respeitar e valori...
SumárioRESUMO................................................................................................................
RESUMO Este trabalho é o resultado de um estudo realizado na Escola Municipal deEnsino Fundamental Imaculada Conceiçã...
51. INTRODUÇÃO Atualmente o tema “educação” tornou-se fundamental na vida de todos osseres humanos, ultrapassando bar...
6intuito de melhorar a coordenação dos movimentos e fazer com que recuperassem aauto estima e a auto confiança. Trabalhar ...
72. JUSTIFICATIVA O tema escolhido tem por objetivo patentear os benefícios do ensino da artecomo suporte educacional...
8analisar suas causas e consequências e apontar soluções de modo que, beneficiese não a todos, mas a maioria. Durante...
9 A arte é um viés para a transformação da educação assim como é para ahumanidade, portanto, como relata Sassaki em ...
103-DESENVOLVIMENTO3.1- Contexto Histórico Da Educação Especial A contextualização da educação especial faz-se necess...
11era se quer aceita na sociedade, muito menos que frequentasse escolas junto comas crianças “normais”, fatos acontecidos ...
12estudos de crianças com necessidades especiais. Para ela, a educação deveriaacontecer de forma espontânea, centrada na c...
133.2- Contexto Histórico Da Educação Especial No Brasil Após tantos anos de equívocos e desinteresse público a educ...
14 ...proporcionou uma oportunidade única de colocação da educação especial dentro...
15 Todos ao escolher a área de educação para trabalhar (os educadores) devemreceber em sua formação cursos que os esp...
163.3- Arte-Educação no contexto escolar do Ensino Especial A arte-educação no Brasil surgiu na década de 70 na tenta...
17professores de outras disciplinas, estimulando e incentivando um melhordesempenho em sala para que possam também ver ess...
18 estimulou a sensibilidade táctil e a coordenação motora no teclado no que diz res...
19“faz de conta” os medos, anseios, sonhos e como ela assimila mais fácil osconteúdos a serem estudados. Cabe a nós, arte-...
20especiais podem desenvolver tanto suas possibilidades assim como, suashabilidades e interagir como parte da sociedade e ...
21de artes assim como as crianças “normais”, os alunos portadores de necessidadesespeciais conseguiam desenvolver algumas ...
224- CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio desse estudo foi possível verificar o quanto a arte está ligada aoprocesso de ens...
23crianças que fazem parte sim de nossas vidas seja direta ou indiretamente. Esse éum problema que atinge a todos e não so...
245- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASArtigo da web – MORAES, Natacha. Educação e Crianças Especiais. Que inclusão?Disponível em:...
25GODDARD, Herbert Henry. A Família Kallikak. (1912): A Hereditariedade e aDebilidade Mental. Nova Iorque: M...
266- ANEXOSFotos dos alunos especiais na escola Sala de aula reservada aos alunos necessidades educacionais esp...
27Fotos da exposição com os trabalhos artísticos elaborados pelos alunos com Necessidades Educacionais Especiais na Esco...
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O Papel da Arte no Processo de Ensino-Aprendizagem De Crianças Com Necessidades Educacionais Especiais

Tcc: Polyana de Sousa Cordeiro, Polo de Feijó-Acre.
Published on: Mar 4, 2016
Published in: Design      
Source: www.slideshare.net


Transcripts - O Papel da Arte no Processo de Ensino-Aprendizagem De Crianças Com Necessidades Educacionais Especiais

  • 1. POLYANA DE SOUSA CORDEIROO Papel da Arte no Processo de Ensino-Aprendizagem De Crianças Com Necessidades Educacionais Especiais Feijó-Acre 2011
  • 2. POLYANA DE SOUSA CORDEIROO Papel da Arte no Processo de Ensino-Aprendizagem De Crianças Com Necessidades Educacionais Especiais Trabalho de conclusão do curso de Artes Visuais, habilitação em Licenciatura, do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade de Brasília. Orientador: Prof. Dr. Emerson Dionisio Gomes de Oliveira Co-orientadora: Profa. Ms. Marisa Cordeiro
  • 3. AGRADECIMENTOSÀ Deus,Aos meus pais,Aos meus filhos,Às minhas colegas e amigas, pessoas a quem aprendi a respeitar e valorizar a cadadia durante o curso,Aos professores do curso que foram pacientes e perseverantes ao ensinar “o pulodo gato” da prática pedagógica e que contribuíram para o nosso compromisso com asociedade humana,Em particular às professoras, orientadoras e amigas, Marisa Araújo Cordeiro eMirnes Soriano, pela confiança, credibilidade, atenção e conhecimentos dispensadosà minha pessoa que muito me ajudaram com sua forma de ensinar e orientar, comsuas sugestões no desenvolvimento do meu estudo,Às crianças que me ensinaram que inclusão é possível sim e, à professora Lúcia,pelos seus depoimentos e contribuição para a realização do estudo,Às minhas colegas e amigas de trabalho, por nunca me deixarem desistir, peloincentivo dado diante do cansaço, não me deixando fraquejar durante as longasnoites de estudo. Muito Obrigada!
  • 4. SumárioRESUMO..................................................................................................................... 41. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 52. JUSTIFICATIVA ...................................................................................................... 73-DESENVOLVIMENTO ........................................................................................... 10 3.1- Contexto Histórico Da Educação Especial ................................................. 10 3.2- Contexto Histórico Da Educação Especial No Brasil ................................ 13 3.3- Arte-Educação no contexto escolar do Ensino Especial .......................... 164- CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 225- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 246- ANEXOS ............................................................................................................... 26 Fotos dos alunos especiais na escola ............................................................... 26
  • 5. RESUMO Este trabalho é o resultado de um estudo realizado na Escola Municipal deEnsino Fundamental Imaculada Conceição em salas de aulas “especiais” paracrianças com necessidades educacionais especiais, a fim de constatar como adisciplina de artes pode ajudar no processo de ensino-aprendizagem, resultando nainclusão e integração das mesmas na sociedade. Para chegar a este desfecho foinecessário fazer um retrospecto histórico das pessoas com necessidadeseducacionais especiais, para então, podermos entender como se desenvolveu osestudos em volta desse público e, entender quais as adaptações feitas no sistemade ensino para que não continuassem a ser excluídos do ambiente escolar, quais osmétodos e técnicas empregadas na aprendizagem dos alunos “especiais”. A soluçãoencontrada por professores e educadores em geral do município de Feijó foi ensinarpor meio da Arte, utilizando-a como incentivo, motivação, tanto para os alunosquanto para si mesmos.
  • 6. 51. INTRODUÇÃO Atualmente o tema “educação” tornou-se fundamental na vida de todos osseres humanos, ultrapassando barreiras de idade, raça, sexo e nível social. Mas umfator que ainda não tem a merecida evidência é a inclusão dos alunos anteriormentechamados portadores de necessidades educacionais especiais (PNEES), ou seja,apesar do município de Feijó, assim como qualquer outro do Brasil, ter a obrigação,segundo a LDB/96, de realizar cursos de capacitação para todos os profissionais emeducação, a nossa realidade ainda está distante do que a Lei determina. As escolasnão dispõem de infraestrutura para enfrentar e reverter à situação de descaso queacontece nas escolas municipais e estaduais de Feijó, infelizmente, ainda não háuma preocupação, por parte de nossos representantes políticos, quanto à soluçãodo problema “educação/inclusão”, para o público do ensino especial. Inclusão é um assunto muito abordado pela sociedade, transformou-se emum tema global, principalmente, no âmbito educacional. Entre os professores, quefazem parte desta pesquisa, o que mais se questiona é o fato de como transmitirconteúdos e quais conteúdos deverão ser privilegiados e que estejam compatíveiscom as necessidades e habilidades de cada aluno, como recomendam osParâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Mas o fato é que a Educação Brasileirapara alcançar a maioria das recomendações desses Parâmetros, em todo o territórionacional, precisaria ter a Educação como prioridade, pois ainda há muito que setrabalhar e também, há muito que se construir, uma vez que, para garantir aaprendizagem, precisamos de profissionais capacitados e habilitados. Durante o estágio do curso de Artes Visuais foi observado às dificuldades queo sistema educacional enfrenta. Diante desta vivência e por meio do conhecimentoconstruído ao longo do curso e vivenciado no estágio, foi possível se obterresultados promissores com os alunos “especiais” e o ensino por meio das Artes,tais como a realização de simples atividades como a de segurar um lápis erascunhar algo no papel, utilizar a tesoura para recortar figuras durante as aulas decolagens, a criatividade, a auto expressão, a interação com o grupo, a concentraçãoe o raciocínio, colaborando na construção das habilidades cognitivas e motoras.Uma vez na semana esses alunos tinham aulas de dança e atividades físicas com o
  • 7. 6intuito de melhorar a coordenação dos movimentos e fazer com que recuperassem aauto estima e a auto confiança. Trabalhar de forma criativa, com estratégias queincentive a motivação dos alunos, é mais vantajoso, tanto para o educando comopara o educador. Houve momentos que foi necessário adaptar os conteúdos deacordo com a realidade dos estudantes, procurando respeitar seus conhecimentosprévios como indica os PCN quando trata das Adaptações Curriculares, necessáriopara este público. Ao trabalhar com materiais que estejam de acordo com ocotidiano, a aula torna-se mais produtiva e os alunos assimilam o conteúdo commais facilidade. Diante dos avanços este trabalho objetiva refletir sobre o papel da arte noprocesso de ensino-aprendizagem de crianças com necessidades educacionaisespeciais, visto que, a arte, indubitavelmente, facilita e promove o desenvolvimentode habilidades físicas, intelectuais e sensoriais superando modelos avaliativos sóquantificadores. Ao enfatizar os aspectos qualitativos do aluno, amplia-se acapacidade de se refletir criticamente sobre o papel do arte-educador no processoeducacional de pessoas com deficiências, pois a educação é a principal ferramentapara dirigir e orientar as aprendizagens, seu papel é a transmissão deconhecimentos, de técnicas e habilidades para que o educando se integre àsociedade com suas habilidades.
  • 8. 72. JUSTIFICATIVA O tema escolhido tem por objetivo patentear os benefícios do ensino da artecomo suporte educacional, social e cognitivo de crianças com dificuldadesintelectuais a desenvolver suas qualidades e habilidades tanto na sua vida pessoalquanto em seu processo de aprendizagem. O projeto foi desenvolvido com sucesso quando trabalhado durante osestágios II e III na Escola de Ensino Fundamental Imaculada Conceição, localizadana Avenida Marechal Deodoro, 631, centro, Feijó-Acre. A importância deste trabalho é ressaltar os resultados obtidos com o ensinodas Artes para uma clientela específica, que são crianças com dificuldadesintelectuais, que demandam um olhar diferenciado para que possam fazer parte dasociedade ativamente, de forma inclusa, de modo que possam interagir e participarativamente na escola ou outro lugar como qualquer criança, com todos os seusdireitos respeitados. A arte pode estar diretamente ligada ao processo de aprendizagem, descobrirquais meios e formas artísticas são mais utilizadas para estimular o aluno e de queforma estão presentes em seu cotidiano é de vital importância. A arte torna possívelo desenvolvimento do ser humano como parte integrante da sociedade, fazendocom que este ultrapasse o mundo das idéias para a prática. A importância deste é evidenciar o valor vital da Arte no âmbito educacional,de modo que, consigamos chamar atenção para uma disciplina que outrora fora tãodesvalorizada tanto pelo próprio corpo docente das escolas quanto pela sociedade,pois muitos ainda permanecem na ignorância desacreditando na oportunidade depromover a transformação do sujeito em seres humanos sensíveis passíveis desensibilizar aos que fazem parte deste mundo. Será, portanto, uma forma de ampliarseus conhecimentos sobre a arte e seu papel na sociedade capaz de promover asmais incríveis transformações, pois, a arte pode tanto nortear quanto definir nossaação enquanto indivíduos integrantes de uma sociedade, sociedade essa que seencontra em um intenso e dinâmico processo de mudanças, visando ainda,posicionar-se de forma crítica e mais pautada nos problemas que afligem não só osistema de ensino e aprendizagem, mas a sociedade em geral, conseguindo
  • 9. 8analisar suas causas e consequências e apontar soluções de modo que, beneficiese não a todos, mas a maioria. Durante uma conversa informal com a professora L. (da Escola ImaculadaConceição) ficou claro o quanto às crianças especiais de 1ª a 4ª séries tinham poucoou nenhum avanço nas aulas normais e, isso, era motivo de enorme frustração paraos professores, pois não sabiam como fazer para que essas crianças viessem a seinteressar pelos conteúdos. Eram crianças apáticas que não demonstravam o menorinteresse em assimilar qualquer coisa que o professor dizia ou fazia. Muitas delasainda apresentavam certo comportamento violento diante da “insistência” doprofessor para que ele (aluno) desenvolvesse alguma atividade na sala. E, semsaber que atitude tomar, devido à falta de especialização, a solução encontrada paraacalmá-las era chamar os pais, que muitas vezes apreensivos e temendo que algopior viesse a acontecer, usavam o comportamento do filho como obstáculo para queeste frequentasse a escola normalmente. Segundo a professora, o progresso aconteceu a olhos vistos. As criançasmelhoraram no desempenho de atividades simples às mais complexas a partir domomento em que passaram a fazer várias atividades artísticas, como pintar,desenhar, cantar, dançar, tiveram o primeiro contato com o computador, enfim,crianças que não se pronunciavam, em sala de aula passaram a interagir nasatividades rotineiras da escola, além de conviver melhor com os demais alunos. Poiso convívio diário com os portadores de necessidades especiais vai conscientizandoa todos de que essas crianças são tão capazes quanto às outras, que merecem amesma atenção, o mesmo carinho e respeito fundamentais no aprendizado e naeducação. Hoje é de fundamental importância a conscientização do ensino das artes.Investigar e explorar com autoconfiança novas possibilidades de se fazer arte, comotambém, descobrir recursos criativos para se expressar. No processo deaprendizagem, a arte tem o poder de transmitir informações e gerar o conhecimento,desabrochar sentimentos e, também, provocar as mais variadas reações. É umaforma de conhecer o que cada indivíduo pensa e sabe sobre arte e sobre o processode criação, pois, é notável a capacidade que a arte tem de conseguir fazer com queo ser humano desenvolva tanto o seu raciocínio lógico quanto sua criatividade e suaparticipação e colaboração na sociedade.
  • 10. 9 A arte é um viés para a transformação da educação assim como é para ahumanidade, portanto, como relata Sassaki em um artigo publicado na Revista 1Inclusão, a inclusão é uma tendência mundial que irá viabilizar e ampliar oscaminhos às pessoas com necessidades especiais através do envolvimento comatividades artísticas. Um belo exemplo são as Oficinas de Artes, importantes aliadasno processo de inclusão social, pois, durante as atividades terão a oportunidade deexperienciar outras formas de expressão que será por meio do desenho, da pintura,da dança, da música. A arte é um meio de comunicação necessário à formação daconsciência, da sensibilidade e da inteligência que firmará sua interação com arealidade. Ao mesmo tempo em que integra e inclui, a arte afasta as diferenças eamplia os horizontes para a diversidade humana. Hoje é possível ver aconcretização de vários projetos de Artes dirigidos para o público de ensino especial,alunos que fazem aulas de dança, desenho, enfim, projetos que têm como propósitoa formação dessas pessoas por meio da expressão artística. Para a formação do arte-educador, o valor e o potencial que a arte tem parainteragir no cotidiano das pessoas se integrando a estas, de forma que, seja capazde influenciar o conhecimento e instigar o saber com novas descobertas, surpresase com a grande diversidade de aprendizado. A intenção é atrair as atenções para o assunto abordado no projeto paraquando se depararem diante de uma situação de descaso da disciplina artes, possadefendê-la de modo que transmitam informações com fortes argumentos paraaqueles que ainda não a conhecem, tornarem-se outros arte-educadores edefensores de uma educação voltada para as Artes como método de ensino, pois aarte estimula e incentiva a aprendizagem. Para Haward Gardner “todos os indivíduos têm potencial para ser criativos,mas só serão se quiserem” (ÉPOCA, 2010). A arte com seu poder de transformaçãoirá trazer o estímulo necessário, que hoje, necessita ser despertado em nossosalunos para que sintam vontade de ir a escola em busca do conhecimento,transformando a escola em uma ambiente agradável e imprescindível na suaformação pessoal.1 Inclusão: O Paradigma do Século XXI por Romeu Kazumi Sassaki. Revista Inclusão, edição deOutubro de 2005. Disponível em:< http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/inclusao.pdf>. Acessoem: 05/11/2011
  • 11. 103-DESENVOLVIMENTO3.1- Contexto Histórico Da Educação Especial A contextualização da educação especial faz-se necessário para quepossamos entender o que de fato aconteceu desde os primórdios da educação atéos dias atuais. Nas antigas civilizações, até meados do século XV, “os deficientes” eramsacrificados, pois se acreditava que as causas da anormalidade estavam nos erroscometidos pelos pais e, por isso, eram castigados por Deus. Por muitos e muitosanos a prática do infanticídio foi à solução encontrada para a rejeição do serdeficiente. Como relata Juan José Mouriño Mosquera em seu livro denominadoEducação especial: em direção à educação inclusiva, (2004: 16), com um breverelato de Misés (1977: 14) Nós matamos os cães danados e touros ferozes, degolamos ovelhas doentes, asfixiamos recém nascidos mal constituídos, mesmo as crianças se forem débeis ou anormais, nós as afogamos, não se trata de ódio mas de razão que nos convida a separar das partes são aquelas que podem corrompê-las. Por volta do século XVIII, com o cristianismo em alta, a Igreja Católica entraem cena condenando tal prática, mas por outro lado, atribuía o fato de nasceremcrianças com alguma anormalidade como sendo sobrenaturais e, ainda comointervenções demoníacas submetendo-as a atos de exorcismos segregados emseus calabouços. Mas tal desfecho também não revelou resultados positivos e foiquando a medicina entrou na “disputa”, pois representava um grande campo deestudos e pesquisa na expectativa de desvendar os mistérios da mente humana.Para isso, foram criados os manicômios e orfanatos com o propósito de cuidar etratar os excluídos da sociedade, mas na verdade não passavam de prisões quecontinuavam segregar o indivíduo portador de necessidades especiais. Durante muito tempo o tema educação especial foi apenas teoria inexistindono cotidiano-prático das escolas. A princípio, a pessoa considerada excepcional não
  • 12. 11era se quer aceita na sociedade, muito menos que frequentasse escolas junto comas crianças “normais”, fatos acontecidos em meados do século XIX, quandoLangdon Down explicou o que seria a síndrome, que recebeu o seu nome e que hojeconhecemos como Síndrome de Down, antes conhecida como mongolismo. Namesma época que H. H. Goddard publica um livro chamado de “A família Kallikak”em 1912, baseado no estudo na hereditariedade e na debilidade mental. Na préestréia de seu livro publica um artigo no qual ele afirma que “O portador dedeficiência mental era uma ameaça para a sociedade porque procriava muito e seusfilhos poderiam ser deficientes também, criminosos ou antisociais (Goddard, 1912:12). Esta afirmação como podemos imaginar causou grande impacto na sociedade,pois à essas pessoas restaram o isolamento e a proibição de casarem-se ou teremfilhos, pois segundo a teoria de Goddard a geração dos “mentalmente fracos”causaria a destruição da sociedade, portanto deveriam ser removidos, além derecomendar a esterilização. (idem: 108). As teorias de Goddard foram veementemente contestadas por outrosestudiosos da época fazendo com o mesmo reconhecesse que seu método tinhafalhas, que nem todo “deficiente mental” teriam filhos com os mesmos problemasdesaconselhando, então, a esterilização obrigatória e, criando instituições, na épocadenominadas colônias para receberem essas pessoas e aprimorar seus estudos. Mesmo com tantos contratempos e, apesar da discriminação, essa época foimarcada pelo início dos estudos para que descobrissem uma forma de tratá-losavaliando o nível de deficiência que o portador tinha através de pesquisas científicase o desenvolvimento de alguns métodos que eram aplicados ao longo de anos parapoder acompanhar a evolução dessas pessoas. O século XIX foi marcado pela criação de instituições especializadas noamparo e no desenvolvimento do potencial dos PNEES, por isso, só a partir deentão se considera o surgimento da educação especial. Essas pessoas eramretiradas do isolamento de seus lares para passar a viver em “escolas” criadas nointerior, pois segundo os médicos, o campo era o lugar mais tranqüilo ondepoderiam descansar e se dedicar aos “estudos”, surgindo então, a PedagogiaTerapêutica, tendo como uma de suas defensoras a médica, psicóloga eantropóloga Maria Montessori. Montessori fundou as famosas “Casas Dei Bambini”, escolas onde ela poderiapor em prática tudo o que conseguira com seus estudos. Dedicou-se fielmente aos
  • 13. 12estudos de crianças com necessidades especiais. Para ela, a educação deveriaacontecer de forma espontânea, centrada na criança e em suas particularidades,estimulando-as a querer aprender, para isso, desenvolvia atividades motoras esensoriais. Criou uma grande variedade de jogos e materiais didáticos, como oMaterial Dourado, usado até hoje em muitas escolas. Essas escolas se multiplicarampor todos os continentes revolucionando o método tradicional de ensino.
  • 14. 133.2- Contexto Histórico Da Educação Especial No Brasil Após tantos anos de equívocos e desinteresse público a educação especialchega ao Brasil ainda um pouco tímida, com poucos avanços e resultados, mas queaos poucos foram conquistando o seu espaço e, finalmente torna-se uma tendênciano século XXI. As primeiras tentativas de se criar um sistema de ensino voltado para essepúblico seguiram as tendências européias e americanas, já que foram os primeiros apesquisar e descobrir que a educação seria de muito valor no desenvolvimentosocial e intelectual dos PNEES. A primeira instituição para portadores de necessidades especiais criada noBrasil foi a “Instituição dos Meninos Cegos”, fundada por Dom Pedro I, em 1854, noRio de Janeiro, com o intuito de aprofundar os estudos científicos nesta área. Váriasoutras instituições surgiram logo após, caracterizando a iniciativa oficial e abrindoum espaço nas leis brasileiras do direito à educação. A iniciativa do governo só aconteceu um século depois, até então, asinstituições que abrigavam e atendiam essa clientela eram de iniciativas privadas efilantrópicas. Em meados do século XX, o governo federal começou a abranger nosistema de ensino, o atendimento educacional aos “deficientes”, despertando ointeresse na área médica surgindo então a inspeção médica hospitalar, queexaminavam os alunos ao matricular-se nas escolas, identificando os queprecisariam de atendimento especial. Com isso surgiram as classes especiais e aformação dos primeiros profissionais para trabalhar com esta clientela. Com o surgimento de várias instituições de ensino voltadas para este público,em 1973 com a ajuda do Ministério da Educação foi criado o Centro Nacional deEducação Especial (CENESP), com o objetivo de solidificar o sistema de ensinoespecial brasileiro, criando subsídios para expandir cada vez mais o atendimento aoaluno “diferente”. Em 1994, foi realizada a Conferência Mundial Sobre NecessidadesEducacionais Especiais em Salamanca, Espanha, promovida pela UNESCO e pelogoverno espanhol, com o objetivo de reformar as políticas do sistema de ensinogarantindo a inclusão social. Foi considerada inovadora por que:
  • 15. 14 ...proporcionou uma oportunidade única de colocação da educação especial dentro da estrutura de „educação para todos‟ firmada em 1990 (...) promoveu uma plataforma que afirma o princípio e a discussão da prática de garantia da inclusão das crianças com necessidades educacionais especiais nestas iniciativas e a tomada de seus lugares de direito numa sociedade de aprendizagem. (UNESCO/Ministry of Education and Science – Spain. A conferência de Salamanca, 1994:15) Após tantas lutas e muita persistência foi reconhecido o direito que essaspessoas têm como cidadãos brasileiros de receber uma educação voltada àcidadania e a inclusão, garantindo ao educando condições para que este desenvolvaseu lado cognitivo, afetivo e social. Segundo a nova LDB/96 ”O atendimentoeducacional aos portadores de necessidades educacionais especiais será feito emclasses comuns de ensino regular.” (art.4º); “... garantindo quando necessário serviçode apoio especializado” (art.58, parágrafo 1º). Na verdade, isso é uma garantia dainclusão desses alunos no convívio com os demais ditos “normais”, preparando-ospara a vida e visando sua integração na sociedade como pessoas úteis e capazesde desempenhar tarefas. Segundo Mazzotta (1992:102) A finalidade da Educação Especial é oferecer atendimento especializado aos educandos portadores de deficiência, respeitando as necessidades e diferenças de cada criança, com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento global desses alunos, em seus aspectos: cognitivo, afetivos, psicomotor, lingüístico e social, tornando possível não só o reconhecimento de suas potencialidades como sua integração na sociedade. A preocupação agora passa a ser quanto à formação de profissionaishabilitados a lidar com esses alunos de forma a garantir sua aprendizagem edesenvolver suas potencialidades. Maria Teresa Cartolano em um artigo publicadosobre a formação do professor, em especial a educação especial nos diz que: Não podemos pensar isoladamente a formação do professor de educação especial. Ao contrário, é preciso considerá-la como parte integrante da formação dos profissionais da educação em geral e submetê-la, portanto, às mesmas discussões que se vêm fazendo neste âmbito, seja no âmbito nacional, estadual ou regional”. (Caderno Cedes, nº 23, 1989:14)
  • 16. 15 Todos ao escolher a área de educação para trabalhar (os educadores) devemreceber em sua formação cursos que os especialize e os qualifique comoprofissionais aptos a receber todo e qualquer público. Formação esta que deve sercontínua e refeita constantemente. Continuando com o mesmo artigo publicado em1998, Tereza Cartolano ressalta ainda que: Queremos deixar claro que o profissional que estamos formando não deve ser um mero aplicador de métodos e técnicas de ensino nem alguém que irá trabalhar somente com crianças excepcionais. Ao contrário, ele deve ser preparado, através de uma formação inicial básica e comum aos demais profissionais da educação, para atuar não só em classes do ensino regular, freqüentadas ou não por alunos com as chamadas “necessidades especiais”, mas também em escolas especiais - instituições especializadas - e em classes especiais. Como deve acontecer em todo trabalho pedagógico, esse professor precisa ter sempre postura de busca, de análise da sua prática pedagógica, para reformulá-la quando necessário e quando as circunstâncias o exigirem. Deve estar sempre aberto a fazer revisões no seu referencial teórico, de modo a acompanhar o desenvolvimento das ciências e as descobertas da tecnologia para seu campo de atuação.
  • 17. 163.3- Arte-Educação no contexto escolar do Ensino Especial A arte-educação no Brasil surgiu na década de 70 na tentativa de resgatar osvalores culturais e incentivar o gosto pela arte despertando a criatividade e, comisso, o aprendizado de várias formas conversando, inventando e explorando. A arte é capaz de abrir muitas portas e caminhos no desenvolvimento do serhumano, despertando a sensibilidade, a criatividade e concretizando sonhos outroratão distantes, caminhos estes que foram conquistados com muita luta, pois era umsonho desacreditado pelo sistema de ensino tradicional e, portanto, desvalorizado.(Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5.692 de 1971). Mas, com opassar dos anos o ensino de artes alcançou o sistema de ensino e revolucionouseus métodos e técnicas passando a incentivar os alunos fazendo com que estescriassem suas produções, que dessem “asas” a imaginação. (PCN, Artes, pg. 19). Oprimeiro passo foi despertar a criatividade e a capacidade de inventar, superandoseus próprios limites, se descobrir através de obras, expressarem seuspensamentos e sentimentos algo que até então não era possível por desobedeceraos padrões educacionais e estéticos da época. (Lei de Diretrizes e Bases daEducação Nacional nº 5.692 de 1971). A arte torna possível o desenvolvimento do ser humano como parteintegrante da sociedade fazendo com que este ultrapasse o mundo das idéias para aprática e a comunicação formando conceitos e trabalhando em cima dessesconceitos. Essas descobertas fazem com que os alunos sejam capazes de ver, ler eanalisar o meio em que vive descobrindo respostas cada vez mais criativas e semmedo de errar, pois na arte não procuramos encontrar o certo ou o errado e, sim,despertar a sensibilidade e a criatividade. Este é o significado de arte-educação nos dias atuais, uma disciplina que fazaflorar a habilidade de percepção nas mais sutis tarefas humanas, pois o ensino daarte concretiza em conjunto com a prática, a apreciação e a observação. É inegávela contribuição que “o fazer artístico” traz para a sociedade e o encantamento queexerce em todos, promove a interação a partir do contato com os materiais artísticose torna-se algo prazeroso, recreativo e envolvente. Faz-se necessário trabalhar o ensino da arte e o seu poder de transformaçãocapaz de superar os desafios para mais tarde servir de exemplo para os demais
  • 18. 17professores de outras disciplinas, estimulando e incentivando um melhordesempenho em sala para que possam também ver essa transformação em seusalunos. O estudo abrangeu crianças e adolescentes com idade entre 07 a 16 (sete adezesseis) anos, na Escola de Ensino Fundamental Imaculada Conceição,atendendo somente de segunda a quinta-feira por falta de acessibilidade, pois, aescola não é preparada tanto em estrutura física como em profissionais habilitadospara atender a esse público, causando evasão dos poucos que conseguem sedeslocar até o local, ou ainda, fazendo com que os pais dessas crianças não sesintam plenamente confiados em mandar seus filhos para a escola devido suas“necessidades”. Durante a experiência do estágio pude acompanhar alunos comdeficiência mental (retardo e microcefalia), Síndrome de Down, visão baixa e traçosautistas. Todos freqüentam a escola de ensino regular com os demais alunos. A professora coordenadora do ensino especial do Município de Feijó, MariaLaíde Victor, busca conscientizar os pais, professores, autoridades e comunidadeem geral, a prestar mais atenção ao que acontece em nosso município em relação àeducação dessas crianças para superar esse problema e fazer com que a escolareceba cada vez mais um número maior de crianças portadoras de deficiências. Estapor sua vez está constantemente se capacitando, buscando conhecimentos paradesenvolver atividades que ampliem os recursos pedagógicos necessários aodesenvolvimento cognitivo, motor, físico, emocional e social da criança. Nas escolas do município de Feijó, o ambiente escolar ainda não é capaz desuprir as necessidades voltadas para esse público, pois, apesar de professores ecoordenadores fazerem cursos de capacitação, ainda falta o treinamento para osdemais funcionários da escola, além do que as condições de ensino são precárias.O máximo que conseguiram foi uma sala de aula que oferece os requisitos mínimostanto de acesso como de material didático, pois este pequeno espaço reservadopara eles é composto de uma boa ornamentação e materiais didáticos como tapetesde e.v.a, livros, tintas, pincéis, vídeos, TV, dentre outros, como o computador, umaimportante ferramenta a ser utilizada no processo de ensino-aprendizagem. Numa pesquisa realizada por Filipe Et Alii em crianças com necessidadesespeciais, em particular os que sofriam de paralisia cerebral revelou que a tarefa detranscrever textos no computador
  • 19. 18 estimulou a sensibilidade táctil e a coordenação motora no teclado no que diz respeito ao controle manual; expôs os alunos a correspondência entre diferentes tipos de letras proporcionando situações direta de equivalência entre símbolos gráficos; favoreceu a percepção da organização espacial de escrita: separação de palavras, alinhamento e localização de sinais de pontuação, além da aprendizagem intuitiva e analógica da ortografia de uso e gramatical como a pontuação, organização de parágrafos, letra maiúscula no início da frase. (1990: 39) Na maioria das vezes seguem à custa do improviso e da boa vontade. Todosesses materiais didáticos são utilizados no desenvolvimento das aulas comodesenho, pintura, confecção de bonecos, teatro de fantoches e danças além decontribuírem também no repasse de conteúdos das demais disciplinas e, dessamaneira, contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora e psíquicaauxiliando no processo de inclusão da criança. Os relatos de um grupo de teatro quepassaram por uma experiência dessas afirmam que: Somos diferentes, mas não queremos ser transformados em desiguais. As nossas vidas só precisam ser acrescidas de recursos especiais. (Peça de teatro: Vozes da Consciência, Belo Horizonte) Temos uma importante ferramenta para nos auxiliar no desenvolvimentomental, psíquico e cognitivo das crianças especiais que são as atividades lúdicas.Por meio dessas atividades podemos explorar, desenvolver e experimentar todo ummundo novo de aprendizagens e, principalmente, desenvolvendo as habilidades quecada um tem. Por isso cabe a nós, como educadores, estarmos cada vez maisaprendendo novos métodos e estratégias, novas brincadeiras, dinâmicas para queassim, possamos ampliar o processo de ensino-aprendizagem fazendo com que ascrianças queiram aprender, se sintam estimuladas a adquirir conhecimentos, casocontrário, o processo de aprendizagem se tornará mecanizado e sem sentido. Segundo Verden-Zöller (2004:139) brincar: é uma atividade que realizamos sem objetivos, mesmo que por outro lado tenha um propósito. E com freqüência realizamos de modo espontâneo, tanto na infância como na vida adulta, quando fazemos o que fazemos atendendo - em nosso emocionar-se - ao fazer e não às suas conseqüências. A brincadeira é uma maneira de o professor acompanhar o desenvolvimentosocial, cultural e psicológico da criança. Pode ainda descobrir nas brincadeiras de
  • 20. 19“faz de conta” os medos, anseios, sonhos e como ela assimila mais fácil osconteúdos a serem estudados. Cabe a nós, arte-educadores desenvolver projetosfocados na maneira de como expor os assuntos a serem abordados de maneira queconsigamos alcançar nossos objetivos, enquanto professores, que é garantir aaprendizagem dos alunos, pois, nada melhor do que aprender brincando, de formaespontânea e prazerosa. Carlos Drummond de Andrade escreveu o seguinte parágrafo sobre aimportância do brincar: Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem. (Fonte: http://www.projetospedagogicosdinamicos.kit.net/index_arquivos/Page756.h tm) A arte rompe as barreiras do tecnicismo e abre as portas para aespontaneidade, o improviso, para a capacidade de transformar, fugir dasuperficialidade e gerar emoção revelando verdadeiros talentos, fazendo com que aarte vá além de uma simples disciplina curricular e se torne parte da formaçãohumana, pois, na verdade os artistas são os responsáveis pelas impressõessimbólicas, seus desenhos ou pinturas, enfim, qualquer forma de arte sãotransferências simbólicas de seus sentimentos que estão sendo representados e,portanto, que refletem todo seu potencial. Por muitos e muitos anos as crianças com necessidades educacionaisespeciais eram consideradas incapazes de aprender alguma coisa, mas depois de 2alguns estudiosos se dedicarem à causa descobriu-se que, as limitações existem,mas também, é necessário mais dedicação, por parte dos professores, para setransmitir informações necessárias ao seu aprendizado. Informações que precisamdespertar interesse em ser buscado. Com os meios pedagógicos necessários, comum ambiente escolar adaptado às necessidades, com recursos de materiaisdidáticos, de profissionais qualificados, os portadores de necessidades educacionais2 O médico Jean Marc Itard (1774-1838) desenvolveu as primeiras tentativas de educar uma criançade doze anos de idade, chamado Vitor, mais conhecido como o "Selvagem de Aveyron".A médica pedagoga Mª Montessori, pioneira no campo pedagógico ao dar mais ênfase à auto-educação do aluno do que ao papel do professor como fonte de conhecimento.
  • 21. 20especiais podem desenvolver tanto suas possibilidades assim como, suashabilidades e interagir como parte da sociedade e na sociedade. Durante muito tempo o ensino de artes ficou restrito a um pequeno gruposocial. Como nos diz Ana Mae: Precisamos levar a arte que hoje está circunscrita a um mundo socialmente limitado a se expandir, tornando-se patrimônio da maioria e elevando o nível de qualidade de vida da população. Ana Mae Barbosa (1991:6) Passaram-se alguns anos desde o surgimento da disciplina de Artes até a suaaceitação como parte do currículo escolar, mas o ensino de artes alcançou a redepública e conseguiu surpreender a todos com suas mais variadas formas deaprendizagem. É uma disciplina de constante mutação e que consegue se implantarem qualquer outra resgatando o olhar curioso dos alunos, as busca pela descobertados “por quês”, aguçando o pensamento, a imaginação, a criatividade. Segundo os PCN de Artes (p.44): ...entende-se que aprender arte envolve não apenas uma atividade de produção artística pelos alunos, mas também a conquista da significação do que fazem, pelo desenvolvimento da percepção estética, alimentada pelo contato com o fenômeno artístico visto como objeto de cultura através da história e como conjunto organizado de relações formais... Ao fazer e conhecer arte o aluno percorre trajetos de aprendizagem que propiciam conhecimentos específicos sobre sua relação com o mundo. Tais questões levantam hipóteses, questionamentos e reflexões sobre como aarte está inserida no meio em que vivemos, além de, descobrir qual a percepção queessas pessoas têm sobre as artes e suas diferentes formas de expressão revelandoo lado prazeroso, recreativo e envolvente que nos leva a pensar, a ter disciplina,desperta prazer, sentimentos, responsabilidade, raciocínio e a criatividade, seja naprodução de uma obra de arte ou na vida cotidiana. O sucesso das aulas de artes fez com que coordenadores do cursopensassem em adaptar os conteúdos para que passem a ser transmitidos por meioda arte, ou seja, trabalhar com a interdisciplinaridade a fim de garantir e ampliar oconhecimento e o desenvolvimento desta clientela. Quanto às crianças que tinham dificuldade de relacionamento, o problema foiaos poucos sendo superado quando alguns professores perceberam que nas aulas
  • 22. 21de artes assim como as crianças “normais”, os alunos portadores de necessidadesespeciais conseguiam desenvolver algumas tarefas e, aos poucos, puderam secomunicar e interagir com os demais colegas e professores. Ainda na LDB/96 dizque O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. (art.58, parágrafo 2º); A solução foi criar um ambiente exclusivo de ensino especial, com um sistemade ensino voltado para as artes, mas que não atrapalhasse a frequência escolar, ouseja, continuariam frequentando a escola normalmente, aqueles que estudavam noperíodo da manhã iriam às aulas de “reforço” à tarde e vice versa. Em umdepoimento, a professora Lúcia disse que Dentro de nosso projeto procuramos desenvolver aulas que estivessem de acordo com a capacidade física, emocional e cognitiva de cada aluno. Visando também, ajudá-los a superar cada desafio que surgirem em sua frente. Trabalhar com crianças “especiais” é o trabalho mais especial que tem, pois em sua maioria são crianças carentes e que dependem muito de carinho e incentivo para se sentirem como parte ativa do mundo em que vivem. Chega a ser frustrante ver crianças tão especiais com vontade de freqüentar uma escola e que não fazem por falta de acesso, já que em nenhuma há estrutura necessária e adequada para receber esse público que não é pequeno. É diante da importância que a arte tem alcançado na educação que, eu, comofutura arte-educadora creio que é fundamental aprender a perceber e estimular opotencial criativo de cada pessoa, valorizar suas idéias e, acima de tudo, procurarestar sempre atualizada sobre o que há de melhor em relação a conteúdos,objetivos a serem alcançados e, principalmente, os métodos de ensino para cadalinguagem artística fazendo com que construam seu próprio conhecimento e sereconheçam como seres formadores da cultura.
  • 23. 224- CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio desse estudo foi possível verificar o quanto a arte está ligada aoprocesso de ensino-aprendizagem, promovendo momentos de descontração,desenvolvendo o pensar, a capacidade de olhar e interpretar o que está ao seuredor se reinventando a cada descoberta e analisando a realidade à qual estáinserido despertando a criatividade e a espontaneidade, oportunizando o sentimentode igualdade e desta forma evidenciando o processo da Inclusão, que se refletirá emsua vida pessoal e social. A arte proporciona ao ser humano o conhecimento e com isso, acompreensão do mundo, principalmente, amplia as possibilidades de entendimentonas outras áreas de estudos como, por exemplo, as aulas de história que retratammuito as civilizações antigas e contemporâneas que aos poucos nos levam aestudar sobre seus desdobramentos ao longo dos anos, seus costumes, suas idéias,sobre quais movimentos artísticos se desenvolveram, para só assim ver que nãoexiste diferença entre pensar, sentir e viver a arte em si aprendendo a valorizar oque está ao seu redor, a própria cultura, a própria arte. Hoje, a proposta feita pelos PCN é a valorização da arte local, visandodescobrir conteúdos que estejam presentes no dia a dia do aluno e assim valorizar oseu saber, sua aprendizagem, sua origem e o lugar onde vive, reconhecendo esendo reconhecido através do seu fazer artístico e construindo sua identidade,desenvolvendo uma reflexão crítica a respeito do mundo e de si mesmo. O que faltapara completar esse ciclo de aprendizagem é a formação de professores na área,professores qualificados capazes de transmitir conhecimentos e possibilitar aaprendizagem, para assim, nós, futuros educadores, podermos atender asnecessidade de cada aluno, tirar suas dúvidas e ajudá-los cada vez mais acompreender e ingressar no mundo da arte. Devemos estimular a mente de nossas crianças a descobrir o novo. Podemosfazer com que as crianças sintam-se capazes, independentes e, acima de tudo, quetenham seus trabalhos valorizados por parte dos professores. Assim, dessa forma,se tornarão crianças criativas e preparadas para lidar com o mundo lá fora. E asociedade poderá ampliar seus conhecimentos e aprender a lidar com essas
  • 24. 23crianças que fazem parte sim de nossas vidas seja direta ou indiretamente. Esse éum problema que atinge a todos e não somente aos pais de crianças portadoras denecessidades especiais. O desafio de estagiar na sala de alunos portadores de necessidadeseducacionais especiais foi incomensurável pela oportunidade de poder aprofundarmeus estudos na área de educação especial, além de, fazer parte do cotidianoescolar, observando as dificuldades enfrentadas tanto pelas crianças, como pelospais e professores, não só em relação aos conteúdos como também, em relação aopreconceito de frequentar uma instituição de ensino. Espero um dia por em prática tudo o que estou aprendendo. Fazer com quemeus futuros alunos possam compreender a dimensão e o poder expressivo derepresentar as próprias ideias seja através da linguagem, como através da dança,do desenho, da pintura entre outras formas que a arte possui para se revelar emnosso dia a dia. Nós, como educadores, estamos aprendendo mais para ensinar melhor eassim, reorganizar o ensino da arte, não com base no que vimos na escola e, sim,com base no conhecimento que ora estamos a construir. E que no futuro, sejamostambém construtores de conhecimentos para que mais tarde, colhamos os frutosdessa nova safra que está a ser semeada. A minha intenção é estimular essas crianças a despertar o interesse pela artecomo forma de expressão para depois desenvolver suas habilidades artísticas,quero mostrar-lhes que não precisa ser gênio para fazer uma obra de arte, bastadedicação e sensibilidade, pois a arte é algo que parte de dentro do ser humano,então temos de abrir nossos olhos e nossa mente para que a arte comece a fazersentido e possamos percebê-la ao nos depararmos com ela. Espero está apta adescobrir quais os anseios, as impressões e as expectativas referentes ao ensino-aprendizagem de artes, pois, vejo na arte uma forma de romper com as barreirasque essas crianças enfrentam por sentirem-se excluídas da sociedade ou ainda,julgar-se incapaz de fazer arte e ajudá-los a superar as dificuldades do dia a dia. Mas para isso acontecer é necessário uma atenção especial de nossosrepresentantes políticos voltada para esta modalidade de ensino, enquanto não sefirmar um compromisso com o ensino especial cada vez mais e mais criançasacabam no esquecimento e relegadas à exclusão.
  • 25. 245- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASArtigo da web – MORAES, Natacha. Educação e Crianças Especiais. Que inclusão?Disponível em: <.http://www.webartigos.com/articles/14768/1/Educacao-e-Criancas-Especiais/pagina1.html > Acesso em: 02 julho 2011.Artigo da web – CASOLARY,Lucy. Crianças Especiais. Disponível em:<http://www.clicfilhos.com.br/site/display_materia.jsp?titulo=Crian%E7as+especiais>Acesso em: 03 julho 2011.Artigo da web – MARTINS, Vicente. Educação Especial como Direito. Ed. Nº 37.Disponível em: < http://www.kplus.com.br/materia.asp?co=87&rv=Direito > Acessoem: 03 julho 2011.Artigo da web- Entrevista a Howard Gardner pela revista Época. Disponível em:http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/entrevista-howard-gardner-509064.shtml Acesso em: 07/10/2011Blog Deficiência E Inclusão SocialDisponível na Internet via correio eletrônico:http://deficienciavisualsp.blogspot.com/2009/04/recados-animados-deusescolhe.html. Acesso em: 02 julho 2011.BRASIL, Secretaria da Educação Fundamental, (1998). Parâmetros curriculares nacionais: Arte. Brasília: MEC/SEF.B823p Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curricularesnacionais: arte / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.130p.1. Parâmetros curriculares nacionais. 2. Arte : Ensino de primeira à quarta série. I.Título.CDU: 371.214CARTOLANO, Maria Tereza Penteado. Formação do educador no curso depedagogia: A educação especial. LTN: Caderno Cede, Campinas, setembro 1998.Declaração De Salamanca. Sobre Princípios, Políticas e Práticas na Área dasNecessidades Educativas Especiais. Disponível na Internet via correio eletrônico:http://portal.mec.gov/arquivos/pdf/salamanca.pdf. Acesso em: 12/10/2011.FILIPE, M. L. et alii. Teclar, Aprender, Comentar, Divulgar. - Actas do Seminário: Ocomputador no ensino/aprendizagem de língua. GEP/ME. Lisboa, março, 90 - p.39-41; disponível em:<http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/documentos/espacovirtual/espaco-praxispedagogicas/DIFICULDADE%20DE%20APRENDIZAGEM/Estudo-do-processo-daleitura-e-escrita-de-criancas-portadoras-de-necessidades-especiais.pdf>. Acesso em: 03 julho 2011.
  • 26. 25GODDARD, Herbert Henry. A Família Kallikak. (1912): A Hereditariedade e aDebilidade Mental. Nova Iorque: Macmillan. Disponível em:<http://books.google.com.br/books?id=sM4ZMClj6O4C&pg=PA264&lpg=PA264&dq=%E2%80%9CA+fam%C3%ADlia+Kallikak%E2%80%9D+em+1912&source=bl&ots=IsMajl84NU&sig=Wq5awu3VCtPmOw22Anw3p0pRmMY&hl=pt-BR&ei=9Vt-Tu-IM7OGsALeoBM&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=3&sqi=2&ved=0CCUQ6AEwAg#v=onepage&q=%E2%80%9CA%20fam%C3%ADlia%20Kallikak%E2%80%9D%20em%201912&f=false >Acesso em 24 set 2011.LOWENFELD, Vitor. Por que é importante a criança desenvolver uma atividadecriadora? In: A criança e sua arte. São Paulo: Ed Mestre Jou, 1977. Disponível em:< www.culturainfancia.com.br > Acesso em: 02 julho 2011.MAZZOTTA, Marcos José da Silveira. Fundamentos de Educação Especial. SãoPaulo: Pioneira, 1992Normalização de trabalhos acadêmicos - ABNT/NBR 14724:2011Disponível na Internet via correio eletrônico:http://www.slideshare.net/UnespRC/normalizao-de-trabalhos-acadmicos-abntnbr-147242005. Acesso em: 02 julho 2011.SANTOS, Mônica Pereira dos. Educação Inclusiva e a Declaração de Salamanca:Conseqüências ao Sistema Educacional Brasileiro. 1995. Disponível em:http://www.lapeade.com.br/publicacoes/artigos/Educacao%20Inclusiva%20e%20a%20Declaracao%20de%20Salamanca.pdfSTOBAUS, Claus Dieter. Educação Especial: em direção à educação inclusiva/organizadores Claus Dieter Stobaus, Juan José Mourino Mosquera. – 2º Ed. PortoAlegre: EDIPUCRS. 2004. Disponível em:<http://books.google.com.br/books?id=fwc62sl_8VcC&pg=PA273&dq=LIVRO+Educa%C3%A7%C3%A3o+Especial:+em+dire%C3%A7%C3%A3o+%C3%A0+educa%C3%A7%C3%A3o+inclusiva/+organizadores+Claus+Dieter+Stobaus&hl=pt-BR&ei=6JSUTufZBIno0QHJhMy9Bw&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CDsQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false> Acesso em: 09/10/2011SILVA, Roberta Nascimento Antunes. A educação especial da criança comSíndrome de Down. Pedagogia em Foco. Rio de Janeiro, 2002. Disponível em:<http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/spdslx07.htm >. Acesso em: 03 julho 2011VERDEN-ZÖLLER, G. O brincar na relação materno-infantil. In: MATURANA, M;VERDEN-ZÖLLER, G. Amar e brincar: fundamentos esquecidos do humano dopatriarcado à democracia. São Paulo: Polar Athena, 2004. Disponível em:<http://www.ufpel.edu.br/cic/2008/cd/pages/pdf/CH/CH_00900.pdf >Acesso em: 03julho 2011.Web Site elaborado pela JHP Design - www.jhpdesign.kit.net - Todos os Direitosreservados à PPD. Frases e Citações. Disponível na Internet via correio eletrônico:http://www.projetospedagogicosdinamicos.kit.net/index_arquivos/Page756.htm.Acesso em: 03 julho 2011.
  • 27. 266- ANEXOSFotos dos alunos especiais na escola Sala de aula reservada aos alunos necessidades educacionais especiais. Professoras Lúcia, Gesilda (de costas) e a Laíde (de frente), coordenadora do curso de Ensino Especial em Feijó.
  • 28. 27Fotos da exposição com os trabalhos artísticos elaborados pelos alunos com Necessidades Educacionais Especiais na Escola Imaculada Conceição L. B. – aluna com Síndrome de Down, participando da exposição Trabalhos realizados pelos alunos.
  • 29. 28

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